fuyuka_hideki Adrielle Victória

Uzumaki Naruto é um espião e assassino de aluguel, formado pela academia russa de Pardais, que mantém contrato com diversas nações do mundo para seus recrutamentos, incluindo a Alemanha, país de origem do rapaz. Por outro lado, Uchiha Sasuke é um jovem que, após perder toda a sua família em um massacre cujo responsável nunca foi encontrado, percebe-se obrigado a assumir a liderança do Império mafioso criado e deixado por seu falecido pai, Uchiha Fugaku. Vivendo em mundos tão diferentes, ainda que em submundos parecidos, suas vidas irão se cruzar quando Naruto vai para Konoha e é contratado para sua próxima missão: matar Uchiha Sasuke.


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

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Contrato Assinado

Uzumaki Naruto inspirou fundo e observou novamente, através dos óculos escuros que usava, as vitrines repletas de roupas do complexo de lojas em que estava; passeou os olhos azuis pelas peças à sua frente e — sem pensar muito — decidiu entrar, pois não tinha tanto tempo a perder para ficar admirando e postergando suas decisões.

Dentro do estabelecimento, não levou mais do que alguns segundos para que fosse abordado por uma das funcionárias, que, mesmo antes de ele fazer sua visita ao interior da loja, já estava admirando-o, encantada com sua beleza. Naruto analisou a mulher que se aproximou e logo tirou os óculos para encará-la com o rosto livre de acessórios, entregando-lhe um sorriso brilhante assim que percebeu a malícia no cumprimento que recebeu ao ser questionado sobre seus desejos ali dentro.

O Uzumaki queria roupas simples, uma bermuda de cor escura, assim como uma blusa que fizesse algum contraste; por último, também desejava uma jaqueta. A atendente rapidamente se moveu por entre as araras, pegando algumas peças que pareciam servir às medidas de seu cliente e quando lhe perguntou se gostaria de passar pelo provador, ele puxou a manga do sobretudo e olhou as horas no relógio, presumindo que se demorasse mais um pouco ali, chegaria quase atrasado para seu compromisso. Abrindo um sorriso gentil, disse que não precisava, reforçando com um tom recheado de galanteio que confiava no julgamento dela a respeito de seu tamanho.

Chegando ao balcão, após pagar o débito com dinheiro vivo, Naruto questionou as atendentes se poderia deixar a sacola na loja, alegando que passaria para pegá-la em pouco mais de trinta minutos, ou menos, caso tudo ocorresse da maneira que deveria. E após receber uma confirmação das mulheres, ele seguiu para além da entrada com alarmes antifurto, não demorando para alcançar a calçada.

A quentura do sol das duas e meia estapeou as bochechas do Uzumaki assim que começou a caminhar por entre a multidão. Com os óculos de volta à face, ele ajustou o boné que usava, puxando sua aba um pouco mais para baixo, intencionando fazer ainda mais sombra sobre seus olhos. Enfiando uma das mãos no bolso do longo casaco, a fim de mexer na seringa entre os dedos da palma direita, folgou um pouco a tampa que protegia a agulha, deixando-a pronta para ser usada. Parando em frente à faixa de pedestres, observou o grande relógio que marcava quase dez minutos mais cedo do horário marcado para seu compromisso. Diante dessa constatação, inspirou fundo e diminuiu os passos quando foi seu momento de atravessar junto às demais pessoas.

Naruto caminhou por mais cinco minutos, encontrando o ponto onde deveria ficar de pé e à espera. Olhando para o relógio em seu punho, notou os batimentos cardíacos acelerados devido à velocidade com que estava andando anteriormente. Sentia-se plenamente calmo, não era sua primeira fazendo o que faria, por isso apenas assistiu aos números diminuindo à medida que os minutos passavam, chegando à normalidade rapidamente.

Na hora marcada, o Uzumaki ergueu os olhos para os transeuntes que passavam à sua frente e olhou para o final da rua à direita, o mesmo caminho que havia feito. Aproveitando-se de seus óculos escuros, ele encarava firmemente cada uma das faces que vinham tanto virando a esquina quanto atravessando sobre a faixa; ao localizar seu compromisso, destampou a seringa habilmente, levando, com a mão esquerda, o celular desligando a orelha, iniciando uma conversa com ninguém.

Naruto esquadrinhou a vestimenta da mulher, perpassando pelo vestido rodado que caía na altura de seus joelhos, mas fixando-se principalmente no fato de que ela estava sem qualquer casaco. Perfeito, pensou com certo prazer ao ver os braços nus dela; o clima abafado do dia estava ao seu favor.

Haruno Sakura caminhava com classe pela rua movimentada. De cabeça erguida, carregava uma bolsa no antebraço esquerdo e algumas sacolas das roupas recém-compradas na mão direita. A moça tinha os olhos verdes atentos às vitrines pelas quais passava, interessando-se pela que estava a alguns metros de distância do homem que a observava.

Não depositando mais do que alguns minutos de sua atenção àquelas roupas, a Haruno tornou a caminhar, passando por Naruto e seguindo seu caminho sempre em frente, já não mais tão interessada em ser curiosa para com o que vestiam os manequins.

O Uzumaki deixou que ela se afastasse alguns poucos passos de onde estava, para logo começar a caminhar em seu encalço, sempre mantendo um bom tom de voz na conversa sem sentido que mantinha ao telefone mudo. Com os olhos afiados nos tons distintos de rosa dos cabelos da mulher — detalhe que facilitava para que não a perdesse de vista —, avistou um pequeno conglomerado de curiosos ao redor de um artista de rua. Seria a sua oportunidade.

Adiantando-se mais alguns passos, quase alcançando Sakura, ele aproveitou-se da manga de seu sobretudo para esconder a seringa entre os dedos ao tirar a mão de seu bolso; apoiando a base na palma, deixou tudo preparado para quando fosse utilizá-la.

Calculando quantos passos e quantos segundos precisaria para cumprir sua missão, Naruto pôs em prática aquilo pelo que estava sendo pago para fazer. Propositalmente, esbarrou em alguém e pediu desculpas em voz alta o suficiente para que chegasse aos ouvidos de Sakura. Algumas pessoas à frente olharam por cima dos ombros para tomarem nota do que houve; mas não a Haruno, condição que também não abalou o Uzumaki. Dando sequência ao planejamento, foi de encontro a mais alguém e com mais alguns passos encontraria o círculo de pessoas ao redor do artista e a própria mulher que almejava.

Quando o braço de Naruto tombou contra o de Sakura, a agulha foi levada em direção à pele clara dela, e o líquido de dentro da seringa passou para suas veias.

— Me desculpe! — falou o Uzumaki. — Eu sinto muito! — Ele apertou o local onde havia injetado o veneno, acariciando-o logo em seguida, de forma a distraí-la da dor causada pela picada.

— Tudo bem, apenas me ajude a recolher isso — replicou, agachando-se para pegar uma das duas sacolas que escaparam de seus dedos.

— Você está mesmo bem? — certificou-se depois que tudo estava em ordem.

— Estou, obrigada — respondeu, olhando com suas esmeraldas nas safiras do desconhecido.

Naruto inclinou a cabeça em um aceno de despedida e esgueirou-se por entre os transeuntes ao redor dos dois. Ele não acelerou os passos em momento algum, também não olhou para trás, apenas procurou pela próxima esquina e começou a fazer o caminho de volta para a loja na qual comprou suas roupas.

Sakura observou as costas do homem que esbarrou em seu braço, vendo-o afastar-se cada vez mais e sumir em meio às pessoas que seguiam em frente. Ajustando melhor as sacolas em seus dedos e a bolsa no antebraço, tornou a continuar sua caminhada, desta vez, visando encontrar um ponto de táxi. Havia decidido ir às compras a pé, assim tinha muito mais liberdade para transitar por onde quisesse, sem se preocupar com quão cansada poderia estar quando fosse a hora de voltar ao ponto inicial.

A caminho de casa, sentia-se extasiada com as compras que conseguiu fazer. Graças a Uchiha Sasuke, seu chefe, havia recebido um dia de folga especialmente para a ocasião, depois de comentar que teriam promoções em uma das suas lojas favoritas, ele a surpreendeu. Sendo a boa secretária que era, a mulher deixou tudo preparado para que nada saísse dos planejamentos com a sua ausência; no dia seguinte estaria de volta e esperava achar tudo da maneira que deixou.

