¿Qué hora es? Suivre l’histoire

zackyuchiha Zacky U.

Uma ligação inesperada, um encontro improvável e algumas doses de tequila. Itachi jamais se imaginaria envolvido de forma tão intensa nos mistérios que as terras mexicanas lhe reservavam.


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans. © Todos os direitos reservados

#universo-alternativo #heterossexualidade #álcool #méxico #Itachi-Sakura #itasaku #sakura #itachi #naruto #viajaink
Histoire courte
6
4.9k VUES
Terminé
temps de lecture
AA Partager

No dia de los muertos.

NOTAS INICIAIS


Desafio Mapa-múndi, México.


---


Itachi encontrava-se cansado naquele dia que não acabava mais. O laptop aberto sobre a mesa em uma chamada via Skype com seu pai e o irmão mais novo, Fugaku e Sasuke, não era pra matar a saudade da família por causa daquelas longas semanas que estava passando no México a trabalho, representando a família Uchiha. No momento eles discutiam sobre um assunto que parecia não mais ter fim.

O telefone tocou.

— Eu retorno para vocês mais tarde. - Itachi suspirou de alívio em ter aquele álibi perfeito para encerrar aquela reunião familiar conflituosa sem ter que levar a culpa. Não iria ligar de volta tão cedo.

Mal tirou o aparelho do gancho, do escritório em que estava trabalhando, e já foi bombardeado por uma falação sem fim. A primeira coisa que despertou sua curiosidade foi a emoção que a voz feminina transmitia, ela estava zangada com algo. A segunda coisa que lhe prendeu foi o timbre da voz da garota. Não sabia quem era, mas tinha certeza que era jovem e espirituosa. Pela quantidade de palavrões que estava soltando não devia ser muito culta.

Pelo que Itachi estava entendendo da história, um cara tentou batizar a bebida dela, a prima viu antes e a avisou. Que tipo de homem faria uma coisa dessas? Itachi ouvia tudo horrorizado, esquecendo-se momentaneamente que aquilo não era da conta dele. Afrouxou o nó de sua gravata, arrumou-se melhor na cadeira de couro e mergulhou naquele mundo paralelo, fugindo da sua realidade estressante e afundando em uma bem mais animada. Como vingança contra o garoto, Sakura, apesar do nome com a mesma origem do seu, pelo sotaque ele apostaria que ela era nativa daquele país, e ela tinha um jeito peculiar de narrar os próprios diálogos da sua história:


— Sakura, não, só vai causar mais problemas! - A prima dela aconselhou quando a mesma, pegando escondido o laxante da avó, colocou na cerveja do tal Ramon. Por isso, pela manhã ele teve que pagar o dobro das diárias do hotel, pois além do bêbado ter vomitado por todo o corredor até o quarto em que estava hospedado, ainda defecou todos os lençóis brancos da cama e toalhas no banheiro. O chão então, nem se falava. Aquele andar teve que ficar interditado o dia inteiro e o prejuízo foi todo para a conta do patife e canalha. Itachi amenizou a tradução de como realmente a latina estava se referindo ao mau caráter que tentou se aproveitar dela de forma tão baixa. Quando imaginou a cena deprimente de bosta espalhada para todo lado, parecia até coisa de filme, filme mexicano, não aguentou mais segurar a risada. 

Sakura congelou do outro lado da linha quando escutou uma voz grave e masculina sorrindo anasalado.

— Dulce? - A voz agora parecia atônita. - Quem tá falando? - Mesmo com a surpresa, foi possível detectar um fio de irritação no timbre potente.


— Desculpe... - Itachi limpou a garganta, tentando se recompor. - Você ligou engano - ele explicou.


— Então, quem tá falando? - Ela refez a pergunta. A entonação parecia horrorizada enquanto Itachi ainda tentava parar de rir.


— Me chamo Itachi.- Ele resolveu falar a verdade.


— Não sente vergonha por estar ouvindo a vida dos outros como um espião Itachi? - A voz feminina rosnou do outro lado da linha. O Uchiha acreditou por um momento que, se estivessem cara a cara, ela começaria a arremessar coisas contra ele.


— Foi você que me ligou para início de conversa, senhora. - Se defendeu.


