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Park Jimin é convencido pelo melhor amigo a ir ao show do Elvis Presley na Market Square Arena. Só não imaginava que, em um show de um cantor que nem mesmo era fã, conheceria um homem lindo, extremamente atraente e que fosse fazer seu coração bater mais forte, como nunca antes.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Indianápolis

Escrito por: @Anelolita | @Jeissiane79

Notas Iniciais: Trouxe uma fific nova pra vocês, espero que gostem 💜

Boa leitura!


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Jimin sorria levemente enquanto cumprimentava a cliente que havia comprado o novo álbum de disco de vinil da cantora Diana Ross. Após receber o troco, a mulher girou os calcanhares e andou em direção a saída da loja. Jimin guardou os dólares na caixa registradora.

Aproveitando que estava sozinho, voltou a sua atenção para a tela em preto e branco da pequena televisão, que estava no balcão, a fim de assistir o seriado The Six Million Dollar Man — o seu preferido. Embora estivesse em horário de trabalho, seu patrão o deixava assistir à tarde, ou em momentos em que a loja ficasse vazia.

Dessa forma, Jimin não ficava entediado em seu trabalho, além de que tinha a impressão de que assim as horas passavam mais rápido. E isso era ótimo para ele.

Jimin nunca quis trabalhar em uma loja de discos de vinil. O seu objetivo era conseguir um emprego na área do curso em que se formou. Com a morte da mãe, no entanto, ele gastou o dinheiro que tinha economizado durante alguns anos para que pudesse custear o enterro da mulher e pagar as dívidas dela, que ele nem sabia que existiam, só descobriu ao começar a ser cobrado, dias depois do enterro.

Graças a Elliot — seu melhor amigo, o homem que adorava tanto, o guardião de seus segredos, a pessoa que sempre estava disponível para ajudá-lo sem pedir nada em troca —, estava trabalhando, mas era só durante alguns meses.

Ele já tinha outros planos para cumprir em breve.

Quando Jimin ficou preso em mais uma cena do ciborgue, não ouviu o sino soar na porta, nem notou que alguém entrava na loja.

— Ei, brother! — Elliot o chamou.

Jimin sobressaltou-se, fazendo o outro rir.

— Merda! Elliot! O que você tem na cabeça para me assustar desse jeito? — Entortou os lábios.

— A culpa não foi minha, cara. A culpa é sua por ter ficado distraído com esse seriado, que, por sinal, é ruim — Elliot debochou. Ele mantinha o sorriso ladino e brincalhão no rosto.

Jimin o encarava, com a mão no peito agitado e os olhos semicerrados, demonstrando que não tinha gostado do que o amigo havia dito. Ele adorava essa série, e detestava que falassem mal dela.

— Não fale assim, Elliot. — Jimin pegou o controle remoto e desligou a televisão. Suspirou e pôs as mãos no balcão, olhando nos olhos verdes do amigo. — O que faz aqui a essa hora? Veio tirar minha paciência ou veio comprar algum álbum?

— Por acaso tem algum que pode me interessar? — ele perguntou, arqueando as sobrancelhas, enquanto pousava os braços no balcão e cruzava-os logo após.

— Tem sim, vem comigo — Jimin respondeu, afastando-se do balcão, a caminho das prateleiras da loja, e foi seguido por Elliot.

Jimin podia sentir o aroma característico de álbuns novos e velhos, um toque amadeirado e fresco. Ele estava tão acostumado, devido às sete semanas que trabalhava naquele local, que o cheiro já era um de seus preferidos. Deu mais alguns passos no corredor, abrindo um sorriso, que Elliot não enxergou, e parou em frente à uma prateleira.

Elliot ficou ao seu lado.

— Esse é o álbum que você vai me oferecer? — questionou, apontando para um vinil. — Eu nem conheço esse cantor, Jimin, não tem como ele ser interessante para mim.

— Não, Elliot! — Ele tocou os primeiros álbuns e, ao ir os afastando, encontrou aquele que intencionava pegar. O disco estava bem atrás, local onde Jimin o guardou… ou melhor, escondeu. Assim, não seria facilmente encontrado, pois quase ninguém comprava álbuns de artistas desconhecidos. — Ontem foi feita a reposição de um novo álbum. Eu coloquei nas prateleiras hoje de manhã, e, quando os clientes chegaram e viram o produto, acabaram comprando… — Jimin foi tirando o álbum do esconderijo, enquanto Elliot arregalava os olhos. — Não tinha como eu te avisar antes. Então, eu tive uma ideia.

— Não me diga que é o…

— Isso mesmo que está pensando, amigão. O álbum Today do Elvis. — Jimin se virou, ficando de frente para Elliot, segurando o disco nas mãos. Ele podia sentir em seus poros a alegria radiante do amigo. — Esse é o último da loja, e eu guardei especialmente para dar a você.

— Espera! Você está me dando um álbum do meu ídolo supremo? De presente?!

Jimin assentiu com a cabeça, seus lábios esticaram em um sorriso enorme. Ver Elliot tão feliz por ter mais um álbum para sua coleção fazia-o sentir a mesma emoção. Era um álbum lançado há dois anos, que Elliot ainda não tinha conseguido comprar.

— Pegue! É seu!

Elliot ficou encarando o álbum precioso nas mãos do atendente. Abria e fechava a boca algumas vezes, e a euforia quase o impedia de falar.

— Eu ia te dar depois de fechar a loja e fosse na sua casa, mas, como você está aqui, resolvi te fazer essa surpresa — ele prosseguiu.

— Mas, Jimin, por que está gastando o seu dinheiro comigo?

— E qual é o problema? Você já me deu vários presentes nos últimos cinco anos, por que eu não posso te dar um também?

— Ah, brother! — Elliot o abraçou. Jimin ouviu os soluços dele. Ainda sorrindo, rolou os olhos. O amigo era sempre emotivo, mas era uma das características que mais adorava nele. — Muito obrigado pelo presente e por lembrar que eu queria muito esse álbum.

— Nem precisa agradecer, Elliot! — Jimin deu dois tapinhas nas suas costas e, em seguida, desvencilhou-se do melhor amigo.

Elliot abraçou o álbum como se fosse um bebê, o seu bebê.

— Já que você me presenteou, agora sou eu que vou te presentear.

A expressão de Jimin murchou e os olhos castanhos se tornaram confusos.

— Como assim? Meu aniversário não é hoje, e você sabe bem disso.

Elliot ofegou.

— Ah! Jimin! É óbvio que eu sei — disse, abraçando os ombros do Park, e juntos voltaram a andar. — Lembra que eu te falei que iria no show do Elvis?

— Lembro. Mas… o que isso tem a ver com o presente que você vai me dar?

— Então, como eu sei que você passou os últimos tempos muito ocupado, triste e de luto, mal teve tempo para mim, tampouco para você…

— É claro que tive tempo para mim — Jimin o interrompeu.

