O Que O Tempo Levou Suivre l’histoire

julliwayne Julli Wayne

Bethany, uma garota de vinte e cinco anos, vive a pior fase de sua vida. Com uma relação mal acabada, e muitas feridas em sua alma, Bethany vive um dia após o outro de forma automática, tentando entender o curso daquilo tudo. Mas tudo muda quando, por ironia do destino, Luiz ressurge, e abre feridas novamente.


Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans.

#brasil #conto #amor #drama
Histoire courte
0
3.7k VUES
Terminé
temps de lecture
AA Partager

...

Bethany estava parada à beira da praia naquele fim de tarde. Já havia se tornado um ritual para ela, passar por ali, nem que fosse vinte minutos.

Muitas das vezes ela presenciava o pôr do sol, e se segurava para que suas lágrimas não se fossem com ele.

Quando estava chovendo, Bethany caminhava pela areia e deixava que a chuva lavasse sua angustia.

Pena que ela nunca saía.

Mais uma vez, sozinha, ela voltava para casa. Sempre fazendo o mesmo caminho, pois tinha esperanças que o encontrasse por ali.

Bethany vivia sozinha naquela cidade litorânea.

Toda a sua família tinha se mudado com o tempo. Estavam vivendo no centro caótico de São Paulo; porém ela não conseguia se desprender do lugar, muito menos das lembranças.

Toda vez que alguém a ligava, dava as mesmas desculpas para que não saísse dali.

Em sua escala de problemas, o pior seria tentar viver em outro lugar, ou estar em outro lugar que não fosse ali.

Mas como ela teria certeza, se nunca saiu da cidade, depois que ele se foi?


Chegando em sua casa, ela se alegra ao ver Susy, sua cadela, que tratava como filha.

Não passou muito tempo brincando com Susy, logo seu telefone começou a tocar.

Ela ignorou, até que a ligação caísse.

Ela sorriu, e logo pensou "deve ter desistido"; porém, trinta segundos depois seu telefone voltou a tocar, até que ela se deu por vencida, e o atendeu.

– Alô? – Ela pergunta, com um tom impaciente.

– Oi filha, que bom que atendeu. Estou com muitas saudades! —Ela faz uma pequena pausa — Vai vir para cá, nesse final de semana?

– Não sei, noventa e cinco por cento que não. – Fala, já se arrependendo de ter atendido o bendito telefone.

– Bom, eu tenho algo muito ... Importante para te falar e, ia precisar de você aqui comigo.

– Mãe, não posso ir, ok?! Tchau.

E ela desliga o telefone, sem dar a oportunidade de sua mãe se despedir.

Já estava cansada de sua família viver tentando tirá-la dali.



Mais um dia se passava, e Bethany estava na praia depois do trabalho, sentada, vendo o pôr do sol.

Hoje tinha chegado mais cedo, pois conseguiu sair do escritório uns minutos antes.

Aquele lugar lhe causava dor, mas ao mesmo tempo felicidade a ela; era ali que os dois se encontravam, faziam planos.

– Imaginei que a encontraria aqui. – Ela escutou aquela voz, que há muito tempo vinha lhe fazendo falta.

Apesar de estar se preparando para isso há muito tempo, agora que havia chegado o momento, ela não fazia ideia do que fazer.

– Olá Luíz. – E não conseguiu falar mais nada, pois sua voz começava já a se carregar pelo choro.

E ele não tinha mudado muita coisa.

Seu cabelo continuava bagunçado, como se quisesse dizer "o que estou fazendo aqui"; estava mais encorpado do que a última vez, e seus olhos castanhos estavam perdidos.

Beth estava reprimindo a vontade de chorar; como se a avalanche estivesse realmente a atingindo naquele momento.

– O que você está fazendo aqui, Luíz. Por quê?

– Vim te ver. Sua mãe me pediu.

Beth sorriu, em meio as lágrimas. Era muito bom pra ser verdade, ele vir atrás dela.

