As Sublimes Delícias do Amor Suivre l’histoire

zephirat Andre Tornado

Han Solo sente-se sozinho na imensa Coruscant, mesmo na companhia do seu inseparável Chewbacca. Uma certa princesa não lhe dá a atenção que ele quer e precisa. Luke Skywalker vai encontrá-lo desmoralizado e deprimido, tenta animá-lo mas é ele quem acaba por ser arrastado por Han para uma aventura que não desejava totalmente…


Fanfiction Films Interdit aux moins de 21 ans. © Star Wars não me pertence. História escrita de fã para fã.

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I - Down


Conseguia compreender a aversão de Han Solo pelo lugar. Havia qualquer coisa de corrupto e de impessoal naquela cidade megalómana de paredes imensas e de luzes constantes, de espaços tão ocupados que a grandeza se fazia em altura. Edifícios altos, absurdamente altos.


O centro da galáxia situara-se ali durante centenas de anos com a República e ali se fixara com o Império Galáctico. Primeiro para que o palácio imperial existisse paredes meias com o local onde se reunia o Senado. A intenção não era que existisse uma cooperação mais estreita, mas para que se exercesse um controlo apertado sobre as ações dos senadores, manietados nas suas liberdades políticas e obrigados a uma conduta exemplar por causa dos inúmeros espiões que os rodeavam, sem distinção clara dos amigos e dos inimigos. Até que o Senado foi dissolvido, Palpatine reinou supremo por quatro anos de horror e de guerra. Foram tempos negros mas ele apostava que as luzes tinham sempre brilhado naqueles prédios colossais, disfarçando com fausto a penúria que se estendia pelos sistemas que se revoltavam.


Depois os rebeldes ganharam a guerra e Coruscant era recuperada como antigo centro democrático. Não era uma escolha consensual. Começavam a surgir demasiadas vozes que se levantavam contra o planeta manter os seus privilégios de centro galáctico, pois tinha agarrado demasiadas memórias más, sendo apontadas como as principais a queda da República e o reino imperial. Por enquanto era fundamental como início para uma nova ordem, pois ali, malgrado os defeitos, concentravam-se os principais serviços que faziam funcionar um governo, registos numa imensa biblioteca e burocratas do Império dispostos a colaborar com informações preciosas sobre organização política, social e militar.


Ele contemplava a cintilação colorida da cidade no entardecer morno do planeta urbanizado à medida que o elevador subia. Passado era passado, não era possível construir-se uma nova galáxia com ressentimentos antigos, deixar uma marca de vergonha nalguma coisa ou sítio só por causa do que tinha acontecido antes, quando havia vontade genuína de mudança. No entanto ele não conseguia ver encanto em Coruscant. Lembrava-se do desdém e das piadas de Han Solo, sempre excessivas, sempre desabridas, mas incrivelmente coincidentes com o que ele experimentava, por vezes, se cedesse ao descontrolo, à sua juventude e aos seus impulsos. Coruscant era altiva e egocêntrica.


Suspirou, ao mesmo tempo que sorria cansado. Na sua posição, infelizmente, não se podia dar ao luxo de fazer troça de Coruscant ou de aparentar uma atitude displicente. Precisava de assistir àquelas reuniões enfadonhas, estudar pilhas de documentos, atender a receções onde era apresentado a elementos influentes, criar alianças, expor o seu projeto que faria dele uma peça essencial na reconstrução da galáxia.


O elevador levava-o ao apartamento onde iria descansar de mais um desses dias intensos, longos e tão atarefados que ele mal tinha tido tempo para comer. A exaustão era física e psicológica, naquele dia em particular e ansiava por um banho, uma refeição, uns minutos de meditação para serenar o espírito e adormecer sem o peso das suas preocupações, para poder despertar na madrugada seguinte renovado e motivado.


