eltonlucas495 Elton Lucas

Um jovem chamado Artur recebe uma visita de uma estranha após voltar à casa. O nome dessa bela moça é Clarice e ela declara ser uma vampira. Essa mudará a vida dele para sempre.


Horreur Littérature monstre Déconseillé aux moins de 13 ans.

#horror #sobrenatural #vampiro #monstro
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Encontro noturno

A longa, contudo prazerosa caminhada de Artur não tardaria a terminar. Ele parava hora ou outra para observar as belas estrelas no céu noturno. Vale ressaltar que a lua cheia estava igualmente bela. Pensou ele que todas as noites poderiam ser como aquela, calma e relaxante.

Observar a imensidão lunar o trouxe lembranças de tempos mais simplórios, quando ele era uma simples criança que amava ficar acordada até meia noite. Apenas com o olhar fixado no imenso céu noturno. Era tudo tão bom antes, pensou ele enquanto caminhava lentamente de volta a seu doce lar.

Espontaneamente, recordou-se de uma das poucas memórias de infância que ainda guardava consigo: o dia em que a sua mãe decidiu contar uma história pela primeira vez.

— Artur! Era sua mamãe Elizabete, bonita como sempre, especialmente os olhos, tão verdes quanto esmeralda. Filho, quantas vezes eu vou ter que te falar que ficar acordado a noite toda é prejudicial para você? — ela sempre falou com ele com uma voz doce e suave.

— Ah, mãe! É que é muito bonito, o céu — Artur, quando menor, tivera o desejo de se tornar um astronauta para explorar o espaço e descobrir os mistérios do universo.

— Eu sei que é, mas você tem que entender que nós, pais, falamos isso querendo o melhor para você.

Ele a olhou entristecido e respondeu:

— Certo! Vou dormir.

Olhando-o ela teve uma ideia: que tal uma história antes de dormir?

Já deitado, completamente coberto, virou-se confuso.

— Uma história? Por quê?

— Por que não? Você não gosta de histórias?

— Sim, porém é que a senhora nunca me conta nenhuma história. É o pai que conta as histórias — Artur sempre ouvia as histórias do pai, Daniel, após o jantar. Eles, pai, mãe e filho, reuniam-se na sala de estar para ouvir o que ele tinha a dizer. Ora contava histórias de acontecimentos reais, ora contava histórias fictícias; Artur sempre preferiu escutar a ficção à realidade.

Ela se aproximou, sentou-se na cama, mostrou-o um belo sorriso e disse:

— Você está certo! Mas seu pai não está aqui e eu também sou capaz de contar histórias, boas histórias.

Artur pensou um pouco antes de responder.

— Eu acho que sim, colocou um sorriso enorme na cara e falou: mãe, eu adoraria ouvir sua história.

E essa era a última recordação que Artur tinha daquele dia. Bons tempos, pensou.

Estava cada vez mais próximo de casa, ao olhar ao redor achou estranho ver a rua tão sem vida quanto um deserto. Geralmente as crianças brincavam até altas horas da noite, mas não naquele dia. E essa não era a única coisa anormal, também o fato de que não viu o senhor Paulo vendendo churros e nem a senhora Ana vendendo seus vasos caseiros. Eles sempre se demonstraram ser um casal bem amigável, sempre com um sorriso no rosto.

Dando mais uma olhada para cima, o jovem avistou com seus olhos castanhos uma silhueta num dos prédios da esquerda. Como a certeza bateu em si, ele esfregou seus olhos algumas vezes até fixar novamente seu olhar no mesmo prédio e não ver aquela forma mais. Eu realmente vi alguém lá ou estou alucinando, perguntou-se Artur antes de continuar com sua caminhada.

Enfim chegou, lar doce lar. Tudo do jeito que ele esperava. Algumas roupas sujas no chão, essas que ele prometeu a sua mãe que as lavaria na semana passada, no entanto a falta de tempo o impediu lavá-las. Livros que ele pegou emprestado e ainda não devolveu estavam na mesa da cozinha, assim como um caderno novo com uma mancha de leite na capa, e uns farelos de biscoitos, que foram carregados por umas formiguinhas aproveitadoras. Fora isso, a casa estava limpa.

