Aquilo que se quer Suivre l’histoire

camy Camy <3

[Todos os personagens pertencem à J. K. Rowling. Esta história faz parte da Copa dos Autores] A guerra acabou e todos os alunos voltaram para o oitavo ano em Hogwarts. Draco não aguentava mais todo mundo dando pitaco em sua vida, Hermione estava cansada da infantilidade alheia e Harry só queria entender o que estava acontecendo. Desde quando Draco Malfoy usava roupas trouxas em Hogwarts? Mais especificamente: por que ele estava usando uma saia?


Fanfiction Livres Déconseillé aux moins de 13 ans.

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O que querem por ele

Disclaimer: Harry Potter não me pertence. Todos os direitos autorais para J. K. Rowling e companhia.

Notas: Olá! Esta história faz parte da Copa dos Autores. Sem as notas, o capítulo tem pouco mais de 2.1k. Eu só quero dizer que esta história vai ser engraçadinha e bonitinha e que teremos de pouco a nenhum drama, okay? Este primeiro capítulo foi o pior deles, juro juradinho!

~~

Aquilo que se quer

1. O que querem por ele


Se alguém lhe perguntasse como chegou ao seu quarto, Draco não saberia responder. Passara a semana inteira em custódia no Ministério da Magia (ao menos não fora para Askaban), comendo pouco e bebendo muito café. Fora tratado como escória, aguentara xingamentos e até cuspidas em silêncio. Não havia muito o que pudesse dizer para se defender; a Marca Negra ficara à mostra o tempo todo, culpabilizando-o pela dor que causara.

Tivera certeza de que iria para Askaban. Pensara nas piores possibilidades: uma cela fria ao lado da de seu pai, apodrecendo por vinte ou cinquenta anos por ações das quais já se arrependera há muito tempo. Mesmo isso era melhor do que viver na Mansão com o Lorde das Trevas ainda vivo. Não havia mais Dementadores em Askaban, o pior que lhe aconteceria era violência de Aurores e privação de alimentos. Se comparasse isso ao terror diário de saber que seus pais poderiam ser mortos por sua culpa, de saber que ajudara a matar seus colegas de aula e professores… Bom, não havia como colocar as situações lado a lado. Se nada funcionasse, Draco ainda estaria vivo, sem precisar temer pela segurança dos que amava, sem precisar proteger sua mente com oclumência o tempo inteiro, sem precisar segurar as lágrimas de pavor toda vez que entrava na própria casa.

Fizera as pazes com a possibilidade de ser preso. Como poderia não ser? Depois de tudo que fizera… Qual não fora sua surpresa ao ver Potter defendê-lo? Potter e a sangue-ru- Não, Potter e Granger contaram sobre a vez que foram capturados. Eles não viam que Draco mentira para salvar a própria pele? Que mentira porque tinha medo demais de que eles morressem sem levar o Lorde das Trevas junto? Não fizera por coragem ou por “saber o que era certo”, como Granger dissera. Não, mentira porque não tivera outra opção, porque estivera apavorado e a única possibilidade de sobrevivência envolvia a vitória da Ordem da Fênix.

Mantivera-se quieto, porém, durante o julgamento. De novo, sua covardia e necessidade de sobrevivência o fizeram ficar em silêncio e agradecer pela chance de, talvez, não perder o resto de seus anos apodrecendo numa cela. Não se lembrava de muito depois disso. Sua sentença fora de serviços comunitários, regulamentação de feitiços e obrigatoriedade de frequência em Hogwarts. Não fazia sentido… “Você se aliou ao homem mais insano que já pisou na Inglaterra? Colocou Comensais da Morte dentro de Hogwarts e matou seu diretor? Parabéns! Aqui: receba essa oportunidade de terminar seus estudos!”. Draco não se opusera, claro.

A porta abriu e Narcissa entrou devagar. Ela trazia uma bandeja de chá quente e se sentou ao seu lado na cama. Potter falara por ela também, por incrível que isso pudesse parecer. Pelo visto, sua mãe o ajudara a escapar do Lorde das Trevas enquanto estavam na Floresta Proibida. Draco apostava o próprio braço que ela tampouco fizera isso por bravura ou por nobreza; assim como ele, Narcissa só quisera sobreviver e ficar ao lado dos que amava.

Por Lucius, entretanto, ninguém dissera nada. Draco não os culpava; estava surpreso que houvessem falado qualquer coisa por ele e sua mãe. Traumas com certeza mudam as pessoas; se seu eu de quinze anos soubesse que Potter deixara seu pai ir preso, mesmo podendo evitar isso, juraria ódio eterno a ele. Se bem se lembrava, havia feito exatamente isso.

— Draco?

Olhou para ela. Os cabelos de Narcissa estavam secos, sem brilho, presos num coque alto. Ela estava tão magra que quase parecia doente, mas seus olhos mantinham a mesma força de sempre. Nunca percebera o quanto sua mãe era forte até o momento em que a ouvira se esgueirar para dentro do seu quarto à noite, a fim de mantê-lo a salvo, depois de o próprio Lorde das Trevas dizer que Draco precisava de isolamento para pensar na missão que recebera.