— Não, brother. Você não sai pra se divertir há meses, não relaxa, e, muito menos, conhece caras para se envolver faz um certo tempo.

Jimin riu baixinho com o que ouviu. Não gostava muito de sair, nem sequer queria conhecer caras novos. O último com quem tinha se relacionado só havia o feito se decepcionar. Gostar de alguém outra vez estava fora de sua lista invisível do que deveria fazer no futuro.

Ele voltou a ouvir a voz de Elliot.

— Então, eu pensei: já que eu vou, por que não chamar o meu brother para ir comigo hoje no show?

— Não, tô fora, Elliot. — Jimin se afastou, retornando para o caixa. Era quase noite, logo teria que fechar a loja, mas antes tinha que conferir o dinheiro e guardar no cofre.

— Ah! Qual é?! Vai ser divertido.

— Eu não duvido disso, mas eu não curto rock and roll, nem sou fã do Elvis Presley.

— Ele canta outros estilos.

— Convida outra pessoa.

— Eu quero que você vá.

— Preciso descansar.

— Descanse depois, quando chegar.

— Não tenho roupa para ir em um show dele.

— Vai no seu estilo, com a roupa que você quiser — Elliot insistiu.

Jimin mantinha o rosto abaixado, conferindo o dinheiro. Seus cabelos, da mesma tonalidade das suas írises, cobriam um pouco seus olhos. As mechas estavam grandes, elas caíam até a mandíbula e nuca. Ele não queria olhar nos olhos do amigo, conhecia-o bem o suficiente para saber que ele estava com um olhar pidão, implorando, como o filhote mais bonito de um cãozinho.

Porém, ele não podia deixar de pensar que ir a um show de um cara famoso não seria ruim. E Elliot queria tanto ir consigo…

— Jimin, estou esperando sua resposta. Não custa nada você aceitar meu convite. E lembre-se que nós não ficaremos mais tanto tempo juntos.

O barulho do caixa se fechando soou no ambiente. Jimin sentiu sua respiração pesar e uma batida errada no peito. Elliot estava certo, em breve ficariam distantes. Precisava aproveitar o tempo com o amigo, passar por cima do que não gostava. Além do mais, quando Elliot queria ser insistente, não tinha uma alma viva que conseguisse impedi-lo de conquistar aquilo que queria.

Jimin encarou os olhos vibrantes e ansiosos do outro.

Um, dois, três segundos foram o suficiente para Jimin dar a resposta tão esperada por Elliot.

— Eu sabia, eu sabia que ia aceitar. — Elliot segurou as bochechas dele, encarando-o nos olhos. — Eu te amo, brother.

Jimin acabou rindo. Realmente, o amigo era a melhor pessoa do mundo, a única pessoa que o fazia sorrir depois da morte da mãe. Se recusasse esse convite, mais tarde se arrependeria, não só porque o melhor amigo ficaria chateado, mas também porque precisava aproveitar a vida e o que ela tinha de melhor para oferecer. Fechar-se em um casulo por causa dos problemas da vida seria o mesmo que se jogar de um precipício.

— Eu passo na sua casa às 19 horas. Esteja pronto, ok?

— Tudo bem — Jimin falou. Seu olhar recaiu sobre o álbum Today em cima do balcão, e ele apontou em direção ao objeto. — Não quer que eu embrulhe?

— Oh, sim! Faça isso.

Jimin pegou uma sacola de papel e colocou o disco dentro. Após embalar, entregou-o nas mãos de Elliot.

Eles ficaram mais alguns minutos conversando. O tempo foi passando. No instante em que perceberam a possibilidade de atrasarem para o show e que ambos precisavam se arrumar, Elliot foi embora. Jimin trancou a loja, pegou sua bicicleta Caloi 10, que antes pertencia à sua mãe, e foi para sua residência.

Ele morava perto da loja, daria tempo de jantar antes de sair, mas, como havia saboreado um lanche à tarde, comprado por um conhecido seu, não sentia fome.

Para não perder tempo, Jimin correu para o banheiro, tirou suas roupas e ligou o chuveiro. A água gelada umedeceu seu corpo alto e másculo. Infelizmente, o aquecedor não estava funcionando.

— Mas que droga! — reclamou, sentindo sua pele se arrepiar por inteiro, os dedos dos pés e mãos enrugar e o corpo tremer. Definitivamente ele não gostava de água gelada.

Em poucos minutos, entrou em seu quarto e procurou alguma roupa que ficasse legal para ir ao show. Mesmo que não tivesse vontade de ir, ele queria ficar bonito. Logo, uma calça jeans escondeu suas pernas; uma camisa vermelha, jaqueta jeans e sapatos fizeram o complemento do traje.

O pensamento de que poderia conhecer algum homem interessante que mexesse com sua pele surgiu em sua mente de forma intrusa, mas não ruim.

Jimin mal tinha arrumado os cabelos quando ouviu buzinas altas de algum veículo adentrarem seus ouvidos.

Ele franziu o cenho.

— De quem será esse carro? — murmurou. Ele não recebia visitas. Apesar de morar em Indianápolis há anos, conhecia poucas pessoas na cidade norte-americana. Ser estrangeiro e asiático não eram características favoráveis para conquistar amizades.

Saiu do quarto, pegou as chaves de uma mesinha na sala e alcançou a porta. Seu lar era pequeno, de poucos cômodos, porém era um ambiente confortável. Abriu a porta e teve a tremenda surpresa de ver Elliot no veículo, sentado no banco do motorista e segurando o volante, enquanto o olhava com um sorrisinho safado estampado no rosto.

— Elliot, de quem é esse carro? — perguntou, fechando e trancando a porta de casa, sem tirar suas írises do veículo vermelho novinho em folha.

— Tive a sorte de encontrar meu tio bêbado antes de vir pra cá. Eu pedi as chaves para ele, e ele me deu — cantarolou, com o timbre de voz animado.

— Você é louco! Quando seu tio ficar sóbrio, ele irá te matar. — Jimin abriu um sorrisão, adorava carros. Era um sonho de consumo ter um Chevrolet Vega GT na sua garagem... se tivesse uma, claro.

— Deixa. Pelo menos, tive a chance de dirigir esse carrão.

Jimin tocou a porta do veículo; seus olhos brilhavam tanto quanto a cor vermelha dele, em completa admiração.

— Entra! É melhor irmos logo, antes que ele apareça para tomar o carro de volta — Elliot pediu.

Jimin riu, entrando no carro. A música que soava dentro do automóvel não era do Elvis, mas dos Beatles, Don't let me Down o nome. Era boa, isso era inegável para ele.

— E você não disse que seu tio estava bêbado?!

— Ele ama isso aqui, brother. Não duvido que ele já esteja sentindo falta desse carro.