Ao abrir a porta da confortável casa de três andares, Sakura sentiu uma breve vertigem, precisando usar a maçaneta como apoio para não cair. Ainda com os olhos nublados pela tontura, ela olhou para a hora no visor de seu celular e deduziu que tudo não passava de fome; não tinha almoçado por escolha, e já passava das três da tarde, seu café da manhã havia sido por volta das dez, logo, o estômago vazio depois de todo o esforço que realizou tinha que fazer alguma reclamação.

Depois que sentiu seus sentidos um pouco mais estabilizados, deixou todas as novas aquisições sobre a cama assim que chegou ao quarto. Pensando brevemente, decidiu que tomar um bom banho era o melhor a se fazer, o clima lá fora estava abafado, havia suado enquanto fazia compras, portanto sentia que precisava tirar a sujeira da poluição de sua pele.

Devidamente vestida com roupas frescas, ela deslocou-se para a cozinha. Não tinha um almoço robusto preparado, já que passava praticamente todo tempo ao longo da semana na mansão Uchiha, então pensou em pedir um delivery, mas sabia que demoraria para receber seu pedido. Sendo assim, avaliando as opções, procurou por algumas coisas que restavam em sua geladeira, separou-as na pia e montou o prato mais saudável que conseguiu a partir daquilo. Como sobremesa, não hesitou ao pegar o pote de sorvete praticamente intocado que havia no congelador.

Mesmo depois de se alimentar direito, por volta de duas horas mais tarde, Sakura ainda não se sentia completamente bem: sua cabeça pesava, estava enjoada e as vistas ficavam embaçadas constantemente. Sentando-se em seu sofá, pensou no que deveria fazer, há tempos que não vivenciava tamanho mal-estar, era saudável, no auge de seus trinta e quatro anos, tinha uma saúde em perfeito estado.

Indo novamente até a cozinha, colocou uma panela com água para esquentar, a fim de fazer um chá para relaxar o corpo. Quem sabe, sua condição no momento, não se desse devido à falta de exercícios que aumentassem sua resistência? Afinal, passou toda a manhã e parte da tarde andando debaixo de sol.

Com a decisão de descansar tomada, ela foi até o quarto e buscou pela sua parca caixinha de remédios, mesmo não havendo muitas coisas ali, tinha o básico que poderia ser de algum auxílio ao seu estado. Escolheu algo para o enjoo que sentia, pensando que, como eles sempre a faziam dormir, junto ao chá, seria a combinação perfeita.

Quando voltou para o andar de baixo, sentou-se no sofá para aguardar a chaleira avisar que a fervura da água estava finalizada. Jogando a cabeça para trás, recostou-se no encosto, olhando para o teto que girava às suas vistas e, ao abrir sua própria mão em frente aos olhos, notou que tremia, também dando-se conta do quanto seu coração batia forte no peito. Não fazia ideia do que estava acontecendo com seu corpo e isso a assustava.

Por um breve momento, a Haruno pensou em ligar para Sasuke, pediria que o médico plantonista da mansão fosse vê-la, mas ao tentar sair do lugar onde estava, percebeu que suas pernas não funcionariam para levá-la até seu aparelho celular que foi deixado na mesa da cozinha; sentia-se demasiadamente fraca para sequer ficar de pé. Voltando para a posição anterior, inspirou fundo com os olhos fechados, sentindo que desmaiaria a qualquer momento; e foi exatamente o que aconteceu.

A chaleira chiou alguns poucos minutos mais tarde, no entanto, a mulher na sala não tornou a se levantar para atendê-la; ainda que ouvisse o barulho, sua consciência estava distante da realidade. Com a chama do fogão ligada, a água evaporou completamente de dentro da panela algum tempo depois, restando apenas que o alumínio fosse queimando enquanto as horas passavam.

Apesar de Sakura ter sentido tudo o que sentiu por causa do veneno indetectável em exame toxicológico que fora aplicado em suas veias — que deveria levá-la óbito algum tempo mais tarde —, no laudo de sua autopsia constava que seu falecimento foi devido a inalação do monóxido de carbono diante da queima do metal de sua chaleira; suicídio.

Naruto chegou à loja e não precisou de qualquer esforço para ser reconhecido pela atendente. Verificando a sacola que recebeu, perguntou se poderia usar do provador para trocar suas roupas, mas não antes de pedir mais um objeto onde pudesse pôr as vestes que usava — usando a desculpa de que o sobretudo ocupava muito espaço, ele recebeu uma nova sacola sem que muitos questionamentos fossem feitos.

Dentro do pequeno cubículo, o Uzumaki dobrou cuidadosamente as roupas outrora em seu corpo e colocou-as dentro de cada uma das sacolas. Também tirou um pequeno saquinho plástico de dentro do bolso de sua calça anterior e pôs a seringa usada ali dentro.

Já devidamente vestido com as novas peças, agradeceu o auxílio e a generosidade das atendentes, partindo novamente para além do complexo de lojas, contudo não seguiu para a esquerda. Caminhou para a esquina à direita, visando encontrar uma lata de lixo em algum beco onde dispensaria uma das sacolas primeiro e depois procuraria por um lugar mais afastado para os outros dois pacotes.

Enquanto andava, pensava em Sakura, não com culpa ou remorso pelo que fez, mas conseguia racionalizar que era uma pena que a mulher tivesse essa sina, era jovem e teria toda uma vida pela frente. Todavia, alguém decidiu que sua história deveria terminar logo mais, afinal, o contrato assinado por Naruto e seu cliente — além da conta bancária do Uzumaki que logo engordaria — diziam isso.

Ao se lembrar de seu cliente, o homem tirou o celular do bolso e lhe enviou uma mensagem para dizer que já havia executado o pedido; era apenas uma questão de tempo até que a notícia da morte da moça chegasse aos ouvidos de todos. Sakura era uma pessoa importante no ofício que exercia, logo, com toda a certeza não demorariam para descobrir o que aconteceu.

Dispensando todas as sacolas que tinha nas mãos em lixeiras diferentes, Naruto parou próximo à uma faixa de pedestres qualquer, esperou por um táxi e ditou ao motorista o endereço do hotel no qual estava hospedado.

Enquanto não chegava ao seu destino, o rapaz aproveitou para observar toda a paisagem urbana através da janela do carro. Era a sua primeira vez em Konoha, e podia afirmar que não estava muito impressionado com o que a cidade tinha para oferecer até então. Estava ali há apenas três dias, mas já odiava o clima abafado que a manhã e à tarde tinham, o completo oposto das noites geladas. Contudo, de acordo com o que seu cliente planejava, o Uzumaki ainda tinha muito o que fazer naquele lugar.

Assim que pagou ao taxista, em espécie, seu celular vibrou para alertá-lo de uma nova mensagem. Lendo-a rapidamente, viu que seu contratante agradeceu, e avisou que teriam um novo encontro no dia seguinte, isso caso tudo saísse de acordo com o que Naruto prometeu. Deveriam se encontrar às quatro da tarde, em um lugar de nome Praça do Hokage, para que os próximos passos da missão fossem dados, novos valores acordados e mais um contrato assinado.

Por volta das sete da noite, Naruto olhou para o relógio em seu telefone e constatou que, àquela altura, Sakura provavelmente já estaria morta. Abrindo em seu notebook a simples ficha sobre a mulher que recebeu por e-mail, ele mudou o status do trabalho de “em aberto” para “finalizado”. Tinha certeza de seu sucesso, não precisava de uma notícia de confirmação. Também adicionou a praça citada pelo seu cliente em seus afazeres do dia seguinte, por último, pediu seu jantar, perguntando em seguida para a recepcionista como ele fazia para acessar o catálogo de filmes na televisão em seu quarto; queria assistir à alguma comédia ou quem sabe uma animação antes de pegar no sono.

O Uzumaki foi acordado, às oito e meia da manhã, com o toque insistente de seu telefone alertando-o que havia uma nova mensagem em sua caixa de entrada. Um palavrão deixou sua boca quando visualizou o horário e de quem se tratava a notificação: seu cliente confirmando o falecimento da jovem Haruno, assim como o encontro que teriam à tarde. Ele deixou o celular sobre a banquinha ao lado da cama e virou-se de costas para o aparelho, decidido a não responder, mas mudou de ideia depois de pensar que aquilo poderia ser mal interpretado. Mesmo mandando uma réplica, não esperou pelo que veio depois, colocando o telefone no silencioso e voltando a dormir.

