wesleydeniel Wesley Deniel

Você já ouviu dizer que, certas coisas, depois de vistas não podem simplesmente sumir de nossa mente? Joanne Ballard buscou por informações que não deveria e isso lhe trouxera à tona fobias que sequer sabia existirem. Agora a noite e o sono tornaram-se para ela uma verdadeira maldição. Memórias traumáticas, insônia, paralisia do sono e o abrir de portas para seres saídos de mundos proibidos... Como alguém tão assombrada poderia voltar a dormir em paz outra vez?


#1 in Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans.

#angústia #escuridão #conto-curto #bizarro #pavor #pesadelos #insônia #fantasmas #tensão #sono #sonhos #agonia #suspense #Humor #Tripofobia #Paralisia-do-sono #fobias #medo #horror #terror
Histoire courte
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Durma em Paz

— Não é possível que tenha esquecido meu remédio, Randy!

Randolph Ballard olhou para a esposa com a mesma cara de cãozinho que caiu do caminhão de mudança que sempre fazia quando "mijava fora do penico", como gostava de dizer seu pai.

— Não sei o que aconteceu, Joan — começou ele, coçando a cabeça por baixo daquela cabeleireira meio grisalha de astro do rock em decadência que cultivava – contra a vontade da mulher – desde 1996 e agora era só uma maçaroca desleixada que disfarçava muito mal a calvície que avançava a galope. — Minha memória está uma merda.

— Mas você falou que poria um alarme no celular para perto da hora de sair do serviço, Randy.

— Sim — concordou o marido. — E ele tocou. Eu vi o lembrete, fui até o carro pensando nele, dirigi rumo à farmácia do Sr. Doug e vim parar aqui em casa.

— Jesus, Randolph. — Com o celular no ouvido, Joan escutava a mensagem eletrônica informando que a Healthy Life já encerrara o atendimento por hoje. — Fechada. A merda agora está fechada.

— Não sei o que dizer. Só que me desculpe, amor.

— Puta que pariu — Joan tinha o olhar de quem poderia cometer um homicídio naquele momento e Randy devia conhecê-lo bem. — Como é que eu vou dormir?!

Randy, que ultimamente fazia Joan pensar no velho Gargamel usando uma peruca barata, franziu os lábios e tentou:

— Posso preparar uma jantinha para nós. Capeletti de frango com molho branco, como você gosta. E um vinho. Uma ou duas taças, que tal? Coloco um Chianti para gelar. Aposto que te ajudará a dormir.

Duas taças, dois tonéis... Joan achou que Randy, àquela altura, já soubesse que nada nesse mundo a fazia apagar para valer – o único modo de descansar minimamente que agora conhecia – além de seu querido ‘Durma em Paz’, um manipulado natural, mas forte o suficiente para derrubar um cavalo. Que raio de papo furado era aquele de massa e Chianti?

— Tem ideia de quando tive minha última noite de sono decente? — perguntou Joan ao híbrido de molestador de Smurfs com roqueiro.

Randy tinha, mais ou menos. Pelo o que ela contara, desde o maldito dia em que decidira escrever uma noveleta sobre fobias. Joan tinha visto algumas coisas interessantes, e outras simplesmente insanas, de dar um laço de marinheiro no cérebro; porras perturbadoras de verdade!

A que definitivamente ocupava o segundo lugar das piores condições que acabara adquirindo (a primeira havia sido a somnifobia, um pavor de se deitar para dormir e nunca mais acordar, ou pior, despertar dentro de um pesadelo consciente) era a repulsiva tripofobia.

Deus quisesse que Joanne Ballard jamais tivesse buscado pela palavra no Google – mais ainda no campo de IMAGENS. A publicação para a bosta do fórum ‘Macabre Minds’ nem a pagaria tão bem assim.

A princípio vira apenas desenhos e fotos de superfícies repletas de furinhos irregulares que pouco a impressionaram: peneiras; uma esponja; uma obra de arte bizarra em argila toda esburacada; mil olhos de uma criatura pintada por um fã de Lovecraft... Então é essa a tal fobia de buracos?, ela pensou. Não é grande coisa.

Mas então os links a conduziram por caminhos mais escuros. Joan acabara se deparando com uma infinidade de fotos e matérias de cunho médico sobre feridas abertas por doenças e parasitas em animais e pessoas − a maioria eram ribeirinhos de lugares onde o termo ‘insalubre’ não poderia ser aplicado sem que ele parecesse um eufemismo ofensivo.

Aquilo, sim, a impressionara.

As mãos que vira... Santo Cristo. Um pobre gato que tivera sua órbita ocular direita reduzida a uma colmeia em que todas as larvas irrompessem de seus alvéolos ao mesmo tempo. Uma mulher indiana sofrendo similar angústia, mas em um de seus seios, e um garoto no Camboja que tinha...

