Desire Suivre l'histoire

senhorasolo Elane Santiago

Motivada pelas amigas, Rey se cadastra em um site de relacionamentos, após um ano solteira e disposta a seguir em frente e conhecer alguém que valha a pena. Para proteger sua identidade e garantir sua segurança, ela não usa seu nome real. Um usuário chamado @kyloren chama a sua atenção, e logo eles começam a trocar mensagens. Está decidida a conhecê-lo pessoalmente e aplacar os desejos de seu corpo, mas terá uma surpresa ao descobrir quem de fato ele é...


Fanfiction Films Interdit aux moins de 18 ans.

#rey #internet #star-wars #reylo #reyben #kylo-ren #nudes #bate-papo #namoro-virtual
2
4468 VUES
En cours - Nouveau chapitre Tous les 15 jours
temps de lecture
AA Partager

Um

O toque que sinalizava a chegada de uma mensagem tocou duas vezes no aparelho celular que estava ao lado do teclado do computador. Rey apertou os lábios, ansiosa e nervosa. Refletia se devia pegar o aparelho e abrir logo as mensagens ou procrastinar mais um pouco em favor de sua vergonha e dignidade.

Sem se dar conta, ela estava corando. As mãos cerraram e tremeram levemente. A boca ficou seca e desejou ter uma garrafa d'água à mão. Ela apertou os lábios e novamente rejeitou a vontade de levar a mão ao celular e ver o que ele tinha lhe respondido.

Há pouco mais de três meses, Rey decidiu criar uma conta num site de relacionamentos. Foi uma ideia estúpida, incentivada por suas amigas quando estavam bêbadas. Rose, Paige e Kaydel diziam que ela não morreria por fazer isso e se não desse certo, não seria o fim do mundo, pois não seria a primeira e nem a última pessoa a constatar que – salvo por algumas exceções – namoros on-line não funcionam.

Ela estava solteira há um ano, após um relacionamento que durou mais de dois. Queria um novo companheiro quando embarcou naquela loucura. Ela se arrependeu umas cinquenta vezes depois – ainda que Paige dissesse que ela estava exagerando e que não era tão ruim assim.

— Relaxa. Encare isso como uma grande aventura divertida. Pode não dar certo, como pode dar também – disse Kaydel na ocasião.

— Isso é tolice! Faz parecer que eu estou desesperada – ela respondeu.

— Claro que não.  Só está experimentando um caminho diferente. Você não é a primeira pessoa que faz isso, Rey.

— Se der merda você exclui tudo e finge que nada aconteceu – recomendou Rose.

Ela tomou o notebook das mãos de Rey e editou algumas informações no perfil de usuário do amigo.

— O que está fazendo, maninha? – perguntou Paige.

— Só umas alterações e adicionando umas coisinhas... – respondeu enquanto os dedos digitavam rápido no teclado. – Rey, você ainda tem as fotos daquela viagem para Scarif do ano passado?

— Tenho. Estão no arquivo, numa pasta com o nome da viagem, por quê?

Ela não respondeu. Esperou terminar para mostrar. Procurou a pasta que ela indicou e olhou ligeiramente uma por uma todas as fotos. Achou uma que atendia mais ou menos as suas pretensões. Uma selfie na beira da piscina, tirada de cima. Ela estava de biquíni, os cabelos mais compridos do que estavam atualmente.

Arrumou seu cabelo em um coque no topo da cabeça, estralou os dedos e trabalhou numa edição na foto. Na realidade ela só cortou a imagem, de modo que ocultasse quase que totalmente o rosto do amiga, deixando apenas o seu sorriso, e jogou um filtro sutil sobre ela. Em seguida fez upload no perfil do site, adicionou mais informações na descrição e alterou o nickname de Rey de “@reyjackieline1” para “@jackiesmith”.

Virou o notebook para a morena que arregalou os olhos em surpresa, mas depois sorriu, fazendo Rose saber que tinha aprovado suas alterações.

— Bom, eu estou mais interessante – disse ela, lendo as informações de seu perfil. – E com o novo nickname não tem como associarem a mim.

— É uma questão de segurança, Jackeline – respondeu a outra, usando o segundo nome de Rey.

— Não diga a ninguém detalhes da sua vida, o seu endereço, nem seu nome verdadeiro – aconselhou Paige.

— Calma, meninas! – disse Kaydel. – É só um site de relacionamentos. Não quer dizer que ela será assassinada. Ainda que isso aconteça às vezes...

— Muito obrigado, Kaydel, me deixou mais tranquila – retrucou Rey com ironia.

Rose sorriu. — E o mais importante – ela disse –, se for compartilhar nudes, proteja o seu rosto.

— Nudes? Você quer dizer fotos íntimas?

— Sim. Não mostre o rosto.

