Letras dançantes Suivre l’histoire

xhasashi

Enquanto voltava do trabalho, Mito ouviu uma melodia vinda de uma loja de instrumentos; ficou tão encantada que acabou sendo atraída para dentro. Aquela pequena atitude fez com que conhecesse Hashirama. A partir daquele momento, a vida dos dois iria mudar.


Fanfiction Anime/Manga Tout public.

#universo-alternativo #Mito-Uzumaki #Hashirama-Senju #fns #naruto #hashimito
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Capítulo único

Minhas mãos e braços sempre viviam cheios de bolsas, papéis e materiais de papelaria, ás vezes me questionava em como a minha vida podia ser tão corrida por causa do meu trabalho, aliás, posso dizer que isso é vida? Via minha irmã mais nova em um relacionamento, meu primo quase casado e eu sequer com tempo para pensar em alguém; não que fosse por falta de esforço ou querer, só não conseguia encaixar em minha agenda um possível tempo livre para um encontro.

Aliás, em qualquer evento social que fosse, minha família reclamava a respeito das minhas ausências, meus amigos diziam que eu vivia para trabalhar...e eu não negava, inclusive, tentava ajeitar uma brecha que fosse para dar conta de lidar com tudo, mas nem sempre consigo.

E agora eu estava de férias de meio de ano. Um mês que poderia tentar ser um pouco mais presente em tudo que quisesse.

Meu expedientejá haviapassado, voltava para minha casa com meu coração cheio de saudade e amor, definitivamente sentiria faltados meus pequenos. Enquanto caminhava,uma melodia vinda de uma loja de instrumentos me chamou a atenção, tive que parar para olhar dentro do vidro para tentar encontrar quem a tocava.

A música me envolvia a cada vez mais, e meus pés pareceram me levar para dentro daquele lugar, provavelmente em dias normais talvez nunca entraria ali...mas….

Por alguma razão, entrei ali.

Ao fundo, vi um homem de blusa vermelha, seus cabelos eram compridos, sua feição estava serena e parecia atento ao que fazia.

Ele era tão...bonito.

Fiquei por alguns minutos o encarando, como um marinheiro preso em um canto de uma sereia.

Estavatão distraída que mal pude perceber quando a melodia findou e ele passou a vir em minha direção.

– Me desculpe, estáaí a muito tempo? - Fiquei mais alguns segundos o encarando, sem dizer nada. - Posso te ajudar em algo? - Perguntou novamente, com um dos sorrisos mais bonitos que já havia visto. – Me deixe ajudar com isso! – Pegou minhas bolsas, colocando em cima do balcão.

– Obrigado e me desculpe... fui atraída pela música que você estava tocando e acabei entrando. - Confessei. - Na verdade, dificilmente entro em lojas de instrumentos, não entendo muito sobre eles.

– Bom…- Ele arrumou os cabelos, sem jeito. - Obrigado.

– Que música é essa? Pode me passar o nome?

– Ela não tem nome, pelo menos, nunca coloquei um.- Franzi o cenho. – Eu que fiz.

– Parabéns, você tem talento. – Kami-Sama, que sorriso bonito que ele abriu…

– Você é muito gentil. - Disse, me olhando. – Eu um dia estava tocando e essa melodia veio em minha cabeça... só toquei.

– E você já fez uma letra para ela?

– Não...

- Por que não? Por que não escreve algo?

Nesse momento vi um homem, daquele tamanho todo ficar sem jeito tal como meus alunos do segundo ano quando fazem alguma peripécia ou estão com medo de dizer algo. Cogitei insistir para que me dissesse, mas tive receio de ofendê-lo em algo.

Ouvi uma respiração mais longa, seus olhos fecharam e ele olhou para o teto...como se tentasse ter coragem para dizer algo.

– Eu...não sei... - Respondeu, timidamente a primeiro momento. Depois, suspirou, indicando que continuaria a frase. - Escrever.

Provavelmente quis esconder minha cara de descrença, ou quem sabe, preocupação; e nesse instante, tudo que sempre disse para meus colegas de profissão veio a tona: Existem talentos e inteligências distintas.

– Você deve estar me achando burro ou algo do tipo…- Me tirou dos pensamentos quando falou. – Não é que não sei, só é... difícil…

– Não estou te achando burro. - Falei, com sinceridade. - Olha, eu sou professora... já dei aula para adultos e...se quiser...eu posso te ajudar com isso. - Onde você está com a cabeça, Mito Uzumaki? E se ele se sentisse ofendido?

