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embaixadabr Inkspired Brasil Através deste blog, você poderá conhecer melhor os nossos autores vencedores dos desafios propostos pela Embaixada brasileira do Inkspired. Venha conhecer os escritores maravilhosos que o Inkspired Brasil tem!

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Entrevista com Artemísia Jackson, escritora vencedora do desafio #Amordecinema - História: Presente Perfeito!



Sou só uma “recém jovem adulta” que acabou de completar dezoito anos e está perdida na vida. Gosto muito de gatos e cachorros, como mais doce do que deveria, assisto muito anime, testemunha de Jujutsu Kaisen (amém!) e ando criando mundos a parte, onde as minhas expectativas não são frustradas, ou, quando são, não causam tantos estragos. Construindo outros universos eu posso viver vidas de outras pessoas e esquecer um pouco da minha.


Embaixada Brasileira do Inkspired (EBI): Artemísia, antes de qualquer coisa, agradecemos pelo tempo que dispôs à nossa entrevista. E, para começar, queremos saber quando e como foi que você começou a escrever.

Artemísia Jackson (AJ): Imagina, eu que agradeço a oportunidade! Então, comecei com quinze, estava tendo crises existenciais e, ao desabafar com uma amiga querida, ela me recomendou a escrita como forma de limpar a mente e amenizar minha confusão. Funcionou bastante e eu me vi cada vez mais apaixonada por escrever.

Aliás, um adendo sobre essa friend: ela é artista, os desenhos dela são incríveis. Então, pra quem tiver interesse pode procurar ela no insta: @blackcyber.


EBI: Quando você começou a compartilhar suas histórias e como foi isso para você?

AJ: Não me lembro exatamente, acho que foi com quinze pra 16, ou antes… enfim, eu simplesmente tinha lido muitas fics ótimas de Naruto e, um dia, lendo uma da rainha @CamyMJ, tive um estalo: queria fazer aquilo também! Queria causar sensações, queria fazer as maravilhas que as escritoras faziam comigo com outras pessoas. Até então, eu só escrevia textos sobre mim no meu caderno. Fiz minha primeira fanfic, postei no Wattpad e Spirit. Era uma do Naruto e Gaara, hot (cenas de sexo gay, pra ser mais exata). Eu rio sempre quando lembro que, na mesma época, minha mãe pegou meu celular e leu. Foi constrangedor, no mínimo. Fiquei de castigo, mas hoje, anos depois, eu não me arrependo de nada. Sem isso não teria chegado aqui onde estou, onde creio ser exatamente meu lugar: no mundo da escrita, compartilhando os universos que habitam em mim.


EBI: Quando você viu que tínhamos aberto o #Amordecinema, ficou empolgada para participar desde o início ou essa foi uma ideia que foi amadurecendo com o passar do desafio? Como sua participação impactou sua escrita?

AJ: Eu nem sabia, fiquei sabendo por acaso porque estava falando sobre KakaGai (deuses supremos) com a Nica, ela me contou da história que estava criando e mencionou que era pro desafio. Fui ler, amei, me inspirei (é sempre assim quando leio uma obra boa) e decidi que seria legal participar. Fiquei muito empolgada, mas dei uma enrolada pra pensar no plot perfeito.


EBI: Quando lemos Presente Perfeito!, uma das coisas que mais impressionam são os traços de comédia que ela possui. O motivo disso é que o gênero comédia costuma ser considerado de difícil reprodução para a maioria dos escritores. Você sempre incorpora esse gênero na sua escrita? O que te levou a querer fazer algo tão divertido para sua história do desafio e qual conselho você daria pros autores que querem tentar algo no gênero?

AJ: Olha, primeiramente fico feliz em saber que impressionei, então obrigada! Nem sempre incorporo (se bem que sempre dizem que tem um toque de diversão nas minhas histórias, mesmo não sendo proposital), amo o gênero comédia e trabalho bastante com ele, mas também gosto de um sangue, suor e lágrimas de vez em quando hehehe

Quis trazer comédia pro desafio porque o casal em questão me traz essa vibe e eu queria fazer as pessoas rirem e amarem a dinâmica deles como eu amo, mas o fato de ter lido “Icha Icha Paradise: Deluxe Edition”, da Verônica, tornou mais fácil entrar no clima. Então, minha dica é essa: entrem no clima, leiam ou assistam coisas engraçadas, incorporem a comédia até que ela jorre dos seus dedos e se transforme em história.


EBI: Existe um motivo especial para você ter escolhido o Gojou e o Getou como protagonistas da sua história Presente Perfeito!? Chegou a pensar em outro casal?

AJ: Meu novo legado é espalhar a palavra de Jujutsu Kaisen pelo mundo (amém!), e geralmente trabalhar com esse fandom me dá vontade de trabalhar com esse casal. Eu amo eles pra caramba! Não pensei em outro, não. Desde o começo, o destino (vulgo vozes da minha cabeça) determinou SatoSugu, e como serva fiel do destino, eu fiz sua vontade.


EBI: Existe alguma cena da história que hoje, após o encerramento do desafio, você refaria? Por quê?

AJ: Não, pois eu gostei do resultado e me deixou completamente satisfeita, foi a cara deles, ganhou o terceiro lugar do pódio e recebeu ótimos elogios. Então acho que está bom assim.


EBI: Do surgimento dos primeiros esboços à postagem da sua participação, qual foi o momento mais desafiante do #Amordecinema para você?