— Desde quando você entende tanto sobre como tirar nudes, hein? – perguntou Paige.

Rose não olhou para sua irmã, sabia que ela a fitava com um olhar censurador e que estava zangada. A mais velha era responsável por ela, e apesar de lhe dar muita liberdade, não gostou nenhum pouco dessa história.

— Todo mundo sobre essas coisas, ué!

— Você só tem dezessete anos, porra! Você...

— Eu nunca mandei a droga de um nude se é o que vai dizer, sua chata!

— Rose...!

— Enfim! – falou Kaydel para encerrar aquela conversa. — Rey, deve tomar cuidado se compartilhar essas... fotos íntimas. Mas eu recomendo que não faça isso – disse firmemente. – Vamos concordar que isso é muito errado.

— Eu sei disso, Kaydel – disse Rey. – E não se preocupe, fique sabendo que eu jamais faria uma coisa dessas!

 

Ela fez. Há quinze minutos. E o celular bipando pela quinta vez agora é o prelúdio das consequências sobre aquele ato. Ela está tão arrependida que a única coisa que consegue fazer é agradecer por ter dado ouvidos aos conselhos de Rose sobre proteger o rosto.

Rey está envergonhada. É uma benção que o cara não possa ver o rosto dela, porque do contrário ela cavaria um buraco e enfiaria sua cabeça dentro.

O usuário “@kyloren” é um homem que ele conheceu no site de relacionamentos que suas amigas a convenceram a participar. Conversam pelo bate-papo do aplicativo do site; continuam se tratando pelos nomes que adotaram no site. Kylo e Jackie. Nunca conversaram sobre isso, mas havia um consentimento mudo de que revelarem seus nomes estragaria as coisas e eles prezam por suas respectivas seguranças.

Confiança na internet tem limite e existem cuidados que são indispensáveis.

Rey está pensando que desrespeitou todos esses cuidados e ultrapassou todos os limites por ter enviado uma foto sua daquela maneira. Mas não é isso a sua principal preocupação. Ela está com medo de ter estragado tudo entre ela e Kylo. De ter posto tudo a perder antes de conhecê-lo de verdade.

Kylo entrou na vida de Rey de uma maneira que em outros tempos acharia completamente absurda. Eles começaram a conversar timidamente, mas com o tempo, foram se tornando mais livres para começarem a flertar.

Kylo era sensual até na forma como escrevia, e ela nunca ouviu a sua voz, mas imagina como seja grave e sexy. Ele tem uma lascívia na maneira como digita suas frases, é difícil de explicar. Tem prazer com a provocação, tanto que se tornou comum ela ficar excitada enquanto conversava com ele. As suas intenções eram muito nítidas.

Suas amigas diziam que ela tinha que ser mais direta e ofensiva. Bem, ela tentou. Mas ainda que timidamente, as consequências que colheu geravam um furacão de emoções e desejos.

Descobriu que Kylo também ficava excitado conversando com ela. Que ele também tinha pensamentos eróticos com a voz dela em seu ouvido sussurrando coisas sujas, que desejava vê-la e encontrá-la para fazerem tudo que lhes apetecessem. As coisas foram fluindo de modo que ela não conseguia olhar para trás e achar um ponto em que tudo poderia ter sido feito diferente. E agora, meses depois, eles começaram a trocar fotos íntimas.

Se ela fosse outra, jogaria toda a culpa sobre ele, dizendo que foi Kylo que começou. Foi ele que mandou a primeira foto. Mas sabia muito bem que tinha culpa no cartório. E ele ter começado foi o que ela precisava para despertar o seu pior lado.

Todo mundo tem seus pecados e vícios e fraquezas. Rey não é uma exceção. Ela sempre se orgulhou de suas virtudes, porém, aquele homem despertou nela os sentimentos e desejos sombrios que sempre soube que existiam dentro de si, mas que estavam duramente controlados.

Disciplina. Seus tutores repetiram a vida toda o quanto isso é essencial na vida de uma pessoa. Então onde foi que ela errou? Como consertar? Tem conserto? Ela ultrapassou o ponto de retorno, sabe disso.

Coloca as mãos na cabeça e faz uma leve pressão com elas. Não tem jeito. Ela tem que enfrentar Kylo. Pegou o celular, mas não desbloqueou a tela ainda. Fitava o aparelho que tremulava em sua mão. Estava tremendo. Para seu alívio, a porta do escritório abriu-se e ela colocou o celular de volta na mesa, mais rápido do que pretendia, vendo Qui-Gon entrar. O tio olhou para ela e sorriu. Conhecia muito bem a sua sobrinha e percebeu que ela estava nervosa com algo. Perguntou se estava bem, se tinha acontecido alguma coisa.

— Não – respondeu, orgulhosa de si mesma por não ter evidenciado em sua voz que algo estava acontecendo.

