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FAMÍLIA SPINELLI - LIVRO 1 Popular. Inteligente. Competitiva. Essa é Mirella Spinelli. Considerada a melhor aluna durante boa parte da sua vida, Ella não teve do que reclamar. Até a chegada de Jorge Herreira, o usurpador. Um garoto aparentemente tímido, que conquistou a todos com seu sorriso fácil e sua boa educação. E ele não poderia ser nada menos do que um garoto prodígio. O que Ella achava era que ele só apareceu para roubar seu lugar na hierarquia, e por anos Mirella competiu com o garoto pelo título de melhor aluno do colégio. Porém, na última festa junina da cidade, algo mudou entre os dois. Agora, Ella não sabe até onde ir com seu lado competitivo.


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#drama #brigas #familia #descobertas #jovem #amor #rivalidade #adolescente
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Capítulo 1

No mês de junho há algumas coisas boas para comemorar, e, não, as festas juninas não têm nada a ver com isso. Nem meu aniversário. Apesar de que, meu aniversário é um ótimo motivo de comemoração, mas sem aqueles elementos juninos que meus pais sempre insistem em colocar.

Do que eu realmente estou falando são das férias.

Quando chega às primeiras semanas de junho, o pessoal de Cristalina entra no clima do arraial. As primeiras bandeirinhas que aparecem no colégio são sinais de que as férias estão chegando, mas, antes disso, tem um pequeno sacrifício a ser feito.

Há uma arrecadação que é realizada todos os anos no arraial; os habitantes da minha pequena cidade se reúnem na Praça Preciosa e lá montam as barracas de comidas típicas para tentar arrecadar algum dinheiro. Os alunos do Francisco II entram em uma pequena competição – que eu adoro, quero deixar bem claro – para ajudar como podem.

Neste ano, a gincana e o arraial tem como objetivo arrecadar fundos para conseguir um aparelho necessário na neonatal da maternidade da cidade. Cada ano é para alguma coisa.

Desde que me entendo por gente, percebi que essa atitude é muito bonita. Espero que ela não acabe quando eu estiver mais velha.

No ano passado, arrecadamos dinheiro para ajudar uma família que perdeu tudo em uma inundação perto do Rio das Pedras. Só que o lucro não foi lá essas coisas. Com isso descobri que, quando uma boa ação vai beneficiar apenas algumas pessoas, nem todo mundo tem a disposição de ajudar.

Fiquei chateada porque me esforcei muito na competição do colégio. Pensei em até retirar isso da listinha de coisas boas em junho.

Mas o lado bom disso é que eu posso mostrar para aquele ruivo dos infernos que eu sou muito melhor que ele.

Jorge é o tipo de garoto que eu sinto vontade de jogar no chão e pisar, até restar apenas seu crânio com os cabelos vermelhos. Seu sorriso cínico e sua expressão de eu sou o rei do colégio, me deixam a ponto de querer explodir. Ele é presunçoso, metido, idiota e muito mais coisas. Isso não é exagero.

— ACORDA! — Escuto mamãe gritar e bater na porta. Logo em seguida ela abre a porta, colocando a cabeça no meu quarto. Seu sorriso é gentil e carinhoso, o que me deixa assustada, já que ela acabou de gritar. — Você não vai escapar dessa gincana, querida. O vestido está nas minhas mãos.

Mamãe termina de entrar no cômodo, carregando outro vestido de sua coleção. Esse é rosa com branco. Duas cores lindas para serem estragadas na festa junina.

Solto um suspiro enquanto a mulher que me trouxe a vida coloca o vestido em cima da poltrona amarela.

Mamãe sorri novamente para mim e sai do quarto.

Pego meu celular no criado mudo e olho o horário. Sinto uma vontade incontrolável de gritar quando percebo que ainda são 6:50 da manhã. Como ela conseguia ser tão natural nesse horário?

Deito novamente na cama e olho para o teto. Queria ter tanta disposição quanto mamãe.

Resolvo esperar dar sete horas antes de levantar.

— Mirella, você está atrasada para a gincana do colégio. — Escuto outro grito da mamãe, agora vindo do andar de baixo. Ela não dá sossego em nenhum segundo.

— Já vou — grito de volta, levantando-me da cama.

Olho para o vestido na poltrona e reviro os olhos. Junto com ele tem chapéu de palha com fitas rosas que eu nem tinha visto ela trazer.

Não podia ser um preto para combinar com minha vontade de ir nessa gincana?

Pego o vestido e coloco na frente do meu corpo. Olho para o espelho e suspiro.