AJ: Começar. Tava esperando vir a ideia, mas a abençoada tava se fazendo de difícil, e eu entrei em pânico pensando que não teria uma ideia legal do presente perfeito. Aí, na véspera do encerramento das inscrições, finalmente consegui começar e tudo fluiu como água.


EBI: Quanto aos personagens, é de comum acordo que o Gojou se manteve fiel ao tipo de personalidade que ele tem no anime, mas como foi desenvolver a personalidade do Getou, quando na verdade pouco se sabe sobre ele?

AJ: Getou é sempre um danado de escrever, mas como a pessoa que leu o mangá, até o volume do prólogo, eu sei mais do que a galera que só assistiu o anime (e exatamente por isso shippo eles). A gente consegue ter um vislumbre dele no arco da amizade, e com isso e mais uma dúzia de fanfics do AO3, dá pra ter uma noção de como é o Getou. Inclusive, como testemunha fiel de Jujutsu Kaisen, vos digo: não basta ver o anime, é preciso ler o mangá. E o prólogo. Amém!


EBI: Como foi seu processo de escrita para sua fanfic? Você gosta de ter tudo planejado ou prefere escrever conforme as ideias vão surgindo? Você prefere escutar música ou o silêncio enquanto escreve?

AJ: Foi desesperador enquanto a ideia não surgia, depois só fluiu. Depende muito da vibe, mas geralmente eu monto uma prévia na mente e só então começo a escrever, porém sempre com consciência de que na maioria das vezes o plot vai inventar algo novo porque ele quer e eu que lute. Eu amo o silêncio e preciso dele pra escrever ou pra ler, então nada de música (só se for instrumental, e geralmente só preciso disso quando tem muito barulho externo).


EBI: O que você diria para os escritores do Inks que gostariam de participar de um desafio, porém se sentem receosos quanto ao próprio trabalho?

AJ: Se joga! Desafios são sua chance de crescer, de conhecer escritores incríveis e interagir, sem contar que todo mundo é gentil na hora de comentar, e se aparecer alguém sem noção a ponto de não ser, ele será punido pela própria plataforma. Desafios são ótimas oportunidades, não de se comparar com outros, mas de comparar sua escrita de hoje com a de ontem e se orgulhar do teu progresso.



EBI: Quem são seus maiores apoiadores? Como isso te impulsiona a continuar escrevendo?

AJ: Ah, tenho muitos, uma família virtual inteira de gente linda e cheirosa que tá sempre me apoiando. Tenho minha Madrinha Nathy Maki (sim, minha madrinha ganhou o desafio, ela é demais!) que sempre me elogia e apoia, tia Mabby sempre me mandando plots aleatórios pra formentar meu descontrole de escritora (reclamo, mas amo), Ichygo, Machadinha, Ellie, Lovage, Geisa, Emy… toda essa galera tá sempre ali, assim como a Nica e Dani, enfim, todas pessoas e escritoras/artistas maravilhosas. Isso me ajuda a enxergar que sou boa no que faço e posso ficar ainda melhor se continuar escrevendo.


EBI: Você tem um gênero preferido ou um autor preferido? Como isso influencia sua escrita?

AJ: Amo fantasia, mas isso não afeta minha escrita realmente. Escritores eu amo vários, mas tenho mais afinidade com a galera de fanfic. Nathy Maki, Camy Mj, Alice Alamo, Tatu Ane, Ayzu, Ellie Blue e quase toda a galera mencionada na resposta acima fazem parte dessa lista e, inclusive, eu me aproximei justamente pela escrita. Acho que me influencia no estilo, já que mudei bastante desde que comecei, por observar e aprender com elas (não plagiar, pelo amor de deus, plágio não é nada além de cópia e falta de vergonha na cara), assim como descobri outros gêneros favoritos e me propus a arriscar a escrever.


EBI: Qual foi a sensação que você teve ao descobrir que Presente Perfeito! foi um dos vencedores do #Amordecinema?

AJ: Olha, primeiramente eu quis gritar, aí lembrei que não posso porque moro em apartamento. Então sacudi meu celular e mordi o coitado, pulei pela casa e depois saí mandando áudio pra uma galera que sabia do desafio. Aí eu fingi ser uma pessoa normal lá no post do face, né. Mas, brincadeiras à parte (embora eu realmente tenha feito tudo isso aí), fiquei muito feliz mesmo. É uma honra ganhar quando se tem tantas histórias boas competindo.


EBI: Por último, qual conselho você gostaria de deixar para os autores que querem continuar expandindo suas escritas?

AJ: Leiam! Leiam de tudo, até o que acham que não gostam. Se arrisquem, tentem coisas novas, descubram o que lhes deixa confortável e o que não deixa na hora de escrever, se inspirem em escritores incríveis, abandonem preconceitos literários, participem de desafios, estudem quando precisarem, leiam blogs de escrita (aqui no inks tem um ótimo), aprendam a lidar com críticas e aprendam com elas, pratiquem, revisem e se divirtam (no sentido de gostar do que se está fazendo independente de ser uma história feliz ou triste). Venho fazendo isso há três anos e vem dando certo pra mim, e eu não sou melhor que ninguém, então pode dar certo pra ti também! Confia!


Enfim, foi um prazer dar essa entrevista, obrigada por tudo, Inks, vocês são demais! Beijinhos!