— Como está indo com o seu trabalho da faculdade? – Qui-Gon Jinn perguntou, sereno como de praxe, cruzando as mãos em frente ao corpo.

Trabalho da faculdade? Que trabalho? Rey engoliu em seco e olhou para o notebook. Estava aberto em um arquivo do Word. Seu trabalho para entregar no dia seguinte, que o tio (e patrão) fez a bondade de lhe dispensar do trabalho na loja por uma hora para que o fizesse. Ela estava terminando de fazê-lo quando Kylo começou a mandar mensagens. Rey se distraiu com a conversa. Ele mandou outra foto dele, mais recatada – se é que podia chamar assim aquela foto de seu abdômen e quadril onde ela podia ver claramente uma ereção sob a roupa íntima; a peça mal comportava todo o seu tamanho. Ela sente-se ficando molhada só de se lembrar da imagem. Ela aperta as coxas bem juntas e respira, tentando não demonstrar nada a Qui-Gon.

Kylo sugeriu por meio de uma indireta sutil que queria vê-la também. Então tomou coragem para mandar a foto que tinha tirado no dia anterior. Em seu quarto ela tirou uma selfie trajando apenas uma calcinha branca e camisa branca de botões aperta. Tirou-a deitada na cama, de cima, mostrando o vale entre os seios e a calcinha.

Pelos céus! Ela quer bater a sua cabeça contra o teclado!

Qui-Gon ainda aguardava uma resposta. Umedeceu os lábios e disse:

— Não está indo.

Qui-Gon sorriu compreensivo para a sobrinha. Entendeu que Rey estava com dificuldade com o exercício.

— Foi você que escolheu Direito – ele disse.

— Sim, eu sei. É que... Não é como eu imaginava.

— É difícil.

— Sim... – Ele não ideia de como era difícil. Mas nesse ponto Rey não se referia mais à faculdade.

— Não se cobre tanto, Rey. – Qui-Gon se aproximou. – Lembre-se de que sobrecarga gera estresse e isso rebaixa o seu desempenho.

— Sim, senhor. – Suspirou e fitou o arquivo no computador. Olhou novamente para o outro homem. – Precisa de mim para alguma coisa?

— Oh, sim! – exclamou, recordando-se do motivo que o fez ir até ali. – Depois que terminar de fazer isso, quero que olhe as câmeras com Paige.

— Sim senhor, tio.

Qui-Gon deixa o escritório e Rey coloca o celular em modo silencioso e joga-o no fundo de uma gaveta. Ela olha para si mesma naquela calça cáqui que vestia.

Mexe o quadril desconfortavelmente. Havia engordado um pouco e a peça que comprara há mais de três anos, quando era mais jovem e mais magra começava a ficar apertada para ela. Toca-se, puxando o tecido de entre as pernas com o intuito de tentar arrumar a calça para aliviar um pouco o aperto – até pensava em abrir o primeiro botão –, contudo, o simples contato com sua boceta, ainda que sob a roupa, lança uma corrente elétrica em sua pele e sua mão formiga para abrir o zíper e se masturbar com a foto de Kylo até gozar.

Não!  Responsabilidades em primeiro lugar. “Controle-se Rey, você terá tempo para isso mais tarde.”

Ela foca no arquivo aberto no computador portátil e trabalha nele. Usa o Google algumas vezes para fazer pesquisas e baixa também algumas imagens. Ela levou mais tempo do que o esperado, mas quando enfim termina, usa a impressora do escritório para imprimir o seu trabalho. Guarda-o na mochila e deixa a saleta.

Ela caminha pela loja de música que conhece como a palma da mão. Sua boceta está um pouco dolorida ainda, mas ela decide ignorar. Há um blues tocando, porém ela não presta muita atenção na melodia.

Sempre amou a loja de música de Qui-Gon Jinn, desde que era criança. Ia para lá todas as tardes, depois da escola, brincava entre as prateleiras, com os instrumentos, e atrás do balcão. Com oito anos, ela já sabia mexer na caixa registradora.

 Apesar de praticamente trabalhar na loja desde que se lembrava, foi oficialmente contratado com dezessete anos. O salário é não é grande coisa, mas o suficiente para uma garota solteira que não tem muitas despesas, haja vista que sua faculdade é paga por seu tio.

Sua mãe, irmã de Qui-Gon, ocasionalmente sentia ciúmes da relação de sua filha com seu irmão, que era muito mais próxima que a sua com ela. Mas ela achava que Qui-Gon era uma boa influência para Rey. E estava certa. Qui-Gon ensinou Rey a ser responsável, honesta e justa. Que não desistisse de seus objetivos, que não abandonasse a esperança e a verdade. Qui-Gon pagava a faculdade de Rey por insistência própria; a um prazer fazer isso para Rey que era como uma filha.

