A sensação de náusea era insistente, afinal de contas, eu nunca havia viajado de outra maneira que não fosse a pé ou a cavalo... Era a primeira vez, dado a urgência da missão que eu experimentava a sensação de me mover por portais... Na verdade era sequer para mim impossível descrever o que acontece, basicamente eu adentrei um buraco de dois metros de altura em uma árvore à frente da tribo e saí nesta árvore gigante à frente de meu destino: a cidade academia de WinterLess...
Dizem que nós bárbaros somos burros, devido nosso estilo de vida simplista e até selvagem, mas se nos interessamos por algum assunto, podemos passar por cima de muito almofadinha da cidade em nossos conhecimentos... Eu sou Grund-Tharg "Força Infinita", guerreiro da tribo Tangdarth do Corcel Alado e me interesso por muita coisa... Doravante coisas que geralmente um bárbaro não detém atenção me causam curiosidade e o heroísmo da cidade de WinterLess foi o ponto que me despertou para estudar sobre ela... Enquanto saio pelo portal criado pela magia que gerou uma espécie de túnel através das árvores, eu surjo diante da área frontal em frente aos portões da cidade e percebo que os guardas da muralha inicialmente se surpreendem para logo em seguida começar a me olhar torto... Eu sigo deliberando sobre tudo que aprendi sobre a conhecida cidade enquanto caminho...
É um local amigável de artesãos, que comercializam extensivamente através dos grandes comerciantes de WaterGround, outra grande cidade de nosso mundo.... Seus relógios de água e candeeiros multicoloridos podem ser encontrados em praticamente todos os Reinos... A propósito, a cidade ganhou o nome de “WinterLess” pela habilidade de seus jardineiros, que conseguiram manter as flores desabrochando durante os meses de neve - uma prática que eles continuam com orgulho. O que esse aglomerado de letras quer dizer eu não tenho certeza, mas tem a ver com a situação de nunca a cidade ficar branca de neve, nem mesmo nos mais rigorosos invernos, ou seja, as flores mantêm o mesmo colorida, sempre!
Diferente da comentada beleza da cidade, parece ser a simpatia de seus guardas... Eu me aproximo dos portões, era final do dia e o sol se aproximava do crepúsculo... Minha espada nas costas, cara de poucos amigos como é meu natural e ainda em marcha firme sou interpelado... Detenho meu avanço e um dos guardas me grita, “- Quem é o que deseja na cidade estranho?” Meneio a cabeça para o lado, pois embora eu fique a falar comigo mesmo o tempo todo em pensamento, tenho quase paciência nenhuma para falar com outros ou ficar dando explicações... No entanto, naquele momento eu precisava colaborar ou não atingiria meu objetivo imposto pelo velho Goryn Travor... Observo os dois guardas, eles colocam a mão nos cabos de suas espadas, prevejo confusão... Não que eu não gostasse de uma oportunidade de esmurrar alguém, mas aquela não era a hora... Tentei: “- EU SOU GRUND-THARG! GORYN TRAVOR ME DISSE PARA FALAR COM GRANDTURIN...”
Os guardas se observam e então, notava-se que ficaram bastante desconfiados... Me observaram por alguns segundos e então o primeiro guarda, que olhava de baixo acima riu: “- O que mestre GrandTurin iria ter para falar com um bárbaro fedido como você, suma daqui se não quiser ir para a prisão! Vá pedir esmolas em outra cidade!” O guarda acena com a mão me mandado retornar, enquanto o outro fica um tanto receoso com a atitude... Meu sangue ferve com a desfeita, ninguém me trataria daquela forma ainda mais apenas por julgar minha aparência. Como um chacal em disparada eu avanço, não quero mata-lo, isto me traria problemas, mas, ele vai ficar com alguns ossos à menos, isso vai! Cruzo a distância entre nós rapidamente, o segundo guarda se surpreendeu ao me ver já acima deles e ficou sem ação, mas o primeiro, o que havia tripudiado de minha condição, mal teve tempo de virar o rosto para me ver, meu punho direito cerrado foi muito mais rápido e praticamente fiz seu estômago grudar na medula espinhal com o impacto de meu soco, o arremessando com a força de um touro contra o muro da cidade na sequência. Me viro lentamente para o segundo guarda e tento novamente: “- GORYN TRAVOR ME DISSE PARA FALAR COM GRANDTURIN...”