26 de Junho de 2021 às 16:09 0 Denunciar Insira 0
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Entrevista com Rodrigo Martins, escritor vencedor do desafio #Amordecinema - História: O Arco de Teles


Sou professor de língua portuguesa e literatura e também trabalho como revisor. Minha preferência é pelo subgênero Fantasia sombria, apesar de escrever também terror, poemas e contos mais voltados à crítica social.

Tenho publicado na Amazon três livros, um deles de terror, outro em coautoria sobre como seria o Japão feudal fundido ao sertão mineiro, chamado Katanas da Caatinga.

Atualmente trabalho em parceria num projeto de Fantasia sombria, A Era de Ysdaryah. São contos sequenciais de cinco protagonistas pelo mesmo universo. As histórias são todas conectadas, com eventuais encontros entre os protagonistas. Cada uma delas tem um leve enfoque em um subgênero da fantasia, uns mais Espada e feitiçaria, ou mais Jovem adulto. O Castelo das Águas, o que está disponível na plataforma, é mais orientado ao jovem público feminino.


Embaixada Brasileira do Inkspired (EBI): Rodrigo Martins, agradecemos por ter aceitado participar da nossa entrevista. E, para começar, queremos saber quando e como foi que você começou a escrever.

Rodrigo Martins (RM): Desde criança criava histórias e as mantinha na cabeça. Escrever veio naturalmente conforme fui incentivado pelos professores. Literatura e música sempre fizeram parte da minha vida.



EBI: Quando você começou a compartilhar suas histórias e como foi isso para você?

RM: Em 2018 resolvi testar o que tinha, já me preparando para um projeto que tinha com amigos. Sempre gostei de fazer parcerias, talvez isso tenha vindo da música. Foi uma experiência interessante porque pude observar o dinamismo dos vários públicos.


EBI: Quando você viu que tínhamos aberto o #Amordecinema, ficou empolgado para participar desde o início ou essa foi uma ideia que foi amadurecendo com o passar do desafio? Como sua participação impactou sua escrita?

RM: Confesso que já estava procurando por atividades que pudessem dar alguma visibilidade ao projeto que estou finalizando. Primeiro bateu o desespero por ser um tema bem fora da minha zona de conforto — talvez eu a tenha burlado (risos) —, depois procurei relacionar com algo que gostaria de escrever e o tema fosse um elemento a mais.

Por fim, foi rolar o dado.


EBI: A sua história nos apresenta uma trama complexa, com referências literárias e um terror sutil que demanda atenção para ser compreendido. Por qual motivo você resolveu desenvolver O Arco de Teles de uma forma mais enigmática e menos direta? E como você deu o tom para sua história?

RM: Porque adoro tramas assim, com algum grau de complexidade e que leve o leitor a questionar a mensagem que recebe. Abraço como missão literária devolver algo a quem lê o que escrevo. Funciona para mim como uma dialética, gosto de pensar que posso me comunicar com gerações que ainda nem nasceram, enquanto muitas que já se foram conversam conosco o tempo todo.


EBI: Nós conseguimos caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro antigo e imaginar tudo o que nelas havia com muita facilidade, graças às descrições e aos detalhes dados pelo seu personagem. Como foi pra você a pesquisa para montar os cenários da história? Quais dicas você daria para os autores que têm dificuldade em fazer descrições de lugares?

RM: Sempre vivi no Rio de Janeiro e dificilmente o trocaria. O Centro da cidade é para o carioca como um velho conhecido, que você cumprimenta, troca alguns minutos, e o reencontrará no dia seguinte, na semana seguinte. O Rio Antigo está na alma do carioca, todos têm uma experiência marcante, uma história, um lugar, um monumento preferido.

O que fiz em O Arco do Teles foi desmontar parte do que significa o Centro e condensá-lo num conto. Não fiz nenhuma pesquisa porque tudo veio da experiência local. Se fosse outra cidade, outro Estado, teria de pesquisar, como fiz em Katanas da Caatinga.

Já sobre descrições, recomendo que os escritores leiam sempre. A literatura é feita de leitura e escrita, nenhuma é mais importante que a outra. O cenário é tão importante quanto o diálogo, a narrativa, quanto ao que é dito nas entrelinhas. Ler escritores que trabalhem bem as descrições é um bom passo. Depois é visualizar a cena, seus detalhes, mesmo que não os use.

Deixo como referências Alexandre Dumas, Dalcídio Jurandir, Guimarães Rosa, Khaled Hosseini, Madeline Miller e Katherine Arden.


EBI: Em algum momento, o fim de Amadeu trouxe a você algum sentimento de que ele não merecia aquilo, ou você já havia planejado desde o início e se manteve firme quanto ao seu fim até o último parágrafo?

RM: Não. Porque o final é em aberto, é simbólico, como as várias analogias que permeiam a trama. O leitor decide qual final prefere para o Amadeu (risos).


EBI: Do surgimento dos primeiros esboços à postagem da sua participação, qual foi o momento mais desafiante do #Amordecinema para você?

RM: Sem dúvidas, encontrar a última simbologia, representada pelos pincenês. Precisava de uma referência à visão, mas que soasse artificial, mais a extensão de um sentido que o sentido em si. Toda a base argumentativa do Amadeu é frágil, distorcida, artificial. Logo um artefato que o encantaria, não devia ser maior que os que desprezou.


EBI: Como autor, qual seria a cena que você diria que foi mais difícil desenvolver no O Arco de Teles e por quê?