Naquele momento, ela se sentiu uma completa idiota por acreditar que ele viria atrás dela por vontade própria.

– Beth, vamos conversar em outro lugar; aqui não é apropriado.

– Pra você é Bethany. – Ela puxa o ar, lentamente, e depois o solta – E pode falar o que quer, aqui mesmo. Ela adiantou algo para você?

– Não, eu a encontrei, em São Paulo, e ela me disse que você estaria aqui, e seria bom se eu viesse resolver ... tudo.

– Que bom. Vejo que não sente nenhum arrependimento por ter me deixado aqui, sumir e não se despedir, e eu ficar sabendo através da sua irmã.

– Me desculpa, eu não queria fazer aquilo mas... foi preciso, entenda por favor!

– Cala a sua boca! – Beth pausa, para controlar sua voz, que queria gritar tudo que a oprimia esse tempo todo – Você não tem ideia do que eu passei, você não tem ideia do que eu enfrentei; guarde suas desculpas no fundo do seu estômago, se for possível.

– Já faz dois anos, Bethany. Você deveria ter superado.

– Como vou superar, Luíz; me diz como! – ela o olha pelo canto dos olhos, e o vê encarando o chão – Você se foi há dois anos! Não me deu notícias, levou minha alegria com você, levou todo o meu planejamento de futuro. Você levou minha dedicação, minha vida!

– Você está exagerando.

– Exagerando? – Ela ri, sem humor – Você sumiu, quinze dias antes do nosso casamento. Eu me sentia uma idiota, toda vez que ligava para os convidados, avisando do cancelamento. E fiquei remoendo toda a nossa história, procurando o que estava errado, para que você fugisse daquela forma, sem avisar ninguém – ela para de falar, para controlar sua respiração, e voz – e depois de dois meses, descobri que estava grávida – suas lágrimas, voltam a cair, copiosamente – grávida, abandonada, depressiva ... Tem ideia de como foi isso?

Ele fica em silêncio, tomado pelo choque das revelações de Bethany.

Começa a pensar no bebê, e em como ele está agora.

– Não, não tenho – Luíz fica em silêncio, e em sua mente invade a imagem de Bethany grávida; ele sempre sonhou com isso.

– Pois é! Eu fiquei depressiva, me afastei de todos, pela vergonha que eu sentia; e me desesperava, toda vez que me lembrava que eu estava gerando um bebê.

Ela fica em silêncio, fitando as ondas, reunindo toda sua coragem para continuar.

– Mas o pior Luíz, não foi sofrer tudo isso – respira fundo, controlando a voz carregada pelo choro – o pior é ter perdido meu bebê. Pior do que sua ausência, foi a dele.

Bethany não contém as lágrimas, e chora.

Seu choro que muitas vezes foi reprimido, se torna mais doloroso que alguma vez ela já tenha chorado.

As lembranças dela grávida vem acompanhadas da saudade, e o que ela mais quer no momento, é sofrer sozinha.

Bethany se levanta, e sai correndo em direção a sua casa.

Nem Luíz que estava a observando momentos antes, não consegue a alcançar, a perdendo completamente de vista.

Ele, pela primeira vez, estava se colocando no lugar dela, e tentando imaginar a dor que Bethany sentiu. Pela milionésima vez, ele estava sentindo vergonha de si mesmo, e do que fez.


Já tinha se passado dois dias, desde que Bethany tinha falado com Luíz.

A pesar de ter chorado a madrugada inteira naquele dia, ela ainda sentia vontade repentina de chorar.

No seu trabalho, seu chefe estava preocupado com ela.

Kaique sempre a observou, e nunca tinha visto ela daquela maneira.

Ele estava pensando se, deveria questioná-la ou, se deveria deixar por assim mesmo; afinal, Bethany nunca foi de falar de sua vida pessoal com ele, ou nunca trocou mais que dez palavras com ele.

Ele viu ser a oportunidade perfeita, quando Bethany se levantou, indo em direção à copa.

Esperou um minuto, antes de ir na mesma direção que ela, reunindo coragem.