— O pior já passou, meu amor. Eu conversei com seu pai antes que… Bom, antes de ele ter que ir.

A boca dela se comprimiu numa linha dura de desgosto. Depois de tudo… Como ela podia defendê-lo? Como podia ainda amar Lucius, mesmo sabendo o que ele fizera e do perigo em que os colocara? Era por causa de todas as ideologias distorcidas do pai, por causa de todo o seu fanatismo por costumes pelos quais Draco já não sentia nenhuma proximidade que eles estavam nessa bagunça.

Por que Narcissa ainda amava Lucius? Por causa dele, Draco precisara torturar outros Comensais da Morte, precisara assistir àquela cobra horrenda devorando uma professora de Hogwarts, tantas situações de medo, pavor e desespero… E, ainda assim, não conseguia odiá-lo por completo. Sentiu lágrimas em seus olhos e a mão de Narcissa parou em sua bochecha.

— Você é a nossa esperança agora, filho. Hogwarts não vai ser fácil. Este ano… Você precisa fazer relações. Eu sei que a vontade de manter a cabeça baixa vai ser grande, mas você não pode fazer isso.

Sentiu raiva, desespero, e as lágrimas caíram. “Você não pode” era uma das frases que mais ouvira na infância. “Draco, você deve fazer isso”, “Draco, não faça aquilo”, “Draco, Draco, Draco…”. Não queria mais! Não suportava mais a simples ideia de obedecer a uma ordem de seu pai, porque isso já o colocara em problemas demais. Não se importava com os contatos que faria, com a política dessa situação. Se seu choro não fosse tão sofrido, teria dito um palavão para a mãe.

— Eu sei que dói, meu filho. Se eu pudesse, não te pediria isso. Já pedimos tanto de você… Mas vai ser pior depois, Draco, se você não se impuser agora. As pessoas precisam ver que você está bem, que está forte, que ainda é um Malfoy.

— E se eu não quiser ser um Malfoy, mãe?

Ela largou a xícara de chá ao leu lado e usou as duas mãos para limpar o rosto do filho.

— Não diga besteiras. Nossa família é importante, Draco. Nós temos uma história cheia de vitórias, mas todos escolhem o lado errado às vezes. Esse último ano… Eu sei que vai parecer besteira, mas ele não era assim antes. Quando o Lorde ainda parecia humano, ele tinha um carisma… Os ideais dele iam ao encontro dos nossos, pareceu certo segui-lo, entende?

— Mãe, não. Não você, eu não consigo-

— Não vamos discutir políticas agora nem vou dizer que ele era uma boa pessoa. Só quero que você entenda que eu e seu pai não somos idiotas ou burros, meu filho. Se soubéssemos… Se houvesse a menor possibilidade de ele fazer o que fez com você…

E esse era todo o problema, não? Draco tinha certeza de que seus pais o protegeriam de qualquer forma, de que se colocariam contra quem fosse para vê-lo bem. Mas e as outras pessoas? E o terror que o Lorde das Trevas causara a tantas e tantas famílias? E os trouxas pendurados sobre a Copa Mundial de Quadribol? E toda a tortura e morte que Draco presenciara? O mundo não girava ao redor da sua família.

— Eu sei, mãe.

— Eu te amo tanto. Tanto, tanto…

Abraçou-a com toda a sua força. Também a amava, faria de tudo e mais um pouco para vê-la segura. Lembrou-se de quando tinha doze anos e fazia piadas com Potter por ele não ter mãe. Qual era a graça que via naquilo? Como pudera…? Odiou Lucius, odiou Narcissa e odiou a si mesmo por nunca ter conseguido sentir empatia pelos outros. De verdade, acreditara que, se Potter não tinha mãe, era porque merecia isso. Como chegara a esse raciocínio, Draco não lembrava, mas fizera sentido na época.

— Eu também te amo, mãe.

Ficaram um tempo assim, só os dois se abraçando. Narcissa se afastou e limpou as próprias lágrimas. Respirou fundo e segurou as mãos do filho.

— Você deve se aproximar de mais estudantes da Ravenclaw. É a casa mais propícia a aceitar amigos sonserinos, pelo menos no início. Sei que Blaise e Pansy são seus amigos, o que é muito bom, porque os dois foram neutros du-

— Mãe. Desculpa, eu só tô cansado. Eu não quero pensar nisso agora, okay? Eu só quero dormir, pode ser? Amanhã a gente conversa.

Ela não pareceu animada com a ideia, mas concordou. Draco pegou o chá que ela trouxera, ainda quente devido aos feitiços que a mãe usara, e tomou um gole. Nunca pensara que se sentiria tão bem por só estar ali, ao lado de Narcissa, bebendo chá.

— É estranho, não é?

— O quê?

