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blog Jackie Inkspired Blogger Era uma vez... mas nem toda história começa assim. Lá estava ele: o computador, aberto no tear de vidas. E a personagem. Estava tudo certo, mas, então, ela viu o autor. Curiosa, seu dedo quase o alcançou, e a roda do tear girou. Foi assim que as coisas se tornaram tênues: um toque e tudo daria errado, outro diferente e daria muito certo! A Bela Adormecida representa a fragilidade dos elementos construtivos da história. Uma história não vem pronta, ela é construída com enredo, sinopse, capítulos... O tear representa essa construção, enquanto que a agulha é o perigo de tudo desandar com sua Bela Adormecida. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês dicas para que consigam tear histórias cada vez mais harmônicas.

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Passos simples para escrever uma história

Aqui estão as diretrize que vão ajudá-lo com um processo de escrita, encontrar clareza começando de maneira empenhada e levando a história até o fim:

  • Geração de ideias. Anote cada ideia que vem à sua mente. Quanto mais, melhor. Escreva tudo o que quiser, tudo o que te incomoda. Não preste atenção à qualidade das ideias nesta fase. Escreva o máximo de ideias que puder.


  • Filtragem. Nesta fase, usamos uma abordagem hardcore para as ideias. Descarte todas as ideias fracas e deixe as poderosas, que valem a pena para escrever uma história.


  • Seleção. Revise as ideias que você selecionou. Quais são as melhores? Como você pode melhorá-las? Tente escolher apenas uma ideia que lhe servirá para o futuro enredo.


  • Logline é um desenvolvimento conceitual. Descreva o conceito da sua história em uma frase. Por exemplo, após um incidente, um executivo de publicidade ganha a capacidade de ouvir o que as mulheres estão realmente pensando (“O que as mulheres querem”). Tente melhorar algum drama para a história, adicionar um pouco de conflito ou intriga.


  • Nomeie a história. Pense em um título provisório para sua história.


  • Comparação. Escolha um ou dois de seus livros favoritos no mesmo gênero que você está escrevendo e use-os como uma diretriz para a sua história.


  • Estrutura. Faça a estrutura da história e defina quais partes precisam ser mais trabalhadas.


  • Desenvolvimento de personagens. Quais são as vantagens deles? Como o personagem principal vai mudar até o final da história? O que ele precisa aprender? Como as personalidades e as ações dos personagens refletem no enredo de sua história?


  • Sinopse. Descreva a história em duas ou três páginas.


  • Dê uma descrição mais detalhada da história, inclua diálogos e escreva toda a história do início ao final.


  • Esboço. Termine seu primeiro esboço e o deixe de lado por uma semana ou duas.


  • Edição. Tente reescrever seu esboço pelo menos seis vezes.


  • Na segunda versão do seu rascunho, corrija inconsistências, momentos implausíveis e falhas da trama. Verifique se sua ideia segue o conceito original da história e tire tudo o que não sirva para os objetivos de uma trama maior.


  • Terceira. Olhe para a estrutura. Certifique-se de que seu enredo está como deveria. O que você poderia tirar sem perder a ideia?


  • Quarta. Preste atenção aos personagens. Você realmente precisa de todos eles? Quem se comporta incongruentemente com sua personalidade?


  • Quinta. Edite os diálogos. Certifique-se de que cada personagem fala de uma maneira única e está combinando com sua personalidade.


  • E a última vez, sexta. Corrija todos os seus erros gramaticais.


  • Olhe com cuidado se há coisas que podem ser melhoradas. Que palavra é melhor para substituir outra? Onde acrescentar espaço, vírgula, etc?


  • Publicar. Se você está feliz com a versão final, dê um nome à história e… está pronto! Compartilhe com seus amigos. Deixe-os ler e criticar. Se você concordar com o feedback deles, aplique-os e faça algumas melhorias na história.


Boa sorte! :)


Texto por: Jackie

Tradução por: Karimy Lubarino.

1 de Março de 2021 às 00:00 0 Denunciar Insira 6
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Por onde começar?

Quero escrever uma história, está familiarizado com esse desejo? Você conhece aquela sensação aguda de se tornar um Criador, o Criador de algo novo, até então não existente no mundo. É ótimo ver seus netos tocando seus pensamentos, sentimentos, alegrias escritas no papel enquanto você era jovem. Mas e se não forem só seus netos, mas você escreverá um verdadeiro tesouro literário para toda a humanidade? Neste artigo você encontrará uma solução para transformar o desejo em ação.