Quando chegou até lá, o que viu, despedaçou seu coração; Bethany chorava silenciosamente, talvez para não chamar atenção.

Ele foi até ela, e a abraçou. Não sabia o que estava acontecendo com ela, só sabia que mostraria todo seu apoio.

A ação de Kaique fez com que chorasse mais. Ela tinha um ombro para chorar, mesmo que temporariamente, mas no momento não se importava com isso.

Eles ficaram naquela posição, até que Bethany cessasse seu choro.

Ele a desprendeu de seu abraço, e foi até o filtro pegar um copo de água para ela.

Ela esperou que terminasse de beber a água, para que tivesse coragem de olhar nos olhos dele.

– Bethany, não precisa me dizer o que passa, ok?! Sei que não gosta de falar de sua vida pessoal – Ela concordou com a cabeça – você não está bem, e pode ir pra casa, acho que vai ser melhor para você.

– Nã ... Não!! – Bethany diz, entre soluços – Se eu for pra casa, vai ser pior.

Ele pensa em alguma forma de talvez, fazer ela mudar de ideia.

– Você não está em condições de trabalhar. Por favor Bethany, vá para casa.

– Eu estou sim. Eu que lhe peço,por favor –ela olha em seus olhos – me deixa ficar.

– Ok! – Ele se dá por vencido – Mas se quiser ir para casa, pode ir.

Ele a encara por um tempo, e vai em direção a porta.

– Mais uma coisa – se vira, para olhá-la nos olhos – se quiser conversar, pode me procurar.

E sai da sala, sem esperar a resposta de Bethany.


Fazia muitos anos que alguém não se importava com Bethany, tirando sua mãe.

Ela era a única que sabia sobre o que ela passou, e Beth odiava isso.

Não por ela saber, mas sim pelo seu tom de voz de pena, toda a vez que as duas se falavam.

Dona Marisa tinha sofrido junto com a filha, e tinha se irado todas as vezes que faziam comentários maldosos sobre Bethany.

Ela sempre se perguntava, o que não teriam dito, se soubessem da gravidez, será que teriam a crucificado mais ainda?!

Ela sentia falta da Bethany alegre e sorridente, e na maioria das vezes, teimosa e implicante. Ela só queria sua filha novamente, mas não sabia se isso seria possível, já que Beth havia se afogado em seu próprio rio de amargura.


Depois de terminar seu expediente, Bethany arrumou suas coisas e desceu em direção à saída do prédio.

Hoje ela não iria para a praia, ou qualquer lugar que tivesse a ver com Luíz.

Ela tentava superar tudo o que estava acontecendo, e a profunda tristeza em que ela estava.

Por um minuto, desejou que, há cinco anos atrás, não tivesse o conhecido, e muito menos sentido nada por ele.

Talvez, ela estivesse em outro lugar, com outra profissão, e já ter cursado a segunda faculdade que uma vez tinha colocado em seus planos.

Ela pensava no bebê que havia perdido; suas lágrimas se intensificavam toda a vez que pensava nele.

Seus pensamentos giravam em volta dele, e como que ele seria?

Não muito longe dela, Kaique a viu passar e se preocupou. Algo muito sério estaria acontecendo com ela, e queria do fundo do seu coração, a ajudar.

Ele sabia que ela não tinha família mais na cidade, e que raramente conversava com alguém.

De repente, Kaique foi atrás dela, a alcançando na calçada e a parou, tocando em seu ombro.

- Bethany, espere.

Ela o olhou, sem entender, e esperando que ele continuasse a falar.

- Você não está em condições de ir pra casa assim. Aceite minha carona.

- Nã ... Não ... Muito obrigada.

- Venha comigo, por favor. Estou preocupado com você.

Eles ficaram nesse impasse por um curto tempo, até que Bethany aceitou, se dando por vencida.


O caminho entre a casa de Bethany, e a empresa não era longo.

Kaique estacionou na frente da casa de Bethany, e um silêncio se instalou dentro do carro.

