Diggin' My Grave Seguir blog

chrysiksolemn_ Chrysí K. Solemn Terapia forçada com uma arma na própria cabeça. Blog e rascunhos.
História Não Verificada

#blog #cotidiano #tw
AA Compartilhar

Abraço

Espero que nunca saibam o quão sufocante é estar só.

Em 2014, viajei para São Paulo pela primeira vez para a primeira Comic Con Experience. E lá, encontrei alguns amigos de internet.

Eu estou escrevendo este texto deitada na minha cama, após um dia exaustivo. Minha depressão adora esfregar na minha cara momentos felizes para me lembrar que eles não vão voltar. Então eu lembrei do meu último dia em São Paulo.

Primeiro que eu havia conhecido meu melhor amigo. Nós conversávamos pela internet desde os 12 anos e eu jamais trocaria ele por ninguém. Mas ele não estava presente no meu último dia, mas sim duas outras amigas. Uma ainda está comigo, a outra, se afastou, mas ainda mora no meu coração.

Eu me lembro bem, estávamos no metrô quando nos despedimos. Eu às abracei e senti uma vontade absurda de chorar. Mas não o fiz. Só que eu acho que elas notaram, porque me chamaram de volta e me abraçaram mais forte ainda. Eu desabei. Como estou fazendo agora mesmo só com a memória.

Como já disse antes, eu não tenho muitos amigos "físicos", por assim dizer. Até meu namorado, com quem completei 8 meses de namoro hoje mesmo, mora longe de mim. E às vezes, como nesta noite cansativa, tudo o que eu queria era um abraço forte, como o que elas me deram.

Tudo o que eu quero é sentir que sou amada. Porque nem minha mãe me faz sentir assim.

Eu sei que pode parecer muito mesquinho e egoísta da minha parte, mas minha mãe não sabe ser mãe. Ela se esforça, reconheço, só que falta empatia; falta ela entender que eu tenho tendências suicidas, que a menor das coisas desencadeia um surto em mim. E não sou eu dizendo, são laudos médicos. Falta ela entender que não dá pra ela dizer ser uma ótima mãe quando a única reação que ela tem ao me ver chorando é dizer que eu estou me fazendo de vítima.

Enquanto isso, chora horrores quando vê Jackson Maine se suicidando no filme...

É assustador a única pessoa que te liga nessas horas sombrias e diz que te ama estar a tantos quilômetros de distância, enquanto a que está no quarto ao lado só consegue olhar para si. Eu não tenho problemas com distância, mas nessas horas, a vontade que tenho é de dormir até anos depois, com tudo melhor e no lugar.

Hoje eu até pedi atendimento no site do CVV, mas... Eu espero que ninguém saiba o que é desistir de um atendimento num centro de prevenção ao suicídio por julgar sua vida ser menos importante que as das outras pessoas na fila. Já pensou que bizarro isso?

Eu só não desisti ainda porque eu sinto que eu vou me arrepender. Algo me segura todas as vezes e, por mais grata que eu seja, na hora eu não sou. Eu xingo essa mão que me prende sempre, eu me sinto uma covarde.

Mas aí eu penso naquele abraço no meio do metrô.

Eu só quero que tudo melhore.

26 de Junho de 2019 às 06:52 0 Denunciar Insira 0
~

Sobre sonhos e cartas

Acho que eu só quero colocar isso pra fora. O caso já foi tido como encerrado pelas duas pessoas que mais me são importantes nesse mundo, mas eu acho que escrever vai me ajudar a fixar na mente que tá tudo bem, sabe?

Eu e meu namorado somos estudiosos de tarot. Bem, eu mais que ele. Já faz uns bons meses que me aventuro nesse mundo e recentemente, no meu aniversário, comprei um deck muito bonito da escola Rider-Waite. Ele é completíssimo, com todas as 72 cartas. E já fazia algumas semanas que eu não mexia nele. Fiz algumas tiradas para meus amigos e deixei ele descansando.

Essa semana passada eu tive um sonho. Eu estava numa casa muito bonita e eu estava num quarto com o meu namorado. Por algum motivo, eu peguei meu deck e estava faltando uma carta Arcana Maior. Eu lembro de passar uma carta por uma: os Arcanos Maiores são 22 cartas, mas na minha mão só tinha 21. E nós dois procuramos pelo quarto a bendita carta que faltava. Não encontramos. Eu lembro de ter aberto a sacada do quarto e eu senti uma energia -- a de uma ex-amiga que há meses eu sequer pensava. Mas não a vi, apenas fiquei com a impressão ao acordar de que ela também estava presente.

Deixei para lá. Mas fiquei curiosa sobre a carta. Eu não lembrava qual a que faltava, mas o número 21 ficou na minha cabeça. Do 0 Louco, ao 21 O Mundo.

