paloma-machado1524178432 Paloma Machado

Alguns dizem que os opostos se atraem... Outros que se repelem. Para Kuroko e Kagami as diferenças os completam... E não só no basquete.


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

#yaoi #kuroko-no-basket #knb
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A Sombra e o Tigre

Kuroro Tetsuya era baixo, quieto e tinha pouca resistência, passava despercebido em qualquer situação, mas era um jogador monstruoso na quadra de basquete. Era a sombra que caminhava junto da luz ofuscante de Aomine, o Ás da Geração dos Milagres. Mas quando cada um partiu em direções opostas, movidos por razões distintas, Kuroko não encontrou mais a quem seguir.


Era primavera, o tempo já consideravelmente mais quente trazia consigo a beleza das flores de cerejeira, as pétalas róseas caiam como em celebração ao início de um novo ano letivo. Como sempre, várias barracas de clubes estavam armadas na entrada dos colégios, era como uma pequena feira para chamar a atenção dos novos alunos. Panfletos eram distribuídos, modestas performances realizadas, qualquer coisa para fisgar e conquistar novos integrantes.

Kuroko já sabia a qual iria juntar-se, apesar dos clubes de esportes terem sido criados há apenas um ano naquela escola, era uma boa chance de recomeçar, de criar novos laços de amizade. Caminhava sem pressa enquanto lia um livro, às vezes parava para observar alguma coisa, até que por distração acabou esbarrando em alguém. Parou para desculpar-se como sempre fazia, mesmo que as pessoas não o ouvissem.

— Perdão... – Kuroko meneou a cabeça levemente e quando voltou os olhos para frente, não pode deixar de observar a quem se desculpava.

Era um belo rapaz de olhos e cabelos vermelhos tão intensos quanto sua presença esmagadora. Alto, forte e sério, chamaria a atenção de qualquer bom treinador. Curioso decidiu segui-lo pelo meio da multidão, até que parassem em frente à bancada do clube de basquete. Seria coincidência ou obra do destino? Tão pouco importava.

Kuroko esperou que ele terminasse de preencher o formulário e o fez também, aproveitando a distração dos membros para espiar os papéis. Kagami Taiga era o nome escrito na folha deixada sobre as mãos da jovem técnica do colégio Seirin.

Mais tarde todos os novatos se reuniram no ginásio. Enfileirados e sem camisa, foram observados pelos olhos apurados de Aida Riko, filha de um dos maiores treinadores do país. Os primeiranistas não eram grande coisa, estavam um pouco abaixo da média na verdade, mas nada que ela não pudesse fortalecer com seu vasto conhecimento, adquirido nos vários anos em que observou os treinos profissionais. O último era Kagami, aquele que a tinha surpreendido mais cedo, seus olhos brilharam ao constatar os excelentes números físicos dele.

— Treinadora! O que você tanto olha? – reclamou Hyuuga Junpei, capitão do time, claramente enciumado.

Kuroko compreendia ambas as reações, pois o ruivo tinha um físico realmente excepcional... E não só para o esporte.

— Desculpe... – a garota pegou a prancheta e soou o apito. – Vamos começar o treino!

Riko completou as fichas técnicas, passou uma série de exercícios específicos para cada integrante e assim que o sol começou a sumir no horizonte, todos foram dispensados. Já era noite, Kuroko fazia o caminho de volta para casa, passando ao lado da pequena quadra de basquete do parque. Inesperadamente lá estava Kagami, esboçando sua determinação cesta após cesta, parecia amar o basquete como ninguém, como se o esporte fosse parte da pessoa que ele era.

No dia seguinte uma forte chuva teimava em cair, mas nada que impedisse o treino... Ou talvez fossem as ameaças de Riko que incentivavam os jogadores. Um rápido jogo seria feito, veteranos contra novatos, uma forma de avaliar melhor suas habilidades e saber quais pontos deveriam ser trabalhados com mais atenção.

Os primeiranistas cochichavam preocupados, falando sobre o quão incrível os mais velhos tinham sido no campeonato do ano passado. Mas não Taiga. Era um bom atleta, mas sua arrogância por vezes se sobressaía às qualidades. Começou o jogo com inúmeras enterradas exageradas, com instinto e força de um animal selvagem. Era assim que Kuroko o via, como um grande e belo tigre.

Na metade do primeiro tempo os novatos se mantiveram à frente, mas isso não animava Kagami, estava irritado com a fraqueza de seus colegas, principalmente sobre o pequeno de cabelos azuis. Achava-o mais inútil que um armador mediano, não era possível que um cara molenga daquele fosse um dos jogadores da Geração dos Milagres, se todos os outros fossem assim, ficaria realmente decepcionado.

— Acho que já foi o suficiente – Hyuuga comentou, anunciando o fim da colher de chá.

— Sim – Izuki concordou animado. – Vamos mostrar o lugar deles.

A marcação pesada em cima de Kagami começou, logo mostrando a dependência dos outros jogadores sobre ele. A diferença no nível de habilidade ficou evidente, terminando o primeiro tempo com o dobro de pontos para os veteranos. Alguns novatos já se queixavam, demonstrando baixa resistência física e psicológica, e isso deixava Taiga com muita raiva.

