Afogar-se Suivre l’histoire

camy Camy <3

Marinheiros tinham razão em temer as sereias, porque elas nunca esquecem, nunca perdoam e não têm misericórdia. Essa é a história de Jasmim, uma aspirante a bióloga marinha, que, assim como todo mundo, não fazia a menor ideia do que aconteceria ao comprar os tíquetes para o seu tão sonhado cruzeiro.


Fantaisie Interdit aux moins de 18 ans.

#vinganca #deusa #sereias #contemporaneo #navio #darkfantasy #fantasiasombria #fantasticoink #tentativaestupro
Histoire courte
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Capítulo Único

CI: +16

Notas: Esta história faz parte do Desafio Norte e Sul, organizado pela Embaixada brasileira do Inkspired. Nele, nós podíamos escolher um gênero (Fantasia ou Sci-fi) e, a partir dele, teríamos um subgênero sorteado. O meu era Fantasia Sombria.

Eu estou usando personagens originais. Quem já leu outros textos vai perceber que a Mariana e o Matias apareceram de novo, mesmo que como secundários dessa vez. Espero que gostem da história, este é meu primeiro conto que me deixa feliz por ter criado uma história completa com início, meio e fim, em vez de só narrar um pedaço que pode lhes deixar confusos. Espero que gostem da Jasmim, eu acho que me apaixonei um pouco por ela, haha. Uma boa leitura <3

A capa foi feita pela Mandy. Ela que desenhou, gente! ENCHAM ELA DE AMOR NOS COMETÁRIOS TAMBÉM! Eu tô apaixonada pela minha capa, sério! <3

~~

Afogar-se

Capítulo Único

O mar estava tranquilo naquele dia. O cheiro lhe lembrava do pai e o ar fresco lhe trazia tranquilidade. Subindo tão devagar que o movimento quase não era percebido pelo olho, o sol nascia, deixando a paisagem mais clara a cada segundo que passava.

Jasmim remexeu de novo na passagem que tinha entre os dedos, mordendo os lábios de animação. A partir desse momento, sua vida inteira mudaria para sempre. Respirou fundo, desviando o olhar do horizonte ao mesmo tempo em que a mãe e Lílian a encaravam com os olhos cheios d’água.

— Você se cuide — pediu sua mãe. — O mar é lindo, mas perigoso.

— Eu sei, mãe.

— E lembra que eu gosto de roxo, verde e lilás. Não me traz presente rosa!

A voz firme da irmã fazia um contraste engraçado com as lágrimas que ela derramava. Jasmim se aproximou para um abraço em grupo, sentindo-se aquecida com o amor delas.

— São só dois meses, não uma vida inteira.

Nunca passara mais de uma semana longe de casa. Vivia em Esmeralda, uma ilha pequena perto de Florianópolis. De vez em quando, visitava o continente para fazer compras ou mesmo passear, nada que levasse muito tempo. Podiam reclamar da internet lenta e da falta de boates, porém as três eram garotas do mar, da ilha, e Florianópolis, por mais linda que fosse, jamais seria sua casa.

Pensou nos meses que se seguiriam, nos anos de faculdade que tinha pela frente, e sentiu um arrepio. O abraço apertou de saudade antecipada. Passaria oito semanas viajando, voltaria para casa por menos de um mês e suas aulas começariam. Parando para pensar, não teria mais muito tempo com a família; aproveitaria ao máximo na volta. Apesar disso, nem mesmo a saudade afastava a alegria pelo que estava por vir. Seria incrível.

Assim que completara dezoito anos, sua avó aparecera com dois mil reais de presente. Soubera o que queria fazer com o dinheiro assim que ele caíra na sua mão, e um mês depois comprara uma passagem para um cruzeiro. Queria ficar perto do mar, perto do seu pai.

— Okay, vocês vão me fazer chorar, chega! — Jasmim pediu.

As três se afastaram fingindo que não estavam chorando. Jasmin apertou a mão da mãe uma última vez antes de sair em direção ao navio pequeno que a esperava. Não olhou para trás.

Dois mil reais pareciam muito, mas acabaram rápido. Um dia, ainda iria num daqueles cruzeiros luxuosos que faziam paradas nas melhores ilhas da região; por enquanto, contentava-se com o que conseguira. Não era perfeito, mas ao menos teria três refeições ao dia e a promessa de várias visitas a lugares interessantes. Estava ansiosa.

Imaginava-se vivendo uma cena de filme em que subia no deque e abanava para sua família antes de sair; em vez disso, precisou passar por um detector de metais e quase quarenta minutos de fila antes que realmente pudesse entrar no navio.