Na infância, Smith dizia que seria cantora quando crescesse, até aprendeu a tocar alguns instrumentos, mas envelheceu e descobriu sua verdadeira vocação na advocacia. Queria defender as pessoas, fazer justiça da forma correta. Isso lhe dava satisfação.

Ela acha Paige sobre uma escada de três degraus, instalando uma câmera de segurança ao lado da frente de caixa¹. Tico parece bastante concentrada, então ela anuncia a sua presença de modo que não a assustasse e se desequilibrasse.

— E então? – perguntou Rey.

— Falta só essa e as de fora – Paige respondeu. – Pode segurar essa escada, por favor? Essa merda está balançando e eu não quero cair. Qui-Gon não vai me indenizar por acidentes no trabalho.

Rey segurou a escada com firmeza e observou a amiga instalar a câmera.

Paige tinha sido contratada há menos de um ano, por pedido de Rey, pois precisava de um emprego. Mas Paige não gostava tanto assim do trabalho. Continuava ali porque precisava do dinheiro.

Um tempo depois elas terminaram de fazer as instalações. Paige estava no caixa, configurando o software no computador e conectando todas as câmeras.

— Pronto! As câmeras estão instaladas – ela disse.

— Perfeito! – Rey comemorou.

No televisor, os oito enquadramentos exibiam os pontos que cada câmera filmava. Qui-Gon ficou tremendamente satisfeito com o resultado. Paige sugeriu que merecia um aumento depois do que fez.

— Volte ao trabalho, Paige. — Qui-Gon virou as costas e saiu.

— Eu não acredito que ele fez isso! — Paige falou. — Eu o poupei de chamar assistência técnica e ele continua sendo um pão-duro comigo.

— Ele não é pão-duro. Ele só... Sabe...

— Nem tente defendê-lo só porque é seu tio. Nem argumento para isso você tem.

— Posso falar com ele.

— Esquece! Por que eu aceitei esse emprego, meu Deus?!

Rey revirou os olhos, e virando-se para voltar ao trabalho, encontrou algo que chamou sua atenção.

Numa estante à sua frente estavam postos vários CD's de bandas de rock. Mas uma em especial chamou a sua atenção. Era de banda de heavy metal, chamada The Sith Lords, intitulado “Come To The Dark Side”, com nove faixas. Na capa, os quatro integrantes formavam um semicírculo, um de costas para o outro, com os rostos cobertos por capuzes negros.

Foi inevitável que seu pensamento fizesse uma ponte direta com Kylo. Lembrava-se de que ele disse que era fã desses caras.

— Desde quando se interessa por heavy metal? – indagou Paige. Rey não tinha percebido que ela se aproximou, mas não se assustou.

— Não, é que... Kylo é fã dessa banda.

— Kylo? Ah, o seu namorado virtual.

— Ele não é meu namorado.

— Tanto faz. Eu adoro o som deles, são incríveis!

— Hm.

— Devo admitir que seu namorado virtual tem bom gosto para música.

— Ele não é meu namorado virtual! Que porra! – Cerra os dentes, já irritada. – Nós só conversamos e... Há um interesse de ambas as partes.

— Você e sua mania de colocar obstáculos na sua vida sentimental – Paige disse. Rey fita-a e sente que aquilo foi uma reprovação.

Rey devolve o CD ao seu lugar e quando dois clientes entram, ela senta-se ao caixa. Atende os clientes mecanicamente. Seus pensamentos continuam vagando para ele e para o celular que deixou na gaveta do escritório. Já se passou duas horas desde então. Ela tenta não pensar nas duas imagens que tem dele; mais especificamente no volume do seu pau naquela cueca que ela quer chupar.

Sua boceta novamente dá sinais de vida. Droga!

Ele realmente quer saber o que ele respondeu agora, no entanto, teme. E se... E se ele não gostou?

Sente-se covarde. Melhor dizendo, sente-se ridícula por não saber lidar com relacionamentos. Seu último é um exemplo... Bem, o que existe entre ela e Kylo é um relacionamento, ainda que não definido. Então ela pensa se não está se iludindo e criando expectativas sem bases sólidas. Talvez ele não pense como ela. Talvez ele não a leve a sério. Talvez logo ele esteja se fartando dela. Talvez...

Balançando a cabeça ela espanta esses pensamentos.

— Ah, não! – diz Paige, olhando para as câmeras. Rey segue o olhar dela. – Lá vem ele.

“Ele”, a quem ela se refere, é Ben Solo. Um cara problemático que elas conhecem desde o tempo do colégio.

Ele entra na loja e Rey sente um calafrio.

