Vida Suivre l’histoire

whatapanda Políbio Manieri

Havia um garotinho bem complicado, uma menina sem graciosidade nenhuma e outro com problemas a resolver. Juntos eles deram todo o sentido à vida de Gai.


Fanfiction Tout public.

#metal-lee #fluffy #familia #time-gai #neji #tenten #translee #rock-lee #maito-gai
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Vida

Desde a primeira vez que o viu, Gai soube que era diferente.

Kakashi disse uma vez que existia um pequeno na turma de novatos da academia que o lembrava vagamente alguém. Ele não se encaixava por não ter nenhuma habilidade notória e vivia metido em brigas que não iniciava porque queria provar o seu valor.

Ho, ele não era nem um pouco bom , e estava bem distante de ser bom. Ele era péssimo.

“Lee! Meu nome é Lee! E eu vou ser um grande ninja!”

E os olhos de Gai brilharam quando avistou a criança pela janela... Havia algo em Lee que ia além de seu temperamento evasivo e sobrancelhas bagunçadas. Havia algo muito maior que os conectava desde então.

Ele havia acabado de ser nomeado jounin sensei, então seria daquela turma que sairia seu primeiro time. E ele soube, mesmo antes de ser, que Lee ficaria sob sua responsabilidade. Aquela criança de grandes olhos brilhantes e roupas folgadas seria seu aluno.

Lee detestava deixar o cabelo solto. Ele o mantinha preso em uma longa trança que alcançava a altura do seu quadril e a primeira coisa que fez ao se graduar foi cortá-lo, como um prêmio. E, quando ele apareceu para a apresentação do time com um kimono aberto em demasia no peito, Gai sabia que seria um problema.

Ele não queria que Lee passasse por qualquer tipo de constrangimento.

E ainda havia seus companheiros de time. Gai não poderia ter pedido por crianças melhores. Era fácil perceber que Tenten sempre soube, instinto feminino talvez, e talvez fosse inclusive por isso que ela vinha se tornado uma amiga tão próxima de Lee nesse quesito, embora jamais chegasse a ser invasiva sobre esse assunto.

A própria Tenten tinha lá suas dificuldades de identificação com muita coisa que se dizia como certo… quando as outras meninas estavam interessadas em garotos, armas eram a única coisa que lhe captava a atenção. Meio assustador para uma criança de 12 anos, mas, para ela, apenas parecia o certo… E desde a última vez que a pegou ameaçando cortar o cabelo de Neji numa discussão, ele podia dizer que ela podia a ser mais travessa que seus outros dois meninos. E sim, meninos.

Neji não se importou. O menino Hyuuga era um gênio e seria petulância supor que ele já não tinha percebido com seus olhos que a tudo veem. Porém, apesar de ter seus pequenos grandes choques de personalidade com Lee – principalmente depois que ele decidiu o escolher como rival e fazer um extremo barulho a respeito – nunca chegou a menosprezá-lo ou diminuí-lo por conta disso. Bom, pelo menos não especificamente por isso. E neji nunca, jamais, pegou leve com ele.

O Hyuuga era um menino complicado quando chegou ao time, ainda assombrado por seus próprios fantasmas, mas era destemido e inteligente, não criava confusões, e Gai nunca duvidou que tivesse um bom coração. Não havia dúvidas de que tinha um grupo de gennins bastante especial.

O trabalho como Jounin basicamente implicava no acompanhamento e didática de um grupo de três crianças recém-formadas até que tivessem experiência o suficiente para seguir seu próprio caminho, mas cedo Gai percebeu que toda a experiência adquirida em sua vida ainda era insuficiente e não se importou em precisar despender várias horas semanais por entre os livros da biblioteca. Konoha ainda não tinha muitos recursos, então ele precisava se virar do jeito que podia.

E o jeito que podia era o que melhor sabia. Gai se focou em treinar Lee de acordo a construir músculos e conseguir um formato de corpo tão mais próximo ao que ele se sentia confortável quanto necessário para alcançar seus objetivos. Foi pesado, e foi sofrido, mas o menino era incrível e não se deixava abater por nada.