— É, tem razão — Jimin falou, apreciando os detalhes do Chevrolet, o conforto do banco de couro e o cheiro de lavanda, bom para suas narinas. Escutou o motor do carro e os pneus arrastando no asfalto.

Logo, a brisa gostosa de Indianápolis o atingiu através da janela e seus olhos ficaram atentos às ruas da cidade, distraindo-o de qualquer pensamento enquanto ouvia Elliot cantar a música que tocava na rádio.

Ao ver um casal apaixonado se beijando encostado em um poste, Jimin pensou em algo que seria muito fácil ocorrer durante o evento da noite, e, decidido a se prevenir, chamou a atenção do amigo.

— Elliot.

— O que foi? — ele respondeu, sem tirar os olhos do trânsito.

— Você não vai me deixar plantado naquele show sozinho, caso encontre uma garota que te interesse, não é? — Jimin perguntou, olhando para o amigo. Só pensar em ficar no meio de uma multidão, sozinho, fazia-o sentir um frio incômodo na barriga. Se ele gostasse das músicas de Elvis, curtiria tranquilo, mas a situação era diferente.

— Claro que não, brother. Se isso acontecer, irei dar atenção aos dois. — Elliot piscou o olho para ele.

— Promete?

— Prometo — afirmou e retornou a observar a estrada.

Jimin quase fechou os olhos, mirando Elliot, desconfiado; estava em uma linha tênue entre desconfiar e acreditar nele. No fim, resolveu dar um voto de confiança.

E até aquele momento, ele não sabia que sua decisão seria um doce engano.

Enquanto um artista se apresentava na Market Square Arena, antes do show do Elvis, Jimin e Elliot entravam no ginásio.

Elliot tinha dito no caminho que iriam ficar no melhor lugar, perto do palco. Só tiveram certa dificuldade de alcançar o local.

O espaço estava lotado, com milhares de pessoas. Jimin ficou impressionado. O rapaz nunca tinha ido para um show de alguém tão famoso quanto Elvis, aquela era sua primeira vez. Sempre costumava ir a barzinhos que tinham apresentações de bandas pequenas, jovens talentos que poderiam ter um futuro brilhante, caso as oportunidades aparecessem.

Se fosse fã como Elliot, estaria vibrando com a multidão, seus olhos brilhariam da mesma maneira que os dos outros que avistava ali, em sua camisa estaria escrito o nome de Elvis, e seu corpo estaria arrepiado, como o do melhor amigo, como ele mesmo havia reparado.

Mas não foi assim.

Jimin ficou quieto o tempo inteiro perto de Elliot, escutando-o falar sobre sua ansiedade em ver seu ídolo.

Ele tentava prestar atenção na apresentação de abertura do show, que ocorria no palco, só que não conseguia.

Em uma certa ocasião, Elliot foi cumprimentado por uma mulher — muito linda por sinal — e, naquele momento, Jimin percebeu que Elliot quebraria a promessa que tinha feito.

Canalha mentiroso! Jimin revirou os olhos ao ver os dois tão próximos, conversando de maneira bastante animada.

É, pelo visto, ficarei praticamente sozinho nesse show, ele pensou, cruzando os braços. Ficou olhando para os lados, tentando encontrar alguém conhecido, dessa forma, talvez, teria alguma companhia, porém, sua busca não durou muito tempo, pois, de repente, os gritos dos fãs soaram forte, chamando sua atenção. Todos eram para Elvis Presley.

— Vai começar — Jimin murmurou. O barulho era tanto que nem ele próprio escutava sua voz.

Elvis falou com o público, agitando todos, que só estavam presentes para apreciá-lo. Jimin olhou para Elliot e o viu agarrado com a moça, provavelmente seria algum caso passageiro. Ele não sabia afirmar, pois raramente conhecia as mulheres com quem o amigo ficava. Depois, viu a mulher falar algo no ouvido de Elliot e ambos saírem de sua visão, indo mais para a frente, onde o palco estava.

Jimin arregalou os olhos.

Esse cara vai mesmo me deixar plantado aqui? Ele soltou um riso soprado, balançando a cabeça. Não acredito que ele me trouxe aqui só para eu ficar com raiva.

Jimin tinha duas opções: permanecer no show e tentar curtir, ou ir embora. E pensando na alternativa que lhe era mais favorável, ou a que ele pensava ser, preferiu ir para casa.

Virou o corpo e, com muita dificuldade, distanciou-se do lugar em que estava. Não avisaria Elliot, não mesmo; ficou com raiva demais dele. Isso seria como um castigo.

Durante sua caminhada até a saída, Elvis cantava a música See See Rider, junto ao público. Toda a multidão estava próxima demais. Não davam espaço para Jimin passar, tampouco prestavam atenção a seus pedidos.

O Elliot me paga!, Jimin berrou em sua mente, com raiva.

Fez mais uma tentativa de passar por um grupo de pessoas; dessa vez, conseguiu. E, ao desviar de duas mulheres, que também andavam no meio do público, trombou com o corpo de outra pessoa. O ato fez uma leve dor surgir em seu braço, onde seus olhos focaram primeiro, mas, quando eles se voltaram para a pessoa na qual esbarrou, encontraram os olhos de um homem que o encarava fixamente.

Jimin não soube fazer outra coisa além de ficar olhando para ele. Estava preso, perdido, como se não conseguisse sair, tampouco desviar das írises brilhantes, que tinham a cor âmbar, uma cor tão comum nos olhos de outros, mas que no desconhecido, parecia ser a cor mais linda que ele já havia visto na vida.

Ficou tão vidrado naquelas esferas cintilantes que nem sequer notou que o homem falava consigo.

— Ei. Está tudo bem contigo? — o desconhecido berrou, por causa do barulho das pessoas e do som da canção à sua volta, mas Jimin não respondeu. — Ei! Está me ouvindo? — ele tentou outra vez.

Quando Jimin se deu conta, piscou os olhos e disse:

— Hã? O quê?

— Eu perguntei se você está bem.

Jimin entreabriu os lábios, mas nenhuma voz saiu. Suas bochechas esquentaram e seus olhos desviaram do homem, principalmente ao vê-lo sorrir.

Por que estou assim?

Que vergonha!

Esse cara deve estar pensando que sou um idiota.

— Eu estou bem — Jimin respondeu no mesmo tom, massageando a nuca. — Mas eu que deveria ter feito a pergunta. Acabei trombando em você. Sinto muito.

— Não precisa se desculpar — o desconhecido falou.

Jimin apenas sorriu minimamente, com o coração batendo forte em seu peito e suas mãos parando nos bolsos da calça. Estavam trêmulas, e não queria que o homem lindo à sua frente percebesse.

Continuou encarando os olhos que o observavam. Nenhum deles falou mais nada. Mas o que falariam? Eram apenas dois estranhos... mas isso não significava que seriam por muito tempo.