Seus cabelos estão mais curtos do que quando ela o viu pela última vez, mas ainda cobrindo as orelhas enormes. Sua pele é muito pálida, ele é alto e forte. Ele veste jeans pretos e rasgados, coturnos e camiseta da banda Avenged Sevenfold, com um casaco de estampa militar.

Ele é como o mal em figura de gente. Ben sempre foi um valentão estúpido na época do colégio. Adorava provocá-la, testar sua paciência e já até colocou chiclete no seu cabelo no dia da foto do ano. Ela revidava, e apesar de seu tamanho não assustar Solo, era suficiente para acertar um chute no meio das suas pernas.

Mas seus olhos castanhos são bonitos e brilhantes, sua boca carnuda e avermelhada é um convite para a perdição. Algo nele dispensava calor e fascínio, talvez a forma como ele caminhava, ou como encarava as pessoas, sempre tão intenso.

Pergunta-se então porque ela reparou nisso. Ele nunca foi interessante para ela e seu histórico com Ben não é nada amigável. Eles já brigaram bastante, e mesmo após adultos, ambos insistem naquela animosidade.

Mas agora ela acha que ele é atraente, e que os seus olhos castanhos são brilhantes. Algo queima abaixo da linha do umbigo com a camiseta dele que é tão justa que exibe a forma dos músculos de seu peitoral.

Droga! Droga! Droga!

Ele para diante das duas mulheres sorri descaradamente para elas.

— Tico – ele diz. Paige pode sentir o deboche quando ele menciona o seu nome. – Continua como uma fracassada à sombra da Smith? – Então ele olha para Rey e esta bufa. Rapidamente ela fica desmotivada diante da sua acidez.

Ok, ela assume que mesmo com aquele visual esquisito, ele é de uma forma bonito, e perturbadoramente sexy também, mas bastou que abrisse a boca para que isso se tornasse irrelevante para ela. Sua boceta não concorda. Ela ainda está irritada e dolorida lá embaixo.

— O que vai querer, Solo? – ele pergunta, ignorando a tensão entre ela e sua amiga com o moreno, e usando todo o seu profissionalismo.

Ele cruza os braços e bate o dedo indicador no queixo, como se pensasse. Paige aperta os lábios para não gritar com ele ali mesmo. Não é possível que ele tenha ido até ali para ainda pensar no que irá querer. Mas ele é um cliente e, mesmo que ela o deteste, é obrigada a tratá-lo o melhor que consegue.

— A cabeça de vocês duas – ele diz –, da Kaydel irritante e daquela baixinha chata sai por quanto no débito à vista?

— Meça as suas palavras para falar da minha namorada, seu babaca! – Paige cospe.

— Ou vai fazer o que?

— Solo, isso é uma loja de música. Vende-se coisas relacionadas estritamente à música. – Rey se levanta com a mão para Paige, indicando que ela não se movesse, ainda mantendo profissionalismo, mas usando um tom mais firme. – Têm CDs, DVDs, discos, aparelhos de som, instrumentos, palhetas, camisas de bandas, assim por diante e etcétera e tal.

O olhar de Ben cai imediatamente para seu colo quando ela se levanta. Os seios ressaltados na blusa levemente decotada que ela vestia. Ela acompanha o olhar dele e percebe que ele estava olhando seus seios. Rey quer socá-lo! “Filho da mãe”, ela pensa.

— Perdeu alguma coisa?

— Está corando, Rey Smith? — ele provoca.

— Você vai comprar alguma coisa ou não? – pergunta, o mais natural que consegue. Está acostumada a lidar com Solo. Ele pode tentar tirá-la do sério, mas Rey não vai dar a ele esse gostinho. – Estamos com uma promoção. Tudo com 15% de desconto. É melhor aproveitar, pois é por tempo limitado.

Ela está com aquele sorriso de novo, aquele maldito sorriso faceiro e Ben sabe que não conseguiu pegá-la dessa vez. Isso o deixa irritado e frustrado. O castanho-esverdeado de suas íris está fitando-a enquanto ela cruza os braços.

— Como você é ridícula – ele disse, sua voz é rouca, grave e venenosa. Contudo, Rey o conhece, e sabe que suas tentativas de a ofender são sua autodefesa contra o que ela chama de “crise pós-não-consegui-deixar-a-Rey-bem-puta-de-raiva-como-eu-pretendia”.

— Ben, minha querido Ben, por que ainda insiste nisso? – ela pergunta. O semblante dele é franzido e confuso. Ele não compreende a que ela se refere. Sua raiva é amplificada por ela ter tido a ousadia de chamá-lo de “querido”. – Despreza-me, mas no fundo sempre esteve louco por mim.

Ele ri. Ri com franqueza, como se tivesse escutado a piada mais engraçado do século.

— Isso realmente foi muito engraçado – respondeu ele. – Não sabia que contava piadas, Smith. Eu? Louco por você? – Ri novamente. – Você só pode estar de brincadeira.