O Mundo é uma carta de realização. É a última do deck dos Arcanos Maiores. Ela representa o fim do ciclo, o adeus ao passado. Ela traz a alma prestes a reencarnar em seu desenho, cercado de querubins, com o poder do 1 Mago dobrado pelas varinhas que traz. O Mundo nos ensina a darmos um passo para trás e apreciarmos tudo o que fizemos até aquele instante. Pois estamos prestes a entrar em uma nova fase. E esta mensagem veio logo quando eu finalizei o primeiro capítulo do meu livro. Foi como se fosse um sinal divino para me orgulhar, já que não costumo fazer isso. Por mais perfeccionista que eu seja, eu não tenho o costume de me orgulhar do que eu fiz porque eu estou ocupada achando defeitos em meus projetos. Mas eu estava -- estou! -- feliz de verdade com o rumo do livro. Eu fiquei animada, sabe? Com os personagens, com o feedback que ganhei não só de meus amigos como de minha mãe (que é a maior crítica de tudo o que eu faço)... O Mundo veio me dizer que tá tudo bem me orgulhar, que eu fiz um trabalho muito bom e que eu posso relaxar porque é um novo momento. Ter escrito, ter retomado meu trabalho, me impulsionará para essa nova fase que vou viver.

Eu terminei, então, esse sonho de uma forma positiva. Mas não comentei com ninguém sobre minha ex-amiga pois não achei necessário. Eu honestamente não achei.

Hoje eu tive um novo sonho. Desta vez, eu estava em um show de mágica. Estava meu namorado e eu, e um outro amigo que eu não lembro o que ele estava fazendo no sonho. O que eu lembro é que estava tudo bem e, de repente, a exata mesma ex-amiga. E ela me exigia atenção. Ela me puxava pelo meu braço e pedia para eu ir embora com ela e, mesmo comigo dizendo não, que eu ia ficar, ela insistia. Até que certo momento meu namorado ficava bravo com ela, pela insistência, e comigo, por não ser mais firme.

E eu acordei bem preocupada.

Essa minha ex-amiga foi a causa da minha depressão. E ela exigente assim como no sonho. Foi como realmente reencontrá-la depois de anos: ela me proibia de fazer coisas que eu queria e eu gostasse para dar atenção a ela. E eu dava, antes, pois ela era tudo o que eu tinha. Eu já falei no post anterior, eu não era muito enturmada, e eu só podia sair com quem, ouvir músicas que, assistir séries que ela aprovasse. Senão, eu seria isolada. Eu vivia como uma refém, e era assustador.

Eu fiquei com esses dois sonhos martelando na minha cabeça o dia inteiro, até que eu decidi jogar as cartas. Um dos meus guias espirituais é o deus Apolo, e ele não é muito de falar diretamente. Quer dizer, até mesmo quando eu pedi para ele ser mais claro, ele me chamou de ingrata. Mas no fim, ele me deu o conselho de insistir na minha arte que tudo ficaria bem.

Tudo ficaria bem...

Soltei um longo suspiro. Eu já havia escutado essa história tantas vezes que me bateu um sentimento de frustração. Por mais que eu confie em Apolo, eu fiquei incerta. Insistir na arte? Eu já faço isso há mais de vinte anos. Comecei a ler aos três anos, já conseguia usar minha imaginação para criar meus próprios personagens e situações aos oito anos e, aos dez, aprendi a desenhar. Arte sempre foi meu escape, Apolo. E arte sempre foi o primeiro lugar que aquela filha da puta fosse implicar comigo. Porque, pra ela, só ela desenhava bem e só ela escrevia bem. A menor das críticas era suficiente para eu ser abandonada no meu canto o resto da semana, sem poder falar com ninguém. E eu, a otária, acatava. Eu estou com 24 anos e não consegui fazer nada -- e você mesmo disse nas cartas, Apolo -- porque fui atrasada por ela. Não sou eu falando, foi você. Eu perdi tempo da minha vida presa a um monstro daqueles. E você insiste nessa fala clássica e clichê?

Talvez gritar com uma entidade espiritual não sirva de muito. Mas eu precisava desabafar.

Fui falar com meu melhor amigo e ele me levantou um ponto importante: eu a afastava no sonho. Talvez o simbolismo da carta estivesse nesse meu gesto de afastá-la (coisa que eu jamais fazia) e o novo ciclo fosse justamente meu relacionamento que, inclusive, fez sete meses esses dias. E sete é um número cabalístico.

