Jardim Congelado Suivre l'histoire

senhorasolo Elane Santiago

Uma noite fria. E duas pessoas numa varanda, observando um jardim congelado. Dentro de cada um há sentimentos que inutilmente tentam conter.


Fanfiction Films Déconseillé aux moins de 13 ans.

#romance #Han-Solo #star-wars #leia-organa
Histoire courte
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Cascata de seda

Ele procurava um lugar em que pudesse ficar sozinho, longe de toda a agitação que havia no restante da casa, mas esta tarefa tornou-se impossível de se cumprir. Nem no banheiro podia trancar-se, pois a todo momento aparecia quem quisesse usá-lo. Se dentro da casa não podia ficar a sós com seus pensamentos, logo resolveu sair.

Ao abrir a porta da varanda, deparou-se com a silhueta dela, em pé, de costas para ele, encostada numa das vigas de madeira da varanda. Han não se censurou ao fazer uma careta de desgosto. Mas não de desgosto por encontrá-la, mas sim porque ela tinha chegado primeiro no único lugar em que ele poderia ficar sozinho.

Ela virou a cabeça para olhá-lo, e mesmo sem dizer uma única palavra, ela o perguntava o que ele vai fazia ali. Ele notou isso quando ela franziu o semblante. Pensou em dar meia volta e retornar ao interior da casa, mas refletiu por breves segundos que deveria ficar. Eles não precisavam necessariamente conversar, apenas ignorar mutuamente a presença um do outro e aproveitar o silêncio que se mantinha ali. Era um lugar agradável, e não era necessário ser egoísta e brigar por ele.

— Não se incomode – ele falou. – Só quero... Lá dentro, sabe? Tem muita gente e...

— Eu já entendi. - Ela o cortou e desviou o rosto dele para o jardim.

Han suspirou e sentou-se numa espreguiçadeira que ali tinha. Achava que conseguiria apenas estar ali, dividindo o espaço, a paz e o silêncio com ela, mas Leia só conseguiu perturbá-lo ainda mais. Não era cego nem bobo para não reparar em sua beleza. Ela era bonita, também era inteligente. Mesmo que não conversassem muito e que sempre que isso acontecia acabavam brigando, ele sabia que ela era inteligente. Num mundo como o de hoje, onde as opiniões e conceitos mudam e definham sob a pressão da maioria e da mídia, sustentar uma opinião própria como ela fazia, era algo impressionante. Nada lhe fazia mudar de ideia ou abaixar a guarda perante algo que considerasse errado ou injusto. Defendia suas opiniões até com unhas e dentes, metaforicamente falando, pois jamais rebaixava-se para além de um diálogo, por mais acalorado que fosse.

Essa sua qualidade tanto o irritava como o deixava admirado. Ele também era teimoso e fiel aos seus princípios e preceitos. Eles dificilmente concordavam em algo, mas ele não esperaria menos dela. Não eram almas gêmeas, nem metades de laranja. Aquilo era demasiado clichê para ele. Acreditava em parceria, em cumplicidade, em respeito. Amor era ilusão barata criada pelos românticos. Uma coisa com a qual ele não queria perder tempo.

Suspirou. Não deveria estar pensando em tais coisas. Han não conseguia aceitar que ele próprio estava desenvolvendo sentimentos que tanto reprimia. Talvez Chewbacca estivesse certo quando dizia que ele tinha medo de relacionamentos sérios como o diabo tem medo da Cruz.

Mas por que justo ela? Era uma peça criada por seu coração? Se é verdade que atraímos o que não desejamos, ele desejava nunca ganhar na loteria. Leia Organa não era para o seu bico. Ela era "muita areia para seu caminhãozinho".

Ela, por sua vez, não entendia como que as situações da vida faziam-na estar sempre no mesmo lugar que ele. Ele... Um cafajeste pretensioso. Que respeito Han tinha por ela? Muito mais do ela própria imaginava. Achava que a birra e teimosia de Han eram sinais de seu desrespeito, mas ele a respeitava sim, e muito.

Ela mesma não percebia o quanto gostava de estar em sua presença, e de outras coisas que quem estava observando de fora reparava ainda mais que eles dois. "Han e Leia não se suportam porque se gostam", falava-se pelas suas costas.

Leia observava-o disfarçadamente, e sabia que ele estava fazendo o mesmo. Sentado na espreguiçadeira, o seu olhar viajava até o seu rosto mais vezes do que pode contar, sempre desviando para qualquer outro ponto da varanda, porém, para lá retornava todas as vezes. Han levantou-se, caminhou até a beira da varanda, onde ela estava encostada, sem dizer nada, apenas respirando devagar e forçando-se a não fitá-la mais tempo do que o considerado normal.

Ela jogou os cabelos para trás, sentindo a brisa fria em seu pescoço desnudo. Arrependeu-se de não ter vestido uma camisa de gola alta. Han admirou aquele gesto, por mais simples que fosse. As suas longas madeixas castanhas caíram por sobre suas costas num movimento leve, como uma cascata de seda. Gostou de vê-la com os cabelos soltos, pois na maior parte do tempo estavam presos. Não imaginava que o cabelo dela fosse tão longo; e toda vez que chegava mais perto, sentia o perfume floral que vinha dele.

