lucas-santos1629834214 Lucas Lira

Após passar por alguns eventos traumáticos em sua vida, o jovem Guilherme Lucena resolve dar um tempo em sua vida agitada e metropolitana e viajar Para uma pequena cidade de interior, afim de esquecer seus problemas, e talvez, descansar um pouco. O que o rapaz não imaginava era que esta viagem de férias acarretaria em mais uma enxurrada de novos problemas e mistérios, que mudariam para sempre sua vida; assim como também encontraria Camila; uma garota de personalidade forte, que guarda consigo segredos terríveis, e que aparentemente resolve o odiar sem qualquer motivo. A medida em que se aproximam e se conhecem, mais os dois acabam percebendo que, apesar de viverem em mundos distintos, os dois têm mais em comum de que imaginam e que são duas pessoas feridas, pelas marcas e cicatrizes que só o amor pode deixar.


Romance Suspense romantique Déconseillé aux moins de 13 ans.

#suspense #Romance
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começando com o pé esquerdo

Aviso! A história que estão prestes a ler, certamente não é algo grandioso e não tem a menor pretensão de tal proeza. A verdade é que eu nem tinha nenhuma intenção de narrar essas memórias, mas o doutor Roberto, meu amigo e terapeuta, disse que outras pessoas precisam saber sobre o que me aconteceu naquele fatídico mês em que estive de férias e que essa história precisa ser contada; então, cá estou eu.

É importante que saibam tudo que estão prestes a saber foi retirado das páginas de um antigo diário que fiz naquela viagem. Eu não sabia onde ele estava até encontrar perdido em minhas quinquilharias aqui em meu apartamento e compartilhar com o doutor, que ficou fascinado por tudo que me aconteceu.

Também acho importante enfatizar que boa parte dos nomes que eu irei relatar aqui serão meramente fictícios, visto que ainda espero conseguir manter a minha privacidade e de todos os envolvidos nesses acontecimentos, principalmente a garota que conheci e que tambem passou por um verdadeiro inferno naquele mês, garota que para nossa narrativa se chamará Camila.

A história de como a conheci é um tanto conturbada. Camila sempre foi uma pessoa muito difícil de entender e mais difícil ainda de lidar. É verdade que começamos com o pé esquerdo e por muito tempo estava certo que ela me odiava com todas as suas forças e que me espancaria se eu trocasse mais que duas ou três palavras com ela.

Talvez eu esteja me adiantando um pouco; esse certamente é um dos meus vários defeitos, então acho melhor começar do início. O que nos leva a o mais importante: quem sou eu?

Meu nome é Guilherme; acho que já sabem que este não é o meu verdadeiro nome, mas em uma conversa com minha mãe, em certa ocasião, ela me disse que este deveria ser o meu nome, se meu pai tivesse permitido, então pelo menos para essa narrativa essa será a minha alcunha. Eu tinha vinte e dois anos naquela época e estava no segundo ano da faculdade de Criminologia, além de trabalhar como cozinheiro em um restaurante durante a noite. Nunca fui dos mais modestos, não posso mentir, por isso digo que sempre fui acima da média, tanto no que diz respeito a inteligência, quanto a valores morais e éticos, algo que certamente perceberão ao longo da história. Não sou muito seguro quanto a falar sobre mim mesmo, até porquê não acho que eu seja alguém tão interessante. Amo a monotonia da vida como poucos, além de ser alguém completamente metódico quanto as tarefas simples do dia a dia.

O que talvez mais chame atenção em mim, logo de cara, sejam algumas habilidades que adquiri ao longo da vida e que faço questão de me valer sempre que tenho a mínima oportunidade. Uma delas é que eu tenho uma grande percepção do ambiente a minha volta; Consigo entender e assimilar situações mais rápido do que a maioria das pessoas, o que sempre me ajuda a tomar decisões, se não sábias, pelo menos sensatas na maioria das vezes. Também tenho uma certa facilidade em entender a linguagem corporal das pessoas, um excelente pré-requisito, já que almejava um dia ser perito criminal.