Ah, a primavera da juventude. Da mesma maneira que ela se vai, ela chega sem avisar ninguém, e nem sempre com boas notícias. Claro que era engraçado provocar Neji até o ponto dele perder o controle sobre a voz e deixar escapar um chiado tão agudo que não combinava em nada na postura dele. O Hyuuga já não era de falar tanto, mas ele nunca passou tanto tempo calado na vida, e Lee… Lee também não estava nada feliz com as pequenas mudanças que não podia controlar.

Ele dizia que não era justo, “veja só Tenten, ela continua do mesmo jeito” reclamava. Com isso passou a usar bandagens apertadas em torno do peito para ocultar os sinais que estavam começando a aparecer e que não o deixava se sentir seguro sobre si mesmo, mas aquilo não era saudável, era fácil de perceber quando o desempenho do garoto caía drasticamente em missões por conta de dores. Mais que qualquer coisa, para um ninja em crescimento, aquilo era estritamente perigoso.

Gai teve que ir um tanto longe para conseguir uma espécie de colete especial com tecido tracionado, feito para proteção, porém perfeito para os fins estéticos desejados. Lee estaria confortável e seguro usando aquilo e ele nunca o havia visto tão feliz.

Gai não fez o menor esforço para segurar o choro quando ele apareceu no dia seguinte, para o treino, com um corte de cabelo arredondado e trajando um spandex verde, extremamente radiante agora que a impressão visual de seu tórax estava predominantemente plana. Lee queria muito ser igual à pessoa que mais admirava.

Quando o exame chuunin se aproximou, seus alunos estavam prontos.

Tenten queria ser grande e se tornaria grande. Ela havia desabrochado sua confiança e continuava uma moleca, mas agora uma moleca de lâminas bem afiadas. Neji o preocupava um pouco, porque Gai sabia que esse seria o momento em que ele precisaria enfrentar o seu passado de frente. Era bom manter um olho sobre ele.

E Lee... Lee era formidável. Ele agora tinha punhos tão ou mais mortais quanto qualquer arma ninja já utilizada, e uma velocidade e força de impactos capaz de impressionar os jounins mais experientes. Lee era um gênio do esforço e esta era sua hora de mostrar ao mundo a que veio. A arena era seu palco. Ele estava cansado de ser menosprezado...

Lee estava pronto. Gai nunca chegou ao menos cogitar a possibilidade de uma derrota, mas aquele menino da areia… ele era o próprio demônio reencarnado. E ele não podia permitir que fosse além, então Lee perdeu. E a derrota de Lee foi a derrota de Gai como professor.

Foi uma recuperação difícil... Dolorosa. Um tanto humilhante quando ele precisou explicar detalhes das condições de seu aluno para que os médicos pudessem administrar um tratamento apropriado sem maiores surpresas. E Lee estava devastado.

Todos os outros haviam conseguido ir adiante e ele estava arrebentado e impossibilitado no hospital. Gai nunca parou de animá-lo e incentivá-lo todos os dias, mas conseguia ver a sombra do medo que havia roubado o brilho dos olhos de seu aluno, mesmo quando se esforçava em sorrir.

Mas o seu time... definitivamente não podia pedir por alunos melhores.

Tenten fazia questão de o acompanhar na fisioterapia e ralhar com ele sempre que o flagrasse se esforçando demais. “Eu sou a única que ainda consegue colocar algum juízo na cabeça oca do Lee” dizia, e não seria Gai que iria discordar. Ela precisou passar uma temporada no hospital também, então sempre estava por perto, com sorte o seu quadro não era tão grave como o dele.

Lee também havia feito novas amizades, percebia, porque sempre havia flores novas na cabeceira da cama e havia uma menina de cabelos róseos que visitava o hospital com frequência. Gai estava feliz.

Neji passou por maus bocados desde a sua luta na terceira fase. Ele foi derrotado, mas isso não feriu nem um pouco seu orgulho. Gai não poderia estar mais orgulhoso e um tanto satisfeito quando interrompeu seu caminho em direção à enfermaria ao reparar o líder do clã Hyuuga bater na porta.