— Eu preciso ir. Devem estar me esperando... — o homem falou.

— Ah! Sim! Tudo bem. Melhor ir mesmo. Sua atenção deve estar no show — Jimin falou uma palavra atrás da outra, sentindo um nervosismo que não pôde controlar.

O homem balançou a cabeça, pronunciou apenas um "com licença" e começou a andar. Jimin deu espaço para que ele passasse ao seu lado.

Embora tivesse vários cheiros ao redor, ele notou o aroma masculino forte e incrível vindo daquele ser. Algo como uma mistura de flores e madeira.

Talvez aquele aroma fosse um feitiço sedutor, pois Park Jimin seguiu o dono da essência com o olhar.

Reparou em como a calça jeans que o desconhecido usava realçava as pernas e o quadril dele e em como a jaqueta preta lhe dava um tremendo charme; Jimin não se lembrava da cor da camiseta, mas tinha certeza de que era escura. Estava estiloso, como os fãs de rock geralmente eram.

Jimin não conseguiu observá-lo por muito tempo. O homem sumiu de sua visão. Logo, era a sua chance de seguir com seus objetivos iniciais e ir embora da Market Square Arena.

Poderia ter pegado um táxi ou até mesmo ido para casa a pé, porém ele seguiu o mesmo caminho pelo qual o homem baixo, moreno, possivelmente coreano e gostoso para caralho havia andado.

Não se importou de tê-lo perdido em meio àquela multidão.

Não se importou com o fato de que existia a possibilidade de nem encontrá-lo mais. Mas algo sussurrava em sua cabeça que deveria continuar. E foi isso que ele fez, porque o que mais almejava, naquele instante, era encontrá-lo novamente.

Jimin tentou voltar para o mesmo lugar em que estava, sem deixar de olhar os rostos das outras pessoas. Se fosse bem insistente em sua procura, encontrá-lo seria fácil, visto que ali não tinha ninguém com os cabelos pretos, tal como a cor da pedra obsidiana. Ninguém possuía a pele bonita do rosto dele. E não tinham o cheiro marcante que o lembrava a primavera, sua estação mais amada.

Embora Jimin estivesse determinado, não podia ficar o tempo inteiro procurando.

Ele escutou Elvis cantar mais uma música, I've Got A Woman, uma das que sabia que Elliot gostava.

Elliot… Jimin quase o esqueceu, porém recordar-se dele não o fez se importar com ele, principalmente quando o encontrou acompanhado da mesma mulher.

Elliot parecia procurá-lo ao redor com os olhos e, quando o viu, sorriu.

Jimin não resistiu em sorrir também.

Como não encontrou o homem desconhecido, decidiu assistir o show e apreciar a presença de palco do ídolo famoso. A voz forte, as vibrações dos instrumentos e o ritmo interessante chamaram a sua atenção. Ficou tão distraído, aproveitando a vibe acalorada do show, que nem percebeu alguém chegar atrás de si e parar ao seu lado, carregando nos lábios um sorriso que ninguém seria capaz de saber se era comum ou faceiro.

Jimin só notou que aquele que procurava antes estava bem ao seu lado quando Elvis parou de cantar, as palmas e gritos soaram, e ele olhou para o lado.

Seu coração quase saiu pela boca, pelo susto e por estar vendo o homem gostoso.

Caramba! Quando ele chegou aqui?

Ele está bem ao meu lado!

A perplexidade era tanta em seu rosto que o outro riu.

— Te assustei? — ele perguntou.

Jimin balançou a cabeça, negando rapidamente.

— Então, por que me olha assim? — Arqueou a sobrancelha.

— Ah, eu... eu não me assustei, só fiquei… surpreso — respondeu, com o estômago gelando e as mãos transpirando.

— Está bem. De qualquer forma, eu não quis te assustar.

— Certo — foi a única palavra que Jimin falou, quase em um murmúrio. Parecia ter ficado quase sem voz. Era inacreditável que o desconhecido, que ainda nem sabia o nome, estivesse tão perto.

Decidiu perguntar o nome dele, mas o outro foi muito mais rápido.

— Qual o seu nome?

Jimin ficou surpreso, mas tentou não demonstrar.

— Park Jimin.

— O meu é Min Yoongi, caso queira saber.

Então deve ser coreano… Minha mãe tinha uma amiga na Coreia com o sobrenome Min.

— Você é coreano, não é? Ou morou a vida toda nos Estados Unidos? — ele continuou. — Você fala inglês incrivelmente bem.

Então, só naquele momento, Jimin se deu conta de que estavam falando em inglês.

Será que ele gostaria que eu falasse com nossa língua materna?

— Eu nasci na Coreia do Sul, mas não moro lá há muito tempo. Se você quiser que eu fale em coreano, eu posso…

— Não tem problema, só perguntei por curiosidade mesmo — ele esclareceu e sorriu; era um sorriso incrivelmente bonito que mostrava os dentes dele.

Jimin ofegou, e torceu pra ele não perceber. O que esse homem vai pensar se notar que estou me encantando por ele?

Jimin viu Yoongi olhar para o palco.

Elvis iniciou sua outra música, Love Me; Yoongi o acompanhou, junto à maioria do público.

Jimin tentou se atentar a Elvis da mesma forma que Yoongi, no entanto, não conseguiu; achou muito melhor ficar admirando o homem encantador, vendo como os olhos dele brilharam ainda mais, possivelmente por causa da canção, ao mesmo tempo que os cabelos escuros na testa se mexeram, seguindo o movimento da face.

Notou em seguida como as bochechas tinham um leve tom rosado, combinando com a boca, e os lábios dele gesticulavam tão suavemente por cada palavra da música cantada, como as pétalas de uma flor se moviam quando a brisa as envolviam.

Yoongi possuía a voz rouca e bonita, atraente e sedutora.

E Jimin estava ficando fissurado, envolvido naquele homem, sem nem mesmo perceber.

— Crying over you, dear, only, i would beg and steal, just to feel, your heart, beating close to mine — Yoongi cantou com tanto fervor, de olhos fechados e com a mão no coração, enquanto sua voz se sobressaía aos das pessoas mais próximas deles, que Jimin se perguntou se ele estava sofrendo por alguma mulher.


Chorando por você, querida, apenas

Eu imploraria e roubaria

Apenas para sentir

Seu coração

Batendo perto do meu


Também se perguntou onde estava com a cabeça por estar achando o desconhecido tão atraente que não havia parado para refletir que ele nunca se sentiria atraído por si.

Eu não posso flertar com ele, ele nem deve ser gay.

Mas por qual razão ele está aqui? Comigo?

Jimin tinha diferentes possibilidades em mente, e a mais provável era que Yoongi podia muito bem estar consigo porque sua companhia o havia deixado sozinho e ele se aproximou só para estar com alguém, mesmo que esse alguém fosse o cara com quem trombou minutos atrás.

