Extinção Suivre l’histoire

pequenalady2000 Nathalia Souza

Nós somos os Condecsindhos. A raça Condecs surgiu na Terra muito antes da raça humana e sua maioria é inofensiva e está presente para ajudar. Contudo, não é assim que vocês pensam. Poucos sabem da nossa existência, e os que sabem, normalmente decidem que precisamos ser exterminados, ou até mesmo estudados. Os autodenominados Salvadores caçam todos nós pelo mundo todo; assim como grupos de pesquisa desconhecidos tentam nos aprisionar para o que chamam de benefício científico. Não sei para quem. Me chamo Kaolin Palmeiro e sou uma das restantes espalhadas pelo mundo. Felizmente, Vô Bernardo me achou e agora vivo com um pequeno –porém unido– grupo sobrevivente, tentando apenas adiar nossa extinção. Até agora.


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#romance #fantasia #aventura #poderes #ação
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Prólogo

—Senhoras e senhores, daremos início à premiação das turmas do Ensino Fundamental II e Ensino Médio!—a diretora chamou atenção para si, no microfone, seu sotaque carioca bem forte era notável.

Não vou dizer que não tenho o mesmo sotaque, tenho mesmo, transformo “s” em “x” (bixcoito) e tantas outras características. Mas eu estava tão nervosa que logo esqueci o tópico dos sotaques.

Era um dia importante para a escola. Trabalhos sendo apresentados por todos os lados, a Feira Cultural era com certeza a mais esperada, ainda mais as apresentações do 3° ano do Ensino Médio. Fazia parte desta turma, e estava mais do que animada, mesmo depois da apresentação de nosso curta, chamado “Olhos de Pedra”. Até porque, a premiação havia começado.

—Prêmio de Melhor Roteiro vai para. . . Kaolin Palmeiro, roteirista do curta-metragem Olhos de Pedra!—me chamou, e passei por meus colegas animados e escandalosos e fui receber o prêmio das mãos de Nicole.

Dei um discurso breve e clichê sobre gratidão e voltei para detrás das cortinas. Mais alguns prêmios foram anunciados, ganhamos o de melhor edição também.

O auditório estava lotado, haviam pessoas sentadas nas escadas. Desde pais, familiares e amigos até mesmo olheiros em busca de novos talentos, disfarçados junto aos entusiastas da arte. Era uma boa maneira de mascarar aquele ambiente escolar (que de animado e festivo não tinha nada) e mostrar os ótimos prodígios que o colégio havia formado. Não haviam formado nada (ou quase nada), na minha humilde opinião, todos os que ali estavam se interessaram por aqueles assuntos fora do colégio Carlos Drummond de Andrade, que provavelmente odiaria ter seu nome relacionado àquela instituição de ensino.

Estávamos todos nos bastidores, ao lado de tantas outras turmas tão eufóricas quanto a minha. Todos haviam trabalhado nisto, em vários níveis e eu era uma das mais envolvidas. Havia escrito o roteiro; atuado; cantado e até compus umas músicas originais. Aproximei-me de uma de minhas amigas, Eliza, que era a única sentada num canto. Ela havia editado e atuado também, além de ter dirigido todo mundo. Mas não parecia feliz.

Pelo contrário, ela estava tensa. Os cabelos curtos, escuros e lisos, bem aparados em volta e com um topo maior que se finalizava numa franja que normalmente ficava do lado esquerdo do rosto, porém, esta franja bagunçada sobre o rosto. Rosto esse oval e de lábios carnudos, que eram umedecidos o tempo todo. Mal conseguia ver as outras feições delicadas, mas pude ver os olhos cinza-escuros levemente ovais semifechados. As mãos tremiam um pouco, as unhas arranhavam a pele branca das mãos, talvez estivesse deixando feridas.

Aproximei-me dela, e logo pude entender. Aquele mesmo nervosismo tomou conta de mim, fazendo com que parasse a sua frente antes de lhe tocar o ombro. Seus olhos me encararam por baixo dos fios desarrumados.

—Eles chegaram?—perguntei, um pouco esperançosa de que a resposta fosse um “Não”.

—Chegando.—respondeu, arrumando os cabelos.

Liza usava uma saia preta e meias 3/4 xadrez preta e vermelha, e tratou de ajeitar estas em suas sapatilhas pretas. Usava uma camisa branca de manga longa e fina e alguns colares de couro, além de suas características luvas pretas.