Até então, ele ficaria bem.

Mas o mal pressentimento sobre a areia se concretizou, Konoha foi atacada e então Uchiha Itachi apareceu (e acompanhado de um cara que ele não consegue lembrar muito bem, mas parecia muito perigoso). Mesmo Kakashi acabou hospitalizado e Gai teve que redobrar a quantidade de tempo que frequentava aquele lugar desagradável.

Lee ainda tinha algumas dificuldades, mas seus ferimentos externos haviam cicatrizado e tinha recebido alta, mesmo ainda caminhando com ajuda de muletas. Dessa vez, Neji sempre estava por perto para o auxiliar no que precisasse. E o trazia um pouco mais de segurança nessas pequenas tarefas do dia a dia que ainda pareciam difíceis, como trocar de roupa, porque Tenten era uma menina e Lee dizia que não era certo que ela o visse despido.

Bem, de certa forma também não era certo que Neji também o visse, mas os dois pareciam bastante confortáveis com a ideia e não havia muitas discussões além de Lee reclamando que não precisava ser ajudado em coisas que claramente ainda precisava e Neji o mandando calar a boca e erguer os braços.

Neji também havia crescido tanto.

A chegada de Tsunade-sama trouxe notícias boas e ruins. Mais uma dificuldade. Outra provação. Lee desabou, nunca esteve tão apavorado na vida, mas não iria desistir e Gai não desistiria junto com ele. No fim das contas não só a operação foi um sucesso, como a quinta Hokage decidiu acompanhar pessoalmente o desenvolvimento dele. Não havia felicidade que o descrevesse melhor quando soube que seria assistido pela melhor médica do país.

Ou não, né, porque na tarde em que fora visitar Lee para contar as boas notícias do pós-cirúrgico o quarto estava vazio.

E é verdade que Gai não gostou de saber que justo aquele estranho garoto da areia havia sido mandado para trazer seu aluno de volta... Ele não se atreveria a desconfiar das ordens da Gondaime, mas Lee mal tinha acabado de sair do hospital ainda. Ele nem tinha saído, tinha fugido.

Ele e Tenten ficaram de plantão nos portões de Konoha atentos ao menor sinal de movimento quando a unidade médica passou correndo com os Gennins machucados… Avisaram que Chouji e Neji iriam ser levados direto para a cirurgia e, pela segunda vez no dia, ele se sentiu um pouco aliviado que a vila tivessem a melhor à disposição.

Tenten na UTI, depois Lee na UTI, agora Neji na UTI. Mais adiante Tsunade-sama ainda reclamaria que – depois de Naruto – o time Gai era o que mais lhe dava trabalho. Mas isso era bom. Ter reconhecimento de suas habilidades ninja (vamos deixar um pouco de lado o reconhecimento da imprudência também) era sempre bom.

Lee também retornou – quase – intacto dessa vez e ele parecia muito satisfeito em enfrentar a bronca por ter fugido no meio do tratamento, então tudo bem.

Mas mesmo que houvessem muitos altos, ainda houve também alguns baixos nos anos em sua jornada. Neji e Tenten cresceram, ela ainda não desenvolveu um pingo de feminilidade por mais que seu corpo mudasse, mas isso nunca foi demérito para aquele time. O problema maior existiu, na verdade, com o amadurecimento de Neji.

Quanto mais traços masculinos ele começava a ter, mais Lee se silenciava e mais se apagava.

Lee já tinha 15 anos e ainda possuía uma voz aguda demais para um menino, uma bandagem no peito e um corpo com poucos músculos que o levava exagerar constantemente e cada vez mais nos exercícios.

Por mais que Gai explicasse que isso se devia ao organismo, Lee não aceitava e insistia em se provar cada vez mais no seu objetivo de ser um exímio shinobi, apesar de não conseguir acumular muita massa magra com todo aquele esforço. Mas Neji já não fazia mais pouco dele e admitia, Lee vinha sim se tornando um shinobi incrível e seu time foi destaque na nova prova chuunin realizada.

