Lírio Suivre l'histoire

valdieblack Valdie Black

Clara Oswald lamenta a perda de um futuro que ela poderia ter tido, mas o Doutor sabe que o futuro pode ser escrito de formas diferentes.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 21 ans. © Doctor Who não me pertence. Fanfic escrita sem fins lucrativos.

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Histoire courte
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Lírio

  Clara voltou para casa à pé. Não suportava aqueles olhares de pena das enfermeiras nem os seus lamentos. “Sinto muito, querida...”. Todos se ofereceram para levá-la como se ela fosse uma criança indefesa. Teve raiva delas.


  Ela estava bem. Já enfrentou coisas muito piores do que aquilo. Até mortes de pessoas que ela de fato chegou a conhecer. Então por que doía tanto? Por que parecia que tinham-lhe arrancado a alma e agora ela era apenas uma casca oca?


  Não queria falar com ninguém. Não podia falar com ninguém. Com quem ela iria falar? Sua mãe estava morta, sua avó não entenderia e seu pai muito menos. Não tinha amigos próximos, não podia deixar que ninguém descobrisse como era sua vida.


  Certamente não poderia falar com ele. Não. Todos menos ele. O Doutor era a última pessoa no universo que poderia saber disso. Sentia uma pontada no peito quando pensava naquilo, era a culpa, mas sabia que fazia a coisa certa. O Doutor não saberia lidar com aquilo, era muito imaturo.


  Clara decidiu que enfrentaria tudo sozinha e sem reclamar. Quando destrancou a porta e entrou em casa agradeceu por não tê-lo encontrado ali. Às vezes isso acontecia. Ela chegava em casa e encontrava o Doutor mexendo nas suas coisas como se fossem dele, não se importava. Às vezes ele aparecia quando ela estava dormindo ou tomando banho.


  Qualquer um acharia aquilo estranho, e era mesmo estranho, mas ela já se acostumou e até gostava daquelas pequenas intromissões dele. Tudo mudaria se ele soubesse o que aconteceu, tinha certeza. Clara sentia-se dormente, suja e esquisita. Acima de tudo sentia-se deprimida como nunca antes. Abriu a geladeira e pegou uma garrafa d'água, tinha a intenção de limpar seu corpo por dentro.


  Fazia semanas que não o via e foi nesse tempo que descobriu que estava grávida. Foram seus alunos quem perceberam primeiro, diziam que ela estava gorda e riam-se. Ora, e estava mesmo, não ficava ofendida com isso. Então sua menstruação nunca veio e ela temeu o pior... ou o melhor, não sabia ao certo.


  Tinha razão, estava esperando um bebê do seu melhor amigo. Não ficou chocada quando soube, nem triste, nem irritada, apenas curiosa. Perguntou-se se ele teria dois corações como o pai, se poderia se regenerar, se o parto seria um típico parto humano ou uma cena do filme “Alien”. Divertiu-se com aquelas dúvidas bobas por um tempo, então soube a resposta. “Não” para todas as questões. Seu estúpido útero humano não era capaz de abrigar uma vida como aquela.


  O médico não soube lhe explicar porque ocorrera o aborto. “Essas coisas acontecem...”, disse confuso, “... você e seu parceiro podem tentar de novo.”. Não, eles não poderiam. Clara queria lhe dizer que não poderiam tentar de novo porque seu “parceiro” era um Senhor do Tempo do planeta Gallifrey e ele nunca poderia ter filhos com ela pois ela era apenas uma humana insignificante e não tinha direito algum sobre ele.


  Terminou de beber a garrafa inteira e sentiu-se pior do que antes. Talvez um banho ajudasse ou um corte de cabelo ou uma mudança de país ou um tapa na cara. Sim, talvez se alguém lhe batesse ela aprenderia que o Doutor não era seu. Clara estava só de passagem, nada mais.


  Ela chorou, mas não por causa disso. Tinha fantasiado muito sobre aquele bebê, o filho que tinham feito juntos e que eventualmente criariam juntos. Imaginou-o engatinhando no chão da TARDIS, talvez o Doutor trouxesse um berço ou alguns brinquedos de Gallifrey para sua casa, claro que seria difícil correr por aí salvando mundos quando se tinha um bebê, mas sabia que o Doutor já tinha sido pai antes... deve ter sido um bom pai...


