Procura-se um Marido Suivre l’histoire

aelita Allyne g

Sakura sabe curtir a vida. Já viajou o mundo, é inconsequente, adora uma balada e é louca pelo avô, um rico empresário, dono de um patrimônio incalculável e sua única família. Após a morte do avô, ela vê sua vida ruir com a abertura do testamento. Vô Narciso a excluiu da herança, alegando que a neta não tem maturidade suficiente para assumir seu império – a não ser, é claro, que esteja devidamente casada. Sakura se recusa a casar, está muito bem solteira e assim pretende permanecer. Então, decide burlar o testamento com um plano maluco e audacioso, colocando um anúncio no jornal em busca de um marido de aluguel. Diversos candidatos respondem ao anúncio, mas apenas um deles será capaz de fazer o coração de Sakura bater mais rápido, transformando sua vida de maneiras que ela jamais imaginou. Cheio de humor, aventura, paixão e emoções intensa, A Procura de um marido vai fisgar você até a última linha.


Fanfiction Romance jeune adulte Interdit aux moins de 18 ans.

#sasuke-uchiha #Sasuke-Sarutobi #literatura-feminina #sakura-haruno #ficção-adolescente #258 #comédia #naruto #mistério #drama
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Capítulo 1


A balada não foi das melhores naquela noite. Não compensou todo o trabalho que tive para sair às escondidas de Vô Narciso, que me proibiu mais uma vez de sair durante a semana. Cheguei em casa mais cedo que de costume, por volta das quatro da manhã, louca para cair na cama. Nuvens pesadas cobriam a lua, deixando a casa muito sombria. Sempre achei a mansão meio assustadora ao cair da noite, mais vovô adorava tinha boas recordações incrustadas nas paredes cor de creme.

Para não atrair atenção, subi sorrateiramente os degraus da escada dos fundos que ligava a cozinha ao andar de cima, mas que obrigatoriamente me fazia passar pelo corredor do quarto de meu avô. Prendi a respiração, tentando fazer o mínimo de ruído possível ao passar pela porta branca com entalhes delicados. Meu esforço foi inútil, claro.

- Sakura! – chamou vovô, numa voz baixa, porém firme. Suspirei pesadamente, soltando os ombros antes de abrir a porta e enfiar a cabeça por uma fresta no quarto iluminado apenas pela luz do abajur. Vovô estava sentado na enorme cama, um livro nas mãos, o rosto desapontado.

- Você achou mesmo que eu não notaria sua escapadinha? Não acha que é um pouco tarde para estar indo para a cama? – quis saber vô Narciso, me observando por sobre os óculos.

- Tecnicamente é cedo, já que tá quase amanhecendo...

- Entre, Sakura– ele ordenou. Grunhi, tudo que eu queria era ir para minha cama, de preferência sem levar bronca. Contudo, eu sabia que vovô correria trás de mim até soltar todos os cachorros. Era inútil

- Claro. Ela está com quantos anos agora? Cento e três? Porque nos últimos dois meses você foi a pelo menos oito festas de aniversário da sua melhor amiga. Droga!

- Eu disse aniversário? Eu quis dizer despedida de solteira. Vovô suspirou.

- Sakura, eu já sou velho o bastante para saber quando estão querendo me enganar – ele fechou o livro com um movimento brusco e tirou os óculos de leitura.

– Eu não entendo. Sempre dei tudo a você, nunca lhe faltou nada. Acho que o problema foi exatamente esse, não é? Acabei mimando você demais. Você é uma mulher adulta há algum tempo. Tem vinte e quatro anos, mas ainda age como uma adolescente irresponsável. Quando vai criar juízo, querida?

-Vovô, eu...

- Isso não é hora de voltar pra casa, ainda mais numa terça-feira. Já se deu conta de que você passa todas as noites e madrugadas na rua, só Deus sabe fazendo o quê?

