alexisrodrigues Alexis Rodrigues

[sequência de Hell's Bells] Morpheus decide punir uma escritora humana pela forma como usurpou histórias alheias e matou uma das representações de Deus. Arrastada ao inferno pelo próprio Satã, a escritora é submetida ao início de um verdadeiro martírio. O que Morpheus não cogitou, sequer imaginou, era que a decisão tomada pelos Perpétuos trariam terríveis consequências para o Mundo Desperto e o Sonhar, mudando para sempre as barreiras entre os mundos. Partindo em uma jornada em busca de vingança, a escritora, acompanhada pelo pesadelo Coríntio, passa a visitar toda e qualquer pessoa que foi ou é próxima do Rei dos Sonhos. – Vou te mostrar do que os pesadelos são feitos, Morpheus.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 18 ans.

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Parte Um - Liberdade

Um tempo considerável tinha se passado desde a última vez que ele pisara no Mundo Desperto. As coisas não tinham terminado bem para ele, obviamente, porque ele tinha desobedecido seu mestre e iniciado uma ‘‘carreira’’ como serial killer.

Agora de volta ao mundo humano, tendo desobedecido seu mestre de novo, ele não tinha certeza do que deveria fazer em um mundo que logo estaria em ruínas, a julgar pela forma como sua libertadora havia partido do Sonhar, deixando ameaças de morte e destruição pelo caminho.

Caminhando pelos campos verdejantes do Cemitério Stull, no condado de Douglas, ele tentava entender o que os dois estavam fazendo ali. Por um momento, teve a impressão de que ele era apenas um expectador não convidado, como se ela apenas não o tivesse mandado embora e esquecido dele como pano de fundo do mundo ao redor.

Ele tinha dezenas de perguntas para fazer, mas não se arriscou a fazer nenhuma. Queria entender em que tipo de terreno estava pondo os pés.

O dia começou a escurecer em questão de segundos, e o cemitério inteiro se agitou, a relva ficando mais alta e dançando com o vento aparentemente noturno. Alexis caminhou até as ruínas de uma igreja e tocou o chão, reconstruindo-a em meio à fumaça e ao fogo, deixando Coríntio de queixo caído e com ainda mais perguntas para fazer.

Ela se aproximou e abriu uma porta, e dentro daquela igreja decadente, o cenário era outro inteiramente: um casamento acontecia.

Crowley e ela estavam se casando.

Era uma lembrança.

A lembrança parou de repente, como um vídeo que é pausado, e ela se aproximou para pegar as alianças das mãos dos dois, observando o rosto de Crowley de alguma forma que Coríntio não conseguia entender. O cenário começou a se desfazer como fumaça ao vento e ela deu meia volta, batendo contra o peito do pesadelo.

– Pra alguém que Morpheus fez parecer um verdadeiro demônio, eu diria que você é bem sentimental – ele observou.

Alexis franziu o cenho, e ele percebeu que ela não ficou nada feliz em ouvir aquilo, sorrindo amarelo para ela.

– Desculpe, só fiquei curioso. De qualquer forma, eu preciso perguntar: por quanto tempo mais pretende desfilar pelo mundo usando um mero robe branco quase translúcido que Sonho fez pra você? Dá pra ver todas as suas curvas, mulher. Não que eu esteja reclamando, mas…

Ela respirou fundo, tão fundo que ele se perguntou se estava prestes a ter um piti ou algo do gênero, mas então ela enfiou os dedos em seu escalpo e começou a puxar seus longos cabelos cinzentos desde a raiz de forma tão abrupta e violenta que mesmo Coríntio se arrepiou um pouco e recuou.

– Que isso, mulher?!

E ficou sem palavras quando ela arrancou a pele de seu rosto, expondo seu crânio de forma crua a qual nenhum humano sobreviveria - nem ela mesma, se estivesse em seu universo original.

Tão rápido tinha arrancado toda a pele da sua cabeça, a mesma não demorou a se refazer, diferente, desta vez.

E com seus olhos de volta.

De cabelos castanhos curtos, um corte masculino que deixava as ondulações dos caracóis em seus cabelos até fofos, parecia outra pessoa inteiramente. Estalou os ossos do pescoço de um lado para o outro.

– Agora sim – suspirou. – Bem melhor – e pôs no rosto um par de óculos quadrado que Coríntio nem sabia de onde tinha saído.

– Deixa eu adivinhar: você se regenerou porque está com força total?