— E ainda me fez perder meu tempo! Agora minha amiga já deve estar com alguma galera e eu vou passar o dia dos mortos sozinha! HRR - Ela desligou o telefone na cara dele.


Itachi olhou para o aparelho sem conseguir acreditar, balançou a cabeça em negativa, ainda rindo um pouco, e terminou de organizar seus pertences. Qualquer um o consideraria sortudo por estar em Cancún naquela época do ano, mas a verdade é que ele queria estar em casa. Fora do escritório estava uma gritaria sem fim, as pessoas dançavam e cantavam fantasiadas pelo meio das ruas, pelo menos o ritmo havia diminuído se comparado ao decorrer do dia. Já era no final da tarde. Não era muito fã de festas e bailes, mas se pudesse tomaria umas cervejas. Só que não conhecia ninguém ali, estava sozinho.


Sakura também estava sozinha. 


Não entendeu o porquê daquele pensamento lhe parecer tão convidativo, mas a ideia ganhou força e, quando se deu conta, já havia discado o número da última chamada. Não tinha nada a perder de qualquer forma. Achou que a ligação iria cair na caixa de mensagens e até ficou chateado, mas não iria insistir.


— Me dê uma boa razão para não chamar a polícia. - Ela parecia ainda estar irritada com ele.


— Caso não queira eles como companhias nesta noite, também estou sozinho. - Respondeu sarcástico. Ela levou uns segundos digerindo o que ele estava propondo. Suspirou derrotada, quando discou o número certo da amiga ela já estava tão bêbada que era provável que tequila circulasse nas veias no lugar de sangue. Não conseguia nem se lembrar de quem era Sakura. E talvez fosse melhor assim, apesar disso a entristecer.


— É bom que sua cara não seja tão arrogante quanto a sua voz. - Cedeu contrariada. Não tinha outro plano que não fosse beber sozinha.

Se algo desse errado pediria licença para ir ao banheiro e fugiria pelos fundos.

***

O rosto dele era tão arrogante quanto a voz, mas Sakura não achou aquilo ruim, nem um pouco. Marcaram de se encontrar num bar que ficava no meio do caminho onde os dois estavam e Sakura chegou primeiro. Quando viu o homem muy hermoso entrando sentiu o coração descompassando de leve. E ele, assim que colocou os olhos nela, foi seguindo até sentar-se na cadeira na frente da sua.


— Você tem mesmo o cabelo pintado de rosa. - Itachi achou que ela estava brincando pelo telefone. Sakura mostrou sua caneca para o garçom atrás do balcão, sinalizando que queria mais uma para o convidado.


— O seu não é exatamente um exemplo a ser seguido. - Por mais estranho que possa parecer, o cabelo maior que o normal dele não ficava ridículo, como Sakura diria se alguém lhe perguntasse. As madeixas negras amarradas em um rabo de cavalo baixo davam a ele um ar másculo e as poucas mechas soltas que contornavam o rosto harmônico lhe conferiam um ar de seriedade. O conjunto era impecável.


— Pelo menos ele mantém uma cor aceitável. Você perdeu alguma aposta ou algo do tipo? - Apesar das alfinetadas, os olhos deles não quebravam o contado nem por um segundo, eram como dois imãs atraídos por um campo magnético.


— Já ouviu falar de uma novela chamada “Rebeldes”? - Ela começou a explicar enquanto o garçom servia um copo para Itachi e enchia o dela novamente. - ¿Qué hora es? - Ela perguntou para o rapaz, que se virou para responder:


Siete.


— Aquela que tinha até uma banda? Acho que isso foi febre no mundo todo. - Ele respondeu antes de beber, satisfeito, sua cerveja gelada.


— Essa mesmo. Eu tentei pintar o cabelo de vermelho para ficar igual o da Roberta, não deu muito certo. Mas acabei gostando do rosa e deixei por isso mesmo. - Ela concluiu.


— Mas o sucesso deles deve ter mais de dez anos, é tão fã assim que resolveu manter até hoje?


— Hoje eu tenho outras razões pra não conseguir mudar a cor do cabelo, mas acredite, eu era doente neles. - Ela arregalou os olhos verdes para dar ênfase naquelas palavras e Itachi os achou ainda mais atraentes.


