jackal2.08 Hiromi Murasakibara

Dizem que o amor pode vir de muitas formas, que ele não acontece quando queremos, e muito menos com quem queremos. . . Duas vidas separadas. . . Mas que se unem através de uma matéria, uma chantagem e uma descoberta pra lá de interessante. Dois garotos, que antes se odiavam, terão que passar por dificuldades por conta de sentimento que se alimentou com o tempo. Será que eles vencerão as diferenças e irão ficar juntos? {Antes postado no Wattpad}



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Prólogo

Nunca fui de me entrosar. Não falava com quase ninguém. Amigos? Essa palavra quase me era desconhecida. Mas, uma coisa mudou tudo isso em minha vida. . .

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Isso aconteceu há uns 10 anos atrás. O ano nem tinha começado e eu já estava me dando mal: meu irmão favorito havia viajado para a Europa sem data de volta; minha mãe separou-se de meu pai, que fugiu com uma tailandesa - que era amante dele há muitos anos antes de meu irmão do meio nascer -; e para finalizar com chave de ouro, o garoto que eu mais detestava estava na minha sala, isso tudo em dois meses "maravilhosos" do ano.

Minha família não era a melhor, nem de longe. Constituída por uma mãe solteira que quase nunca ligou para os filhos; um mala-sem-alça que não merecia o título de "pai" que trai sua mulher com qualquer outra que não fosse brasileira; uma avó por parte de mãe que era maluca e falava com "espíritos de animais mortos" (nem queira entender); meus irmãos Delfim, o mais velho - e meu favorito -, Dalila, a mais rebelde, Davi, o do meio e Daisy, a mais fechada; e eu, o que não se encaixava por ser tão nerd.

Eu tinha vários problemas com minha família, mas nem de longe se igualavam com o pior dos piores: Raphael Bittencourt. O conheci no primeiro ano do fundamental, mas lá para o terceiro ele começou a me odiar e me irritar, sofria muito na mão dele, mas não contava à minha mãe pois sabia que ela não faria nada.

Durante um tempo esse garoto me aborreceu demais, até chegar no segundo ano do ensino médio, onde eu descobri algo surpreendente sobre o mesmo.

Como dito, meu ano havia começado horrivelmente ruim, durante uns dois meses eu cogitei um suicídio, mas tive que me contentar toda vez que recebia uma mensagem do meu irmão mais velho, apesar dele estar muito mais longe, me ajudava demais, sempre contei meus problemas à ele, e o mesmo me acudia. . . Toda vez. . . Mas não é disso que se trata essa história, e sim, de como transformei Raphael, e ele me transformou, também fazendo com que eu virasse um amante de Tchaikovsky.

Era só mais um dia "comum" de março, eu tinha acabado de sair da aula, me preparando mentalmente para sofrer de novo nas mãos de Raphael - que desde cedo era o valentão da escola. Esse cara nunca havia largado do meu pé, me perseguiu por todas as escolas que eu frequentei, não sabia se ele tinha problema ou se o universo queria que eu me ferrasse muito.

Muitas coisas passavam na minha cabeça naquele momento, eu estudava de manhã, mas teria 4 provas no dia seguinte e precisava dar mais uma revisada, mas não conseguia me acalmar por pensar demais em me segurar para não gritar com os socos que receberia de Raphael, além de que na semana posterior eu teria que começar um trabalho em dupla com alguém sorteado, só faltava fazer uma oferenda à seja-lá-quem para que não fosse eu o "sortudo" que ficasse com o chiclete marrento. Uma bela terça-feira.

Estava saindo pelo portão, estranhava não ter encontrado o ser de cabeleira vermelha e não sentir seus dedos fechados depositando golpes em mim.

Achando que porventura do destino não seria levado até um beco e sair de lá com sangue na boca ou arranhões nas pernas e braços andei em direção à uma cafeteria que tinha perto do meu colégio. Adentrei a mesma, um pouco feliz por finalmente ter um momento de paz e aliviado por não voltar esmurrado para casa, não que isso fizesse diferença. . .