Nunca pensou que a tarefa fosse tão avassaladora e exigente. A irmã Leia Organa tinha-o orientado nos primeiros tempos pelos corredores labirínticos de Coruscant e apresentara-o às pessoas certas. Han, fiel ao seu estilo, brincava com a situação e dizia-lhe para ter cuidado pois estava a ser usado pela irmãzinha querida, Sua Alteza Real, para servir os seus objetivos políticos, nomeadamente obter um cargo proeminente no próximo Senado. Leia zangava-se com Han e ele, no meio dos dois, pela milésima vez, tentava serenar os ânimos e afirmava, tomando o partido da irmã, que fazia aquilo porque queria fazê-lo.


Era um cavaleiro Jedi, o último da galáxia, e como os seus antecessores que foram perseguidos e exterminados pelo Império, era seu dever colaborar com a Nova República. Han resmungava que era por causa de Leia, ela abandonava a sala irritada, ele pedia ao amigo que tivesse mais cuidado com o que dizia. O clima era tenso entre o trio. O wookie, no seu canto, rosnava solidário com o corelliano, Artoo piava e Threepio assistia à cena nervoso, rangendo as juntas.


Na verdade, ele acreditava seriamente no que estava a fazer, a reconstrução da Ordem Jedi e o apoio à reorganização judicial dos sistemas. O propósito era edificante, recompensador, apesar de envolver muitas tarefas monótonas que o cansavam, como acontecera naquele dia em que passara a maior parte do tempo a julgar petições em tribunal e a ler compêndios holográficos de legislação. Os Jedi eram também juízes e administravam a justiça, ficara ele a saber após uma reunião com um dos poucos senadores velhos sobreviventes e que conhecera os preceitos republicanos.


As portas do elevador abriram-se e ele passou para o corredor branco e despido que o levaria até ao seu apartamento, situado num edifício para uso exclusivo de notáveis da Aliança. Pelas janelas panorâmicas do lado esquerdo avistava as plataformas privadas que serviam os apartamentos. Ali estacionava-se o seu X-Wing, um caça de combate que era a sua nave particular de transporte… Estreitou os olhos e viu a silhueta de uma segunda nave, a Millenium Falcon.


Julgava que o amigo tinha partido nessa tarde. Pelo menos tinha-o anunciado com algum desdém e uma grande dose de orgulho no dia anterior, quando se cruzaram naquele mesmo corredor, dizendo que iria encontrar-se com um parceiro de negócios para fundar uma espécie de empresa ou algo similar. Pelos vistos mudara de ideias e ele não conseguiu encontrar razões para tal ter acontecido, já que Han parecera-lhe ligeiramente animado por ter encontrado um motivo para sair de Coruscant.


Respirou profundamente e, passando a porta do seu apartamento, dirigiu-se à porta seguinte que o amigo ocupava. Estendeu a sua sensibilidade treinada pelos arredores e percebeu algumas sombras que o preocuparam. Nada de demasiado grave, mas suficientemente estranho para que ele ignorasse a impressão.


Parou diante da porta, uma estrutura elegante de metal cruzada por linhas azuis e douradas. Alçou o braço para o painel lateral e pensou em digitar o seu código pessoal, para anunciar aos habitantes da casa de que era ele que estava no lado exterior, mas em vez disso optou por digitar a senha numérica que lhe permitia entrar. As senhas que destrancavam os mecanismos dos respetivos apartamentos tinham sido trocadas entre eles, para que se pudessem visitar sempre que quisessem. Eram amigos, fora algo que estabeleceram naturalmente.


A porta deslizou na horizontal, recolhendo-se silenciosamente na ranhura lateral. Havia abundante luz na sala central que servia de átrio e de área de receção, para além de outras funções mais caseiras, como relaxamento, reunião, entretenimento e alimentação. Os quartos e as divisões para higiene ocupavam um local mais recolhido do apartamento, que era em tudo equivalente ao seu. Dirigiu-se para a sala central, enquanto a porta se fechava nas suas costas.


A janela que ocupava todo o espaço de uma das paredes estava destapada, com as gelosias automáticas recolhidas, pelo que se podia apreciar as luzes da metrópole e o entardecer longínquo como cenário elusivo, em segundo plano. A bancada que servia de espaço para preparação de refeições enchia-se de pacotes e lixo diverso, o que indicava que um androide doméstico não entrava ali havia algum tempo e nem tinha havido pressa para convocá-lo para limpar a desordem. Haveria mais desarrumação, certamente, nos quartos interiores.