– Algo assim – e se afastou dele, continuando a andar pelo campo, enfiando as alianças nos dedos da mão direita.

– E o que vai fazer agora? – perguntou enquanto o robe se desfazia e roupas se materializavam nela. – Destruir o mundo? Matar todos que Morpheus ama?

– É uma ideia – deu de ombros, sem se virar para olhá-lo. – Você vem ou vai voltar pra se jogar aos pés dele e implorar perdão? Todo mundo sabe como essa merda acaba…

– Ele mudou, sabia?

– Você também – e enfim parou, agora totalmente vestida, se virando para encará-lo. – Ele te deixou mole, eu diria, mais humano.

– Isso é ruim? – ele franziu o cenho.

– Não tenho certeza.

– Nunca imaginei que seu estilo fosse tomboy – o pesadelo tombou a cabeça para o lado, observando-a. Ela estava com uma bermuda jeans azul-clara maior do que o tamanho dela, assim como uma longa camisa masculina preta, e um par de All-Star azul de cano baixo. – Sempre imaginei que uma rainha do inferno esbanjasse sensualidade por onde passasse e etc… De qualquer forma, por que está me chamando? Por que iria querer uma criação do seu inimigo por perto? O que te faz pensar que eu não a trairia e o ajudaria a te atingir?

– Você não o ajudaria de novo – ela respondeu confiante. – Não agora que sabe que está livre dele.

– Livre como?

– Eu cortei o seu… Como posso explicar? – murmurou a si mesma. – ‘‘Cordão umbilical’’ – mordeu o lábio. – Você não tá mais preso ao Morpheus e nem ao Sonhar e ele não poderia te matar nem se quisesse.

– Como?!

Ela ergueu os braços.

– Você me deu partes suas, que, consequentemente, são dele, mas você está sob a minha proteção, Coríntio – o fez arquear as sobrancelhas. – O único jeito de você morrer seria se eu morresse também.

– Por que está me protegendo? – franziu o cenho. – Imaginei que destruiria o mundo em um estalar de dedos, mas ainda estamos aqui, e eu não consigo enxergar um motivo. Poderia ter matado Sonho, se quisesse.

– Se alguém te oferecesse um saco cheio de olhos fresquinhos pra comer, aceitaria?

– Hm – franziu o cenho. – Não.

– E por que não?

– Porque eu gostava da caçada, da emoção de arrancar com os meus próprios dedos e saborear da fonte.

– Exatamente. Tipo, eu poderia acabar com tudo facilmente, mas qual seria a graça nisso? – ela riu um pouco. – Eu não quero matá-lo, e eu não tô muito a fim de destruir o mundo, não.

– E o que você quer, afinal?

– Provar que ele está certo. E me vingar um pouco, claro – se virou e continuou andando.

– Espera aí, como assim provar que ele está certo? – correu até ela, caminhando lado a lado. – Do que tá falando?

– Depois do plano que Desejo arquitetou pra tentar fazer Sonho derramar sangue da família, ele confrontou aquela coisinha irritante. As palavras exatas foram: ‘‘Nós, Perpétuos, somos os servos dos mortais, e não seus mestres. Nós só existimos porque eles sabem, no fundo de seus corações, que nós existimos. Nós não os manipulamos. Na verdade, eles nos manipulam’’. É isso. Vou mostrar a todos eles o quão certo ele está.

Coríntio parou de caminhar, absorvendo a enxurrada de novas informações, incerto se tinha mesmo escolhido o lado ideal naquela guerra.

No fim, continuou caminhando com ela.

– Por que se casou em um cemitério, e por que este?

– No mundo deles, é um dos portais para o inferno, e é onde a batalha de Lúcifer e Miguel se deu início. Dezenas de anjos reunidos ali – apontou ao longe no campo. – Quatro arcanjos, Lúcifer, Miguel, Rafael e Gabriel, uma santa, e várias testemunhas.

– Uma santa?!

– Santa Isabella Winchester, esposa de Dean Winchester e do ex-anjo Castiel, mãe dos filhos deles. Fiz ela passar por coisas terríveis, diz dela uma mártir para a causa dos céus, e no fim, foi ela quem decapitou Lúcifer e Miguel no Inferno, depois que as hordas celestiais mataram todos os lealistas de Lúcifer no caminho até a jaula onde Satã era trancafiado.

– Muita informação, muita informação! – ergueu as mãos.