Seu quarto era o que havia esperado: pequeno, mas confortável. Sentou-se na cama com o coração batendo rápido. Bem ao lado de seu colchão havia uma janela redonda que lhe permitia ver o mar. Jasmim tocou o vidro, os dedos tremendo de animação. Acontecera, enfim: estava num cruzeiro.

~~~~

Um mês havia se passado e ela ainda não se acostumara à quantidade de pessoas. Aonde quer que fosse, sentia-se sufocada. Ainda nem conseguira aproveitar a piscina direito! Entrara uma vez, mas haviam tantos corpos encostando no seu que saíra nem dez minutos depois.

Estava no deque, vestindo apenas a parte de cima de um biquíni vermelho e uma saia de renda. Ao seu redor, diversos casais jantavam nas mesas de madeira, algumas crianças corriam. Sorriu, pensando em Lílian. Ela não era tão nova, já tinha seus doze anos, porém ainda se lembrava de quando ela não tinha mais de cinco e não passava de uma mistura de ossos e cabelos cheios. Com o coração apertado de saudade, abriu o Skype.

A conexão era terrível, porque havia muitas pessoas utilizando a mesma rede. Ainda assim, nos horários das refeições e durante a madrugada, era possível fazer uma chamada de vídeo de péssima qualidade. Confirmou que a irmã estava disponível e, segundos depois, viu seu rosto sorridente.

Via seus próprios traços no rosto de Lílian. Ela tinha a boca um pouco mais fina e era mais magra, porém a pele negra tinha o mesmo tom, o nariz o mesmo formato, os olhos o mesmo brilho. Ah, o cabelo era diferente, com certeza. Lílian pintara o seu (escondida, é claro) há dois meses, porque estava obcecada com Harry Potter e decidira que queria ser Gina Weasley.

— E aí, como foi com o gatinho do bar?

Revirou os olhos para a pergunta, porque era óbvio que ela começaria dessa forma. Ajeitou os fones no ouvido e deu de ombros.

— Não rolou nada. Eu vi ele com uma loira hoje.

— Ah, que safado!

— Cala a boca.

Riram baixinho. Lílian abaixou a cabeça para que ela pudesse ver a raiz dos seus cabelos.

— A mãe aceitou comprar mais tinta pra mim. Ela sabia que eu ia pintar igual.

— É por isso que eu ganho dois mil de aniversário e você não.

— Nada a ver, a vovó prometeu que vai me dar a mesma coisa quando eu fizer dezoito. É a idade, tu não é a preferida, não te ilude.

O cheiro do mar e a voz de Lílian fizeram com que se sentisse em casa mais uma vez. Mordeu o lábio e caminhou até conseguir apoio na beirada do deque. Olhou para a frente do navio, tão perto, e virou a câmera do celular para lá.

— Olha, aquele casal quer fazer a cena do Titanic.

A gargalhada de Lílian fez com que baixasse o volume um pouco.

— Eles tão falhando, acho que a menina vai cair.

Trocaram mais algumas confidências bobas, com Lílian falando sobre a escola e a saudade que a mãe delas sentia. Perguntou sobre as amizades, e Lílian comentou sobre as pessoas com quem conversara na noite anterior, um casal de amigos que viera desestressar. Desviou os olhos do mar e percebeu um dos garçons a encarando. Sorriu para ele, sendo correspondida. Já era a quinta vez só naquela semana!

— Eu acho que um dos garçons gosta de mim.

— Uh, romance no navio.

— Até parece… Naah. Mas ele é gatinho.

— Quão gatinho?

— Hãn… Tom Hiddleston gatinho.

O olhar cético que recebeu arrancou outra gargalhada de si. Lílian cruzou os braços.

— Duvido. Não existe esse tipo de beleza.

Desde que o primeiro filme dos Vingadores saíra, Lílian endeusava o ator. A própria Jasmin admitia que o achava atraente, mas sempre fora mais interessada em homens como Chris Evans ou Chris Hemsworth. Mesmo depois de Pantera Negra (que acrescentara Chadwick Boseman à lista de deuses que a irmã cultuava, em suas próprias palavras), Jasmim ainda mantinha sua preferência pelos dois Chris (mas admitia que Lupita Nyong’o ganhara uma parte de seu coração).

Precisava cortar o assunto logo, ou passariam a discutir o universo dos super-heróis de novo, e a conversa duraria dias.

— Não importa, ele é bonito. Olhos verdes, cabelo negro, branco, corpo forte. Bem o meu tipo.

— Ele já falou contigo?

— Eu pedi uma cerveja pra ele ontem, e ele trouxe, mas foi isso. Mas a gente tem se olhado algumas vezes.

— Sinto cheiro de romance!

— Quieta, Lílian. Ah, tá diminuindo o movimento, graças a Deus!

Quase quarenta minutos depois, desligou o telefone. O deque agora estava bem mais vazio, apenas algumas pessoas ainda curtiam a piscina. Largou sua saia perto de uma cadeira e finalmente entrou na água. Agora que conseguia esticar as pernas e até nadar um pouco sem esbarrar em ninguém, a área comum parecia mais atraente.

O garçom se aproximava. Jasmim mordeu o lábio, nervosa, e se apoiou ma borda. Ele se abaixou, encarando-a nos olhos, e de repente Jasmim desejou não ter molhado o cabelo; ele ficava bem melhor seco.

— Champanhe?

Precisava controlar os gastos, porém fora econômica até o momento; merecia beber uma taça de champanhe, para variar.

— Sim, por favor.

Ele entregou-lhe a taça e se levantou, os olhos ainda presos nos seus. Com o coração acelerado, ela resolveu arriscar:

— Meu nome é Jasmim.

— Pode me chamar de Zé.

Observou-o se afastar e se lembrou da comparação que John Green fizera em A culpa é das estrelas: champanhe parecia mesmo com estrelas explodindo na sua boca. Ficou com um sorriso meio bobo e fechou os olhos. Tivera seus namorados, mas nada sério. Sua parte romântica ainda sonhava em arranjar um grande amor numa viagem, algo rápido e intenso que tirasse seu chão e a fizesse sentir como se estivesse se afogando em emoções.

Talvez o tivesse encontrado.

~~~~

Nadar à noite tornou-se hábito. Havia menos pessoas no deque, mais espaço. Fizera alguns amigos, nada que pudesse durar mais do que as oito semanas de viagem. Ainda assim, conversar com Mariana sempre a fazia rir, e Matias tinha ótimas histórias para contar.

Encarou o céu estrelado e fechou os olhos, a cabeça e os braços apoiados na madeira, o corpo boiando. O cheiro de maresia (sempre presente, não importava onde estivesse) trouxe a memória do sorriso do seu pai.

Ele era capitão de um navio um pouco menor do que esse em que estava. Suas viagens variavam entre doze e cinco semanas, tempo demais na opinião de qualquer integrante da família. Ainda assim, ele sempre fora presente. Jasmim lembrava-se de pegar no sono ouvindo-o contar seus causos de capitão. Ele sumira três anos atrás numa de suas viagens. Saíra com a promessa de que voltaria em até duas semanas; o navio voltara, ele não. Dos seus tripulantes, só sobrevivera Bobo, que recebera o nome por não falar palavras coerentes há anos. Ele fora junto porque gostava do mar e sabia limpar bem o convés (e Jasmim achava que seu pai sentira pena dele).

Muitos tentaram arrancar de Bobo o que acontecera e como ele conseguira trazer o navio em segurança até a ilha; ele dissera apenas que as ondas levaram as pessoas embora e o trouxeram para casa.

Menos de dois meses depois, Bobo se jogara de um penhasco.

Uma pequena parte sua não queria dizer que sentira ódio de Bobo, porém isso seria hipócrita demais. De todas as pessoas do navio, por que apenas Bobo sobrevivera? Ele, que não fez falta para ninguém quando morreu? Não fora a única a perder o pai naquela viagem; diversos de seus amigos também tinham família na tripulação do Flores de Esmeralda, o navio que seu pai conduzia.