—O que a gente faz?—perguntei, um pouco temerosa.

Com certeza ela estava mais acostumada a momentos do tipo do que eu. Até tinha uma história relacionada a eles, os que estavam vindo nos caçar, mas nunca havia me contado, sempre que tocava no assunto fazia uma cara de choro e eu não tinha coragem de continuar.

—Agora? Nada. . .—murmurou ao se levantar.

—E agora, o prêmio mais importante da noite para aqueles jovens alí atrás. O prêmio de Melhor Curta-Metragem, de acordo com nossa banca de jurados é. . . Olhos de Pedra!—anunciou e nossa turma de terceiro ano saiu completamente animada para o palco, gritando e pulando.

Estava feliz, porém, a notícia que recebi havia baixado minha animação. Forcei um sorriso e pegamos o troféu pintado de dourado, saindo do palco e indo para a platéia. O resto continuou a festejar ao fim da premiação, contudo eu não o fiz. Eliza puxou minha mão e corremos de maneira desengonçada para a escada em espiral do colégio, que havia sido mantida e abandonada.

—O que houve, Liza?—questionei, mas sem resposta.—Liza, o que foi?!

Não recebi nenhuma resposta, nada além de uma encarada um pouco melancólica. Chegamos ao térreo e saímos do prédio escolar pela porta lateral. Levou-me para a frente da escola, onde um pequeno grupo de pessoas circundava algo. Nós nos aproximamos, mas logo eu dei passos para trás, as mãos sobre o rosto. Não ousei chegar mais perto, nem ela. Mas, ao ver o rosto pálido; os olhos sem vida e a enorme poça de sangue que se formou ao redor dele, eu sabia o quê tinha acontecido. Também sabia quem tinha feito aquilo. 

—Daniel. . .—murmurei, incrédula.

—Isso aconteceu, Lin.—disse Liza e pude perceber sua voz um pouco trêmula.—Usaram ele pra chamar nossa atenção e dos outros.—continuou, controlando sua ira.

Eliza simplesmente se afastou correndo para o estacionamento e subiu em sua moto preta, colocando o capacete. Eu nada fiz além de a seguir, perdida.

—Volta pro colégio! Lin, volta! Não é seguro aqui fora. Chama o Nicollas e avisa o que acontecendo.—ordenou e em instantes estava longe de mim.

Pensei em acatar suas ordens por um segundo, mas não podia deixa-la sozinha. Muito menos tinha tempo para avisar os outros do perigo eminente. Fechei meus olhos, bastante concentrada, já que ainda estava aprendendo as dimensões do que podia fazer. Senti a leve fisgada no estômago usual, e em seguida estava a três quarteirões de distância. Eliza passou por mim de moto, mas não havia me visto. Também, não tinha como. Uma senhora esbarrou em mim, caindo no chão. Seu neto virou para ela, assustado.

—O que aconteceu, vovó?—perguntou e lhe ajudou a levantar.

—Não sei meu filho, devo estar muito velha mesmo.—respondeu e respirou fundo, sua voz demonstrava dor.

Quis dizer desculpa, mas não podia, já que a senhora acharia que estava ficando louca por ouvir vindo do nada. Não podia perder Liz, então fechei os olhos novamente e logo estava em frente a ela, numa rua vazia e escura.

Olhava para a outra esquina, fixamente. Parecia sentir algo se aproximar. e estava preparada para esta aproximação. Desceu da moto, confiante. Um carro preto apareceu, os faróis ofuscantes atrapalhavam a visão que tinha deles (o farol dela fazia o mesmo com os adversários), assim como os vidros fumês. Era um veículo grande, mas não sei muito de carros para dar detalhes.

7 pessoas saíram deste, posicionando-se atrás do que podiam, muretas, cercas fechadas ou latas de lixo, as armas apontadas para ela. Liza nada fez além de tirar as finas luvas, guardando-as no bolso. Precisava agir antes da minha amiga ser fuzilada, mas ela fez antes de mim. De suas mãos, uma energia forte e brilhante, de cor roxa, flutuou rapidamente em forma de faixas de luz em direção aos mercenários. Estas faixas explodiram, enrolando-se em armas e pescoços.

Um deles faleceu e o outro gritava de dor no chão, contudo, logo ela levaria um tiro. Eles se recuperaram do ataque, e estavam prontos para atirar. Sem pensar, em meio às balas, saltei em frente a Liz e coloquei meus braços rentes ao corpo, abrindo-os em seguida.