De onde vêm as ideias para as histórias?

Primeiro, o que você tem que fazer é atender ao seu desejo de escrever uma história e a necessidade de estruturar seus pensamentos. Eles devem se transformar de massa caótica em uma história de cristal facetada. É possível fazer isso criando um objetivo para a história (seu significado).


É melhor tirar a ideia de dentro de você. Remexer em sua mente e encontrar o que atormenta você. Coisas que você precisa dizer ao mundo. Lembre-se que sua principal fonte de novas ideias, como escritor, está na exploração do mundo. Pode ser quase qualquer coisa que você achar interessante. Talvez seja um local que te encante, um esboço de personagem, um diálogo ouvido, ou até mesmo uma grande citação.


Como escritor, você vai começar a colecionar essas migalhas de histórias enquanto passa pelo seu cotidiano. Você começará a prestar atenção quando algo que você ouve ou vê soa como um sino em sua cabeça que diz que há algo que vale a pena descobrir.


Não entre em um loop mantendo o foco em algo específico: esteja aberto e suscetível ao que vier. Você vai se surpreender com o que está em seu cérebro apenas esperando para ser passado para a página.


Que tipo de histórias as pessoas estão interessadas em ler?

Muitas vezes os autores se incomodam por acreditar no fato de que os leitores devem gostar de seu trabalho. Claro, é importante, mas não se esqueça que é impossível agradar a todos. A partir disso, temos uma regra — escreva para si mesmo e poupe o leitor.


Em sua história, concentre-se apenas em si mesmo. Não há necessidade de perseguir a opinião pública, caso contrário isso pode levá-lo a um pântano de banalidade. Seja você mesmo, mas não se esqueça de aspectos técnicos. Usando ferramentas adequadas, ao contar histórias e desenhar em seu seu mundo interior, você vai criar uma grande história.


Como escolher um gênero?

O primeiro passo para escolher um gênero é encontrar o que melhor revelar sua ideia original. Sua ideia de história é uma diretriz para selecionar o melhor gênero para contar a história, bem como a capacidade de trabalhar dentro de certos limites.


Cada gênero tem suas características e requisitos específicos que podem levar uma ideia sua em direções totalmente diferentes. Tenha cuidado ao escolher o gênero, ele pode se voltar contra você e afastar essa sua grande ideia. Comece identificando o objetivo do seu personagem principal e veja em qual gênero melhor se encaixará.


Resumindo, podemos dizer que ter ideia, escolher gênero e o tema para escrever uma história são tarefas gerenciáveis. O mais importante é que o desejo de “quero escrever uma história” nunca te deixe. Boa sorte e Escrita Feliz!


Texto por: Jackie

Tradução por: Karimy Lubarino.

15 de Fevereiro de 2021 às 00:06 1 Denunciar Insira 8
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Como criar as características dos seus protagonistas

Em uma história, sempre temos nosso protagonista e personagem principal, aquela pessoa com a qual nos identificamos na história, aquele personagem com o qual vivemos os momentos de raiva, felicidade, rancor e medo, aquele com o qual criamos empatia ou a quem, às vezes, odiamos. Mas nem toda história tem apenas um protagonista.


Histórias com múltiplos protagonistas

Algo que devemos levar em consideração é que, numa história com vários personagens principais, por trás de cada um deles há um pano de fundo, uma história, bem como um propósito diferente, mas de igual importância. Eles têm seus próprios objetivos principais, seus próprios percalços e as próprias consequências de suas ações. Cada um deles é diferente do outro, mas eles sempre têm algo em comum.


Único e diferente

Nossos protagonistas sempre devem se destacar de alguma maneira. Eles precisam ter algo que os diferencie dos demais personagens; seja física ou mentalmente, sempre desenvolva algo único em nossos personagens.


Coerência

Essa é uma informação um tanto quanto importante. Numa história sempre buscamos por lógica e coerência, especialmente no papel do nosso icônico protagonista. Não queremos que nosso amado protagonista que ama pizza mais cedo, mais tarde passe a detestá-la.


Personalidade

Queremos um personagem ativo, que sinta, chore, grite, pense por si mesmo. Um personagem sem essas características é raso e sem significado, um personagem com o qual não conseguiremos ter empatia. E não é isso o que queremos.