Suspirou, deslizando até estar coberta de água. Sentira raiva do mar por bastante tempo, porém nunca conseguira evitá-lo. Sabia que ele levara seu pai, sabia que a culpa era da correnteza e das ondas, deveria sentir medo e repulsa, porém sempre fora apaixonada pela água, assim como seu pai era. E Lílian. E sua mãe. E seus avós.

Talvez fosse algo de família.

Voltou à superfície respirando fundo. Queria que o cheiro do mar trouxesse de volta o calor do abraço dele e o conforto da sua voz. Mesmo depois de anos, ainda o amava e, em segredo, esperava que ele voltasse para casa dizendo que se perdera numa ilha deserta qualquer.

— Oi, Aquamarine.

Olhou para trás, sorrindo ao ver Mariana deitada sobre a madeira do deque. Nadou até ela e se apoiou na beirada.

— O que tá fazendo aqui?

— Eu tava entediada. Matti quis dormir cedo hoje, deve ser influência sua.

Ela revirou os olhos como se isso fosse absurdo, o que fez Jasmim sorrir.

— Olha, eu não tô dormindo cedo nos últimos dias.

— É milagre, só se for.

Mariana tinha os cabelos castanhos e a pele tão negra quanto a da própria Jasmim. Era engraçado que, perto delas, Mattias parecia quase albino (e as duas faziam questão de apontar isso quando tomavam banho de sol juntos). A maior diferença entre elas era o tamanho; Mariana escapava de ter um metro e meio por dois centímetros, o que ainda a deixava uma cabeça mais baixa do que a maioria das pessoas.

— Vem nadar comigo.

Não foi preciso pedir duas vezes, Mariana já estava pronta para isso. Ainda havia talvez outras quatro pessoas ali dentro, porém a piscina enorme era espaçosa o suficiente para todos. Assumindo a posição inicial de Jasmim, Mariana se apoiou na borda com os braços e a cabeça para fora, o corpo boiando. Jasmim se juntou a ela.

— E aí, como anda com o Zé?

— Ah, ele ainda não teve coragem de chegar em mim.

— Ainda estamos na fase dos olhares, então. Eye sex*, adoro.

Jogou água nela, o rosto meio vermelho.

— Fica quieta, a gente não faz nada disso! Bom… talvez um pouco.

Riram e trocaram um daqueles olhares que diziam muita coisa. Isso fez Jasmim reconsiderar seus pensamentos anteriores; talvez essa amizade pusesse durar até depois da viagem.

— Bom, tomara que se peguem logo. Ninguém mais aguenta essa tensão sexual não resolvida de vocês dois.

— Cala a boca, e tu e o Matti?

— Matias é quase meu irmão, não viaja. A menina do almoço de hoje, por outro lado…

Como sempre, haviam almoçado juntas. Mariana colocara os olhos numa garota de olhos e cabelos castanhos do outro lado da sala e decidira que era com ela que queria ficar.

— Já conversaram?

Nah, eu acho que é hétero. Ela tava falando com um tal de Tomás e dizendo que ama ele.

— Nossa, stalker.

— Eu não sou nada disso, só acontece que passei perto e ouvi!

Jasmim não acreditava nem um pouco nisso; a bem verdade, conseguia visualizar Mariana se sentando perto da tal garota, óculos de sol grandes cobrindo os olhos, e fazendo o possível para escutar cada palavra que ela dizia ao usar o telefone.

Continuaram conversando até estarem com a pele enrugada. O assunto mudava muito rápido, e Jasmim tinha a sensação de que já haviam discutido todos os assuntos existentes nas poucas horas que passaram juntas. Só era bom que falassem menos sobre livros, seus gostos não eram nada parecidos: Mariana era fã de Bram Stoker, Jasmim de Stephanie Meyer*.

Já passava das três quando Jasmim enfim voltou correndo para sua cabine, enrolada numa toalha verde. Perdera a noção do tempo enquanto conversava e teria pouco tempo para dormir. Fora estranho perceber que eram as únicas pessoas no deque; naquela noite, ninguém ficara do lado de fora durante a madrugada (de forma geral, ao menos um grupo passava a noite em claro). Talvez fosse por estarem se preparando para a visita à ilha mais próxima no dia seguinte.

Correu sentindo frio. À noite, sem nenhuma pessoa ao redor, o navio a assustava. Lembrou-se daqueles filmes de terror estúpidos que Lílian adorava assistir e desejou que as tábuas rangessem menos. Entrou em sua cabine com o mesmo alívio de quando era criança e se escondia debaixo dos cobertores.

Não demorou para perceber que estava mais segura no deque.

O quarto estava escuro, e havia alguém sentado na sua cama. Ela conseguia ver com perfeição o formato da cabeça dele na janela, e soube que era um ele assim que o viu. Levou a mão para trás, querendo alcançar a maçaneta com cuidado para sair sem fazer barulho.

Em vez de tocar em metal, sentiu a textura de dedos embaixo dos seus.

O grito foi abafado pela mão em sua garganta, que apertou com tanta força que a levantou por alguns segundos. Um braço passou ao redor da sua barriga, e ela se viu ser carregada por alguém forte em direção a quem estava na cama. Sentiu lágrimas nos olhos ao reconhecer Zé ali, e ele sorria.

— Ah, morena, você me provocou tanto.

Pensou nos sorrisos e nas vezes em que flertaram em público. Não teve tempo de divagar muito, porque uma risada vinda da porta do seu banheiro fez um soluço querer escapar da garganta. Três. Havia três deles.

O aperto era tão forte que mal a deixava respirar; que dirá gritar. Arranhou com todas as forças o braço de quem a carregava, e foi jogada na cama com velocidade, ficando tonta.

O afrouxo em sua garganta afrouxou só o suficiente para que tecido substituísse os dedos. O nó era tão intenso que seu desespero por ar forçava seu pescoço contra o tecido, apertando-o mais. A toalha foi arrancada e ela sentiu uma mão em seu seio, acariciando-a sem vergonha.