Saindo do hotel às quinze horas, Naruto não precisou esperar por um táxi, já que havia alguns disponíveis no meio-fio de frente para sua hospedagem. Ditando o endereço para o qual seguiria, descobriu que levaria em torno de trinta minutos para chegar lá, pois o trânsito estava confortável àquela hora do dia.

A praça era movimentada, mas ele não deu muitas atenções aos seus arredores. Entrando pelos enormes portões de ferro, procurou por uma estátua específica citada por seu cliente. De acordo com suas instruções, se entrasse pelo portão da frente, o ponto de encontro ficava mais ao fundo do local turístico.

Ao aproximar-se da marcação, o Uzumaki avistou seu contratante. Sannin Orochimaru, candidato à prefeitura de Konoha, estava sentado ao lado da dita estátua de uma grande cobra enrolada em uma coluna de granito branco. Naruto observou o homem que tinha os cabelos longos, lisos e escuros atados firmemente em um rabo de cavalo rente à sua nuca, vestia um paletó preto e apoiava a mão em uma bengala preta que não lhe tinha qualquer serventia, a não ser para complementar o estilo; no topo daquele pedaço de apoio havia uma cabeça de serpente feita de prata. Apesar de não julgar sua clientela, o rapaz não deixou de pensar que tanto a estátua quanto a bengala serviam bem a Orochimaru.

— Você chegou cedo, Naruto — cumprimentou com a voz rouca.

— Não costumo me atrasar para os meus compromissos — respondeu, intencionando se sentar ao lado do sujeito.

— Não se sente — avisou. — Não conversaremos sobre assuntos tão delicados em meio à essas pessoas, não é?! — Ele levantou-se e, postando-se ao lado do recém-chegado, começou a caminhar, sendo seguido de perto pelo loiro.

O Uzumaki avistou uma limusine estacionada do lado de fora da praça, que atraía alguns olhares curiosos. Com um suspiro desacreditado, quase não pôde acreditar no que via. Seu trabalho consistia em ser discreto, contudo, ali estava, sendo indicado a adentrar o veículo extravagante.

Já dentro do automóvel estavam duas pessoas, e Orochimaru sentou-se entre elas. Naruto sabia reconhecer um guarda-costas quando via, identificando o homem à esquerda de seu cliente como sendo esse alguém, porém não soube dizer quem seria o outro presente; o Sannin não os apresentou e ele também não perguntou seus nomes.

— Você já andou de limusine? — Orochimaru perguntou quando estavam acomodados e o carro em movimento.

— Não acho que o que fiz ou deixei de fazer venha a ser importante. Vamos direto ao assunto, por favor — Naruto rebateu, tendo pouca paciência para lidar com assuntos fúteis como aquele.

Orochimaru manteve seus olhos nos do jovem, logo dando-lhe um curto sorriso ladino. O clima no ambiente não era dos melhores; Naruto, principalmente, odiava estar em um lugar no qual não pudesse ver meios de escapar caso as coisas dessem errado. Ainda que precisasse sempre dar um voto de confiança aos seus clientes, não confiava em nada no homem que estava à sua frente.

— Daremos um passeio até o horário do meu próximo compromisso, que é o enterro de Sakura — começou. — Eis o seu próximo trabalho para mim. — Ele fez um sutil movimento de cabeça para indicar que um classificador deveria ser entregue ao Uzumaki.

Após abrir a pasta que recebeu, o rapaz encarou o rosto bonito de Uchiha Sasuke logo acima de suas informações pessoais básicas. O rapaz era pálido, de lábios finos e nariz afilado; os olhos redondos eram escuros e pareciam ser capazes de ler pensamentos, devido a tamanha intensidade que transbordava de suas íris mesmo através de uma fotografia. O rosto delicado era ladeado por cabelos da cor do ébano, extremamente lisos, chegando ao queixo do Uchiha.

— Imagino que saiba quem é ele — Orochimaru comentou.

— Sei — concordou, suspirando logo em seguida.

— Algum problema? — inquiriu com uma sobrancelha erguida.

— Eu não imaginava que você me pediria para matar alguém de um escalão tão alto. — Ele encarou o contratante. — Matar a secretária do candidato a prefeito é uma coisa, matar o próprio candidato é outra completamente diferente — finalizou.

Naruto nem precisava perguntar para saber quais eram os motivos do Sannin contratar um assassino de aluguel. Pela breve pesquisa que fez antes de ir à Konoha, sabia que o país estava em ano de eleições, sendo o sujeito à sua frente e Sasuke os candidatos mais propensos a vencer.

Com a profissão que exercia, o Uzumaki já havia sido contratado para muitas coisas, algumas curiosas, outras que faziam completo sentido. Entretanto, em especial, tinha um perfil que sempre o procurava para seus trabalhos de espionagem: mulheres que desconfiavam da fidelidade dos maridos. E após as traições serem descobertas, o assassinato entrava em cena. Em sua carreira, ele já tirou a vida de muitas pessoas que podiam ser consideradas de alta hierarquia, mas nunca alguém que fosse assim tão publicamente conhecido e aclamado.

— Essa não é a minha única proposta — Orochimaru tornou a falar. — Na verdade, quero contratar os seus dois serviços, por isso a morte de Sakura foi importante.

Naruto suspirou mais uma vez e pediu que a conversa prosseguisse.

— Você deve ter conhecimento de que Sasuke assumiu o império mafioso de seu pai, Sakura era secretária de Uchiha Fugaku e se dispôs a ajudar o filho de seu querido ex-chefe assassinado a continuar com o legado que ele construiu. Mas não entraremos nesses assuntos, você saberá de tudo o que precisa saber neste dossiê que tem em mãos.

— E o que eu preciso saber agora, então? — investigou.

— Sasuke está sem um alguém para cuidar de sua vida pessoal, e como sabe, também sou candidato, mas as estatísticas apontam que a vitória será dele. O que eu preciso, é que você esteja ao seu lado e me reporte seus afazeres relacionados à política. Quero saber de tudo, quando ele terá entrevistas, comícios, visitas à caridade, cada pequena coisa. Vou te apresentar como alguém que poderá substituir o ofício da falecida, preciso de você lá dentro.

— Isso é bastante coisa. — Naruto olhou para a ficha, encarando os olhos estáticos na foto de Sasuke. — Por que não simplesmente matá-lo? Isso te daria vantagem imediata nas pesquisas populares.

— Seria fácil demais — debochou. — Eu preciso estar um passo à sua frente, assim conquistarei o público. Além disso, após a sua morte, não apenas a cidade será minha de forma oficial, mas também o que os Uchiha construíram com a máfia.

Naruto sempre fazia a sua lição de casa sobre conhecer seus clientes, e diante das informações que obteve ao longo de suas leituras, imediatamente compreendeu do que se tratava a rixa de Orochimaru contra Sasuke. Era uma disputa de poder, já que o homem sempre pensou que ficaria com a cadeira mais alta dentro do império Uchiha, contudo, quando o filho remanescente de Fugaku tomou as rédeas da liderança, seus planos foram por água abaixo.

— Para quando você quer o segundo serviço?

— Um mês antes da semana das eleições, talvez um pouco depois — respondeu.

Olhando para Orochimaru, ele pensou no tempo que levaria até a dita data; não tinha certeza, mas acreditava que teria de lidar com Sasuke por pelo menos cinco meses, o que era bastante para um único trabalho.

— Um milhão — o Uzumaki falou.

— Esse é o seu preço? — Ele viu uma confirmação do jovem de cabelos loiros. — Onde eu devo assinar?

Abrindo a jaqueta, Naruto viu o guarda-costas do Sannin pegar o revólver da cintura quando o seu ficou à mostra. Rolando os olhos para aquela atitude, ele pegou a pasta dentro do maior bolso interno que sua roupa tinha.

Após escrever por extenso na folha o valor que seria recebido no futuro, passou-a para Orochimaru; aguardaria até que o homem terminasse de ler as cláusulas do acordo, enquanto isso, olharia pela janela e assistiria à paisagem.

Na academia de assassinato e espionagem na qual se formou como um Pardal, não havia uma regra clara e explícita que vetava o que ele estava prestes a se propor a fazer. No entanto, era óbvio o cuidado que seria necessário para executar tal missão, afinal, qualquer deslize o levaria para a cadeia; ou pior. Pensando nas palavras de seu contratante, percebeu que não estava entrando em apenas uma cilada, mas duas. Sasuke, além de uma figura pública, era também chefe da máfia mais poderosa daquele lugar.