Bethany já não chorava mais, e sua expressão de cansaço e seus olhos inchados, tomavam de si, sua beleza.

- Sei que posso estar sendo chato - Kaique a fala - mas estou preocupado com você. Você quer conversar?

Bethany fica em silêncio por um tempo, pensando se devia ou não desabafar com ele.

- Conversar pode ser bom, Bethany.

Ela respira profundamente, querendo dizer não.

Ele não havia olhado para ela com pena, e isso já era um diferencial.

- Eu não vou lhe morder, se é o que você está pensando.

Ela sorri com o comentário. Se ele a mordesse, doeria menos do que ela está sentindo em sua alma.

- Com uma condição - Ele a olha, prestando atenção no que diz - Não é pra sentir pena de mim.

Ele fica confuso por um instante, mas concorda com o que ela diz.

- Ok.

- Bem, então vamos entrar; um carro não é o melhor lugar para se ter uma conversa.

Bethany nunca trouxe ninguém para sua casa, além de sua mãe.

Começa a se arrepender de ter topado conversar com Kaique; que além de tudo, é seu chefe.

Tarde demais para se arrepender, pensa consigo mesma.

- Bom, sente-se, fique a vontade. - Ela fala depois de ter passado pela porta da casa - Vou fazer um chá para nós dois, pode ser?

- Claro, sem problemas.

Enquanto ela vai em direção ao outro cômodo, Kaique observa as cores daquela sala.

Com tons de bege, laranja e azul; era como se dissesse que ali morava alguém alegre, e olhando para Beth, não era o que parecia.

Ao passar do tempo, uma dúvida surgiu na mente de Kaique.

Será que a Bethany morava sozinha?

Tudo aparentava que não.

Bethany apareceu depois de alguns minutos, com uma bandeja contendo duas xícaras de chá, um açucareiro, colher e bolachinhas.

- Desculpe a demora. - Ela diz enquanto coloca a bandeja em cima da mesa de centro - Susy entrou na cozinha, e me distraí um pouco brincando com ela. - Beth sorri, se lembrando do que aconteceu a poucos minutos atrás.

- Sem problemas! - Ele encara Beth - Mas o que é a Susy?

- Ela é minha cachorra; muito esperta e peralta.

Kaique sempre amou cachorros. Até pouco tempo tinha um, mas veio falecer por causa de sua idade, e desde então não adotou outro.

- Só mora você aqui?

Antes de responder, ela pega sua xícara, e fala para que ele faça o mesmo.

- Sim. Era para ser nós três, mas não foi como eu esperava. - Bethany toma um gole de seu chá - Bom, vou lhe contar desde o início, tá? Por favor, só me escuta.

Ela respira, se acalmando e, se decidindo por onde começar.

- Há uns cinco anos, conheci um rapaz no campus da faculdade. Viramos amigos, nos encontrávamos todo dia e começamos a ir até para balada algumas vezes, junto com a nossa "turminha". - ela ri sem humor - cinco meses depois, começamos a namorar. Tanto minha família, como a dele nos apoiavam e tratavam ambos bem. Viajamos juntos, planejamos férias, e dificilmente desgrudamos um do outro. Não era porque havia ciúmes descontroláveis e ridículos; mas sim porque a nossa companhia era mais que suficiente, ou era o que parecia. - Enquanto faz uma pausa, Beth toma um pouco do seu chá. - E ficamos nessa por uns dois anos. No dia em que se completaram os dois anos, ele fez uma festa surpresa, e me pediu em casamento. Claro que na época foi o dia mais feliz para mim; eu tinha como aquele pedido, uma prova de amor. O ano seguinte foi de pura correria; pois além de ter que terminar o TCC, eu ia me casar seis meses depois, e estava muito feliz! - Ela sorri com a lembrança, de como se empenhou naqueles meses - Era normal eu sorrir para as pessoas na rua, pois idaí?! Eu ia me casar, e ia ser no pôr do sol com tudo que sempre sonhei; mas, por ironia do destino, tudo começou a desabar quinze dias antes do casamento.