No centro da sala, estava uma mesa baixa rodeada pela meia-lua formada pelos sofás compridos e sobre o tampo desta viam-se garrafas vazias, um conjunto de copos. No chão, espalhadas em redor da mesma mesa, existiam outras garrafas, umas de pé, outras derrubadas. O wookie reclinava-se no sofá, encostando a cabeçorra peluda num dos braços redondos e fofos, fungando e resmungando, em completo tédio porque já tinha desistido de tentar intervir. Ao vê-lo, moveu ligeiramente o pescoço e rosnou pronunciadamente, dando-lhe as boas-vindas e pedindo-lhe ajuda.


No meio das garrafas que juncavam o soalho sentava-se Han Solo, que assim deixava o sofá inteiramente para o seu fiel companheiro. Apoiava um cotovelo na mesa e tinha a cabeça pousada na mão. Na outra mão tinha um copo transparente cheio de uma bebida dourada, que era a mesma que enchia três das garrafas que ainda continham algum líquido, em diferentes níveis de enchimento. Um sinal de que o bebedor usava de pouco critério na altura de servir o seu copo. Qualquer garrafa servia e nem sempre aviava-se na mesma.


Luke Skywalker olhou em volta. Os dois, Han e Chewie, estavam sozinhos no apartamento, numa desolação tão deprimente que ele controlou-se para não se mostrar apiedado com a situação, pois a melhor abordagem, naquele caso, seria demonstrar alguma crítica e assertividade. Uma extensão da figura de juiz que tinha desempenhado naquele dia fatigante.


- Han… O que estás a fazer?


O corelliano não levantou a cabeça e respondeu, balançando o copo nos dedos moles:


- Bebo…


Chewbacca alçou as pernas para tomar balanço e sentou-se no sofá, repetindo a rosnadela, sacudindo a cabeçorra peluda para acentuar a preocupação dos seus urros. Luke espreitou-o, acenou brevemente para indicar que estava solidário e depois olhou para o amigo que não se dignava a encará-lo. Não era vergonha, nem remorso, era uma indiferença ingénua com um contorno infantil.


- Estás a beber como se tivesse acontecido uma tragédia.


- Aconteceu uma tragédia. Estou em Coruscant!


- Uma bebedeira nunca resolveu nada.


- Dizes isso porque nunca apanhaste uma bebedeira a sério…


- Onde está a Leia?


- Pensava que com essa coisa da Força podias sentir a tua irmã e saber onde ela está.


- A Força não funciona assim, Han, tu sabes disso.


- Sim… Claro que sei. Só estou a ser inconveniente. Também sei… – Bebeu o copo de um único trago. Agarrou numa das três garrafas, aquela que a sua mão encontrou primeiro. – A Leia foi viajar para resolver uma qualquer disputa entre clãs rivais num sistema planetário da Orla Média que, pelos vistos, não aceita muito bem a democracia. Um assunto urgente, com a máxima importância, que não podia esperar… Uma daquelas missões do novo Senado que ela costuma mendigar para obter para si, para se tornar relevante no novo panorama político galáctico! – Nesta frase, Han falseou a voz para imitar a princesa. Bebeu o copo até ao fim, o braço tremia. – Ela já é alguém facilmente reconhecível por ter feito parte da Aliança, por ser de Alderaan e todas esses detalhes magníficos a seu favor! Mas não, a tua irmãzinha é ambiciosa…


- E deixou-te aqui.


- Nunca a acompanho nas suas viagens de trabalho… Posso… embaraçá-la!


Luke aproximou-se e sentou-se em frente ao amigo, afastando algumas garrafas para arranjar espaço para ficar ali, junto à mesa. Han olhou-o de esguelha, Chewie rosnou.


- Discutiram antes de ela ir embora…


Han deu um estalo com a língua.


- Somos bons nisso, miúdo. As discussões são o ponto alto da nossa relação.


- Por que é que não fizeste a viagem que estavas a pensar fazer?


- O negócio foi cancelado. Pelos vistos ninguém está interessado em fazer comércio com polímeros sintéticos reforçados para escudos defletores. A guerra acabou.