— Será mesmo? Tanto “ódio” — fez sinal de aspas no ar — e perseguição assim atrás de mim, só pode ser outra coisa.

— Você é louca.

— Own, ele ficou todo vermelhinho, Paige. — Ela olha para a amiga que está sorrindo. — Está zangado, amor? Quer um beijinho? — Sua voz é carregada de ironia e ela ainda faz um biquinho nos lábios para provocá-lo. Ela tem certeza que conseguiu tirá-lo do sério agora.

— Foda-se!

Ben virou-se e deu poucos passos até achar o que procurava. Ele foi justamente na prateleira em que estavam os CDs novos de The Sith Lords e pegou um para ele, antes de ir a outra prateleira um pouco mais longe.

Rey e Paige trocaram um olhar e a segunda estava quase rindo. Não fosse pela presença desagradável de Ben, seu humor poderia ser melhor.

Ela olha para Ben caminhando de volta para o balcão de atendimento com dois CDs e um encordoamento para violão. Ele estava com seu celular na mão agora. Olhou para a tela sem nenhuma notificação e bufou.

Chegando ao balcão ele perguntou o preço dos produtos com evidente desprezo. Paige decide que era saudável se afastar daquele homem doido e Rey fica sozinha para lidar com ele. “Você vai me pagar, Paige!”, ela pensa.

Fez o procedimento padrão e de forma mecanizada. Ele tirou um cartão de débito da jaqueta e estendeu para ela usando dois dedos, mas quando ela estendeu a sua mão para pegá-lo e passar na maquininha de cartão, ele o afasta.

— Smith, Smith – ele cantarolou.

— O que foi agora, Solo?

Ele se aproximou ainda mais, inclinando-se sobre o balcão em sua direção. Não era sua intenção, mas quando o hálito fresco de Ben bate em seu rosto – quando ele fica bem próximo do dela – faz brotar nela um desejo completamente absurdo de provar o sabor que aqueles lábios possuíam. Mas ela continuou fitando os olhos castanhos.

— Eu sei que você estava olhando para mim – ele sussurrou.

— Não sei do que está falando.

— Sabe sim. – Ele se inclina mais um pouco. – Não é a primeira vez que pego você me comendo com os olhos. E sua tentativa estúpida de dizer que sou eu que sou louco por você quando é justamente o contrário não funcionou. Eu sinto o cheiro de tensão sexual, sabia? É meio bizarro.

— Você é bizarro – rebateu.

— Você quer meu corpo nu — ele sorria.

— Você é doido e está forçando muito a barra, tem noção disso, não é?

— De qualquer forma, você não faz o meu tipo mesmo.

Ele endireitou as costas e estendeu o cartão de novo. Rey pegou-o antes que ele fizesse mais uma gracinha. Após finalizar a compra e pôr os itens em sacolas plásticas, ela lhe devolveu o cartão de débito e entregou suas compras.

— Agradecemos a preferência, volte sempre — ela disse forçadamente. Era obrigada a falar aquilo, por contrato.

— Até mais, cabeça de vento.

Quando ele saiu, Rey tapou a boca para calar um grito. Ele a deixava louca! Estava agradecida por ele ter ido embora finalmente, porque mais um minuto e ele teria conseguido o que queria no início, vê-la explodir de raiva por causa dele.

— Porra! — Olhou para as câmeras e a da frente registrou o momento em que ele mostrava o dedo do meio, como se adivinhasse que ela estava olhando. — Seu babaca de merda!

Rey trabalhou irritada pelo resto do expediente. Paige decidiu assumir seu posto no frente de caixa, não queria que ela espantasse os clientes com seu mau humor. Ben sempre a deixava uma pilha de nervos. Nunca entendeu aquela cisma que ele tinha com ela, talvez porque ela nunca deixou que ele a diminuísse e que defendesse sempre ela e seus amigos dele e de seus amiguinhos imbecis. E claro, o valentão não lidou bem com o fato de uma garotinha zangada bater nele quando a irritasse por demasiado.

— Ele conseguiu o que queria — disse Paige. — Você está uma pilha de nervos, garota. Se acalma.

— Eu estou calma! — replicou. Tirava CD’s e DVD’s de uma caixa e arrumava-os numa prateleira, um pouco mais rude que de costume.

— Estou vendo. — Paige arqueou as sobrancelhas e continuou varrendo o chão.

— É que ele vive fazendo isso, tentando me tirar do sério. E eu fico muito puta porque ele consegue!

— Eu sei, mas você o colocou no lugar, esqueceu? Relaxa.

— Não me peça para relaxar, Paige! O Solo... — Calou-se. Apertou os lábios para não repetir em voz alta a audácia que a criatura teve de perguntar se ela queria vê-lo nu com o maior deboche. — É ridículo!