Jimin engoliu em seco, xingou-se mentalmente e olhou para Elvis cantando no palco, vestido com um macacão branco. O brilho atingia o rosto de Elvis, com o suor e as luzes sendo os responsáveis por isso.

Quando a música terminou, Elvis começou mais outra e, novamente, a voz de Yoongi tomou sua atenção. Na verdade, ele roubou toda a sua atenção. Não existia Elvis, multidão, nem mesmo a voz de Elliot falando algo em seu ouvido na hora que ele chegou perto de si; só notou sua presença no instante que o amigo tocou seu braço.

— Elliot? O que quer? — gritou para o amigo o ouvir.

— Desculpa por deixar você sozinho, brother, mas a Michele me quer perto dela e não posso negar — gritou de volta.

Jimin respirou fundo; não estava mais chateado com ele, não quando estava tendo uma nova companhia consigo.

— Está tudo bem, volta para ela. Sei bem o quanto você ama mulheres — falou, sem ironia alguma.

Elliot assentiu, sorriu de canto, beijou a bochecha de Jimin e se afastou na velocidade da luz.

Se Jimin ainda estivesse sozinho, seria difícil perdoar Elliot, mas, se tinha uma coisa que ele estava gostando nesse show, era ficar admirando Min Yoongi.

Porque ele se tornou o seu show.

Outras músicas foram cantadas pelo rei do rock and roll. Yoongi dançava, cantava, gritava a plenos pulmões nas ocasiões certas. Era notório o quanto ele era um enorme fã.

Às vezes, Jimin sentia Yoongi lhe olhar, e suas bochechas esquentavam em brasa, porque esse olhar era intenso demais. Sua pele parecia pegar fogo. Outras vezes, tentava cantar junto com o Min. Mas, como sequer conhecia as músicas de Elvis, preferiu não arriscar, para evitar passar vergonha.

Em uma pausa do show, Jimin iria iniciar uma conversa com Yoongi, mas segurou sua fala ao ver uma mulher aparecer ao lado dele e falar com ele. Em pouco tempo, surgiu um homem ao lado dela, levando-a junto para outra direção.

Yoongi fechou a cara e revirou os olhos. Fosse lá o que aquela mulher havia dito, não o agradou.

Jimin ficou até com receio de que ele fosse embora com a mulher, e, para sua satisfação, ele não fez isso. Viu Yoongi balançar a cabeça em negação antes de o encarar.

— Você acredita que ela está indo embora? — disse num tom indignado, cruzando os braços rente ao peito. Músculos ficaram visíveis e Jimin percebeu. Nossa!, pensou, pigarreando em seguida.

— Por quê? Ela não quer mais aproveitar o show?

— Não, não é isso, ela queria, disso eu tenho certeza. — Franziu o nariz, entortando os lábios.

— Então, o que aconteceu?

— Ela decidiu sair daqui porque o namorado dela não quer mais ficar. Ele é um idiota, não gosto dele.

Muito perceptível, ainda mais pelo tom que Yoongi usava. Enojado, irritado. Por isso, Jimin continuou falando, não queria que ele ficasse mal.

— Ela é o que sua?

Yoongi suspirou.

— Prima. Estou na casa dela, mas só enquanto estou aqui em Indianápolis.

— Então, você não mora aqui? — Seu coração errou uma batida, infelizmente dolorida.

— Você pensou que eu morava aqui?

— Talvez. — Ele realmente havia pensado. Seria muita sorte.

— E queria que eu morasse aqui? — Yoongi perguntou, aproximando-se um pouco de seu corpo. Um alerta atingiu o cérebro de Jimin. Yoongi estava muito perto, assim como o calor corporal dele. Um calor proibido, pois Jimin seria capaz de qualquer coisa só para se queimar nele.

Sim!

— Talvez.

Yoongi soltou um risinho, que Jimin não entendeu o que significava. Ele piscou o olho direito para o Park, fazendo seu coração errar as batidas outra vez.

— Sinto muito, Jimin, mas eu moro na Coreia do Sul.

— É uma pena.

— Por que seria uma pena? — questionou, num tom curioso, arqueando a sobrancelha.

Jimin abriu e fechou a boca tantas vezes que, no fim, resolveu ficar calado. Ele abaixou o olhar com o rosto queimando, envergonhado. De qualquer forma, não iria mais morar naquela cidade. Quando lembrou desse fato, seus olhos se depararam com um colar fino e prateado no pescoço claro dele, e o que mais chamou sua atenção foi o pingente.

Era um lambda, letra grega que se tornou símbolo do movimento gay em 1970, escolhida pela New York Gay Activist Alliance.

— Esse colar…

— Gostou? — Yoongi olhou para baixo, segurando o pingente.

— Ele é… é lindo.

— É sim. Mandei fazer para mim há um tempo. — Ele ergueu o rosto e encontrou os olhos escuros. — Sabe o que esse símbolo significa, Jimin?

O Park engoliu em seco, ao mesmo tempo que a multidão ovacionava Elvis pelo que ele tinha falado. Esperou o barulho diminuir, enquanto o outro o olhava sem parar, um olhar forte, esperando sua resposta.

— Eu sei.

Yoongi mordeu o lábio inferior, sorrindo, e se aproximou dele, do ouvido dele. A respiração quente arrepiou o Park da cabeça aos pés e a voz rouca fez seu coração vibrar.

— É muito bom saber disso, baby. — E se afastou, voltando a sua atenção para seu ídolo.

Jimin estremeceu, foi eletrizante a forma como ele o chamou. Não tinha dúvidas de que Yoongi era da comunidade. Ele tinha o colar como uma identificação, e o exibia no pescoço, enquanto Jimin possuía apenas uma simples tatuagem, muito bem escondida. Era um duplo marte no quadril. Se sua mãe, antes de morrer, soubesse o que tinha feito, ele não estaria vivo para contar história.

E ele não perderia a chance de aproveitar a companhia daquele homem.

De repente, sentiu Yoongi tocar sua mão.

Jimin prendeu o ar nos pulmões, incrédulo com a atitude dele, mas correspondendo o gesto com todo prazer.

A mão dele estava um pouco suada, ou a sua mão estava a molhando, e era quente.

Jimin entrelaçou as mãos, dessa forma, seria como se elas nunca ficassem longe uma da outra.

— O que vai fazer depois do show? — Yoongi indagou no seu ouvido.

— Eu não tenho nada para fazer — Jimin falou no ouvido dele. Yoongi pareceu paralisar um pouco ou, pelo menos, foi o que Jimin percebeu, pois ele demorou um certo tempo para falar em seu ouvido que queria andar com ele quando tudo acabasse.

— Você quer? — Yoongi disse logo após.