Passei um bom tempo lá, desfrutando dos tipos de capuccinos e outros, além de apreciar uma linda música que passava no rádio de lá, depois de terminar meu primeiro copo, pedi um para a viagem, por fim me retirando do agradável ambiente de paredes cor malaquita.

Pensei por um tempo que estaria livre de tudo até o final do dia. . . Até que deparei-me com o ser mais desprezível, o primeiro e único Raphael, sentado em uma mureta fumando um cigarro (apesar de que na época ele tivesse uns 16 anos, fazia tudo o que um adulto que vive bêbado faria, inclusive tinha uma tatuagem no bíceps esquerdo).

Tentei mudar o mais rápido de calçada para que ele não me visse, mas quando me dei conta, já era tarde demais.

-Ei! Nem pensa em me ignorar!-disse ele, vindo em minha direção.

Fingi que não era comigo, e continuei meu caminho, até que o mesmo me pegou pela gola da blusa e me arrastou para um beco. Parando agora para pensar, como o povo que estava na rua não tinha notado esse abuso? Poderia ter evitado tudo se as pessoas tivesse bons olhos. . . Se bem que eu daria de tudo para dar um replay nessa experiência e sentir todas as emoções maravilhosas novamente!

Raphael me arrastou até o limite do beco, por fim me jogando contra a parede com força.

-Mandei não me ignorar! Que foi? Quer voltar logo pra casa? Que pena, não será agora!-disse fechando o punho e começando a depositar socos em mim.

Depois de quase 30 minutos me socando, o mesmo me deu as costas e foi embora. Não sabia o motivo de ter demorado tanto para vir me bater, e nem queria, estava mais preocupado em ir logo para casa e revisar um pouco mais as matérias.

Havia chegado um pouco mais tarde do que de costume em casa, mas minha mãe nunca se importou, afinal, eu era apenas o "caçula de 16 anos incompetente" nas palavras dela. Fui rápido para o meu quarto. Peguei meus cadernos e comecei a ler as matérias, terminei um tempo depois de ler tudo, então parti para o computador louco para enviar e-mails para meu irmão. Ele não tinha muito espaço no celular para ter algum aplicativo de mensagens, por isso nos comunicávamos por e-mail.

Liguei o computador, logo em seguida comecei a escrever um e-mail para ele, falando sobre as coisas que aconteceram nos últimos tempos.

De: Daniel
Para: Delfim

Assunto: Não aguento mais! Preciso de você aqui!

Oi! Então, eu preciso desabafar com você! Amanhã terei quatro provas seguidas, e não se me darei bem por conta da mamãe e dos outros, estão me enchendo o saco para fazer as tarefas de casa, acho que não estudei o suficiente. E tem o garoto da minha sala que não me deixa em paz! Como eu sempre digo, ele me bate e me azucrina à toda hora e, mesmo você dizendo para eu me defender, não consigo! Achei que hoje me livraria dele por ele ter demorado para me encontrar, então aproveitei para passar em uma cafeteria para "esfriar" a cabeça, que piada ruim né? Hahaha. Voltando ao assunto, não aguento mais! Você disse voltaria para o Brasil e me levaria com você, Delfim! Tá, eu sei que isso só vai acontecer daqui dois, três anos, mas por favor, venha pelo menos em algum final de semana, não aguento mais a mamãe reclamando do papai, falando que ele era horrível na cama ou que nunca fazia comida direito! E tem também a Dalila, não para de trazer bandido pra casa, sempre que um desses "trombadinhas" vem pra cá, eles roubam alguma coisa nossa. Sem contar que semana que vem tenho que começar a fazer um trabalho em dupla, já fiz de quase tudo para não ficar com o Raphael, por acaso, você não teria algum amuleto para me emprestar? Só por precaução? Não consigo nem imaginar as "pérolas" que podem acontecer caso eu fique com esse rebelde sem noção! Espero que volte logo! E me traga lembranças, principalmente se for algum doce!

Daniel

Depois de escrever, enviei a mensagem para o Delfim, estava morrendo de vontade de vê-lo, quanto mais cedo ele viesse, melhor seria.

20 Juillet 2018 15:58:00 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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