Uma História de Amor Suivre l'histoire

valdieblack Valdie Black

"É a história mais antiga do universo. Deste ou de qualquer outro. Garoto e garota se apaixonam, são separados por eventos - guerra, política, acidentes no tempo. (...) Desde então eles vem desejando um ao outro através do tempo e espaço. Através dimensões. Isto não é uma história de fantasmas, é uma história de amor."


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Déconseillé aux moins de 13 ans. © Doctor Who não me pertence. Fanfic escrita sem fins lucrativos.

#romance #fanfiction #regeneração #twelveclara #whouffaldi #doctor who
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Uma História de Amor

Sentia a pele queimando por causa da energia da regeneração. Enterrou as mãos na neve, tentando atrasar o inevitável, num ato de puro desespero.


- Eu não vou mudar! - gritou para ninguém. Só havia vento e neve onde ele estava.


Tinha raiva, tudo aquilo era injusto. Não conseguiu salvar Bill nem Missy e agora ia regenerar sem antes ter cumprido sua missão maior. Achá-la e trazê-la de volta. Tinha recuperado suas memórias finalmente e lembrava-se de seu rosto, de como ela falava, de como ela ria, de tudo. No entanto, seu corpo estava fraco demais e onde quer que ela estivesse no universo seria impossível para ele encontrá-la naquelas condições.


Queria ficar de pé, mas na terceira tentativa ele caiu de cara no chão gelado e lá ficou. Havia algo de familiar ali, mas não sabia o que era. A TARDIS o havia trazido e o fato era que ele não conseguia controlar aquela nave teimosa. Fechou os olhos, não tinha outro jeito, ia regenerar ali mesmo, sozinho.


- Aí está você! - uma voz exclamou. - Te procurei por toda parte, Doutor.


Ele abriu os olhos e ergueu a cabeça, viu alguém se aproximar dele. Era Clara. Ela estava inteiramente vestida de branco e misturava-se com a neve. Logo chegou a conclusão de que estava delirando.


- Levante-se, seu velho, o que você está fazendo aí no chão? - perguntou, entre risos.


Sentiu as mãos dela em seu braço para ajudá-lo a se erguer. Gemeu de dor e apoiou-se nela, Clara estava fazendo todo o trabalho por ele. Era inacreditável o quão real ela parecia, ou talvez não fosse tão inacreditável assim. Passara mais de quatro bilhões de anos com ela em sua mente, sabia muito bem como imaginá-la num momento de desamparo.


- Oh... - Clara disse, segurando as mãos dele. Viu o brilho amarelo da regeneração. - O que aconteceu?


- Uma explosão. - respondeu com a voz rouca. Ele segurou as mãos dela com força, parecia carne e osso, parecia de verdade.


Ela deu um muxoxo.


- Por que você saiu sem mim? Sabia que algo assim ia acontecer.


O Doutor deixou escapar um sorriso. Sentiu os olhos queimarem, e não era por causa da regeneração.


- Clara... me desculpe...


- Vamos. Você tem que comer alguma coisa, há tempos que lhe espero para jantar.


Deixou que Clara lhe guiasse, não sabia para onde estavam indo. Caminharam de mãos dadas pela neve, o Doutor arrastava os pés pois além de sentir dor estava morrendo de frio, mas nada disso importava.


Clara estava ali, mesmo que não fosse a verdadeira Clara. Ela era como a felicidade traduzida em uma pessoa. Chegaram defronte a um pequeno chalé e ela o carregou para dentro.


- Você senta aqui. Eu vou trazer comida.


Clara o fez sentar-se à mesa como se fosse um boneco de pano.


- Isso não vai ajudar... o processo de regeneração...


- Eu passei o dia inteiro fazendo comida pra você e agora você vai comer!


O Doutor calou-se. Ele ficou sozinho enquanto Clara foi buscar o jantar. Lembrou-se de quando regenerou na frente dela pela primeira vez. Estava tão assustada, mas não tanto quanto ele. Pensou que ela iria abandoná-lo quando visse sua nova imagem, não foi o caso.


Talvez ela devesse tê-lo abandonado. Talvez estivesse segura agora. Talvez ainda estivesse viva.


- Não está mais tão quente assim, você demorou muito lá fora, mas espero que ainda esteja boa.


- Você passou o dia inteiro fazendo sopa?


Clara lhe deu um olhar mais gélido do que a neve do lado de fora.


- Quer dizer... deve estar deliciosa.


- Vou aumentar o aquecedor. - falou, seca.


O Doutor apanhou a cumbuca de sopa com as duas mãos e tomou um gole. As dores diminuíram um pouco, pelo menos não sentia mais frio.


- Você não vai comer? - perguntou, a voz recuperada.


- Eu não preciso.


- Certo... porque você não está mais respirando.


Clara estava de costas para ele e virou-se quando ouviu o comentário.


- Não, porque eu já comi. - ela franziu a testa, confusa. - O que você quis dizer com isso?


- Nada... como vai Ashildr? Tem falado com ela? - testou, para descobrir até onde sua mente fraca iria antes de tudo aquilo sumir com a percepção da realidade.


- Pensei que ela estava com você. Não era com ela que você saiu para se divertir? - perguntou, com um tom acusatório na voz.


- Não. Fiz... novos amigos.


Clara sentou-se a sua frente e ficou observando-o comer.


- Entendi. Então você vai me largar, não é?


- Eu nunca faria isso. - disse com sinceridade. Clara deu um leve sorriso, satisfeita com a resposta.


- Quem são eles? Seus novos amigos?


- Nardole e... Bill.


- Por que não os trouxe pra cá? Gostaria de conhecê-los.


- Queria muito que você os tivesse conhecido e que eles tivesse conhecido você, mas tive que deixá-los para trás. - “como fiz com você”, acrescentou mentalmente.


Clara o esperou terminar de jantar antes de carregá-lo para cima. Dizia que era melhor que ele regenerasse na cama, enquanto dormia. O quarto era escuro e pequeno, a luz da energia de regeneração tomou conta do ambiente. Deitou-se, estranhando o conforto, aquilo nunca tinha acontecido antes, suas regenerações eram sempre dramáticas.


- Você se arrependeu de ter viajado comigo? - perguntou, enquanto ela lhe cobria. Sempre quis lhe perguntar aquilo.


- Ora, mas é claro que não! Ainda estou aqui, não é?


- Você se parece com um anjo assim, toda de branco.


Clara enrubesceu.


- Quer dizer então que a sua próxima regeneração vai ser mais gentil? Espero que sim.


- Deite-se comigo. - pediu.


A cama era estreita, mas ele afastou-se um pouco e Clara conseguiu deitar-se ao seu lado. Estavam com os rostos quase encostados. Ela sorriu.


- Você pensa que isso é um sonho, não é?


- Sim, mas todos os momentos com você são como um sonho.


- Mesmo quando estou gritando?


O Doutor não respondeu. Ele inclinou-se um pouco para frente e beijou seus lábios com delicadeza.


- Você vai ficar comigo até eu acordar?


- É claro, Doutor. Para onde eu iria?


Não queria fechar os olhos, estava com tanto medo. Clara alisou o rosto dele.


- Vai acabar logo. - ela assegurou.


- Espero que não.


   Eventualmente a regeneração o forçou a fechar os olhos, seu corpo tinha que mudar ou morreria. Se lhe perguntassem diria que podia morrer bem ali e ficaria feliz, mas sabia que ainda havia muito para fazer. Fosse ela de verdade ou não, tinha certeza de que Clara estaria com ele para sempre.

20 Mars 2018 00:24:12 0 Rapport Incorporer 1
La fin

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