Pare! Pare de pensar nisso!, Joan ordenou a si própria, mas é claro que não adiantou nada. Fazia dois meses que vinha tentando pôr a mente sob seu comando outra vez, mas não conseguia.

Na verdade, vinha piorando dia após dia. Aquilo a havia afetado em tudo, desde sua alimentação (pensar em comida a deixava nauseada, pois as horrendas imagens adoravam voltar exatamente nesses momentos tão convenientes à sua memória), até seu sono.

Antes do medo de dormir, viera o que Joan determinava ser 'A mais fodida insônia da história'. Foram noites sem pregar os olhos, só deitada na cama, no escuro, pensando em buracos.

E quando, cinco dias depois, seu corpo finalmente cedera ao cansaço, o diabo lhe apresentara à paralisia do sono. As abominações que vira naqueles breves períodos em que o Sr. Pestana deixava que dormisse, eram enlouquecedoras.

Longe de um descanso saudável, Joan apagava, acordava em sobressaltos e tornava a apagar, apenas para ser atormentada por todos os demônios do inferno – ou da porra da internet.

Bastava cochilar para, de repente, ver-se caindo no vazio, ou sendo arrastada por garras invisíveis. Certa madrugada, uma velha e uma menina entraram em seu quarto, de mãos dadas e ficaram de pé junto à cama, a observando com curiosidade, apesar de Joan não saber como faziam, já que suas visitas não tinham rostos.

Outras vezes, presenças que Joan não saberia descrever, sentavam-se sobre seu peito ou se acocoravam perto da cabeceira. Em nenhuma ocasião conseguia se mover nem gritar, por mais que ela se esforçasse.

— Não... Eu não acho que faça ideia, Randy. Mas eu vou te dizer: não tenho paz há tempo o bastante para pensar seriamente em pular de nossa sacada.

— Joan... — Randolph Ballard abaixou a cabeça. O pobre homem não era um marido ruim, sempre fazia de tudo para ela, mas não sem dar ao menos uns respingos fora do penico, toda santa vez. — Posso ir até o centro, ou à drogaria do Providence Royal, ver se encontro algo que te faça dormir...

Não. O buraco (vejam: estão em toda parte!) era mais para baixo. Ela não poderia tornar-se viciada em benzodiazepínicos ou qualquer outro calmante químico. Tivera sua cota de vícios já. Fumara feito uma condenada por quase vinte anos e enfrentara problemas com medicamentos para emagrecer que por pouco não a mataram. Encher sua cuca de mais desses lixos era a última coisa que precisava.

— Olha... Deixa pra lá — disse ela tentando conter a raiva. Entendia que não era fácil para o marido também. Explodir de novo com ele não levaria a nada. Era um tapado, mas tinha bom coração. — Só preciso ficar quieta. Minha cabeça está doendo. Amanhã pegamos o remédio, está bem?

— Sim! Vai ser a primeira coisa que farei, assim que sair cedo! Passo lá, pego, trago aqui e...

— Tá bom, Randy. Eu vou lá pro quarto.

Randolph sorriu, solícito.

— Podemos tentar uma técnica de respiração que vi outro dia num canal de yoga. Dizem que ajuda...

Mas o homem já falava com as costas dela. Joan podia estar se segurando, porém, mais uma frase de apoio a faria mesmo pular pela amurada do sétimo andar – ou lançar Randy lá para baixo.

Deitou-se. Dez minutos depois, ela acendeu o abajur sobre o criado. Virou-se para um lado, para o outro, daí desligou a luz. Tentou rezar.

Meu bom Deus, o Senhor e eu não temos nos entendido muito, sei bem disso, mas se é tão misericordioso como todo mundo fala, por favor, tire essas porcarias de minha mente.

Nada. Enquanto conversava com Deus, seu cérebro a zombava, fazendo flutuar diante dos olhos fechados um desfile de pessoas furadinhas como tampa de saleiro.

Quer saber, Senhor? Esqueça. Só me...

Então seu pensamento foi ficando mais lento, as palavras perdendo o sentido e as visões chocantes que a levavam ao mesmo tempo odiar e desejar dormir, foram desvanecendo.

Eu estou dormindo. Era estranha a maneira como Joan sabia ser uma ideia consciente e também onírica. É isso, garota... apenas... continue assim...

Ah, sensação maravilhosa! Joan se encontrava numa nuvem. Tudo no cosmo se resumia a ela e à maciez perfumada onde se esticava toda, igual a uma gata.

Bom Jesus; deixe-me aqui. Só por umas doze horas, por duas, uma que seja.

