Sombras Ocultas - A vingança - Livro 1 Suivre l’histoire

pedroupload Pedro Rabelo

Após a guerra conhecida como Década Sangrenta uma era de paz chegou ao mundo, mas não por muito tempo pois forças ocultas começam a se mover novamente. O jovem Adrian que vivia em reclusão com seu avô é enviado para conhecer o mundo quando homens estranhos vem buscar seu avô. O conde Fennon, um herói da Década, agora vê-se confrontando um novo tipo de guerra. A das intrigas da corte. Mas ele logo estará se perguntando quanto tempo ele ainda terá de paz. Enquanto isso, o mestre ferreiro Hemer tem que fugir pelo condado de Sweria após ser atacado na vila onde vivia. Esses três homens não sabem, mas estão nas cordas do destino e presenciarão os novos acontecimentos que abalarão o mundo. Mas eles não serão os únicos, muitos outros olhos irão ver o que esta por vim. Homens e mulheres de grande personalidade, nobres e plebeus. Corajosos e covardes. É chegada a hora das Sombras Ocultas se erguerem! O Ciclo da Vingança clama por sangue!


Fantaisie Médiévale Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Capitulo 1

Adrian


O sol começava a descer a leste da Floresta Alta lançando as longas sombras das árvores sobre os passos de Adrian. O rapaz subia pela trilha com esforço enquanto o peso do cervo que tinha caçado o inclinava para trás. Em sua cintura o peso extra dos dois coelhos que faziam seu cinto escorregar um pouco era muito reconfortante.

- Hoje comeremos bem. – Ele sussurrou enquanto subia a trilha. - E teremos carne e peles para comercializar com a vila também.

A noite começava lentamente a cair, mas ele nem ligava para isso. Após tantos anos vivendo na floresta, sendo forçado por seu avô a caçar todos os tipos de animais que viviam ali, ele já não temia a floresta como os habitantes da vila. Os fracotes como seu avô os chamava. Fracos por temerem a natureza que os alimentavam e enriqueciam. Fracos por se esconderem atrás de seus muros da vastidão do mundo que os cercavam.

Adrian tinha ido muitas vezes para a vila com o avô para comercializar ou para visitar o tio Hemer. Ele não conseguia entender como o povo dali conseguia viver cercados por todas aquelas casas ou com tantas pessoas no mesmo lugar. Era desconcertante.

O que era mais incrível eram as histórias do tio Hemer sobre as grandes cidades com mais de dez vezes o número de pessoas que viviam na vila e com casas e muros de pedras em vez de madeira. Ele também falava dos gigantescos castelos onde os nobres viviam com suas torres tocando o céu. Adrian ainda era um pouco cético sobre isso.

Pareciam histórias fantásticas demais para serem verdadeiras, mas seu avô confirmava elas, assim como os comerciantes que apareciam na vila. Seria interessante visitar esses lugares um dia. Esse era um dos pensamentos mais frequentes de Adrian, mas sabia que seu avô não o deixaria ir embora de Floresta Alta. Não o deixaria se misturar com os fracotes sem um bom motivo.

Adrian já estava bem próximo da casa onde vivia com seu avô quando percebeu algo estranho. Um som, ou melhor dizendo, uma ausência de som na floresta. Um silêncio nada natural para aquela região tão cheia de vida onde pássaros cantavam e esquilos corriam pelas árvores.

Adrian deixou sua mão direita largar as patas do cervo em suas costas e deslizar lentamente até a cabeça do machado em seu cinto, mas antes que sua mão tocasse a arma, uma outra mão a segurou na mesma hora em que uma faca era colocada contra o pescoço dele.

- Quieto! - Sussurrou uma voz atrás da orelha de Adrian. - Me diga quem é você e o que está fazendo aqui garoto?

- Eu me chamo Adrian. - Respondeu rapidamente o rapaz sentindo uma gota de suor descer pelas costas. – E eu moro aqui, senhor.

- Ele não é nenhum senhor, meu jovem – Uma voz feminina soou de entre as árvores a direita da trilha. - Solte o garoto, Ezam, ele é o neto do velhote.