RM: O começo. Botar o carro em movimento, vencer a inércia é sempre o pior para mim. E esse início é trivial, algo bem cotidiano, que poderia ser o início de qualquer história. Para chegar no ponto que queria, teria de ser num movimento crescente, como uma onda que vai levando o banhista para o fundo sem perceber.


EBI: Como foi seu processo de escrita para seu conto? Você gosta de ter tudo planejado ou prefere escrever conforme as ideias vão surgindo? Você prefere escutar música ou o silêncio enquanto escreve?

RM: Geralmente gosto de traçar um roteiro de eventos, algo que aprendi com um professor do curso de Letras, e o sigo o máximo que puder. Se preciso alterar algum evento, corrijo o roteiro. Mas nos desafios deixo fluir mais livre para que possa incorporar mais elementos que não estavam na ideia central.

Assim como a literatura, a música sempre está presente na minha vida. Uso a música par abafar o ruído externo e ajudar na concentração. Redes sociais e tudo o mais que possa dispersar deixo de lado para manter o foco e terminar a atividade o quanto antes.


EBI: O que você diria para os escritores do Inks que gostariam de participar de um desafio, porém se sentem receosos quanto ao próprio trabalho?

RM: Tentem. Tentem sempre. Mesmo se acharem que não estejam prontos, cumpram os prazos e tentem. O vencer e o perder na literatura não é conquistar uma posição num concurso, mas contar a história que você tem aí dentro, da forma que ela precisar ser contada.

Os concursos nos ajudam a ter um retorno sobre como o outro absorve o que escrevemos. E assim como somos “vistos”, é bom conhecer outras formas de contar outras histórias. Para a literatura a troca é muito benéfica.


EBI: Quem são seus maiores apoiadores? Como isso te impulsiona a continuar escrevendo?

RM: Alexandra Braga, minha editora, leitora beta, aquela que está ali medindo a temperatura dos textos. Bianca Lefay, minha revisora e parceira de projetos. Raphael Silva, com quem escrevo A Era de Ysdaryah. Thiago Garcez Moreno, grande desenhista, pintor, com quem sempre converso sobre estética, artes plásticas, música, cinema. E recentemente, Vitor Morais, que é um escritor de Espada e feitiçaria sensacional, grande ser humano.

Todos eles me ajudam a viver numa esfera artística, com boas trocas de conhecimento. É importante para o artista não ficar isolado na torre de marfim, mas viver um pouco aquilo que faz.


EBI: Você tem um gênero preferido ou um autor preferido? Como isso influencia sua escrita?

RM: Minha resposta para essa pergunta sempre é cretina (risos). Minha preferência de leitura são os clássicos da literatura universal e brasileira, fantasia e romance contemporâneo. Gosto escrever fantasia, terror, contos mais cotidianos voltados à crítica social, poemas sombrios, mas foi uma escolha me dedicar a escrever Fantasia sombria. Optei por um gênero para ter uma quantidade razoável de trabalhos que conversem entre si.

Meus escritores preferidos mudam a cada dia. Além dos que citei antes, incluo Robert Howard, Tolkien, Marion Zimmer Bradley, Drummond, Rubem Fonseca, Gorki e Elesbão Ribeiro.


EBI: Qual foi a sensação que você teve ao descobrir que O Arco de Teles foi um dos vencedores do #Amordecinema?

RM: Fiquei feliz. Foi uma honra ter um trabalho lido, analisado e avaliado. Isso me diz que a conversa da qual falei antes aconteceu. Esse é o meu maior objetivo. O segundo prêmio é a visibilidade proporcionada pela plataforma.


EBI: Por último, qual conselho você gostaria de deixar para os autores que querem continuar expandindo suas escritas?

RM: Ler e escrever sempre. Esses dois são as principais ferramentas de trabalho de um escritor. Ninguém tem dúvidas de que é preciso saber externar, comunicar, mas também é preciso saber ver, conseguir encontrar o melhor ângulo para enxergar aquilo sobre o que se quer falar. E é preciso olhar para fora e para dentro de nós, conhecer e respeitar a nossa própria forma de fazer literatura. Isso é um exercício diário.

Tenham em mente que vocês nunca mais deixarão de fazer isso. Uma vez que se aprende as notas musicais, nunca mais se deixa de ouvi-las. Elas sempre estarão soando em qualquer som. Assim também é com a literatura.


Em 21/06/2021




26 de Junho de 2021 às 16:09 0 Denunciar Insira 0
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Entrevista com Nathy Maki, escritora vencedora do desafio #Amordecinema - História: Incomensurável



Leitora descontrolada e escritora de fanfics que, de vez em quando, se arrisca em originais, cujos plots sempre acabam maiores do que o planejado. Sonhadora, espera um dia ajudar alguém com as palavras tanto quanto elas a ajudaram ao longo da vida.


Embaixada Brasileira do Inkspired (EBI): Nathy Maki, antes de mais nada agradecemos pelo tempo que dispôs para nossa entrevista. E, para começar, queremos saber quando e como foi que você começou a escrever.

Nathy Maki (NM): Eu sempre fui uma leitora ávida desde criança, mas nunca tinha realmente considerado escrever minhas próprias histórias. Foi então que, durante uma aula de redação da escola no 9º Ano do Fundamental, a professora nos deu uma cópia incompleta do conto “O Coração Revelador” de Edgar Allan Poe e nos passou o desafio de escrever um novo final para ele. Confesso que não conhecia a história na época e era uma medrosa com temas de terror e suspense, mas foi uma experiência instigadora! Mesmo hoje, eu lembro com perfeição a sensação que foi escrever aquele final e, depois de reler para fazer as correções, podia sentir meu coração acelerado de orgulho porque sabia que eu tinha feito algo bom. Depois disso, a escrita se tornou uma das coisas que mais amo na vida.



