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link do perfil da artista da fanart: https://udonmonster.tumblr.com/post/189801274148/please-dont-go-please-dont-disappear


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Foi rápido. Tudo aconteceu rápido demais até para parecer real. Lio não queria pensar que realmente fora, ele preferia justificar tudo como um sonho ou pensamento falho, daqueles que batem como uma lembrança e fazem a nuca arrepiar de medo. Parecia um pensamento, mas ele ainda sentia as mãos formigando graças às chamas. O fogo não era um pensamento. Ele o sentia dentro de si, a primeira vez em muito tempo, depois de passar anos acreditando que havia dado adeus à sua natureza como Burnish.

Não havia, aparentemente. E ela renasceu da pior forma possível.

A fumaça ao redor irritava seus olhos desacostumados ao calor de um incêndio, no entanto, não chorava nem gritava por ela. As labaredas arroxeadas se enroscavam em seu corpo sem queima-lo, enquanto consumiam tudo ao redor, impiedosas. Lio estava no meio do quarto, implorando para que parassem. Ele já não tinha o controle de antes, e se sentia como a antiga criança de dez anos descobrindo suas novas odiosas habilidades.

Incapaz. Uma besta odiosamente incontrolável. Era o que era e morreria sendo, então.

Galo gritava de longe, chamava por seu nome, preocupado como se não fosse Fotia a causa de toda aquela desgraça. Merda, eles estavam casados e felizes, por que tinha de acontecer?

Aparentemente, Lio não tinha o direito de ser feliz. E amaldiçoava qualquer um que se aproximasse o bastante dele.

Era algo que já tinha cogitado. Viveu uma vida repleta de perdas, afinal.

Ele chutou a porta do quarto, elétrico. A voz de Galo era um fiapo no meio do estalar das chamas, e Lio corria pela casa tentando se guiar enquanto a maior parte dos seus sentidos se desorientavam diante a enorme onda de calor que ele exalava. Tentava gritar por cima da própria voz das chamas, falando para ele correr, não o contrário. Não era Fotia a pessoa em risco com tudo aquilo.

Thymos estava na cozinha, e ele o viu. Correu com as pernas travadas, pelo corredor extenso, engasgando nas próprias palavras. Entretanto, foi tudo muito tarde. As chamas chegaram ao botijão de gás no armário debaixo da pia e de repente, tudo lá dentro se resumiu a apenas um clarão. Certamente houve o estouro, mas tudo que o loiro conseguiu ouvir foi o som do próprio grito rouco e quebradiço.

No meio da poeira de chamas, a silhueta de Galo não podia mais ser vista. Tudo que restava era o fragmento de sua destruição.

— Ei Lio, o que há, baixinho? — A voz grave pelo sono se apresenta no meio da escuridão, e faz tudo clarear conforme as palavras são ditas. Baixas, amorosas. Os olhos de Lio se abrem, e tudo que ele vê com a visão ainda meio borrada é o lençol amassado e o pedaço de quarto à sua frente. E está tudo igual a todos os outros dias dos últimos dois anos.

Fotia se assusta, ergue o tronco tão rápido que o movimento lhe causa vertigem. Galo está lá, com os cabelos azuis parecendo uma moita e visivelmente preocupado.

Foi tudo um sonho. Ou pesadelo.

— Nada. — Ele responde. Não toca o rosto, mas sabe que está chorando. — E-eu fiz alguma coisa?

— Você gritou. E ‘tava chorando. Foi um pesadelo? Quer me contar?

O loiro sorri, ainda que meio cansado. Thymos está lá, vivo. Nada aconteceu.

— Não. Posso dormir com a cabeça em cima do seu peito?

— Claro.

Eles se ajeitam. Lio põe o ouvido bem em cima do coração. Ele bate rápido e forte, como tudo em Galo. É bom. Acalma. Faz Lio lembrar que finalmente encontrou alguém.

As mãos grandes alisam suas costas, e ele relaxa os ombros automaticamente.

— Eu te amo.

— Também te amo, baixinho. — Ele o aperta, os dedos esticados até os cabelos loiros, brincando com os fios. — Eu tô aqui, tá bom? Qualquer coisa é só chamar.

— Tudo bem. — ele sabia, e estava lá para Galo também.

11 Avril 2020 00:05:42 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Bar-t-t-tender Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca

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