monilovely Sai Daqui

inha uma razão para Tord ser tão reservado quanto a seus interesses. Ser procurado pelas autoridades torna falar sobre sua vida profissional um tanto complicado. Qualquer coisa que Edd, Tom e Matt pudessem saber sobre ele colocaria suas vidas em perigo, o que significa que menos eles sabem, melhor. E, por um tempo, as coisas estavam bem assim. Até que uma confusão força Tord a revelar coisas sobre si que ele não esperava ter que contar à seus amigos tão cedo. Ser o líder de um exército era o primeiro da lista.


Fanfiction Interdit aux moins de 21 ans.

#colalosers #paupat #tomtord #guerra #violencia #gore
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Mudanças, de novo

Uma versão de voz mais fina da música “Shake it off” da Taylor Swift ecoava pelo pequeno apartamento enquanto Edd pulava de um lado para o outro para terminar de arrumar as malas. Era quase como um ritual a esse ponto; colocava seu estéreo em alguma estação de rádio e deixava a música rolando - com a voz afinada para evitar direitos autorais - toda vez que tinha que fazer alguma tarefa chata. E que tarefa mais chata que arrumar uma mala?

Podia não gostar de Taylor Swift, mas pelo menos ter alguma música ajudava o tempo a passar mais rápido. Ou pelo menos era o que ele achava, não sabia exatamente há quanto tempo estava arrumando aquela mala. Tecnicamente, ele não precisava arrumar mala alguma, já que o apartamento de Tom ficava literalmente do lado do seu, mas uma das graças de ficar fora de casa é justamente fazer o ritual chato de arrumar a mala.

Isso faz algum sentido? Provavelmente não. Mas quando é que alguma coisa em sua vida fez sentido?

O rapaz de moletom verde caminhou calmamente até a caixa de som e a desligou com um clique ao terminar a arrumação. Embora estivesse na maior tranquilidade, na verdade, estava atrasado. Matt havia lhe mandado mensagem há, aproximadamente, meia-hora atrás, avisando que já tinha chego no apartamento de Tom e estava pegando a melhor cama. Logo em seguida, recebeu uma mensagem de Tom - pelo celular de Matt - negando que dividiria sua cama com aquele estrupício ou qualquer um deles.

Podia ser estranho, querer marcar com os amigos para alugar de graça o apartamento do amigo que mora bem ao seu lado, mas eles já vinham fazendo isso há vários anos - sempre dando a desculpa de que era pra aproximar a amizade - e, a esse ponto, Tom já havia jogado a toalha e deixado a porta aberta para quando seus amigos malucos quisessem invadir sua privacidade. Eles iam acabar fazendo isso de um jeito ou de outro de qualquer maneira.

Os amigos viam algo de divertido em deixar o de moletom azul e olhos inexistentes irritado. Não sabiam exatamente o que era, mas apenas vê-lo com aquela cara amarrada e o beiço pra fora os fazia rir igual a duas crianças de quatro anos de idade.

Agora ninguém mais podia julgar Tord por sempre provocá-lo da forma que fazia.

Terminada a mala, Edd se preparou para deixar a casa. Seria uma longa caminhada de quatro passos até a casa do amigo e não queria perder mais tempo do que já perdeu. Além do que, tinha de arrumar suas coisas e se organizar para conseguirem, cada um, ter seu espaço dentro do minúsculo apartamento.

Saiu e bateu a porta atrás de si, o som ecoando desnecessariamente alto pelo corredor do andar, e seguiu até o apartamento de Tom.

- Um… Dois… Três! - contou os passos alegremente antes de parar à frente da porta de madeira e bater as costas dos dedos sobre a mesma, sem esperar resposta antes de se achar no direito de invadir o lugar.

O apartamento estava exatamente como deixaram da última vez que estiveram por lá: uma bagunça só. Tinha roupas espalhadas pelo chão, louça suja na pia e, provavelmente, nada na geladeira. Estava do jeitinho que Edd gostava.

Ao ouvir o som da porta se fechando, um sujeito com dois moletons coloridos e espelho na mão surgiu pelo corredor, sorrindo de orelha à orelha ao cruzar olhares com o amigo.

- Edd, você chegou!