Paige riu. — Nossa, o que ele te disse depois que eu saí que te deixou assim?

Rey virou a cara. — Só quero chutá-lo no saco como no ensino médio, para ele aprender qual o seu lugar. E você, como pôde me deixar sozinha com ele?

— Eu resolvi deixar vocês se resolverem sozinhos.

— Sério? — perguntou com sarcasmo.

— Não, eu queria fazer o número dois. Estava com dor de barriga tinha meia hora e não aguentava mais, então aproveitei para escapulir para o banheiro.

Elas se encararam por seis segundos, e então caíram na risada.

— Deixa para lá, ele foi embora depois e me deixou em paz. Está frustrado porque pensa que eu estou “good vibes” e não querendo botar fogo na cara dele, que é como eu realmente estou!

— Às vezes eu acho que ele é igual aqueles moleques que quando gostam de uma menina vão lá e colocam chiclete no cabelo dela. Inclusive, eu lembro que ele já fez isso.

— Você bebeu?

— Bem que eu gostaria, mas seu tio me demitiria se descobrisse que eu bebo no trabalho.

— Estou falando sério.

— Também estou.

Rey bufou. — Ben gosta de infernizar com a minha vida desde quando tínhamos oito anos, ele é um babaca e só gosta de me irritar, não de mim.

— Como pode ter certeza?

— Sabe o que dizem? “Conheça seu inimigo”? Eu conheço Ben Solo.

— Já parou para pensar que ele faz isso porque é a única forma de chamar sua atenção? — Paige parou de varrer para encarar Rey, mas a amiga não olhou de volta, nem respondeu de imediato. — Ele sempre correu atrás de você, tentando chamar sua atenção de alguma forma. Bem, convenhamos, ele faz isso do jeito errado.

— Claro que não!

— Com certeza não deram conselhos para ele sobre garotas.

— Paige, pare com isso. Está querendo insinuar que Ben é apaixonado por mim?

— Acho que sim.

— Está enganada. Ele me odeia! Eu o odeio também! É o que há entre a gente, apenas a chata, incômoda e velha implicância.

— Por que você nunca concorda comigo? — Rey olhou para Paige e ela parecia contristada. Ela respirou fundo e disse:

— Isso não é verdade, eu concordo com você muitas vezes.

— Muitas? — ironizou.

— De vez em quando.

— Está mentindo.

— Muito raramente, quando você fala algo que eu acho razoável.

Paige emitiu um murmúrio irritado e Rey levantou-se com a caixa agora vazia, rumo ao depósito. Paige a seguiu.

— Mas e aquela vez que ele te convidou para o baile? — ela perguntou, andando atrás de Rey.

— Você ainda está falando nisso? — Rey jogou a caixa de papelão no chão e tomou a vassoura de Paige, guardando-a junto ao resto do material de limpeza.

— Ele te convidou para ir ao baile com ele e você disse “não”. — Paige continuava falando e Rey perguntava-se qual o propósito da existência, o sentido da vida e por que sua melhor amiga estava descaradamente empurrando-a para cima de um cara como Ben. — Ele ficou chateado.

— Provavelmente ele pretendia me dar um banho de tinta, ou quebrar ovos na minha cabeça, ou qualquer outra pegadinha do gênero... Ele ficou chateado porque eu não segui a minha parte no plano maquiavélico dele.

Rey foi até o frente de caixa e novamente Paige estava com ela.

— Quer saber, acho que você tem razão. Já pensou se ele gostasse de você, que merda seria? — perguntou, apoiando-se sobre o balcão.

— Não quero falar mais do Solo. — Rey encerrou o caixa. Paige perguntava se ela gostaria de ir para sua casa, era noite de filmes e Rose e Kaydel estariam lá. — Hoje não. Quero ir para casa, estou cansada.

Qui-Gon levou Rey para casa depois do expediente. Ela sempre dizia que podia pegar o metrô, que ele não tinha que se incomodar, mas seu tio era teimoso e fazia as coisas da forma como ele achava que era certo. E daquela vez não foi diferente.

“Sua mãe prefere que eu venha deixá-la em casa, e eu também”, ele dizia, justificando que dessa forma todos se sentiam mais seguros, ao passo que ela se sentia menos independente. E dependência era uma palavra que ela nunca gostou.

Ela demorou em pegar novamente o celular. Mais do deveria, na verdade. Ela tinha consciência da impressão que aquilo dava.

Rey tomou banho e jantou antes de trancar-se no seu quarto e finalmente abrir as mensagens dele. Ela não sabia ao certo o que esperar dele depois de tanto tempo que o fez esperar. Talvez ele estivesse irritado, e com razão. E se ele dissesse que nunca mais queria falar com ela, ela ia entender.

