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A noite de primavera-quase-verão é abafada pela proximidade física dos corpos alheios se esbarrando na rua de baixo, tão presentes e tão distantes graças ao atrativo mundo ilusório atrás das telas de seus smartphones de última geração.

Ninguém olha o rosto do vizinho ou para a caminhada para dar atenção à criança ao léu na esquina – a moça de sapatos caros diria que não tem trocado algum, enquanto arruma os cabelos recém feitos numa tentativa porca de preencher o vazio existencial de seu auto ódio graças à baixa autoestima. O homem de negócios continua a correria trabalho-casa-igreja-amante enquanto grita com o estagiário ao telefone, e ninguém realmente nota a caminhada solitária do estudante até a frente da casinha velha e deteriorada no começo da calçada.

O rosto desconhecido da subcelebridade mais falada no momento se molha com as lágrimas ardidas presas ao longo do dia. Estou de volta virou frase proibida, e a despeito das inconvenientes mensagens de carinho e admiração recebidas em seu perfil do Vrains, não há uma alma física para dizer que é bom vê-lo de novo. Ninguém realmente se importa com o homem por trás da farsa.

O escuro frio da sala vazia traz o abraço amargo de mais uma noite de pesadelos.

A ilusão do mundo digital chama seu nome mais uma vez.

17 de Maio de 2020 às 14:59 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Bar-t-t-tender Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca

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