Objetivos

Um personagem principal deve sempre ter um objetivo em mente ou, pelo menos, algo que o faça prosseguir na história, seja uma aventura, vingança, amor ou simplesmente interesse financeiro. Sempre deve haver algo que o envolva no enredo da história.


Ética e moral

Ética e moral de um protagonista é algo que é muito discutido em enredos. Não estou dizendo que um protagonista deve ser um santo, pessoalmente acho que carregar esse rótulo sobre os ombros torna difícil criar empatia com o personagem.


Temos que entender que o que é considerado justo nem sempre estará de acordo com os demais personagens. Um protagonista não necessariamente deve ser um vigilante da humanidade. Mas também não devemos fazer dele um vilão em si mesmo. Devemos criar um limite moral, de acordo com a personalidade que dermos a ele, sem destoar das suas características na história, caso contrário não fará sentido.


Perfeições e imperfeições

Um protagonista perfeito, para mim, pessoalmente, tende a ser entediante, então um personagem que tenha alguns problemas é como um diamante a ser lapidado no decorrer do história.


Mistério no enredo

Um protagonista que tenha um pano de fundo por detrás é um papel que se destaca, já que isso vai sendo revelado no curso da história. Espero que tenham gostado.


Texto original: @-tania9305

Tradução: Isis (@xixisss)

31 de Janeiro de 2021 às 00:00 1 Denunciar Insira 7
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O escritor e o revisor: o que esperar dessa relação?

Pela minha experiência, existem duas vertentes bastante extremas entre escritores: os gramatiquentos ao extremo, que acreditam que todo escritor precisa saber todas as regras normativas que existem, e os que acreditam que o único trabalho do escritor é criar o enredo e botar as palavras no papel, o resto fica a encargo do revisor. Afinal, o serviço de revisão é caro e, então, se precisamos pagar por ele de qualquer jeito, que essa pessoa se encarregue de saber gramática, certo?


Minha briga com o primeiro grupo não é segredo para ninguém. A gramática normativa é elitista e complicada e, não, eu não acho que todo escritor deva ser formado em Letras. No entanto, não é nada produtivo você escrever de qualquer jeito e enviar um texto que é basicamente um rascunho para seu revisor. Por quê? Bom, é isso que eu tentarei explicar no decorrer deste texto.


O processo de revisão

Comecemos pelo início: Como funciona, afinal, o processo de revisão?


Nós brincamos que, ao receber um texto, você não vai conseguir fazer a revisão real dele sem que, antes, peça para o autor fazer uma “limpeza”. No caso, o revisor pega o que chamamos de “erros crassos” de gramática e os aponta para que o autor faça essa primeira mudança. Aqui entram erros de vírgula simples (vocativo, separar sujeito de predicado etc), construção de frases (se ela está fragmentada ou completa etc) e todos esses errinhos que deixam a leitura complicada.


Sabe quando você está lendo um texto e precisa parar a leitura e analisar algumas frases para ver se você realmente entendeu o que está sendo dito? Então, em artigos acadêmicos isso é comum porque os textos têm uma linguagem cheia de conteúdo e complicada de maneira geral. Na leitura literária, isso é um problema. Se a pessoa precisar reler vários parágrafos por página, vai chegar um ponto em que ela vai se cansar do livro. Como nós não queremos isso de jeito nenhum, é trabalho do revisor deixar a leitura contínua e as frases compreensíveis.


Essa primeira revisão não envolve análise de ambiente, de personagens, de enredo, nada disso. Ela serve só para que o revisor consiga ler a história prestando atenção ao que está sendo dito, não a como isso é dito.


É só depois dessa “limpeza” que o revisor fará uma leitura profunda e atenta do que você escreveu. A questão aqui é que muitos cobram por revisão. Então, digamos, você comprou um serviço de até três revisões (temos a limpeza, a revisão real e a final, depois de o autor ter feito algumas alterações). Se houver muitos problemas básicos, na verdade você vai acabar pagando só por essa limpeza, que pode ser feita por qualquer um com noções básicas de escrita e gramática (e normalmente é a etapa mais demorada e com mais observações no documento). No fim, em vez de você pagar por uma revisão de enredo e gramática mais avançada, você vai acabar pagando por um serviço que você mesmo poderia ter feito.