O guarda se atirou ao chão, começou a recuar apavorado, os demais guardas começam a chegar ao local enquanto o primeiro ainda se despencava da parede onde eu o havia enterrado com meu golpe... Eu observo os guardas que chegaram, fora suas flechas eu acho que me viraria bem com eles, penso em me preparar para o embate mas algo inesperado acontece então... Um impacto fulminante ao centro do campo de batalha, como se algo gigante tivesse golpeado o terreno e intenso deslocamento de ar tomou conta do local! Eu sem sequer cerrar os olhos fiquei observando o que viria a seguir enquanto com o mesmo braço que golpeei o guarda desaforado, agarrei o que estava se borrando ao chão para que ele não fosse levado para longe. A poeira começa a ceder e então era possível ver um homem, cabelos curtos e castanhos, armadura imponente e diversas armas pelo corpo, segurando uma espada longa e me olhando com um tom de deboche... Fiquei o encarando, ele ergueu-se, guardou a espada e foi até o soldado estropiado. Tocou nele, faz alguma coisa com as mãos e o curou pelo que pude ver, vindo logo em seguida para minha direção, parando há dois metros de mim me observando com o mesmo riso que parecia debochar de algo... Nos olhamos por alguns segundos e então é ele quem fala: “- Achei que os tinha ensinado melhor as maneiras de agir com recém-chegados... Falaram o que não deviam, pagaram o preço... Respeito é algo apreciado por todos, certo comandado de Goryn?”
O homem me dá um tapa no braço, continuo a observar ele e só vejo um único motivo para que ele estivesse agindo daquela forma... “- TU ÉS GRANDTURIN?”
O homem então se vira e vai caminhando em direção à cidade enquanto gesticula com a mão me convidando:
“- Vamos conversar na taverna, afinal melhor cerveja na boca do que terra...”
O observo por alguns instantes, olho para os guardas, solto o que estava desmaiado em minhas mãos e sigo atrás daquele que se denominava GrandTurin... Não olho para nenhum dos que ficaram ao portão, não por arrogância, mas por respeito, afinal ninguém gosta de ser visto derrotado... Sigo o homem e vou fazendo conjecturas e planos caso algo desse errado, mas ele foi mesmo em direção à uma taverna e logo que sentou mandou trazer cerveja em abundância, o que agradou bastante... Após quase empinar a caneca inteira, ele arrota, limpa o bigode de espuma e indaga: “- Que confusão o maldito Goryn se enfiou agora? Engravidou outra centaura? Precisa de um jeito de não deixar mais nenhuma engravidar? Ahahahahahahah! Fala-me valente guerreiro da Tribo do Corcel Alado, como posso vos ajudar?”
Ouço suas perguntas enquanto sorvo minha cerveja e com satisfação bebo de um só gole, a sede era grande, o mal-estar da viagem através de portais ainda incomodava... Então, tão logo esvaziei a caneca, bato com a mesma na mesa, eu tento explicar a que vim... “- PRECISAMOS DE... ARCANOS... OS MAIS PODEROSOS QUE PUDER DISPOR... ORINDON ESTÁ INCAPACITADO DE COMBATER E PRECISAMOS DELE...”
Vejo que GrandTurin coça o queixo e fica ainda bastante curioso com o fato... Ele sabe que nós os descendentes de Tangdarth não fazemos uso de magia em nossa grande maioria, mas, apesar disso possuímos grandes xamãs e curandeiros, era no mínimo intrigante para ele eu creio, que estivéssemos recorrendo a ajuda externa, ainda mais de arcanos, criaturas possuidoras de grandes magias as quais nós olhamos com péssimas considerações. GrandTurin então me indaga: “- Sim, sim, você tem razão, estou muito interessado em entender isso, e como não tenho contato com o seu líder Goryn Travor, eu preciso perguntar... O que está acontecendo na Floresta Enluarada que seja suficiente para fazer um bárbaro solicitar ajuda desse tipo jovem Grund-Tharg... Pode me dizer mais sobre este enigma?”