Mas a tirada não batia, sabe? Parecia tão oca. Tão... obrigatória? Não sei explicar, mas parecia que eu estava tão furiosa com o sonho que minha energia bloqueava a real energia de Apolo. Parecia que eu estava lendo o que eu queria ouvir, mesmo que estivesse muito puta com a história.

Eu pedi pro meu namorado tirar no baralho dele sobre isso. E o guia dele, Khepri, mandou logo o recado: não te estressa com isso que tá tudo bem. Tinha muitas cartas positivas, e todas elas diziam sobre o novo ciclo. E também diziam que eu posso ter ficado um tanto quanto obcecada com essa história por puro medo.

Mas, honestamente, não sei como não ficaria. Eu saio na rua e morro de medo de encontrar com ela. De ter que encarar o rosto de quem tanto me fez mal. Até porque uma vez isso aconteceu, e foi horrível. Ela mal me olhou, quando o fazia, era com desprezo puro, e me tratou como se eu fosse uma completa estranha. Talvez o mais dolorido foi ver como a mãe dela, presente na ocasião, foi super legal comigo. Sério, eu vivo em constante medo de acabar tropeçando nela na rua e ser vista como lixo humano. Por mais que eu, nesse momento, me olhe no espelho e fale com todas as letras: "Solemn, você não precisa se provar pra ela"... Ainda assim, sei lá, eu acho que eu fiquei tão machucada que, puta merda.

Talvez seja nostalgia dos velhos tempos, de quando éramos crianças e ela ainda não havia se tornado o monstro que ela era no fim da amizade. Mas mais provavelmente, foi só um susto. Eu devia relaxar quanto a isso. Por mais que eu acredite em sinais divinos, no fim, ainda é só mais um sonho que vai se apagar conforme o tempo for passando.

Ao menos, assim espero.

1 de Junho de 2019 às 04:38 0 Denunciar Insira 0
~

Unapologetic Me

Eu tive um insight.

Estou numa vibe de revisitar uma cantora que eu gosto muito chamada Koda Kumi. Eu escutava ela bastante quando era bem jovem, lá pelos meus 14 anos quando a conheci. Pra mim, ela foi o que temos com a Lady Gaga atualmente -- não que eu não goste da Gaga, ela é a mais próxima da Kumi no meu ranking pessoal. Eu escutava as músicas dela noite e dia, tentava aprender as coreografias e sabia de cor várias informações de bastidores, como que ela havia ido pessoalmente buscar a Fergie no aeroporto no dia da gravação do clipe de That Ain't Cool.

Só que também nesta época, meados de 2009, foi quando o K-Pop começou a surgir por aqui pelo Brasil. SHINee, 2NE1 e Super Junior (já uma bola de demolição desde aquela época) já eram assunto na rodinha das minhas amigas. Eu nunca me importei muito com K-Pop -- levando em conta que ou você gostava ou odiava, não existia só gostar de algumas músicas na época -- mas havia aquela enxurrada de vídeos e a pressão externa para eu gostar porque era disso que todo mundo estava falando e eu queria me enturmar. Meu grupinho já era bem seleto, apenas três meninas, e eu já me sentia uma outsider mesmo assim, sabe? Não queria dar um motivo para me isolarem de vez.

Ring Ding Dong e Lucifer, as duas do SHINee foram as duas músicas que eu mais gostei. Mas também só essas. Que absurdo, eu ouvi da garota que, na época, era minha melhor amiga desde que eu era bebê. "Como assim você só gosta dessas duas? SHINee é a melhor banda do mundo!" Ela não conseguia entender que eu simplesmente não havia gostado. Ela passou um bom tempo puta comigo por isso, mas eu posso listar as bandas pelas quais ela me isolou em outro momento -- mas até hoje eu tenho ódio de The Strokes.

Com essa troca de informações de bandas, eu sugeri: escutem Koda Kumi. Ela lançou TABOO, minha música favorita dela na época. Ninguém sequer bateu o olho. Continuavam falando de K-Pop. Continuei insistindo, da mesma forma que insistiram comigo até eu ceder e arrumar duas músicas que eu gostasse. E eu nem queria que se convertessem às maiores fãs da Kumi, só queria que dessem uma chance da mesma forma que eu dei uma chance para SHINee.

"Ai, você só fala de Koda Kumi, que saco!", eu ouvi a mesma melhor amiga me dizer. Enquanto insistia que eu devia aprender a coreografia de Lucifer. "TABOO nem é grandes coisas, que música chata, e grandes coisas ela ter feito uma música com a Fergie (quero lembrar que em 2009 a Fergie estava no auge, uma das artistas mais requisitadas)".

