_daanyyy Daniela Machado

Depois da última guerra bruxa, Sonserina virou sinal de bruxo das trevas, de maldade, de intolerância e tudo o não era bom. Maddie parecia nunca se deixar abalar: Talvez isso seja o que eu mais gostava nela, essa petulância, esse desejo de se mostrar acima dos conflitos mortais, idiotas e preconceituosos. Sempre a vi assim, até o nosso sétimo ano.


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#amizade #sonserina #conto #corvinal #oc #harry-potter #hp
Histoire courte
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One-Shot

N/A: Essa história é um presente muito especial para minha querida Verônica Ashcar, a sonserina mais maravilhosa que eu conheço e capa foi ela mesma que fez *-*

Saiba que você mora no meu coração ♥

Eu conheci Maddie no trem, indo para Hogwarts. Ela era tudo o que eu queria ser: imponente, tinha presença, cheia de opiniões e as defendia com unhas, dentes, azarações e, dependendo da situação, uns socos sempre eram uma opção atraente.

Ela, o que não foi nenhuma surpresa para mim, foi para a Sonserina e eu, como boa esquisita e CDF que sou, fui para a Corvinal. Mas isso nunca foi um problema para nós, nossa amizade nunca foi afetada por isso, pelo contrário, era muito legal saber o que acontecia nos dormitórios alheios e os sonserinos eram, em sua maioria, pessoas muito interessantes.

O problema é que, depois da última guerra bruxa, quando descobriram que um aluno da Sonserina havia recebido a Marca-Negra, tudo ficou muito tenso entre a aquela e as outras casas: Sonserina era sinal de bruxo das trevas, de maldade, de intolerância e tudo o não era bom. Ninguém queria ter aulas com os sonserinos e, quando tinham, não se misturavam com eles, as rodinhas de conversa e grupos de estudos ficavam quase completamente silenciosas quando eles chegavam, exceto pelos cochichos maldosos.

Maddie parecia nunca se deixar abalar: andava pelos corredores de Hogwarts como se fosse a dona do castelo, sem se importar com os olhares enviesados e as carrancas que diziam claramente “você não é bem vinda aqui” e até mesmo se sentava na mesa da minha casa, ignorando os olhares maldosos.

Talvez isso seja o que eu mais gostava nela, essa petulância, esse desejo de se mostrar acima dos conflitos mortais, idiotas e preconceituosos.

Sempre a vi assim, até o nosso sétimo ano.

Estava organizando a bagunça no dormitório, deixada pelas minhas colegas que iriam passar o Natal em casa, quando Maddie atravessou o arco da porta; a pergunta da águia nunca fora um obstáculo para ela, mas depois de uma confusão que me custou três dias de detenção, ela passou a tomar cuidado para não ser vista entrando e saindo.

- Por que está demorando tanto para descer? - ela cruzou os braços em frente ao corpo - estava te esperando para o café, mas daqui a pouco vai passar do horário.

- Oi, Mads - suspirei - pode ir, eu não estou com fome, preciso terminar de organizar as coisas e depois vou até à biblioteca, tenho três livros que peguei para o trabalho do prof. Longbottom que preciso devolver e tem o trabalho de Astronomia que a professora pediu para a volta das férias e…

- Tudo bem, Cecily, fizemos o trabalho juntas, na biblioteca, depois do café - ela me puxou pelo braço - vamos, eu ‘tô com fome! E eu não posso começar meu dia sem uma boa xícara de café.

Desci as escadas com minha amiga ainda reclamando e nos sentamos, ela ao meu lado, na mesa da Corvinal, agora quase deserta por causa do horário.

- Não vai ir para casa nessas férias? - perguntei, de repente, percebendo tardiamente que ela não estava vestida para a viagem.

Ela se serviu de pão e manteiga, pegando sua xícara verde e enchendo-a de um bule fumegante.

- Não, minha mãe vai passar o Natal na casa dos meus tios nos Estados Unidos e eu não estou a fim de ir para lá - suspirou. Maddie era mestiça em uma família de sangue-puros, então os tios não gostavam muito dela... e ela não fazia questão de agradá-los. Nunca conhecera seu pai trouxa - mas e você? Seus pais não vão se importar de você não ir para casa?

Provei meu bolo de cenoura antes de responder e dei uma golada em minha xícara de chá.

- Meus pais fizeram bodas em setembro, lembra? - dei de ombros - eles estavam esperando as férias do pai para uma nova lua de mel, mas acabou que ele só conseguiu esse mês, então eu disse que eles deveriam ir e que eu passaria o Natal em Hogwarts esse ano.

Peguei a foto que eles me enviaram na última carta e mostrei a ela; eles estavam na Praia do Amor, no Brasil, minha mãe de maiô e com um coco em uma das mãos e meu pai de camisa florida aberta como se estivesse no Havaí.

