Primavera em Qetac Suivre l’histoire

sorley-sales1538828530 Sorley Sales

Faltando pouco mais do que 30 dias para se casarem, Leanora e Robert decidem viajar para onde ocorrerá a cerimônia: A linda e paradisíaca Qetac, na costa sul da Carolina do Norte. A hospedagem se dará na casa dos Emithon, padrinhos maternos de Leanora. Enquanto eles não chegam, Charlotte Emithon, filha dos padrinhos de Leanora, não se agrada tanto com a ideia de que receberá hóspedes em sua casa por trinta dias. Mas o que fazer quando o coração grita aos prantos quando se encontra o amor pela primeira vez? Quando se sente que deveria estar no lugar de Leanora? Que Robert é o homem certo?


Romance Romance jeune adulte Déconseillé aux moins de 13 ans.

#aventura #sensual #drama #amor #romance
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O Convite

Charlotte Emithon apertou o celular contra o peito, sentindo o frio da tela no busto ameno do sol do fim de tarde em Qetac. Havia conversado com Gloria quinze minutos antes, e ela havia comentado sobre a desenvoltura de Alex no basquete naquela manhã, o modo como ele a encarava quando não estava em marcação na quadra, o cabelo dourado pingando sobre o rosto, viril e chamativo. 

O sol entrou pela sala num feixe divino, banhando o vidro da janela enorme dos fundos, plantada ao oeste. Charlotte pulou do sofá, e com os pés descalços, correu para a cozinha. Havia um pedaço significativo de torta de frango e brócolis que restara do almoço. Levou-a ao microondas e devorou-a com voracidade; em seguida olhou-se no espelho, com uma convicção sensata de que poderia estar mais cuidada naquela manhã: os cabelos castanhos caíam sobre os olhos, mesmo que presos em um coque no alto da cabeça, a boca ressecada e uma leve marca de olheira a deixavam angustiada. 

O celular soltou um "bip". Recolheu-o, levou o indicador à tela e leu a mensagem de Gloria: "Não ignore meus apelos! Você sabe que ele me deixa assim, não sabe?". Charlotte riu, levando uma mecha para trás da orelha, teclando uma resposta curta a amiga: "Sim. Eu sei.", em seguida pondo um emoji com dois olhos em formato de corações. Uma brisa leve soprou pelas frestas da janela da copa, deixando o clima ameno no ambiente, cheirando a pétalas de jasmim. O que deixava Charlotte aflita aquela manhã não era Gloria, muito menos a aparência apática de seu rosto, ou a fome que sentia minutos atrás. 

O Correio havia entregue pela manhã as correspondências mensais; entre elas uma caixa com os livros de economia de Gilbert Emithon. O pai de Charlotte lecionava Economia da Universidade de Qetac há sete anos, levando em conta o período que passou afastado por problemas de saúde. Todos os meses eram de três a quatro livros pedidos e enviados. Uma biblioteca cheia nos fundos da casa já empoeirava.

Charlotte tomou nas mãos um envelope selado, em textura aveludada, entornado em uma fita vermelha e dourada, um brasão em verde carimbado na parte da frente: “R & K Cerimonialistas”.

- Um convite...

As palavras sopradas por Charlotte aterrissaram no ar com delicadeza. De volta à sala de estar ela amaciou o envelope, sentiu a textura do papel, do selo, do brasão em alto relevo. O pai estava na Universidade, a mãe na Biblioteca Pública, onde trabalhava como recepcionista. Charlotte passou os olhos pelo envelope novamente, deixando de lado a caixa de livros do pai. Não havia segredos em correspondências, nunca houve. Abriu o envelope, matando de uma vez só uma curiosidade reflexiva:

A ‘R & K Cerimonialistas’, oficialmente,

Convida a prezada Família Emithon para a cerimônia de casamento de Leanora Quine e Robert Pearson, evento que ocorrerá nas proximidades do Rio Rosado, em Qetac, Carolina do Norte. Os noivos, de maneira honrosa, pedem à todos que compareçam na data marcada de 15 de Agosto, para celebrar a união em sagrado altar.”