Olhou no relógio, 20h33min, chegou mais cedo que de costume. Ele normalmente levava mais tempo para chegar em casa. Artur pegou um copo no armário e encheu-o com água, em seguida, sentou à mesa da cozinha e ligou para mãe, estava com saudades, dela e do pai. Eles tinham ido visitar os pais, os pais de ambos moravam próximos. Não conseguiu contatar a mãe, perguntou-se se algo aconteceu. Tentou o pai, o resultado foi o mesmo. Havia falado com os pais na manhã anterior, eles haviam saído, foram visitar uma floresta próxima de onde eles estavam. Será que estão bem?, questionou-se, porém tentou tirar a preocupação da mente e partiu para beber sua água, contudo um barulho escutou.

Ele deixou seu copo de lado e se levantou. Procurou a origem do barulho. Não era a cozinha nem a sala. Portanto o barulho deve ter vindo de cima, do quarto dos pais ou do dele.

Subiu as escadas e em direção ao seu quarto foi; ao abrir a porta a avistou: uma linda jovem de cabelos ruivos sentada na sua cama. Ela olhou-o com seus olhos verdes, iguais aos da mãe dele. Quando os olhos de ambos se encontraram, Artur sentiu um friozinho na barriga. Dentro de si, ele queria desviar o olhar, mas não conseguiu, como se tivesse sido hipnotizado. No entanto, reparou que aqueles olhos não eram só unicamente assustadores mas também deveras bonitos. Após o contato visual iniciou-se o contato verbal.

— Olá, Artur, falou, apresentando-o uma voz calma e bela.

Deveria responder, porém não foi capaz. Artur dificilmente falava com as mulheres da idade dele, geralmente apenas para pedir algum tipo de informação; e na escola as meninas nunca se importaram com ele, sempre invisível para elas, por isso ele fez o favor de nunca incomodá-las.

— Precisamos conversar. É algo de extrema importância — a mulher misteriosa sorriu, e então percebeu Artur aquelas presas.

Aquela tensão no ar fazia com que Artur ficasse extremamente inquieto. O sorriso dela chamou sua atenção, sentiu que ela estava divertia-se com ele. Que ódio, droga! a irritação veio acompanhada do medo; o rapaz não conseguiu fazer com que suas mãos parassem de tremer. A jovem fixou os olhos nas mãos de Artur. O mesmo ele fez e, em seguida, cerrou-os e vergonha foi outro sentimento que surgiu em si. Ela soltou um risinho bem malicioso.

— Olha só para você, ela começou a falar, até parece que eu me encontrei com um cachorrinho assustado, mas é um sentimento comum àqueles que se encontram comigo. Muito bem, da cama se levantou, eu admito que eu poderia continuar aqui sentada vendo você se estremecer ainda mais com a minha presença, mas, infelizmente, não tenho muito tempo.

A distância entre eles ficou cada vez menor à medida que ela se aproximava. Artur desejava se afastar, mas suas pernas estavam imóveis. Ela o rodeou, simplesmente analisando-o. No momento em que ela tocou sua mão, Artur sentiu que aquela era a mão mais gelada que já o tocara, "gelada como a de um morto." Foi a fala de um filme que surgiu na sua mente naquele instante.

— Artur Vieira Neto, 20 anos, cabelos lisos e negros, olhos castanhos, pele branca, pero no mucho… — ela fechou os olhos enquanto continuava descrevendo-o. — O que mais? Ah, sim! Nunca entrou numa faculdade, apesar de ser um bom aluno no colégio e de ter tirado nota acima máxima no exame de ingresso à faculdade. Seus pais queriam que seu excelente filho fosse um engenheiro, mas você, como um bom garoto trabalhador, decidiu se aventurar no conserto de relógios, ajudando o tio que está com um câncer pulmonar (oh! Coitadinho dele) e que provavelmente não tardará a falecer, meus pêsames já adiantados, abriu os olhos e o soltou, humm… Eu acho que já é o suficiente.