Eles já não eram mais seus pupilos, agora eram seus companheiros shinobi.

Ao completar seus tão aguardados 16, a Gondaime iniciou o tratamento hormonal que vinha desenvolvendo para o seu planejamento e foi uma experiência extraordinária acompanhar diariamente as pequenas conquistas que Lee vinha acumulando até então de repente tomarem forma.

Tenten simplesmente não acreditou quando as sobrancelhas de Lee se tornaram mais grossas do que eram, e Neji teve que passar uma semana se fingindo de surdo para não enlouquecer com a felicidade gritante de Lee quando conseguiu ultrapassar mesmo a sua altura, ainda que por questão de dois centímetros. “Isso é o volume do seu cabelo.”, resmungava para ele, “NÃO É NÃO”. Tudo era disputa.

Seus ombros finalmente alargaram, sua voz engrossou um pouco, e Gai jamais esqueceu do constrangimento ao precisar conversar com Lee que não era auspicioso que ficasse falando ou exibindo cada pelo novo que surgia em seu peito por aí para as pessoas, por mais excitado que estivesse com a ideia.

Com a rotina e dieta que vinha realizando desde os 11 anos, seu corpo facilmente se moldou, Lee não precisou fazer nenhuma cirurgia e ele o abraçou chorando copiosamente pelos próximos 30 minutos no dia que surgiu no treino com a cinta peitoral em mãos. Sorridente. Radiante.

Lee nunca mais usou aquele negócio.

E então houve um período que se Gai pudesse ele riscaria completamente da sua vida e de seus alunos. Ou se pudesse – e ele desejava com toda grama do seu ser poder – ele pararia o tempo e eles viveria para sempre aquele momento de paz onde tudo parecia estar tão certo.

Mas a guerra ninja chegou.

Você sabe, não que pretendesse renegar qualquer uma de suas responsabilidades como shinobi, mas, pela primeira vez na vida, e por um segundo – só por um segundo, ele jura – Gai desejou que eles não fossem. Desejou, ao menos, ter conseguido entrar na frente daquele galho e interromper o seu percurso como fez com a areia por seu aluno Lee à 5 anos atrás. Mas nem Neji nem Lee eram mais seus alunos.

E ele estava orgulhoso de seu menino, extremamente orgulhoso, sem a menor dúvida. Pois sabia que Neji não fez aquilo por falta de habilidades ou imprudência, mas pela mais nobre das escolhas: ter encontrado algo o qual daria a sua vida para proteger. Neji era um homem, um shinobi esplêndido que teve o poder de escolher o próprio destino.

Gai jamais desrespeitaria essa decisão.

Mas ainda assim doeu.

Doeu mais ainda não ter tido o tempo sequer para lamentar, doeu ter que ralhar com Lee para enxugar as lágrimas e se levantar do chão, doeu ter que assistir de longe Tenten parecer ter a mesma percepção que a sua e se segurar para não esboçar suas reações. Porque ela também sabia, eles ainda estavam em guerra e a guerra não espera por ninguém.

O corpo de Neji ficou estendido no chão como se fosse apenas uma lembrança e ele teve que seguir em frente, todos eles tiveram que seguir em frente. É assim que é. Vida e morte fazem parte do cotidiano de todo shinobi, e qualquer um deles poderia ser o próximo. Gai não pretendia permitir que isso acontecesse. Lee e Tenten também não.

No fim das contas mesmo quando acordou no hospital com rachaduras por toda a pele e sentindo o corpo queimar, nem mesmo a notícia de que havia perdido o movimento de uma das pernas foi o suficiente para suplantar sua enorme tristeza por ter apenas dois dos seus queridos ex-alunos na base da cama.

Foram tempos muitos difíceis para a equipe Gai.

E o tempo também não perdoa e nem espera, ele apenas passa. É isso o que ele sabe, então é isso que ele faz. O tempo não permite que você releve mas, pelo menos, te ensina a conviver com isso.