Observando o homem à sua frente, ele ponderou se realmente valia a pena se arriscar por todo o dinheiro que lhe seria pago no final. Não precisava passar por aquilo se não quisesse, pois nunca fora ganancioso aquele ponto. Poderia indicar colegas que fariam o trabalho a um custo bem menor e assim se livraria da possibilidade de qualquer coisa que viesse a envolver seu nome no futuro.

Porém, após pensar tanto, viu quando Orochimaru concluiu a escrita de seu nome e devolveu o contrato. Naruto estava preso às próprias cláusulas a partir dali, pois, em sua inocência ao longo dos anos, jamais acreditou que alguém chegaria a pedir por algo daquele porte, portanto,, escreveu apenas uma linha onde falava sobre a desistência do que foi previamente acordado, sendo possível somente no caso de ele correr risco de vida declarado.

Suspirando profundamente, após garantir que estava assinado, o rapaz guardou o contrato no mesmo lugar e avisou que estaria enviando uma cópia escaneada para o e-mail de Orochimaru.

— Entrarei em contato com você na próxima semana, até lá, irei me certificar que Sasuke não procure por ninguém para substituir Sakura. Seria uma pena matar mais alguém antes da hora. — Seu sorriso cínico mostrava que ele não se importaria em dar a tal ordem caso fosse preciso.

— Ficarei à espera — concordou.

— Aqui é onde você desce — Orochimaru falou, indicando a porta com a cabeça.

Naruto olhou pela janela e viu que estavam em frente ao seu hotel de hospedagem; ao menos não precisaria gastar dinheiro com um táxi para voltar, por outro lado, não gostava da ideia do homem ali sabendo onde dormia.

— Foi muito bom fazer negócio com você. Nos vemos por aí, Naruto — despediu-se.

O Uzumaki não respondeu, apenas saiu do automóvel, enfiou as mãos no bolso da jaqueta e não olhou para trás enquanto caminhava para o hall de entrada do prédio.

Ao chegar em seu quarto, soltou uma grande lufada de ar recheada de irritação e frustração. Onde ele estava com a porra da cabeça ao aceitar aquele tipo de trabalho? Deveria ter dito “não!” assim que viu a foto de Sasuke no dossiê.

Arremessando tanto o contrato quanto a pasta do Uchiha sobre a cama, Naruto invadiu o banheiro, abriu a torneira e ensopou o rosto com água, procurando acalmar seus nervos. Não entendia exatamente o porquê se sentia agitado daquela maneira; talvez soubesse que estava correndo um risco desnecessário e isso ativava seu instinto de sobrevivência; mas, se fosse ser sincero consigo, sabia que nunca deu muitos ouvidos a ele, caso contrário, não estaria levando tal vida há quase dez anos.

Trabalho era trabalho e foi com esse pensamento que ele voltou para o cômodo principal, sentou-se na cama e pegou o dossiê para ler. Tinha que conhecer ao menos o superficial da pessoa com quem possivelmente trabalharia nos próximos cinco meses. Folheando as páginas depressa, passou o olho por entre elas sem realmente absorver do conteúdo, queria somente ter noção do quanto de informações conseguiria coletar por ali; voltando para o começo, iniciou a leitura com mais atenção.

Uchiha Sasuke tinha vinte e oito anos e era líder dos Uchiha desde os seus dezessete. Após ler essa novidade, Naruto encarou a foto do rapaz, pensando que, se ele estava até aqueles dias na liderança, significava que era bem-respeitado; foi impossível não se impressionar com o fato, pois cuidar de um bando de mafiosos antes dos dezoito anos não deveria ter sido fácil, uma vez que era preciso punho firme e uma boa cabeça para comandá-los.

No pequeno resumo sobre a história de Sasuke, o Uzumaki ficou sabendo de suas aspirações quando era criança. O caçula dos Uchiha desejava ser médico desde quando cursava seu ensino médio, e já estava com praticamente tudo pronto para que fosse aos Estados Unidos com uma bolsa integral de Medicina em Harvard. Tudo parecia perfeito, até que aconteceu o pior com sua família.

No que ficou conhecida como A noite do Sharingan, os membros principais do clã Uchiha foram assassinados. Uchiha Fugaku, o líder, Uchiha Mikoto, sua esposa, Uchiha Itachi, filho mais velho do casal, e Uchiha Shisui, esposo de Itachi, foram encontrados mortos na sala de jantar da mansão, todos com um tiro no que, para os mitos da espiritualidade, seria o local de despertar do terceiro olho. Sasuke acabou sendo poupado apenas porque, naquele dia, havia ido à uma festa de aniversário de um amigo da escola, e Sakura, para sua sorte, ficou responsável por buscá-lo no horário marcado.

Quando ambos chegaram ao casarão, depararam-se com uma cena de massacre digna das piores histórias de terror já contadas. Havia pessoas mortas pelos corredores, guarda-costas e seguranças dos portões da casa da família, assim como os próprios Uchiha. Naquele dia, a vida de Sasuke teve uma reviravolta jamais imaginada por qualquer um que estava ao redor dele, afinal, o rapaz tinha todo um futuro brilhante como alguém que cursaria uma faculdade respeitada, tornando-se então um bom profissional na área que escolhera.

Naruto não precisou pensar muito para associar quem foi o mandante daquela chacina, contudo, sua cabeça não conseguiu formular como Orochimaru arquitetou tudo para que funcionasse. Mas sabia de uma coisa, seu contratante tinha dinheiro de sobra, comprar a lealdade de alguém lá dentro não seria tão difícil vindo de uma pessoa como ele; fosse à base da ameaça ou das promessas. Além disso, o seu relacionamento próximo com a família permitia que conseguisse algumas coisas que podiam tê-lo ajudado no processo.

De acordo com a biografia do homem, Sasuke não hesitou em momento nenhum sobre a decisão de tomar o seu lugar no trono vago de seu pai. Ele sabia que, depois de Itachi, uma hora o comando lhe pertenceria; havia chegado apenas um pouco mais cedo do que o esperado. O Sannin ainda tentou persuadi-lo para que fosse começar e concluir sua graduação, era uma oportunidade única, e quando tudo fosse finalizado, seu lugar de direito seria devolvido. Contudo, aquilo não convenceu o jovem.

Como anexo àquela parte, havia várias fotos tanto de Sasuke quanto de sua família. Naruto observou os traços bonitos que todos eles tinham, reconhecendo pela legenda quem era quem, o que não era realmente necessário, pois distinguindo somente aquele que era sua missão, os outros eram facilmente identificáveis.

Em uma das fotos posteriores, ele deparou-se com algumas da cena do crime, todas marcadas com um grande carimbo que dizia “Confidencial, arquivo policial”. Inspirando profundamente, procurou não se atentar aos detalhes de nada do que foi fotografado. Apesar de lidar com a vida e morte de muitas pessoas, o Uzumaki não era mórbido ao ponto de admirá-la em imagens.

Ainda contando a trajetória do jovem Uchiha, havia recortes de jornais sobre o dia do massacre, assim como o fato de que as investigações nunca chegaram a um suspeito que realmente pudesse estar ligado diretamente ao crime. Naruto admitiu que os métodos de Orochimaru eram bons, pois não ser pego após algo tão grande era um feito e tanto. No meio das notícias impressas, também falavam sobre a candidatura de Sasuke à prefeitura.

Dentre todas as fotos tiradas pela imprensa, o Uzumaki notou que o Uchiha era realmente alguém amado pelo público, além de que ele próprio parecia alguém digno desse amor; apesar de ter os olhos gelados, seu sorriso era caloroso. Pensando por aquele lado, Naruto decidiu ver alguns vídeos de entrevistas do rapaz, conhecê-lo um pouco mais ajudaria no seu processo de espionagem.

Quando começou a pesquisar, as primeiras notícias que encontrou foi sobre a morte de Sakura. Ainda que não gostasse muito de ver a repercussão de seus trabalhos, abriu uma matéria ou outra para ler o que diziam a respeito do acontecido, deparando-se com vários questionamentos a respeito dos motivos para a mulher ter se suicidado. Diante disso, vários sites faziam menções ao fato de que a depressão podia estar escondida nos sorrisos de muitas pessoas e seguiam com uma longa dissertação sobre esta ser a doença do século.

Enquanto lia, ele também descobriu que quem a encontrou na casa foi sua noiva, Yamanaka Ino, e sobre ela, sabia-se apenas que estava ficando na casa de seus pais após o falecimento da Haruno.