É. Até que é bonito.

Pego minha toalha e caminho até o banheiro, tirando meu pijama devagar.

— Mirella, eu vou te deixar. — Mamãe bate na porta do banheiro.

Alguém está com pressa? Eu não.

— Já tô indo, dona Beatrice — respondo, ligando o chuveiro.

— Você vai tomar banho ainda?

— É, mãe, eu preciso ir cheirosinha — falo alto para que ela me escute. — Você não quer que as pessoas pensem que não tem água aqui, certo?

— Eu irei te deixar, garota.

— Tchau, mamãe. — Escuto ela socar a porta e depois tudo fica em silêncio.

Termino meu banho, me enrolo na toalha e vou para o quarto. Me enxugo rapidinho e coloco minhas peças íntimas. Passo desodorante e um creme no rosto. Pego o vestido, desço o zíper na lateral e entro nele. Fecho o zíper, sento na cama, coloco a meia fina branca e depois meus sapatinhos.

Levanto mais uma vez e pego a escova de pentear em cima da minha penteadeira e desfaço o coque bagunçado.

Passo os dedos por meus fios escuros e separo eles ao meio.

Eu fui a única das minhas irmãs a nascer com os cabelos escuros. Se não fosse a nonna Bi, o tio Beto e a tia Nina, eu poderia considerar a alternativa de ter sido trocada na maternidade. A nona Bi é descendente de italianos, enquanto o nono é de alemães. Do cruzamento de um homozigoto recessivo com um heterozigoto, nasceram quatro filhos: dois com cabelos loiros e dois com cabelos escuros.

Papai e tia Linda nasceram loiros e tia Nina e tio Beto morenos.

Já dá parte da mamãe, todos são loiros e de olhos claros.

Faço as Marias Chiquinhas de qualquer jeito, passo rímel e um pouco de blush, e pronto! Hoje não seria o dia que eu iria sair de casa parecendo o Bozo só por causa das festa junina.

Deus me livre.

Pego minha bolsa e meu celular. Mando uma mensagem para Thamires avisando que já estou indo.

Desço as escadas e encontro Mônica, minha irmã mais nova, sentada na mesa balançando os pés.

— Só não tiro uma foto e mando para a mamãe porque tenho dó de você, dentuça.

— Adoro seu humor junino, Ella — provoca e salta da mesa. — Estava te esperando. Mamãe perdeu a paciência com você e já foi.

Mônica tem dez anos e é a pré-adolescente mais irritante que eu já conheci. As poucas vezes que eu sinto vontade de abraçá-la é quando estou na semana de provas e ela leva comida para mim no quarto. E isso é apenas três vezes no ano. Não que eu só a abrace três vezes ao ano, claro.

Sou um pouco chata, mas não desprovida de sentimentos.

— Então vamos, já estamos atrasadas.

— Graças a você, queridinha.

— Calada, Mônica.

Não disse?

Saímos de casa rumo ao Chico.

— Sexta feira é seu aniversário — Mônica me lembra. Ela me olha de soslaio e sorri.

Mônica sabia que eu não gostava muito de comemorar meu aniversário quando tinha festa junina e todos os anos têm festa junina. Mas mesmo assim, ela fazia de tudo para me provocar.

Desde meu primeiro aniversário até o décimo quinto, que foi o ano passado, eu tive festas com elementos juninos no meu aniversário.

Seja bandeirinhas ao invés de bexiga, ou até mesmo paçoca ao invés beijinhos e brigadeiros.

Sem contar que, minha mãe insiste em narrar, todo começo do mês de junho, como a minha bisavó e meu bisavô se conheceram. Depois, ela passa para a história dos meus avós, e, por fim, ela conta como ela e papai se conheceram.

Ela e papai começam a contar do nada. Eu já até sei quando ela soltará aquele suspiro que puxa todo o ar do pulmão, ou quando meu pai sorrirá para ela e segurará sua mão direita, onde, sem perceber, vão entrelaçar os dedos. Mônica revirará os olhos para aquela cena enquanto Tiffany, minha irmã mais velha, soltará um suspiro com todo aquele romance. E eu, apenas estaria comendo, sem prestar atenção em nada.

Essas histórias já são velhas. Todos os anos mamãe as conta. Me pergunto se ninguém enjoa.

Sorte mesmo era Olívia que tinha. Todo mês de junho, ela viaja para qualquer lugar com sua família.