Uma força invisível os empurrou para trás, assim como os seus projéteis. Balas perdidas para todo lado e alguns foram atingidos, não sei quais. Uma deles havia sido acertada por uma caixa de correio, outro acertou um poste durante seu “vôo”. Voaram para longe, estavam machucados e desnorteados . Assim como eu, que estava tonta. Nunca havia feito algo do tipo e exigia bastante de mim. Virei-me para olhar Eliza e a mesma encarava o nada (ou melhor, eu) com uma expressão irritada. Subiu em sua moto, e parou para esperar-me

Subi na moto, segurando em sua cintura e quase me jogando em suas costas. Não podia me ver ainda, mas o peso do meu corpo foi o suficiente para que ela desse partida para longe daquele lugar. Entrou numa estrada secundária, correndo com nunca.

—Eu sei que está difícil de manter. Pode aparecer, Lin.—murmurou ao suspirar.

E assim o fiz, encarando meu reflexo no espelho retrovisor. Podia ser considerada mediana em questão a minha altura, porém Eliza era tão baixa que a cena da minha pessoa apoiada nela era um pouco engraçada, mesmo que não fosse pesada por ser relativamente magra (e sem curvas). Meus cabelos lisos e pretos estavam presos num rabo de cavalo alto, mesmo que alguns fios estivessem grudados em meu rosto. Os olhos pretos e amendoados estavam quase fechados; lábios finos e bem delineados; o rosto longo um pouco sujo pelo sangue que escorria do meu nariz. Minha pele não tinha tantas espinhas (mas tinha) e possuía um tom normalmente comparado com o “café com leite”. Meu vestido azul com flores brancas e soltinho estava meio torto, minhas sandálias marrons cheias de terra. Eu estava acabada.

—Você não tinha que ter vindo... Era pra ter chamado o Nicollas! Ou qualquer um dos outros... Kaolin, você tá me ouvindo? Kaolin?

—Para a moto, reduz...—murmurei de volta, um pouco trêmula.

Ela parou bruscamente, assustada com meu tom de voz e com esta freada fiquei mais tonta ainda. Antes de Eliza virar-se para acudir-me, tombei para fora da motocicleta, batendo a cabeça no asfalto. E simplesmente perdi os sentidos.

10 Juillet 2018 11:33:42 6 Rapport Incorporer 10
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luiz henrique gomes ribeiro luiz henrique gomes ribeiro
Continue assim, excelente história! Só procure ampliar um pouco mais seu vocabulário (eu, por exemplo, escrevo consultando o dicionário de sinônimos e antônimos constantemente).
10 Mars 2019 19:12:15

  • Nathalia Souza Nathalia Souza
    Olá! Obrigada, de verdade. Prometo que vou tentar seguir sua dica. Beijos! 11 Mars 2019 21:27:45
Neeca Ashcar Neeca Ashcar
Nossa que delícia de leitura, meu Deus! Eu gosto de narrativas detalhadas como a sua, e foi perfeito, de mais, essa história é simplesmente incrível! Está de parabéns, vou continuar lendo pode apostar! Beijinhos, até o próximo!
5 Août 2018 10:21:17

  • Nathalia Souza Nathalia Souza
    Ownt, que fofa! Olá! Obrigada, de verdade, lisonjeada pelos tão doces elogios. Beijos, desculpa pela demora, até! 9 Août 2018 17:34:39
Victor  Ribeiro Victor Ribeiro
É isso. Amo a leveza com que você escreve. Parece tão fluido sempre. Mesmo tendo acesso a isso anteriormente, achei muito necessário te deixar um comentário de apoio. Vou acompanhar essa história até depois do fim. A extensão dos poderes da Lin e todo o enredo de uma ameaça maior são cabalísticos, e isso me desperta muito interesse. Além do mais, não lembro do que acontece no segundo capítulo! :p Boa sorte!
24 Juillet 2018 20:54:37

  • Nathalia Souza Nathalia Souza
    Oi Victor! É muito doce da sua parte vir aqui me dar suporte, e agradeço por suas palavras. Yupi, amaria que você continuasse a acompanhar. Espero não te desapontar, mas acho que da parte cabalística eu posso cuidar. Kkkkk, Deus. Descubra então ;). Beijos e obrigada! 27 Juillet 2018 15:21:44
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