Ao longo de uma semana para a outra, Naruto dedicou-se a estudar sobre a vida de seu alvo, usando tanto o dossiê quanto às informações encontradas pelas mídias sociais, sua bagagem foi crescendo à medida que os dias passavam. Em todo o tempo que tinha de experiência nessa carreira, essa era a primeira vez que estaria realizando um trabalho tão longo e, de qualquer ângulo que se olhasse, complexo. Suas atuações como espião quase nunca aconteciam frente a frente com o investigado, logo, passar tantos meses ao lado do Uchiha seria um verdadeiro desafio.

Durante os dias em que aguardou pelo contato de Orochimaru, Naruto também aprendeu sobre a pequena história que contaria a respeito de sua proximidade com ele. Na versão que diriam, o Uzumaki havia sido escolhido em uma seletiva na mesma época em que o atual secretário de seu cliente foi eleito. No entanto, apesar de sua seleção, a posição não pôde ser ocupada devido sua necessidade de viajar para o exterior, a fim de cuidar dos seus pais idosos. Já livre da responsabilidade, pois os dois teriam falecido no ano anterior, ele estava de volta à Konoha em boa hora para executar aquilo que sua profissão pedia. Era uma história simples, mas que podia funcionar muito bem no contexto em que estavam utilizando-a.

O contato aconteceu somente no domingo à noite. Nas mensagens que trocaram, o contratante avisou que tudo já estava arquitetado para que Naruto fosse apresentado a Sasuke em um encontro que aconteceria às duas da tarde, na mansão Uchiha. A limusine passaria para buscá-lo no hotel ao meio-dia, pois a residência do alvo não ficava nas proximidades. O Sannin também complementou dizendo que já havia sido separada uma mala com roupas para que usasse em seus dias de trabalho. Mais uma vez o Uzumaki notou seu próprio desconforto ao perceber que aquele homem parecia ter informações demais suas.

Usando de uma falsa modéstia, no dia seguinte, Naruto não levou sua mala consigo quando desceu para o hall do hotel, a fim de esperar pela chegada de seu cliente. Apesar de saber que seu contrato estava quase certo, não queria soar como alguém prepotente em frente a Sasuke, já demonstrando estar pronto para se instalar em sua casa. Sabendo que causar uma boa primeira impressão seria de extrema importância, afinal, neste momento de fragilidade, o Uchiha com certeza faria comparações entre sua antiga empregada e aquele que estava aparecendo à sua frente para assumir sua posição.

Orochimaru estava usando um terno branco e uma gravata roxa e só após adentrar o carro extravagante, Naruto olhou-o nos olhos e o cumprimentou. Aquele parecia seu tom de roupa favorito, já que também fora usado no mesmo dia em que tiveram o primeiro contato via vídeo chamada. Suas vestimentas deixavam-no com a aparência doentia, a de alguém que lutava contra algo que o consumia de dentro para fora, porém o Uzumaki não sabia se era uma doença ou apenas o mal apresentando-se de alguma maneira; qualquer uma que fosse a alternativa, não era de seu agrado.

Naruto sentia-se nu sem sua arma, mas preferiu que assim fosse. Sabia que no emprego em que ingressaria precisaria usá-la, no entanto, acreditou que não seria visto com bons olhos se entrasse na mansão Uchiha portando um revólver. Todavia, estar dentro do carro com aquele sujeito e seus dois parceiros, sem algo que pudesse fazê-lo lutar por sua vida além dos punhos, era uma ideia horrorosa demais para que continuasse pensando a respeito.

O Uzumaki não sabia dizer se o silêncio dentro da limusine era melhor do que qualquer conversa que pudesse vir a ter com o Sannin. Enquanto mantinha os olhos fixos na paisagem que passava depressa através do vidro do carro, Naruto sentia o olhar dos outros fixos sobre si, contudo, tentou com bastante afinco ignorá-los para que não chegasse ao seu destino com a bile alcançando-lhe a garganta.

Quando seus orbes avistaram os enormes portões de ferro, os quais completavam o cerco do grande muro que rodeava a propriedade do Uchiha, Naruto ficou encantado com a imponência da residência. O carro fez uma pausa, à espera de que a entrada fosse liberada, e ele observou que todo o lugar era ladeado por área verde, com um caminho de pedra pelo qual seguiam para chegar à entrada do casarão.

A fachada da mansão era muito semelhante à dos templos da Grécia antiga, com altas colunas de granito claro que continham bonitos detalhes em dourado nos pés e no encontro com o teto. No meio das duas hastes principais, estava uma enorme porta fechada de carvalho maciço, onde havia um homem de terno com arma em punho de cada lado.

Aos pés do meio-fio da escada a qual o veículo estacionou, a porta do automóvel foi aberta por alguém do lado de fora. O homem ao lado de Orochimaru foi o primeiro a sair, sendo seguido pelo Sannin, seu outro acompanhante e Naruto por último.

Orochimaru malmente prestou qualquer cumprimento ao funcionário que estava ali de pé — segurando a porta do carro —, seguindo com o queixo erguido escada acima, rumando de encontro a entrada principal do lugar. Naruto fez um simples aceno com a cabeça para o rapaz ao seu lado, notando brevemente o distinto rabo de cavalo que adornava seus cabelos escuros como penteado; um cigarro queimando também se encontrava pendurado entre seus lábios.

O Uzumaki seguiu os homens além das portas de entrada, tendo pouco tempo para admirar o ambiente que entrou, acompanhou o grupo por um corredor à esquerda. Toda a casa parecia silenciosa, fazendo com que ele se perguntasse se não seria solitário morar ali sozinho. Durante sua pesquisa e leitura do dossiê que recebeu, não havia nenhuma notícia afirmativa sobre Sasuke ter algum tipo de relacionamento romântico. Ainda que houvesse uma vasta quantidade de empregados e membros da máfia morando ali, não era a mesma coisa que estar acompanhado por alguém que se amava de maneira romântica.

De pé ao lado da última porta no corredor, estava um ruivo de — julgando pela sua estrutura física — pelo menos dois metros de altura. O homem cumprimentou Orochimaru com um menear de cabeça, logo batendo duas vezes à porta para anunciar a chegada dos convidados esperados.

O próprio Uchiha abriu a porta, dando liberdade para que adentrassem seu escritório, e antes de cumprimentar os presentes, seus olhos buscaram pelos do desconhecido. Ao retribuir, Naruto sentiu-se engolido por aquela imensidade de negro: era um céu noturno completamente sem estrelas, detentor de uma camada acentuada de algo que ele não soube identificar do que se tratava; podia jurar que sua alma foi vista e despida por aquelas íris.

— Olá, tio — Sasuke cumprimentou Orochimaru, desviando o foco de seu olhar para o parente.

O Uzumaki sentiu seu coração disparar ao escutar a fala alheia. Aquela informação, uma tão importante, não estava em qualquer lugar das páginas da web pelas quais passou, muito menos no dossiê entregue pelo próprio Sannin. Engolindo com certa dificuldade, ele amaldiçoou seu cliente por esconder algo de suma importância, também não compreendendo como os tabloides não traziam tal fato à tona. Afinal, era uma disputa familiar acontecendo pela prefeitura, na qual o sobrinho estava vencendo o próprio tio. Onde haveria sensacionalismo mais recheado de possíveis intrigas do que aquele?

Passado o choque inicial, ele pôde aproveitar do tom grave que ouviu durante toda a semana por meio de seus fones, porém, no momento, ao vivo. Sasuke possuía uma voz distinta, que condizia perfeitamente com sua aparência séria — tão diferente da persona apresentada ao público, uma sorridente e festiva, cheia de calor humano para distribuir aos cidadãos. Vestindo uma calça social preta, junto de uma blusa de botões leve e branca, ele tinha uma postura ereta e confiante, além de parecer um pouco mais alto do que aquilo que constava em sua ficha.

— Sentem-se — Sasuke os convidou, caminhando para acomodar-se na cadeira atrás da mesa.

Foi nesse momento que Naruto percebeu estar somente eles três na sala, os acompanhantes de Orochimaru e a pessoa que os recepcionou na entrada haviam ficado do outro lado da porta.

— Este é Uzumaki Naruto — o Sannin começou, apontando para o citado com a palma aberta. — Creio ser a pessoa certa para ocupar o lugar vago deixado por Sakura, infelizmente. — Seu tom de voz era lamentoso.