– Você perguntou – riu pelo nariz. – O lugar é importante pra mim, apenas isso.

– Se não se importar de eu perguntar… – pigarreou. – Onde foi que você matou Deus?

Alexis parou novamente, e dessa vez a parada na caminhada não parecia ter um simples efeito dramático na conversa dos dois.

Ela baixou a cabeça, parecendo pensar em algo, e então pôs as mãos na cabeça, puxando os cabelos por um instante e praguejando em português.

– O que? – ele indagou.

Ela se sentou no chão, tirando os óculos e cobrindo o rosto.

– Tudo que eu fiz pelos Winchesters… – disse baixinho. – Eu amava eles, ainda amo. Eu matei Deus pra provar isso, mas… Agora eu percebi que… Lúcifer sempre esteve certo.

– Em qual sentido? – Coríntio começou a se preocupar.

– O motivo da grande briga de Miguel e Lúcifer naquela Terra era o fato de Deus ter sumido. Ninguém sabia se estava vivo ou morto, mas quando nós nos reunimos pra lutar… Lúcifer tentou fazer Miguel entender que a briga deles não foi o motivo do pai ter ido embora, porque ninguém obrigava Deus a fazer nada. Deus é cruel e egoísta… E me acusou de ser a mesma coisa. Eu neguei, claro, eu tinha outra cabeça naquela época, mas…

– Está com medo de ele ter razão sobre isso por causa de todas as coisas que fez ultimamente – Coríntio concluiu, se sentando ao seu lado. – Está envergonhada por ter criticado alguém e agir igual a ele.

– Esse é o problema do poder – tirou as mãos do rosto, usando-as para apoiar a cabeça. – Poder demais… Te faz esquecer do que realmente importa. Traz o pior à tona e eu me deixei levar. Meu Deus, o que foi que eu fiz com o Sonhar?!

– Você estava furiosa com alguém que te tirou de seu lar e te julgou de forma hipócrita pelo fato de meramente estar cumprindo seu destino – ele deu de ombros, a fitando, e ela ergueu a cabeça para fitá-lo de volta. – A sua raiva é compreensível, mas, se quer saber, acho que o que está sentindo não passa de efeito colateral do que Morpheus queria que você aprendesse com a sua condenação no Sonhar. Ele queria que você se arrependesse, que sentisse culpa… Mas a verdade, pelos ângulos que eu vejo, é que todos vocês são similares em algum nível.

Alexis imediatamente recuou um pouco, ofendida.

– Você mesma admitiu que poder demais te faz esquecer do que realmente importa, boneca – ele levantou as sobrancelhas. – Morpheus nunca entendeu isso, não de verdade, porque não foi humano, e Deus muito menos, e essa é a diferença-chave entre vocês. Eles não são capazes de enxergar as coisas do mesmo ângulo que você, eles apenas controlam tudo, pisam em algumas formigas, e no fim é só mais um dia de trabalho. Você sente remorso, Alexis, reconhece seus erros, pode mudar. Eles são velhos demais pra mudar. Pode consertar tudo ou destruir tudo. É sua decisão.

– Ainda quero que ele pague.

– É justo.

– E ainda quero que ele me deixe em paz.

– Também é justo.

– Eu não quero matar todo mundo, e nem tô a fim de destruir o mundo. O Dean… Me odiaria por isso.

– Dean Winchester?

– Sim. E Sam, também.

– Mas você deixou um Apocalipse em andamento no mundo anterior…

– E também deixei muitas rotas de salvação pra trás – o encarou.

– Sua filha é o Anticristo – arqueou uma sobrancelha.

– Meu conceito de Anticristo é diferente dos outros – desviou o olhar. – O Anticristo precisa ser tanto demônio quanto humano, precisa ser capaz de entender o pior e o melhor da humanidade pra governá-la do jeito certo.

– Por que um Anticristo, se me permite a pergunta? Por que não uma figura messiânica celestial?

Alexis riu pelo nariz.

– Imagino que conheça a franquia Star Wars.

– Vagamente – ele fez um biquinho. – Não é a minha praia.

– No universo de Star Wars, há duas filosofias predominantes: a dos Jedi e a dos Sith. A filosofia Jedi, na minha interpretação, se trata só de conter as emoções humanas, negativas ou positivas, só visa suprimir tudo visando o bem comum. A filosofia Sith já é o exato oposto, no sentido de que acredita que através das emoções pode se forjar força, com determinação pra enxergar através das supostas mentiras do mundo.

