Surpresas Natalícias Suivre l'histoire

zephirat Andre Tornado

Os alunos do mestre Mutenroshi, Son Goku e Kuririn, deitam-se para dormir mas aquela era uma noite diferente. E Kuririn teve de explicar a Son Goku do que se tratava.


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans. © Dragon Ball não me pertence. História escrita de fã para fã.

#Kame-House #noite #natal #Kuririn #Son-Goku #dragon-ball
Histoire courte
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Capítulo Único


Nunca tinha visto o colega tão sossegado. Isso era muito esquisito e invulgar, uma anomalia que o deixava intrigado. O outro rapaz era habitualmente muito nervoso e impaciente, sempre com vontade de agradar ao mestre, sempre a responder primeiro e mais alto a todas as perguntas, sempre a avançar por cima de tudo quando era solicitado, a mostrar-se para se evidenciar no cenário, a completar qualquer tarefa com muita pressa, a pôr-se em bicos de pés, a rir-se das suas conquistas. Isso não o incomodava. Reparava nessas atitudes porque simplesmente convivia com o colega e mesmo que não soubesse muitas coisas, e ele não sabia nada do mundo, estava a aprender e ele gostava de aprender, não as via como um ataque pessoal, nem como um aviso para se remeter à sua insignificância. Ele sabia que não era insignificante e o colega era seu amigo.


Ele nunca se demorava demasiado num problema, pois tudo que o que era problemático tinha sempre uma solução muito simples. Talvez o colega estivesse sossegado porque gastava demasiadas energias nos seus dias normalmente tão agitados e haveria uma noite em que desabava esgotado. Era isso. O colega estava cansado. Mas de certo modo não engoliu essa justificação que ele próprio tinha arranjado.


Recordou-se como o outro se enfiou rapidamente debaixo do cobertor e afundou a cabeça pesadamente no travesseiro, fingindo que se aquietava e que teria adormecido naquele preciso segundo. O mestre desejou-lhes uma boa noite e saiu do quarto em bicos dos pés. Carregou no interruptor, a lâmpada do teto apagou-se, ficou escuro.


Os passos do mestre, leves, desceram a escada até ao piso inferior da pequena casa. Ficaram os dois sozinhos e estava na altura de esclarecer o mistério.


Ele piscou os olhos muito depressa para os habituar à escuridão. Apurou os seus ouvidos que eram muito apurados e quase que jurava que o colega não estava ali, pois não lhe escutava qualquer ruído, nem aquele que normalmente fazia a respirar, a remexer-se no colchão para encontrar a melhor posição para dormir, que até nos descansos ele não parava quieto e andava constantemente a virar-se de um lado para o outro, a resmungar, a bufar, a protestar que era tudo demasiado desconfortável.


Soergueu o corpo, apoiando-se nos braços que esticou. Inclinou a cabeça de um para o outro lado, para observar, na sombra, o estado imóvel do colega, que fingia claramente que estava a dormir. Ele nunca caía no sono daquela maneira tão repentina. O que estaria a inventar? Chamou por ele, soprando o ar pela boca.


- Psst… Psst…


O outro ficou ainda mais sossegado. Encolheu-se verdadeiramente chocado.


Ele insistiu.


- Psst…


- Cala-te! Como podes não estar a dormir numa noite como estas? Costumas ser o primeiro a adormecer! – exclamou o colega perplexo.


- Passa-se alguma coisa, Kuririn-kun?


Ouviu um resmungo e viu-o puxar o cobertor para cobrir a cabeça calva. Ficou o cocuruto à mostra, liso como uma bola.


- Conta-me… Estás doente? Queres que chame o mestre Mutenroshi?


- Eu não estou doente! – respondeu Kuririn com a voz abafada.


- Então, o que se passa? Nunca te vi assim…


- Como é que eu estou? – impacientou-se.


- Quieto.


- Eu sou… Ah! – Desistiu de argumentar e destapou-se com um safanão. – Não sabes que noite é esta? Nas montanhas Paozu não celebravas… esta noite?


- As noites eram todas iguais… – explicou o pequeno Goku, pensativo, enquanto se lembrava. – A não ser a noite em que fazia anos que o meu avô me encontrou na floresta, essa era especial. Ele fazia um bolo e dizia que era o meu aniversário. Dizia que eu ficava um ano mais velho e que era assim que eu crescia e me tornava mais forte.


- Estamos na noite de Natal! – explicou Kuririn contrariado, com mais enfatuamento do que era habitual nele, que nunca tinha muita paciência para contar o que quer que fosse.