Eu comecei a ter vergonha de gostar da Koda Kumi. Da mesma forma que eu havia desenvolvido uma vergonha de gostar de Asian Kung Fu Generation e Black Eyed Peas. Da mesma forma que eu tinha vergonha de dizer que detestava Iron Maiden, Angra, System of a Down e outras bandas de rock da época. Eu comecei a esconder meus gostos, entendem?

Ah, e a coreografia de Lucifer? Eu aprendi. A parte do Onew. Não sei diferenciar eles até hoje, apenas o Taemin, que era o favorito da minha melhor amiga.

Meu insight veio enquanto eu cantarolava, dez anos depois, uma música da Koda Kumi no banheiro enquanto passava hidratante no rosto. Eu percebi que até hoje eu ainda escondo as coisas que eu gosto. Seja por vergonha, por medo de ser mal compreendida, ou por apenas achar que eu preciso manter uma imagem "normal". Eu tenho muito dessa coisa de tentar passar despercebida o máximo possível, de não querer arrumar encrenca, de ser apenas um plano de fundo para os outros. E isso me traz uma Síndrome de Impostor enorme pois eu fico com medo que as pessoas me conheçam de verdade. E essa questão da música é apenas uma das milhares de histórias que eu tenho sobre ser calada durante a época de escola por quem eu gostava. Porque não somente as músicas que eu ouvia eram as erradas, como as minhas roupas e a minha aparência -- que inferno, essas garotas que se diziam ser minhas "amigas" me convenciam a deixar elas me maquiarem quando eu não gostava; porque se eu dissesse não, eu era isolada o resto da semana como já aconteceu diversas vezes. Até os filmes, desenhos e videogames que eu jogava eram ruins.

Enfim. Eu quero deixar esse texto com uma high note. Nunca é tarde para ser quem você é. Se você gosta de uma coisa, não deixe ninguém fazer pouco de você por isso. Te faz feliz e acabou. Falamos muito sobre relacionamentos românticos tóxicos, mas as amizades podem ser tanto quanto. Claro, eu não vou estalar os dedos e acabaram todos os fantasmas que me assombram, mas reconhecer que eu me escondo e deixo de lado a minha felicidade para agradar outras pessoas é um início para um longo processo de cura.

Lembro de um workshop de Drag Queens que eu fiz um dia. A drag residente, encantada com meu lipsync, me puxou pela mão e me perguntou se tinha uma drag dentro de mim. Eu disse que havia uma personagem -- a Solemn606, como eu assino meus textos e uso em meus videogames. E ela me mandou deixar a Solemn606 sair. Porque ela tava lutando pra sair e ela podia ver em cada gesto meu durante o ensaio. E eu confesso que eu me emocionei com isso porque eu nunca havia visto aquela drag na vida e ela conseguiu ver dentro de mim. Pra falar a verdade, só de lembrar disso eu estou com lágrimas nos olhos.

É assustador não ser quem você é de verdade; ter que esconder por meras convenções sociais. Mas eu espero que eu consiga me curar, mais cedo ou mais tarde, e deixar a Solemn606 ver a luz do dia, para variar.

28 de Março de 2019 às 23:55 0 Denunciar Insira 0
~

Não sei o que está acontecendo, but thanks

Eu fui recebida nos últimos dias com alguns e-mails do Inkspired me avisando que tenho novos seguidores e novos favoritos na minha -- particularmente -- fanfic favorita das postadas aqui. E isso me deixou um pouco confusa, não vou mentir.

Eu tinha feito uma promessa que ia escrever ao menos nesse blog para retomar o hábito da escrita mas, como podem ver desde a minha última atualização, eu não consegui manter. Confesso que as últimas semanas eu estava meio esquisita, tipo me recuperando de um burnout. Até tentei retomar meus projetos, mas fiquei sem paciência, e nem sei por quê. Quer dizer, até organizei meu mural para que eles saíssem do papel, e tive planos para uma oneshot nova (nesse caso, perdi o rascunho).

Fiz um acordo comigo mesma de não me forçar a fazer o que não estou afim. Em uma retrospectiva, notei que eu passei por muitas coisas pesadas no ano passado e percebi que eu tenho, sim, o direito de me sentir desgastada. Mas eu super quero escrever. É algo que eu gosto, algo que sonho em fazer para viver desde que era mais nova. Será que me falta disciplina?

Talvez. Mas também falta aquele brilho que eu tinha quando nova. Eu sentava para escrever das 8 da manhã e só ia parar na hora do jantar. Sinto falta daquela menina, de verdade.

Acho que só me falta respirar mais um pouquinho e tentar de novo. Tem muitas histórias que quero contar ainda, talvez eu só precise retomar um hábito. Ou fazer um novo.

20 de Janeiro de 2019 às 21:57 0 Denunciar Insira 0
~
Leia mais Página inicial 1

Mais histórias