- Eu não estava fazendo nada errado. Eu nunca faço nada errado – me defendi. Seus olhos azuis, exatamente da cor dos meus, se estreitaram, as rugas ao redor tornaram tudo mais ameaçador.

- Precisei enviar três advogados a Haruno para livrar você da cadeia. Haruno, Sakura! – ele frisou, o rosto duro.

– Onde tudo é permitido! Evidentemente, você teve que encontrar uma forma de mudar isso...

- Foi um mal-entendido, eu já expliquei!

– Ninguém nunca me deixaria esquecer aquela história? Caramba! Uma garota não podia cometer um errinho de nada? - Tunísia. Bulgária – ele continuou a apontar meus erros.

– Aquela noite em que você foi parar no hospital por causa de um coma alcoólico... Tudo não passou de um mal entendido?

- A prisão na Tunísia eu já expliquei, foi abuso de autoridade. A da Bulgária... – suspirei, tentando lembrar o que havia me levado a participar daquela passeata. Na época, protestar nua com outras oitocentas pessoas pareceu tão bacana...

– Ok, não tenho desculpa pra essa. E eu me excedi um pouco na formatura da Mari, o que é normal pra alguém da minha idade - baixei os olhos para o lençol branco.

- Nada disso aconteceu comigo nem com o seu pai ou qualquer amigo dele. Não creio que seja normal – ele suspirou pesadamente.

– Sakura, nem sempre estarei por perto para salvar você das encrencas em que se mete. Estou velho e não agüento mais ver você brincando com a sua vida. Às vezes, me arrependo de não ter ouvido o Clóvis. Devia ter mandado você para um colégio na Suíça. Seu pai e sua mãe, que Deus os tenha, devem estar se remoendo de preocupação. Eu temo que, quando eu me for e deixar tudo por sua conta, você vai acabar sem nada, passando fome e ...

– blá, blá, blá. Eu já conhecia bem aquele sermão. Fiquei esperando que ele chegasse à parte em que seria enterrada como indigente e nem teria direito a um enterro cristão, o que me impediria de ir para o céu encontrar meus pais e viver feliz para sempre na chatice do Paraíso.

– ... você vai passar a eternidade vagando por aí. Uma alma condenada. É isso que você quer?

- Ok. Eu juro que amanhã vou ficar em casa e fazer algo bem entediante – prometi, desejando escapar o mais rápido possível para minha cama, a duas portas de distância.

- Não quero que fique em casa – ele apontou.

– Quero que crie juízo e entenda que a vida é muito mais que festas e rapazes. Eu duvidava muito.

- Você precisa é de um bom homem ao seu lado. Alguém que lhe mostre o verdadeiro sentido da vida, precisa de um marido.

– Lá vamos nós outra vez, pensei desanimada.

– Se você se apaixonasse de verdade por um homem bom, um homem digno, de caráter, e conseguisse manter esse relacionamento a ponto de leve-lo ao altar, isso significaria que finalmente amadureceu.

- Tá bom, vovô. Vou tomar jeito, prometo, mas sem marido nessa história, ok? Agora descanse um pouco. Já está tarde, você acorda muito cedo. Teve aquela dor de cabeça de novo? – perguntei, tentando mudar o foco da conversa. Ele sacudiu a cabeça.

- Não tive. Mas você me tira o sono, Sakura.

- Desculpa – eu disse sinceramente. Não gostava de causar aborrecimentos a vovô. Ele era tudo que eu tinha; minha família inteira se resumia àquele homem de setenta e dois anos, dono de um bom humor ímpar e do sorriso mais carismático que eu conhecia.

– Não precisava ter me esperado acordado.

- Não consegui dormir. Aproveitei para ler um pouco.

– Ele voltou a abrir o livro e colocou os óculos sobre o nariz reto. Respirei aliviada. O pior já tinha passado. - Ainda não decorou esse livro - brinquei.

– Você o lê três vezes por ano!