Seus lábios ergueram-se para o lado brevemente, num sorriso tão rápido que nem ele próprio teve tempo de notar. Perfume de flores combinava com ela. Sua personalidade forte coexistia com uma delicadeza e elegância que só ela possuía. Arisca e simultaneamente graciosa. Uma leoa, uma flor.

Fitou o jardim coberto de neve, para não se demorar observando até seus pequenos gestos. Leia estava olhando na mesma direção que ele, contudo, não tinha nenhum foco; apenas deitou os olhos ali enquanto pensava. Recriminava-se por deixar que ele chegasse perto dela, por aprovar o seu perfume amadeirado. Portanto, procurava manter-se indiferente a ele, mas sentia que Han estava um pouco agitado. Batia os dedos na madeira da varanda, mexia a cabeça, trocava o peso do corpo de uma perna para a outra diversas vezes. Ela o olhou. Já não sorria, a boca estava entortada num muxoxo - tinha tédio.

— Não gosta daqui, não é? – ela o perguntou.

— Oh, claro que gosto – responde, erguendo as duas sobrancelhas ligeiramente.

— Nunca sei quando você está sendo sincero ou irônico – disse, voltando a fitar o vazio.

Han virou-se, encostou-se e cruzou o braço. Ele disse:

— Não gosta que eu esteja aqui?

— Você é convidado do Luke.

— Resposta errada, princesa.

Ela o encarou, dessa vez olhando no fundo de seus olhos. Não era sobre ter vindo a festa que ele se referia, mas sobre estar com ela naquela varanda. Ela fez um gestinho com a boca e soltou ar pelas narinas. Lançou nele o mesmo olhar de desagrado que sempre fazia para ele; cujo Han já esperava receber.

— Não ligo para isso – ela respondeu. – A casa nem é minha, pode ficar onde quiser.

— Admite, você quer que eu fique por causa do que sente por mim.

— Convencido é uma palavra que não serve para te classificar.

— Como assim?

— Seu ego é tão grande que "convencido" acaba tornando-se insuficiente.

— Existe de fato uma carência de adjetivos no dicionário para me classificar. Sou um homem... Acima da média.

— É muita besteira o que sai da sua boca mesmo.

— Confessa Leia, entre a gente não tem algo de... Diferente.

— Confessar? Não sei do que está falando.

— É, você não sabe mesmo. – Afastou-se, indo para o outro lado da varanda e ela foi junto.

— O que exatamente eu deveria saber?

Han fitou-a por longos segundos, impressionado que não foram nem dois minutos de conversa e já estavam se estranhando. Ele queria fazer as coisas de outro modo pelo menos uma vez, mas não poderia se ela também não colaborasse de vez em quando.

— Não quero brigar com você Leia. – Colocou as mãos na cintura. – Será que a gente não consegue conversar sem brigar?

— Você é um sujeito que eu tenho dificuldade de lidar.

— Mas você bem que poderia ser menos ranzinza de vez em quando. – Ela meneou a cabeça, não crendo que ele estava mesmo dizendo aquilo. – Vai, confessa que de vez em quando você me acha legal.

— É... De vez em quando.

— De vez em quando? – Ele riu.

— Quando não está agindo como um salafrário, por exemplo.

— Salafrário? É isso que você pensa que eu sou?

— Se eu fosse fazer uma lista de termos que agrego ao senhor, ficaria ofendido.

— É mesmo? – Han tomou liberdade de chegar mais perto e tocar o rosto dela com os dedos, fazendo um afago Aposto que você gosta de mim porque eu sou um salafrário.

— Gostar de você? Está sendo exagerado! Gosto de homens gentis e educados, e você Han Solo, não se encaixa nesse perfil.

— É isso que repete a si mesma? Eu duvido. O que falta na sua vida é um homem como eu, princesa.

— Não acredito.

— Eu irei provar.

Ele não hesitou antes de beijá-la. Antes que a razão emitisse qualquer sinal de alerta, ele já tinha se entregado àquele beijo, puxando-a pela cintura para mais próximo de si. Da parte dela foi igual. Inconscientemente já estava entrelaçando as mãos atrás do pescoço dele, devolvendo aquele beijo um tanto quanto nervosa e sem saber exatamente o que fazer em seguida, se deveria virar a cabeça ou em que momento a língua deveria começar a ser usada. Não era o primeiro beijo dele, mas era o dela. Deixou que ele liderasse a excursão pela sua boca, apenas acompanho e imitando os seus movimentos. O coração batia mais rápido e ela se sentiu ofegante.

— Mudou de opinião? – Ele provocou, sorrindo sobre seus lábios e ela quis bater no seu braço, mas ignorou a provocação, concentrando-se no beijo; o que ele entendeu como sendo um "sim".

Quando eles se afastaram, respirando com dificuldade e rubros de vergonha, ouviram sons de gritos e palmas.

A porta da varanda estava aberta e uma pequena plateia com seus amigos mais próximos ovacionava o beijo que tinham presenciado.

11 Juillet 2018 17:57:03 0 Rapport Incorporer 2
La fin

A propos de l’auteur

Elane Santiago Não sei como vim parar aqui. Só queria viajar na TARDIS ao lado do 8º Doutor, conquistar Westeros com meu sabre de luz, me juntar aos Vingadores depois de ter reunido todas as esferas do dragão e conhecido os Beatles. Mas virei uma escritora fracassada viciada em café.

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