— Muito obrigado pela indicação. — Sasuke inclinou a cabeça em um agradecimento sutil. — É um prazer finalmente conhecê-lo, Naruto. Meu tio vem falando muito bem de você — falou diretamente com o rapaz.

— O prazer é todo meu, senhor Uchiha — respondeu. — E sinto muito pela sua perda repentina. Pelas fotos e notícias que vi, ela parecia uma pessoa incrível. — A mentira saiu fácil pelos seus lábios, com zero resquício de qualquer sentimento de culpa ou seus semelhantes.

— Obrigado. — Ele fez o mesmo aceno que para Orochimaru. — Sakura era realmente uma mulher e tanto. Foi secretária do meu pai antes de trabalhar comigo, sabia exatamente o que fazer e quando, nunca tive qualquer problema com ela ao meu lado. — O timbre pesaroso mostrava o quanto o falecimento da Haruno estava sendo sentido.

— Tenho certeza de que ele não será insuficiente nesses quesitos — o Sannin comentou.

— Apenas o tempo nos dirá com certeza — rebateu. — Tio, se não se importar, gostaria de conversar com o Naruto a sós, por favor — pediu, apesar de supostamente deixar a escolha nas mãos do outro, estava implícito aquilo que deveria ser feito por ele.

— Está bem. — Levantou-se. — Estarei em meus aposentos caso precise de algo.

— Mandarei chamá-lo se surgir qualquer coisa. Obrigado pela disposição.

Naruto absorveu a educação de Sasuke, conseguindo entender um pouco do porquê as pessoas o seguiam como líder da máfia Uchiha. Ainda que seu comportamento fosse suave, a intensidade em seu olhar dizia tudo o que era necessário saber; ele não precisava puxar o gatilho de uma arma ou falar alto para impor algum respeito.

Sasuke acompanhou Orochimaru com os olhos, até que ele alcançou a porta e deixou os dois remanescentes a sós.

— Eu sinto muito pelos seus pais — falou, voltando a encarar Naruto.

— Obrigado — respondeu em tom ameno. De fato, essa era a única parte verdadeira na história proposta por seu contratante, ainda que seus pais estivessem mortos por outros motivos que não a velhice. — Aconteceu há um tempo considerável, estou bem agora.

— Claro. — Ele adotou uma postura um pouco mais relaxada na cadeira, enquanto ainda mantinha os olhos sobre o outro. — Você voltou à Konoha há muito tempo?

— Não, estou aqui há apenas algumas semanas. O senhor Orochimaru entrou em contato comigo logo quando soube do acontecido — contou. — Mas estou surpreso que ele seja seu parente, nem quando nos conhecemos anteriormente isso foi mencionado. — Aproveitando-se da deixa, mencionou a descoberta.

— Não somos parentes de sangue, se é a isso que se refere. O meu avô, Uchiha Madara, o adotou quando ele ainda era uma criança. Apesar da falta do nosso sobrenome, ele é da família — Sasuke explicou.

Aquilo deixava as coisas um pouco mais claras para o entendimento de Naruto, que apenas concordou e acenou em resposta ao que escutou.

— Voltando ao porquê de você estar aqui, imagino que saiba usar uma arma, não é? — o Uchiha tornou a falar.

— Sei, sim, senhor. Principalmente as de longa distância — enfatizou.

— Ótimo. E sobre lutas corporais? — investigou.

— Sou bem apossado sobre defesa pessoal, mesmo enquanto estive cuidando de meus pais, frequentei algumas academias para não perder a prática.

Naruto pensou em Sakura, dando-se conta de que, mesmo com toda a delicadeza que aparentava ter enquanto desfilava com classe admirando as vitrines das lojas, a mulher ainda era a secretária de uma pessoa perigosa. Logo, com toda a certeza, ela deveria saber se defender caso sua vida fosse posta em perigo fisicamente. Olhando para Sasuke, sua mente divagou sobre as suas habilidades, podendo notar que o rapaz não emanava qualquer aura assustadora devido aos seus poderes sobre as pessoas que comandava; isso denominava-o como alguém ainda mais ameaçador do que o Uzumaki conjecturava vagamente. Ele tinha medo daqueles que aparentavam inocência, coisa que poderia pontuar sobre sua própria existência.

Novamente ele fixou seu pensamento no contrato e no quanto sua vida poderia estar correndo perigo a partir de então. A pessoa à sua frente certamente deveria ter feito uma breve pesquisa sobre seus antepassados antes de aceitá-lo dentro de sua casa, e considerado tê-lo ao lado como alguém importante em seu dia a dia. Sobre isso, a empresa de Pardais era muito bem-estruturada, mas ele ainda sentiu um leve frio na barriga ao pensar nas possibilidades das descobertas que o Uchiha poderia fazer, visto que seu arsenal de investigação era muito maior do que o do público geral.

— Antes de fecharmos algum contrato definitivo, gostaria que passasse por um período de testes, tudo bem? — Sasuke pontuou. — Acredito que será bom para nós dois. Você conhecerá a minha rotina, assim como vou poder conhecer seu ritmo de trabalho. Caso a nossa dinâmica não se alinhe, agradecerei sua disponibilidade por tentar.

— Parece ótimo para mim que seja dessa maneira — Naruto concordou, sabendo que precisaria se esforçar para entrar nos moldes esperados pelo Uchiha.

— Fico contente. — A sombra de um sorriso perpassou por seus lábios. — Pedirei que o Shikamaru o acompanhe até o seu quarto, ele irá te passar os instrumentos necessários para que sua parte seja feita. — Buscando por seu celular no bolso da calça, enviou uma mensagem para a pessoa citada.

Aproveitando para observar os arredores do ambiente em que estava, o Uzumaki notou as várias estantes e prateleiras repletas de livros, algumas pequenas esculturas e vasos de flores, assim como quadros de membros da família Uchiha pendurados ao longo das paredes. Havia, além das duas cadeiras em frente à mesa, quatro poltronas cercando uma mesinha de centro, além de um pequeno bar no canto esquerdo do cômodo. À meia luz que iluminava o escritório, tudo parecia chique, sendo também, extremamente aconchegante e confortável.

As batidas à porta chamaram a atenção dos dois homens, e com uma sentença de Sasuke, quem adentrou o escritório foi a mesma pessoa que recepcionou o pequeno grupo ao qual Naruto fez parte quando chegou à mansão.

— Leve o Naruto até o quarto que preparamos — falou. — E lhe explique um pouco do funcionamento tanto da mansão quanto da rotina de seu trabalho, por favor — pediu.

— Está bem, senhor — concordou, logo movendo seus olhos para o Uzumaki.

— Obrigado, senhor Uchiha, espero que possamos trabalhar juntos — Naruto aproveitou para dizer, recebendo um simples e curto sorriso como resposta.

Eles voltaram pelo mesmo longo corredor, logo subindo a escadaria principal em seus dois lances, virando à direita para chegar ao quarto que viria a ser do Uzumaki. Enquanto caminhava pelo largo corredor até alcançar o cômodo, o rapaz dos cabelos loiros manteve os olhos nas grandes janelas abertas, admirando a vista que se tinha para todo o vasto jardim arborizado e florido da mansão. Com o céu claro brilhando acima de tudo, era uma paisagem espetacular, a brisa fresca também poderia ser muito bem aproveitada em um momento de lazer.

Quando adentraram o quarto, havia, sobre a cama, alguns itens que deveriam ser usados por Naruto para trabalhar. O IPad e o MacBook foram os primeiros a serem localizados por ele, seguido de uma pistola, um celular e um cartão de crédito em nome de Sasuke. Esse último fez com que um vinco crescesse entre suas sobrancelhas, mas antes que pudesse questionar sobre qualquer coisa, Shikamaru aproximou-se para começar sua explicação a respeito de cada um deles.

— Sou Nara Shikamaru — ele apresentou-se. — O senhor Uchiha não vem trabalhando fora da mansão desde o acontecido com a senhorita Haruno, então talvez você tenha um pouquinho de trabalho para colocar sua agenda em ordem para a próxima semana — contou, pegando o IPad. — Aqui você pode ver os e-mails e convocações que são tanto partidárias quanto relacionadas aos grupos mafiosos que fazem parte da rede de contato dos Uchiha. — Passando o aparelho para a mão de Naruto, mostrou onde cada uma das coisas poderia ser vista com rapidez, desde o calendário até o bloco de notas.