A história que vou contar começa no outono, cerca de três anos atrás. Por razões bem pessoais e traumáticas eu tinha deixando um pouco a minha vida normal e metropolitana na cidade de São Paulo e optei por tirar um mês de férias em uma cidade do interior, bem mais afastada e tranquila, que iremos chamar de Nova Sootopolis City. Onde pretendia me isolar do mundo e ter um pouco de paz, naqueles dias que para mim estavam sendo tão difíceis e turbulentos. Uma cidade que não conhecia muito, é verdade, a não ser por ter ido uma vez , à sei lá, dez- doze anos atrás, passar uns dias com meu avô, Alfredo. e foi justamente por isso, por essa sensação de anonimato e ao mesmo tempo nostalgia, que resolvi passar um mês por lá.

Lembro que aquela viagem foi bastante agradável; nada como o ar e o frescor do campo para trazer refrigério para o meu espírito desolado. Gostei bastante de poder viajar em uma locomotiva a vapor depois de tantos anos. Em alguns momentos pude sentir a brisa suave do orvalho soprar em meu rosto através da janela e até entendi a razão pela qual a vida longe das grandes cidades parece ser tão mais feliz.

Enquanto saboreava as paisagens naturais e me deleitava ao som de um bom sertanejo em meus fones de ouvido, um homem para ao meu lado. Era um senhor com mais ou menos setenta anos. Ele carregava uma pasta repleta de papéis e andava apoiado por uma bengala. Tinha cabelos lisos e brancos e era um pouco acima do peso. Finjo não vê-lo, para evitar uma conversação desnecessária, mesmo assim ele sorri, o que me obriga a sorrir de volta.

- tem alguém sentado nesse lugar? - o senhor me pergunta, mesmo sabendo que obviamente não tinha.

Imagino que se fosse a Camila em meu lugar, certamente iria dizer para ele que estava acompanhada pelo homem invisível, mas como eu tenho o mínimo de empatia, o que o respondi foi:

- não senhor; fique à vontade.

-obrigado. - ele senta repousando a pasta sobre os joelhos e a bengala entre as pernas. - tá calor, né?

Lembro que ele me contou seu nome naquela ocasião, mas acabei esquecendo, então vamos chamá-lo de Antônio, que é um nome que combina perfeitamente com pessoas idosas.

Antônio era um velho simpático. Aquele tipo de senhor que já viveu muita coisa e gosta de compartilhar essas experiências com os que julgam mais jovens e inexperientes. No meio do caminho eu já estava decidido a tirar um cochilo, quando ele me contou que o termo "nova Sootopolis", veio pelo fato de que a antiga teve que ser evacuada, devido a uma barragem que arrebentou, meados de cinquenta anos atrás, o que culminou na morte de muitas pessoas, inclusive um de seus irmãos e seu pai.

Também descobri que toda A cidade em si é rodeada por lendas e crendices típicas, que eu, sendo um admirador dos métodos científicos, não dou muita credibilidade; contudo, ainda ouço com o mesmo Entusiasmo de uma criança ingênua, que ouve essas histórias de seus avós. Sempre gostei de uma boa história, então não me julguem por me interessar nesse tipo de dito popular.

por falar em avô; o meu morreu no início desse ano, em decorrência de um câncer de estômago. Nunca conheci minha vó, mas soube pelo meu avô que ela foi uma das que faleceram no rompimento da barragem e que ele só sobreviveu, pois na época estava viajando com seu caminhão pelo Brasil. O senhor Alfredo nunca se casou depois disso. A cabana que ele viveu continua no nome de meu pai, por isso acho que passar um mês no lugar onde ele viveu seus melhores anos é uma boa forma de honrar suas memórias.

Não precisei trazer tantas coisas, já que meu avô deixou toda sua mobília ao meu dispor, o que me poupou bastante esforço para trazer bagagem e também me poupou de gastar meu suado dinheiro em hotéis e pousadas.

