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lc Lorena Chicherchio Ás vezes escrever é difícil, mas as vezes tudo que eu ainda tenho é escrever. Relatos de uma ansiosa em recuperação enfrentando seus demônios de cada dia.
História Não Verificada

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one more cigarrete

O cigarro já não basta para ansiedade faz um tempo, mas mesmo assim não conseguia largá-lo quando aquela onda de pânico batia, o que acontecia de meia em meia hora pelo o que calculava mentalmente – se não menos.

A vontade de fazer alguma coisa de útil vinha a sua cabeça, mas ao pensar em sair de casa, dar de cara com as pessoas, tudo passava. Até mesmo se arrumar, sair da cama, tudo parecia de tornar um peso imenso.

Explicar isso tudo para outras pessoas parecia inútil, já tinha desistido. Mesmo assim a vontade de se conectar com outra pessoa continuava ali, enterrado em algum lugar dela mesma. Tinha alguns amigos, sim. Mas aquela vontade de conhecer um alguém sem precedentes, como só ela conhecia a si mesma, como ela tinha dito que já tinha desistido de conhecer, continuava ali, em algum lugar, mesmo depois de tantas decepções.

As fantasias e criações de história em sua cabeça eram sua única escapatória no fim das contas, memórias de coisas que não aconteceram, eram o que davam vida a sua vidinha mal vivida e pacata. Vários livros a sua volta, alguns gastos de tão relidos e outros mal começados é do que as pessoas vão se lembrar dela.

Daquela que não saia de casa por ansiedade mas ansiava por contato de alguém que a entendesse. Não de uma multidão, de centenas de pessoas que a notassem. Ela não era o tipo de pessoa que precisava ser o centro das atenções. Apenas uma pessoa bastava.

Geralmente era sempre aquela pessoa que nunca a correspondia de volta. Era sempre essa a história afinal. Talvez por isso tenha escolhido ficar sozinha, afinal.

Na verdade, o que a venceu mesmo não foi o cansaço do desamor ou a solidão no meio das pessoas, o que ela tinha era muitos demônios que a perseguiam. No final, eles a engoliram inteira, por mais que ela tivesse lutado com eles com todas as forças.

Agora ela é só um pedaço do que ela costumava ser, derrotada e quebrada demais para se levantar mais uma vez. Os demônios ainda pairam sob ela, sempre vigiando caso ela tente se reerguer mais uma vez, como ela já tentou tantas vezes.

Talvez algum dia ela reganhe forças o suficiente para deixar isso tudo para trás, traçar um novo caminho em sua vida, mas até lá ela continua enfrentando um demônio de cada vez, como pode. Isso tudo antes de sair da cama e tomar seu café.

Haja cigarro para controlar essa ansiedade que não passa.

23 de Janeiro de 2019 às 20:32 0 Denunciar Insira 0
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