Charlotte leu mais uma vez em voz alta o nome dos noivos. Leanora... havia conhecido Lea na infância. Lea... era assim que a chamava. Seus pais eram padrinhos maternos dela. A última vez que Charlotte soube Leanora estava morando em Nova Iorque, mas agora voltava a Qetac; voltava às suas origens para oficializar o casamento.

As mãos de Charlotte novamente estavam agarradas ao iphone, teclando o número da mãe.

- Claro, claro... esqueci de avisá-la, Char. – do outro lado da linha Beatrice Emithon tinha a voz abafada por uma saraivada de vozes infantis. – Desculpe, a escola infantil de Turmen veio para uma visita à Biblioteca hoje! Os capetinhas não param de falar como se estivessem nas ruas!

Charlotte ouviu bem a mãe, mas não respondeu nada sobre a questão.

- Então a senhora sabia sobre o casamento de Lea? – perguntou, estirando-se no sofá com um morando nas mãos, mordido pela metade. – Sabia que ela viria para Qetac?

- Sim, porque ela ligou-me antes. Perguntou se poderia ficar aí em casa até que a cerimônia chegasse. – respondeu Beatrice, afastando o celular do ouvido e mandando que um dos pestinhas se afastasse da sessão de livros centenários.

- Aqui em casa? – Charlotte ergueu-se. – Mas... falta um mês para que o dia chegue...

- Por isso mesmo, Char. Lea não vem a Qetac há mais de quinze anos! Os ares nova-iorquinos são pesados demais, segundo ela! Carros por todos os lados, pessoas de paletó e gravata, prédios... ela queria respirar um ar puro, retornar à infância!

- Não a conhecemos, mãe! Não conhecemos o noivo... – Charlotte buscou o nome “Robert” no convite. – Trinta dias por aqui você não acha um pouco demais?

- Estamos na primavera, Char! Você tem a sua universidade, não precisa ficar incomodada com a presença deles! E claro que conheço Lea, assim como você! Não lembra que vocês duas eram...

- Não! – disse Charlotte, interrompendo a mãe. – Não lembro. Pois bem... conversamos à noite! Espero você para o jantar com o papai.

- Beijo, filha. – Beatrice finalizou a ligação, retirando dois garotos com livros raros nas mãos.

Charlotte ligou a TV. No telejornal reportava-se a história de um resgate de um pescador ao norte do Canadá. Enquanto a notícia fluía do outro lado, Charlotte tomou o celular nas mãos, acessando o Instragram, tentando digitar de todas as maneiras o nome Leanora. Após oito minutos de tentativas um dos possíveis perfis nomeado de LeaQuin3 havia o rosto familiar da garota que Charlotte conhecera anos atrás. Os cabelos curtos abaixo das orelhas deram lugar a mechas compridas e loiras, os olhos verdes inconfundíveis, e o rosto mais fino. Com certeza era a Leanora que ela conhecera na infância. Charlotte clicou, analisou o perfil. Entre as primeiras fotos, ela pôde ler na legenda: “Falta pouco para que os anjos nos unam verdadeiramente como um só!”. A foto mostrava Leanora ao lado de Robert Pearson.

Algo nele deixou Charlotte alguns minutos paralisada em frente a tela. Por um minuto ela havia esquecido que Leanora também estava na tela. E por longos minutos clicou em todas as fotos em que Robert estava. Ele tinha cabelos castanhos, puxados a um negro leve, um sorriso aberto e desenhado, olhos castanho-claros e levemente repuxados enquanto sorria. Ela se perguntava como Leanora conseguira encontrar um homem como ele... a garota gordinha da infância, que choramingava aos cantos...

A porta da sala bateu. Gilbert entrava com a bolsa de apostilas:

- Boa noite, filhota. – disse, se dirigindo à cozinha, sem perceber que Charlotte havia derrubado o celular no tapete com sua entrada repentina. 

6 Octobre 2018 14:49:45 0 Rapport Incorporer 1
À suivre…

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