Achei que seria difícil convencer meu chefe e o reitor da faculdade onde estudo a me liberarem por tanto tempo, mas acho que no fundo todo mundo acabou ficando com pena de mim, quando souberam o que houve com a Alice, minha ex noiva. isso me faz lembrar como eu odeio ser alvo de piedade, por mais que isso me beneficie. O que me fez decretar em meu coração que ninguém, nessa nova cidade, precisaria saber o que houve comigo ou a verdadeira razão pela qual estava indo para lá.

Meu novo companheiro de vagão tagarelava sem parar. Falava sobre clima, futebol, família e política. Na maioria das vezes eu só concordava com o que ele falava, o que parecia o deixar mais confortável para me contar detalhes sórdidos sobre como sua próstata estava inflamada, ou de como seu neto estava viciado num tal narguilé.

- entendo. - não queria ser indelicado, por isso tentava me concentrar nas páginas de um romance.

- pois é, meu filho; ele passa o dia inteiro com aquele troço na boca, soltando fumaça. – ele me dizia, balançando a cabeça em negação. - esses jovens de hoje...

Foi realmente um alívio quando finalmente chegamos até a estação onde eu iria descer. Por sorte meu amigo iria para outra estação, então nos despedimos e eu desço com minha mala e uma bolsa enorme nas costas.

Foi naquela ocasião, assim que pisei na cidade, que o destino me mostrou que as coisas não seriam exatamente como eu esperava. Como disse, eu não conhecia tão bem a cidade e precisava saber como chegaria na casa onde meu avô morou. Assumo que nunca fui um homem de muita sorte, até por isso raramente me aventurava em jogos de asar e quando fazia isso, sempre acabava perdendo um bom dinheiro. Digo isso para que entendam como realmente fui azarado naquela manhã.

Sootopolis é uma cidade pacata, então não haviam uma pessoa se quer, num raio de um quilômetro. Boa parte dos habitantes ou estavam em seus empregos, escolas, ou em suas casas cuidando de seus afazeres domésticos.

Ao longe eu avistei alguém correndo ao meu encontro. Tinha silhueta de uma mulher e usava uma calça de poliéster e um moletom de algodão azul, de mangas longas e capuz, cobrindo seu rosto. A moça se exercitava e corria atenta apenas em seu caminho. Eu precisava de ajuda então quando ela passa por mim eu a estendo a mão.

- moça, por favor. você sabe onde fica a rua Manoel Alves?

Para minha surpresa, a garota simplesmente me ignora e continua sua corrida. Eu a acompanho com olhar, imaginando se por aqui as pessoas seriam todas mal educadas daquela forma. Ela para um pouco mais adiante. Eu imaginei que talvez ela retornaria e que não tinha me visto, mas o que ela fez depois me deixa realmente sem palavras.

A moça simplesmente ergue o dedo do meio, o direcionando para mim, e continua sua corrida, como se aquela fosse mais uma segunda feira normal para ela. Eu achei engraçado e, ao mesmo tempo, me senti ultrajado. O fato é que a vida não te prepara para saber como agir quando alguém te estende o dedo do meio gratuitamente, então eu acho que aquela simples atitude deu pane no meu sistema.

Naquela época eu ainda não sabia, mas foi exatamente assim, de uma forma nada amigável e romântica, que eu acabei conhecendo a Camila.

25 Juillet 2022 23:32:34 6 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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Lucas Lira Lucas Lira
Obrigado! Acho que você foi a primeira pessoa que percebeu essa intenção logo de cara. Não é tão explícito então algo me diz que você consegue buscar as pequenas coisas que estão nas entrelinhas.
October 13, 2022, 11:32
Sabrina Estevam Sabrina Estevam
O ar de romance "polícia" no primeiro capítulo e maravilhoso, acabou me prendendo e muito envolvente. ☺️☺️
October 13, 2022, 11:16
~

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