— Cantar as músicas e fazer as danças então é o mínimo que você sabe fazer? - Ele resolveu instigar só pra continuar a ouvir falando. Gostava da voz dela. Sakura levantou a barra da blusa. Itachi franziu o cenho e se curvou para olhar o que ela tentava mostrar.


— Doente. - Ela enfatizou diante da expressão de surpresa dele enquanto lia as iniciais "RBD" tatuadas ali, no canto da barriga dela.


— Não brinca comigo. - Ele só parou de olhar quando ela voltou a tampar-se.


— Em minha defesa, eu tinha quinze anos e meus pais não conseguiam ficar de olho em mim vinte e quatro horas por dia. - Ela deu de ombros.


— Mas hoje tem cirurgias que poderiam remover isso sem problemas. Se você quisesse, claro. - Ele usou um tom irônico no final da frase.


— É tarde demais. - Ela suspirou nostálgica e aquelas palavras não fizeram sentido para o Uchiha. - Seu nome, bem como suas feições, você é Japonês? - Ela mudou de assunto antes que ele questionasse alguma coisa.


— Tenho descendência. Você é a primeira mexicana chamada "Sakura" que conheço. - Ele estava mesmo curioso com aquilo.


— Meus pais eram donos de um hotel e restaurante na beira do mar, então eles tinham contato com muitos turistas. Minha mãe escutou esse nome uma vez e achou lindo. Cá estou eu. - Ela terminou sua segunda caneca e já pedia outra.


— Só eu que estou com fome? - Sakura disse, mas não esperou ele responder ou algo do tipo. Gritou para o cara da bancada um pedido. - Curte tortilhas? - Ela perguntou. Dessa vez esperando que ele opinasse.


— Acho que nunca comi. - Respondeu sincero. Ela fez um som de reprovação.


— Vamos resolver esse problema então. ¿Qué hora es? – Perguntou. Itachi franziu o cenho e buscou o próprio telefone, ela parecia não carregar nada consigo.


— Oito e quinze. – Respondeu curioso. A conversa fluía com facilidade e não demorou muito para o pedido deles chegarem.


— Não é a melhor já feita. - Ela disse ao morder um pedaço. - Mas dá pro gasto para um turista desinformado. - Ele sorriu também pegando aquela espécie de folha com salsa. Os olhos negros inspecionavam o alimento girando-o entre os dedos. - É melhor você segurar isso direito, não vai querer que caia. - Sakura alertou de boca cheia.


— Você mesmo disse que não é das melhores. - Ele respondeu provando um pedaço.


— Não é por isso. Se você derrubar vai ter que suportar a companhia de alguém muito chato. - Ela nem se deu conta da referência que aquela superstição fazia com a situação em que se encontravam. Itachi riu sozinho da primeira piada que lhe passou pela cabeça, mas resolveu fazer a segunda.


— Você deve ter derrubado uma mais cedo. - Brincou. A garota colocou uma mão sobre a boca para conseguir sorrir sem que ele pudesse ver a comida mastigada dentro da sua boca. Seria nojento.


Sakura era engraçada e divertida, Itachi notou que seu riso saía fácil na presença descontraída dela. Além de ser uma jovem muito bonita, não deveria ser muito mais nova que ele, mas bebia como se já tivesse passado por muita coisa.


— Como assim você tá no México e não virou nossas principais doses? - Ela perguntou contrariada depois de muita conversa boa jogada fora, assim como vários copos esvaziados. Assobiou para o garçom e fez um símbolo com as mãos. Não demorou muito para ele vir carregando dois shots de tequila. - Já traga duas de Meskal. - Ela disse virando o seu José Cuervo. Itachi seguiu seu exemplo sem demora.


— Tem um... Verme?... Dentro da minha bebida. - Ele notou quando o tal do Mezcal foi servido.


¿Qué hora es? - Sakura perguntou para o garçom, que lhe respondeu: nove e meia. - Essa é a ideia, Cagón. - Ela piscou um olho antes de virar o seu copo. Itachi olhou mais uma vez para o bicho, até jurou que ele havia se mexido. Sakura fez um som de repreensão e pegou o copo dele, ameaçando tomar tudo sozinha, mas ele foi mais rápido em lhe tomar de volta e beber tudo de uma vez.