Os anos da tão almejada paz não fizeram tanta diferença assim, mas, ao mesmo tempo em que era ruim ter cada vez menos deveres a cumprir, também era bom não ter que viver mais à mercê da morte a qualquer momento.

Kakashi foi nomeado Hokage… você acredita? Principalmente ele mesmo ainda não acredita, então as tardes de Gai passaram a ser longas e tediosas participando de lentas fisioterapias e tentando recuperar o tônus muscular perdido com o tempo em que ficou prostrado numa cama até conseguirem recuperar suas terminações nervosas tostadas.

Bom, quase todas elas. A perna direita não teve jeito mesmo, e ele é cabeça dura ao ponto de simplesmente recusar o implante de um novo membro – possível desde que passaram a manusear as células de Hashirama. Por mais que Lee e Tenten insistissem, para Gai aquilo era trapaça e um insulto à flor de sua juventude.

Lee era extremamente emocionado e podia cair muito rápido e fácil nesse papo de juventude, mas Tenten ainda demorou umas semanas até cansar de brigar a respeito disso – o que tornou as visitas ao hospital um pouco menos barulhentas exceto por ela reclamando a torto e à direita o quanto os dois só dão trabalho e com razão.

Ela tomou para si a responsabilidade de tornar possível o reingresso de Gai à carreira ninja, criando uma cadeira de rodas de uma liga leve utilizada em armamento e que a tornasse 7x mais resistente que o procedimento comum. Obviamente Gai teve que quebrar uns 3 modelos até ela conseguir chegar à sua obra-prima do manuseio prático… equipamentos ninja sempre fora a sua especialidade. Ainda que os afiados.

Ela havia se tornado uma Kunoichi absurda.

Felizmente ele já estava fora do hospital e em melhor estado quando ela e Lee conseguiram se graduar Jounins, então puderam comemorar de forma mais efetiva, sem esquecer de visitar o memorial de pedra dos Hyuuga. Agora o time inteiro havia alcançado o mesmo patamar shinobi e Lee sentia uma necessidade infantil de esfregar na cara de Neji aquela licença.

Lee também tinha conseguido, ele se tornou um esplêndido ninja como havia prometido, a maior referência da vila em Taijutsu. Gai não conseguiu segurar uma lágrima quando pensou que Neji podia sentir sua euforia – ou escutar seus gritos – e, com certeza, estava sorrindo onde quer que que estivesse.

Eles estavam felizes.

Por mais que Kakashi dissesse ser bobagem, em algum momento daquela época monótona Gai começou a se dar conta de que talvez sua primavera da juventude tivesse mesmo passado. Ele já era vítima mais do que o comum das pegadinhas extremamente óbvias que Tenten tramava e talvez sua saúde já não andasse mais essas coisas, porque assim que Lee contou o que o parecia incomodar nos últimos dias… sinceramente ele não podia cair porque já estava sentado, mas tem certeza que escutou a cadeira de rodas estalar. Desculpe, Tenten.

Sabe, por mais que ele tenha se esforçado para ser um sensei presente para aqueles três desgarrados, talvez Gai tenha perdido o crescimento desses meninos em algum momento. E ele cogitou seriamente sobre isso. Teve algo que perdeu ou então algo que não viu, porque ontem mesmo ele estava amarrando os primeiros pesos nas perninhas finas daquele garotinho barulhento e, hoje, ele não podia acreditar que Lee estava mesmo esperando um bebê.

Lee já era um homem feito. E iria ser pai.

“Mas espera, isso é mesmo possível?” Tenten tinha indagado e Gai chegou até a estufar o peito para explicar que, de acordo com a Gondaime… “Quer dizer… desde quando você transa?” Ta bem, ele não precisava saber disso. E Lee ficou vermelho até as orelhas por quase um mês porque sempre que ele parecia estar se recuperando, Tenten surgia com outra provocação.

Mas um bebê… A equipe Gai iria ter seu primeiro bebê!

E claro que teria que vir de Lee, porque Tenten costumeiramente deixava estritamente claro que o mais próximo de um filho na vida dela seria a nova kunai a prova d’água que estava desenvolvendo para o uso feminino nas termas.

