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Não era como se Jimin pudesse contestar abertamente o momento de censura que todos viviam durante a década de 70, mas o interior da kombi florida de Yoongi parecia ser o local onde poderia criticar qualquer coisa, inclusive os modos pacíficos e os hobbies estranhos do homem mais velho.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Talvez os alienígenas sejam a solução

Escrito por: @LuhDrama | @LuhDramaLS

Notas Iniciais: Olá, xuxus! Hoje vim, depois de muito tempo, com uma fic mais curtinha. Apesar do tema que escolhi e tudo, ela é fofa, mas ainda assim um pouco reflexiva.

As referências aos anos 70 usadas nela talvez estejam um pouco misturadas com relação à linha do tempo de acontecimentos, então levem como uma realidade alternativa, ambientada com alguns movimentos e características da época, ok?

Espero que gostem e tenham uma boa leitura!


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A vizinhança onde Jimin vivia era muito tranquila, seus vizinhos eram simpáticos e a segurança o permitia sair tarde da noite sem se preocupar com qualquer perigo. Entretanto, não era como se o próprio não corresse algum risco.

Primeiro que seu estilo dificilmente não seria reparado. Os coturnos pesados, as calças rasgadas que eram usadas em conjunto com suas jaquetas, enfeitadas com bottons dos seus artistas do punk rock preferidos, além dos olhos sempre marcados com alguma forma preta chamativa, atraíam a atenção para ele por onde passasse.

Ele era praticamente um protesto ambulante.

Muitos deveriam estar contentes com suas vidas comuns e simples, mas Jimin sentia uma sede de revolução, porque sabia que o que viviam era uma ilusão. As propagandas diziam que o país estava vivendo um grande avanço, com a construção de estruturas faraônicas e o crescimento da industrialização, mas, por trás de tudo, algo parecia errado.

Entretanto, não era como se ele pudesse dizer algo. As ruas tinham ouvidos para todos os lados e quem contestasse, muito provavelmente sumiria de uma hora para outra.

Sem querer pensar tanto sobre isso, Jimin seguiu seu caminho de costume naquela manhã, deixando a animação vibrar por seu corpo ao se recostar na cerca que delimitava um terreno baldio, onde curiosamente uma kombi começou a ficar estacionada nos últimos meses.

No início, foi evidente a estranheza por parte de todos ao avistarem o veículo pintado com palavras e símbolos que representavam a paz, o amor e a liberdade, mas, com o tempo, tornou-se apenas um detalhe chamativo na paisagem por suas cores vibrantes e diversificadas.

Quando se aproximou pela primeira vez da kombi, Jimin reuniu coragem e deu leves batidas na porta traseira até um homem sair de lá com um estilo que nunca tinha visto pela região, apesar de reconhecer fácil pessoas que pregavam seus próprios valores e vestiam-se sem qualquer preocupação em se encaixarem no regime da época.

Mesmo que suas filosofias de vida não se entendessem por acreditarem que diferentes modos de agir traziam melhores resultados, Jimin sempre ia visitar seu vizinho com manias estranhas.

O dono do veículo mantinha os cabelos longos, na altura dos ombros, e usava um apetrecho artesanal envolvendo sua cabeça. Suas roupas tão pouco seguiam alguma moda, além das calças boca de sino, e ele estava sempre muito calmo, mesmo quando Jimin batia na porta de sua van de manhã cedo ou tarde da noite.

— Vai me fazer companhia hoje, Ji? — perguntava, por puro costume, ao abrir a porta para recebê-lo. Era óbvio que Jimin o acompanharia. — Lembra daquele vale que te falei? Acho que podem ter alienígenas por lá.

Havia muitos detalhes peculiares sobre seu vizinho. Ele era um hippie, sendo assim, pregava conceitos revolucionários que acreditavam no poder da não-violência, o que de cara parecia uma grande besteira para Jimin.

Ele também sempre cheirava a alguma fragrância natural de flores e nunca tinha sido visto bravo por ninguém, com os olhos pequenos e gateados sempre marcando as linhas dos sorrisos que oferecia a quem os quisessem. Jimin apenas os aceitava para que fosse permitido sentar no banco do carona dele e pudesse ter, por algum tempo, alguém o escutando falar sobre suas frustrações.