— Não sentir medo — Narcissa respondeu. — Nós podemos beber o nosso chá, conversar hoje e amanhã e todos os dias até que você volte para a escola. Não há ninguém na casa além de nós dois, não há perigo do lado de fora da porta…

Draco concordou.

— Mas é um estranho muito bom.

Pela primeira vez, ela sorriu. Não pôde deixar de sorrir junto.

— Sim, meu amor, é um estranho muito bom.


~.~.~.~.~


Precisava espairecer antes que surtasse de verdade. Andou pelo jardim da Mansão sentindo raiva, ódio, ira. “Você deve fazer relações, Draco”. “Seu pai nos aconselhou a manter a cabeça erguida”. “É importante que você faça contatos agora. Drew Anderson é americano, Corvinal, e o pai dele tem vários contatos dentro do Ministério. Faça amizade com ele. O mesmo vale para Samantha Pride, da Sonserina. Ela está indo para seu quarto ano e pode ser uma possibilidade de casamento para mais tarde, se os Greengrass derem para trás”.

Não queria saber de casamento, contatos, relações. Não se importava menos com quem era pai de quem, com o que esperavam dele. Nunca se sentira tão sufocado antes. Não aguentava mais as mesmas paisagens, o mesmo ambiente, o mesmo discurso de quando tinha cinco anos. Passaram por uma guerra, caramba! Ele tivera que torturar, tivera que planejar o assassinato de Dumbledore, tivera que o ver morrendo! Não aguentava mais nada disso, não aguentava mais ser um Malfoy, não aguentava mais…

Aparatou direto na porta do Caldeirão Furado. Havia se esquecido de colocar uma capa que escondesse seu rosto, e várias pessoas se viraram para olhá-lo. Draco atravessou o bar com pressa, o coração acelerado. O Beco Diagonal estava o mesmo de sempre, e Draco se sentiu estranho. Era como se não pertencesse mais àquele lugar.

Algumas pessoas o olharam com desprezo, outras o ignoraram. Respirou pesado, imaginando uma horda de vítimas querendo arrancar sua pele, suas roupas, sua alma. Imaginou-se sendo atacado, sangue escorrendo pela pele. A qualquer momento, um estranho lhe lançaria um feitiço. Cruciatus… Quase ouvia a palavra.

Sua boca ficou seca e suor escorreu pela testa. Moveu as pernas por medo de ficar parado. O que estava fazendo ali? Deveria voltar para casa, para a Mansão. Deveria se esconder como o covarde que era.

Continuou andando. O medo do Beco Diagonal menor que o sufoco que sentia no lugar que chamava de casa. Ninguém o atacou, apesar de algumas pessoas parecerem dispostas.

Há quanto tempo Draco não andava pelo Beco Diagonal sem um objetivo em mente? Havia novas lojas. Depois da guerra, o comércio voltara a prosperar. Ainda se viam alguns panfletos roxos do Ministério da Magia, alguns prédios continuavam abandonados. O número de pedintes voltara a diminuir, porém. Pessoas vendendo amuletos de proteção tampouco perambulavam pelas calçadas.

A imagem de uma seria nadando lhe chamou a atenção. Apertou as mãos com força, suas unhas quase furando a pele. Estava em frente ao Tattoo Mermaid. Sem pensar no que fazia, entrou.

— Bom dia.

Quem estava atrás do balcão era um bruxo com sotaque francês. Ele lia uma revista bruxa; parecia estar fazendo um teste, porque marcava alguma coisa com o lápis nas páginas. Levou alguns momentos para que o olhasse, e Draco esperou que fosse mandado embora da loja a pontapés.

— Bom dia… — Draco respondeu.

— Vai querer o quê?

A pergunta rodou sua cabeça. O que ele queria? O que Draco Malfoy queria?

— Eu… Eu não sei.

O bruxo deu de ombros e voltou a ler sua revista.

— Quer fazer uma tatuagem ou dar de presente pra alguém?

Nada, desculpa incomodar. As palavras ficaram presas na ponta da sua língua. O que Draco queria?

— Eu quero fazer uma.

— Quantas já têm?

— Hm…

Apertou a manga do seu robe. Não queria responder a isso. Sua tatuagem não o orgulhava nem um pouco. E por que queria fazer uma tatuagem? Essa ideia era ridícula, deveria só ir embora.

Em vez disso, ficou. O bruxo francês o olhou de cima abaixo antes de dar de ombro.

— Vai querer tatuagem bruxa ou trouxa?

— Tatuagem trouxa?

— É. Desde o fim da guerra virou moda, acho que fiz umas cinco só essa semana. Elas não se mexem, sabe? Ficam paradas na pele, que nem as fotografias deles.

Quando o Lorde das Trevas ainda estava vivo, a cobra de sua Marca ficava deslizando em ciclos infinitos em seu braço. Graças a Deus ela não fazia mais isso; estava morta.

— Eu quero duas. Uma de cada.

O bruxo francês sorriu e, pela primeira vez em bastante tempo, Draco se viu sorrindo também.

11 Juin 2019 23:23:04 0 Rapport Incorporer 19
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