- Existem milhentos negócios que podem ser montados em tempos de paz. Estás no lugar certo para ter ideias…


- Aqui?! – exclamou Han perplexo. – Aqui está tudo inventado!


- No Senado temos várias delegações de planetas diversos…


- A tua irmã está no caminho.


- Talvez com a marcação de alguma reunião com os representantes dos planetas mais primitivos, que possuem alguma mercadoria especial que nunca ninguém resolveu apostar na sua distribuição, mas que poderá fazer sucesso nos mundos mais civilizados das colónias… Uma planta, uma especiaria… Podia falar com alguém, estabelecer um contacto. Eu trataria desse assunto e não precisavas de pedir nada à Leia.


- Não estou interessado, miúdo! – cortou Han, azedo, enchendo outra vez o copo.


Os ombros de Luke descaíram.


- O que estás a beber?


- Whisky… Já bebi melhor, mas neste caso não me importo do que vai acontecer quando estiver de ressaca. Provavelmente vou ter a cabeça do tamanho de uma das luas de Jakku!


- Onde arranjaste todas estas garrafas?


- Um presente para a tua irmãzinha! – Com esta revelação, Han gargalhou ébrio. – De Naboo, parece-me.


- Naboo?


- Ou algo parecido… Não me lembro. Vieram algumas caixas, muitas garrafas de whisky. Quem fez a oferta julga que a tua irmã gosta de beber ou deve estar à espera que ela dê alguma festa onde servirá todo este álcool para que seja convidado. Sei lá… A diplomacia confunde-me.


Luke cheirou o gargalo de uma das garrafas e fez uma careta. O odor era forte e conseguia sentir a enorme concentração das moléculas de álcool só com o olfato.


- Não achas que já bebeste demais?


- Não…


- Pois eu acho que bebeste mais do que suficiente por… uma tarde. Há quanto tempo estás a beber? Desde que Leia se foi embora? Estas garrafas todas? Quantas são? Seis… dez… doze…


- As tuas perguntas estão a deixar-me tonto.


- É o whisky de Naboo que está a deixar-te tonto!


- Talvez eu queira ficar tonto!


Entreolharam-se pela primeira vez. Os olhos de Han denunciavam a sua embriaguez, pálpebras pesadas sobre os globos oculares salientes e injetados de sangue. Curiosamente a voz mantinha a sua autoridade natural e as palavras eram pronunciadas com razoável clareza.


- Han… Não quero que fiques nesse estado por causa de mais uma discussão com a minha irmã. Ela não vai regressar e tu não vais alcançar nada de positivo se persistires nessa autocomiseração miserável.


O corelliano assentou as duas mãos, palmas voltadas para baixo, no tampo da mesa. A palidez do rosto e os cabelos desgrenhados davam-lhe uma expressão assustadora. Concordou:


- Tens razão.


Aquela resposta foi estranha, mas Luke quis usá-la como o primeiro ponto positivo daquela conversa e animou-se.


- Vou fazer-te um jarro de caffa para contrariar os efeitos do álcool e para que fiques mais lúcido. Pode também aliviar-te dos eventuais efeitos indesejáveis da ressaca. Vai arrebitar-te, isso é de certeza. Tenho bebido algum caffa nestes dias e posso garantir que é bastante estimulante. Gosto de cortar com um pingo de leite…


- Existem outras formas. E fora de Coruscant.


- O que queres dizer? – indagou Luke, crispando uma sobrancelha. – Outras formas de quê?


- De me divertir.


- Estavas a encher o sangue de whisky… para te divertires?


- E tu vais comigo… Também tens um ar demasiado abatido, miúdo. Precisas de uma bebida e de diversão.


O Jedi abanou a cabeça, contrariado. Apertou os lábios, moderando a irritação.


- Se eu quisesse beber… bem, tenho aqui muitas garrafas à minha disposição.


- Este whisky não presta.


- Não preciso de me… divertir. Preciso de um banho, de comer qualquer coisa e de me deitar a descansar. Amanhã devo regressar ao tribunal para…


- Ah, cala-te! Os irmãos Skywalker estão a tornar-se nuns chatos! Sempre a falarem de obrigações, de coisas sérias.