Bethany, nesse momento, parou para respirar, tentar controlar as lágrimas que queriam sair.

- Duas semanas antes, ele sumiu! Simplesmente sumiu!

Kaique, que até o momento estava escutando, a olhando uma vez ou outra, soltou uma ofensa e ela riu em meio as lágrimas.

- Se pela sua expressão, você ficou assim, imagina eu, que me senti rejeitada! Como a irmã dele me disse depois de eu insistir muito, que ele havia ido para outro estado, tive que ligar e mandar mensagem para cada convidado e avisar que não ia mais ter casamento. Foi horrível para mim passar por isso; e além de tudo, os questionamentos e as acusações. Pois claro né?! Eu teria feito algo de errado para que ele desistisse do casamento.

Kaique solta um suspiro, absorvendo perplexo o que estava ouvindo.

- Quando achei que tudo estava ruim de mais; eis que começo a passar mal um tempo depois. Achava que isso e outras mudanças e atrasos fossem normais, por causa do meu nível de estresse e nervosismo diário. Eu ainda tinha esperanças que ele voltasse, e me explicasse porque tinha feito aquilo. - As lágrimas que ela tentava controlar, agora molhavam sua face - Minha mãe, preocupada comigo, me obrigou a ir ao médico fazer exames. Resultado? Eu estava grávida! Grávida e abandonada. Eu entrei em depressão e saí do trabalho. Como eu estava morando sozinha, minha mãe era a única que sabia do meu estado. Eu não suportava os olhares de pena e dó que ela direcionava a mim; isso só piorava tudo.

Kaique deixou sua xícara em cima da mesinha de centro, e se levantou para sentar ao lado de Bethany. Como em um movimento inesperado, ele a abraçou mostrando a ela que entendia sua dor.

Minutos depois, Bethany voltou a falar.

- Eu não tinha vontade de fazer mais nada. Minha mãe, não só preocupada comigo, mas com o bebê, passava aqui todo dia depois do expediente para ver como eu tava. Dois meses depois, eu perdi o bebê - sua voz embargou, era como se Beth estivesse revivendo tudo de novo.

- Um mês depois, eu perdi meu bebê. Eu realmente não sabia o que estava fazendo da minha vida, até que sofri aquele aborto. Doeu muito ter que admitir que eu fui irresponsável, e acabei com as chances de ser feliz. Doeu mais, que saber que eu estava sozinha mais uma vez.

- Você não teve culpa ... - Kaique tenta amenizar o estrago feito há anos.

- Tive sim! Achei que a maior dor era a que o Luiz tinha me proporcionado, mas ela não foi nada perto do que senti naquele hospital. Depois disso, tive que tentar me reerguer. Fiz o possível para não chorar do nada, e melhorar o vazio que eu sentia. - Ela limpa as lagrimas com as mãos. - E todo dia, eu ia até a praia, na esperança de encontrar o Luiz, e ele me explicar porque tinha sumido daquela maneira. Se ele tivesse me explicado, sabe?! Que não queria casar, eu ficaria mal, mas entenderia. Eu nunca o forçaria a nada, pois respeito o espaço dos outros.

- E também, acho que não teria me enfiado nesse buraco. Meu maior erro foi, ter dependido dele para tudo; depositado nele, minha vida e minha alma, e só fui perceber isso, quando o vi ontem na praia.

Kaique a olhou surpreso, e ficou ainda mais, pela falta de emoção em sua voz.

- Eu fui muito infantil, boba e trouxa; mas ele, com certeza foi o campeão. E julgando pela sua falta de responsabilidade, ao não ter me procurado nesses dois anos, devo dizer que me livrei de algo maior. Devia ter notado que ele só se importa com ele, e o que o favorece.

- E ... - Kaique tenta, formular uma pergunta, ainda em choque com o que ouviu - como se sente, depois de o vê-lo. Mais culpada?

- Só culpada de não ter lutado pelo meu bebê. Ele seria o que me traria alegria, e eu perdi essa oportunidade.