Antes que o de moletom verde pudesse fazer qualquer coisa, Matt se jogou em seus braços, derrubando à ambos no chão e fazendo Edd bater a cabeça contra o duro piso. Seus braços se enroscaram em seu pescoço com tanta força que Edd mal conseguia respirar direito.

- Pra que toda essa felicidade? Eu nem demorei tanto assim!

A expressão de desespero no rosto de Matt ao afastar-se do abraço, embora um tanto enigmática, dava uma pequena ideia ao moreno do que poderia estar acontecendo.

- Eles estão brigando de novo, não estão?

- Já faz duas horas, Edd! Duas horas! Minha bela cabeça não aguenta mais tantos gritos.

Não era novidade para ninguém naquela casa que Tom e Tord brigavam a cada cinco minutos. Se ninguém interferisse, podiam ficar dias a fio, só gritando insultos um na cara do outro. Como aqueles dois conseguiam se aguentar em um mesmo cômodo sem se matar e ainda manter um relacionamento estável era o maior enigma do universo.

Edd revirou os olhos e se ergueu do chão, dando tapinhas na cabeça de Matt como consolo pela tortura que sofreu. Como sempre, sobrou pra ele resolver aquela briga. Não que ele não estivesse acostumado, ele era encarregado de separar todas as brigas desde que aqueles dois se conheceram.

O apartamento era bem menor do que sua antiga casa, a qual foi destruída por Tord há alguns anos atrás, então era mais complicado de andar por lá. A única vantagem que tinha é que encontrar Tom ali no meio era bem mais fácil, principalmente quando ele estava gritando.

Mesmo assim, Edd não via a hora de se mudarem para uma casa maior. Voltaria a ser como nos velhos tempos. Só que sem robôs gigantes e traições dessa vez.

Depois de alguns anos morando naqueles minúsculos apartamentos, e alguns problemas envolvendo duas certas pessoas - vocês provavelmente já sabem quem são -, a gangue conseguiu juntar dinheiro o suficiente para comprar uma nova casa, de preferência em um lugar sem aqueles vizinhos chatos e irritantes.

Edd ainda não entendia como alguém podia gostar de coca diet. Aquela merda tinha gosto de… Bom, merda!

De qualquer forma, o de casaco verde guiou o amigo egocêntrico até o sofá, mais uma vez acariciando sua cabeça, e partiu para buscar Tom, o que, no fim, se mostrou bem mais fácil do que apenas ir para o próximo cômodo, pois o de casaco azul passou pela passagem bem na hora.

- Eu falo, falo, falo, e ele não escuta. Inacreditável! - resmungava enquanto batia o telefone com força na bancada, se arrependendo logo depois. - Ah! Rebeca!

Enquanto ele tentava salvar seu celular, Edd respirou fundo para se aproximar do amigo com todo o cuidado.

- Ei, uh, Tom?

- Ah, oi, Edd. - cumprimentou com um sorriso que rapidamente se dissipou ao ver a mala parada na frente do apartamento. - Tem certeza que vai levar só isso? Sabe que não podemos voltar pra pegar mais nada depois, né?

O de moletom verde ergueu o dedo e abriu a boca para falar, mas o último complemento de Tom roubou dele todas as suas falas. Sentiu como se estivesse esquecendo alguma coisa. Aquela situação estava estranha demais para seu gosto, e estava até com medo de perguntar sobre.

- Eu… Deveria ter trazido algo mais? Quer dizer, eu não empacotei muita coisa, mas não vamos ficar mais que uma semana aqui.

O queixo de Tom quase caiu no chão. Deus, seus amigos eram tão estúpidos!

- De onde é que vocês dois malucos tiraram a ideia de que vão dormir aqui?! - bradou ele.

Matt, que estava até agora calado no sofá, ergueu a cabeça e resolveu se intrometer na conversa.

- Oh, eu ouvi você e o Tord falando alguma coisa sobre malas na semana passada.

- Aí ele me mandou mensagem falando que era pra irmos passar um tempo no seu apartamento, como a gente sempre faz. - completou Edd.

O de moletom azul se deu um tapa na testa. Yep, definitivamente tinha coisa errada.

- As malas não são pra dormir aqui! São pra gente se mudar! Por isso eu tava brigando com o Tord, ele não fez a mala ainda! - explicou entre gritos, cansado de toda a putaria de seus amigos.