A nuvem era imaculadamente branca, como nos desenhos mais inocentes de uma criança feliz. Até que passou a um tom cinza, e sua fofura ao conforto precário de um colchão que precisa ser trocado. Conforme ela escurecia e ficava dura como o chão de uma cela, tudo ao redor era preenchido por trevas.

Foi aí que alguém disse:

— Alguns sugerem que a paralisia do sono é o mais perto que se pode chegar de uma experiência sobrenatural. — A voz que falava com Joan de algum lugar no breu que invadira seu sonho, por mais absurdo que soasse, era a de seu pai, falecido havia dez anos. — Outros vão mais longe e cogitam se não seriam de fato passagens para alguns seres adentrarem em nosso plano... Fascinante, não?

Bem, por que acharia difícil crer que seu pai também pudesse vir assombrá-la? Se parasse um pouco para pensar, estava imersa em um mar de insanidade por causa dele. Joan se tornara escritora para seguir seus passos, afinal.

— Não deveria ter me mostrado suas histórias, pai.

— Eu? — disse Edmund Clarence, saindo do vazio. Uma sombra em meio a um mundo de sombras. — Era você quem pedia para lê-las, não se lembra?

— Não. Thadd era o fanático por essas besteiras de monstros, deuses antigos e de horror cósmico...

— Os dois eram — insistiu o velho. Seus contornos deixavam Joan nervosa. Não era seu pai ali, apenas algo tentando se passar por ele, tinha certeza. — Se não gostasse também, escreveria sobre o amor, um romance de época, talvez. Podia escrever esses tais "Hot" que vendem como água, em vez de viver atrás de coisas sinistras.

Que engraçado, pensou ela; se não me engano, quando morreu nem existia essa porcaria de termo. As pessoas ainda chamavam a coisa de histórias de sacanagem.

Então, pronto: o finado pai ali com ela no escuro era mesmo fruto de sua mente combalida. Ou isso ou o mundo espiritual vinha se mantendo bastante antenado nas tendências literárias.

— Sim... Posso ver. Você adora um bom terror.

Joan quis contestá-lo, mas notou que não tinha mais uma boca para fazê-lo. Tentou abri-la, rasgá-la em um grito, mas ou estava colada ou apenas sumira. Quis erguer os braços para tocá-la, mas eles não se moveram.

Como se o piso de vazio pesadelar debaixo de Joan tivesse ganhado vida, sentiu seu corpo se mover contra sua vontade, levado para a escuridão por uma esteira que era o próprio mundo deslizando.

Formas que parodiavam seu pai passavam como borrões agora, ela se debatia igual alguém costurado dentro de um saco de farinha, e tentava gritar e berrar.

— Não devia ter-nos deixado entrar, querida — disse a coisa-pai, com carinho na voz. — Seu irmão ficará tão feliz em vê-la de novo, mas eu não aprovo.

E de onde ele está vindo? Até onde Joan sabia, Thaddaeus havia desaparecido; não ido até a sorveteria. De acordo com o que um de seus colegas lhe contara, seu irmão estava morto, embora ninguém pudesse prová-lo. Não há morte quando não há corpo, e o de Thadd jamais seria encontrado.

O tal segurança do monitoramento de câmeras do Providence Royal Mall, o que alegara num sussurro de quem já não regulava mais tão bem das ideias (nem tudo para a polícia, mas com detalhes para ela, por querer que soubesse a verdade) tê-lo visto “do outro lado”, dissera que Thadd jazia agora em um mundo além do alcance.

Tolice.

“Um lobo gigante o comeu”, dissera-lhe. “Ele morreu como um herói, Joan.”

Loucura. Pura loucura.

Era mais provável que algum desafeto dos tempos em que fora leão de chácara junto do colega maluco, o tivesse achado, matado e jogado seu corpo amarrado a um pedregulho no fundo do rio Seekonk.

Isso, claro, se o próprio Lester não o tivesse assassinado. A hipótese fora investigada à época. Ninguém em sã consciência queria acreditar na história sem cabimento que ele contara. Só não havia sido preso porque uma garota (Joan não fazia questão de lembrar o nome dela há tempos, apenas que era do sul) tão transtornada quanto o guarda de vigilância, fora sua testemunha e a polícia não conseguira outra explicação para os fatos.

Lester... Tinha demorado a tirar o nome do cara da cabeça, e agora, lá estava ele de novo, e Thadd – que ela recusava a aceitar como morto, muitas vezes se iludindo com devaneios de que o irmão apenas juntara alguns panos de bunda e caíra no mundo. E havia também seu pai, a porra do pai.

Só mesmo sua maldita paralisia do sono para fazê-la voltar a uma lembrança tão louca assim. Tinha quase um ano que tentava esquecer Thadd. Doía muito.