EBI: Quando você começou a compartilhar suas histórias e como foi isso para você?

NM: Por conspiração do destino foi nesse mesmo ano hahaha Por causa de um trabalho em grupo, eu acabei conhecendo uma das meninas da minha sala que escrevia fanfics de Amor Doce. Ela me apresentou os sites de fanfics e, depois de devorar uma porção de histórias, decidi que queria tentar escrever também. Eu estava assistindo Fairy Tail na época e só conhecia os sites do Spirit e do Nyah, então foi por aí que comecei e era sempre uma experiência incrível receber cada favorito e comentário pedindo por mais ou especulando que rumos a história iria tomar. Saber que minhas palavras podiam tocar os outros como tantos outros autores tinham me tocado era e continua sendo um sentimento indescritível.


EBI: Quando você viu que tínhamos aberto o #Amordecinema, ficou empolgada para participar desde o início ou essa foi uma ideia que foi amadurecendo com o passar do desafio? Como sua participação impactou sua escrita?

NM: Sim, com toda certeza fiquei muito empolgada! Assim que o desafio saiu, enviei ele para todas as escritoras que tinha contato porque adorei a ideia. Os desafios do Inkspired foram o que me fizeram voltar a escrever depois de um bloqueio de 2 longos anos sem conseguir uma vírgula sequer, então tenho um carinho e gratidão imensa por eles e procuro participar sempre que tenho a chance, sem falar do pessoal da moderação que sempre deixa comentários com dicas para melhorar; aproveitei todas elas e aprendi muito com a participação, foi o que me permitiu continuar evoluindo minha escrita e chegar em um ponto em que eu sinto orgulho das minhas palavras.


EBI: Ao ler Incomensurável é bastante fácil imaginá-lo como um episódio escrito para Boku no Hero Academia. Você tinha essa intenção, de fazer sua fanfic como um episódio do anime/mangá ou foi uma coisa inconsciente?

NM: Foi inconsciente, ou talvez intencional sem ser, mas depois de tantas fanfics escritas nesse meio, existe já uma certa familiaridade confortável nisso. Como se trata de um Universo e personagens criados por outra pessoa, penso que o mínimo que posso fazer é cuidar para manter uma linearidade, escrever algo que faça o leitor sentir que aquilo realmente poderia acontecer, que se encaixa e passa a essência do que fez ele gostar tanto da obra ao ponto de procurar conteúdos adicionais. Sou a favor da ideia de escrever aquilo que gostaríamos de ler, então é o que faço, torcendo para que as demais pessoas também gostem.


EBI: Ao escrever sobre os personagens, você quis deixar eles bastante condizentes com a obra original, pelo que nos pareceu. Como foi tentar manter a personalidade deles, sem que isso afetasse a história?

NM: Já escrevo sobre Boku no Hero há algum tempo, e esses dois são meus personagens favoritos de conforto emocional, então manter as personalidades deles fiel a obra é sempre algo que procuro fazer de forma bem específica porque não consigo imaginar eles agindo de outro modo. No começo, era preciso ficar bem atenta para manter a coerência das ações e reações com cada acontecimento, mas agora já é tão natural que escrevo sem precisar pensar muito. Eles são assim e eu estou aqui apenas para contar a história.


EBI: Do surgimento dos primeiros esboços à postagem da sua participação, qual foi o momento mais desafiante do #Amordecinema para você?

NM: Obedecer o limite de palavras haha Tenho um probleminha em manter as coisas curtas, os personagens têm a tendência de assumir o controle e fazer coisas que, a princípio, eu não tinha planejado. Mas é sempre uma sensação divertida e eu mesma acabo me surpreendendo com os acontecimentos que não esperava.


EBI: Do seu ponto de vista, qual foi o ponto mais importante no desenvolvimento da história e por quê?

NM: A compreensão de que a data não se tratava do presente em si, mas sim do fato de estar lá quando ele precisasse. Penso que podemos ganhar os presentes que for, mas a emoção de ver alguém estender a mão, abraçar e garantir que vai estar ali para o que for necessário, vale muito mais. De certa forma, isso também é um grande presente nas nossas vidas. Foi o que eu tentei passar e espero ter conseguido.


EBI: O que te inspirou a escrever para o desafio #Amordecinema? Você demorou a chegar na ideia final da sua fanfic?

NM: Eu sou uma pessoa muito indecisa na hora de presentear alguém, então imaginar o Shouto nervoso sobre como seria escolher um presente perfeito acabou sendo fácil. Foi um verdadeiro flash de inspiração, assim que terminei de ler o edital, a primeira coisa que se formou na minha cabeça foi a sinopse e a fala final, tenho um hábito muito corriqueiro de começar a escrever as coisas pelo fim ou pelo meio hahaha


EBI: Como foi seu processo de escrita para sua fanfic? Você gosta de ter tudo planejado ou prefere escrever conforme as ideias vão surgindo? Você prefere escutar música ou o silêncio enquanto escreve?