Sua maior reclamação sobre ele era que, além de todo o jeito esquisito de seu vizinho — conhecido como Yoongi —, consistia na sua obsessão por ficção-científica. O hippie jurava que realmente havia vida extraterrestre e que, se protestos pacíficos não surtissem efeito para o tempo de repressão que viviam, pelo menos ele sempre teria a certeza de existir algo além do plano que enxergava.

Aquela conversa toda sempre rendia caretas em Jimin, que se recostava no banco do carona da kombi e esticava suas pernas como podia, sabendo que não levaria um sermão de Yoongi por aquilo.

— Deveria ser um pouco mais bem-humorado, Ji. As pessoas se afastam de gente como você não é à toa. Vive de cara fechada — comentava Yoongi, olhando para a estrada enquanto dirigia. Ainda assim, ele sabia que o rosto do punk ao seu lado estava todo franzido pela raiva que sentia.

— Você não entende, não é? — Jimin questionou, indignado. — Primeiro, eu realmente não quero que se aproximem. E, segundo, eu preciso me esconder dentro da kombi de um cara que parece viver em uma fantasia caçando alienígenas.

A risada adorável chamou a atenção do punk, que tirou os coturnos do painel para poder se ajeitar no banco.

— Olha, eu também tenho medo. Não é fácil encarar algo de modo pacífico quando tem uma arma apontada na sua direção — Yoongi revelou. O vento que entrava pelas janelas abertas jogava para trás os fios longos, deixando à mostra o rosto que se transformou em uma expressão séria. — Mas acho que você me entende quando digo que já houve violência demais.

De certa forma, Jimin compreendia. Recentemente guerras tinham acontecido e ainda ocorriam manifestações que quase sempre não acabavam de forma harmoniosa.

— Sabe que ainda assim é inútil, não é? As pessoas dificilmente prestam atenção no que não faz barulho — Jimin retrucou. Apenas falar não parecia surtir efeito para ele.

O nariz pequeno e arredondado do hippie moveu-se de uma maneira engraçada, franzindo só de imaginar o tipo de barulho que grupos como o que Jimin fazia parte gostavam de produzir.

— Acho que elas conseguem ver o que está bem na frente delas se formos bem coloridos e insistentes — insistiu. Não era como se eles conseguissem mudar as opiniões um do outro, mas, ainda assim, sempre acabavam debatendo sobre.

Talvez fosse uma necessidade de reafirmação do que acreditavam, mas Jimin jamais contaria que gostava de ver alguma emoção mais forte sendo expressa pelo rosto bonito e sempre suave.

Em algumas das primeiras vezes em que se encontraram, Yoongi escondeu Jimin na parte traseira de seu veículo para que não se encrencasse muito mais por causa das confusões que se metia, deixando que ele descansasse entre os cobertores e travesseiros que enfeitavam a traseira com estampas psicodélicas. Às vezes o punk acabava dormindo ali mesmo, enquanto o hippie cutucava seu cabelo endurecido em penteados ousados ou limpava algum machucado que ficava quando se envolvia em um confronto.

Nesses dias, Jimin percebeu que a tranquilidade que Yoongi e o aconchegante veículo traziam era um escape para ele. Não só dos conflitos em que se envolvia ao tentar defender o que acreditava, mas também das necessidades que tinha em ser escutado.

— Com certeza não tem como alguém como você passar despercebido — Jimin concordou, pegando seu rádio portátil e o colocando contra o ouvido para poder ir mudando as estações até encontrar uma que estivesse tocando algo como Sex Pistols e Ramones.

Novamente Yoongi não contestou, mesmo que Jimin gostasse de músicas com um estilo mais barulhento do que estava acostumado a ouvir, ele deixava o punk à vontade, o que intrigava Jimin.

— Vou levar como um elogio. — Yoongi sorriu. Era difícil abalar alguém tão sossegado. — Mal posso esperar para chegarmos!

— Tem certeza de que não escutou a alucinação de alguém sobre os aliens? — Jimin não desistiu de perturbá-lo, não havia nada que quisesse ouvir nas estações naquele horário e a viagem já o entediava. — Sabe, dizem que vocês levam a experiência de aproveitar a vida ao extremo.