- Esse pirralho? - Perguntou Ezam soltando Adrian.

O garoto se virou rapidamente para encarar o homem atrás dele enquanto dava um cauteloso passo para trás.

O tal Ezam era alto e possuía um corpo magro coberto por roupas de couro preta. Em seu colete se cruzavam dezenas de tiras de couro que seguravam pequenas facas de arremesso.

- Ele não me parece grande coisa. - Comentou Ezam medindo Adrian de cima a baixo.

- Você também não me parece grande coisa.

Blefou Adrian dando mais um passo cauteloso para trás e puxando o machado. Suas palavras causaram um franzir de testa em Ezam que se aprofundou quando a mulher escondida entre as árvores começou a rir.

- Pelo menos ele tem coragem. - Comentou a mulher. - Pode seguir seu caminho, meu jovem. Esse tolo não irá mais perturba-lo.

- Tolo? - Esbravejou Ezam indo em direção às árvores - Quem você está chamando de tolo, sua bruxa velha?

A mulher riu novamente enquanto a voz de Ezam ia diminuindo conforme ele se afastava.

O que foi isso? Adrian ficou um momento olhando para as árvores onde o tal Ezam tinha sumido esperando que o homem voltasse com a mulher, mas após um minuto de espera o rapaz percebeu que a dupla tinha ido embora.

Deixando escapar um suspiro de alívio ele guardou o machado de novo no cinto e voltou a sua subida em direção a sua casa.


Fennon


A espada bastarda acertou com força o escudo de carvalho em forma de folha com o brasão do Barão de Wisk deformando o cacho de uvas ali pintado. O cavaleiro de Wisk cambaleou para trás e teve que erguer o escudo mais uma vez para se proteger de outro pesado golpe da espada.

- Sir Olim continua brutal como sempre. - Comentou Galeos, o filho mais velho de Fennon.

- Mas Sir Fill ainda não perdeu. - Contestou Gabriel, o filho mais novo.

Fennon não pôde deixar de sorrir aos comentários de seus filhos que assistiam ao duelo no grande salão de audiência. Como Conde, era trabalho dele resolver as contentas entre os nobres menores e tinha sido com grande alívio que ele tinha aceito o duelo entre os cavaleiros dos dois Barões. Um duelo terminaria mais rápido e com uma única morte evitando uma rixa militar entre os dois nobres e uma guerra civil dentro do condado causando centenas de mortes.

O grande salão estava cheio de cavaleiros e nobres menores que assistiam ao duelo. Fennon viu de pé na ala esquerda do salão o apreensivo Barão de Wisk cercado por outros Barões menos importantes e alguns cavaleiros, enquanto no lado oposto do salão o Barão de Tarth cercado por sua comitiva observava ao duelo com um sorriso sádico no rosto.

Fennon tinha que concordar que o cavaleiro de Tarth possuía a vantagem no duelo, sua espada bastarda mantinha o cavaleiro de Wisk na defensiva causando um severo dano ao seu escudo. Um momento ou outro, Sir Fill de Wisk tentava contra-atacar com sua maça de guerra, mas Sir Olim se movia com velocidade e graça surpreendente para seu tamanho se afastando e voltando a atacar a uva no escudo.

- Isso já está ficando chato. - Resmungou uma voz áspera ao lado de Fennon. - Eles não poderiam acabar logo com isso, meu senhor?

- Poderiam. - Concordou Fennon. O Conde olhou para seu filho mais novo antes de continuar. - A diferença de habilidade já ficou clara, mas infelizmente o Barão de Tarth pretende prolongar o sofrimento do Barão de Wisk.

- Infantilidades. - Resmungou novamente o homem ao lado do Conde.

Fennon assentiu. Sim, aquilo era uma infantilidade e uma falta de decoro ao cavalheirismo. Ele teria que conversar depois com o Barão de Tarth sobre esse assunto.

- Como o assunto chegou a esse ponto mesmo, Welles?

- O de sempre, senhor. - Respondeu o Comandante dos Cavalos Negros. A ordem de cavaleiros fundada pelo antepassado de Fennon muito tempo atrás. - Disputa por fronteiras. Os dois alegam que uma determinada terra faz parte de seus baronatos e nenhum dos dois está disposto a ceder.