— Morena, morena, eu quero fazer isso há tanto tempo! Tu só provocava e provocava, nada de ir aos finalmentes.

Um tapa e o sentiu sentar sobre sua barriga. A boca mordeu seu colo, o mamilo, rascou a parte de cima do biquíni vermelho. Outras mãos se ocuparam com suas pernas, e alguém pegou seus pulsos ao ver que ela ainda lutava.

Um dedo adentrou sua calcinha, e Jasmim quis morrer. Tentou gritar, remexeu-se, conseguiu derrubar Zé. Não pensou muito ao ver que ainda tinhas as pernas livres e nenhum peso sobre si. Havia uma faca na cabeceira da cama, que ela usara na noite anterior para descascar laranjas. Afundou-a com força contra a pessoa mais próxima, e o grito contido dele distraiu os outros dois.

Nem a própria Jasmim soube como conseguiu sair do quarto, porém se viu entre corredores mesmo assim. Seu primeiro impulso foi cortar o pano do pescoço, mas não havia tempo. Correr estava tirando mais do pouco oxigênio que conseguia respirar. Olhou para as portas das outras cabines, porém não teve como bater nelas: havia outros. Continuou correndo, agora de seis homens diferentes, e desejou com todas as forças que que alguém, qualquer um, ouvisse os barulhos nos corredores e no deque e viesse ver o que estava acontecendo.

Ninguém apareceu.

Não havia mais para onde fugir.

Estava presa contra o metal da grade de segurança do navio, seis homens à sua frente, dois deles com sangue nas mãos. Levou a mão ao pescoço, percebendo que perdera a faca, e quis que aquele tecido saísse para que pudesse gritar, precisava gritar. Eles se aproximaram sem diminuir o passo.

Jasmim olhou por dois segundos para a água antes de pular.

Foi recebida por ondas fortes e respirou líquido assim que atingiu o mar. Foi tudo tão rápido que não conseguiu sentir muita coisa além da dor na cabeça e da queimação no peito e no pescoço. Desejara se afogar em sentimentos há alguns dias, ao pensar em Zé e no possível romance tórrido que poderiam ter. A vida era cheia de ironias, não fora bem isso que pedira.

Nunca soube se chorava, mas diria que sim se a perguntassem.

Seus últimos pensamentos foram uma mistura desesperada dos cabelos ruivos de Lílian e da voz da sua mãe e do rosto das pessoas que conhecia. Queria se formar, queria viajar o mundo, queria conhecer todos os animais marinhos, estudá-los, cuidar deles.

Tudo ficou escuro.

Mas não acabou. Jasmim pensara que acabaria rápido, que não levaria mais do que dez segundos, porém não havia mais queimação no peito. Sentia o mar ao seu redor envolver seu corpo como se fossem um só. O pescoço ainda apertava demais, e conseguiu rasgar o tecido num puxão; uma gravata.

Piscou, conseguindo ver melhor embaixo d’água do que a vida inteira em terra. Engoliu em seco, assustada, respirando. Sabia que a mão estava tremendo e procurou alguma explicação ao redor.

Olhos dourados a encaravam de volta.

Pânico foi o que sentiu quando eles vieram para perto, e uma mulher maior do que qualquer outra apareceu. Ela estava nua, a pele num tom azul tão parecido com o do mar que mal era possível identificar seus contornos.

O primeiro impulso de Jasmim foi fugir. Se soubesse como mexer esse corpo, seu corpo, teria feito isso.

— Está tudo bem.

Não a viu mexer os lábios, porém escutou as palavras com clareza. Deveria sentir medo, pavor até, porém a voz acalmou cada instinto defensivo que ainda tinha. Logo depois foi envolvida num abraço e se sentiu segura como se fosse sua própria mãe ali. Lembrou-se dos dedos em suas pernas, do terror que há pouco vivenciara, e se apegou com ainda mais força àquele ser quase sem corpo, mas que podia ser tocado.

— Está tudo bem, minha criança.

— Quem é você?

— Acho que tu me conheces como Iemanjá.

Flashes de pessoas deixando flores no mar durante o ano novo vieram à sua mente. Nunca fora religiosa, não conhecia nada sobre ela. Ainda assim, sentiu-se acolhida. Apertou o abraço.

— Um nome é só um nome, eu tenho muitos. Esse é o que deve fazer mais sentido para ti.

Concordou sem pensar. Precisava mais do calor dela, da segurança.

— Está tudo bem, minha pequena, eu já disse. Ninguém mais pode te machucar.

— Ninguém?

— Não.

O abraço ficou mais forte, e então Iemanjá a afastou e segurou seu rosto com as duas mãos. Ela sorria.

— Agora, meu bem, é você quem machuca eles.

Foi quando Jasmim percebeu a cauda. Assustou-se. Tocou as próprias escamas com cuidado, elas eram alaranjadas, meio vermelhas, como o cabelo de Lílian. Quentes. Deslizou as mãos para cima, para seus próprios seios nus, e subiu até o pescoço machucado. Os cabelos estavam do mesmo tamanho que antes, ainda tão sedosos e cheios quanto se lembrava.

O medo foi embora com a deusa das águas, porque era assim que Jasmim a via. O que ficou foi a raiva, o ódio. Esse sentimento era tão profundo e a corroía com tanta intensidade, que Jasmim não se perguntou como aquilo acontecera ou porquê. Queria sangue, o sangue deles, e nada mais importava.

Procurou pelo navio e o percebeu a quilômetros de distância. Isso trouxe a dúvida de quanto tempo havia ficado desacordada; não se importou.

Sua cauda era mais rápida do que Jasmim acreditava ser possível. Foi mais fácil controlar seu novo corpo do que ela imaginara, porém nem isso percebeu. Tudo o que havia era ódio e rancor e ira. Não pensou no que faria ao pular para fora da água com toda a sua força. Fez um arco no céu e caiu sobre o deque, quase no mesmo lugar de que se jogara. Tinha pernas de novo, porém sentia a cauda por debaixo delas. Olhou ao redor, analisando se alguém a vira.

Estava sozinha.

Seus pensamentos não faziam sentido, quase nada fazia, porém não importava mais. Ela tinha pernas, poderia andar, e ninguém a machucaria. Nunca mais.

