Rivera - Depois da Ruína Suivre l'histoire

A
Ana Luiza Ferreira


Cada um tem sua história do que estava fazendo quando tudo começou. Sue, com recém completos 12 anos, assistia distraída à uma aula de geografia quando sua escola foi esvaziada às pressas. O pânico a dominou quando viu pessoas desconhecidas vestidas de branco com máscaras de proteção pedindo para que tudo fosse fechado e que providenciassem a ida em segurança de todos para suas casas. Felizmente Ivan, seu irmão, estava lá para segurar sua mão, e Sue agradeceu por ele ainda estar em seu último ano. Dali para a frente, as coisas não melhoraram. Em todos os canais de televisão, a todas as horas do dia, falava-se sobre o possível vírus que tinha se proliferado. Foi uma pandemia. A morte devastou cidade por cidade, milhares de vítimas em todo o mundo. Sue chorava em seu quarto. Era pequena, inocente e fraca. A ideia de perder seus pais e todas as pessoas que conhecia faziam seu coração doer. Mas todas as noites, antes de dormir, sua mãe a abraçava e dizia que tudo ficaria bem. Era assim que ela caía no sono, noite após noite. Uma hora tudo passaria, repetia a si mesma. Logo voltaria a ir para fora, estudar, rever seus colegas e brincar. Mas não passou.


Post-apocalyptique Déconseillé aux moins de 13 ans.

#mulherforte #destruição #virus #abrigo #ruina #suspense #misterio #posapocalipctico
0
496 VUES
En cours - Nouveau chapitre Tous les mercredis
temps de lecture
AA Partager

Prólogo

Cada um tem sua história do que estava fazendo quando tudo começou. Sue, com recém completos 12 anos, assistia distraída à uma aula de geografia quando sua escola foi esvaziada às pressas. O pânico a dominou quando viu pessoas desconhecidas vestidas de branco com máscaras de proteção pedindo para que tudo fosse fechado e que providenciassem a ida em segurança de todos para suas casas. Felizmente Ivan, seu irmão, estava lá para segurar sua mão, e Sue agradeceu por ele ainda estar em seu último ano.

Dali para a frente, as coisas não melhoraram.

Em todos os canais de televisão, a todas as horas do dia, falava-se sobre o possível vírus que tinha se proliferado. Foi uma pandemia. A morte devastou cidade por cidade, milhares de vítimas em todo o mundo. Sue chorava em seu quarto. Era pequena, inocente e fraca. A ideia de perder seus pais e todas as pessoas que conhecia faziam seu coração doer. Mas todas as noites, antes de dormir, sua mãe a abraçava e dizia que tudo ficaria bem. Era assim que ela caía no sono, noite após noite. Uma hora tudo passaria, repetia a si mesma. Logo voltaria a ir para fora, estudar, rever seus colegas e brincar.

Mas não passou.

Todo dia os Rivera ligavam a TV apenas para presenciar mais desgraça. Nenhuma boa nova. A doença tomou tanta proporção, espalhou-se pelo mundo inteiro em questão de meses, que a pobre Sue pensava se isso não seria um castigo. Que Deus, seja lá quem Ele for, não estava contente com suas existências.

“Somos pessoas muito boas, minha filha – dia seu pai -, não se preocupe. Vai ficar tudo bem.”

Ivan prostrava-se em frente à televisão o dia inteiro. Tinha esperança nos olhos. Esperança de que um dia alguma notícia boa pudesse vir à tona.

E um dia, veio.

O governo, como disseram, estava cansado de olhar seu povo sendo dizimado, mas até ser descoberto um meio de erradicar tal vírus, eles iam salvar o máximo de pessoas que conseguissem. Sue sorria para a TV, depois para seus pais, e dizia que tudo ficaria bem. Até ouvir o arremate que a destruiu; “Todos os indivíduos menores de 18 anos devem apresentar-se em 3 dias na estação de trem do Setor 78. Vamos tirar seus filhos daqui. Os jovens são nossa maior esperança”.

A garota chorava como se tudo estivesse perdido para ela. Sentia que era um absurdo o que eles queriam fazer, tirar filhos de seus pais.

Mas sua mãe sentou-se ao seu lado quando o dia chegou. Prometeu, segurando suas mãos entre as dela, que ela a veria de novo. Uma promessa que no fundo não sabia se poderia cumprir.

Sue secou as lágrimas, mostrando-se forte para os pais que tanto amava. Sabia que tinha que ir. No fundo, sabia sim. Pegou a mão de seu irmão e foi.

Sue entrou naquele trem com Ivan. Seus olhos ardiam de tanto chorar, e ela não sentia que mais lágrimas poderiam sair. Ele a dizia para ser forte, e repetia quantas vezes precisasse. Sabia que a irmã via em seus olhos o quanto estava abalado, mas ela, por sua vez, sabia que estava presenciando, nesse dia, seu lado mais maduro.