Muy bien. - Sakura parecia satisfeita. Ainda beberam mais cerveja e o jeito ousado dela cativava Itachi de um jeito único, a gargalhada dela parecia contagiar a todos. Ela o chamou para caminharem, as ruas já deviam estar mais calmas e todos deveriam estar bêbados em suas camas. Pagaram a conta e saíram do bar um pouco tontos, mas bastante alegres.


— Eu não entendo como vocês podem ficar tão felizes comemorando algo tão triste como a morte. - Itachi falou em determinado momento. Sakura os guiava para um bairro onde a tradicional festa era comemorada com mais afinco, a decoração ficava cada vez mais característica.


— Para nós, a morte é divertida e engraçada. La Catrina é uma ótima senhora. Sem contar que as almas vão para um lugar melhor, não há motivo para tristeza. - Ela respondeu como se fosse óbvio.


— Mas perder pessoas queridas nunca será fácil ou tão empolgante como fazem parecer. - Ele contra argumentou.


— Você pode lamentar todos os dias do ano, menos hoje. Não vai querer que no único dia que seus amigos e familiares podem te rever, você esteja deprimido. - Itachi bufou diante daquelas palavras.


— Com isso eu chego à conclusão que: o catolicismo quando entrou em contato com a bagagem cultural Maia e Asteca de vocês fez uma mistura intrigante. Isso eu admito. - Ele tentou usar a razão, já havia estudado sobre o assunto, então falava com propriedade.


— Isso não é algo que possa ser entendido aqui, Uchiha. - Ela cutucou o meio de sua testa com a ponta dos dedos antes de direcioná-los para o lado esquerdo de seu tórax. - Mas aqui. - Sakura não se abalou com o ceticismo que ele demonstrava.


Itachi ficou intrigado com o gesto que ela fez em sua testa, aquela era uma tradição da sua família, mas Sakura não tinha como saber, então tudo não passava de uma enorme coincidência. Resolveu não discutir mais aquele assunto.


— Bem, fome eles não vão passar. - Entrou no clima quando passaram por altares montados em muros de casas.


— Esses são montados para quando toda a família morre, os amigos costumam fazer para que os mortos não caiam no esquecimento.


— As flores também combinam por alguma razão especial? - Ele notou vendo que a maioria possuía a coloração laranja.


Cempasuchil. Elas só florescem nessa época do ano. São como o sol e seus raios, são colhidas para poderem iluminar os mortos. - Explicou. - Qualquer detalhe que você ver terá um significado. - Desafiou.


— As velas geralmente são vendidas em pacotes fechados, então todos combinam de comprar da mesma marca? - Itachi brincou, arrancando um sorriso da bela garota.


— Não, mas no primeiro dia acendemos somente as pretas, que simbolizam todas as almas. Depois são as brancas com a chegada das crianças. E por último as coloridas em homenagem a todos. - Ditou categórica. Itachi fez um bico de quem estava impressionado. Apesar da diversidade de cores e presentes, as ruas estavam bonitas, com fitas e em algumas casas, balões.


— Para onde estamos indo? - Perguntou quando notou que ela parecia ter um destino certo.


— Para um altar em especial. Está com medo? - Ela brincou e, por um momento, Itachi achou que os olhos verdes brilharam mais do que seria humanamente possível.


— Não. - Respondeu. Deveria estar bêbado já, mas não conseguia mais desviar os olhos dos dela, que lhe fitavam na mesma intensidade.


Sakura se aproximou dele a passos lentos e, quando estava em seu alcance, Itachi esticou um dos braços e a puxou para si, afoito, a tequila os mantinham quentes naquela noite gelada, mas nada se comparava ao calor único dos corpos em contato um com outro. Ela jogou os braços ao redor do seu pescoço e apertou as madeixas negras enquanto ele lhe apertava pela cintura. Beijaram-se desejosos no meio da rua e Itachi sentiu-se um adolescente vivendo aquela noite que parecia insana em cada detalhe. Ele foi a puxando com ele mais para o canto, até poder prensá-la em um muro e ganharem, dessa forma, um pouco mais de privacidade.