NM: O processo é uma verdadeira bagunça! Nunca consigo seguir uma linearidade de começo, meio e final; vivo pulando de partes em partes para só então reler tudo e amarrar possíveis pontas soltas. Planejamento? O que é isso? É de comer? Confesso que adoraria conseguir seguir um bom planejamento, mas sempre que tento acabo com algum tipo de bloqueio. Além disso, é muito bom se surpreender com ideias que surgem de repente! Sobre a música ou o silêncio, gosto de ambos, prefiro escrever em silêncio quando se tratam de cenas mais sentimentais para tentar me imaginar no lugar do personagem e tornar a sensação o mais verdadeira possível, e a música me ajuda principalmente em momentos de ação ou que precisam progredir mais rápido, ela dita o ritmo e o quão empolgante tudo vai ser.


EBI: O que você diria para os escritores do Inks que gostariam de participar de um desafio, porém se sentem receosos quanto ao próprio trabalho?

NM: Mesmo receosos, escrevam! A sensação de não saber o que poderia ter acontecido sempre é frustrante e coloca um peso no estômago que acaba nos desanimando. São experiências como essas que nos permitem crescer como pessoas e como escritores. Então se arrisquem e tentem dar um passo a mais, podem acabar se surpreendendo com o resultado!


EBI: Quem são seus maiores apoiadores? Como isso te impulsiona a continuar escrevendo?

NM: Definitivamente os meus amigos e o pessoal do Facebook da comunidade de fanfics. Foi por causa deles que eu adentrei esse mundo e é pelo apoio deles que eu permaneço aqui. Eles sempre me incentivaram a não desistir e me fizeram gostar do meu próprio trabalho. Então só tenho a agradecer por tudo e por todo o incentivo que me impulsionou a continuar. Sem eles, eu provavelmente não estaria aqui hoje.


EBI: Você tem um gênero preferido ou um autor preferido? Como isso influencia sua escrita?

NM: Sou completamente apaixonada por fantasia e histórias com construção de mundo e personagens bem desenvolvidos, envolvendo ou não romances. Tenho uma queda por autores com escrita bonita (amo uma descrição haha) e que cada palavra parece tocar a sua alma, como Laini Taylor (minha musa inspiradora), Maggie Stiefvater, Patrick Rothfuss, Brandon Sanderson (e seus plot twist de cair o queixo), e, recentemente, Marissa Meyer. Autoras de fanfics também não ficam fora dessa lista (existem histórias maravilhosas nesse meio, leiam!). Então Ayzu Saki, Sabrina Vilanova, Alice Alamo e Morangochan o meu mais especial agradecimento! Todos esses autores incríveis definitivamente deixaram sua marca em mim, e o desejo de alcançar, ao menos um pouco, a delicadeza deles com as palavras e sentimentos é o que mais me influencia a continuar escrevendo.


EBI: Qual foi a sensação que você teve ao descobrir que Incomensurável foi uma das vencedoras do #Amordecinema?

NM: Incomensurável haha Brincadeiras a parte, foi uma alegria imensa e incredulidade também. Sempre sonhei em ganhar um dos desafios e, uau, aconteceu! Não acredito ainda! Por ser uma fanfic, confesso que fiquei meio receosa dos leitores não entrarem na vibe, mas quando recebi os comentários elogiando o desenvolvimento e a escrita fiquei extasiada, pensei que até podia entrar no pódio, mas vencer, nunca teria imaginado mesmo. Foi uma surpresa maravilhosa, senti como se todo o tempo escrevendo por amor tivesse sido reconhecido. Muito obrigada mesmo, vou guardar esse momento para sempre no coração!


EBI: Por último, qual conselho você gostaria de deixar para os autores que querem continuar expandindo suas escritas?

NM: Nunca pare de tentar. Acho que essa é a coisa mais importante e o ponto fundamental para qualquer atividade que você queira experimentar na vida. Persista, aproveite a paixão e a inspiração e qualquer sentimento que te guie nesses momentos. Participe de desafios, se aventure em temas fora da sua zona de conforto e aprenda com eles. Leia e admire autores, use-os como inspiração para crescer e melhorar ainda mais. Não desanime por alguns erros, vire a página e comece de novo. A escrita está sempre em transformação, e quando você se encontrar nela, então tudo irá fazer sentido. Use tudo isso e então escreva, o mundo precisa de mais escritores. Muito obrigada pela atenção!

26 de Junho de 2021 às 16:07 0 Denunciar Insira 1
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Entrevista com Clark Carbonera, escritor vencedor do desafio #cheirodelivro - História: Clow



Sou só uma pessoa como outra qualquer, lidando aos trancos e barrancos com os perrengues da vida, e que de vez em quando escreve histórias para entender melhor as loucuras do mundo.


Embaixada Brasileira do Inkspired (EBI): Clark, antes de qualquer coisa, agradecemos pelo tempo que dispôs à nossa entrevista. E, para começar, queremos saber quando e como foi que você começou a escrever.

Clark Carbonera (CC): Lembro que comecei a compartilhar minha primeira história numa plataforma que não existe mais (acho), chamada Widbook; depois de alguns anos migrei para o famoso Wattpad, mas a forma como os escritores de lá faziam ‘marketing’ para suas histórias era bem irritante e desestimulante. Depois de um certo tempo, conheci o Ink, o melhor lugar que encontrei até agora para escrever, publicar e conhecer outros escritores (e os Desafios são a melhor maneira disso acontecer!). Eu sempre gostei de inventar histórias desde criança, mas só na fase adulta é que comecei de fato a escrever e colocar no papel as coisas inventadas.