Ele sentiu o olhar de Yoongi sobre ele ao insinuar que o hippie teria escutado alguém sob efeitos de alucinógenos, apesar de estar encarando o lado de fora naquele momento. Sinceramente, Jimin pouco se importava com o que faziam, não gostava também de ninguém opinando sobre suas escolhas, porém havia algo de interessante em perturbar o hippie.

A primeira vez que Yoongi o contou sobre alienígenas, Jimin pensou ter sido alguma piada.

Ele já tinha ouvido falar e até visto imagens em preto e branco na pesada televisão de seus pais sobre seres que vinham de outros planetas.

Nos cinemas, também vinham sendo lançados muitos filmes sobre o tema, mas nada que convencesse o punk. Com tantas preocupações diárias, por que ele se importaria com pontos brilhantes no céu ou formas estranhas em plantações? Deveriam ser apenas alguma brincadeira de desocupados.

Entretanto, seu companheiro de horas vagas não parecia pensar o mesmo, pois seus olhos brilhavam com a ideia de descobrir algo sobre criaturas humanoides do espaço. Era um passatempo um tanto estranho, mas que Jimin secretamente achava intrigante por ser Yoongi a fazê-lo.

Quando finalmente chegaram ao alto de um morro, com um terreno gramado que dava visão para o tal vale comentado por Yoongi, Jimin admirou a vista, achando o lugar verde e deserto um tanto a cara do hippie. Já Yoongi parecia muito animado ao descer do veículo e estender uma de suas cobertas para poder ver o que quer que existisse ali.

Ele não se importava em ter uma lanterna para ajudá-lo a enxergar quando escurecesse, mas Jimin estava com a sua por garantia. Ele poderia ser contra o sistema e o capitalismo, mas ainda mantinha alguns objetos básicos consigo, tinha a sua casa e sua própria banda de punk rock em que era o vocalista.

Diferente de Yoongi, que facilmente poderia decidir pegar a estrada no dia seguinte e tomar um rumo desconhecido sem olhar para trás, como vinha fazendo já há algum tempo.

Jimin tinha um jeito diferente de ver e expressar sua liberdade, mas ele gostava de ver Yoongi expressando a dele. Assisti-lo trançando, moldando e criando peças artesanais do zero para vender era uma experiência única; vê-lo dançando com um sorriso no rosto era como experimentar uma viagem paradisíaca, e saber que ele não precisava de alguém de fora, mas mesmo assim aceitava Jimin ali, fazia seu coração se agitar.

Ele não deveria se sentir daquele jeito por alguém que nunca poderia entender completamente, mas era inevitável.

— Por que eu aceitei vir com você? Está tendo um show muito bom no meu bairro agora e eu estou aqui, procurando alienígenas de mentira — Jimin resmungou após um tempo olhando para o vale, uma cadeia de relevos escurecidos e meio iluminados pelo luar.

O silêncio era entediante e ele sentia o calor do hippie ao seu lado em meio ao tempo fresco da noite, deixando-o ansioso para fazer qualquer coisa.

— Não te obriguei a vir, seu resmungão. — Yoongi foi tão calmo em sua fala que Jimin nem ao menos sentiu que foi uma repreensão. Mais se assemelhava ao tom de um conselho, uma conclusão explicada a uma criança incapaz de receber um sermão. — Foi você quem apareceu e se convidou.

— Eu sei, mas bem que podíamos ir, sei lá, para algum outro lugar? — disse sem muita firmeza. Não queria parecer grosseiro com alguém que não merecia, nem que fosse compreendido de maneira errônea.

Já sentia um certo desespero só de pensar em receber um “não” do hippie, mesmo que nunca fosse receber um soco ou algum palavreado por sua pergunta, como poderia acontecer em qualquer outro caso.

Yoongi era doce e muito paciente. Nem mesmo quando apareceu todo molhado da chuva numa noite e com um corte no lábio, depois de semanas ocupado demais com seus iguais, o hippie recusou sua presença.

As palavras do punk demoraram um tempo para serem entendidas por Yoongi, que tombou o rosto para o lado, com o excesso de lenço amarrado em sua testa imitando o movimento.

— Está tentando me chamar para um encontro? — tentou decifrar as entrelinhas.