— Eu adoraria — respondeu, admirando os olhos âmbares ainda mais cintilantes e os lábios dele sorrindo largamente. Com certeza, ele ficou satisfeito… melhor ainda, maravilhado com sua resposta.

Depois daquilo, Park Jimin desejou que o show acabasse rápido. Egoísta? Sim, e ele nem sequer se importava com isso.

Seria melhor conhecê-lo fora de todo aquele barulho de música, gritos, palmas, vozes e pessoas, sem nada para atrapalhá-los.

Wise men say only fools rush in, but I can't help falling in love with you. Shall I stay? Would it be a sin if I can't help falling in love with you? — Yoongi chamou sua atenção, tirando-o de seus pensamentos. Ele o encarava, com os lábios esticados nos cantos da boca.


Os sábios dizem

Somente tolos se apressam

Mas eu não posso deixar de me apaixonar por você

Devo ficar?

Seria um pecado

Se eu não posso deixar de me apaixonar por você?


Jimin sentia todo o seu sangue ferver.

Parecia uma indireta para ele — uma ousadia descarada de Min Yoongi — de que estava se interessando por Jimin, ou então o Park só estava sendo um tremendo de um homem precipitado e tirando conclusões que seriam capazes de ser imprudentes.

Porém, gostaria que Yoongi não tivesse cantando só porque sabia a letra ou porque podia ser sua música favorita, mas sim, porque ele era igual a Jimin: um cara interessado por outro cara desconhecido.

Jimin sentiu Yoongi apertar sua mão antes de a soltar e colocar a dele no peito, fechando os olhos e seguindo o estilo e a vibração da música lenta.

Ele cantava com tanta emoção que Jimin podia afirmar que era uma das queridinhas de Min Yoongi. E, ao vê-lo dessa forma, resolveu cantar junto também, afinal, já tinha ouvido Elliot cantar aquela música tantas vezes que tinha acabado decorando a letra.

Yoongi o olhou, surpreso, com as bochechas levemente avermelhadas, antes de voltar a cantar Can't Help Falling in Love, mas sem desviar o olhar do seu. Naquele instante, Jimin não teve dúvidas de que sua atitude havia sido uma ótima decisão.

Poucos minutos depois, a última música teve seu fim.

Elvis fez mais um discurso, os assobios e aplausos dominaram o ambiente e seguiram até mesmo após a saída dele do palco.

Yoongi olhou para Jimin, com um sorriso radiante.

— Quer ter mais um tempo comigo agora, mister Park Jimin?

— É o que mais quero… — respondeu, com a ansiedade o dominando como nunca. — Mas preciso encontrar o Elliot no meio dessas pessoas e me despedir dele. Pode esperar eu fazer isso, ou acha que vamos perder muito tempo?

— Bom, eu não sei, a decisão é sua. Mas se eu estivesse em seu lugar, iria procurá-lo, assim não o deixaria preocupado.

Jimin assentiu.

— Isso, vou tentar achá-lo, acho que ele está bem próximo do palco. Caso não o ache em alguns minutos, vamos seguir para fora daqui, tudo bem?

— Claro!

Jimin sorriu pequeno.

Ambos andaram pelo mesmo caminho que Elliot tinha seguido antes.

Jimin quase comemorou quando o encontrou. Elliot ainda estava com Michele, que cumprimentou Jimin e Yoongi, e avisou que iria embora com a moça.

Jimin não se importou, muito pelo contrário, estava louco para passar mais tempo com Yoongi.

Antes de ir embora, falou próximo do ouvido de Elliot, para que só ele ouvisse:

— Muito obrigado por ter insistido para que eu viesse, amigo.

Elliot apenas o olhou, franzindo o cenho, e Jimin apenas se despediu dele junto de Yoongi.

Após conseguirem sair da Market Square Arena, andaram pelas ruas da cidade.

Estavam lado a lado, próximos o bastante para os ombros roçarem e sentirem o calor gostoso um do outro. Yoongi falava sobre o show, em como estava feliz por ter estado e aproveitado cada momento. Jimin o escutava tranquilamente, como o bom ouvinte que era.

— Foi um sonho realizado, sabe? Valeu cada dinheiro que guardei e gastei só para estar lá. Eu nunca vou esquecer — Yoongi falou, suspirando e admirando as estrelas brilhantes na escuridão acima de sua cabeça.

Jimin estava quieto, achando melhor ouvir do que falar, com medo de que Yoongi percebesse que havia ido no show por outro motivo que não fosse Elvis.

— Você não é fã do Elvis, estou certo?

Ele arregalou os olhos. Bom, ficar em silêncio não adiantou.

— Ficou tão nítido?

— Para mim, sim. — Riu baixinho. Jimin o seguiu no ato.

— É, eu não sou.

— Então, por que estava lá? — indagou, despreocupado.

— Eu estava lá por culpa do Elliot.

— Ele é seu amigo?

— Melhor amigo. Ele insistiu que eu fosse, então acabei aceitando. Mas ele acabou me abandonado por causa de uma mulher, e eu não iria ficar lá sozinho. Se não fosse por você, estaria em casa agora, dormindo na minha cama quentinha.

Yoongi entreabriu os lábios, sua expressão se tornou surpresa, e a mão no peito completou a encenação.

— Posso me sentir honrado por ter sido a razão de você ter permanecido no show?

— Óbvio que pode.

Eles gargalharam, os olhos sempre se encontravam, como se um ímã os ligasse o tempo inteiro.

— Desde quando você é fã de Elvis? — Jimin perguntou, pondo as mãos nos bolsos, interessado o bastante para saber mais sobre Yoongi, mais sobre a vida dele. Viu-o respirar fundo e os olhos dele fitarem o céu, pronto para contar uma boa recordação.

— Meu pai é fã de Elvis desde o início da carreira dele… Ele escutava os discos do Elvis todos os dias, sempre quando fazia a nossa comida. Eu escutava junto com ele, porque gostava de estar na cozinha com meu pai, observando-o cantar e cozinhar lámen, a minha comida favorita… — Yoongi fez uma pausa, voltando a olhá-lo. — Acho que meu pai queria que eu fosse fã de Elvis junto com ele. E ele conseguiu. Desde os meus dezenove anos que sou fã dele, isso dá sete anos que o acompanho.

— Nossa! Sete anos é muito tempo. Nossos pais acabam sendo grandes influências para nós, querendo ou não. Seu pai deve ter adorado vê-lo ser fã de alguém que ele também admirava.

— Sim, gostar de coisas em comum nos tornou ainda mais próximos… — Esbarrou no ombro dele. — E o que você gosta de ouvir, Jimin?

Os olhos do Park brilharam. Ele está interessado em saber sobre mim…

— Eu costumo ouvir MPB.

— MPB? — Yoongi tombou o rosto e a testa enrugou um pouco, sendo o suficiente para Jimin notar a confusão dele e explicar-lhe o significado.