Eu admirava aquela família por isso. A mais sortuda de todos ali era Olívia. Ela não tinha nascido no mês de junho, para ser mais exata no dia 13 de junho. Não iria para o colégio, pois estaria viajando, não escutava as mesmas histórias e era rica.

Não que papai não tenha dinheiro; ele tem, só que no mês de festa, nós quase nunca saímos da cidade.

Mônica e eu, perdíamos na disputa de querer sair da cidade, enquanto a traíra da Tiffany ficava do lado do papai e da mamãe para escutar a mesma história pela décima sei lá vez.

Chegamos no Chico faltando dois minutos para as 8:00.

Chico – apelido carinhoso para Francisco – é o colégio que estudamos. Ele é o único e maior colégio da cidade e é dividido em três partes. O fundamental I, o fundamental II e o ensino médio. Às vezes, vem alunos de outras cidades, vizinhas à nossa, para estudar aqui – já que muitas vezes não tem vagas em suas cidades.

Esse é o caso de Jorge, meu rival.

Estamos sempre competindo para ver quem tem a maior nota da sala e isso acontece desde a sétima série, que foi quando ele entrou no Chico. Mas não é só nas notas, também competimos nas gincanas que têm no colégio. Só não competimos pela atenção de garotas ou garotos, porque somos héteros. Pelo menos eu sou, não posso dizer o mesmo daquele ruivo usurpador.

Por alguma bênção dos céus, para não dizer outra coisa, Jorge e eu caímos na mesma equipe. Tenho quase certeza que a diretora Marili fez de propósito. Ela sabe da nossa rivalidade. Mas, talvez, seja até bom trabalharmos em equipe – pelo menos eu manteria minha atenção em apenas ganhar, e não em destruir as chances de Jorge.

Era apenas três dias onde passaríamos mais tempo juntos do que já passamos em cinco anos.

Três dias até às férias.

Que beleza.

— Estou indo para minha equipe, Ella — Mônica diz e, não esperando nenhuma resposta minha, sai.

Vejo minha irmãzinha afastar-se de mim, andando como se estivesse em um desfile. Sua camisa xadrez azul – sua cor favorita – e a calça montaria a deixa mais bonita para uma garota de dez anos. Constato que devo manter dois olhos abertos em sua direção.

Imagina, garotos começarem a dar em cima da minha irmã? Papai ficaria revoltado.

Afasto minha atenção de Môni e subo as escadas que dão para a área do ensino médio de dois em dois degraus. Encontro algumas meninas e meninos vestidos a caráter e aceno dando bom dia.

Assim que chego no pátio superior e me aproximo da minha sala, vejo um círculo de alunos segurando bexigas vermelhas; a cor da minha equipe.

— Bom dia — falo e beijo o rosto de Thamires, que me entrega uma das bexigas que estava segurando.

— Chegou a Bela Adormecida. — escuto Mau Mau dizer.

Sorrio para ele e depois o ignoro.

— Já que todos estão aqui vamos começar. — Renan, o líder da equipe e aluno do terceiro ano, fala. — Como sabem, além das provas normais, há três especiais: correio elegante, bola na lata e pescaria. Essas são as provas que arrecadam dinheiro. — Ele olha para cada um de nós e depois continua: — Ontem na reunião com a diretora e outros dois líderes, foi decidido qual equipe ficaria com tal prova: nós pegamos o correio elegante.

Solto uma risadinha, enquanto alguns soltam muxoxos.

— Resolvemos dividir o que cada um fará apenas agora. Então vamos começar a dividir o pessoal do primeiro ano.

Ele começa a chamar os alunos do primeiro ano e passa as provas. Depois ele vai passando as funções para meus colegas de turma.

Alguns ficariam apenas na parte da festa, que seria de noite; outros iriam para as ruas, junto com um professor para arrecadar alguma coisa.

— Ella?

— Sou eu. — Ergo a mão com um sentimento apreensivo.

— Você ficará no correio elegante — diz. Escuto alguns risinhos e solto um suspiro resignado. — junto com o Jorge.

Ah, não. Não mesmo.

Era só o que me faltava!


Oii, gente. Tudo bem?

Espero que tenham gostado do primeiro capítulo de EOD. Essa Ficção Adolescente está postada completinha em outra plataforma, conhecida como Wattpad. Caso tenham interesse de lê-la de uma vez sem esperar pelas postagens aqui é só procurar por Em Outra Direção lá, caso tenham o app haha 


Até o próximo capítulo, fofinhos ❤

24 Février 2018 22:10:44 0 Rapport Incorporer 2
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