No entanto, e se fosse mais que isso? E se tivesse pensado tanto em coisas tão terríveis, que algo a ouvira?

Um relance do que seria seu pai agora e como a visão completa a deixaria insana caso ele decidisse sair das sombras, passou por sua mente. E ia muito além... Via ao irmão, nem vivo nem morto, uma aparição semi-devorada que vinha lhe contar com entusiasmo sobre mundos proibidos bem à vista, mas ainda assim, invisíveis.

— Você é escrava do que pensa — disse Edmund Clarence, agora um eco de dez mil vozes no vazio. — E isso, minha pequena Joan, sempre irá causar desgraças. Veja o que fez... Pode não nos desejar, mas nos convidou e abriu a porta, e agora vamos entrar. Todos nós iremos.

Thadd vai ficar exatamente onde estiver! Você também, pai. E pode dizer para qualquer um dar o fora daqui, porra!

O imperativo saíra apenas em pensamento, mas a legião de coisas-pai pareceu ouvi-la, pois passaram a sumir, uma a uma. Logo Joan estava novamente em sua cama, de olhos arregalados no escuro e sentindo poder respirar pela boca.

— Bosta... de... paralisia.

Era culpa de Randy! Precisava ter feito só uma coisinha sem cagar em tudo, e ela estaria no décimo sono agora, nocauteada feito um boxeador na lona. Idiota!

Então, como se conjurado por suas imprecações, a mão do marido pousou leve em seu ombro.

Será que gritei durante...?

Joan usava uma camisola de alcinha e aqueles dedinhos cheios de castidade de Randolph corriam por seu braço. Não era possível que ele estivesse pensando em sexo. Quer dizer que ela despertava de uma quimera envolvendo seu pai morto e o irmão desaparecido, e o griteiro que devia ter aprontado, pusera o soldadinho de Randy em prontidão?

A ideia era grotesca e o coice que daria nele se fosse isso, deixaria um hematoma; sim, o sacaninha poderia apostar!

Porém aquilo não lembrava em nada a mão de Randy; era macia demais. Joan se contraiu e, se pudesse ter se mexido, teria virado um tatu-bola. Mas não podia.

A boca, notou, sumira outra vez. Estava dormindo ainda – ou achava estar...

Um pesadelo dentro de outro, pensou, e começou a imaginar coisas medonhas quanto àquele resvalar suave de mão.

Bem, não precisara exercitar sua mente febril por muito tempo. No lugar de um correr de dedos, a mão se fechou próximo ao seu cotovelo, e era enorme – quase duas das do marido. Além disso, Randy teria de ter saído direto do chuveiro para a cama, em um acesso de luxúria nunca visto, para ter um toque molhado e pegajoso como...

Randolph?

Silêncio. Não que Joan estivesse surpresa: se fosse mesmo Randy, no mundo real, como ela achava que ele conseguiria ler seus pensamentos?

Pare agora com isso, Randolph!, Joan insistiu. Não existia mais porra nenhuma de mundo real. Desta vez, mergulhara tão fundo que agora só haveria os abismos do terror e da loucura.

A mão não era somente úmida e fria, mas também horrivelmente errada, como as que ela vira na internet. Joan sentia a ausência de carne em cada furinho daquela pele. Eram os buraquinhos, os desgraçados dos furos que a vinham empurrando ao limite, eram eles que causavam a repugnante sensação de sucção, de ventosas de polvo roçando-lhe o braço. O que estivesse ali com ela estava doente.

Você está doente, Joan.

Tentou mover o braço esquerdo para alcançar o celular, mas não pôde; ele era feito de concreto agora, ou pesava tanto quanto um. E havia outro ponto... Teria ela a coragem necessária para acender a lanterna de LED e iluminar o que se aninhava ali?

Com muito custo, Joan expulsou a possibilidade de tudo ser mais que um sonho... Rá! Sonho. Essa era boa! Aquele seria o pior pesadelo que alguém já tivera! Joan não desejava algo assim nem para Hitler, se o maníaco ainda vivesse; nem para Satã nas profundezas do inferno!

Você não está aí, projetou com a mente. É a merda de uma fobia que vou tratar; só isso. Juro que vou ligar para um psiquiatra assim que sair dessa.

Mas para um sonho, a respiração da coisa parecia verdadeira demais. Senti-la em sua nuca era como devia ser o sopro através dos lábios um cadáver. E por que não? O que fosse aquilo ali, estava para lá de morto.

Aos poucos a paralisia de Joan ia se abrandando e, com toda a força da mente, ela podia mover outra vez alguns músculos. Poucos, era verdade, nada que conseguiria livrá-la da aberração obscena que a tocava, mas seria bom acender o celular. Já não achava mais que veria algo se o fizesse.