— É música popular brasileira. Geralmente, escuto muito Caetano Veloso e Elis Regina.

— Uau! Que interessante. Acho que já ouvi falar deles. Então, você entende português?

— Sim. A mãe de Elliot é brasileira. Ela me ensinou português e usava as músicas do país dela para eu entender melhor.

— Esse foi um ótimo método. Adoraria aprender português. Gostaria de ser meu professor, Park Jimin?

Jimin riu baixinho. A pergunta do outro havia sido divertida e provocativa.

— Será um prazer.

— O quê? — Questionou, porque Jimin não tinha falado em inglês, tampouco em coreano.

— Eu disse que será um prazer, Yoongi — respondeu em inglês.

— Aaaah! Parece que o professor Park já começou com os ensinamentos.

— Professor Park?

— Não gostou?

— Não, não é isso, só é interessante como “professor Park” soou — respondeu, vendo Yoongi sorrir, e não era um sorriso comum, tinha uma malícia implícita naquele ato, que fez um arrepio correr por seu braço.

— E como se sentiu ao escutar?

— Me senti estranhamente importante, como um professor universitário da melhor universidade do país.

— Então, posso dizer que você gostaria de ser professor? — Yoongi cantarolou, encostando seu ombro no de Jimin de novo. O Park sorriu e corou; o contato estremeceu seu âmago. Ele gostou e gostaria ainda mais que seus corpos ficassem juntos. Era o que sua mente e pele desejavam.

— Confesso que essa foi a primeira profissão que quis seguir, mas acabei me formando em Engenharia.

— E faz quanto tempo que se formou?

— Seis meses.

— Um recém-formado?!

— Sim.

— Uau! Engenharia sempre me pareceu difícil. Meu pai quis que eu fizesse esse curso, mas eu não queria Engenharia, queria Medicina, e, como eu costumo lutar pelo que quero, consegui entrar na universidade e me formar no que eu queria.

— Estou diante de um médico?

Yoongi assentiu. Ele diminuiu os passos, fazendo Jimin fazer o mesmo. A mão direita parou no canto da boca.

— O futuro melhor médico de Seul, quem sabe, só que isso é segredo — murmurou, gargalhando em seguida. Jimin também gargalhou.

Eles olharam para a rua vazia. A iluminação estava enfraquecida, mas, graças à luz natural dos corpos celestes, a escuridão era inferior.

Um silêncio agradável se fez presente.

Jimin sentiu a mão dele encostar em seu braço; logo depois, Yoongi entrelaçou o braço no seu.

Jimin prendeu a respiração e seu coração começou a bater aceleradamente. O corpo do outro ficou mais próximo. O cheiro dele adentrou suas narinas com mais facilidade.

— Estou com frio — Yoongi sussurrou, justificando seu ato.

Jimin franziu o cenho, confuso. Yoongi estava com roupas quentes o suficiente para esquentá-lo e o tempo estava fresco, porém o Park ficou calado. Olhou para ele, para o mar negro dos cabelos. Em um ato impulsivo, aproximou seu nariz dali, adorando o cheiro de primavera que vinha dos fios escuros.

— Desde quando mora nos Estados Unidos? — Yoongi voltou a falar, ainda na mesma posição. Era provável que não iria desgrudar de Jimin, e era o que o Park mais queria.

— Faz mais de onze anos… Eu tinha treze quando minha mãe se separou do meu pai e decidiu me trazer junto com ela para cá. Eu não queria vir, mas meu pai não tinha como impedir, minha mãe sempre foi uma mulher muito forte e decidida com o que queria… — Suspirou, era difícil se lembrar dessa época, a segunda pior lembrança de sua vida; a primeira era de sua mãe morrendo em seus braços. — Mesmo eu querendo ficar com meu pai, fui embora com ela da Coreia. Não tinha como eu escolher. Eu era menor de idade.

— Deve ter sido difícil.

— Muito. Eu demorei a me acostumar a viver aqui, num lugar que eu não conhecia, ouvindo uma língua que eu não falava. Ainda bem que mamãe falava inglês e me ensinou. — Soltou um suspiro. — Ela era uma mulher difícil de se lidar, mas eu a amava muito, mesmo ela sendo teimosa demais. Ela nem queria que eu mandasse cartas para meu pai.

Jimin olhou para o céu, recordando-se do que teve que passar. Notou que as írises do outro estavam em si, por isso, ao sentir um leve ardor nos olhos, fechou-os, para Yoongi não ver que sentiu vontade de chorar.

— Eu tive que lidar com o preconceito, me adaptar a um novo horizonte, enquanto sentia falta da minha casa, de meus amiguinhos e do meu pai.

— Não deve ser fácil para uma criança se acostumar com tantas mudanças repentinas. Mas você conseguiu se adaptar a tudo isso aqui — disse, rodando o dedo no ar. — Você é muito forte. Não tenho nenhuma dúvida disso.

Jimin sorriu, agradecido pelo elogio e fala sincera do outro. Havia um toque de admiração na fala dele, o que acalentou seu coração.

— Obrigado. Eu queria ser forte mesmo, mas acho que você é mais forte que eu.

— Hã?! Como assim?

Jimin tirou os olhos do céu noturno e o encarou, Yoongi estava boquiaberto.

— Você é médico, médico lida com sangue, e eu não gosto de sangue.

Jimin escutou o riso de Yoongi e seus ouvidos vibraram, porém ficou com receio de que ele tivesse achado graça de seu medo.

— Ah! Para! Muitos têm medo de alguma coisa, e ter medo não faz você ser menos ou mais forte. Pra mim, você continua sendo um dos homens mais fortes que já conheci.

— Estou muito honrado em ouvir isso de você.

— E fique, eu não costumo elogiar alguém… — Yoongi olhou para sua boca e depois para seus olhos de novo antes de deitar a cabeça em seu ombro, movendo-a como se buscasse uma posição melhor. — Mas, me diga, caso não seja um incômodo. Sua mãe morreu? Você se referiu a ela no passado.

— Sim. Faz algum tempo. — Ouviu-o respirar fundo.

— A minha também morreu, quando eu ainda era um bebê. Meu pai me criou sozinho, com todo o amor que ele podia me dar… Pais que criam seus filhos sozinhos são muito corajosos. O meu pai era e ainda é, a sua mãe também era.

— A senhora Park era até demais. Eu admirava muito a força dela, o único problema foi que se deixou levar pelas mágoas que tinha de meu pai e isso acabou me distanciando dele por alguns anos.

— E você nunca mais falou com ele, Jimin?

— Dei um jeito de enviar cartas para ele sem minha mãe saber.

— E pensa em visitá-lo algum dia?