EBI: Quando você começou a compartilhar suas histórias e como foi isso para você?

CC: Eu mudei bastante desde que comecei a escrever. Lembro que no começo eu era bem arrogante e queria só saber de ‘vender minhas próprias histórias e ponto’. Depois de anos, acho que amadureci e vi que eu estava bem longe de ser um contador de histórias digno de fazer dinheiro! Hoje em dia, penso que colocar um ‘pedágio’ para que outros possam ler uma história (mesmo que não muito bem escrita), para que possam sair um pouco da realidade/rotina e cair de cabeça num outro mundo/universo, é algo que eu não consigo fazer. Limitar a imaginação dos outros não me parece tão certo.

E isso não quer dizer que ‘condeno’ a profissão dos escritores (longe disso!). Nós somos seres humanos e precisamos comer, pagar contas etc., nada mais certo que eles vendam seus trabalhos de forma digna (e sim, aqui eu condeno bastante a pirataria que rola solta pelo Brasil). Todavia, infelizmente, os livros e a leitura se tornaram um hábito um pouco caro aqui no Brasil por vários fatores: sociais, crises econômicas, mercado editorial brasileiro (e olha que nem entrei na questão do tal imposto absurdo que querem colocar sobre os livros...se o negócio já está um pouco caro, imagine se isso acontecer realmente…). Por todos esses fatores, eu tomei a decisão de apenas escrever histórias para mim mesmo, sem cobrar pedágio, colocando algumas delas em sites de venda apenas com um valor simbólico mesmo, sem retirar a publicação gratuita pelo Ink. Mas isso é a minha maneira de ser, nem certa, nem errada. É apenas meu jeito.


EBI: Quando você viu que tínhamos aberto o #cheirodelivro, ficou empolgado para participar desde o início ou essa foi uma ideia que foi amadurecendo com o passar do desafio? Como sua participação impactou sua escrita?

CC: Eu acabei vendo o Desafio #cheirodelivro um pouco tarde demais hahaha. Tinha apenas alguns dias para escrever, mas assim que li o edital, imediatamente veio uma imagem de como seria meu “conto-fanfic”. Sobre o impacto da participação nesse desafio? Bom, eu sempre puxo sardinha pros Desafios da Embaixada Brasileira! O retorno dos responsáveis e os comentários dos demais participantes são de fato as coisas que mais impactam minha escrita, pois a partir deles eu posso ver onde eu ‘pequei’, onde acertei, onde eu poderia melhorar etc. Desde a primeira vez que participei de um Desafio no Ink, minha escrita melhorou muito.


EBI: Ficamos sabendo, através das notas iniciais da sua história, que Clow foi a primeira fanfic que você escreveu. Como foi essa experiência para você?

CC: Foi uma experiência maravilhosa. Lembro que há muitos anos eu tinha preconceitos em relação às fanfics (eu disse antes que era bem arrogante, não? Agora melhorei, juro, me reabilitei, palavra de escoteiro).

Escrever essa fanfic especificamente fez eu analisar melhor sobre esse tipo de narrativa. Ela precisa de cuidados, uma vez que é baseada num universo qualquer que já foi criado por outro escritor/artista. Sendo assim, nós não podemos fazer exatamente tudo o que quisermos nesse universo. Se criarmos coisas nele que não façam sentido dentro da realidade daquele universo (por mais fantástico e lunático que seja), nossa narrativa cai por terra. Então, mesmo que sua fanfic seja ao estilo Terry Pratchett de ser, você precisa se ater às maluquices desse universo, caso contrário, a história não é crível.


EBI: Existe um motivo especial para você ter escolhido escrever sobre o Mago Clow Reed? Conta pra gente como foi para você desenvolver esse personagem.

CC: O motivo especial talvez seja o próprio Mago que possui uma história muito interessante e labiríntica dentro do universo da Clamp! No entanto, disse anteriormente que quando li o edital do #cheirodelivro, uma imagem veio à mente, pois bem: a imagem foi na verdade uma memória minha. Há alguns anos, quando ainda estava na faculdade, certo dia entrei na sala de aula bem cedo, e vi num canto da sala um grupo de colegas (todos homens) com o notebook aberto, ouvindo e cantando a música de abertura da Sakura Card Captors; não via aquela alegria neles desde que os conheci e eu comecei a rir demais! Eram pessoas que nunca nem pensei que teriam visto, gostado e lembrado de um anime desses (um desenho considerado “para meninas”). O Mago Clow e a Sakura têm poderes que não imaginamos e eu agradeço por essa magia! O Mago, a Sakura e essa memória são o motivo especial para essa escolha.


EBI: Você se identifica com o personagem principal da sua história? Existe alguma ligação entre Danilo e você, autor?

CC: Uh, não necessariamente. Penso que Danilo é apenas um acúmulo de muitas pessoas que conheci (mas também, posso me incluir nisso de certa forma). Ele seria a manifestação da nossa “criança-interior” que achamos ser necessário perder para sermos adultos.


EBI: Do surgimento dos primeiros esboços à postagem da sua participação, qual foi o momento mais desafiante do #cheirodelivro para você?