- E com isso um bom cavaleiro será desperdiçado. - Suspirou o Conde. - Eu deveria fazer esses porcos gananciosos lutarem no lugar dos cavaleiros, não concorda Welles?

- Sim, meu senhor. - Concordou o cavaleiro. - Isso seria bastante interessante.

- Ah! - Exclamou Gabriel quando a espada de Sir Olim despedaçou o escudo de Sir Fill.

O cavaleiro de Wisk tentou um ataque por baixo com a maça de guerra, mas Sir Olim deu um ligeiro passo para trás enquanto puxava a espada em um corte de baixo para cima decepando a mão de Sir Fill, que caiu de joelhos em choque.

O cavaleiro de Tarth levantou a cabeça e olhou ligeiramente em direção ao seu Barão que assentiu antes de olhar para o Conde, que revelando uma expressão neutra, deu seu consentimento. Um último movimento do cavaleiro de Tarth e a cabeça de Sir Fill rolava pelo chão do grande salão como uma uva solitária.

O Conde Fennon se ergueu de sua cadeira chamando a atenção de todos os presentes para si. Os Cavalos Negros em suas armaduras negras ficaram em posição de sentido nas paredes do salão e os filhos do Conde tentaram fazer o mesmo ao seu lado. Os nobres se viraram para encarar seu soberano com exceção do Barão de Wisk que observava o corpo decapitado de seu campeão.

- A vitória pertence ao Barão de Tarth. - Disse Fennon encarando seu público. - As terras disputadas serão passadas para o Barão assim como pré-determinado antes do duelo. Meus parabéns pela vitória, Sir Olim de Tarth. O senhor demonstrou uma grande maestria no uso da espada. Meu senhor, Barão de Wisk. Peço para que deixe os cuidados do corpo de Sir Fill sob o cuidado de meu pessoal. Ele será entregue ao senhor devidamente preparado para um enterro digno.

- Sua generosidade é muito bem-vinda, meu Senhor - Respondeu o Barão de Wisk roucamente sem tirar os olhos do corpo de seu campeão.

Fennon viu de canto de olho o velho Teodoro, o mestre de tradições, se empertigar ao ver a falta de cortesia do Barão, mas a um movimento sutil do Conde ele se acalmou. Não havia nenhum motivo para prolongar mais aquela situação.

- Com isso encerramos o dia, meus senhores. - Ele fez um rápido aceno para os nobres e cavaleiros que o saldaram enquanto dois Cavalos Negros abriam as grandes portas duplas de carvalho do outro lado do salão.

Cada grupo de nobres deixou o salão seguidos por seus cavaleiros. Fennon observou enquanto o Barão de Tarth partia ao lado de seu campeão rindo de algo que o homem ao seu lado tinha dito. Em contraste com as ações do Barão de Tarth, o seu rival se retirou em silêncio do salão seguido por seu séquito.

- Vamos, meninos. - Fennon se virou para seus filhos quando os últimos membros da corte saíram. - Sua mãe e sua irmã nos esperam.


Adrian


Quando enfim deixou as árvores e adentrou na clareira onde ficava sua casa com seu avô, Adrian se deparou com algo mais estranho que o homem e a mulher na trilha.

Espalhados entre as fileiras de árvores e a casa, estavam quatro homens trajando armaduras completas de placas de metal. Assim que Adrian surgiu de entre as árvores, três dos quatro homens se viraram para encara-lo.

O homem mais próximo estava a cinco passos dele. Era alto e magro e usava uma armadura escamada verde escura. Sua mão esquerda segurava um escudo oval onde três cobras mordendo a própria calda formavam três anéis. Em sua mão direita repousava uma longa lança.

- Quem diabos é você? - Perguntou o homem surpreso.

- O que Ezam e Nichol estão fazendo? - Perguntou o homem ao lado do que usava o escudo com as cobras.

Esse usava uma armadura azul clara de placas grossas e com espetos nas ombreiras. Seu elmo também possuía pequenos espinhos que se espalhavam para todos os lados. Em sua mão direita repousava o grosso cabo de um martelo de guerra onde o perigoso bico está apoiado no ombro direito.