Porque está tudo na minha cabeça.

No entanto, o braço que primeiro a obedecia era o direito. Decidida a vencer a insanidade, Joan virou o corpo um tantinho e levou a mão formigante até a companhia cheia de buracos ao seu lado.

Um de seus dedos passaram direto pelo que talvez fosse o ombro nu da coisa e entrou num dos furos. O respirar sôfrego da tripofobia era repelente; o ar saía como se por dez narinas e espirrava nela riscos de muco. Encontrou mais da nojeira no fundo do buraco, tirou a mão num tremor lento e, em vez de afastá-la, obrigou-se a voltar a explorar.

Cócegas percorriam suas costas de cima a baixo. Joan tateou a carcaça que desprendia o odor almiscarado da morte até que lhe achou a cabeça. Oh, bom Deus, em que mundo aquilo tinha recebido permissão para existir?

Joan se engasgava com a própria saliva, seu nariz estava entupido e era com estar sendo afogada num cocho de lavagem. Firmou a mão e estudou o odioso bulbo repleto de furos.

Sentiu dentes por baixo da pele de sapo quando passou os dedos por onde teria de haver uma boca, e se desesperou, tossindo para dentro, ao encontrar as órbitas dos olhos da verminosidade sem nada mais que aquele muco.

— Precisa acordar, Joan — disse a tripofobia, tentando acalmá-la. A coisa tinha a voz pachorrenta de Randy? Sim... Ela apostaria todos os calmantes do mundo naquilo. Era seu marido. — Escute-me, por favor!

Eu quero acordar! Eu quero!, pensou ela no silêncio de sua agonia. Se eu ao menos puder...

— Ah, querida... — Agora quem voltava a falar era seu pai. Estava ali também, vendo-a enlouquecer? — Você está muito além dos sonhos, e eles a ouviram. Eu a ouvi e, quanto a mim, não tem com que se preocupar, mas eles a querem. Amam seu medo.

— Jô...

Havia somente uma pessoa que a chamava assim e, por mais que ela tenha desejado vê-lo novamente, agora o horror de ouvir sua voz (ou o muxoxo ao qual regredira) a deixava aturdida.

Vá embora, Thadd. Por favor! Não você. Eu imploro, não você!

— Vamoch podeeer ficar juntooos, Jô. Eles só queeerem um pequeno xacrifixiooo...

O braço esquerdo dormente, agora era dela de novo. Joan o lançou de qualquer jeito sobre o criado, até sentir o celular. Pescou o com as varetas secas que eram seus dedos e o sacudiu para que a tela acendesse.

A luz faria tudo ficar bem de novo. Seu pai não estaria ali, Thaddaeus também não e, fosse o que fosse a tocando, iria desaparecer.

Antes de mirar a companhia na cama (Randy? Deus permitisse que fosse aquele paspalhão de coração mole! Apesar de tudo, o amava.), entretanto, outra coisa chamou sua atenção...

Uma mensagem era exibida na tela de bloqueio.

"Não quero correr o risco de te acordar, querida.

Se não me encontrar na cama, volte a descansar:

Estarei no quarto de visitas. Amo você."

Joan — disse a tripofobia. A voz era de Randy, mas ao mesmo tempo não era; não passava de um ciciar oco de um velho carrilhão de vento. — Está tudo bem. Eu estou aqui.

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Joan quando ela ativou a luz branca do aparelho e viu o que a acariciava. Vermes caíam da face arruinada, rolavam para junto dela e Joan começava a sentir pequenas picadas.

— Está tudo bem — repetiu a carne viva que a tornaria parte de si. — Não vai demorar agora.

O telefone caiu de sua mão, deixando-a no escuro com seu horror. A pele da boca de Joan enfim se rompeu numa histeria de gritos (ou talvez ela pensasse estar gritando) e ela desejou simplesmente morrer. Só que não seria tão fácil assim.

Houve um último pensamento coerente antes de despencar pelo abismo: se não seria tudo parte de um último sonho. Alguns dizem que a vida passa diante dos olhos daqueles prestes a cruzar para o outro lado, mas podia ser que fosse algo mais insidioso; visões do que estaria por vir...

Não tinha mais importância. Se não sonhava, seria comida viva, ou então, o horror daquele momento a fulminaria e a morte viria da mesma forma.

Se gritou ou não, foi por pouco tempo; os vermes logo encontraram sua garganta. O restante da noite ela passaria muda, e, se Randy, por acaso, encostasse o ouvido na porta, poderia pensar que sua Joan, graças a Deus, havia conseguido dormir em paz.