A tensão acumulada foi tanta que Jimin precisou de um momento estalando o pescoço para aliviar a tensão. Em seu grupo, falar abertamente suas preferências ainda não era lá a coisa mais fácil, mas já tinha conversado abertamente com Yoongi. Os hippies pregavam o amor em todas as suas formas e as conexões poderiam ir a níveis bem íntimos, então não era esse o tópico preocupante para Jimin.

— Estou fazendo errado? Deveria pedir ao seu pai ou te dar uma carta com o convite escrito? — Jimin ironizou, mesmo que estivesse sem graça. Ele realmente queria sair com Yoongi, mas escutando da boca do hippie parecia bobeira o que estava tentando fazer.

— Não precisa de tanto também e meu pai mora em outro estado, vai dar muito trabalho te levar até lá — Yoongi garantiu, acrescentando em seguida: — Eu aceito sair com você.

— Acho que um esforço desses de vez em quando vale à pena e… — interrompeu-se ao perceber o que tinha escutado e seus olhos se expandiram em surpresa. — É-É sério?!

O hippie achou uma graça ver alguém do porte de Jimin todo envergonhado e, enquanto o punk gaguejava, esticou o corpo até conseguir tirar uma pequena flor amarela do chão e a colocou apoiada na orelha do punk, roçando os dedos sobre a lateral raspada até que a flor ficasse no lugar. O revirar de olhos de Jimin não impediu que sorrisse com a cena, observando-o ficar ainda mais corado.

— Claro que é. Só não me leve aos seus shows, por enquanto. Ainda preciso me habituar a todo aquele barulho e… adrenalina — tentou dizer de maneira que não ofendesse. Apesar de não conseguir escolher boas palavras, o punk compreendeu. Quando tocava com sua banda em garagens fechadas ou balcões, era momento de extravasar todas as suas opiniões e emoções entaladas com toda a energia, além de deixar o público participar e se manifestar também. — Exceto se quiser ouvir minhas músicas de rock nas próximas vezes.

Depois de ter ido até aquele vale procurar formas extraterrestres no escuro, nada parecia tão ruim assim.

— Eu realmente não me importo de ouvir Janis Joplin se me deixar dormir na sua van depois. — Ergueu os ombros, evitando a vontade de tirar a flor da orelha só por ela manter uma alegria genuína em Yoongi exatamente onde estava.

— Estou quase começando a acreditar que quer morar comigo — Yoongi brincou, ajeitando uma mecha do cabelo grande para disfarçar seu desconcerto. — Sabe que pode vir junto quando eu for embora.

Como Jimin tentava lembrar todas às vezes, Yoongi era nômade. Mudava de cidade de tempos em tempos e geralmente se mantinha em comunidades hippies, mas, daquela vez, teve a coincidência de se estabelecer perto da casa de Jimin.

Poderia ser o destino tentando tirar o punk daquele lugar antes que o calassem de vez?

— Ainda pretende partir? — o punk questionou. Suas feições endureceram ao perceber que a ideia não o agradava. Com quem reclamaria se Yoongi fosse embora?

— Claro. Há muito a se ver por aí e nós somos livres, mesmo que digam e tentem mostrar que não. — O ar sonhador estava ali novamente. Em sua concepção, não havia um lugar bom depois de tudo, o paraíso e o melhor da vida eram naquele exato instante. — Não posso me prender a um lugar.

Com suas palavras finais, Yoongi levantou, com um bico de decepção projetando-se em seu rosto diante de nenhuma movimentação suspeita no horizonte, ou em meio aos montes que formavam o vale depois de todo aquele tempo esperando.

— Pelo jeito, não será hoje que vamos presenciar uma espaçonave abduzindo alguma vaca nos pastos — Jimin comentou, deixando o assunto que o incomodou de lado. Não queria deixar tão evidente que gostava de um esquisitão como Yoongi, por mais hipócrita que fosse aquele pensamento. Ele deveria apenas pensar assim e as coisas seriam mais fáceis.

— Para onde vamos agora? — O hippie pegou seu cobertor e bateu nele para tirar a grama agarrada ali, esperando uma resposta do outro.

O rosto pintado com maquiagem forte piscou, perdido por alguns instantes, tirando a flor de sua orelha para guardar em sua jaqueta de maneira que não a perdesse, antes de perguntar:

— Tem certeza de que não quer me ouvir cantar um pouco?