- Natal?


- Não sabes o que é o Natal?


- Hum-hum – negou Goku e com um ar tão puro que Kuririn suspirou fundo.


Estava um breu opaco, falavam por sussurros, mas os dois conseguiam ver-se relativamente bem à conta da luz do luar que se derramava pela janela que tinha os cortinados afastados. Estava fechada porque era inverno e soprava uma aragem fria vinda do mar.


Kuririn franziu ligeiramente uma sobrancelha. Desconfiava sempre que Goku lhe dizia que não sabia sobre certos assuntos para tentar enganá-lo com uma suposta inocência falsa, destinada a desarmar-lhe as defesas. Mas aprendera que quando Goku afirmava-se ignorante, com todo aquele à-vontade, era porque era mesmo ignorante. Goku não se ofendia com a desconfiança de Kuririn, Kuririn começou a aceitar as lacunas evidenciadas por Goku.


E aquela era outra das falhas naquele rapaz único. Não existia ninguém como ele em todo o mundo e o mundo era bastante grande.


- O que é o Natal, Kuririn-kun? – pediu Goku.


Kuririn aliviou a crispação do rosto e suspirou. Deveria explicar o que era o Natal para poder dormir e antegozar as surpresas natalícias que se preparavam para todos os meninos bem-comportados naquela época do ano. Em abono da verdade, ele não tinha sido um menino exemplar. Tinha feito muitas asneiras por causa da competição que tinha com Son Goku, enquanto alunos de artes marciais do reputado mestre Mutenroshi, mas confiava que naqueles últimos dias, em que tinha sido um verdadeiro amor de pessoa, limpassem a longa lista de maldades e de ações menos recomendáveis.


E tinha de fechar com chave de ouro aquela prestação, se queria ser agraciado com tudo o que ele imaginava receber na madrugada seguinte. Ou seja, teria de explicar com toda a sua paciência e bondade o que era o Natal para o seu colega irritante e inocente.


- Son-kun, o Natal é uma festa religiosa que comemora o nascimento de Jesus Cristo, num estábulo numa cidade chamada Belém. É também uma festa muito antiga, do tempo dos romanos, em que se comemorava um deus chamado Saturno, que era também o deus da agricultura. Juntaram-se as duas festas e depois de tantos e tantos anos passados, o Natal transformou-se numa ocasião em que celebramos a Humanidade, a união entre as pessoas, a solidariedade, a paz, o amor pelo próximo. É também o símbolo do início do inverno, de recolhimento, de preparação para um novo ano.


Goku pestanejou três vezes.


- Hã??


Não tinha percebido nada! Kuririn pressionou as têmporas com as pontas dos dedos, fechou os olhos, respirou fundo.


- No Natal as crianças recebem presentes e existem muitas comidas boas – simplificou.


O olhar de Goku encheu-se de um brilho muito próprio.


- Comida?


Kuririn acenou com a cabeça, satisfeito por ter conseguido alcançar a mente de Goku. Não era uma tarefa fácil, mas também não era assim tão impossível. Bastava carregar em determinados botões e chegava-se lá. Botões até demasiado simplórios, tão evidentes que passavam despercebidos.


Claro que seria a comida que estimularia o simplório Son Goku!


- Hai, comida! Peru, galo, bacalhau, chocolates, bolos…


Um fio de baba escorreu pelo queixo de Goku.


- E vai existir essa… comida, amanhã, quando acordarmos?


- Eu prefiro os presentes.


- E não podem ser presentes… comestíveis?


- Ah, Goku! Não queres ser surpreendido com… alguma coisa especial?


- Gosto de ser surpreendido com comida. Comida é especial.


Ouviram um rumor no início das escadas que levavam ao quarto. Kuririn agitou uma mão e pediu a Goku que se calasse. Falou num sussurro alarmado:


- Chiu! Nós não podemos estar acordados!


Após uma curta pausa, em que os olhos negros e escancarados de Goku viajaram nas órbitas, olhando do colega para a porta e fazendo essa volta um par de vezes, este também baixou a voz e perguntou, desorientado:


- Por que não, Kuririn-kun?


Toda aquela história estava a revelar-se muito confusa e ele só entendera a parte em que se falara de comida. Muito bem, raciocinou, se havia comida era bom e já tinha um ponto de referência.


- As surpresas só aparecem se os meninos e as meninas dormirem cedo, esta noite. Devem passar a noite muito quietinhos, a dormir, sem irem espreitar o que está a acontecer, senão não haverá magia…


Outra explicação estranha e desorientadora.