Havia me arrependido por meu convite, até ele se livrar do semblante constrangido e dar lugar a um sorriso genuíno.

– Você...faria isso? - Perguntou, e quase ri do seu entusiasmo. – Eu...sempre quis aprender...mas tenho medo de incomodar os professores com a minha burrice.

– A primeira aula começa agora, e ela é sobre você parar de se ofender dessa forma. – Coloquei as mãos em minha cintura, e ele riu.

– Está bem, me desculpe, professora. – Sorriu, e eu me dei conta de algo...

– Me perdoe,não me apresentei...me chamo Mito. - Estendi as mãos, e ele a pegou, apertando em seguida.

- Hashirama, professora. - Sorriu para mim, e eu tive certeza que valeu a pena ter entrado naquela loja. – Serei o seu aluno mais dedicado!


x


Os primeiro dias foram difíceis, principalmente por Hashirama evitar ler ou fazer qualquer coisa que eu pedia, nossas três primeiras aulas foiapenas para fazê-lo entender que não iria julgá-lo por suas dificuldades. Eu acabava rindo por sua birra e teimosia, às vezes pareia que estava lidando com meus alunos menores.

No quarto dia, ele se sentia mais à vontade e foi aí que eu compreendi algumas coisas…

– Hashirama, leia isso aqui para mim? – Coloquei em frente a eleuma letra de uma música e recebi uma careta em troca.

– Ah, droga. – Colocou um óculos, olhando para o papel novamente. – Eu...não consigo.

– Por que? Mas você havia me dito que sabia identificar as sílabas e as letras! - Olhei confusa, e ele suspirou.

– E eu sei, mas as linhas, tudo isso...– Respirou fundo, frustrado. – Elas...estão bagunçadas!

– Como bagunçadas? – Franzi o cenho, olhando para o papel novamente tentando compreender a fala dele.

– Mito, elas estão... dançando. – Kami-Sama, será que…

Tudo havia feito sentido.

Passei a ligar algumas situações a outras, como por exemplo: A sua desatenção, a ausência de organização em suas coisas, sua letra tão diferente, o escrever espelhado…

Me levantei, estendendo a mão para ele, que apesar de me olhar desconfiado, fez o que eu havia deixado subentendido. Coloquei suas mãos em minha cinturae o abracei, como em uma dança. Passei a murmurar uma música do Elvis e balançar meu corpo para os lados, e então ele me acompanhou.

Apesar de estar confuso, Hashirama sorria curioso tentando entender o que eu estava fazendo.

– Além de me ensinar a escrever, você vai me ajudar a dançar melhor? - Acabei rindo, mas respirei algumas vezes pensando em como poderia dar a notícia.

– Isso é dançar, Hashirama…- Comecei, falando em meu tom mais ameno possível. – Se meus palpites estiverem corretos, você é disléxico.


x


- Ah, eu não consigo! - Estávamos na quarta semana e ele reclamava constantemente de tudo, principalmente quando eu insistia para que olhasse as horas em um relógio. - Você tem certeza que esse negócio...essa tal de...dislexia, não é contagiosa? E nem mata?

- Não, Hashirama. - Respondia sempre rindo, achava realmente uma gracinha esse jeito preocupado que ele tinha.

Nós havíamos nos aproximado muito, desde que descobri sua condição, tratei de buscar algumas soluções de inúmeros profissionais; eu o indiquei para psicólogos, neuros, psicopedagogos e meu aluno aceitou de muito bom grado, apesar de sempre dar um jeito de questionar as coisas que eu dizia.

Era um homem dos seus quase 30 anos e, ainda sim, agia da mesma forma dos meus alunos de segundo ano: Completamente teimoso.

- Você consegue sim, sei que é capaz. - Era minha resposta padrão para todas as suas inseguranças.

- Diz isso por ser a minha professora. - Revirei os olhos, mas ri em seguida.

- Já tive alunos em sua condição e eles aprenderam a ler e escrever, acontecerá a mesma coisa com você, Hashirama.

-Como pode ter tanta certeza? - Rikudou, que homem teimoso!

- Por que sou a sua professora.

- É um bom ponto. - Parou de me encarar e passou a olhar novamente no relógio na parede, que até então, era apenas um enfeite. - Agora são...duas e vinte quatro da tarde?