Quando a kombi foi estacionada em frente a uma loja de discos, através das indicações de Jimin sobre o caminho que deveriam seguir, o entendimento tomou Yoongi. Acreditava que iriam acabar parando em alguma garagem barulhenta e não em uma loja, até antes de chegarem ali.

O estabelecimento estava fechado e apagado, mas Jimin sabia que uma chave reserva estava guardada debaixo do tapete de entrada e a utilizou para abrir o espaço.

— Como sabia disso? — Yoongi ficou reticente, parado na porta, enquanto o punk entrava e ligava as luzes no interior, iluminando os corredores lotados com discos e fitas cassetes.

— Eu frequentava muito o lugar e, quando consegui gravar um disco com minha banda, o dono nos ajudou colocando para vender aqui. Ele não se importa que eu venha para cá quando quero, desde que eu deixe o lugar organizado — explicou.

Yoongi andou, curioso, por entre o grande acervo de sons diversos e percebeu alguns símbolos conhecidos dos punks enfeitando as paredes. O local não era muito grande e tinha um aspecto familiar que deixava a loja acolhedora.

Havia discos de alguns cantores que curtia e cópias em fitas de todos os tipos para quem não tinha dinheiro para pagar os discos. Entretido com o local, ele não percebeu Jimin se aproximar com um toca-fitas e fones acoplados, apenas percebeu ao sentir seu ouvido sendo tampado.

O hippie virou-se para olhar Jimin, que mantinha o toca-fitas na mão, um dedo pronto para fazer a fita cassete começar a tocar.

— Apenas ouça. — E apertou o botão para iniciar a música.

O instrumental era familiar ao hippie, apesar de este ter sido reconstruído por uma banda para que uma voz, diferente da que esperava, começasse a cantar.

— Quando você gravou isso? — Yoongi estava muito surpreso em ouvir músicas de uma de suas cantoras favoritas na voz de Jimin, uma melodia longe de ser agressiva como costumava ser nas canções que o punk apresentava com sua banda.

— Eu queria treinar um pouco meu canto e lembrei que gostava da Janis Joplin quando achei um disco dela aqui na loja. Sei que não curte muito o que canto geralmente, então achei que gostaria de um cover de algo mais do seu gosto — admitiu. — Gravei com o toca-fitas mesmo, talvez não tenha ficado a melhor gravação, mas…

— Ficou ótimo.

O hippie não deixou que se desculpasse muito, e Jimin não esperou que fosse uma mentira, o costumeiro esticar de lábios que mostrava os dentes pequenos de Yoongi estava ali. A cena talvez fosse pouco habitual, mas estava tudo bem se Yoongi estivesse aproveitando.

— Eu posso ficar com a fita? — o hippie pediu, e o punk não teve outra reação, além de entregar o aparelho para ele junto à fita cassete.

— Leva para quando quiser escutar, independente de onde estiver.

— Certamente a sua voz será uma bela companhia — Yoongi comentou, segurando o aparelho com certo cuidado ao retirar o fone e desligar a música. — Poderia fazer outras gravações, falando mal do meu estilo, dos alienígenas e o quanto gostaria de descontar sua raiva em uma briga, coisas desse gênero — completou, recordando-se de tudo o que o outro vivia repetindo.

— Eu não falo o suficiente para tantas fitas — Jimin resmungou de volta, cruzando os braços em indignação.

O hippie, no entanto, jamais discutiria com ele, então Jimin não esperou que tivesse uma resposta em troca.

— Mas acredito que fale o suficiente para eu precisar pedir para te dar um beijo de agradecimento pelo presente — contrariando o pensamento do punk, Yoongi expressou-se abertamente, agindo agradável como sempre fazia.

Jimin ficou aturdido com o pedido inicialmente, mas concordou. Em compensação, o toque dos lábios finos contra os seus — singelo e sem grandes intenções, mas com uma firmeza não esperada do hippie — deixou o punk surpreso. Seu nervosismo e batimentos estavam mais fortes do que nunca.

Quando terminaram de escutar o que queriam, tudo foi desligado, e a porta, fechada como estava antes de chegarem ali. Jimin guardou a chave em seu devido lugar e voltou para dentro do veículo, sentindo o corpo leve depois da noite que tiveram.