Agora é você quem machuca eles.

+

3 Septembre 2018 05:23:14 26 Rapport Incorporer 12
La fin

A propos de l’auteur

Camy <3 99% escritora de angst, mas aquele 1% curte um fluffy.

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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Eu simplesmente estou apaixonada pela relação da Jasmim com a Lilian, elas são tão fofas e unidas que chega a aquecer o coração ver elas duas interagindo na historia. Foi muito interessante você falado sobre o desejo da Jasmim de ter uma historia de amor como a dos filmes, uma historia cheia de aventura e tão intensa que ela lembraria pelo resto da vida, mas sabemos que a vida real não funciona como nos filmes, tipo NUNCA. Sendo você a autora já não era de se esperar um final feliz, mas ler a cena do Zé querendo abusar dela com vários outros homens foi algo que me fez desejar a morte dele na base da facada. E coisas assim não são incomuns de se acontecer no mundo em que vivemos - infelizmente - mulheres sofrem abuso todos os dias e nem todas tem a chance de fugir ou se vingar - mesmo que isso não seja certo - como a Jasmim. Sobre o uso do subgênero acho que apesar de não ter fugido dele, você poderia ter deixado ele mais evidente. A parte mais sombria da historia é a final, em que ela volta para o barco com o pensamento de "Agora é você quem machuca eles", mas você não disse o que acontece depois - eu queria muito assistir a morte de todos eles - e acho que isso seria legal pra deixar um clima realmente obscuro. A ambientalização foi ótima, deu pra imaginar muito bem todas as cenas, mas como foi dito anteriormente o ar sombrio só foi presente em alguns como na parte em que ela volta para o quarto e se embrulha nos lençóis. Você falou sobre a fúria do mar e do sumiço do pai da Jasmim - que é um mistério -, além de falar sobre o suicídio do bobo depois de ser o único sobrevivente; mesmo sendo só uma citação, foi um ponto positivo. A ortografia da historia está maravilhosa, não tem erros de concordância e a leitura flui bem. Parabéns por cumprir o desafio, até a próxima <3
4 Octobre 2018 15:13:03

  • Camy <3 Camy <3
    Olá, meu bem! Eu concordo com o que você falou sobre a Fantasia Sombria, sem sombras de dúvidas. Eu poderia ter desenvolvido melhor o tema, mas eu não tava muito na vibe de fazer algo violento (sem necessidade para passar a mensagem que eu queria), e eu gostei da ideia de deixar o final em aberto, sabe? Eu curto muito o quanto as análises de vocês vão ficando mais profundas com o passar dos desafios, com o quanto vocês vão aprendendo a analisar melhor as histórias e tal. Muito orgulho dessa Embaixada maravilinda, viu? E como assim "sendo você a autora, já não era de se esperar um final feliz? Absurdo isso, olha os pré-julgamentos. Ridículo, nada a ver isso aí, não. Eu trouxe algo baseado na nossa vivência, sim. É uma merda que tantas mulheres passem por situações parecidas (ou piores) que a dela, mas acontece e eu quis mostrar que não existe isso de "ela estava pedindo" ou "mas a gente sabe quando o cara é ruim só de olhar". Estuprador não tem cara e vítima não tem culpa, ponto final. Obrigada pela análise de vocês, são uns anjinhos mesmo. Um beijão no core <3 30 Mai 2019 07:55:01
Ronnan Ronnan
Muito boa a história. Este final foi surpreendente. Deixá-lo dessa forma abriu brechas para a imaginação trabalhar a mil. Muitas hipóteses, muitos "talvez" foram formulados por mim. Imagino também que pelos outros que leram.
14 Septembre 2018 19:34:18

  • Camy <3 Camy <3
    Olá! Fico muito contente que você tenha gostado tanto! A intenção era abrir para diversos talvez mesmo, eu gosto quando a história acaba, mas tu ainda fica com ela na cabeça, sabe? Obrigada mesmo pelo teu comentário e perdão pela demora em te responder, a vida tava bem louca ><" Um beijo no seu coração <3 30 Mai 2019 07:51:07
Luray Armstrong Luray Armstrong
QUE ORGULHO DA MINHA MÃE PORRA CARAAAAAALHO QUE FODA MANO EU AAAAAAA IEMANJÁ ❤ N ACREDITO Q TU USOU REFERÊNCIAS TÃO NOSSAS AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA QUE FODA QUE FODA QUE FODAAAAAAA PORRA QUE TIRO DO CARAI
8 Septembre 2018 19:48:13