- Os dois não teriam deixado o garoto passar sem motivo. - Comentou o terceiro homem que se virou. Ele usava uma simples armadura cinza clara que estava um pouco curvada para frente o que dava a ideia que ou ele era velho ou corcunda. Sobre seus ombros estava uma longa capa marrom escura com um par de asas brancas abertas bordada nela - Quem é você, garoto? E o que faz aqui?

- Já é a segunda vez que escuto isso. - Disse Adrian resmungando. - Me chamo Adrian e moro aqui. Mas quem são vocês para aparecerem aqui fazendo todas essas perguntas?

- Ah! Então você é o jovem Adrian. - Disse o cavaleiro das asas brancas abrindo um sorriso gentil. - Eu o vi quando você ainda era bem pequeno, sabia? Está se tornando em um belo e forte rapaz.

- Então esse é o neto de Aldrei? - Perguntou o com martelo.

- Não passa muita presença. - Comentou o das cobras no escudo.

Aquilo já estava começando a irritar Adrian. Todas aquelas pessoas desconhecidas dizendo o quão decepcionante ele era, mas algo aplacou sua irritação em meio a toda aquela conversa.

- Você me conheceu quando eu era pequeno? - Ele perguntou ao encurvado.

- Sim, a uns quinze anos atrás. - Respondeu o homem. - Você era tão pequeno naquela época.

- Entendo. - Adrian queria perguntar mais coisas ao homem, mas havia outras coisas para se perguntar antes. - Mas onde está meu avô?

- O velho Aldrei está conversando com... um velho amigo lá dentro. Se importa de esperar eles terminarem...

- Não há necessidade de esperar. - Trovejou a voz do avô de Adrian. - Deixe meu neto passar, Asa Branca.

Aldrei saiu de dentro da casa para a varanda ao lado de um homem de manto azul encapuzado. O avô de Adrian era alto com ombros largos e vestia roupas feitas com peles de urso fazendo com que parecesse mais volumoso do que era.

- Venha logo aqui para dentro, pirralho. - Gritou o velho. - Não temos a noite toda.

Adrian avançou a passos rápidos passando entre o homem com o escudo e o com o martelo. Quando estava a meio caminho da casa passou pelo quarto homem que não tinha se virado para olha-lo quando chegou.

O homem usava armadura completa como os outros três, mas ele era muito mais volumoso, e tão alto quanto seu avô, se não mais. Usava um elmo em forma de cabeça de réptil com chifres e uma longa capa vermelha sangue que escondia uma espada de grandes proporções.

Adrian já estava para passar do homem quando ele se virou em sua direção piscando com seus olhos dourados e fendidos em sua direção. O nariz, ou focinho, escamoso se contraiu como se cheirasse o jovem que congelou onde estava a meio passo.

Um feral!

Foi a única coisa que Adrian conseguiu pensar quando percebeu que a cabeça de réptil era de verdade e não um elmo. Seu avô tinha lhe contado muitas histórias sobre os povos não humanos que viviam no mundo. Pelo que se lembrava das palavras de seu avô, aquela criatura diante dele só poderia ser um Drakar. Uma orgulhosa raça humanoide de répteis que possuía poderosos guerreiros.

- Pare de encara-lo, garoto. - Rugiu Aldrei. - Venha logo que o tempo é curto.

Sem perder mais tempo, o jovem seguiu para dentro da casa com o avô, algo lhe dizia que uma grande mudança estava para acontecer.


Fennon


A mesa de jantar se estendia cercada pelos cinco membros da nobre família De Sardenic. Fennon estava sentado na ponta da mesa de frente para sua esposa Clari com seus dois filhos a direita e sua filha Camilla a esquerda.

Sobre a mesa, um verdadeiro banquete fora servido no qual os jovens comiam com vontade. Fennon observava seus filhos com carinho. Os garotos tinham puxado seu lado da família, com o queixo quadrado e o cabelo preto cortado bem curto. Já Camilla tinha puxado ao lado da mãe. Com o cabelo castanho, um pouco mais escuro que o da mãe no entanto, e o pescoço fino.