- Seus pais são uns fofos - ela riu e balançou a cabeça, no entanto eu notei que tinha alguma coisa errada, uma tensão no modo como ela segurava a xícara e ficava com o olhar vago de vez em quando, como se quisesse falar alguma coisa e buscasse coragem para tal.

Mas não falei nada.

Mads era o tipo de pessoa que falava as coisas no próprio tempo e eu não precisava pressioná-la, então fingi não perceber.

Terminamos o café depois de sermos quase expulsas da mesa pelo professor Flitwick, que dizia que estávamos passando do horário, então saímos do Grande Salão com as mãos cheias de biscoitos, indo em direção à biblioteca.

Pegamos os livros que precisaríamos, agradecemos a Madame Pince pela ajuda e nos sentamos perto de uma das janelas, cada uma com um livro, Maddie no parapeito e eu peguei uma cadeira de uma das mesas compridas espalhadas pela biblioteca. Não tinha ninguém ali, até mesmo a bibliotecária havia saído.

Ficamos em silêncio, completamente imersas na leitura, vez ou outra comentando e anotando algo para o trabalho quando a sonserina fechou o livro, de repente, com um baque, e virou-se para mim, apoiando as mãos dos lados das pernas, segurando o parapeito.

- Cecily, eu não vou voltar para Hogwarts no ano que vem! - ela me olhava decidida.

Fiquei surpresa e a encarei por alguns segundos, em choque, antes de encontrar palavras para responder.

- O que…? - minha ficha finalmente caiu e minha voz saiu alta demais no silêncio da biblioteca - Por quê? Como assim?

- Eu não sei se quero continuar com isso… - ela desviou o olhar do meu e ficou em silêncio, antes de continuar - Não sei se estou no lugar certo… minha mãe conseguiu um cargo no ministério e precisa de uma assistente então…

- Mas… você não vai poder se tornar Auror se não voltar! - soltei, minha voz levemente esganiçada - você sempre quis isso, Maddie!

- Potter e Weasley são Aurores e não terminaram os estudos em Hogwarts! - ela falou, ainda sem me olhar nos olhos - e eu não sei se… sabe…

- Mads, olha para mim - pedi e ela o fez, mordendo os lábios - olha nos meus olhos e me diz por que você não quer voltar para Hogwarts no ano que vem? E que história é essa de “eu não sei se”?! Maddie, desde o primeiro ano você quer ser Auror!

- E quem quer uma Auror sonserina?! - ela soltou e eu percebi que ela estava com raiva, mas sabia que não era de mim, era como se estivesse irada com o mundo à sua volta, com algo mais abstrato que uma única pessoa - todos só sabem me olhar como se eu fosse má, como se eu fosse atacar um colega e projetar a marca negra no céu a qualquer momento! Cada vez que eu chego perto da sua mesa, seus colegas me olham com superioridade. E o pior é que alguns dos meus colegas também me olham como se eu fosse idiota por ser sua amiga! Eu tentei, tá bem?! Tentei muito ignorar essa porcaria toda, mas não sei se quero fazer isso por mais um ano! Fico o tempo todo achando que eu estou na casa errada, ou pior, que o chapéu viu alguma maldade em mim, alguma coisa que nem eu sei ainda, mas que está ali, esperando o momento certo para aparecer!

E aí eu percebi que eu nunca me dei conta do quanto o Bullying das outras casas com a Sonserina era horrível para ela e que não era fácil se manter firme meio a toda aquela idiotice que jogavam para cima dela.

- Sabe, eu sempre achei que eu deveria ter ido para a sua casa - ela falou enxugando uma lágrima de raiva que escorreu por sua bochecha - a Corvinal é tão mais legal! Vocês não se importam se eu penso diferente, desde que eu possa argumentar coerentemente sobre o que eu acredito. Vocês são criativos, inteligentes e mente-aberta… eu queria tanto poder voltar no tempo e implorar para o chapéu me colocar na sua casa… seria tão bom sermos colegas de quarto e…

- Chega, Maddie! - levantei e a abracei - se você não calar a boca, eu juro que vou te azarar! Que merda de conversa é essa?!

- É a verdade! - ela falou e eu lhe lancei um feitiço silenciador, ignorando a sua careta furiosa, quase rindo de suas expressões mudas, imaginando a quantidade de xingamentos que estavam sendo dirigidos a mim.