- Há muito que aprender com Sun Tzu, querida. Você devia ler. Esse livro contém estratégias que podem ser aplicadas em todos os aspectos da vida. Pode ajudar num momento de dificuldade.

- Certo. Quando estiver em guerra com alguém, eu leio. Mas, vovô, andei pensando sobre essas suas dores de cabeça. Você andou tendo muitas ultimamente. E posso apostar que escondeu outras tantas de mim. Elas estão cada vez mais freqüentes, não estão? Não acha melhor irmos à clínica para fazer alguns exames?

- Eu já fui, não se preocupe. É apenas uma enxaqueca. Quer adivinhar a causa? – ele ergueu uma sobrancelha, mas estava sorrindo. Fechei a cara, cruzando os braços sobre o peito. Vovô riu. Eu adorava sua risada. Era tão rica e forte quanto um abraço e me desarmou completamente.

- Boa noite, vovô – me levantei e beijei sua testa.

- Boa noite, querida. Por favor, tente me ouvir, pelo menos desta vez... Assenti e rapidamente alcancei a porta, mas, quando meus dedos tocaram a maçaneta, um raio rasgou o céu, anunciando a tempestade que se aproximava. Congelei.

- Hã... acho que vou dormir aqui com você, vovô. Vai que você precisa de alguma coisa no meio da noite.

- Por que eu precisaria de alguma coisa? – ele me perguntou zombeteiro, olhando pelo vidro da janela. Um estrondoso relâmpago clareou todo o quarto. Corri para a cama e me enfiei debaixo do lençol.

- Vai saber! Vou ficar aqui só pra garantir – eu disse, me encolhendo como uma bola. - É, tem razão. Eu posso precisar de alguma coisa.

– Ele colocou o livro sobre a mesa de cabeceira, guardou os óculos e me estendeu a mão. Agarrei-a sem pestanejar.

– Parece que vai cair o mundo. Eu posso sentir medo.

- Arrã – murmurei, me contraindo e apertando os olhos quando mais um estrondo ribombou pelas paredes do quarto.

- Vai ficar tudo bem, querida – ele disse, passando o braço ao meu redor.

- Vovô está aqui.

- Eu não estou com medo, você sabe – esclareci.

- Eu sei que não – ele abriu seu sorriso cheio de rugas, que aquecia meu coração e me fazia sentir segura e protegida.

– Mas sabe... sinto falta disso. Quando você era menor, eu tinha que praticamente expulsar você da minha cama toda noite.

- Eu lembro. Mas não era medo. Era... Seu colchão sempre foi mais macio que o meu. Ele riu, abafando um pouco do murmúrio furioso da tormenta que agora caía pesada lá fora.

- Ah, Sakura, minha pequena princesa. O que teria sido desse velho sem você e suas historinhas malucas durante todos esses anos?

- Você não é velho! É experiente! E sua vida seria... – me encolhi quando um raio pareceu cortar o quarto ao meio – mais calma se eu fosse uma neta mais ajuizada.

- Sim, mas não seria mais você. Eu te amo do jeito que você é. Só gostaria que fosse mais prudente e responsável.

– Ele beijou o topo da minha cabeça.

– Tire os sapatos ou amanhã vai ficar dolorida. Obedeci. Vovô permaneceu ao meu lado, com o braço protetoramente ao meu redor, até que os barulhos se tornaram mais brandos. Comecei a relaxar. Apaguei logo em seguida. Pouco depois – ao menos foi o que pareceu - , meu celular tocou, me despertando. Ainda estava no bolso do meu jeans.

- Seja lá quem for, é uma pessoa morta – resmunguei.

- Onde você está que ainda não chegou à galeria? – Breno, meu chefe há quatro meses, exigiu saber. Tudo bem, ele até podia ser o dono da galeria, mas isso não fazia dele meu chefe, já que o que eu fazia na Galeria Renoir não era bem um trabalho.