Os outros dois presentes fizeram um formato de “o” com a boca em compreensão. Talvez agora, finalmente, a informação tenha entrado por suas cabeças ocas.

- Agora faz mais sentido. - ressaltou Edd. - E você tá puto porque o Tord tá ocupado?

- É, ele diz que tá ocupado com o “Red Army”. - fez aspas com os dedos e revirou os olhos. - Eu não faço a menor ideia do que é isso e, na verdade, nem quero saber. Contanto que ninguém morra ou seja preso, tá tudo ótimo.

Por mais que Tom tentasse esconder sua raiva atrás de bufadas e goladas em seu frasco de bebida, Edd não precisava de muito para lê-lo, afinal já se conheciam há muitos e muitos anos. Pra falar a verdade, encontrar Tord no apartamento de Tom era bem mais difícil do que os garotos esperavam. Agora que namoravam, esperavam vê-los mais tempo juntos, nem que fosse brigando, mas, agora, a maioria das brigas aconteciam por telefone e Edd e Matt só viam Tord algumas vezes durante a noite quando invadiam a casa de Tom pra roubar alguma coisa, e era fácil de perceber como isso incomodava seu amigo de moletom azul, não só por serem um casal, mas também por, aparentemente, não saber o que diabos ele estava fazendo. Mais um motivo para Edd estranhar o fato de eles ainda estarem juntos.

Virou-se apreensivo para Matt enquanto Tom pegava seu telefone e discava um número na tela quase rachada.

- Mudança de planos. O Edd também não arrumou as coisas. Tem como mudar a… Como? Que botão? - fez um minuto de silêncio, ouvindo a resposta do outro lado da linha. Matt se virou para Edd, seu olhar perguntando se ele sabia o que estava acontecendo. Ele não tinha a menor ideia. - Embaixo da… Achei. O que essa porra faz? … Eu não vou apertar um botão de alguma coisa que você fez! Quer me matar com outro sofá, é isso?! - Tom bufou após mais alguns segundos de silêncio. - Tá bom. Mas, se eu morrer, eu volto pra puxar seu pé!

Um click soou de debaixo da bancada e, como num passe de mágica, todos os itens do apartamento se empacotaram sozinhos, caindo perfeitamente e sem nenhuma falha em caixas de papelão.

Os três amigos encararam a visão, embasbacados. Sabiam que Tord era bom em construir e inventar coisas, mas programar um apartamento inteiro?! Estavam mais do que espantados.

Tom colocou o celular com cuidado de volta na bancada após terminar a ligação, igualmente espantado.

- … Uh… Os seus apartamentos também estão arrumados. - anunciou com a voz baixa e travada entre as palavras.

Um silêncio incômodo envolveu os três amigos por um instante, o momento necessário para os cérebros de minhoca processarem o ocorrido, e logo correram para levar tudo para o primeiro andar do prédio. Seriam muitas viagens de elevador.

(...)

O bairro para onde estavam indo não era tão diferente do qual costumavam morar há alguns anos atrás. Era confortável, tinha uma boa quantidade de áreas verdes, sem muito barulho e vizinhos sossegados, coisa que não tinha em sua antiga antiga casa. Esperavam dessa vez ter um pouco mais de tranquilidade e não ser constantemente atacados por algum evento catastrófico como um apocalipse zumbi, vampiros, radiação ou robôs gigantes.

A casa em si não era tão diferente da primeira compartilhada pelos amigos, apenas pareciam maior ao ver de longe, o que era um tanto estranho já que as coisas, quando vistas de longe, deveriam parecer menores, não maiores.

- Esse aqui é o lugar, certo? - perguntou Edd à Tom, que tinha o mapa em mãos.

O encapuzado assentiu e sinalizou para pararem do lado da casa. A primeira vista, não era tão distante de como sua primeira casa era. Tinha dois andares - como indicados pelas duas fileiras verticais de janelas - e com certeza tinha mais de dois quartos - indicado pela largura. Não parecia um lugar tão ruim para se morar. Ao menos já era maior do que o apartamento, era alguma coisa.

Descarregaram o carro com as caixas de papelão e adentraram a casa nova em fila indiana, só para descobrir que o lugar era bem maior do que parecia. O local que deveria ser a sala, junto com a cozinha, era vasto e com espaço suficiente para tudo que precisavam e até mais. As duas portas ao fim do espaço disponível indicavam dois quartos na parte de baixo, enquanto a escada na extrema direita da sala era o caminho para o próximo andar. Definitivamente era maior que sua antiga casa.