“O que seria mais perigoso que uma mulher nua portando um objeto afiado?”

Ela precisava parar com essas coisas...

E o mais próximo de um filho na vida de Gai havia sido seus 3 meninos que já não eram mais tão meninos assim. Mas agora tinha mais um a caminho.

Gravidez implica alguns cuidados, mais do que tudo implica sobre a produção de muitos hormônios. Sabe, biologicamente era a contramão de tudo o que deixava Lee seguro, e o que deixava Gai orgulhoso era que ele estava consciente de tudo isso e mesmo assim escolheu seguir adiante. Não combinava em nada com Lee dar para trás.

Mesmo quando seu corpo começou a dar sinais que tanto o incomodavam e que ele não pudesse mais treinar como antigamente quando precisasse de uma distração, Lee estava rodeado de pessoas que o queriam bem. Ele não precisava passar por nada disso sozinho e Gai teve certeza de que ficaria bem. Salvo alguns surtos de vez em quando, mas, ainda assim, bem.

Aliás, foi nessa época em que ele botou em prática um velho projeto de livro que vinha guardando em mente desde que retomou à ativa... Exercícios de baixo impacto e alta performance que qualquer pessoa pode fazer. Mesmo velhos, mesmo civis, mesmo deficientes, mesmo pessoas que estivessem esperando um bebê. E Lee era tão grato por tudo e agora chorava com 3x mais facilidade – e intensidade – do que antes.

Desde a última consulta eles já sabiam que viria um menino e Tenten importunou por um bom tempo a respeito de um nome porque não aguentava mais chamar o bebê de “coisinha”. Mas Lee tinha decidido, o nome dele será Metal. “Como uma kunai?” Sim, como uma kunai, Tenten “E como um parafuso” ele adicionou.

Foi uma manhã de chuva que Metal Lee veio ao mundo, chorando e esperneando forte como era tão propenso a um filho de Lee. E como era tão propenso a qualquer um naquela sala naquele momento porque, em tantos anos, eles já testemunharam a morte tantas vezes... mas essa era a primeira vez que eles testemunhavam a vida. Aquele pedacinho de vida com seus olhinhos negros a combinar com o tufo de cabelos no topo da cabeça.

Lee dizia que a Lótus de Konoha floresce duas vezes, e Gai não podia estar mais feliz de estar presente nas duas. Ele queria todo o bem do mundo aos seus queridos alunos, e agora quereria também àquela criaturinha que era a representação viva de que ele tinha feito um bom trabalho. Que Neji, Tenten e Lee haviam feito um bom trabalho.

Metal Lee representava o início da nova geração, a primeira daqueles tempos de paz. Ele cresceria bem longe da guerra, acompanhado e assistido por todas as pessoas que o amam.

E bem ali, em meio ao carinho dos presentes e da memória dos que se foram, ele olhou para a própria perna enfaixada no encosto da cadeira e a sensação cheia do dever cumprido tomou conta do seu peito. Ele soube que tinha valido a pena.

E Gai estava ansioso por continuar fazendo parte daquilo.

13 Août 2019 21:11:29 2 Rapport Incorporer 1
La fin

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Políbio Manieri Being alive...

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Inial Lekim Inial Lekim
Mulier tu não tem noção do quanto to emocionada com essa visão das minha criança. Parece que o modo leve como a história é escrita é o que mais causa impacto. Eu ri, eu chorei, eu senti o ódio reacender (porra quixiotu seu fodido), mas também me aqueceu o coração e me encheu de amorzinho <3 Fico maravilhoso (e sem gaalee huehuehuehue)
13 Août 2019 16:48:08

  • Políbio Manieri Políbio Manieri
    "e sem gaalee" O BERRO HSUSSUSHEUWHEUEE Sem mesmo, me processem. Mideixa dar uma luzinha e um amorzinho pro melhor time de vez em quando tbm... aaaaa to feliz q gostou mi amore. É pra fazer feliz (ou nem tanto) nois que ama tanto esses bebes mesmo ♡ 13 Août 2019 16:58:20
~