CC: O momento mais desafiante não foi tanto o processo de escrita. Na verdade, o momento mais desafiante foi depois da publicação, quando os demais participantes começaram a escrever suas críticas. Apenas um deles se lembrava um pouco mais sobre esse universo que a Clamp criou e avaliou positivamente a fanfic, dizendo que era fiel à história original (o que me fez sentir bem melhor). Todos os demais, ninguém se lembrava (acho que esses eram ainda muito novos na época) e alguns não conheciam (pois eram já um pouco mais velhos na época do desenho animado). Então, eu fiquei numa espécie de “limbo-otaku” e pensei seriamente em excluir a publicação e desistir do Desafio, uma vez que os outros participantes estavam com histórias muito bem escritas e mais conhecidas do público de um modo geral. Mas achei que agir dessa maneira seria um tanto desrespeitoso para com a Embaixada e seus responsáveis.

(pensei em excluir a história só depois que os vencedores fossem avaliados).


EBI: Qual o motivo para ter escolhido Sakura Card Captors como o tema da sua história?

CC: Eu tinha que criar um personagem como Danilo: alguém que tinha perdido sua “criança-interior” para que ele fosse resgatado depois. No caso, Sakura Card Captors foi a história que tive contato quando criança que mais se aproximava do que seria (ou deveria ser) essa criança perdida: um ser que via alegria nas coisas mais rotineiras; que sentia e expressava o amor em seu sentido mais puro; que mostrava como podemos ultrapassar obstáculos difíceis sem perdermos a confiança em nós mesmos. Afinal, “nós vamos ficar bem, com certeza…” Sinto que Sakura Card Captors foi a escolha mais condizente nesse sentido.


EBI: Como foi seu processo de escrita para seu conto? Você gosta de ter tudo planejado ou prefere escrever conforme as ideias vão surgindo? Você prefere escutar música ou o silêncio enquanto escreve?

CC: Ultimamente, por conta da minha rotina, eu não tenho seguido um processo de escrita tão bom como antigamente. Nos últimos desafios eu tenho escrito as histórias quase “numa sentada” mesmo. E antes de publicar na plataforma eu faço a revisão final, estudando se a história segue os parâmetros do edital, se a narrativa tem um começo-meio-fim lógico.

Agora, de certa forma, quase todas as minhas histórias começam com algumas imagens. A partir delas eu vou montando um roteiro mental, e quando quase todas as cenas e falas já foram criadas é que sento na cadeira e escrevo. Independente de ter música ou silêncio, chuva ou sol, quando a história é criada, ela precisa vir ao mundo de alguma forma.


EBI: O que você diria para os escritores do Inks que gostariam de participar de um desafio, porém se sentem receosos quanto ao próprio trabalho?

CC: Nem pense duas vezes antes de participar. Apenas escreva e participe. Acredite: todos os participantes dão um apoio bem legal nos comentários (sem contar os embaixadores responsáveis), não é algo vazio, são críticas construtivas, que valem muito a pena e vão te ajudar na jornada como escritor(a).



EBI: Quem são seus maiores apoiadores? Como isso te impulsiona a continuar escrevendo?

CC: Poucas pessoas sabem que tenho o hábito de escrever e publicar histórias (aquelas que sabem não apoiam com pompons nem nada; é algo que não cheira nem fede). Então, creio que meu maior apoiador, aquele serzinho que me empurra pra escrever, seja meu eu-criança. O mundo tá muito cinza, então o eu-criança às vezes precisa de um tempo pra ligar a tv e ver um filme...e que filme melhor do que aquele que podemos contar e criar nós mesmos?


EBI: Você tem um gênero preferido ou um autor preferido? Como isso influencia sua escrita?

CC: Antigamente eu lembro que não tinha um gênero preferido, mas existia um que eu não considerava literatura (eita arrogância do *piiii): autoajuda. Hoje eu cresci (ainda bem), e vejo como cada livro (fantasia, policial, terror, sobrenatural, filosófico, histórico etc) é si mesmo um livro de autoajuda, pois a partir do enredo, da jornada dos heróis, do relacionamento dos personagens, do sentimentos envolvidos na problemática, nós nos espelhamos em todos eles. Não somos apenas leitores passivos de histórias. A partir do momento em que abrimos a primeira página do livro, nosso coração e mente já abertos para esses caminhos traçados, nossos pés andam pelas mesmas estradas que os personagens estão andando. E podemos pensar e sentir: “se eu estivesse nessa situação, como eu reagiria? O que eu falaria? O que sentiria?”

Histórias nos fazem refletir e a reflexão nos ajuda a sermos pessoas melhores.


EBI: Qual foi a sensação que você teve ao descobrir que Clow foi um dos vencedores do #cheirodelivro?

CC: Honestamente eu não acreditei, não. Eu disse lá em cima que quase pensei em desistir do Desafio (coisa que nunca me aconteceu desde que entrei no Ink), então, vocês já podem ter uma ideia da surpresa em ter conseguido descolar um lugar entre os vencedores! E apesar do público em geral não conhecer a fundo a história da Clamp, não vou excluir a fanfic (muito menos agora que foi um dos vencedores né). Quem sabe o pessoal não se interesse e vai atrás dessa joia da década de 90?


EBI: Por último, qual conselho você gostaria de deixar para os autores que querem continuar expandindo suas escritas?

CC: Apenas escrevam. Ou melhor, “transcrevam”. Porque suas histórias já estão aí, na cachola e no coração de vocês. Elas já têm começo, meio e fim, só precisam de alguém que dê voz a elas. Então, dê-lhes sua voz.


26 de Abril de 2021 às 21:25 1 Denunciar Insira 3
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