- O quarto de cima é meu! - exclamou Matt enquanto corria em direção à escada.

Os dois restantes olharam ao redor, espantados. Tinham uma certa noção de como seria a casa, já que Tord havia lhes dito que era grande o suficiente para todos os quatro, mas não tinham noção que teriam tanto espaço assim.

- Santo chocolate numa pizza com cebola! Esse lugar é enorme! - exclamou o de moletom azul.

- Eu não sabia que a gente tinha tanto dinheiro pra comprar um lugar tão grande assim… O quarto do canto é meu! - gritou Edd e correu até o novo quarto, abandonando Tom sozinho no que viria a ser a sala.

Ao fim do dia, a questão do tamanho da casa foi deixado de lado em prol da decoração da mesma, que acabou ficando mais lotada do que eles esperavam quando chegaram. Ainda sobrara espaço para andarem livremente, mas, assim como não consideraram o tamanho da casa, não consideraram quantas coisas eles tinham para descarregar. Havia menos do que da primeira vez que tiveram de se mudar, mas ainda era bastante coisa, o suficiente para lotar todas as prateleiras do quarto de Matt - que os garotos carinhosamente chamavam de quarto de tralhas.

E, durante todo o dia, nenhum sinal de vida de Tord.

Sem muito para fazer, os garotos decidiram explorar a região e caminhar pela vizinhança, aproveitando o momento para colocar em dia a conversa de cinco minutos atrás. Não viram nenhum sinal de vida dos vizinhos ou de qualquer outro por perto, o bairro era bem calmo. Não tinha muitas lojas pelo trajeto que caminharam, apenas mais casas, se assemelhando a um condomínio fechado, mas não é como se sua antiga casa fosse perto de um centro comercial ou eles estivessem andando por tanto tempo.

- Estou começando a gostar desse lugar. - comentou Edd enquanto olhava ao seu redor. - Sabe, eu gosto das nossas aventuras, mas é bom poder parar em algum lugar mais tranquilo pra relaxar e se recuperar de tudo que acontece.

Não vai durar. - apostou Tom consigo mesmo em sua mente. Por mais que as coisas pudessem estar calmas por enquanto, certamente logo alguma coisa cairia do espaço para arrastá-los pra outra dimensão ou algo do tipo. Era sempre assim.

- Olha só quem são os novos vizinhos da vez. - gozou uma voz um tanto familiar, bem ao lado dos três amigos.

E lá se foi a paz.

O som de um violão soou à distância para anunciar a presença de Eduardo, um de seus antigos vizinhos de quando moravam na primeira casa. Embora tivessem passado anos sem se ver, ele não estava muito diferente. Ainda usava a mesma roupa: blusa verde de mangas compridas, calça marrom e tênis, e tinha a mesma aparência, exceto que o cabelo parecia maior, chegando à altura do queixo.

- Eduardo? O que faz aqui? – perguntou Edd.

A cópia barata - e mais espanhola - de Edd estalou a língua no céu da boca, como se a resposta fosse óbvia, e era, na verdade.

- Eu moro aqui, seu idiota. Não conseguimos manter a casa depois que Jon morreu, então vendemos a casa e compramos essa. Estamos aqui há uns três anos.

Os garotos ficaram em silêncio por um instante, remoendo a morte de Jon. Por mais que não fossem amigos, ele parecia ser o mais tranquilo do grupo, apenas um tanto irritante e idiota, o que fazia com que o próprio Eduardo descontasse a raiva nele.

Edd coçou a própria nuca e abriu um sorriso nervoso.

- E… Como vocês estão indo? Nós acabamos de nos mudar, então não sabemos muito bem como são as coisas por aqui. - puxou conversa, tentando quebrar aquele clima horroroso que estava se formando entre eles.

Eduardo deu de ombros e guardou as mãos dentro do bolso.

- Aqui é normal, bem tranquilo. Pelo menos até vocês começarem a fazer alguma merda, como sempre fazem. Eu juro que, se mais um dos meus amigos acabar morrendo, vocês vão aprender o que é dor de verdade. - tirou um cigarro do bolso e levou-o aos lábios enquanto a outra buscava o isqueiro. - Deixe seu amiguinho norueguês longe da minha casa.