  • Camy <3 Camy <3
    OI, MEU BEBÊ! QUE BOM QUE TER AQUI, MEU DEUS, JÁ FAZ UM SÉCULO E EU DEMOREI HORRORES PRA TE RESPONDER. DESCULPA A MAMÃE, EU TE AMO DEMAIS, AAAAAAAA! Eu tenho muito orgulho de ti também, viu? Nossa, tu é meu xuxuzinho <3 Sim, eu usei Iemanjá! Tava louca de medo de fazer merda, por isso que ela aparece tão pouquinho ><" EU TE AMO PRA CARALHO, ME PERDOA A DEMORA EM TE RESPONDER, VEM ME DAR UM ABRAÇO, XUXU <3 30 Mai 2019 07:49:30
Liiz Lestrange Liiz Lestrange
primeiro queria elogiar a capa pq, realmente, que capa linda <3 e aí mEU DEUS, AAAA camy escreve conto maravilhoso e surpreende zero pessoas pq todo mundo já sabe que vc escreve muito bem, aff eu gostei muito, de vdd, tenho um pouquinho de trigger de estupro e talvez eu deveria ter lido as tags skfdgskdfg EU PRECISO APRENDER A LER AS TAGS ANTES DE LER AS HISTÓRIAS, IA ME POUPAR MUITA COISA enfim, fghsdhgf mas eu sobrevivo, não é nada muito grave, meu trigger. anyway, eu amei a história, sou uma pessoa meio vingativa (.... zero surpresas, imagino) com essas coisas graves, me dá uma satisfação enorme saber que ela vai quebrar esses lixo de pau. QUEBRA ELES JASMIM. eu não sou muito fã de sereias porque eu n gosto muito da estética e do jeito que as pessoas usam a mitologia, sabe, acho tão bobo, mas vc pegou logo a parte que realmente é legal das sereias, que não é hurdur pentear o cabelo e cantar, é tipo umas criaturas sanguinárias e traiçoeiras, elas afogam macho escroto, é isso aí, o lado dark da coisa, esse que é o legal, é isso oq realmente torna sereias interessantes. Achei top. Nem sei muito oq dizer da escrita pq tá incrível como sempre, tipo... real, vc já tá num nível muito a mais, bota com força. desculpa eu não sei comentar que nem gente slfdkgjslfkhg é isso, socorro, tchau, te amo
7 Septembre 2018 19:21:37
Liiz Lestrange Liiz Lestrange
primeiro queria elogiar a capa pq, realmente, que capa linda <3 e aí mEU DEUS, AAAA camy escreve conto maravilhoso e surpreende zero pessoas pq todo mundo já sabe que vc escreve muito bem, aff eu gostei muito, de vdd, tenho um pouquinho de trigger de estupro e talvez eu deveria ter lido as tags skfdgskdfg EU PRECISO APRENDER A LER AS TAGS ANTES DE LER AS HISTÓRIAS, IA ME POUPAR MUITA COISA enfim, fghsdhgf mas eu sobrevivo, não é nada muito grave, meu trigger. anyway, eu amei a história, sou uma pessoa meio vingativa (.... zero surpresas, imagino) com essas coisas graves, me dá uma satisfação enorme saber que ela vai quebrar esses lixo de pau. QUEBRA ELES JASMIM. eu não sou muito fã de sereias porque eu n gosto muito da estética e do jeito que as pessoas usam a mitologia, sabe, acho tão bobo, mas vc pegou logo a parte que realmente é legal das sereias, que não é hurdur pentear o cabelo e cantar, é tipo umas criaturas sanguinárias e traiçoeiras, elas afogam macho escroto, é isso aí, o lado dark da coisa, esse que é o legal, é isso oq realmente torna sereias interessantes. Achei top. Nem sei muito oq dizer da escrita pq tá incrível como sempre, tipo... real, vc já tá num nível muito a mais, bota com força. desculpa eu não sei comentar que nem gente slfdkgjslfkhg é isso, socorro, tchau, te amo
7 Septembre 2018 19:21:11

  • Camy <3 Camy <3
    A CAPA TÁ MARAVILHOSA, NÉ? ESSE DESENHO DA MANDY ME DERRETE TODA VEZ! Aff meu cu, eu surpreendi muita gente sim, porque eu realmente gostei deste conto. Tava meio pra baixo hoje, porque li uns trabalhos antigos e fiquei um pouco frustrada porque eles parecem bem melhores do que o que eu escrevo hoje, mas aí eu leio esse teu comentário e meu coração derrete todo. Obrigada mesmo pelo carinho, viu? TU TEM QUE LER AS TAG ANTES, EU VOU DAR EM TI, SUA LOUCA! VOU MANDAR O NAT TE XINGAR! Não me interessa se é grave ou não, tu não devia ler as coisas sem olhar tag!! Tu? Uma pessoa vingativa? NÃO ACREDITO! Depois de todo esse tempo te conhecendo, eu nunca que ia imaginar isso u-u. Essa vai quebrar esses lixos de pau, sim, e depois vai quebrar mais um pouco. Também fiquei satisfeita de saber que eles não saíram impunes. Eu gosto de sereias e acho a estética delas bem bacana. Mas, sim, ficar penteando o cabelo sentadas numa pedra é bem sem graça e bobo mesmo. Eu peguei de uma discussão no tumblr que falava que seria bacana se as sereias fossem as mulheres que se jogaram na água depois de serem estupradas pelos marinheiros e eu fiquei... é isso, isso que eu preciso fazer. Eu só não coloquei o post nas notas porque real não me lembro qual é. Eu peguei Fantasia Sombria, então tinha que puxar pro lado mais dark que pudesse. "bota com força", APSAPOSKAKSPK Eu não sei como responder a isso, só vou ficar rindo que nem uma retardada e dizer obrigada, te amo demais <3 <3 Tu sabe comentar que nem gente, sim, olha que coisa mais linda e mais cheia de graça que tu deixou aqui pra mim! Obrigada, de novo, por tudo. Te amo muitão <3 <3 30 Mai 2019 00:39:49
Nathy Maki Nathy Maki
Que?? Como assim acabou? Gente, eu tava tão imersa que pareceu que tinha sido arrancado a força de algo bom. Não que o que tenha acontecido com a Jasmim tenha sido bom, e pensar que eu tava sonhando com ela com esse caso tórrido de amor com o Zé, que as sereias o afoguem e o deixem apodrecer do pior jeito possível assim como os cúmplices dele! Foi um pouco estranho ler ela falando esse "tu" acho que por ser o pronome esquecido na balada ou pelo meu costume de escutar "ocê" ou só "cê" kkkkkkkk Mas é uma marca dela! Fiquei curiosa quanto a como o pai dela teria morrido, se ele fez algo pra irritar outras sereias mar afora ou se pode ter sido só um encanto e pouparam o Bobo por ele ser meio desligado... História maravilhosamente escrita e envolvente e os personagens muito cativantes, queria muito ver como ficaria a relação dela com a Mariana e se ela ainda tentaria ter uma vida normal e continuar os sonhos após aplacar a raiva. Já leu A Sereia da Kiera Cass? Fiquei imaginando se essa transformação em sereia teria alguma condição ou algum critério de escolha. Sem falar na deusa Iemanjá! Olha nossa cultura exaltada aí <3 Mas fã de Stephanie Meyer huehehe adorei <3
7 Septembre 2018 18:43:08