Enquanto observava tudo isso, o Conde percebeu que sua mulher quase não tinha tocado na comida. Que ela beliscava um pouco o frango diante dela junto com a salada, mas praticamente não tocava na comida.

Fennon esperou um pouco enquanto seus filhos comiam e se provocavam antes de libera-los. Antes de saírem da sala, o Conde conseguiu ouvir seu filho mais novo contar para a irmã sobre o duelo no grande salão.

- O que te incomoda, querida esposa? - Perguntou o Conde carinhosamente.

Clari deu um sorriso forçado enquanto cutucava o frango com o garfo. Fennon esperou que a mulher falasse sem querer força-la, pois sabia que se ela ficasse teimosa sobre o assunto ele não conseguiria tirar nada dela. Por fim, a Condessa suspirou colocando sobre a mesa duas cartas.

- Essa manhã recebi uma correspondência do senhor meu pai.

Ao ouvir essas palavras, o semblante de Fennon se anuviou.

- E o que meu estimado sogro nos escreveu?

- Meu querido pai, o Duque de Istra, envia para visitar a corte do Conde da Sweria seu fiel cavaleiro, Sir Claus, acompanhado de seis escudeiros para melhorar a amizade entre as duas cortes.

- O Cavaleiro de Safira? - Perguntou Fennon em um sussurro rouco. - O que um dos heróis de Istra teria para fazer aqui?

- Eu me perguntei a mesma coisa a manhã toda, marido. - Respondeu Clari. - Até que essa outra carta enviada por minha mãe chegou por uma ave mensageira.

- Da Duquesa? - Perguntou um surpreso Fennon.

- Sim, minha mãe me alertou sutilmente que dentre os seis escudeiros está um suposto pretendente a mão de Camilla.

A desconfiança de Fennon se tornou em uma fúria fria quando sua esposa lhe disse o objetivo de seu sogro. Porque ele sempre tem que fazer maquinações sobre tudo? Provavelmente o pretendente era alguém que eles não aceitariam, mas que serviria para algum plano do velho Duque.

- O velho Afonso continua um jogador temível. - Resmungou Fennon. - Ela te disse quem era o pretendente ou os planos de seu pai?

- Não seja tão otimista, querido. - Disse Clari dando um sorriso fraco. - Já é muito ela ter nos alertados sobre isso.

Ele não podia discordar dessas palavras. Na verdade, Fennon agradecia por Clari ser a filha preferida de sua mãe e por sua sogra gostar de estragar os planos do marido.

- Não há nada que possamos fazer sobre isso agora. - Disse Fennon após um momento de reflexão. - Manda-los de volta seria descortês. Terei que arrumar algo para mantê-los ocupados enquanto estiverem aqui e não podemos deixar que se aproximem de Camilla.

- É melhor não deixa-la saber disso. - Comentou Clari. - Ela odiaria saber que estamos protegendo-a assim e odiaria mais ainda saber dos planos do avô dela.

- Sim, ela é bem teimosa sobre isso. Assim como a mãe dela.

Mal terminou de falar e o conde teve que desviar de um garfo que veio voando em sua direção.

- Quem está chamando de teimosa, querido?

Os dois se olharam em silêncio por um momento antes de começarem a rir.

- Parece que o resto do ano será bem movimentado. - Comentou Fennon após se recuperar da risada - É melhor pedir para Welles mandar um grupo para escoltar o Cavaleiro de Safira.

- Por favor, querido. - Disse Clari em tom de repreensão. - Sei que o Comandante é seu amigo íntimo, mas tanto seu posto quanto o dele requerem um pouco mais de etiqueta. Tenha cuidado para não chama-lo pelo nome em público.

Fennon balançou a cabeça mostrando que tinha compreendido as palavras da esposa, pois sabia que ela tinha razão.

Mas velhos hábitos não eram cortados tão facilmente.


Hemer


A oficina finalmente estava em silêncio. Os aprendizes tinham se retirado para suas casas após a chegada da noite trazia o fim dos serviços do dia.