4 Octobre 2022 20:16:19 28 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Wesley Deniel Meu nome é Wesley Deniel, e tenho uma mente cheia de fantasmas. Pelos últimos 20 anos eu tenho vagado pelos recônditos mais escuros deste e de infinitos outros mundos e trazido desses lugares de insondáveis terrores os pesadelos que compõe minhas obras. Embora escreva todos os gêneros e esteja aberto a qualquer desafio, é no horror e no terror que permito que alguns desses fantasmas ganhem força o bastante para atravessar para o nosso mundo.

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TM Tyler Moore
Que bizarro man. Sem zoera, é de arrepiar só de ficar imaginando. É difícil quem não tem costume de ler conceber que uma história, um mero livro ou, como aqui no celular, possa causar tanto medo, mais pode. Eu fiquei bolado, pra valer. Ainda estou! Parabéns, isso é pra poucos!!!!
Marcelo Farnési Marcelo Farnési
Extremamente inteligente e imersivo. Aterrador. King, está orgulhoso! Parabéns!
Lucia Maria Dean Lucia Maria Dean
Que horror!!! E falo isso no melhor sentido da coisa. 😄 Pavoroso colega, dá pra ver tudo o que a pobre Joan viu e imaginar o que ela passou. Aliás, não teve como não olhar para o lado na cama, incomodada [com medo] pelo menos umas três vezes. Escolhi a hora errada pra ler. 😂 Parabéns! Mais uma história sensacional!!!

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Vou confessar algo... Às vezes, também sinto esse desconforto no escuro. No silêncio. Não por coisas que escrevo, mas por meus outros fantasmas, alguns mais reais... medos, sabe? Medos palpáveis. Um dia vou enfrentá-los e escrever sobre eles também. Obrigado por seu prestígio ! É sempre bem-vinda. 😊 1 week ago
Andros Underwood Andros Underwood
Cara que agonia!!! Esse foi pra fechar o ano com chave de medo!!! Parabéns Wesley, pelo que tenho lido você é realmente alguém ase seguir de perto como um dos grandes. Feliz ano novo e muito sucesso!!!

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Oi meu amigo ! Desculpe ter visto só hoje sua mensagem. Como sempre, a vida tem sido corrida. Nem escrever direito tenho tido muito tempo ultimamente. Escrevo no celular, para você ter uma ideia ! Já faz um bom tempo que não uso apropriadamente meu PC para escrever. Menos ainda para divulgar minhas obras. 😢 Mas fico contente que o último friozinho na espinha de seu 2022 tenha sido com meu conto. Na verdade fico mais que honrado ! Espero que tenha passado bem e que seu 2023 seja repleto de alegrias e realizações ! Para você e todos os seus. Esteja em paz. 🙏🏻 Ah ! E pode ficar tranquilo, pois tenho muita coisa para publicar este ano ! 🥰 2 weeks ago
Allan Morgue Allan Morgue
Grotescamente perturbador, companheiro! Não que com esse título e capa eu não tivesse vindo preparado pra algo assim. Mais não tão sinistro! Muito muito muito bom! Bem escrito, pensado e gostoso de se ler, mesmo sabendo que terei pesadelos depois kakakaka Parabéns!!!
December 16, 2022, 11:07

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Meu caro Allan ! Pesadelos, never more ! 😄 Que bom que gostou ! Esse foi bizarro mesmo. Até eu fiquei meio zoado escrevendo, e não me atrevi a fazer pesquisa nenhuma de imagens para ele. Infelizmente já vi certas coisas que serviram para compô-lo que até hoje me deixam arrepiado. 😨 Grande abraço ! 2 weeks ago
Gi Rivera Gi Rivera
Aí, essa aqui eu vou seguir mais vou ler de dia. Já chega de seus terrores por hoje senão não durmo rsrsrsrs Quando tiver lido venho aqui comentar.
December 04, 2022, 05:40

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Olá ! Hehehe É melhor deixá-lo para durante o dia mesmo. 😄 Ficarei feliz com suas impressões, estarei aqui, em meu gabinete de horrores, aguardando. Esteja em paz. 🙏🏻 2 weeks ago
Joaquin Fleck Joaquin Fleck
Pior que vi todas essas coisas horríveis. Tenho a imaginação fértil hahaha e também sinto um pavor terrível de paralisia do sono. Eu ainda tenho de vez em quando, tinha mais de primeiro mais as vezes acabo tendo e é bem isso tudo mesmo que escreveu! Você tem? Tomara que nao. Wesley, fiquei com uma dúvida...... A personagem vê o irmão em seu pesadelo e a história dele é aprofundada. Ele seria de outra história sua? Pois sei que lida com um universo compartilhado. Se sim, qual? Eu gostaria de ler. Sucesso amigo!
December 03, 2022, 08:12