Estavam cansados pelo tempo fora e por já ser tarde da noite, mas foi inevitável que ficassem em alerta ao chegarem ao bairro em que moravam, pois notaram uma movimentação incomum.

O galpão onde acontecia o show, comentado mais cedo por Jimin, estava interditado, com muito movimento de autoridades e participantes do evento em alvoroço. Yoongi precisou segurar o punk dentro da kombi para que ele não descesse ao ver a cena.

— Vamos embora, Jimin.

— Eu só preciso saber se estão bem.

O hippie sabia que aqueles grupos, por mais intimidadores que parecessem visualmente, tinham um sentimento de união e uma relação quase familiar entre eles. Era besteira querer impedi-lo de ir.

Seu aperto na jaqueta afrouxou e ele deixou que Jimin fosse.

— Tira a kombi daqui! — escutou o punk gritando quando bateu a porta do carona e o obedeceu por não saber como ajudar na situação.

Com o veículo desligado dentro do terreno baldio, Yoongi esperou alguma notícia de Jimin, mantendo a porta traseira aberta para poder olhar a rua. Era tudo muito seguro, o suficiente para manter a kombi destrancada, mas não era como se ali não fosse um risco para ele.

Sua vigília durou o resto da noite, até que ele desistiu e fechou a porta para poder dormir.

Algum tempo depois, o toque conhecido na lataria quase o fez saltar, deixando o clarão do dia entrar junto à forma do punk.

— Demorou muito — acusou. Suas expressões, sempre adoráveis e tranquilas, haviam sido substituídas por raiva e preocupação.

Logo ele notou que Jimin havia se metido em mais alguma briga na noite anterior ao analisar seu estado e pegou itens que pudessem ajudá-lo a tratar dos ferimentos.

— Diferente do que acha, eu não sou o maior fã de brigas — Jimin comentou diante do suspiro do hippie em vê-lo naquelas condições mais uma vez.

— Hum… — murmurou, muito concentrado no que fazia para acreditar nas palavras do punk.

— É sério — persistiu, fechando os olhos quando Yoongi começou a limpar o ferimento em sua pálpebra. — Descobriram o galpão, acho que vamos ficar sem shows até achar outro lugar seguro.

Quando o contato gelado de um tecido úmido foi retirado, Jimin viu uma nova configuração nos traços do hippie, uma preocupação angustiante, como se tivesse perdido algo valioso. Ainda que alguém como Yoongi não se preocupasse com itens de valor.

— O que houve? Eu já me machuquei outras vezes, vou melhorar logo — Jimin assegurou, meio incerto sobre o que fazer para transmitir aquilo. Torceu para que sua mão esfregando o braço descoberto de Yoongi ajudasse.

— Sabe, às vezes tenho medo de chegarmos a lugar nenhum. Digo, o que fazemos ao protestar e tudo ser em vão — revelou, segurando a mão que tentava confortá-lo para cuidar dos punhos arranhados. — Por isso, às vezes torço para que algo, como uma força extraterrestre, nos ajude.

— Pensei que fosse mais otimista — o punk devolveu, ignorando a dor do corte em sua língua, causado por um golpe que atingiu sua boca em meio à confusão.

— Eu tenho um desejo muito grande dentro de mim de querer uma vida diferente, mas, às vezes, penso se também sou capaz de sustentá-lo quando há tantas coisas contra.

Era evidente o seu medo por Jimin e por si mesmo, porque ele sabia que também era um alvo.

Em contrapartida, o punk achava que, quanto mais Yoongi alimentasse aquele medo, pior seria para reprimi-lo depois.

— Vamos fazer o seguinte: ninguém vai desistir. Se nós não tentarmos viver ao nosso modo, quem terá essa coragem? 'Tô pouco me lixando se eles não aceitam algumas verdades. — O punk balançou os ombros em desdém, tentando não transpassar seus reais sentimentos. Ele também tinha medo, mas não queria ser tomado por ele.

— Falou o que se esconde dentro da minha kombi — Yoongi não deixou que ele esquecesse. — Eu prometo não desistir, mas só se me garantir que vai tomar mais cuidado.