  • Camy <3 Camy <3
    Ah, que delícia ler isso! Sim, parecer que você tinha sido arrancada de algo bom era exatamente o que eu queria <3 Não, o que aconteceu com ela foi terrível. Essa ideia de "eu tava sonhando com ela com esse caso tórrido de amor com o Zé" foi justamente o que eu quis passar! Estuprador não tem cara, sabe? Ele pode ser qualquer um! Nesse caso, era o cara por quem ela tava interessada, era o cara com quem ela teria transado de forma consensual se ele tivesse se dado ao trabalho de ser decente e conversar com ela! Esse "tu" só é pronome esquecido na balada nos países acima do RS. A gente fala M U I T O. Quase ninguém aqui usa "você"; isso é quase formal pra gente. Quando começam a dizer "Mas você tem certeza?", já pode saber que ou é zoação, ou é bronca, PDOKASOD. Eu queria deixar essa pulga atrás da orelha sobre o pai dela mesmo. E aí, o que será que ele fez?! Ou será que foi só um acidente? Eu tenho ideias de talvez fazer algo a mais contando sobre ele, mas nada planejado por enquanto. Eu penso às vezes na Jasmim, se ela voltaria pra casa pra ver a mãe e a Lílian ou não. Se ela manteria a amizade com a Mariana... Ela é uma personagem que me cativou bastante, essa Jasmim. Ainda não li essa saga, mas vou anotar aqui como sugestão. Qualquer coisa bacana é sempre bem vinda ;) Sim, nossa cultura exaltada porque nossa deusa é maravilhosa <3 Sim, a Jasmim gosta de Crepúsculo e a Mariana de Drácula, por isso que elas não conversavam muito sobre isso, PAOKSASOA. Obrigada pelo carinho, viu? E perdão pelo atrasado na resposta <3 30 Mai 2019 00:32:41
BC Bruno Coutinho
Embora o uso das sereias tivesse sido bastante utilizado, sinto que esta história se destaca de todas as outras de uma forma bastante interessante! A referência à morte do pai no barco é, de certa forma, um foreshadowing, mas também uma maneira de criar teorias nas cabeças. Dei por mim a pensar se por acaso esse naufrágio partilhasse algo em comum com o que Jasmim fez... E dei por mim, também, a fazer perguntas como: se realmente isso aconteceu e foi devido à deusa que eles morreram, porque Bobo tinha sobrevivido? Teria sido ele a cometer os crimes? Ou foi apenas alguma rapariga e poupou-o pela sua natureza?! A linguagem usada era bem adequada ao contexto e à narradora, o que demonstrou coerência. Falando apenas por mim, prezo mais um texto que me faça pensar, que me faça teorizar, do que um texto escrito maravilhosamente. E a verdade é que você escreveu um texto bem escrito e que tinha essa ponta do rastilho, que me estimula! Parabéns, gostei bastante!
4 Septembre 2018 06:31:39

  • Camy <3 Camy <3
    Uau, obrigada pelos elogios! Sim, tivemos várias histórias de sereias nesse desafio e, na real, isso me deixou feliz. Eu adoro o assunto, foi legal ler mais sobre elas. S I M! Eu queria deixar esse "Mas será?" sobre o pai dela, porque eu não expliquei muito na história, várias coisas podem ter acontecido. Ele pode ter sofrido um acidente, ele pode ter feito merda mesmo, vai saber o que aconteceu com ele. Eu amei que você prestou atenção ao Bobo! Sim! E ele? Por que ele e só ele sobreviveu? Será que foi ele que matou todo mundo? Essa é uma teoria interessante. Obrigada por fazer a observação sobre a linguagem, eu tentei deixar próximo à realidade dela mesmo. Eu admito que sou gramatiquenta, então um texto bem escrito acaba tendo muito minha atenção, mas, sim, conteúdo sempre acaba sendo mais importante que forma. Eu agradeço muito pela atenção e pelo carinho. Obrigada pela análise à história ;) 30 Mai 2019 00:26:20
Bárbara Vitória Bárbara Vitória
Put@ merd! que isso hein mana to chocada. Pulei toda a parte desde o cara na cama dela até ela pular. Num consigo ler esse tipo de violência. Sorry ae. Oh menina hein, foi passear e ser feliz mas o que rolou? Morta por fugir de desgracentos dos infernos que queriam a estuprar. Só espero que ela agora mate uns 100 com a forma de seria que adquiriu.
4 Septembre 2018 03:07:22

  • Camy <3 Camy <3
    Ah, que bom que eu te choquei, esse era um dos objetivos. Tudo bem, eu entendo pular essa parte. Foi bem difícil de escrever também. Se serve de consolo, ela conseguiu fugir antes de o estupro ser consolidado. O pior é que isso tá sempre acontecendo com a gente. Quantas meninas não são estupradas indo pra escola? Tirando férias? Passeando no parque? Até quando estão sozinhas em casa? Tipo, eu queria mostrar isso, sabe? A Jasmim não "tava pedindo", ela não fez nada, ela só queria se divertir antes de ter que ir pra faculdade, só queria tirar um tempo pra se conectar consigo mesma e essa merda aconteceu por causa desses caras escrotos. Esperamos as duas que ela se vingue de quem merece. Obrigada pelo comentário, meu bem <3 <3 30 Mai 2019 00:22:20
Yuui C. Nowill Yuui C. Nowill
Fiquei contente que tivemos bastantes sereias para o desafio. Simplesmente meu ser fantástico favorito. A ambientação ser tão próxima de nós fez com que as personagens fossem familiares sem precisar de muitas descrições. Gostei bastante de todas as referências que usou, dos filmes, dos livros e, PRINCIPALMENTE, de Iemanjá. Essa foi a minha preferida. Eu senti um nojo ENORME na cena de estupro (na real, li no desespero pra chegar nela. Foi a parte que mais me deixou ansiosa). E, no final... achei muito bom. Ficou no ar a forma como ela iria se vingar deles. Mas se vingaria e isso que importava. O sentimento de realização, pra mim, foi enorme. Ninguém mexe com as filhas do mar.
3 Septembre 2018 23:25:20