- Maddie eu não acredito que você está reclamando da sua casa! Puta que pariu, é a casa de Merlin, tipo “O” Merlin! - me sentei ao seu lado e viramos de frente uma para a outra - a Sonserina sempre foi a casa ideal para você. Não importa o que os outros dizem, não quero saber se um grifinório babaca disse para você que é a casa dos bruxos das trevas ou que todos praticam magia negra na Sonserina. Eu te conheço Mads! Eu sei porque você se tornou uma sonserina. Você tem uma semente de grandeza que a maioria das pessoas não tem, você tem uma vontade absurda de ser forte, uma presença tão marcante que ninguém pode te pôr pra baixo por muito tempo. Eu nunca vi alguém lançar um feitiço escudo e um ofensivo com tanta rapidez e agilidade… eu nunca vi alguém ser mais decidida e confiante a respeito de si mesma e do que quer do que você, Mads. E foda-se o que os outros dizem, desejar algo e lutar com tudo o que tem para conseguir não é um defeito de jeito nenhum! Se você desistir de Hogwarts, vai estar dizendo que eles conseguiram o que queriam: te abalaram. Te machucaram. E eu não me chamo Cecily Lewis se você me disser que vai deixar esse pessoal que te fez querer desistir do seu sonho sair impune.

Ela me olhou com os olhos marejados e me deu um abraço, muito forte, muito apertado em que eu senti que eu tinha conseguido ao menos colocar um band-aid em sua ferida. Então Maddie se afastou e fez um sinal para si mesma, pedindo que eu removesse o feitiço silenciador.

Eu o fiz e ela soltou um suspiro.

- Bem… - olhou pela janela, vendo a fila de alunos que se dirigia para a estação, indo pegar o trem para ir para casa, antes de me lançar um olhar leve - pelo menos eu não fui para a Grifinória.

Dei uma gargalhada aliviada e passei as mãos pelos meus cabelos, revirando os olhos.

- Meu bem, se você fosse para a Grifinória, nós teríamos um problema e tanto - estalei os lábios - prefiro aturar o Goyle olhando para minha bunda quando vou falar com você do que ter que escutar as gracinhas do James Potter. Acho que nossa amizade seria seriamente afetada se você fosse uma leoa orgulhosa, Mads.

A sonserina riu e me lançou um olhar malicioso.

- Ah, mas você tem que concordar que o Potter é ao menos mais bonitinho que o Goyle - me lançou um olhar de lado, acrescentando logo em seguida, com um ar contemplativo - e mais inteligente também, vamos combinar.

Guardei os livros na mochila e a joguei em um dos ombros e minha amiga fez o mesmo para sairmos da biblioteca, já era hora do almoço àquela altura.

- Tá bem, mas isso não quer dizer que eu ficaria com um grifinório, eles são tão… - fiz uma careta, pensando na palavra correta - bem, eles são grifinórios!

- Não tem uma definição melhor - ela concordou, rindo.

E seguimos, descendo as escadas em direção ao grande salão, já sentindo o cheiro maravilhoso da comida feita pelos elfos.

Nessas épocas do ano, a maioria das pessoas não estava nem aí para de que casa você era, já que apenas uma das mesas era posta e até mesmo os professores se sentavam com os alunos. Nos sentamos em uma das pontas da mesa, comemos e ficamos jogando conversa fora, junto com alguns amigos sonserinos de Maddie.

A decoração, como sempre, estava maravilhosa e Hagrid trouxera as enormes árvores de Natal para o salão e tudo brilhava com aquela sensação gostosa de união que um dos meus feriados preferidos proporciona, acompanhado pelo cheiro delicioso que exalava das canecas de chocolate quente, cortesia dos elfos para aquele dia frio.

Tudo ia bem, até que o maldito Potter apareceu para falar com o irmão mais novo, jogando-se no espaço vago ao meu lado e ficando por ali mesmo, tentando puxar conversa.

E minha querida amiga sonserina, que estava do outro lado, se levantou, fingindo coçar os braços, sendo acompanhada por boa parte dos seus amigos.

- Desculpa, Cecy, mas a minha alergia a grifinórios acabou de atacar e, você sabe, eu fico muito mal quando isso acontece, acho que vou para o meu salão comunal - e me deu um beijo na bochecha - depois você me conta se os grifinórios só se acham ou dão conta do recado mesmo - sussurrou no meu ouvido.

Soltei um choramingo embirrado enquanto observava minha amiga descer para as masmorras, rindo e me ignorando completamente.

- Mads, você é tão… sonserina!

6 Avril 2020 23:08:57 0 Rapport Incorporer 0
La fin

A propos de l’auteur

Daniela Machado Amo ler e escrever e meu gênero preferido para escrita é one-shot/conto. Amo ler originais, mas não recuso uma boa fanfic também, né amores? hahah Se você boa curte música, filmes de heróis e artes (desenhos, pinturas, fanarts, etc.) vamos ser amigos (as)? You're welcome to my dark place <3

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