A cambalear, Han levantou-se. Chewbacca amparou-o e o corelliano, sentindo a presença quente do companheiro atrás de si, aproveitou aquela parede de pelo para se encostar e prosseguir com a sua ideia.


- Aceito o jarro de caffa. Bebo uns bons copos e depois podemos partir. Preciso de recuperar os meus reflexos se vou pilotar a Falcon.


- Partir para onde?


- Vamos divertir-nos fora de Coruscant. Visitar um sítio agradável onde podemos beber, jogar, apreciar umas bailarinas bonitas…


- Beber?


Luke também se levantou. A cabeça de Han oscilou, como se ponderasse uma grande questão. Mostrou as mãos trémulas.


- Está bem, não bebo mais. Mas vou jogar sabacc. Pode ser que ganhe alguma coisa de valor… Ganhei a Falcon num jogo de sabacc. Já te contei?


- Sim, acho que já me contaste…


- E ver umas moças bonitas, hum? Vá lá, o que é que estás à espera? Prepara o jarro de caffa!


- Han!


- Ok, faço eu!


Aproximou-se da bancada aos tropeções. Varreu os pacotes e restante lixo com um braço e apoiou-se nesta para contorná-la e alcançar o armário que existia por debaixo. Agachou-se.


- Precisas de divertir-te… Andas muito tenso – afirmou espetando um dedo que surgiu no ar.


Luke também foi até à bancada.


- Oh, deixa estar que eu faço isso…


Enquanto preparava o caffa na máquina, introduzindo as cápsulas que iriam filtrar e misturar o pó dos grãos moídos à água, líquido que seria depois vertido para um jarro de vidro que encontrara no armário que Han vasculhara de forma indolente, Luke disse:


- Tens razão, tenho andado tenso. O trabalho tem sido muito, ultimamente. Mas não vou fazer essa viagem contigo, Han. Desculpa, amigo, mas depois de fazer-te o caffa vou para o meu apartamento, tomar banho, comer e deitar-me como te disse. Podes e deves sair de Coruscant, está a fazer-te mal ao espírito. Também tens estado tenso e mais irritadiço do que o normal. Joga sabacc a dinheiro, não bebas mais por favor… Aprecias essas bailarinas…


O corelliano escarrapachava-se no sofá, com as botas em cima dos estofos claros, os braços abertos no encosto. Chewbacca observava-o rosnando mansamente.


- Alguma vez estiveste com uma mulher?


Luke olhou-o perplexo.


- O quê?


- Alguma vez estiveste com uma mulher? – repetiu.


- Han… Sou um cavaleiro Jedi.


Virou costas ao amigo para ir procurar por uma caneca para servir o caffa que começava a borbulhar e a sair do bico cromado da máquina, exalando um aroma forte e delicioso.


- Os Jedi não podem fazer sexo?


Luke apertou a mão artificial enluvada num punho. Mordeu a língua e respondeu, contrariado:


- Não… Quero dizer, não sei.


Ele não sabia. Muita informação sobre os Jedi tinha-se perdido durante o Império e grande parte do seu labor em Coruscant relacionava-se com a recuperação desses dados. Fazia-o passando grandes temporadas, quando estava aliviado de outros deveres, na biblioteca imperial que, apesar da sua seletividade em termos de obras, guardava alguns livros úteis.


Han observou mordaz, apercebendo-se da sua confusão:


- Se os Jedi não podem fazer sexo, como foi que tu e a tua querida irmãzinha nasceram? Hum? – Esperou por uma réplica e como não a obteve, prosseguiu: – Ah! O vosso paizinho adorável não era um cavaleiro Jedi?


- Han, não sei isso ao certo. Provavelmente os Jedi podiam fazer sexo, ter um relacionamento com mulheres… Neste momento, não me está a apetecer discutir contigo o código e as tradições dos Jedi.


- Hoje vou apresentar-se… às sublimes delícias do amor!


Os músculos de Luke retesaram-se. Encheu uma caneca generosa de caffa, deixou o jarro pousado na placa aquecedora da máquina para manter a bebida quente e levou a caneca fumegante ao amigo.


