kanaeyy kanaey

"E tudo está bem." É assim que Morty pensa todas as manhãs em que acorda na mesa da cozinha e vê sua família se sentar ao seu redor para o café. Eles ainda estão lá, não o deixaram, e mesmo que isso ainda não apazigue toda a dor que sente, está bom.


Fanfiction Desenhos animados Para maiores de 18 apenas.

#depressão #Rick-and-Morty #morty #família
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Minhas dores

Às vezes, no meio da madrugada, desperto, não por algum som exterior e sim por um pesadelo que nunca me lembro qual. Como sei que é um pesadelo? Bom, minhas mãos estão tremendo, meu corpo todo banhado em suor frio e o coração disparado me dão essa noção. Um sonho tão horrível para a minha saúde mental que minha mente o bloqueia.

Piso no chão com meus pés descalços e sinto o frio percorrer minha pele, como um sinal necessário para que eu lembre que estou vivo e acordado. Aos tropeços pelo escuro dos corredores, pois não acendo as luzes com o receio que isso possa acordar meus pais ou Summer, o que levaria somente a um interrogatório chato sobre o que eu estava fazendo. Chego a cozinha, puxo uma cadeira e me sento sozinho no breu com meus pensamentos entorpecidos pelo sono.

Começo a me recordar de muitas coisas, e o mais repetitivo é minha família, aqueles que me proporcionam amor e dor em mesmo nível. E Rick, meu querido avô, está em primeiro lugar; na minha crença íntima, ele me ama e demonstra isso de uma forma torta. E estou bem com isso, ou acho que estou - e estarei até certo ponto.

Minhas aventuras com ele são sempre memoráveis, mundos e dimensões exploradas que eu nunca imaginaria conhecer. Afinal, fracassados de merda como eu, Morty, vivem e morrem tediosamente, sem legado, esquecidos em menos de vinte quatro horas. Porém, Rick me fez sentir ao menos um pouquinho a mais que isso.

Nunca serei um gênio reconhecido por toda galáxia, talvez um caixa em um supermercado que ajude as velinhas com as compras, nem alguém capaz de esconder suas dores por tempo o suficiente para se mesclar a elas. São minhas dores que me fazem chorar, gritar, entrar em desespero, ser estúpido; posso resumi-las em uma palavra simples: insegurança.

A insegurança de que um dia Rick me abandone assim como fez com sua filha, Beth, minha mãe, que aliás, temo que um dia me deixe de lado. Summer, minha irmã mais velha, que um dia me esqueça para viver uma vida longe; e por último, Jerry, meu pai, que com seu jeito de ser não saiba mais como ser um pai.

Tudo isso me atormenta, me corrói a alma, mas está tudo bem. Deito minha cabeça na mesa e fecho os olhos com um sorriso doloroso repetindo que está tudo bem, e que amanhã de manhã verei todos e eles ainda serão eles, estarão lá para mim com suas formas tortuosas de demonstrar que se importam comigo.

Então adormeço, acordo novamente com a luz do sol entrando pela janela e minha família chegando para o café da manhã e meu primeiro pensamento do dia é:

Está tudo bem, ainda estão aqui!

Todos se sentam ao meu redor, muitas vezes mal humorados e trocando farpas e indiretas, e sem isso, não seriam eles, admito. Amo todos, e mesmo que minhas dores continuem comigo até transbordarem em lágrimas para se amenizarem, mas nunca sumir, sou feliz e grato por aquela família complexa.

E está tudo bem.

2 de Junho de 2020 às 15:12 0 Denunciar Insira Seguir história
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kanaey ⠀⠀⠀⠀⠀⠀𝙋𝙇𝙐𝙎 𝙐𝙇𝙏𝙍𝘼! -'ღ'- ⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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