  Tudo aquilo era bobagem e ela sabia muito bem. O Doutor não iria querer ter filhos! Ainda mais com uma humana. A ideia o faria rir com certeza, ainda bem que não lhe contou da gravidez senão ele teria entrado em pânico. Ela não suportaria ver estampado em seu rosto o arrependimento. “Nunca deveríamos ter ficado juntos, Clara, eu sabia!”, era o que ele diria. Depois talvez ele a abandonasse e isso seria pior do que a morte.


  Clara achou conforto em saber que ela própria não se arrependia de nada. Amava o Doutor. Não sabia o nome dele, não viveria tanto quanto ele, não era do mesmo planeta que ele e não poderia ter os filhos dele, mas ela o amava e sabia que por um momento ele quase foi inteiramente dela.



********

 A TARDIS materializou-se bem na frente do hospital. Os humanos nunca reparavam em nada mas o Doutor escolheu chegar à noite por via das dúvidas. Não sabia que horas Clara esteve ali mas considerando que ele não se lembrava de tê-la visto naquele dia fatídico havia uma probabilidade muito grande deles não terem se encontrado.


  “O tempo pode ser reescrito.”, lembrou-se, mas não queria encontrar-se com Clara. Havia algum motivo para ela não querer que ele soubesse. Vergonha ou medo... talvez estivesse com raiva dele. Não a culparia se fosse o caso, estragou toda sua vida com as suas esquisitices alienígenas. Às vezes pensava que o melhor seria abandoná-la e apenas visitá-la de vez em quando, mas aquele plano nunca funcionou. Ela sempre parecia tão triste quando se separavam, não suportava vê-la triste. Não suportava viver sem Clara.


  Clara, Clara, Clara... sua Clara... pensava que podia enganá-lo. Quando a viu soube imediatamente. Os químicos no corpo dela estavam fora do normal, seu rosto inchado, tinha olheiras debaixo dos olhos por falta de sono e ainda queria lhe dizer que “não aconteceu nada” e “sentiu apenas um mal estar”. Qualquer doutor saberia que ela estava mentindo.


  Não tinha certeza daquilo, mas fez alguns cálculos e... poderia ser. Tinha 85% de certeza daquilo.


- Senhor, você não pode entrar aí! - exclamou uma enfermeira quando ele entrou no consultório sem esperar.


- Oi. Você atendeu uma paciente chamada Clara Oswald? - perguntou o Doutor.


- Mas o que é isso?! - o médico espantou-se. Estava sentado atrás de sua mesa, fazendo anotações, e quase deu um salto para trás.


- Eu disse “oi”! Não fui grosseiro. - defendeu-se.


- Senhor, você deve esperar sua vez. - disse a enfermeira, ela o havia seguido. O Doutor a ignorou.


- Isso não vai demorar. Você atendeu uma paciente chamada Clara Oswald? - repetiu.


- Bem... sim. Hoje pela manhã.


O Doutor prendeu a respiração. Então seus piores medos eram reais.


- Certo... está bem... obrigado, isso é tudo. - ia virar-se para sair, desejando nunca ter ido até lá. No que estava pensando? Havia um motivo muito bom para a Clara não querer que ele soubesse e ele não tinha o direito de se intrometer. Não tinha nenhum direito sobre Clara. Ela podia fazer o que quisesse.


- Espere, quem é o senhor? - o médico perguntou, levantando-se.


- Eu sou o Doutor. - respondeu, ainda que não se sentisse nem um pouco como tal.


- Você está com a Clara? Desculpe, ela disse que não era casada.


Os dois esperaram sua resposta que demorou a se formar.


- Sim.


- Ah... eu sinto muito pelo ocorrido, eu na verdade nunca vi um caso como o dela. A pobrezinha queria muito ter esse bebê, estava tão deprimida que pensamos em chamar algum psiquiatra.


O Doutor arregalou os olhos, aquilo ele não previu.


- Ela queria ter o bebê?