Artur ficou boquiaberta, e a mulher misteriosa sentiu-se satisfeita com aquilo. Pondo um pouco daqueles sentimentos de lado, ele finalmente juntou forças para questioná-la.

— Como que voc-

Sem perder muito tempo, ela não o deixou terminar.

— Sabe tudo isso? É a minha habilidade, Artur. Na verdade, para ser mais sincera um das minhas habilidades. Ela é bem útil para facilitar o início de uma conversa com outrem. Legal, né?

Ele acenou de forma positiva com a cabeça, assustado e maravilhado ao mesmo tempo, especialmente assustado.

— Sim, já ia me esquecendo, ela se afastou um pouco e ficou mais uma vez próxima da cama, onde é que estão meus modos, né? Eu venho aqui, falo tudo aquilo, deixo-te bem chocado e você nem mesmo sabe o meu nome, a mulher misteriosa fez uma saudação bem cordial, meu nome é Clarice, para os mais íntimos é Clara. Eu não gostava no começo, mas eu não me importo mais e agora soa mais agradável aos meus ouvidos pequeninos — e mais uma vez ela sorriu, só que dessa vez seu sorriso foi maior, tornando suas presas ainda mais chamativas para Artur.

— Clara?! Certo, eu... Não preciso dizer o meu nome. Por algum motivo Artur se envergonhou ao falar aquilo, e Clara deu uma gargalhada.

— Olha só para você, parece até uma criança, o divertimento de Clara só deixou Artur irritado mais uma vez.

— Por favor, para! Artur adotou uma expressão séria, o medo inicial que sentira estava se esvaecendo, eu… Eu gostaria de saber como você entrou aqui? Veio me roubar ou algo do tipo?

Clarice o estudou por um momento. Sentiu que talvez agora pudesse levá-lo um pouco a sério.

— É, você tem razão. Eu deveria ser mais direta contigo e, além do mais, eu tinha dito que temos pouco tempo. Okay, eu acho que devo responder suas perguntas agora.

— Sim, por favor. — Artur, de forma apressada, falou de uma forma mais calma, porém ainda desconfiado sobre as intenções da moça.

Ela deu uma espiada no relógio da cômoda ao lado da cama e viu que só faltavam dez para as nove. Que bom que me adiantei, pensou.

— E então? Artur falou impacientemente.

— E então não estou aqui para te roubar ou coisa do tipo. Estou aqui pelo simples motivo de que você, meu caro Artur, é um sujeito muito especial. E devo lhe dizer que há, utilizando suas mãos, Clarice fez aspas, "pessoas" interessadas em você.

— Oi? Como assim? Um sujeito especial? Eu? Mas — Artur analisou os seus feitos até aquele momento e viu que nenhum deles seria o suficiente para considerá-lo um ser especial — Mas eu sou apenas um cara medíocre que não tem nada a oferecer ao mundo. Por que pessoas estariam atrás de mim, hein?

— Eu sei que é difícil de acreditar em uma estranha como eu, mas vou te mostrar a razão de você ser especial, aproximou-se ela, só que dessa vez ela ficou bem perto, perto até demais, você precisa confiar em mim, tá?

Artur não soube como responder àquilo. Estava tudo muito confuso para ele. Naquele momento, ele pensou diversas coisas dela, teve que refletir por um bom tempo. Mesmo sem saber se poderia confiar em Clara, ele, relutantemente, acenou positivamente. Só isso bastava para ela.

— Eu preciso que você feche seus olhos, tá bem? — pediu ela.

Ele a obedeceu.

Mais uma vez Clarice sorriu, só que, após o sorriso, ela ergueu seu braço e rapidamente o enfiou na barriga de Artur como uma lamina afiada.

Levou alguns segundos até Artur processa o ocorrido. O braço dela o perfurou com uma facilidade inacreditável. Sentiu o braço dela atravessando-o aos poucos.

— Está na hora de você descobrir quem realmente é, meu camarada vampiro — Clarice falou, contudo seu rosto estava completamente deformado para Artur.

Foi a última coisa que ele escutou antes de desmaiar.

20 Janvier 2022 19:21:05 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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À suivre…

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