- Na verdade são duas e meia, mas você está chegando lá. - Passei a mão em seu ombro, recebendo um sorriso bonito em troca.


x


Os dias foram se estendendo, assim como a amizade o laço que nós dois passamos a desenvolver; durante a semana nós nos víamos para que eu o ajudasse a estudar e, aos finais de semana, passei a ficar em sua loja o ouvindo tocar ou construir algum instrumento sob-encomenda enquanto corrigia provas, trabalhos ou preparava alguma atividade para meus alunos.

Hashirama era a prova viva de que nós temos todos os tipos de inteligência, que não apenas leitura, escrita e matemática deveriam ser levadas em conta.

De toda forma, era mais um final de semana ensolarado que nós dois ficávamos sentados a beira da praia tomando um sorvete; eu o ouvia tocar as suas canções preferidas, o som do violão me trazia uma paz que eu desconhecia até conhecê-lo.

Minhas férias já haviam ido embora a quase um mês, porém, eu mantinhao meu ritual de ir ajudá-lo com suas aflições em relação a sua condição.

Nós éramos assim, saiamos para algum lugar e depois estudávamos mais um pouco; devido a situação, não gostava de forçá-lo a fazer nada, deixava que as coisas seguissem o seu curso, tudo em seu tempo e hora; queria que de alguma forma, ler e estudar não fosse uma completa tragédia ou algo traumático para ele.

Quando retornamos a sua loja, fiquei surpresa ao vê-lo um pouco mais empolgado pegando os livros e cadernos que ficavam guardados em sua mesa. Era possível ver os quadros que fizemos, as pequenas combinações de músicas, sons e letras que produzimos ao longo das semanas.

Flo-res, A-ba-ca-xi...– Ele lia, pausadamente e com uma certa dificuldade. Às vezes demonstrava um pouco de frustração.

– Você está indo bem. – Respondi, verdadeiramente, recebendo um sorriso em troca. – Olha, você precisa treinar a sua caligrafia…- Hashirama me olhou feio, e então eu gargalhei. - Olha, não me faz essa cara!

– Eu odeio esse maldito caderno! - Revirou os olhos, e eu ri ainda mais.

Peguei o caderno, fazendo pequenas letras…P e B, B e D, mais algumas frases que eu precisava que ele lesse para mim.

– Eu só não jogo essa porcaria de caderno pela janela por gostar muito de você, professora! - Revirou os olhos, e eu fiz um leve carinho em seu braço.

– Vai valer a pena, prometo! - Hashirama apenas assentiu, e eu sorri.


x


Primavera, seja bem-vinda!

Olhar ao redor e ver flores tão belas, o clima gostoso e ameno, as pessoas nas ruas me fazia sorrir sozinha.Entretanto, apenas uma coisa estava em minha cabeça: Hashirama.

Nós não nos víamos a um mês, um dia ele me ligou dispensando “minhas aulas”, alegou que precisava de um tempo para cuidar de algumas coisas e isso me preocupou;a oito meses iniciamos aquela rotina de estudarmos juntos, fiquei encarregada de ajudá-lo com suas dificuldades e adaptação sobre seu transtorno recém descoberto.

Às vezes ria sozinha ao me lembrar dele perguntando três vezes ao dia se a tal da dislexia não era contagiosa;

Passei algumas vezes em frente a sua loja, quis entrar para cumprimentá-lo ou quem sabe, chamá-lo para tomar um café e acabava deixando para lá, não queria atrapalhar o seu tempo e muito menos parecer insistente.

A questão é que acredito em destino e exatamente hoje, quando passei por seu lugar de trabalho, ouvi a mesma melodia que me chamou atenção a primeira vez; provavelmente isso era um sinal de que eu devia deixar de lado meus receios.

E assim o fiz, sem pensar nas consequências dos meus atos ou se isso iria magoá-lo de alguma forma.

O sinal de que alguém havia entrado tocou, a música parou e ele veio caminhando dos fundos até onde eu estava; assim que me viu, pareceu surpreso, mas como sempre: Pegou meus materiais em silêncio, deixou em cima do balcão e depois me deu um abraço apertado.

– Oi, Mito! - Eu admito que senti saudades do abraço gostoso que ele tem. Gostoso e aconchegante.

–Te atrapalho? - Me separei, mantendo meus olhos fixos em seu rosto.