Algo que já ouvi muito de colegas (nunca aconteceu comigo) foi “ah, mas essa revisão tá muito simples, eu tô pagando e você apontou erros que eu já sabia, foi só desatenção”. Bom, sem que esses erros básicos sejam corrigidos, o revisor não consegue fazer o trabalho mais profundo que você espera dele. No fim, a pessoa pode ficar insatisfeita com o processo porque achou a revisão muito “simples”.


Um exemplo: já recebi textos que claramente nunca foram relidos. Havia erros de digitação no nome dos personagens, letras foram engolidas em diversas palavras (como “el” em vez de “ele”, ou “cmo” em vez de “como”). Em vez de poder fazer uma análise da construção das frases, por exemplo, eu precisei ficar corrigindo erros de digitação. No fim, o texto tinha centenas de observações, porém a revisão profunda que o autor tinha pedido não foi feita. E não teria como ser feita, porque os comentários apontando isso ficariam perdidos no meio dos tantos outros pedindo para a pessoa escrever o nome do personagem que ela mesma criou da mesma forma no decorrer do texto.


Num caso como o do exemplo, minha primeira revisão é uma limpeza de escrita. A segunda provavelmente será outra limpeza, porque, agora que tenho todas as frases completas, poderei pegar erros mais complicados, como pontuação, crase etc. É só na terceira revisão que poderei ver algo além da gramática (como consistência de personagens etc). Muitos cobram extra depois da terceira revisão, porque é um trabalho bastante cansativo e extenso.


A verdade é que muitos escritores que reclamam do preço e dos serviços de revisão entregam textos muito “crus” ou parecidos demais com rascunhos para que o revisor possa realmente fazer um trabalho que o agrade.


Eu preciso, então, saber gramática e enviar um texto super correto para revisão?


Claro que não! Como dito, ver erros de gramática faz, sim, parte do trabalho do revisor. O ideal é sempre entregar o texto da melhor maneira que você conseguir escrevê-lo. Os erros de digitação serão mínimos (alguma coisa sempre escapa) e todas as alterações que seu revisor fizer realmente serão de grande ajuda para você.


Uma coisa é você enviar seu texto e, ao recebê-lo de volta, ver que o revisor alterou uns 40 “cmo” para “como”, outra é descobrir a regência de alguns verbos que desconhecia antes ou novas formas de usar pontuação. Se você entregar o melhor que conseguiu nesse momento, aprenderá muito ao receber seu trabalho revisado.


Enquanto escritores, sempre queremos evoluir e “escrever melhor”. Sem estar aberto a novas possibilidades, é muito difícil evoluir seu estilo de escrita. Um revisor nunca tentará alterar sua identidade num texto, ele só fará o possível para extrair a melhor versão de você em cada frase. Isso também significa que, se você não evoluir seus próprios conhecimentos e estilos, não vai escrever frases complexas e interessantes.


Essa conversa toda ainda está muito abstrata para mim. O que seria uma frase complexa?

Eu aprendo sempre melhor com exemplos, então vamos a eles:


Marcel Proust é um dos escritores com as frases complexas mais lindas que já tive o prazer de encontrar. Aqui é preciso dar também crédito ao tradutor, porque Mário Quintana foi um grande poeta e fez um ótimo trabalho adaptando a escrita de Proust ao português.


Uma frase complexa é uma frase longa, com muitas informações, mas que é compreensível. Algo que vejo muito é o pessoal escrevendo frases de oito, dez linhas, mas que estão com a pontuação confusa, ou mesmo estruturadas com falta de fluidez; isso deixa o leitor perdido e, ao meio do texto, ele já nem sabe mais sobre qual personagem está lendo. Deixo aqui um exemplo bem-feito de frases complexas:


“Mas desde algum tempo que recomeço a perceber muito bem, se presto ouvidos, os soluços que tive então a coragem de conter diante de meu pai e que só rebentaram quando me encontrei a sós com mamãe. Na realidade jamais cessaram; e somente porque a vida vai agora mais e mais emudecendo em redor de mim é que os escuto de novo, como os sinos de convento, tão bem velados durante o dia pelos ruídos da cidade, que parece que pararam, mas que se põem a tanger no silêncio da noite.”