– Os Jedi se reprimem e os Sith extrapolam.

– Basicamente. Anjos e demônios – mordeu o lábio. – Anjos se contém, se reprimem, e só geram problemas depois, mas os demônios, conhecendo todos os lados da moeda, lidam melhor com a própria humanidade, ou o que restar dela. Nada pode ser muito sagrado, entende?

– Sim. Eu acho – franziu o cenho. – E o que vai fazer com este mundo?

– Eu não faço ideia – suspirou. – Mas eu tenho coisas mais urgentes com as quais lidar – tirou do bolso uma chave.

– Morpheus surtou quando te viu com isso. Que chave é essa?

– É a chave do Inferno – fez o queixo dele cair.

– Então você é…

– A rainha do Inferno – ela se levantou, estalando os ossos do pescoço ao esticá-lo de um lado para o outro.

– Mas e Lúcifer?

– Ainda está lá.

– Não estou entendendo.

– É, é meio complicado – fez uma careta. – De qualquer forma, tenho coisas pra fazer – e dito isso, ele se levantou. – O que você quer fazer?

– O que eu quero fazer? – ele riu sem graça. – Por que se importa? Eu ainda nem entendo o motivo pelo qual me trouxe com você.

– Você foi gentil.

A resposta brutalmente honesta o pegou desprevenido.

– Mesmo quando me levou ao julgamento, foi gentil. Ofereceu sua própria pele, sendo desnecessário da sua parte, e… Tipo… Eu não gosto de ficar sozinha – virou o rosto para encarar o campo do cemitério, suspirando. – Mas se quiser ir embora, dá pra entender, eu não sou a melhor companhia.

– Boneca, eu fui muito pior que você – abriu um largo sorriso.

– Minha taxa de mortalidade é maior.

– Mas quantos você matou com as próprias mãos?

Ela bufou.

– Algumas centenas. Perdi as contas.

– Não, boneca, eu quis dizer quantos você matou com as próprias mãos no seu mundo?

– Nenhum.

– Mas…? – indagou animado demais para o gosto dela.

– Nada de ‘‘mas’’ – franziu o cenho. – Só tem uma pessoa que eu me arrependo de nunca ter matado, e não, eu não vou falar sobre isso.

– Tudo bem, então, fique com os seus segredos – sorriu. – Para onde vamos agora? – perguntou ao chegarem à saída do cemitério.

– Vai vir comigo? – se surpreendeu.

– Claro! Quero dizer… – pigarreou. – A menos que vossa majestade não queira – fez uma mesura, no que ela riu. – Eu também não… Não gosto de ficar sozinho. Seria bom ter a companhia de alguém com quem eu não preciso fingir ser humano, pra variar.

– Bem, já que tocou no assunto… – se virou para ele. – Eu me lembro de você dizer a Morpheus que fazia o que fazia porque queria saber como era ser humano. Você ainda quer isso? Tipo, sem poderes de pesadelo, sem bocas no lugar dos olhos…

– Poderia fazer isso? – se encheu de esperança, virando-se para ela.

– Creio que sim. Tipo, eu te separei do Sonhar, cortei a ligação entre Morpheus e você, então… Vale a pena tentar – mas antes que ele dissesse ‘‘sim’’, ela adicionou: – Posso te dar um ‘‘teste grátis’’ do que é ser humano por, sei lá, uma semana – deu de ombros. – Se depois disso você ainda quiser continuar, posso fazer algo mais permanente…

– Eu…! Eu gostaria muito disto.

Alexis ficou desconcertada com a estranha animação, uma alegria quase infantil, do lendário pesadelo. Se aproximou mais e retirou dele os óculos pretos.

– Pronto?

– Sim!

A autora levou as mãos ao rosto dele, que engoliu a seco.

– Feche os olhos.

Ansioso os fechou, respirando fundo. Ao redor deles, uma névoa negra começou a girar, rapidamente se misturando à noite forjada ao mesmo tempo em que ela atraía com a mão esquerda tudo o que fazia dele um pesadelo e lhe dava humanidade com a mão direita, refazendo seus olhos por completo. Quando o processo se concluiu, Coríntio começou a cambalear um pouco, deixando-a em alerta.

– Você tá bem?

O pesadelo não respondeu, apenas caiu em cima dela.

23 Octobre 2022 04:45:57 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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