— Eu tomo bastante cuidado — disse com uma convicção que pouco convenceu o hippie.

Yoongi terminou de cuidar de sua mão e a soltou com delicadeza, passando para o lábio machucado e um pouco inchado. Ele conseguia sentir Jimin segurando alguma reclamação dentro de si, mas jamais que um cara como ele admitiria estar com dor.

— Pois precisa tomar mais cuidado — continuou o repreendendo.

— Vou fazer o possível — Jimin respondeu como pôde.

Por fim, Yoongi pensou sobre as palavras do punk, que tentava manter tranquilidade em seu olhar ao pensar que nunca contaria em detalhes o que tinha visto na noite anterior se aquilo fosse desanimar o hippie. Ele era uma pessoa com uma aura muito bonita para ter qualquer tipo de repressão o diminuindo.

— E eu vou tentar acreditar em você, seu cabeça dura.

Aquilo deixou Yoongi e Jimin satisfeitos durante aquele momento. Haveria sempre um mínimo de esperança e receio andando lado a lado, mas eles nunca poderiam ceder e acreditar que tudo estava ganho ou completamente perdido.

Quando terminou de cuidar do punk, Yoongi suspirou ao olhar para Jimin por inteiro, garantindo que ele estava realmente bem e os machucados devidamente tratados.

— O que vamos fazer agora? — Jimin questionou, querendo passar alguma animação para tirar as linhas de expressão marcadas entre os olhos de Yoongi.

— Você vai descansar — o hippie ordenou, empurrando sem muita força o peito de Jimin para que ele deitasse entre os travesseiros.

O punk, entretanto, não facilitou, permanecendo sentado, mesmo diante da mão contra seu peito acelerado por estar na presença de Yoongi.

— Ah, mas eu não quero — reclamou. — Vamos caçar os seus alienígenas!

Sem a permissão do hippie, ele simplesmente contornou o outro e passou por cima dos bancos da frente para tomar seu lugar no carona.

— Pensei que achasse bobeira e é muito cedo ainda para isso. Eles não aparecem durante o dia — Yoongi retrucou, estranhando o súbito interesse de Jimin.

Ao se aproximar do rosto do punk, que o olhava por sobre o encosto do banco em que estava, o hippie viu algo que gostou muito. Jimin poderia andar com aquele aspecto intimidador, mas ele, de maneira nenhuma, era alguém que Yoongi afastaria da sua vida, ainda mais ao perceber o que fazia naquele momento.

Mesmo depois do fim de noite difícil que teve, ele ainda preferia se preocupar em como Yoongi estava se sentindo diante da situação delicada em que estavam inseridos.

— Bem, nós não vimos nenhum ontem à noite. Quem sabe não tenham mudado de horário? — o punk opinou, fingindo pensar seriamente.

Foi automático que Yoongi começasse a rir um pouco com a encenação, balançando a cabeça enquanto seguia para o banco do motorista pelo lado de fora, ao invés de tomar o percurso mais curto como Jimin.

— Fala sério, Jimin.

— Não sou eu quem está rindo. — O punk ergueu as mãos, como se não fosse o culpado de nada.

Quando a kombi foi ligada e eles seguiram pela estrada, Jimin sentiu seu corpo finalmente relaxar de verdade, como se estivesse novamente longe de qualquer problema. Gostaria de continuar sentindo aquela sensação por muito mais tempo, talvez até considerasse o convite de Yoongi de ir embora com o hippie.

Ele, então, lembrou da flor que tinha sido guardada em sua jaqueta e a procurou em sua roupa, suspirando aliviado quando viu que não tinha a perdido durante a confusão, ainda que estivesse amassada.

Poderia ser besteira, porém era como se a resistência daquela frágil planta e a presença do sorriso de Yoongi ao vê-lo com a flor fossem um incentivo para lembrar que dias melhores podiam existir através de pequenos detalhes.

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Notas Finais: Quero agradecer a Millena (@Mi_stosf) e a Lu (@YinLua) pela paciência em betar e revisar, mesmo que seja o mesmo erro pela milésima vez kkkkk

E também a Alanna (@Chishikizi) pelas capas lindas que dá vontade de ficar admirando sempre que vejo ♥

Até uma próxima! Beijinhos.

27 Novembre 2022 01:14:51 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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