Edd ainda tentou explicar a situação em que estavam, e que Tord já não tinha mais o robô gigante, nem queria matá-los, mas Eduardo já havia voltado para dentro de casa, ignorando completamente sua existência.

Não podia mentir, se sentia muito mal com tudo que aconteceu há uns anos atrás. Jon foi arrastado para uma briga a qual não pertencia, e acabou pagando caro por algo que não fez e não era seu problema. Ele ainda era visto por aí como um fantasma, mas não era a mesma coisa. A culpa de nada disso era dele, mas Edd não tinha como não sentir como se fosse.

Ele respirou fundo e deu um passo em direção à casa de seu rival, mas foi parado por Tom, que colocou a mão em seu ombro e fez que não com a cabeça. Eles não estavam em posição de interferir nessa situação, ele sabia disso.

Soltando um suspiro, voltaram à caminhada, decidindo no meio do caminho que iriam parar em algum lugar para comer.

O resto da noite não foi tão proveitosa, pois fizeram o que sempre faziam: comeram, conversaram, foram atacados por um demônio e a lanchonete onde estavam acabou explodindo. Mal tiveram tempo de terminar as batatas que pediram quando tudo aconteceu, e voltaram para casa completamente exaustos e sujos com restos dos destroços da construção.

Matt imediatamente subiu para o quarto para restaurar sua beleza e Tom e Edd resolveram sentar no sofá recém posicionado e assistir um pouco de televisão enquanto comiam o resto de comida que trouxeram da geladeira. Não pretendiam ficar muito tempo acordados, afinal estavam cansados da mudança e do desastre que foi o jantar, mas um filminho seria bom para poder esquecer de todo o estresse.

Durante o filme, Edd pegou Tom várias vezes ligando e desligando o celular, como se estivesse esperando alguma coisa, mas, fora isso, tudo correu normalmente. Matt não desceu mais do quarto, provavelmente tendo caído no sono após o banho. Estranhamente, embora não tenha acontecido tantas coisas exageradas, estavam mais cansados que de costume. Geralmente Matt pegava alguma última coisa para comer antes de se deitar - o que Tom sempre reclamava, dizendo que ele ficaria com dor de barriga.

- Ei, Tom, acho que já vou deitar, ok? - disse o de moletom verde, levantando do sofá.

Tom apenas murmurou sem tirar os olhos não existentes da tela do celular, seus dedos disparando sobre as letras do teclado.

Curioso, ao invés de Edd ir deitar, deu a volta no sofá, cruzando os dedos para que o amigo estivesse distraído o suficiente para não notar o barulho de seus passos. Ergueu-se no encosto e se apoiou nos braços para enxergar o que estava acontecendo. Por sorte, a luz não projetou sombra no celular, ou teria sido pego.

Teve um pouco de dificuldade para ver o que tanto no aparelho estava atraindo a atenção de Tom, cuja atenção não saiu do mesmo nem ao parar de digitar, mas conseguiu ver o suficiente da tela para entender o que estava acontecendo.

O nome de contato, “Commie”, já dedurava que estava falando com Tord - o que já explicava a atenção que ele estava investindo naquela conversa. Pela velocidade que Tom estava digitando anteriormente, estavam há algum tempo se falando, provavelmente discutindo, fato que foi sustentado por como a conversa seguiu:

Commie:

O trabalho tá me entulhando até o pescoço! Não dá pra deixar tudo de lado assim!

Tá bom

Não precisava ser um gênio pra saber que Tom estava puto da vida com isso. Quando ele respondia com “tá bom”, quer dizer que já havia cansado de discutir e simplesmente aceitou o que o destino lhe jogou na cara. Não era bom sinal.

Commie:

Tom por favor não fica bravo

Isso não é escolha minha! Vc acha q eu ia querer ficar preso aqui ao invés de passar tempo com vc e o Edd e o Matt?