— Eu posso dar uma volta nas anotações da senhorita Sakura para tentar entender como ela fazia funcionar? — perguntou.

— Fique à vontade, está tudo aí. — Ele deu de ombros. — Você faz contato pelo celular que está ali na cama. Todos os números importantes já estão registrados, e aqueles que precisarem ser adicionados serão recebidos através de algum e-mail, ou por ordem direta do senhor Uchiha.

— E o cartão de crédito?

— É para hospedagens, passagens aéreas, presentes, em sua maioria, qualquer coisa que seja de uso pessoal dele. Você pode usá-lo também, apenas não abuse — advertiu. — O notebook é para produção de relatórios, envio de e-mails mais enfáticos e elaborados, mas você pode usá-lo da maneira que quiser, mesmo além do trabalho, caso não tenha o seu. — Enfiou as mãos nos bolsos da calça. — Alguma dúvida?

— Não, acredito que consigo me virar.

— Quer dar uma volta pela mansão para conhecer o ambiente?

— Estou bem, vou vasculhar um pouco das coisas deixadas por Sakura, posso conhecer a casa depois. Obrigado, senhor Nara.

— Não há de quê, mas você não precisa me chamar de senhor, apenas pelo primeiro nome. — Ele sorriu levemente, logo olhando para o relógio em seu punho. — São três e meia, o nosso jantar é às sete, a mesa fica no primeiro andar, à direita, não é difícil de encontrar, basta seguir o cheiro da comida. A cozinha é livre para quando quiser fazer alguma refeição fora de hora. E atrás daquela porta fica o banheiro. — Apontou para o fundo do quarto.

— Certo, obrigado.

— Tem o meu número no celular, pode entrar em contato caso precise de algum auxílio extra — falou, segurava a maçaneta da porta com intenção de sair.

— Obrigado — Naruto agradeceu uma última vez antes de ser deixado sozinho.

Depois que a porta se fechou, ele aguardou por alguns segundos, a fim de ter certeza de que Shikamaru não voltaria por ter se esquecido de alguma instrução, e só então começou a vasculhar os móveis do local.

Encontrou, dentro do guarda-roupa, diversas peças de terno preto — pensou que foi sobre isso que Orochimaru se referiu quando avisou a respeito da separação de suas vestimentas. Havia distribuído entre três gavetas, meias, cuecas, toalhas e peças mais leves para dormir. Em outras partes do móvel, descobriu haver sapatos, além de roupas para o dia a dia.

Havia uma pequena mesa com uma cadeira ao lado da cama, e sobre o tampo de mogno estavam alguns materiais de papelaria, desde cadernos, blocos de notas, canetas variadas, marcadores e hidrocores; além de outros itens que Naruto não tinha muita certeza se precisaria usar um dia. Na gaveta da mesa encontrou a caixa do revólver e dentro algumas munições. Também ficou feliz em ver que uma simples estante com alguns livros fazia parte da decoração de tudo, junto de uma poltrona de couro ao lado dela.

Satisfeito com o que viu rapidamente no ambiente, abrindo a janela, apoiou-se sobre seu parapeito e desfrutou da brisa fresca que vinha dos arvoredos ao redor da propriedade. Movendo-se então para dentro da suíte, viu alguns materiais de higiene simples, com aromas diversos, mas que agradaram seu olfato. Embaixo do armário havia uma pequena caixa de primeiros-socorros; fazendo o que faziam naquela residência, aquele era um item indispensável. Ao contrário da falta de surpresa que a maleta médica lhe causou, espantou-se ao deparar-se com uma banheira no cômodo.

De volta à área principal, sentou-se na cama e pegou a arma, verificou seu tambor e encontrando-o completo, aproveitou para experimentar o peso nas mãos. Quando estava para colocá-la em sua cintura, ouviu dois toques à porta, segurando involuntariamente o revólver com mais firmeza, viu a maçaneta girar e o vulto pálido de Orochimaru fazer sua entrada; como sempre, vinha acompanhado de seu guarda-costas. Ainda que fosse uma pessoa parcialmente conhecida, sua tensão não diminuiu.

— Ora, já está de brinquedo novo? — o Sannin zombou, recostando-se na porta fechada.

Naruto engoliu as verdadeiras palavras que queria dizer antes de finalmente soltar a pergunta que lhe consumia a mente.

— Por que não me disse que Sasuke era seu sobrinho? — Sua frase saiu entre os dentes cerrados.

— E estragar a surpresa da novidade? Não, não, não é assim que as coisas funcionam — respondeu com um tom risonho, começando a caminhar devagar pelo ambiente. — Eu queria ver a sua expressão na hora da descoberta.

— Você mandou matar sua própria família! — Naruto expressou com a voz baixa, mas carregada de um sentimento que não conseguia distinguir qual era.

Orochimaru fez apenas um movimento quase imperceptível com a cabeça, e o Uzumaki não teve tempo de reagir quando foi atingido na face por um pesado tapa. Levantando-se de vez de onde se sentava, a arma antes em sua cintura logo estava erguida à frente de seu rosto, firmemente apontada para a pessoa que lhe atingiu; assim como ele também via o buraco do cano que estava sendo apontado em sua direção. Sua bochecha queimava, além de não precisar ver para saber que tinha as marcas dos dedos alheios em sua pele.

— Abaixe isso! — Orochimaru ditou com grosseria. — E preste bem atenção como fala comigo! — finalizou no mesmo tom e ali Naruto percebeu a diferença entre os dois parentes: Orochimaru gostava de mostrar sua superioridade através da força bruta. — Desde quando você, sendo o que é, se importa com o fato de quem manda matar um parente ou não? — cuspiu, olhando para o Uzumaki com os olhos cerrados. Quando não recebeu nenhuma resposta, suspirou. — Abaixem suas armas, os dois — ditou.

— As minhas morais não te interessam — respondeu, desta vez, olhando para seu contratante.

— Não quero ser seu inimigo, Naruto. Muito pelo contrário, afinal, precisarei dos seus relatórios e serviços — expressou com a voz mansa. — Tive os meus motivos para fazer o que fiz, assim como tenho para o que estou te pagando para que faça, e isso é tudo o que você precisa saber. Precisamos trabalhar juntos, então, eu espero que esta tenha sido a primeira e última vez que te vi apontando uma arma para um dos meus homens.

— Diga para eles manterem suas mãos longe de mim e realmente será — pontuou firmemente, colocando a pistola em sua cintura depois de ver a mesma movimentação vinda do outro.

— De qualquer forma, Naruto, vamos voltar ao nosso contrato, pois foi disso que vim falar com você. Nós iremos nos comunicar de duas maneiras, pessoalmente e por e-mail. Não costumo visitar meu sobrinho frequentemente, logo não quero causar qualquer suspeita mudando isso de maneira drástica. Se possível, eu gostaria de saber de seus compromissos com quinze dias de antecedência.

— Ainda não sei como a agenda do Sasuke funciona, não tive tempo de olhar. Avisarei qual será o melhor a se fazer.

— Então aguardarei sua resposta — Orochimaru concordou com o proposto.

Naruto apenas acenou diante do que escutou, deixando que o silêncio reinasse entre eles. O Sannin entendeu o recado, despedindo-se do rapaz, não sem antes deixar claro que em breve estariam se encontrando. Quando a porta se fechou novamente, o Uzumaki soltou um palavrão recheado de raiva mal escondida, levando a mão ao rosto para acariciar a maçã ardida. Se estivesse em outro ambiente e aquelas fossem outras pessoas, talvez ele não tivesse sido tão racional ao levantar a arma, o dedo apenas escorregaria no gatilho.

Deixando que um suspiro frustrado escorresse de seus lábios, ele decidiu pegar o IPad para procurar por alguma coisa que fosse interessante de se saber a respeito do trabalho que deveria exercer a partir dali. Ao abrir o bloco de anotação, deparou-se com diversas páginas bem-organizadas. Sakura costumava dividir os afazeres de Sasuke usando marcadores de cores para legendá-los, seguido dos mais importantes àqueles que poderiam ser deixados para depois. Isso facilitava em muito o entendimento daquilo que Naruto precisava aprender.

Olhando para a hora marcada em um relógio sobre a mesinha de cabeceira, viu que ainda tinha um bom tempo até que o jantar fosse servido. Não sentia qualquer fome ainda, então pensou que já deveria começar com as confirmações dos compromissos do Uchiha para aquela semana e a próxima. Sendo assim, sentou-se à mesa, buscou por caneta e papel, começando a abrir os e-mails acumulados para fazer suas seleções e distribuições ao longo dos dias, seguindo o mesmo padrão que a falecida secretária manteve em seus anos de atividade.