- Eu tô doente. Uma virose. Muito contagiosa. Altamente contagiosa – miei, querendo desesperadamente voltar ao sonho delicioso em que Iam Somerhalder me perseguia para me encher de mordidas vampirescas. Humm... Breno suspirou.

- Você tem dez minutos para estar aqui. Ou eu ligo para o seu avô e conto que você não trabalha um dia inteiro há mais de uma semana. Argh! Eu odiava Breno. Principalmente essa sua mania medonha de contar tudo que eu fazia – ou não fazia, como era o caso – a vô Narciso.

- Ok, não precisa ameaçar. Já to indo!

– Eu não queria aborrecer vovô outra vez. E sabia que havia uma boa chance de ele não gostar muito de saber que eu andava matando o serviço para ir ao cinema e ao parque municipal. Trabalhar no antiquário Galeria Renoir – péssimo nome, aliás; eu teria escolhido algo como Cemitério de Usados ou Mercado de Carrapatos, já que algumas peças eram apenas lixo de gente morta; havia algumas realmente boas, mas eram poucas – era um saco! Eu ficava ali, dizendo aos poucos clientes que raramente entravam na loja quais peças deveriam ser compras, quais não valiam a pena, o que combinava com o quê, esse tipo de coisa. Claro que só me candidatei à vaga porque vovô me obrigou a arrumar um emprego logo depois da minha última viagem à Holanda.

Ele não engoliu muito a história da minha prisão – totalmente injusta, já que eu não sabia que não podia ficar de amasso na rua, afinal estávamos em Amsterdã, onde tudo é permitido. Aparentemente, quase sexo num beco semiescuro não é. Agora eu sabia disso. Eu odiava a galeria quase tanto quanto odiava malhar. Mas Breno, um nerd estranho com um corpaço, cabelos negros e ondulados, um sorriso bonito no rosto quadrado, fora muito gente boa em me arrumar o emprego. Cursamos faculdade de artes juntos, e desde aquela época ele estava de quatro por Mary. Ela não retribuía, mas eu sentia que alguma coisa rolava entre eles, ainda que nunca tivessem saído juntos. Graças a ele, tive a desculpa perfeita quando vô Narciso me questionou por que eu não trabalhava em uma de suas milhares de empresas. Simples. Vovô poderia me vigiar de perto. E isso não era nada bom. Vô Narciso era um dos homens mais ricos da revista Forbes. Mary brincava que setenta por cento do planeta era de água, quinze dos reles mortais e os outros quinze pertenciam a vô Narciso. Exageros à parte, o patrimônio de meu avô era incalculável. E ainda assim ele se mantinha ativo, trabalhando. Ou em um dos escritórios, ou traçado na biblioteca da mansão, conectado às empresas do Conglomerado Lima. Eu não tinha muito do que me queixar. Apesar de ter perdido meus pais quando criança, vovô nunca deixou me faltar nada, principalmente amor. Era por isso que eu estava me arrastando de seu quarto para o meu banheiro naquela manhã.

Eu não queria decepcioná-lo duas vezes em menos de doze horas. Vô Narciso, como de costume, havia se levantado com o nascer do sol. Não o vi quando desci as escadas correndo. Minha cabeça estava zunindo, ainda com o sono, mas me obriguei a pegar meu cupê na garagem espaçosa e dirigir os dez quilômetros até o centro da cidade, onde ficava a galeria.

- Para uma menina rica, você parece uma indigente – resmungou Breno assim que me viu. Olhei para baixo e notei que estava com a camiseta do avesso.

- É a nova moda em Budapeste. Você saberia disso se viajasse mais- retruquei, me jogando numa cadeira do século XVIII extremamente desconfortável.

- Você inventa histórias demais, Sakura. Eu não sou seu avô pra cair nelas.

- Ele também não cai. Mas não custa tentar – dei de ombros.