Eu não sei

Vc tem estado bem fixado nesse trabalho recentemente

Podia até casar com ele q ninguém ia notar a diferença

Commie:

Eu sei eu sei

As coisas só realmente tão fodidas pra cá

Por isso quero terminar essa porra o mais rápido q der

Assim já posso chegar em casa e não precisar ficar voltando por alguma coisa diferente

É melhor do q ter q ficar interrompendo a cada 5 minutos pq aconteceu alguma merda

Hum

Entendi

Essa mensagem demorou para ser enviada, o que significava que o de moletom azul provavelmente estava avaliando suas opções, escolhendo ir pelo caminho racional ao invés do impulsivo.

Commie:

Prometo que amanhã eu consigo chegar cedo e ver como ficou a casa

Só vou ter que voltar acho q em 4 dias por causa de uma reunião aí

Podíamos aproveitar e dar uma saída

Só nós dois

Mais uma pausa entre uma mensagem e outra, mas Tom finalmente respondeu:

Só nós dois?

Commie:

Jeg lover

Eu prometo

E foi até aí que Tom tinha digitado. O restante da conversa estava acontecendo ao vivo diante dos olhos de Edd, que estava cada vez mais interessado no drama entre seus dois amigos.

O de moletom azul soltou um suspiro pesado e voltou a martelar os dedos nas teclas, sem suspeitar que a privacidade da conversa estava sendo violada.

Vou pensar no caso

Não vai pensando que se safou que eu to de olho em você Commie

Commie:

É eu to sabendo

Falo com vc amanhã então?

Uhum

Vou deitar já

Cansado pra caralho q nem a bebida tá ajudando

Commie:

Porra o dia deve ter sido fodido

Me conta tudo depois

Ok

Boa noite commie

Commie:

Boa noite Jeová

Jeg elsker deg

Edd, que não entendia porra nenhuma de norueguês, não fazia ideia do que ele acabou de falar. E, para ajudar, não é como se ele estivesse no ângulo certo para ver o sorriso que cruzava os lábios de Tom.

Também te amo

Te vejo amanhã

Commie:

Até amanhã min kjære

O contato de Tord mudou de “online” para “visto por último em”, o que significava que já tinha saído do WhatsApp. Mais um suspiro escapou os lábios de Tom ao se levantar do sofá - quase batendo a cabeça na de Edd, que, por sorte, desviou a tempo - e, bloqueando a tela do celular, desapareceu dentro da escuridão de seu quarto.

Seja lá o que fosse que mantinha Tord tão ocupado, estava claramente afetando o humor de Tom. Por mais que ele evitasse de dizer em voz alta, a ausência do namorado o afetava sim. Tom podia ser bem grudento com as pessoas que eram importantes para ele, assim como ele era com o próprio Edd há alguns anos atrás, mas tendo passado há muito tempo da fase de ciúmes que ele tinha.

Dentre todos seus amigos, Edd podia dizer com quase certeza que Tord era quem mais conseguia entender Tom. Depois que a hostilidade do retorno do comunista - no caso, o segundo - passou, eles começaram a se dar muito bem, passando bem mais tempo juntos do que com ele e Matt.

Sair de uma relação em que você passa 90% do tempo grudado com a pessoa para uma relação em que vocês quase não se veem é um contraste enorme! Não é à toa que Tom tem estado tão rabugento recentemente. Ele sentia falta do namorado. Na verdade, todos sentiam falta de ter Tord por perto, mas por eles serem obviamente mais próximos, ele acabava por sentir bem mais a ausência do que Edd ou Matt.

O moreno provavelmente também estaria rabugento e revoltado se estivesse em seu lugar, não podia negar.

Enquanto se afogava em seus pensamentos, Edd não conseguia desviar o olhar da porta de Tom, que se fechara como se ninguém tivesse passado por ali, sentindo uma pontada de dor no peito. Ele se perguntava se havia algo que pudesse fazer pelo amigo para deixá-lo mais animado nesses momentos em que ficava tão cabisbaixo. Ou talvez algo para tirar Tord mais vezes do trabalho.

Por mais que gostasse de encher o saco do amigo de moletom azul e deixá-lo irritado, assim como a todos os seus amigos e inimigos, não era insensível ao ponto de ignorar alguém quando essa pessoa está realmente chateada.

Naquela noite, enquanto ia se deitar, as engrenagens que giravam no cérebro criativo de Edd começaram a se sincronizar para formar um plano para ajudar seus dois amigos de atenção negligenciada.

Os dias que se seguiriam não chegariam nem perto de serem chatos.

29 Avril 2020 03:53:32 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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