- Não preciso de ser apresentado a nada. Muito obrigado pela tua preocupação.


Han sorveu um pouco, com cuidado para não queimar a língua.


- E eu agradeço a tua. Este caffa está ótimo! Melhor do que o que a Leia faz… Luke, já me sinto melhor. É sério. Vamos viajar. Eu preciso e tu precisas. Um pouco de distração. Tu tomas conta de mim, eu tomo conta de ti. Vai fazer bem aos dois…


- Não creio que a tua proposta seja… muito apropriada.


- Por causa das delícias?


- Sim – assumiu Luke pouco à vontade.


- Vá lá, Luke. Não me deixes ir sozinho, posso perder-me… E depois como é que vais explicar isso à tua irmã? A Leia vai querer saber por que razão deixaste-me ir embora e não foste comigo, para controlar os meus… impulsos.


- A tua argumentação não é válida, Han.


- Sei que queres ajudar-me. O teu coração bom de Jedi quer desesperadamente ajudar-me. Muito bem, aceito a tua ajuda, nobre Jedi, mas preciso que continues a vigiar os meus passos durante esta minha… nossa aventura!


- Ouve, Han, quero ir tomar banho…


- Pois vai tomar banho que eu também irei, depois de beber este caffa. Espero-te na Falcon. – Voltou-se para o wookie. – Ouviste, grandalhão? Vai preparando a nave, já vou ter contigo… Não sei, faz uma bagagem qualquer se achas que vamos precisar! O meu baralho da sorte? Julgava que estava na Falcon… Está bem, tu é que sabes…


O corelliano levantou-se do sofá enérgico, mas as pernas ainda bambas falharam e caiu de joelhos entre as garrafas que chocalharam umas contra as outras. Luke quis arrumar aquela desordem, mas Han impediu-o, dizendo que iria chamar o androide doméstico para limpar a sala e o espaço de refeições. Aproveitou para lhe dizer que também podia levar o Artoo consigo, se lhe apetecesse. Reafirmou que ficaria melhor após um duche frio e voltou a elogiar o caffa, que estava excelente, o melhor que tinha bebido, que já se sentia menos tonto.


Relutante e desconsolado, Luke obedeceu ao amigo. Tomou um banho rápido, um duche escaldante para aliviá-lo da rigidez que lhe tolhia a musculatura e que lhe dava a impressão de ter mais peso sobre os ossos, vestiu uma roupa nova, mais casual, que não o identificava como um Jedi. No entanto prendeu no cinto o seu sabre de luz, para além de ter enfiado uma pistola laser num coldre que disfarçou nas abas do casaco. Explicou a Artoo o que se estava a passar e o astromec, após protestar com um coro de assobios, resolveu-se a segui-lo e os dois, humano e androide, foram até à plataforma onde o sistema de exaustão da Millenium Falcon libertava jatos de fumo acinzentado. Subiram pela rampa inclinada e, uma vez dentro da nave, Luke carregou no botão que a fecharia. Seguiu para a cabina de pilotagem, Artoo ficou-se pelo espaço destinado aos passageiros.


Sentou-se na cadeira atrás da do piloto, apertou o cinto de segurança. Han estava mais ativo, aliviado do torpor do álcool e dava indicações claras ao seu copiloto, Chewbacca. Deu-lhe as boas-vindas e ligou os motores do velho e confiável cargueiro.


O centro de controlo de Coruscant foi rápido a fornecer-lhes os vetores de saída do planeta e a Millenium Falcon, após um arranque bamboleante, voava entre as estrelas. O computador de navegação calculava as coordenadas para saltarem para o hiperespaço quando Luke disse:


- Para onde vamos? Existem bares em Coruscant famosos precisamente por causa do jogo e das suas apresentações… – Aclarou a garganta e completou num sussurro: – eróticas.


- Quero ir para um sítio onde me sinta confortável e onde tenho alguns amigos. Para poder apresentar-te… aos conhecimentos certos. Percebes? Em Coruscant é tudo estranho e fabricado.