– Jamais! - Respondeu, alegremente. – Na verdade, eu estava prestes a te ligar.

– Sério? - Aquilo definitivamente deixou meu dia ainda mais feliz. – Eu estava passando e ouvi a música, acabei sendo atraída por ela. - Sorri. - De novo.

– É exatamente sobre ela que quero falar, espere um pouco. - Foi para os fundos da loja e pegou um papel em sua mesa. Voltou novamente, parou em minha frente e estendeu um papel. - Lembra quando te disse que não conseguia escrever uma letra para essa melodia?

– Sim, eu me lembro.

– Essa é a letra da música, Mito. Eu consegui.

Eu não conseguia esboçar nenhuma palavra, apenas olhei para o papel e me emocionei; aquela era a letra dele, ainda “estranha”, mas era de Hashirama. Foi ele que construiu as frases, rimas e toda aquela mensagem incrível.

– Hashirama eu…- Não consegui dizer mais nada, apenas o abracei.


x


A vida de fato é uma caixa de surpresas, às vezes amargas como limão e outras doce como um chocolate. Nunca pensei que minha profissão traria tantos frutos incríveis, claro que o amor e carinho de meus alunos me sustenta em momentos de desânimo ou tristeza.Já pensei em desistir por várias razões e percebo que nesse aspecto, sou uma enorme covarde.

Acabo encontrando forças de algum jeito ou outro para seguir em frente, dando o melhor de mim para esses pequenos seres que dependem de mim.

Ser professora às vezes é penoso e angustiante, dificilmente não me envolvo sentimentalmente em algum caso ou realidade de meus alunos, têm situações que quero sair correndo e me esconder como uma criança com medo porque a carga é pesada demais. Porém, quando escolhi fazer isso para o resto de minha vida, aceitei de bom grado o desafio por saber que sou forte e capaz, e principalmente, por entender que ensinar é algo incrível e arrebatador.

A docência me trouxe muitas coisas boas, me ensinou lições e me tornou alguém mais humana...e agora, três anos depois, percebi que ela me deu outra coisa maravilhosa: Um amor e um companheiro.

Desde a música que Hashirama fez naquela semana, nós passamos a nos ver com mais frequência e isso ocasionou em uma relação além da amizade. Claro que eu sabia muito bem o que sentia por ele, esse homem transborda doçura, inteligência e me encanta de uma maneira que nenhuma outra pessoa fez.

Depois daquela canção, ganhei outras durante esse tempo de relacionamento; assim como poemas e outros textos que ele faz questão de deixar em qualquer lugar que eu possa ver.

Hashirama pegou gosto pela escrita e leitura, sempre faz de tudo para se empenhar em melhorar cada vez maisa sua condição eisso me deixa cada vez mais orgulhosa.

No começo, reclamei por várias vezes que a minha rotina era cansativa e, por uma ironia da vida, foi exatamente ela que me deu um dos maiores presentes de minha vida:

O meu marido.

23 Mai 2019 02:32:55 1 Rapport Incorporer 120
La fin

A propos de l’auteur

Hasashi Rafaela Faço estágio de Scorpion nas horas vagas, principalmente quando Plano Terreno precisa de salvação. Tenho sangue Uzumaki e dou aula de como lidar com Senju Cretino, interessados chamar no probleminha. Apaixonada por Mortal Kombat e a mama da igreja HashiMito.

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Felipe Mukuro Felipe Mukuro
Olá Rafa, tudo bem? Bom, confesso que como minha primeira história lida nessa plataforma, simplesmente adorei, extremamente cativante e simples, gostosa e envolvente, você soube muito bem valorizar esse Hashirama que mesmo tão forte, é doce, inteligente e ingênuo de uma maneira agradável, expondo bem esse dilema da dislexia que muitos têm e pouco se ouve falar. A Mito também estava fantástica, retratando as durezas e recompensas da vida de professor e mano, essa abordagem musical e diferente foi apaixonante, muito bom mesmo, assim funcionam nossos talentos que nos compensam por um lado e nos faz mais humanos por outro. Ótima escrita, você também soube encerrar muito bem e me fazendo lembrar com carinho desse casal que propriamente originou Konoha e muitas vezes esquecido, a brilhante Mito a surgir outra vez. Excelente flor, já tem mais um fã por aqui! Abraços! :)
14 Juillet 2019 07:07:04
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