Os lábios molhados pelo álcool deslizavam com facilidade uns sobre os outros, as línguas brigavam por dominância e Itachi sentia cada parte do seu corpo corresponder aos suspiros arrastados que Sakura soltava contra sua boca à medida que ele ia apertando o corpo menor que o seu. O beijo foi se intensificando cada vez mais até que Itachi tentou a suspender pelas pernas, mas ela separou as bocas de uma vez, podendo se ouvir apenas o som das respirações descompassadas, o ar carregado de tensão.


¿Qué hora es? - Ela perguntou.


— Você tem algum compromisso marcado? - Ele questionou olhando em seu relógio, mas já havia notado que ela parecia monitorar o tempo que passava. - Onze e meia.


— Temos que ir! - Ela disse se desvencilhando dele e o puxando pela mão com pressa.


Subiram uma ladeira e Itachi ainda tentava recuperar o fôlego, Sakura tinha um gosto bom. Depois de alguns minutos caminhando em silêncio chegaram em frente a uma casa grande, porém simples. Como a maioria daquele bairro, esta possuía um altar com oferendas, flores e velas já quase se esgotando no muro da entrada.


— Chegamos. - Ela disse e pela primeira vez na noite, Itachi não sentiu o tom animado no qual havia o cativado desde o começo.


— Onde exatamente? - Ele perguntou seguindo o olhar dela, que encarava o altar de um jeito indecifrável. Havia várias fotos espalhadas pelos degraus.


— Essa é a casa da minha Abuela. Ela faz esse altar todo ano. - Sorriu tristonha.


— Então é aqui que você mora. – Ele achou ter entendido.


— Não exatamente. - Ela se estendeu sobre o altar e pegou um chocolate em formato de caveirinha.


— Não vai ofender ninguém? - Itachi provocou.


— Pode ficar à vontade. - Ela abaixou-se minimamente estendendo um braço de forma teatral sobre as oferendas, como se estivesse lhe oferecendo um banquete. O Uchiha balançou a cabeça em descrença, mas esticou-se para procurar algo que pudesse lhe agradar.


— De que são feitas essas caveiras com... - Ele cerrou os olhos se atentando a um detalhe. - ... Nomes escritos.


— São feitas de açúcar. Pode pegar aquela ali! - Ela apontou para uma mais num canto do altar. Itachi pevou e franziu o cenho quando, antes de morder o doce que ela indicou, leu o nome que havia entalhado no açúcar.


— Esse tem um nome igual ao seu. Sua família é bem peculiar. - Ele mordeu e constatou que tinha um gosto bom. Uma foto, entre tantas, lhe chamou a atenção. A pegou e alisou os traços daquela criança sorridente de olhos claros, achou familiar.


Até que Itachi sentiu um calafrio estranho passar por sua espinha. De repente um silêncio estranho tomou conta da noite e era como se o ar tivesse parado de se mexer. Contudo, uma brisa suspeita balançou as flores de um arco grande que estava no último degrau daquele altar. Itachi encarava o objeto como se esperasse alguma reação dele.


— Aposto que você também não sabe o significado do arco com flores. - Sakura provocou.


— Aposta um beijo? - Ele rebateu traquina, fazendo-a rir abertamente, lembrando um pouco a leveza que carregava no início da noite.


— Apostado. - Ela lhe piscou um olho com diversão, mais uma vez, um brilho incomum nos orbes verdes e Itachi desejou ter bebido um pouco menos. - São portais. Passagens para que as almas passem do outro mundo para esse.


Ele assentiu. Nunca imaginaria que aquela seria a função.


— Se eles estão em um lugar melhor, por que iriam querer voltar para aqui? - Sentiu que agora pegaria ela, sua razão contra todo aquele misticismo.


— Geralmente não. Elas não vêm. Ao menos que estejam observando e encontrem algo interessante que valha a pena. Como um belo homem, inteligente, reservado, precisando sair para relaxar... - Itachi riu da brincadeira que ela estava fazendo.


— Sim, cla... - Interrompeu sua fala quando, virando o rosto para encará-la, ela não estava mais lá.


— Seus olhos são lindos. Acho que nunca me esquecerei deles. - Sakura disse do outro lado dele, o oposto que estava há pouco menos de um segundo.


— Como você...– Foi interrompido.


— Meu tempo acabou. Foi um prazer lhe conhecer... Itachi. - Então ela deu aquele sorriso largo e sincero que havia ganhado o coração de Itachi na primeira vez que ele o viu. Um vento estranho começou a rodeá-la e bagunçar as madeixas rosa.