- Amigos, Han? – suspirou Luke, já arrependido por ter concordado com aquilo. Cruzou os braços e espreitou Artoo, desligado, junto ao assento onde existia uma mesa holográfica de xadrez.


- Não te preocupes. Estou armado e tu também, pelo que vi. Bastava a pistola, Luke.


- Sou um cavaleiro Jedi, não posso separar-me do meu sabre de luz. Vai haver sarilhos?


- Não sei! Nesses sítios, nunca se pode confiar. Não te preocupes, serão amigos… Se não os irritarmos demasiado. Comos nos velhos tempos, hum?


- Estive contigo numa única cantina, em Tatooine. Não voltámos a repetir a experiência… Não será propriamente como nos velhos tempos.


- Será parecido. E teremos… outro tipo de divertimento.


Luke revirou os olhos. Encostou-se ao assento e distraiu-se com as luzes do painel lateral que piscavam alternadamente. O computador de navegação devolveu as coordenadas necessárias, Chewbacca acionou alguns comandos e Han baixou as alavancas do leme. A Falcon viajava à velocidade da luz.


- Há pouco não respondeste à minha pergunta… Alguma vez estiveste com uma mulher?


A mente estava mais desanuviada após o banho, com uma disposição diferente, embora o corpo estivesse relaxado e de guarda baixa, tentado a adormecer a qualquer instante, se não fosse aquele passeio inesperado. Não se sentiu tão surpreendido e Luke retorquiu:


- Havia miúdas em Tatooine. Eu, o Biggs e o Tank tínhamos encontros com elas, num estabelecimento em Anchorhead… Bem, não era uma cantina ou um desses bares sofisticados de Coruscant, mas era um bom local para nos divertirmos.


- Os encontros… eram a quatro? Uma miúda, tu, o Biggs e o Tank?


- Não! Era… Cada um tinha a sua namorada, claro. – Hesitou um pouco e completou: – Uma vez beijei a Rijya atrás de um dos vaporizadores.


Han sorriu.


- Um beijo? Então… nunca estiveste com uma mulher?


Luke corou.


- O que queres saber?


Para evitar uma confissão desnecessária, Han levantou a mão. Estava definitivamente sóbrio e na plena capacidade dos seus dotes mais famosos, que incluíam o sarcasmo, a vaidade e a presunção. Era irritante como conseguia perceber aqueles segredos mais escondidos de qualquer pessoa, desde que se predispusesse a uma observação mais detalhada.


- Não quero saber de nada. Quero dar-te uma noite memorável… Um pequeno agrado ao meu amigo, o rapaz de uma quinta de humidade de Tatooine, um dos heróis da Aliança durante a guerra e que se tornou num respeitável cavaleiro Jedi. Tens um grande futuro à tua frente e prevejo que seja um futuro… complicado e muito trabalhoso. Desde que saíste de Tatooine que tens andado ocupado, vais andar ocupado daqui para a frente… Por tua iniciativa não me parece que irás tirar férias. Então, eu levo-te comigo para te mostrar o lado bom da vida. Precisas de uma pausa, de uma diversão inesquecível.


- E tu, o que vais fazer?


- Descansa! Não te vou dar motivos para que tenhas de contar à Leia algum comportamento menos próprio da minha parte, já que eu e ela temos um compromisso. Vou apenas jogar umas partidas de sabacc, ganhar algum dinheiro, alguma coisa de valor. Estou com o meu baralho da sorte… Está por aí algures, certo, Chewie?


O wookie rosnou uma resposta.


- Ótimo! Tu é que vais divertir-te à brava, miúdo.


- E se eu não quiser…?


- Não tens escolha. Não te canses a tentar discutir comigo esta questão, nem a pensar sequer usar um truque mental para me dominares. Ficaria ofendido contigo, para começar e depois ficaria muito desiludido. Descontrai-te, miúdo! Aproveita! Vais gostar das sensações.


- Sensações?


A risada de Han deixou-o apreensivo.


- Faço questão que sejas muito bem servido.


- Han… Não creio que usar esse tipo de serviços faça o meu género.


- Há para todos os gostos.

13 Avril 2018 13:35:05 0 Rapport Incorporer 3
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