Os dedos de Yoongi passavam pelo braço de Jimin, para cima e para baixo, por cima da jaqueta jeans. Um carinho sutil, mas que recebia toda a atenção de Jimin, porque, embora não tivessem contato com sua pele diretamente, os arrepios estavam surgindo em seu corpo, cada vez mais intensos.

— Farei isso em breve.

Jimin viu Yoongi erguer o rosto e os lábios entreabertos chamaram a sua atenção. Observou cada detalhe deles, desde a cor rosada até as linhas expressivas. Estavam convidativos demais. Um desejo profundo de encostar sua boca na dele o dominou. Teve que desviar o olhar para os olhos dele quando o escutou.

— É mesmo?

— Não estou mentindo, Yoongi. Eu vou para a Coreia do Sul e vou morar lá, mas terei que me alistar nas forças armadas primeiro. — Jimin reparou no quanto o brilho nos olhos cor de mel pareceu aumentar.

— Já sabe quando irá para lá?

— Daqui a alguns meses, tenho que resolver algumas coisas antes. Mas minha ida já é certa.

— Levará alguém com você? — Yoongi perguntou, apertando de leve seu braço.

Ele parece querer muito saber se eu tenho alguém, Jimin ponderou.

— Se eu fosse levar alguém, levaria meu melhor amigo, só que ele não pode ir, tem a vida dele aqui. Por isso, irei sozinho.

Os lábios de Yoongi se abriram tanto que Jimin avistou os dentes alinhados e as gengivas dele. Um som baixo saiu de sua boca. Yoongi não sabia, mas seu sorriso se tornou o favorito de Jimin, assim como seu cheiro.

— Então, acho que essa não será a nossa última conversa. Podemos nos encontrar na Coreia em algum momento — Yoongi falou, parando de andar.

Jimin fez o mesmo.

Não sabiam por quanto tempo estavam andando, só tinham certeza de que fazia horas. Encontravam-se próximo a um parque urbano; as águas do riacho passavam ao lado, não tão distante deles. Em breve, as tonalidades claras iriam aparecer no céu.

Eles ficaram de frente um para o outro, com os corpos muito perto. A última coisa que queriam era se afastar.

— Eu juro que eu não queria ir embora agora — Yoongi afirmou baixinho.

— Já precisa ir?

Diz que não…

Sim. Eu pego voo daqui a… — Olhou para o relógio no pulso. — Aproximadamente sete horas.

— Não imaginava que iria para a Coreia de manhã tão cedo, você ainda tem que dormir, acordar de novo, se arrumar… pode chegar atrasado no aeroporto.

— Eu sei, baby — Yoongi murmurou, dando dois passos até ele. Ergueu as mãos e tocou a jaqueta jeans, próximo dos botões.

Milhões de borboletas fizeram festa no estômago do Park, pela maneira que o Min se aproximou, enquanto o aperto no peito dele o angustiava. O tempo passou rápido demais, e o tempo com o homem que havia conhecido há poucas horas estava acabando.

— Eu não queria que fosse embora agora.

— E eu não queria ir, não depois de te conhecer. — Yoongi suspirou, e abriu um sorriso. — Eu realmente adorei conhecer você, baby

E beijou a bochecha de Jimin, lentamente.

— Adorei conversar com você…

Beijou o nariz dele, carinhosamente.

— E se eu pudesse, pararia o tempo só para continuar com você…

Beijou o canto dos lábios dele, suavemente.

Jimin quase fechou os olhos com aquelas pequenas carícias.

Seu coração palpitava bruscamente.

As pernas ficaram fracas demais para se sustentarem sozinhas.

— Mas eu não posso. A única coisa que podemos fazer é esperar.

— Eu queria que você estivesse errado, porém sei que tem razão. — Suas mãos circundaram a cintura dele. Os corpos unidos eram a melhor coisa naquele momento. Os rostos estavam perto demais para a sua sanidade. — E eu vou esperar te encontrar novamente, Yoongi, mas não vou esperar esse encontro acontecer para sentir sua boca na minha.

Jimin nem esperou Yoongi dizer alguma coisa.

Seus lábios se juntaram aos dele numa carícia lenta, sublime e deleitosa, proporcionando um prazer que o incendiava, mesmo com a simplicidade do toque. Os arrepios se espalharam em segundos por cada parte sua e só fizeram aumentar quando os lábios de Yoongi se movimentaram com tanto ímpeto, aproveitando as bocas em uma conexão sôfrega.

Jimin sentiu o gosto adocicado do moreno, algo único e natural, que fazia sua boca se entorpecer, seu corpo vibrar por inteiro e uma chama desconhecida envolver toda a sua alma.

Abraçou mais forte a cintura de Yoongi quando ele tocou seu rosto e o puxou para mais perto dele, aumentando a velocidade do beijo. E não parou por aí: ergueu a camisa dele, devagar, só para sentir sua pele. Ela era macia. Ela queimava. A chama dominava o corpo dele também.

E pela proximidade dos tórax, podia escutar as palpitações do coração dele.

Yoongi acariciou os lábios de Jimin com a língua de forma delicada, e, entendendo o pedido silencioso, o Park entreabriu os lábios, logo sentindo as línguas brincarem uma com a outra, sem pressa, sem desespero, fazendo-o perceber que Yoongi queria mais de si.

Não soube quanto tempo o beijo durou, mas, se dissessem que foram minutos, Jimin diria que era mentira; parecia que tinha durado uma eternidade, porque era isso que ele queria que tivesse acontecido.

Por mais que tivessem que se separar, fizeram questão de continuarem próximos, abraçados, sentindo-se como um só e trocando selinhos breves, porque suas bocas eram melhor unidas do que separadas.

Foi o primeiro beijo que eles trocaram, um beijo memorável e talvez o único que aconteceria entre eles.

— Vamos nos ver novamente, Jimin, eu prometo — Yoongi quebrou o silêncio, abrindo os olhos. Quando Jimin fez o mesmo, viu o quanto ele brilhava, tudo nele brilhava. Yoongi se soltou de seu corpo, lento demais, como se se esforçasse para aquilo.

Jimin não fez nada para impedir, por mais que suas mãos tivessem ficado tentadas a fazer isso.

— Não se esqueça de mim — ele prosseguiu, quase num murmúrio, dando passos para trás. Levantou a mão, acenando em uma despedida, e seu último ato foi jogar um beijo no ar para Jimin antes de girar os calcanhares, enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta de couro.

Jimin não queria sentir esperanças, mas já era tarde demais para isso.

~~~~



Notas Finais: Mais uma capa e banner's feitos pela @yonpanx (Ficou linda, linda, linda)

E betagem e revisão feita por: @YinLua e @Adrift_

11 Novembre 2022 00:19:39 1 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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Suga Mochi Suga Mochi
No tengo idea por que esta historia no tiene apoyo, es muy linda, me encanta
November 15, 2022, 01:26
~

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