- Hã?!


- Temos de dormir, Son-kun! Só assim ganhamos os presentes…


- E a comida?


- E só assim ganhamos a comida.


- E o mestre Mutenroshi e a Launch?


- O que é que têm, esses dois?


- Eles também não deviam estar a dormir? Toda a gente dentro de casa deverá estar a dormir para que essa tal magia funcione e apareçam os presentes e a comida.


Kuririn deu um estalo com a língua.


- Eles já se vão deitar. Acredito que também queiram ganhar presentes.


- Hum…


A lógica tornou-se mais simples com essa associação de ideias básicas. Dormir, iria acontecer qualquer coisa mágica, presentes e comida na manhã seguinte. Goku ajeitou-se debaixo dos cobertores e fechou os olhos.


- Então… Já estás preparado para dormir? Percebes por que precisamos de dormir? Para além de, obviamente, descansarmos dos treinos de hoje…


- Sim! Quero conhecer esses petiscos do Natal!


- Ah, só pensas com o teu estômago!


- E tu só pensas nos teus presentes!


Goku enroscou-se de lado e preparou-se para adormecer, apelando ao cansaço que lhe tolhia os músculos, apesar de ter o cérebro aceso com as ideias deliciosas de diversos pratos esquisitos, diferentes, condimentados e requintados dispostos numa imensa mesa comprida, posta a preceito. Havia perfumes e cores imensas, havia uma enorme variedade à sua disposição…


Passou a língua pelos lábios, a imaginar como tudo devia ser suculento e tenro, doce e delicioso.


Estava ansioso, mas também estava muito cansado. Treinava-se com o mestre Mutenroshi para se tornar num rapaz forte, para aperfeiçoar a sua técnica nas artes da luta que aprendera com o seu querido avô, Son Gohan. Ele e Kuririn partilhavam esses treinos, o segundo juntara-se à escola do mestre pouco depois de ele ter aparecido na ilha à procura de lições – achava que era uma espécie de escola, apesar de o mestre não ter outros alunos para além dele e de Kuririn. Os três tinham passado uma temporada no continente em exercícios físicos esforçados, momentos de meditação, aulas convencionais porque eles também precisavam de saber de letras e de números, técnicas marciais, desafios aparentemente impossíveis…


Tinham regressado à ilha havia pouco tempo, a mulher morena chamada Launch  esperava-os. Era melhor que fosse a sua versão de cabelo azul, porque a versão loira era terrível, não tinha paciência nenhuma, não sabia cozinhar, gritava demais e usava armas que disparava sem cuidado algum. O que valia era que tanto ele, quanto Kuririn ou mesmo o mestre Mutenroshi, eram rijos.


E com esses pensamentos a rodopiar na sua mente, deixou-se mesmo dormir. Tinha um sorriso plácido no rosto e estava em completa paz consigo próprio, com o mundo, com o amigo que nem sempre era simpático mas que era muito engraçado, com os treinos… Com essa festa misteriosa que iria acontecer no dia seguinte…


Sentiu um abanão, alguém que lhe agarrava no ombro e o sacudia.


- Acorda! Depressa, acorda!


Levantou a cabeça oscilante. Tinha os olhos ramelosos, mal abertos, estava tonto de cansaço, mole porque lhe tinham interrompido o sono daquela maneira tão bruta.


- Hum? O que foi?


Notou a pouca claridade da madrugada na janela. Melhor, estava ainda demasiado escuro e era demasiado cedo para se levantarem. E lembrava-se, vagamente, de que o mestre lhes tinha dito que podiam dormir mais naquele dia.


- É tão cedo – lamentou-se e a cabeça tombou no travesseiro.


- Já é Natal, Son-kun!


A frase de Kuririn ecoou, incompreensível, dentro dos seus ouvidos.


- Hum… – murmurou ensonado. – E o que…


- É Natal! Vamos ver as surpresas que existem para nós!


- Surpresas? Que surpresas? – perguntou a arrastar a voz abafada por ter a boca encostada ao travesseiro.


Então veio a lembrança das cores e dos odores da tal mesa imaginada.


Esticou os braços, levantou o torso apoiado nos punhos fechados, piscou os olhos subitamente desperto, faminto e curioso.


- A comida!


Kuririn saltava do colchão e corria na direção das escadas, as meias que calçava a baterem de forma seca e abafada no soalho de madeira por cada passada que dava. Goku saiu disparado atrás dele e ultrapassou-o no último degrau.