Respirou fundo criando coragem e clicou sobre o icon dele no aplicativo.

 

@kyloren | 7h atrás

Deus, você é linda!

 

Ela sorriu. Era a primeira mensagem após a foto.

 

@kyloren | 7h atrás

Porra Jackie! Você tem noção do que faz comigo?

 

@kyloren | 7h atrás

Seus seios são lindos. Eu os quero em minhas mãos.

 

@kyloren | 7h atrás

Eu não posso mais aguentar, preciso ver você pessoalmente.

 

@kyloren | 6h atrás

Jackie?

 

@kyloren | 6h atrás

Você está aí?

 

@kyloren | 5h atrás

Jackie, aconteceu alguma coisa? Onde você está?

 

@kyloren | 5h atrás

Ei! Estou ficando preocupado. Foi alguma coisa que eu disse?

 

@kyloren | 4h atrás

Olha, vou entender se não quiser mais falar comigo, mas eu gostaria pelo menos de saber o que aconteceu.

 

@kyloren | 3h atrás

Estou tentando ser otimista, mas sou um pessimista e ansioso. Paciência não é algo que eu tenha, então imagine que eu estou pirando com o seu silêncio e sem ter a mínima ideia do que tenha acontecido algo com você. Por favor, fala comigo.

 

Deixou-o preocupado, notou. Estava feliz que ele não tinha gritado com ela e egoistamente satisfeita por saber que ele se importou com o que teria acontecido e não pensado que ela deliberadamente o ignorou.

 

@jackiesmith | 21h03min

Ei, você está aí?

 

Quase que instantaneamente, sua mensagem foi visualizada, e então ele estava digitando uma resposta. Rey ficou apreensiva nos segundos em que aguardou a resposta dele.

 

@kyloren | 21h03min

Estou aqui. O que aconteceu com você?

 

Ela achou melhor mentir, estava com vergonha de dizer justamente que ela ficou com vergonha.

 

@jackiesmith | 21h04min

Eu sinto muito. Fiquei presa no trabalho.

 

@jackiesmith | 21h04min

Eu realmente quis te responder antes, mas aconteceram muitos imprevistos.

 

@jackiesmith | 21h04min

Desculpe.

 

@kyloren | 21h05min

Tudo bem, eu entendo.

 

@kyloren | 21h05min

Confesso que passei a tarde inteira pensando em você. Você está bem?

 

@jackiesmith | 21h05min

Estou sim, obrigada por perguntar. E você? Como foi o seu dia?

 

@kyloren | 21h05min

Sinceramente? Uma droga.

 

@jackiesmith | 21h05min

Idem.

 

@kyloren | 21h06min

Mas a nossa noite pode ser melhor.

 

@jackiesmith | 21h06min

O que tem em mente?

 

Clicou em enviar com um sorriso no rosto.

 

@kyloren | 21h06min

O que eu tenho em mente há muito tempo é a minha cabeça entre as suas pernas, mas você não colabora.

 

Rey sentou-se. Seu cérebro processa rapidamente aquelas palavras e uma ideia. E agora, o que antes era somente uma vontade, tornou-se uma necessidade. Ela tem que conhecê-lo.

Já faz tempo – desde o princípio daquela loucura, talvez – que Rey tinha consciência de que ela quer transar com Kylo e que Kylo quer transar com ela. Eles conversam há meses, eles se conhecem até muito bem e ele está interessado. No entanto, apesar de não serem perfeitos estranhos, ela ainda tem um certo temor em relação a ele.

O medo é natural, nesse caso. Parte de si descarta totalmente dessa ideia, e confia nele, porém, ela seria tola se confiasse cegamente. Prudência nunca é demais, era o que a sua avó dizia.

Ela quer encontrá-lo e vai transar com esse cara porque ela está totalmente louca por ele. Pensar nele a deixa excitada, e já faz bastante tempo desde que ela teve intimidade com outra pessoa. Kylo é quem ela precisa. Ela tem uma coceira que só o pau dele pode coçar para ela.

Ela começa a digitar novamente.

 

@jackiesmith | 21h07min

Sobre o que você falou lá em cima, sobre querer me ver. Estava falando sério?

 

@kyloren | 21h07min

Sim.

 

@jackiesmith | 21h07min

Que bom, porque eu também quero ver você. Amanhã.

 

Ele demorou a responder, Rey ficou tensa. Teria ido rápido demais?

2 Novembre 2018 17:59:31 0 Rapport Incorporer 2
Lire le chapitre suivant Dois

Commentez quelque chose

Publier!
Il n'y a aucun commentaire pour le moment. Soyez le premier à donner votre avis!
~

Comment se passe votre lecture?

Il reste encore 2 chapitres restants de cette histoire.
Pour continuer votre lecture, veuillez vous connecter ou créer un compte. Gratuitement!