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Oi Joaquin ! Então, cara, eu tive isso quando era mais novo, e foi pavoroso. Os outros horrores vieram de coisas que acabei topando durante pesquisas para escrita. Quanto a Thaddaeus, o irmão de Joan, você está realmente certo. Ele é um dos protagonistas de uma novela minha que não publiquei aqui ainda, chamada "Monitoramento". Eu logo devo publicá-la, se Deus quiser. Ela trata sobre horror cósmico e universos paralelos e é bem mais longa que este conto, é como minhas outras novelas, mais complexa. Eu pensei nesse estranhamento quando postei esse conto, porque o natural seria "Monitoramento" vir primeiro, para que quem lesse esta aqui, talvez apanhasse a referência, mas a novela ainda não está terminada. 😕 Mas prometo que logo poderá conhecer Thadd e seu amigo Lester em Monitoramento ! Abração, e muito obrigado pela força ! December 03, 2022, 10:43
Rodolfo Draco Rodolfo Draco
Pronto! Foi-se minha noite de sono. 😂 Muito obrigado pelos pesadelos que terei kkkk Sério agora, parabéns! Você conseguiu fazer as imagens e sensações penetrarem fundo em minha mente. Escrita de primeira! Li esta e estou acompanhando A linhagem do Lobo e já estou viciado no seu trabalho! Não vejo a hora de ler o resto. 🤩
November 29, 2022, 00:18

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Que bom vê-lo se divertindo com minhas histórias, companheiro ! É muito bem-vindo, viu ?! Espero tê-lo sempre por aqui ! 😊 December 03, 2022, 10:35
Mel Wallace Mel Wallace
Isso vai ficar na minha cabeça kkkkkkkkkkkk Muito bom, Wesley! Esse foi pavoroso. Parabéns pela criatividade e qualidade de sempre!
November 28, 2022, 15:09

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Muito obrigado ! Fico feliz em semear meus pesadelos em suas mentes ! 😄 Grande abraço ! December 03, 2022, 10:34
Anderson Ferreira Anderson Ferreira
Não devia ter lido isso antes do almoço! 😄😄 Mais melhor que antes de dormi. 😄😄 Parabéns ao autor, muito bom!!!
November 28, 2022, 14:32

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Hahahaha É boa para emagrecer ! Você lê, e fica três dias sem comer depois ! Brincadeira, amigo. Eu deveria ter deixado um aviso, né ? Mas aí estragaria a surpresa hehehe Fico feliz que tenha gostado ! Obrigado pela força. É muito bem-vindo aqui em meu velho cantinho dos horrores. Abraço ! November 28, 2022, 14:43
Nat Pickman Nat Pickman
Parabéns Wesley! Muito pouca coisa me assusta hoje em dia, mas você conseguiu fazer eu ficar com aquele sentimento esquisito de desconforto e repulsa, e digo isso da maneira mais positiva possível!!!! Ótimo conto, muito bem escrito, engraçado e angustiante. Vou recomendar!!!!
November 19, 2022, 03:54

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Pickman ! Se seu nome for do conto que estou pensando, pouca coisa deve assustá-lo mesmo ! Hahaha Que bom que gostou e que te assustei ! Estou aqui para isso: gerar pesadelos ! Hahaha Abração ! November 28, 2022, 14:45
Gael Neeson Gael Neeson
Oi Wesley!! Li essa mais cedo e vim te agradecer por acabar com meu sono! Kkkkkk Pertubadora é o mínimo. Vou ficar com as imagens que criei na cabeça por uma semana kkkkkkkk mais valeu a pena. Conto megafoda! Parabéns por essa criatividade bizarra! Já estou doido pra começar a sua continuação do fantástico nas montanhas da loucura. Se for metade do que tenho visto comentarem já será sucesso! Metade não, só um pouquinho já tá bom porque era tudo o que um fã do lovecraft podia querer, ainda mais de escritor nosso aqui. Abraço!
October 30, 2022, 07:45

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Oi Gael ! Tudo bem, companheiro ? 🙂 Hahaha Não precisa agradecer. É um prazer aterrorizá-los ! 😄 É, cara, vou te contar... Não é fácil escrever de vez em quando. Principalmente nesse gênero, que exige certas pesquisas meio punk. Pode ter certeza que eu também fico zoado um bom tempo com algumas coisas que vejo ou leio sobre. Mas, tirando a perda de apetite e fome, vale à pena ! Hahaha Poxa, eu fico honrado por saber que também está "maratonando" minhas histórias ! Acho que ficará muito empolgado com Renascido para a Loucura. É uma de minhas favoritas. Foi feita com todo carinho, e levei meses debruçado nela para que tivesse o devido respeito que um clássico como o de Lovecraft merece. Obrigado pela força ! Divirta-se, e depois, por favor, deixe uma opinião do que achou. É muito importante ouvir o que vocês têm a dizer ! Esteja em paz. 🙏🏻 November 02, 2022, 12:18
Lira Pavlova Lira Pavlova
Esse conto irá me dar pesadelos esta noite, com certeza! Você é um escritor fenomenal, eu fico boba com a facilidade que você tem para criar essas histórias cabulosas. A linguagem não é cansativa, o enredo impecável. Brilhante! Parabéns!
October 25, 2022, 11:00