Itachi se virou, sentindo a cabeça rodar, a mente não conseguia associar as informações que os sentidos captavam, não fazia sentido. Ela caminhou, mas parecia flutuar, passando por ele e esbarrando em seu ombro com delicadeza. Era mais baixa, entretanto inclinou a cabeça e soprou em sua direção de forma que Itachi sentiu como se ela houvesse depositado um beijo em sua bochecha. Sua mão foi rápida e a segurou pelo pulso. Sakura olhou para baixo e quando ergueu o rosto sentiu os lábios sendo tomados mais uma vez pelos embriagados do Uchiha. Permitiu-se aquele último contato caliente, mas teve que interromper por causa de um chamado que apenas ela escutava.


— Quando vou lhe ver de novo? - Ele perguntou de olhos fechados, entorpecidos pelos leves beijos que ela ainda depositava em sua boca.


— Esteja aqui no ano que vem. - Ela sorriu e ele sabia a cara que estava fazendo só pela entonação que ela usou. - Hasta luego. - Dessa vez o sussurro dela parecia reverberar apenas em sua mente, e o pulso que segurava há poucos instantes simplesmente se desmaterializou.


Itachi abriu os olhos e viu que estava sozinho na rua. O ar voltou a se mover e ele tinha a impressão que o vento realmente entrava e saía por aquele arco de flores. Havia bebido demais? O que havia acontecido ali? O que era realidade?


O que não passava da sua imaginação?Só havia um jeito de ele descobrir aquilo: estando naquela cidade no dia dois de novembro do ano seguinte.


No dia de los muertos.


---


NOTAS FINAIS


Hey guys, então, sou novo na plataforma e esse é o meu primeiro desafio. Espero que tenham gostado \o/



23 Novembre 2018 19:49:58 14 Rapport Incorporer 5
La fin

A propos de l’auteur

Commentez quelque chose

Publier!
MiRz Rz MiRz Rz
Olá, eu sou a MRz e venho pelo Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história está “em revisão” porque em alguns lugares da sua história, há algumas palavras faltando. A frase “[...] nenhum pouco [...]” também está errada, sendo a forma correta “[...] nem um pouco [...]”. A expressão “a vontade” possui uma crase, sendo que o correto é “à vontade”. Depois de corrigido esses erros, é só responder esse comentário para que eu faça uma nova verificação. De resto, a história está maravilhosa, parabéns!
28 Février 2019 16:28:53

  • Zacky U. Zacky U.
    Olá. Obg ^^ Os erros foram corrigidos. Aguardo. 13 Mars 2019 16:02:46
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Primeiro de tudo, pedimos desculpa pela demora para postarmos o comentário e faremos o possível para que esse atraso não se repita. Itachi e Sakura são um casal muito interessante! Você trabalhou bem eles dois dentro da sua história, mesmo mudando a nacionalidade dela. Teve todo uma curiosidade do porque a Sakura ficava perguntando toda vez que horas eram que foi muito bem resolvido e deu aquele choque ao saber o motivo kkkkkk Você se adequou muito bem ao tema fazendo a história de passar em um feriado tão importante que é Dia dos Mortos. A história está muito boa, com toda essa reviravolta sobre a Sakura! Agradecemos por ter participado! Até mais!
22 Février 2019 10:28:16

  • Zacky U. Zacky U.
    Olá ^^ Sobre o atraso: tranquilo, entendo que vocês estão lutando bastante para que a plataforma melhore cada vez mais. Fico feliz pela minha história ter sido aprovada. Eu que agradeço pelo desafio, sinto que melhorei com ele. Abraços ; ) 27 Février 2019 08:25:34
Saah AG Saah AG
Olha, eu tenho que admitir que foi a primeira ItaSaku que eu li na vida e tb tenho que admitir que sempre tive um quê de preconceito com esse casal, mas acho q você foi a pessoa responsável por quebrar essa minha bobeira. Muito bem ambientalizado, parágrafos bem escritos, ótimos diálogos, boa dinâmica do casal (mesmo numa fic tão curta), enfim. Só tenho que te parabenizar. Foi uma ótima fic. Ps: eu percebi q a Sakura era um fantasma na hora que eles tavam de pegando no muro e era onze e meia da noite. Ps2: adorei as referências ao RBD.
2 Décembre 2018 19:13:09