– E você acha mesmo que faria diferença se eu me vestisse como uma boneca? Ninguém entra nessa joça. Como que para me contrariar, a porta se abriu e uma senhora exageradamente maquiada olhou em volta, com desdém, para os objetos do antiquário. Breno me lançou um olhar exasperado.

- Vá arrumar essa blusa e volte para fazer o seu trabalho. Estou sem paciência hoje.

- Como quiser, patrãozinho. Depois de me enfiar no banheiro minúsculo, arrumar a blusa e sapecar um pouco de maquiagem no rosto, na tentativa de esconder as olheiras da noite pouco dormida, voltei ao salão apinhado de coisas antigas. Tão antigas quanto a senhora que avaliava uma mesa de centro do século XIX.

- Posso ajudar? – ofereci, já que Breno estava ao telefone.

- Não sei. Estou procurando um vaso Ming.

- Ah, temos um em perfeito estado de conservação. Tem só um lascadinho na lateral. Vou mostrar.

– Caminhei pelo labirinto que cheirava a porão, seguida de perto pela mulher de cabelos curtos com permanente, o que a deixava parecida com um poodle grisalho.

– Aqui está! Um legítimo vaso da dinastia Ming, confeccionado por volta de 1370. Uma verdadeira raridade. Seu rosto levemente enrugado se contorceu um pouco enquanto ela avaliava o vaso.

- Mas é legítimo mesmo? Tem algum certificado?

- Só trabalhamos com produtos legítimos, senhora – eu disse ofendida.

- Mesmo? E quanto àquela cadeira ali? – ela apontou para uma cadeira reclinável de madeira escura.

– Está escrito “O Rei esteve aqui”. Droga! - Elvis Presley. O rei! – menti, com mais entusiasmo que o necessário.

- Mas está em português – ela resmungou, desconfiada.

- Sim, essa peça é daquela vez que o Elvis veio ao Brasil gravar um filme. Pena ter morrido antes de terminar – sacudi a cabeça.

– Essa sim é uma verdadeira raridade. Não há outra dessas à venda.

- É mesmo? Eu não soube! – ela olhou em dúvida para a peça.

– Nunca soube que o Elvis esteve no Brasil. - Foi tudo muito sigiloso, sabe como é... O homem não tinha muita privacidade pra nada.

- Ele sentou mesmo nessa cadeira? – ela correu os dedos pela madeira, e um brilho indisfarçado de satisfação surgiu em seus olhos castanhos.

- Se sentou? – revirei os olhos teatralmente

– Ele praticamente dormia nessa cadeira, de tanto que gostou da peça! Quis até levar para Graceland, mas teve um probleminha na alfândega.

– Estiquei-me um pouco e sussurrei em tom conspiratório: - Narcóticos.

- Ah! Isso é tão Elvis! Eu o amava tanto na adolescência... Aproveitei minha chance e desferi o golpe final.

- É um verdadeiro pecado vender essa cadeira por tão pouco. Quer dizer, o rei sentou nela! Isso faz dessa peça elegante e atemporal, que ficaria bem em qualquer ambiente, praticamente um trono real! Os olhos da mulher acenderam.

- Posso me sentar nela só um instante? – ela perguntou.

- Fique à vontade. - Sakura – chamou Breno, com cara de poucos amigos.

- Com licença – eu disse à mulher, que se acomodou na cadeira de madeira barata com um sorriso jubiloso no rosto redondo. Algumas pessoas pedem para ser enganadas... Deixei-a refestelada na falsificação barata da cadeira que realmente pertencera a Elvis e que Breno havia comprado pela internet por uma merreca, na intenção de levá-la para casa- sério, ele não era muito normal. Mas ele morava com a irmã (o que só reforçava minha opinião de quanto ele era estranho), e ela não permitiu que aquela coisa horrorosa fizesse parte da decoração. Por esse motivo, a cadeira jazia ali, ao lado de outras peças alarmantes.

- O que eu já disse sobre enganar os clientes? – Breno suspirou exasperado.