  • Camy <3 Camy <3
    Aaah, eu também adoro sereias! Eu tô tentando ambientar as minhas histórias mais no Brasil pra dar esse toque de realidade mesmo e é tão gostoso ver que tá dando certo <3 Eu gosto de usar referências porque isso torna o personagem mas real pra mim, sabe? Porque pessoas têm seus gostos de livros, filmes e tudo mais. Eu queria trabalhar com a Iemanjá, mas não queria desrespeitar ninguém. Como tenho pouquíssimos conhecimentos sobre ela, deixei algo bem genérico e que fez jus, ao menos um pouco, à nossa Deusa dos mares. O objetivo era causar nojo e repúdio mesmo com essa cena, então tô faceira que você sentiu isso. Eu poderia ter desenvolvido a vingança dela, mas achei que deixar assim em aberto seria mais legal :D Ah, que bom que você sentiu essa realização, sabe? Eu queria fazer algo simples e rápido, mas que fosse bacana também. Teu cometário me deixou feliz demais, só peço desculpas pela demora em te responder. Obrigada mesmo pelo carinho <3 30 Mai 2019 00:19:35
Karina Mello Karina Mello
ADOREIII !!! Essa foi minha primeira estória referente ao tema sereia e NOSSA parecia que estava lendo um filme kkk Conseguir imaginar cada palavra lida... Os detalhes ficou muito real ... AMEIII
3 Septembre 2018 22:05:26

  • Camy <3 Camy <3
    Aaaah, obrigada! Eu fico super feliz que você tenha gostado tanto! Eu tentei deixar as cenas bastante gráficas mesmo, tô realmente animada com o feedback. Você me deixou muito feliz, sério! 😍😍😘 27 Mai 2019 08:58:24
Karina Mello Karina Mello
ADOREIII !!! Essa foi minha primeira estória referente ao tema sereia e NOSSA parecia que estava lendo um filme kkk Conseguir imaginar cada palavra lida... Os detalhes ficou muito real ... AMEIII
3 Septembre 2018 22:04:22
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Oie! Gostei muito da história e acho que a regionalidade marcada nas falas me fizeram muito próxima da Jasmim, principalmente porque tive uma coleguinha de infância que falava "tu" (era muito pequena, não me lembro de onde ela era) e possuía uma aparência física semelhante a da personagem (o que deixou tudo tãooo divertido! *-* Me senti a Mariana!). Usar o Zé foi muito interessante, inclusive porque ele foi inserido na narrativa de uma forma muito bacana e atrativa, o que é muito mais legal ainda porque esse tipo de coisa realmente acontece e costuma ser com as pessoas menos esperadas (no caso, a Jasmim não imaginaria que o cara por quem estivesse interessada faria isso, ainda mais porque ela estava messsmo interessada, mas fez. Aí entra também a questão da beleza, ele foi retratado como um cara bonito, aparentemente educado e retraído (considerando o fato de que não teve coragem de passar do flerte de forma descente e só agiu quando rodeado pelos amigos e de uma forma tão covarde e absurda). Mas de tudo na história, o que eu mais gostei mesmo foi a relação provável do que aconteceu ao pai da Jasmim e seus colegas de trabalho com o que a Jasmim agora quer fazer a todos do navio. O que remete a outra questão: o que a sereia que causou a morte do pai dela sofreu? Quem foi o causador de tudo? O pai dela?
3 Septembre 2018 20:51:54

  • Camy <3 Camy <3
    Siim, eu tentei deixar as personagens parecidas. Queria colocar uma gaúcha porque é minha terrinha e, não adianta, eu amo nosso sotaque. Fico super contente que você tenha se identificado com a Mariana. Essa parte de eu criar o romance com o Zé no começo foi justamente pra mostrar que a gente nunca conhece de verdade as pessoas. A Jasmim tava super a fim dele. Se o Zé viesse como uma pessoa normal pedindo pra ficar com ela, jamais que a Jasmim teria negado. Ele era bonito, charmoso e parecia um cara super legal. Isso que eu queria mostrar: estuprador não tem cara. Qualquer um pode ser, desde o cara mais charmoso ao escroto que fica fazendo piada machista. Por isso que eu gosto bastante desta história. Ah, você pegou o gancho que eu deixei sobre o pai dela! Sim, o objetivo era deixar ambíguo mesmo. Ele morreu porque fez merda, ele sofreu um acidente? Por que o bobo sobreviveu? Essas coisas eu quero explorar numa outra história qualquer. Ah, tô muito contente com o teu comentário 😍😍😍 27 Mai 2019 08:52:27
  • Camy <3 Camy <3
    Siim, eu tentei deixar as personagens parecidas. Queria colocar uma gaúcha porque é minha terrinha e, não adianta, eu amo nosso sotaque. Fico super contente que você tenha se identificado com a Mariana. Essa parte de eu criar o romance com o Zé no começo foi justamente pra mostrar que a gente nunca conhece de verdade as pessoas. A Jasmim tava super a fim dele. Se o Zé viesse como uma pessoa normal pedindo pra ficar com ela, jamais que a Jasmim teria negado. Ele era bonito, charmoso e parecia um cara super legal. Isso que eu queria mostrar: estuprador não tem cara. Qualquer um pode ser, desde o cara mais charmoso ao escroto que fica fazendo piada machista. Por isso que eu gosto bastante desta história. Ah, você pegou o gancho que eu deixei sobre o pai dela! Sim, o objetivo era deixar ambíguo mesmo. Ele morreu porque fez merda, ele sofreu um acidente? Por que o bobo sobreviveu? Essas coisas eu quero explorar numa outra história qualquer. Ah, tô muito contente com o teu comentário 😍😍😍 27 Mai 2019 08:52:28
  • Camy <3 Camy <3
    Siim, eu tentei deixar as personagens parecidas. Queria colocar uma gaúcha porque é minha terrinha e, não adianta, eu amo nosso sotaque. Fico super contente que você tenha se identificado com a Mariana. Essa parte de eu criar o romance com o Zé no começo foi justamente pra mostrar que a gente nunca conhece de verdade as pessoas. A Jasmim tava super a fim dele. Se o Zé viesse como uma pessoa normal pedindo pra ficar com ela, jamais que a Jasmim teria negado. Ele era bonito, charmoso e parecia um cara super legal. Isso que eu queria mostrar: estuprador não tem cara. Qualquer um pode ser, desde o cara mais charmoso ao escroto que fica fazendo piada machista. Por isso que eu gosto bastante desta história. Ah, você pegou o gancho que eu deixei sobre o pai dela! Sim, o objetivo era deixar ambíguo mesmo. Ele morreu porque fez merda, ele sofreu um acidente? Por que o bobo sobreviveu? Essas coisas eu quero explorar numa outra história qualquer. Ah, tô muito contente com o teu comentário 😍😍😍 27 Mai 2019 08:52:29
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