Chegou ao piso térreo e estacou ao ver o que existia na sala da casa. Kuririn juntou-se-lhe e também ficou boquiaberto, de maravilha e de pasmo. Era mais bonito do que ele tinha sonhado.


- Isto… Isto é o Natal? – gaguejou Goku emocionado.


- Hai, Son-kun – gaguejou Kuririn, por sua vez, também muito emocionado. – As surpresas de Natal!


- Onde… Onde é que isto estava ontem?


- Magia… É a magia…


- Oh!


Na esquina da parede onde existia a grande janela panorâmica por onde se conseguia ver o mar a desenrolar-se em mansas ondas, o azul a acentuar-se por causa do sol que subia no horizonte, estava um grande pinheiro verde enfeitado com muitas cores, em que predominava o dourado e o vermelho. Havia luzes a piscar por entre as esferas e os sinos que se penduravam nos ramos do pinheiro, por entre as fitas felpudas que se enrolavam da base larga até ao topo estreito onde brilhava uma imensa estrela. Debaixo da árvore enfeitada estavam caixas embrulhadas em papéis coloridos, volumes de variados tamanhos.


- Presentes! – gritou Kuririn eufórico.


Abraçou-se a Goku num pulo e os dois começaram a dançar agarrados, saltando e gritando de pura alegria.


- Está ali a comida, Kuririn-kun?


- Não, não…


O rapazito de cabeça rapada, desprovido de nariz, correu até ao pinheiro e agarrou-se a uma caixa. Levantou-a, sopesou-a, fez-lhe carícias. Tinha um sorriso aparvalhado no rosto corado.


- A comida há de aparecer a seguir!


Goku também escolheu uma caixa para si. Colou-lhe uma orelha, cheirou-a, deu-lhe dois toques dom os nós dos dedos para avaliar a sua consistência.


- Estou cheio de fome – informou, enquanto avaliava uma segunda caixa.


- Feliz Natal, crianças!!


Os dois olharam para trás e viram, na entrada da sala, o mestre Mutenroshi e Launch com grandes sorrisos pespegados nos rostos amolecidos e pálidos, que mostravam que tinham também acordado demasiado cedo. Mas era uma manhã especial, uma manhã em que todos os meninos do mundo acordavam com o raiar do sol para descobrirem as surpresas natalícias.


Kuririn e Goku abraçaram-se ao velho e à mulher, com lágrimas felizes a humedecer-lhes os olhos inocentes. Balbuciaram diversas vezes obrigado, agradeceram comovidos todos aqueles presentes. A seguir abriram-nos, rasgando os embrulhos com gestos dramáticos, atirando as bolas amachucadas de papel pelo ar, criando um mar de detritos coloridos. Ganharam novos dogi para usar nos treinos, jogos de construções, livros de ilustrações, chocolates, uma consola eletrónica.


Enquanto desfaziam os presentes e os revelavam, para seu assombro e felicidade, Launch estava na cozinha. Chamou-os para comer, o dia já tinha nascido completamente.


A alegria de Son Goku duplicou ao ver a mesa dos seus sonhos e como ele a tinha imaginado. Com uma refeição farta e fragante, com alimentos que ele nunca vira. A mulher explicou muito carinhosa que aquele era o seu presente de Natal, já que as caixas que tinham estado a abrir na sala eram o presente de Mutenroshi. Goku comeu de tudo e à medida que ia enfiando os alimentos na boca, dizia, a mastigá-los, que estava tudo muito saboroso. Verduras e arroz, carne e peixe, doces variados com muito açúcar e canela.


Nunca tinha ouvido falar do Natal até àquele dia radioso, mas Son Goku decidiu, a partir daquele instante de descoberta e de maravilha, que seria, para sempre, a sua festa preferida.


O resto do tempo passou-o a brincar com Kuririn, na companhia descontraída do mestre Mutenroshi que se distraiu com os programas televisivos típicos da época, feitos com muita música, danças e outras apresentações inocentes, não eram os típicos programas que o velho gostava de apreciar na televisão mas era Natal, na companhia plácida de Launch que se enternecia ao ver os rapazes tão felizes.


E assim foi o primeiro Natal de Son Goku.

23 Décembre 2018 00:01:37 0 Rapport Incorporer 3
La fin

A propos de l’auteur

Andre Tornado Gosto de escrever, gosto de ler e com uma boa história viajo por mil mundos.

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