- Que é errado, mas essa regra entre em conflito com outra. Aquela que diz: “Tenho que vender tudo que está na loja” – apontei. – Só estou fazendo o meu trabalho.

- O que eu estava pensando quando te ofereci emprego? – ele sacudiu a cabeça.

– Eu só podia estar bêbado? - Ah, Breno, qual é? Eu... – Meu celular tocou.

– Ah, desculpa. Preciso atender.

- Tudo bem – disse ele.

– Vou explicar para aquela senhora que houve um mal-entendido e depois vamos conversar outra vez sobre as regras de vendas. Atendi o telefone.

- Sakura, é o Clóvis – disse apressado o advogado de confiança de meu avô

– Seu Narciso acaba de ser internado.

- Internado? É aquela enxaqueca outra v... O que ele... Como ele está? – perguntei por fim.

- Ele está na UTI. Você pode vir agora?

- UTI? Mas...p-por que o vovô está na UTI? – meu coração começou a bater ensandecido. UTI não era bom. Nada bom.

- Por favor, Sakura, se apresse. Explico tudo quando você chegar aqui.

- T-tá. – Não gostei do tom urgente em sua voz. Um calafrio percorreu minha coluna. Desliguei o celular sem me dar conta do que fazia e deixei a galeria atordoada, sem nem ao menos avisar Breno. Não me lembro de muita coisa do caminho para o hospital. Tudo que conseguia pensar era que vovô estava na UTI. Ele nunca ficava doente, exceto pela enxaqueca, vô Narciso tinha uma saúde de ferro. Clóvis me esperava no corredor assustadoramente longo e branco do hospital. Seu rosto abatido demonstrava desespero. Retraí-me imediatamente.

- Meu avô vai ficar bem, não vai, Clóvis? – Ele tinha que ficar bem. Sempre ficava. Seus lábios se apertaram, transformando-se em uma pálida linha fina. Recuei um passo.

- Ele vai ficar bem, não vai? – repeti, encostando-me na parede fria.

- Sakura... seu avô descobriu há algum tempo que tinha um... aneurisma cerebral – ele disse, como se isso fizesse algum sentido.

– Era grande demais. Inoperável, infelizmente. Hoje de manhã ele desmaiou e foi trazido desacordado para o hospital. A equipe médica fez o que pôde para salvar o seu Narciso, mas...

- O que você está querendo dizer? – Meu peito subia e descia rápido demais. A vertigem me impediu de sair correndo com as mãos nos ouvidos para não escutar o que ele tinha a dizer. No entanto, eu já sabia o que viria a seguir. Claro que sabia. Já havia estado naquela posição antes, de repente, eu tinha cinco anos de novo, mas dessa vez vovô não estava ao meu lado, me colocando no colo e dizendo que daríamos um jeito, que tudo ficaria bem de alguma forma. Clóvis retirou os grandes óculos do rosto redondo e esfregou os olhos.

- Sinto muito, Sakura. Não havia nada que pudesse ser feito para salv...

- NÃO! – o grito explodiu em minha garganta antes que eu pudesse sequer piscar. A dor era tão intensa que adormeceu meus membros. Um vazio preencheu o local onde antes ficava meu coração.

– Não! Ele não pode fazer isso! Eu não posso perder o vovô também! Ele precisa ficar comigo. Eu só tenho meu avô, Clóvis! Só ele!

- Sinto muito, querida. Você precisa ser forte agora. – Braços roliços e gentis me envolveram, mas lutei furiosamente contra eles. Eu não precisava ser consolada. Precisava de meu avô ao meu lado. - Me solta! Preciso falar com meu avô. Eu quero ver meu avô! Agora! Ele não pode me deixar. Simplesmente não pode... me deixar aqui. Mas ele pôde. Naquela manhã, ele me deixou

13 Février 2019 18:52:28 0 Rapport Incorporer 0
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