  • Zacky U. Zacky U.
    AAAA como é bom saber que você reconsiderou ItaSaku, meu coração ta só o mel agora. Eu amo esse casal (OTP), se quiser ler é só me procurar, vou migras várias histórias pra essa plataforma. Obg pelas palavras, fico lisonjeado ^^ Abraços ;) 4 Décembre 2018 09:18:14
 Noctis Noctis
Vamos lá: primeiro, essa é a primeiríssima obra sobre o ship que eu leio. E eu tô meio chocada por tê-lo shippado com tanto afinco. E o final, foi aquele plot twist que deixa a gente com aquela carinha de: UÉ, PORRA! Perdoe o linguajar, mas é que eu tava torcendo por um final feliz, rs. Eu gostei, combinou com o país escolhido e as tradições que por lá sabemos existir. Místico e com aquele toque de quero mais, que nos faz torcer avidamente para que eles se reencontre no próximo 2 de novembro! ;-; Olha que ship impossível, huh?! Why God, why?! Parabéns, por conseguir me cativar na leitura e torcer tanto por eles, sendo que nunca antes havia visto nada sobre o casal. Parabéns também por concluir o desafio <3
2 Décembre 2018 15:45:39

  • Zacky U. Zacky U.
    Fico imensamente grato e muito feliz por você ter gostado! No meu coração ele volta todo ano para revê-la ^^ Eu amo ItaSaku, é meu casalzão da Porra, perdoe o linguajar haha se depender de mim verá muito deles por aqui. Muito obg por ter lido e comentado, é o que faz valer a pena tudo isso sz Abraços ;) 4 Décembre 2018 09:23:42
Yasu Wada Yasu Wada
Que plot twist inesperado, desde o princípio não tinha imaginado esse final! A sua fanfic me surpreendeu. Ela ficou realmente muito boa desde a parte da escrita e a ambientação. E ela com certeza deixou um gostinho de quero mais
1 Décembre 2018 10:06:52

  • Zacky U. Zacky U.
    Oiê, fico feliz que tenha gostado ^^ Muito obrigado sz 4 Décembre 2018 09:15:30
Nathy Maki Nathy Maki
AAAAEEEEEEEE ADORO A SENSAÇÃO DE ACERTAR ALGO E ESSE ALGO ACONTECER! Tava esperando muito desde a primeira pergunta pela hora que ela fez. Amei!!! Espero que Itachi continue voltando mais vezes pra comprovar a verdade :v Mas tenho que dizer que bateu uma vontade de chorar pq tudo que eu conseguia pensar era em viva a vida é uma festa T.T Plot twist <3 Digamos que essa é a segunda fic itasaku que eu li na vida e nossa, cê escreve bem pra caramba! A ambientação tbm está ótima e eu adoro esse casal :3 parabéns pela história maravilhosa e que deixou uma coisa gostosa no peito! Beijinhos <3 P.s: eu concordo com a Ayzu, uma original desse tema ia ficar um arraso tbm, mas amei a fanfic <3
29 Novembre 2018 20:20:27

  • Zacky U. Zacky U.
    Muito obrigado pelas palavras ^^ Eu amo ItaSaku, meu otp supremo, sou novo na plataforma, mas postarei muitas histórias deles ainda. Se bater uma vontade do nada sabes onde procurar haha No meu coração Itachi volta todo ano pra vê ela viu?! haha Abraços e mais uma vez obg sz 4 Décembre 2018 09:11:54
Ayzu Saki Ayzu Saki
EU ESTAVA ESPERANDO ESSE FINAL DESDE A PRIMEIRA VEZ QUE ELA PERGUNTOU AS HORAS. Feliz que não fiquei decepcionada hahahaha Que incrível, adoro esses plot twists. A estória me prendeu desde o começo também, apesar de ter gostado de ser fanfic, ela daria uma original incrível também.
23 Novembre 2018 14:54:09

  • Zacky U. Zacky U.
    AAAAAA Muito obrigado ^^ Vlw pela dica, realmente tbm daria uma original. Fico feliz que tenha gostado sz Abraços ;) 4 Décembre 2018 09:09:14
~