As coisas pareciam ter se acalmado naquele vagão. Estavam sendo levados para um lugar distante da metrópole em que costumavam viver. Um lugar onde a proliferação do vírus era menos propícia. Andaram por um dia inteiro naquele trem, até o cair da noite, quando pararam bruscamente. Sue, cochilando apoiada na porta de ferro, acordou com a freada brusca.

- Por que paramos?

- Não deve ser nada. - Ao olhar pela janela, seu irmão não via nada, exceto pelo completo breu.

Uma batida distante nas paredes do trem fez os passageiros se agitarem.

- Vêm de fora. – Alguém cochichou ao lado dos dois. Sue estava com os olhos arregalados, e seu irmão não escondia o medo.

Outra batida, mais perto, e pequenos gritos cortaram o vagão. Outra batida, após outra.

Os gritos tornaram-se mudos quando as portas do trem se abriram. Via-se choque nos olhos de cada um, sem sequer uma luz para iluminá-los. A voz assustada e esganiçada de uma mulher nos auto falantes manda todos se dispersarem e procurarem abrigo, dando início a um caos descomunal.

Ivan levantou, com agilidade, e puxou sua irmã consigo, evitando que fossem pisoteados. Ele achava que estava controlado, até ouvir tiros. Sua vontade era puxá-la para seu colo e correr o mais longe possível dali, mas ela já não era mais o bebê que fora. Ele tinha que se contentar com a corrida em seu ritmo.

Sue reencontrara suas lágrimas, e corria ao encalço do irmão, confiando plenamente nele. Não queria saber de onde vinham os tiros que continuava a ouvir, não queria olhar para trás e procurar pelos donos dos gritos.

Ivan para bruscamente, e quase faz com que a irmã bata em suas costas. Ele faz uma curva brusca a sua esquerda, e ela entende o que viu; uma raiz de árvore grande o suficiente para cobri-los. É ali que ficariam, escondidos pelos cipós até terem certeza de estarem seguros.

Os primeiros raios de sol do dia já começavam a despontar no horizonte quando os tiros e gritos se distanciaram.

- Vou ver se podemos voltar agora. – Ivan sussurra para a irmã, agarrada ao seu braço.

- Me deixe ir com você.

- Claro que não! Se tudo estiver bem, volto para te buscar.

- Não quero ficar sozinha... – Ela não queria deixar o irmão sozinho.

Ele se frustra com ela por um segundo, mas entende. Dá um beijo em sua testa, e sai do pequeno esconderijo em que passaram silenciosos minutos.

- Não saia daqui.

Sue estava vivendo um momento de completo desespero. Ainda estava escuro, e ela não ouvia um som sequer. À sua frente, via uma chuva rala cair e sentia frio.

Um grito de dor seguido de um baque faz com que ela saia de seu momento de transe. Ivan. A garota não pensou duas vezes. Pulou as raízes de árvore e seguiu o som.

A alguns metros a sua frente, duas figuras mascaradas apontavam armas para seu irmão, caído no chão.

Sue involuntariamente solta um grito. Ambos os três olham para ela, e ela olha dentro dos olhos arregalados de Ivan.

- Corra! – É o que lê seus lábios dizerem. Uma das figuras corre atrás dela, enquanto a outra impede seu irmão de ajudá-la.

Sue estava desamparada. Correndo escuridão a dentro, quando o que queria mesmo era sentar no chão ao lado de seu irmão e deixar que isso tudo acabasse. Não reconhecia mais sua vida.

Agora, escondida novamente sob as raízes de árvore, quase sem respirar, viu seu perseguidor passar a sua frente. Ela não deixara rastros. Sentiu o coração saltar de adrenalina em seu peito.

Poderiam ter se passado horas. O dia já nascera, e ela não sabia como manteve-se ali. Estava em choque. Os últimos dias foram marcas em sua vida que ela gostaria de apagar.

Uma mulher, loira, com olhos verdes escuros ajoelhou-se ao seu lado, finalmente.

- Venha comigo, criança. Vamos pra casa.

Ela não resistiu. Não sabia mais onde era sua casa.

Sue foi levada de volta ao trem, com menos da metade das crianças que originalmente estiveram lá. Sem seu irmão.

A viagem não tardara a acabar. Foram levados para um tipo de abrigo subterrâneo. Tinha estoque de comida. Foi prometido a ela segurança. Era ali onde sua vida recomeçaria, mas por baixo de todo o sofrimento, a esperança de rever sua família brilhava dentro dela.

18 Avril 2019 00:23:20 0 Rapport Incorporer 0
Lire le chapitre suivant Sete anos se passaram

Commentez quelque chose

Publier!
Il n'y a aucun commentaire pour le moment. Soyez le premier à donner votre avis!
~

Comment se passe votre lecture?

Il reste encore 4 chapitres restants de cette histoire.
Pour continuer votre lecture, veuillez vous connecter ou créer un compte. Gratuitement!