A lâmpada de mesa já estava ligada e a claridade do sol havia sido substituída pelo brilho intenso da lua quando Naruto fez uma pausa. Erguendo os braços acima da cabeça, inspirou profundamente antes de encarar o relógio e descobrir que passava das seis horas da noite. Havia feito bastante progresso em suas anotações, conseguindo distribuir, ao menos em sua visão, muito bem os afazeres de Sasuke ao longo da semana.

Não havia nada referente a encontros políticos públicos nos próximos dias, mas eles deveriam fazer uma visita importante a um grupo subordinado aos Uchiha, nomeados de Akatsuki. Naruto, para suprir sua curiosidade, pesquisou sobre eles nas pastas que encontrou no MacBook. Seu líder, uma pessoa que usava o codinome de Pain, havia feito algumas encomendas para a fábrica de armamentos regida pelos Uchiha, no entanto, seu pagamento nunca foi realizado, apesar da entrega daquilo que foi solicitado.

A máfia era um submundo do qual ele tinha pouco conhecimento, tanto de suas regras quanto de seu funcionamento, e pelo pouco que leu enquanto organizava o dia a dia de Sasuke, não teve muita certeza se queria descobrir mais do que sabia.

Depois de tomar um breve banho e vestir um dos ternos dispostos no guarda-roupa, Naruto desceu para procurar pela área de jantar, local que não teve muita dificuldade para encontrar, já que o burburinho que havia à mesa fez o favor de guiá-lo até lá. Ao alcançar o ambiente, foi o centro das atenções por alguns segundos, até que Sasuke o convidou a sentar-se em uma cadeira próximo à que ele próprio ocupava.

Pedindo silêncio para os presentes, o Uchiha apresentou aqueles que aguardavam pela refeição. O ruivo de dois metros chamava-se Juugo, sendo ele o líder dos seguranças. Karin, outra ruiva que usava óculos de armação vermelha, era a responsável pelo almoxarifado, controlando tanto a entrada quanto a saída dos produtos pedidos pelas máfias subordinadas. Yakushi Kabuto era o principal médico responsável da casa, tendo como assistente, Shizune. Naruto descobriu que aquele que estapeou sua face tinha o apelido de Killer Bee, e o outro acompanhante de Orochimaru chamava-se Sai, seu secretário. Além deles, havia o já apresentado Shikamaru, responsável pelo desenvolvimento de tecnologias gerais.

Quando as devidas apresentações foram feitas e a refeição servida, Naruto observou a interação das pessoas que estavam à mesa. O clima era leve, todos conversavam entre si, e uma vez ou outra ele era posto como centro dos assuntos, sendo questionado a respeito de sua vida pessoal. Apesar de omitir coisas o suficiente, tentava ser sincero em algumas explicações, caso contrário poderia ser difícil se lembrar de todas as mentiras que contou, onde, se tal cenário acontecesse, o colocaria em sérios problemas no futuro.

Estar ali, no meio de todos, era estranho. Pela primeira vez, estava tendo contato direto com as pessoas as quais ele tirou alguém importante. Normalmente, após finalizar seus trabalhos, não havia qualquer interação posterior com seus clientes ou os parentes dos falecidos, apenas o recebimento do pagamento acordado, que nem precisava ser feito pessoalmente. Contudo, ele estava, não apenas comendo, rindo e bebendo com os amigos de Sakura, mas também tomando seu lugar como um integrante da linha de empregados.

Optando por espantar aqueles pensamentos da sua consciência, o Uzumaki chegou a brincar consigo que, se pensasse demais a respeito, perderia o sono. O que não chegava nem perto da verdade, afinal, após tantos anos no ramo do assassinato de aluguel, encontrava-se extremamente calejado a respeito da morte e suas consequências.

Após o jantar, Shikamaru mais uma vez ofereceu a Naruto um tour pela casa, dessa forma, ele não ficaria perdido quando estivesse fazendo seus afazeres sem outra pessoa por perto. Ainda que um pouco relutante, o recém-chegado aceitou a gentileza. Conheceu desde a pequena biblioteca, a enfermaria, até a academia no subsolo, onde havia um bom espaço para lutas corpo a corpo. O Uzumaki apaixonou-se pelos estandes de tiro ao alvo, assim como ficou surpreso com a variedade de armas disponíveis para uso; logo entendendo que fazia sentido, já que Sasuke comandava a produção de armamento. Uma sala de música também lhe chamou a atenção, e ficou sabendo pelo Nara que Sasuke era adepto a passar algum tempo em meios aos instrumentos, especialmente o piano e o violão.

Descobriu, aos fundos da mansão, que havia alguns equipamentos para que tiros com armas de longa distância fossem praticados com pratos que eram lançados ao ar. Apesar de também haver um parecido no subsolo, ele gostava mais da ideia daquele, já que poderia testar o fato de estar em situações em que o pudessem ser comparadas com a realidade. Ali fora havia vento, por exemplo. Uma piscina também prendeu seu foco, com o azul vibrante que os azulejos por baixo da água cristalina traziam para a superfície.

Na garagem, Shikamaru apresentou os carros que normalmente eram usados por Sasuke, alguns de usos especiais para eventos exclusivos relacionados à máfia e outros apenas para política. As motos eram usadas somente pelos empregados quando assim precisassem. Naruto percebeu que o Uchiha não lhe perguntou a respeito de sua habilitação para qualquer tipo de veículo, mas logo deu de ombros ao pensamento, imaginando que, com a ficha que ele tinha em mãos a seu respeito, não precisaria perguntar sobre absolutamente nada, caso não quisesse.

Era um lugar extremamente aconchegante, com seus arredores cercados de natureza, o ar era limpo e todo o barulho que era possível ouvir do lado de fora da casa, devia-se aos pássaros e árvores. Não havia vizinhança por perto, não pelos próximos bons minutos de caminhada ou dirigindo um automóvel. Em outra situação, era um bom local para que um corpo ficasse desaparecido por longos dias sem que fosse notada a sua falta.

Por volta das dez horas da noite, Naruto puxou a poltrona que estava ao lado da estante e a colocou de frente para sua janela, segurando uma xícara de chá gelado que pediu a Chiyo, a doce senhora que era cozinheira-chefe da casa. De onde estava, tinha uma visão privilegiada da lua, por isso decidiu que, antes de puxar as cortinas para adormecer, assistiria a um pouco do céu. A noite estava límpida, pois, devido a propriedade não se encontrar tão próxima ao centro da cidade, havia pouca poluição cobrindo as estrelas. Era uma paisagem realmente agradável.

Pensando em como havia sido seu dia, ele fez algumas considerações a respeito das pessoas que conheceu. Talvez teria sido mais interessante conhecê-los em outras circunstâncias, pois todos pareciam personalidades agradáveis para se ter por perto. Pensou especialmente em Sasuke e em como faria para matá-lo, precisava de uma estratégia desde já, pois, vivendo em uma residência como aquela, seria difícil que o chefe fosse assassinado e ninguém percebesse. Veneno era a sua especialidade, sendo a melhor escolha, não tinha qualquer dúvida a respeito disso.

Em um flash de pensamento, Naruto conjecturou a respeito de sua futura coragem. Viveria sob o teto do Uchiha, seria seu companheiro em diversas horas... Diante dessa noção, esperava não criar feição sobre o homem, caso contrário, a sua própria vida seria colocada em questão. Manteria sua distância emocional o máximo que seus sentimentos permitissem, sabendo que, após tantos anos nessa vida, criar laços tornou-se algo tão supérfluo e distante de sua realidade, que, por um momento, não se reconheceu ao pensar sobre o que havia acabado de levar em consideração.

Decidindo que já era hora de repousar, fechou a janela e puxou as cortinas, levou a xícara usada de volta para a cozinha; tomou um breve banho enquanto escovava os dentes debaixo do chuveiro e pôs uma das roupas leves que encontrou nas gavetas. Colocando seu celular pessoal para despertar às seis e meia da manhã, deixou o aparelho próximo à cama.

Deitado na penumbra que a luz do abajur fazia no cômodo, Naruto manteve os olhos no teto claro, mas ao contrário do que pensou, não levou muito tempo até que adormecesse.

18 Septembre 2022 06:32:28 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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