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Quando a loucura é a única saída para escapar da morte, é a hora de Alice se entregar de braços abertos, e mesmo que resista, não poderá negá-la por mais tempo.


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O conselho de um amigo

Alice, Aliceee!

O que foi? Não vê que estou ocupada?

A voz mais nada disse após a resposta de Alice, porém a garota sabia que seria questão de pouco tempo até que ela voltasse a lhe perturbar mais uma vez a cabeça. Aproveitando os minutos de paz voltou a andar em frente, sempre em frente, pois algo em sua intuição dizia que era o caminho menos errado a se tomar. Se ocupando em recordar de tudo aquilo que sabia como uma distração para não pirar de vez — e também como um teste para saber se ainda era ela mesma.

Tão focada ficou em se lembrar se a França era capital de Paris ou se Paris era capital da França que não viu uma pedra de tamanho considerável em seu caminho, e bem, o resultado não poderia ser diferente: tropeçou. E se não bastasse machucar os dedos do pé direito, Alice foi com todo o corpo de encontro ao chão.

A gravidade não dá uma fora, pelo visto.

Pensou fechando a face em uma careta emburrada, assim como fazia quando rolava das escadas de casa. Se pôs de pé sem reclamar, batendo as mãos em seu vestido para tirar a terra e sacudindo o cabelo para que as folhas nele grudadas caíssem. Estava puro ódio por dentro, nada parecia estar a favor dela naquele lugar, sem contar que nem tinha mais certeza de quem era, e muito menos para onde ir.

Os olhos azuis se encheram de lágrimas, mas Alice as conteve, não queria correr o risco de acabar como antes quase se afogando em seu próprio choro.

Sua garota burra, burra! Porque teve de seguir aquele coelho branco? Se ao menos dessa vez tivesse contido sua curiosidade não estaria aqui nessa situação deplorável!

Oh, Alice.

A voz em sua mente se manifestou com seu melhor tom debochado.

Perdida no meio de toda essa loucura, coitadinha da minha pobre Alice.

— Cale-se!

Esbravejou e em seguida levou as mãos ao rosto para conter a si mesma, pois já não o conseguia somente por pensamentos. Sentia a necessidade estranha para ela de que estava cheia e nem mesmo havia comido tanto para isso também. Sentia-se sufocada, como se mais nada coubesse dentro dela e essa constatação a deixou aterrorizada. Se mais nada cabia, como faria para tirar e fazer caber mais novamente?

— Não pense demais minha querida, ou pode se encher tanto de ideias e acabar explodindo.

A voz conhecida fez Alice retirar as mãos de seus olhos para poder encarar o gato de Cheshire deitado sobre seus pés ostentando seu largo sorriso cheio de dentes pontiagudos.

— Não entendo senhor gato, como posso me encher de ideias e explodir por isso? — Questionou, ficando totalmente alheia ao seu próprio surto há pouco.

Você se distrai muito fácil. É por isso que não consegue nem mesmo achar o caminho de casa.

A voz provocou, porém Alice não deu atenção se focando totalmente no gato que agora passava por entre suas pernas ronronando e se esfregando nelas.

— És bem tola pelo que vejo, minha cara. Assim não sobreviverá aqui e quem diga ainda à rainha. Então serei um bom amigo e lhe darei um conselho.

— E que conselho seria?

Há pouco estava se martirizando por sua curiosidade e agora está curiosa de novo. Alice, se eu não fosse parte de você, teria desistido agora e ido-me embora.

Oh, deixei de ser dramática voz na minha cabeça. Porque não vai fazer um teatro já que tem tanta gama para drama?

Não obteve resposta, e preferiu assim. Não estava com tempo para discussões mentais.

— O meu conselho é...

A voz do gato de Cheshire a trouxe de volta para aquela realidade insana. E se aproximando mais do bichano Alice instigou:

— É?

— Pessoas loucas tendem a fazer loucuras e aceitá-las. Pessoas meio-loucas tendem a fazer loucuras e questioná-las. Sabe qual a diferença entre elas? Oh, mais é claro que não sabe, nem sabe para onde ir. Então eu vou lhe dizer apesar de não haver tanta diferença entre si, já que uma é sequência da outra.

— Também não entendo.

Alice o interrompeu, o felino não pareceu gostar disso já que a olhou sério, sem sorrir, e depois voltou a falar ignorando-a. Não era assim tão burra para não entender o recado e para não cometer outro deslize. Tapou sua boca com suas duas mãos para isso.

— Você é uma meio-louca em ascensão para uma louca e só não chega a ser louca pois pensa demais quando não deve. Por isso, lhe digo para dar um jeito de passar para a próxima sequência o mais rápido que puder, ou correrá o risco de perder a cabeça.

— E quem lhe disse que eu quero ser louca? E também quem lhe disse que sou meio-louca?

Alice questionou em cólera, as bochechas ganhando uma coloração rubra e inflando-se de ar.

— Ninguém. Mas, se não fosse ao menos um pouco meio-louca não estaria aqui, observe, onde já se viu um gato sorrir e conversar?

— Isso não diz nada!

Na verdade, diz muita coisa.

— Não venha me importunar voz maldita!

— Pelo que vejo está bem encaminhada para se tornar uma louca de pedra.

Dito aquilo o sorriso do gato se alargou mais ainda, se antes quase lhe tocava as orelhas felpudas, agora só faltava ultrapassá-las. Então, aos poucos ele começou a sumir, primeiro o tronco e as patas, depois o rabo e por fim o rosto e os olhos, ficando apenas seu sorriso que Alice teve vontade de dar um chute com todas as suas forças para quebrar alguns de seus dentes, mas logo desapareceu totalmente, sem dar chances para que a garota pudesse realizar seu desejo.

Bastante irritada e incrédula sobre ter sido apontada como louca em potencial sem nem mesmo uma boa introdução, Alice continuo a andar em frente. Pisando duro e com as mãos ao redor do corpo, fechadas com forças.

Animal imbecil!

Exatamente. Afinal, não precisamos dele para nada certo? Estamos bem, e se chegamos até aqui vivos não foi graças a ele.

— Concordo com você. Meio-louca eu? Até parece, o único louco aqui é aquele gato, isso sim!

Imersa demais em sua conversa com a voz em sua mente, Alice não pode notar um pouco mais ao longe de onde caminhava, uma lagarta azul em seus 4 centímetros fumando um narguilé e a observando com o semblante passivo sobre um cogumelo.

— Pobre Alice, tão nova e já no caminho da insanidade.

Disse a lagarta balançando sua cabeça de um lado para o outro em negação, enquanto a fumaça que escapava de sua boca dava forma as letras que formaram as seguintes palavras:

P O B R E

A L I C E


2 de Junho de 2020 às 15:17 0 Denunciar Insira 0
Fim

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