Ele gostava dessa vida pacífica tendo que construir com suas mãos as panelas que as esposas usavam para cozinhar. Os instrumentos de agricultura para o plantio na região. E as únicas lâminas que fabricava agora eram dos machados para os lenhadores, ou das facas e pontas de flechas e lanças para os caçadores. Uma vez ou outro a milícia pedia que ele forjasse uma nova espada para um de seus homens, ou que concertasse uma armadura.

Mas naquela região pacífica os homens não precisavam usar muito suas armas, e com isso Hemer não precisava gastar seus dias criando objetos mortais. Não mais. Não como no passado.

Mas o destino mantém suas cordas bem firmes em volta dos homens e Hemer teve certeza disso quando bateram em sua porta naquela noite e ao abri-la encontrou o jovem Adrian com um saco de viajem sobre os ombros.

- Olá, Tio. - Disse ele, e foi o bastante para Hemer saber que algo estava errado.

- Entre.

Hemer deu passagem para que Adrian entrasse em sua casa, o calor da oficina ao lado tinha entrado pela porta de acesso na lateral da casa esquentando a sala de Hemer, mas nem o ferreiro nem o garoto estavam no clima para aproveitar o calor artificial na noite fria.

- O que aconteceu? - Perguntou Hemer sem querer enrolar o assunto.

Adrian então entregou a ele duas cartas. Ele reconheceu prontamente a escrita do avô de Adrian, um garrancho que ele já estava acostumado a ler.

A primeira carta estava endereçada a ele, mas a segunda era para uma pessoa que nem Hemer nem o avô de Adrian viam nos últimos anos. Hemer colocou a segunda carta sobre a mesa e leu a que era para ele.

Seus olhos deslizavam pelas palavras escritas, voltando para ler novamente só para ter certeza de que tinha lido certo aqueles garranchos. Após a terceira vez que leu, tinha ficado claro que o conteúdo da carta era o que ele estava pensando mesmo. Hemer olhou para Adrian sentado de frente para ele. O garoto parecia querer fazer perguntas a ele. Perguntas que o avô não deve ter respondido, e que Hemer não poderia responder no momento.

- Me conte tudo que aconteceu. - Pediu Hemer abaixando a carta. - Me fale de tudo que viu hoje.

E Adrian o fez. Contou sobre um homem e uma mulher na trilha para a casa, descreveu aqueles que estavam na clareira e disse o nome daqueles que ouvira serem chamados.

A cada palavra que saia dos lábios do garoto, um novo peso era jogado sobre os ombros de Hemer. Sem que ele percebesse, novos acontecimentos estavam se preparando para abalar o mundo, e se o que estava na carta fosse verdade, o passado estava vindo cobrar seu preço.

- Eu farei o que seu avô me pediu. - Disse Hemer por fim, sentindo o peso da carta em seu colo. - A última caravana de comerciantes deve parti amanhã ou depois. Eu conheço o chefe deles, então possa ser que ele ajude.

- Obrigado, Tio - Disse Adrian dando um daqueles seus sorrisos fáceis.

Hemer percebeu que sentiria falta do garoto. De seu jeito inocente de ser sobre as coisas mais banais da civilização, mas também sentiria falta daquela semelhança que ele tinha com o pai. O físico praticamente igual ao de um guerreiro treinado. O cabelo negro, escuro como as penas de um corvo penteado para trás, preso por uma fina tira de couro. Mas seus olhos eram de sua mãe. Olhos grande de um verde escuro e belo, mas Hemer podia ver uma sombra naquele olhar. Algo que uma pessoa que não o conhecesse desde que nasceu não reconheceria.

- Você tem certeza disso, Adri? Você poderia ficar aqui.

Mas antes que Hemer terminasse de falar o garoto já balançava a cabeça em negativa.

- Meu avô disse que é necessário para meu futuro. - Ele então deu um daqueles sorrisos inocentes dos quais mostravam todos os dentes. - E eu também quero ver mais do mundo.

Hemer balançou a cabeça. Sim, ele era filho do pai dele. Suas motivações eram praticamente as mesmas, mas Hemer rezava para que seus destinos fossem diferentes.




18 Juin 2019 01:15:02 0 Rapport Incorporer 4
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