— Desisto, já estou cansado – disse Furihata.

— Que merda você está falando?! – Kagami ergueu o medroso pelo colarinho da camisa.

— Acalme-se, por favor – Kuroko chegou por trás do estressado e empurrou seus joelhos para frente, desequilibrando-o.

— Maldito... – Kagami o ergueu pela blusa com um só braço, espantando-se com o peso leve do rapaz. Ele era pequeno, irritantemente calmo e surpreendentemente bonito. Por um instante Kagami se flagrou pensando nele em seus braços.

Enquanto recebia os xingamentos cuspidos a poucos centímetros de seu próprio rosto, Tetsuya observou os olhos do ruivo. Eram tão quentes e incisivos quanto as labaredas de uma fogueira acesa no inverno, um olhar que o fazia queimar por dentro.

Riko apartou a discussão com alguns tapas, soou o apito e ordenou que começassem logo o segundo tempo.

— Poderia passar a bola pra mim? – Kuroko pediu a Fukuda. Estava na hora levar o jogo a sério, mostraria seu verdadeiro potencial, afinal também queria impressionar o outro.

O placar começou a se igualar, a bola parecia fazer curva, chegava facilmente às mãos dos jogadores livres, passes feitos de uma maneira tão sútil que nem mesmo a atenciosa árbitra conseguia perceber. Kagami não podia negar, por mais que Kuroko fosse horrível na maioria das outras coisas, nunca tinha visto alguém com uma dominação tão perfeita sobre os passes.

Faltando dois pontos para vencer os veteranos, Tetsuya pegou a bola e correu em direção à cesta, mas mesmo com a torcida fervorosa dos companheiros, errou feio o arremesso. A bola bateu no aro e voltou, mas Kagami já estava lá, num salto inacreditavelmente alto agarrou a bola com a mão direita e enterrou. Kuroko sorriu... Uma nova luz nascia a sua frente.

Depois do treino, Kagami parou em uma lanchonete para jantar, pegou a bandeja com uma pilha enorme de lanches e se acomodou na mesa com vista para a rua. Deu uma mordida no cheeseburger e quase se engasgou com o susto ao ver Kuroko sentado bem a sua frente.

— Olá.

— De onde você saiu? – Kagami tossiu o pedaço de pão entalado na garganta. – E o que está fazendo aqui?

— Eu já estava sentado. Gosto do milk-shake de baunilha – Kuroko respondeu.

Kagami suspirou, estava cansado demais para discutir.

— Toma – deu um hambúrguer para Kuroko que o olhou surpreso. – Não gosto de caras ruins no basquete, mas hoje você conquistou um desses.

— Obrigado – Kuroko ficou feliz. O selvagem conseguia ser gentil, ao seu modo, claro.

Kagami era tão intenso na hora de comer quanto no basquete, terminou de devorar a pilha de comida em questão de minutos, Kuroko mal tinha acabado sua bebida.

— Quão forte é a Geração dos Milagres? – Kagami perguntou enquanto caminhavam pela calçada. – Se eu jogasse contra eles agora, como me sairia?

— Você seria destruído imediatamente – Kuroko respondeu sem medir as palavras, o que fez uma veia saltar na testa do ruivo. – Os cinco prodígios foram jogar por suas próprias escolas e uma delas subirá até o topo.

— Isso é ótimo – Kagami riu. – Esse é o tipo de coisa que me deixa empolgado. Vou acabar com todos e me tornar o melhor jogador do Japão.

— Eu não acho que isso seja possível – Kuroko cutucou mais uma vez. Apesar de não demonstrar, divertia-se com a expressão irritada do outro.

— Ei! – Kagami se perguntava se o nanico estava fazendo de propósito.

— A não ser que você tenha um talento escondido, mesmo assim não tenho como saber – Kuroko jogou o copo vazio na lada de lixo. – E pelo que vi até agora, você mal chegaria aos pés deles.

Atravessaram a rua, parando sob um poste. Kagami não sabia dizer se aquilo o aborrecia ou o estimulava.

— Mas sei que você não pode fazer isso sozinho – Kuroko continuou. – Quanto mais forte for a luz, mais forte será a sombra, e ela irá destacar ainda mais o seu brilho.

Kagami era ruim nos estudos, então não estava entendendo nada daquela metáfora.

— Então eu serei a sombra para sua luz – Kuroko terminou, aproximando-se do maior, encarando-o veemente.

As bochechas de Kagami refletiram a cor de seus cabelos por um momento, pois aquilo parecia soar como uma declaração. Disfarçou o constrangimento com uma risada debochada.

— Faça o que quiser.

— Vou me esforçar – Kuroko finalmente havia encontrado um novo alguém para seguir.

O ruivo arregalou os olhos, chocado com a determinação do pequeno. Em apenas dois dias haviam surpreendido um ao outro de diversas maneiras. E a primeira conversa revelou que uma forte relação de amizade e companheirismo surgiria dali.


Talvez algo ainda maior.


Podiam sentir em seus corações. 

7 Juin 2018 03:24:24 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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