Inverno Russo Suivre l’histoire

alicealamo Alice Alamo

Era a Rússia, o imenso e nunca conquistado Império Russo, com seus Czares, palácios, bailes. Era a Rússia e o sonho de conquistá-la ao lado do verdadeiro grande Imperador de toda a Europa, Napoleão. Mas o sonho esfriava, tal qual o inverno, e a cada floco de neve que caía sobre sua cabeça, seus sonhos e suas esperanças eram enterrados ainda mais fundo.


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Avante


Sentia que era o momento.

O momento de fugir.

Seu comandante gritava alguma coisa sobre as tropas russas, mas ele não queria mais escutar nada nem ninguém. “Que se danem os russos!”, Leon pensava, mas não era o que de fato acreditava em seu íntimo. A fome o fazia refém, a falta de comida o assolava de tal forma que nem mesmo os discursos do grande Imperador Napoleão lhe davam coragem.

Era a Rússia, o imensa e nunca conquistado Império Russo, com seus Czares, palácios, bailes. Era a Rússia e o sonho de conquistá-la ao lado do verdadeiro grande Imperador de toda a Europa, Napoleão. Mas o sonho esfriava, tal qual o inverno, e a cada floco de neve que caía sobre sua cabeça, seus sonhos e suas esperanças eram enterrados ainda mais fundo.

Sonhava antes com riqueza, com glória, com as mulheres que teria em sua cama, com os soldados que foderia escondido usando a desculpa do calor do momento. Sonhava com um futuro. Agora, a cada passo em frente, queria o passado. Seus sonhos substituíram a riqueza por um simples pedaço de pão, velho que fosse!, mas algo que forrasse o estômago e o mantivesse de pé. A glória nada mais era quando já não encontrava em si a própria dignidade. Mulheres e homens, mataria todos por uma manta aquecida, por uma sopa, por uma lareira onde pudesse reviver seu espírito.

Queria a França! Bastava a França!

Mas Napoleão não desistia, desfilava com seu cavalo pelo acampamento, traçava planos com seus generais, discutia baixo. Os soldados reclamavam, morriam. A neve a colecionar já seus bons centímetros enterrava mais de um a cada dia. A marcha era fúnebre... um pobre coitado começava a ficar para trás, os músculos não respondia, a esperança já não supria a falta de energia. O cérebro desligava lentamente, o frio tão intenso que já não era mais sentido, como se Deus fosse bom o bastante para aquele pequeno gesto de misericórdia antes que o corpo caísse na neve e de lá não mais se erguesse.

Leon riu, o riso dos desesperados que vê na morte do amigo querido a sua própria e não sabe se vale a pena continuar a marchar ou sentar à espera da inevitável morte. A mão esquerda já não existia, amputada, e ele mordeu o lábio com força ao perceber que tudo bem: ela não era mais necessária. Que filhos ele levaria ao colo? Que amante ele tocaria? Que arma seguraria? Nada disso é permitido aos mortos.

“Levante-se, homem”, alguém tenta ajudá-lo.

“Levante-se, homem”, ele havia dito as mesmas palavras no dia anterior para o amigo morto ao seu lado. E do que adiantara?

O puxão o fez se por de pé, os olhos à frente, sempre no horizonte branco e deserto. Não havia esperança, ele bem sabia. Os campos queimados por onde passavam mostrava a genialidade do plano russo, eles os tinham deixado para morrer de frio e de fome, ganhariam a batalha sem disparar um único tiro… que ironia era sentir falta dos tiros, das trincheiras… que ironia desejar estar morto apenas para não continuar naquele maldito inverno...

24 Mai 2019 01:49:32 0 Rapport Incorporer 3
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