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Oi Lira ! Como você está ? Muito obrigado por me honrar com seus comentários sempre tão gentis ! Espero que não tenha tido, de fato, pesadelos. Hahahaha Mas confesso que me deixa feliz saber que entrego às pessoas exatamente o esperado. 😊 O segredo, amiga, é escrever sempre o que você gostaria de ler. Nem é um conselho meu, já vem da velha guarda. Mas é incrível como funciona ! Você pensa "Ei, seria muito legal encontrar uma história com tal coisa", e então: "Se não encontrei ainda, vou escrevê-la !" É muito prazeroso e divertido escrever tudo o que esperava ver nalguma história. E também me anima pensar que as pessoas irão se divertir (ou horrorizar) com aquilo tanto quanto eu ! Outro segredo é "não tenha medo de chocar" (com ressalvas, claro). Mas confeso que às vezes penso: "Jesus, Wesley, não está indo longe demais, não ?" Hahahaha E me assusto com minhas próprias criações. Aliás, hoje em dia eu nem pesquiso mais para certas coisas (principalmente com imagens). Uso de minha bagagem adquirida com os anos para descrições detalhadas de anatomia ou de cenários. Mas antigamente era punk, viu. Já vi e li muita coisa bizarra para criar minhas pequenas abominações. Hoje tenho medo (pois é 😄). E confesso mais: É meio estranho para um escritor voltado para o horror, mas te digo; posso assistir, ler, jogar qualquer coisa, por mais grotesca que seja, desde que eu saiba ser faz-de-conta. Na vida real, não consigo pisar numa formiga intencionalmente e fico super mal com qualquer coisa que vejo de violência. Não por medo ou nojo... Mas me deixa pra baixo imaginar o sofrimento dos outros. Minha amiga, mais uma vez, muito obrigado por me honrar com sua visita e comentários. São coisas assim que me fazem seguir o sonho ! Esteja em paz ! 🙏🏻 October 27, 2022, 12:30
Clarice Foster Clarice Foster
Parabéns ao colega!! Com uma história curta, consiguiu me deixar passada de agonia. Escrita de maneira gostosa, perfeita, trouxe a minha mente as imagens do que acontecia com a coitada da Joan. Deus me livre. Paralisia do sono é horrivel. Vou dar uma força no review porque merece ser lida. E bons pesadelos pra todos! rsrs Já quero ler suas outra histórias. ❤️
October 15, 2022, 13:35

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Hahaha Que bom que meu pequeno pesadelo surtiu efeito ! Eu também fiquei incomodado. Esta história seria para uma coletânea de horror, mas eu quis publicá-la aqui também. Tinha que ser algo incômodo, e eu conheço pouca coisa mais incômoda que paralisia do sono e tripofobia. Ainda bem que já tive minha cota disso e não tive de ficar pesquisando no Google como a coitada da Joanne. Hahaha Obrigado pela gentileza. Fico honrado por sua leitura e comentário. Esteja em paz. 🙂 October 16, 2022, 07:27
Terry O'Ghost Terry O'Ghost
Que beleza! Não vejo a hora de dormi hoje! Kkk Vim para continuar A maldade em seus olhos, e topo com essa maravilha grotesca! É com certeza uma das coisas mais pertubadoras que já li. Tenho terror desse negócio de paralisia de sono e mais ainda de tripofobia [fui saber o nome da fobia por causa do teu conto] mesmo antes de sabe que tinha. É bizarro. Mano, em poucas vezes eu tive de parar de ler uma história por fica imaginando as imagens. Mais uma vez tá de parabéns!!! Já vou espalhar essa história.
October 05, 2022, 10:31

  • Wesley Deniel Wesley Deniel
    Salve, amigo ! Não cheguei a ver antes seu comentário. Mas fiquei muito feliz em te ver por aqui também ! É, essa história é daquelas de tirar o sono. Eu já tive paralisia do sono quando era mais novo e, cara, é bizarro ! Inclusive usei algumas impressões minhas mesmo para certas passagens. Graças a Deus não foi nada com a tripofobia (apesar de também já ter perdido o apetite um bom tempo depois de tê-la pesquisado há uns anos). Que bom que causou inquietação ! A intenção era essa mesmo hahaha Grande abraço, amigo ! 😊 October 23, 2022, 00:17
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