- Bem... sim.


- Então... foi um aborto espontâneo e não... - refletiu, falando consigo mesmo.


- Desculpe, mas... o senhor não sabia?


- Eu não a vejo há semanas, desde quando nós... só vou vê-la daqui há alguns dias, foi quando eu suspeitei e voltei para o dia de hoje.


  Os dois se entreolharam preocupados, talvez estivessem pensando em chamar algum psiquiatra. O Doutor não estava com paciência para se explicar. Aquilo mudava tudo. Pensou que Clara não iria querer ter um bebê com ele, seria impraticável do ponto de vista dela, mas agora sabia que ela queria tanto quanto ele. Por que não lhe contou nada?


  É verdade que ele já teve vários filhos, e talvez já estivesse muito velho pra isso... Gallifrey jamais aceitaria que ele tivesse um filho com uma humana... mas ainda assim... nunca tinha pensado nisso, ter um filho com Clara, mas agora era só nisso que ele pensava. Ela seria uma ótima mãe e seria maravilhoso finalmente ter algo que unisse os dois. Sem mais inimigos ou namorados estúpidos querendo separá-los.


  Então o Doutor voltou para a realidade. Eles eram de espécies diferentes, uma gestação dessas seria muito complicada e não poderia obrigar a Clara a passar por isso. Ela tinha razão em não contá-lo. Ela sempre tinha razão. Amava a Clara mas não poderia tê-la do jeito que queria, ela era “quebrável” demais e ele era humano de menos.


- Imagino que ela tenha levado... - o Doutor não completou a frase.


- Não, ela nem aguentou olhá-lo, ainda está conosco.


- Eu gostaria de levá-lo, por favor.


********

  Clara espantou-se com o que viu ao atender a porta.


- Você? Tocando a campainha?


- Pensei em fazer algo diferente, mas não se preocupe, não vai virar um hábito.


  O Doutor entrou na casa dela com o jarro em mãos. Clara fechou a porta e sorriu para ele.


- E ainda me trouxe uma flor, acho que você nunca me deu flores.


- Sim, pensei que você fosse gostar de ter uma. - entregou-lhe o jarro. - É um lírio.


- É lindo... - ela sentiu o aroma da flor.


- Sim, e está vivo. Muito vivo.


- Foi você mesmo quem plantou?


  Ele parou, olhando para a flor, pensando nos componentes que usou na terra.


- Pode-se dizer que sim.


- Deve ter sido fácil pra você. Plantar e só voltar quando ela estiver pronta pra colher, deve ter durado um segundo com a TARDIS.


  O Doutor deu um sorriso triste.


- Tudo é mais fácil para mim, não é?


  Clara colocou o jarro na mesa de centro.


- Obrigada. - “Eu te amo”, ela pensou.


- Por nada. - “Eu te amo”, ele pensou. - Então... que tal isso... Marte?


  Ela fechou a cara.


- Doutor, eu não quero ter que enfrentar os Ice Warriors de novo!


Ele pareceu decepcionado.


- Mas nos divertimos tanto da outra vez!


- Não.


- Certo... - o Senhor do Tempo franziu a testa enquanto pensava em algum lugar melhor. - Ah, eu conheço um planeta que você vai gostar muito.


- Eu duvido. Doutor, na última vez que você me levou pro espaço nós quase fomos mortos por uma múmia.


- Ah, mas você gostou do trem... da música... do champanhe...


- Hum...


- Vamos, Clara.


Ela fingiu hesitar por mais um tempo. Gostava de fazê-lo esperar.


- Está bem. - disse por fim.


  O Doutor fez um movimento involuntário, ia segurar a mão dela mas por algum motivo achou melhor não fazê-lo. Clara completou a ação e agarrou a mão dele no ar.


- Espero que a roupa que eu esteja usando agora sirva para esse “passeio”, não sei se vou caber nos vestidos que a TARDIS tem. Estou muito gorda.


- Você está perfeita.


Ela sorriu. O Doutor abriu a porta novamente e saiu, levando-a consigo.



17 Mars 2018 19:05:28 0 Rapport Incorporer 3
La fin

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