- Não desista da sua felicidade assim. Você ainda pode, e vai ser, muito feliz.

- Eu perdi todas as chances possíveis, Kaique. O que me resta é viver para morrer.

- Claro que não. E vou te mostrar que o que falo é verdade.

Kaique a olha com um sorriso tímido, e apesar de cansada emocionalmente, Bethany se permite sorrir. Talvez seu mais sincero sorriso em dois anos.


Já haviam se passado dois anos desde que Bethany abriu seu coração para Kaique.

Mais do que ela podia imaginar, Kaique não só ajudou mostrando que ela poderia ser feliz, como se tornou um dos motivos de sua felicidade.

Na noite anterior, Beth se negava a dormir, com medo de ser apenas um sonho, quando acordasse em sua antiga casa, e invejasse o mesmo, por causa de sua infeliz realidade.

Nada tiraria dela a alegria que estava sentindo, ao subir ao altar com alguém que verdadeiramente a amasse.

– Beth – sua prima, Dianny a chama – se levanta daí, ou vou te dar banho, com um balde d'água.

Ela sorriu, imaginando se sua prima faria mesmo aquilo. Meses depois de ter prometido ao Kaique recomeçar, Beth havia restabelecido contato com a própria família, e por mais que não quisesse admitir, eles tinham feito uma falta e tanto, em sua vida.

– Estou indo, Anny!

E assim, Beth foi tomar seu banho, e começar a se arrumar para teu tao sonhado dia.


Tudo estava pronto para que a cerimônia começasse. Bethany estava nervosa, e tinha pedido para que Dianny fosse até o altar ver se Kaique estava mesmo lá.

– Beth, acabei de olhar, e ele está lá sim! Estão todos esperando por você.

– Ok! Então vamos.

Dianny, como era a madrinha, entrou antes que Bethany, que ficou com Raul, seu pai, esperando seu momento.

Ele tentava mostrar a sua filha que estava tudo bem, e que não precisava ficar nervosa. Bethany ainda tinha medo de ser abandonada em seu casamento.

Com uma maquiagem simples, cabelos soltos e uma coroa de flores, Beth caminhava em direção ao altar na praia com um vestido branco rendado de alcinha.

Nada do que estava naquela festa fez seu sorriso despertar, mais do que Kaique, apenas com uma calça e camisa social branca naquele altar. Ele havia cumprido a promessa.

Assim que trocaram seus votos, e colocaram as alianças um no outro, todos começaram a aplaudir.

– Obrigada Kaique, por não desistir de mim, por me salvar. – Ela fala, assim que enterrompem o beijo.

– Não Bethany, eu que tenho que agradecer. Você me salvou.

Ela sorriu, não querendo contrariá-lo, pois sabia que era difícil fazê-lo mudar de opinião.

Só que mal sabiam que, ambos tinham salvado um ao outro, tinham mostrado ao outro as forças que faltava em si mesmos.

Pois amar é isso. Dar sem esperar nada em troca, e ambos aprenderam da forma mais dolorosa a lição.



21 Février 2019 00:25:50 1 Rapport Incorporer 120
La fin

A propos de l’auteur

Commentez quelque chose

Publier!
Alice Alamo Alice Alamo
Olá! Venho em nome do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi colocada Em Revisão pelos seguintes apontamentos: 1) mistura de tempo verbal. A história começa sendo narrada no passado e então muda para o presente em trechos como "ela se alegra". É necessário escolher um tempo verbal para a narrativa. 2) há alguns erros quanto aos verbos como " a ligava" sendo que deveria ser "lhe ligava". 3) uso de hífen no lugar de travessão. 4) alguns erros de pontuação como falta de vírgulas em vocativos. Creio que uma revisão da autora seja suficiente para sanar esses erros. Quando fizer e se desejar que a história seja Verificada, basta me responder aqui nesse comentário ;) Atenciosamente, Alice, Sistema de Verificação do inkspired.
21 Février 2019 05:48:24
~