— No caminho de Swann, p. 62


Essas frases na verdade não são tão longas, Proust tem algumas de quase meia página no livro (e são deliciosas). Quem já não ouviu (talvez até de mim), que, na escrita: 2 é bom, 3 é ótimo e acima de 4 já é demais? Isso é muito válido para quem ainda está se adaptando à construção frasal ou mesmo para quem tem dificuldade em organizar informações. Quem já tem maior domínio gramatical (em especial de pontuação, que é o elemento que dita o ritmo da frase) consegue desenvolver frases deliciosas como as acima.


Quanto mais conhecimentos gramaticais e linguísticos você adquire, melhor consegue usar a língua para atingir seus objetivos de escrita. A língua portuguesa, com todas as suas regras e normas, nada mais é do que a ferramenta do escritor. Quanto mais a conhecermos, mais poderemos ser criativos na hora de utilizá-la.


É por isso que é tão importante, sim, que você se dedique a conhecer melhor a gramática de forma geral. Aqui na Embaixada, nós temos o Esquadrão da Revisão, um blog escrito com foco na gramática normativa para escritores. É claro que não é preciso saber todas as regras gramaticais ou decorar livros de gramática para escrever bem, regras como as de crase e algumas vírgulas sempre serão alteradas pelo seu revisor. Mas conhecer os tipos de estrutura de frase, como usar ponto e vírgula ou reticências… Tudo isso é um acréscimo importante ao seu conhecimento linguístico.


Não adianta você se dedicar a criar enredos incríveis se for escrevê-los de qualquer forma. Eu já cansei de ler histórias muito interessantes, mas que não me chamaram tanto a atenção devido ao modo como o autor as escrevia. Stephen King, por exemplo, tem uns enredos muito estranhos e nem sempre interessantes, mas ele escreve tão bem que você só vai lendo até perceber que terminou a história e que ela foi incrível mesmo sem um enredo chamativo; um exemplo é Christine: O livro é sobre um carro amaldiçoado que mata pessoas. Se vocês pararem pra pegar o plot e o colocar em itens, ele chega a ser um pouco tosco, mas o livro é TÃO bom que eu fiz meus melhores amigos o lerem. E tudo porque ele desenvolveu a escrita de maneira sensacional.


Seu revisor é responsável por ver furos de enredo (você dizer que dois personagens nunca se conheceram e, no fim, mostrar uma memória dos dois quando eram crianças, por exemplo), por ver erros de gramática, por dar dicas de ambientação e criação de personagens e por analisar a verossimilhança. Ele não vai escrever frases por você, muitas vezes nem apontar que elas poderiam ser diferentes, porque isso retiraria o estilo de escrita do seu texto. Existem muitas nuances particulares que ele não vai apontar porque são uma questão de gosto.


No fim, depende total e completamente do escritor o que ele deseja. Muitos acreditam que não precisam saber nada de gramática e ficam satisfeitos em entregar rascunhos aos seus revisores. Outros esperam algo a mais e se decepcionam ao não receberem isso. No fim, o melhor é você explicar direitinho o que espera do seu revisor e escutar o que ele tem a dizer. Cada pessoa é diferente e tem distintas necessidades.


Lembre-se sempre: só você sabe o que é melhor para sua escrita e sua jornada. Pense no que você quer, no que você espera tirar da escrita e vá atrás disso. Para finalizar, mais uma frase deliciosa de Prost:


“Certamente, no Swann que minha família havia construído para si, fora omitida por ignorância uma multidão de particularidades de sua vida mundana que davam motivo para que outros, em sua presença, vissem todo um mundo de elegâncias a dominar-lhe o rosto até o nariz recurvo, que era como sua fronteira natural; mas, em compensação, havia podido acumular naquele rosto despojado de seu prestígio, vago e espaçoso, no fundo daqueles olhos depreciados, o incerto e suave resíduo — meio memória, meio esquecimento — das horas ociosas passadas em sua companhia depois de nossos jantares semanais, em torno da mesa de jogo ou no jardim, durante nossa vida de boa vizinhança campesina.”

— No caminho de Swann, p. 40


Texto: Camy

Revisão: Donna Dan


Referência

PROUST, Marcel. No caminho de Swann. 4. ed. Tradução de Mário Quintana. São Paulo:

Biblioteca Azul, 2016. (Volume 1, Em busca do tempo perdido).

15 de Janeiro de 2021 às 00:00 0 Denunciar Insira 6
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