Somos guerreiros que evitam a civilização por motivos simples, mas o mais forte de todos é que os civilizados são repletos de regras... Entre nosso povo não temos frivolidades, se não gostamos de algo resolvemos em luta, nem somos dados a falar demais ou dar explicações. Se queremos algo pegamos, se não gostamos revidamos e paciência, definitivamente não é nosso forte... Assim como também não temos o costume de entender ou aceitar brincadeiras, nossa honra é nosso maior bem... Tendo consciência de todas essas falhas diante de alguém civilizado, ainda assim me é difícil suportar uma ofensa e eu considero que o comentário dirigido à mim foi deveras ofensivo... Apesar de ainda estar surpreso em como ele respondeu a algo que eu apenas pensei, a sensação de que ele estava zombando de nossa incapacidade em resolver nosso próprio problema me era ainda maior... Me ergo da mesa mais rápido do que conjecturei todos esses pensamentos e fico olhando GrandTurin nos olhos, não me importava que ele fosse alguém muito poderoso visto que até mesmo Goryn recorreu à sua ajuda, tirar sarro de minha condição, eu não aceitaria... O observo bem nos olhos, percebo sua tranquilidade de quem parecia saber que eu não poderia causar-lhe qualquer mal, mas ainda assim eu pergunto a ele: “- ACASO ESTÁS DIZENDO QUE VIM COM O RABO ENTRE AS PERNAS PEDIR QUE NOS SALVE A VIDA? SE FOR ISSO PODE ENFIAR SUA AJUDA NO RABO!”
GrandTurin respeitosamente se levantou, mesmo nós dois sabendo que ele não precisava disso... Eu sentia que ele poderia me vencer em combate muito facilmente, era visível que ele possuía técnicas fantásticas, ele não seria o mestre de armas e lutas da academia de WinterLess à toa. Ainda assim, com cordialidade que ele não precisaria ter comigo visto seu posto e capacidades, ele se desculpou e me fez entender meu erro: “- Acalme-se jovem Tharg, com certeza me expressei mal! Conheço seu líder e vários outros Tangdarth há muito e sei que seus temperamentos e considerações são bem intensos... Eu quis dizer que com certeza algo muito grave está a acontecer para que não resolvam sozinhos como sempre, e eu gostaria de saber este motivo, até mesmo para poder direcionar a melhor ajuda possível...”
Mesmo sendo diferente dos civilizados eu reconhecia a cordialidade de GrandTurin, ele poderia simplesmente me fazer ter mais respeito com ele mas usou de diplomacia e educação e eu respeitaria aquele gesto para sempre. Me sento e então tento explicar, da melhor maneira que me era possível: “- OGREBOULD "MIL FLECHAS"... ELE REQUISITOU O DESAFIO DAS TRIBOS... ENFEITIÇOU O ÚNICO CAMPEÃO CAPAZ DE VENCER O DELE... ORINDON... OGREBOULD QUER REINAR USURPANDO NOSSA LEI...”
Embora as poucas e rústicas palavras, GrandTurin compreendeu o que quis narrar... Converso em minha mente o tempo inteiro comigo mesmo, mas tenho grandes ressalvas e indisposição quanto a ficar explicando o que penso aos demais... Na verdade, eu me expresso melhor com uma arma em mãos, se gosto de algo gargalho alto, se não gosto, eu revido à altura! Esse é o estilo de meu povo e por saber que tal estilo não é muito bem-vindo entre os civilizados, prefiro me manter quieto e conversar apenas comigo mesmo... Mas consegui perceber que apesar de quase não usar palavras e extensas dissertações, o mestre de armas à minha frente tinha entendido o que acontecia e satisfeito, acenando positivamente com a cabeça, recostou na cadeira e empinou outra caneca de cerveja: “- Precisam remover seu campeão do feitiço e garantir seu direito ao torneio para que possam reaver o direito sobre seu lar, a Floresta Enluarada! É justo e correto o que me pede jovem Tharg!”
Diante da certeza de ter cumprido inicialmente meu objetivo, me preparo para empinar minha caneca novamente, quando ouvimos a porta da taverna se abrir com violência... GrandTurin e eu sequer olhamos para o local, mas ouvimos o estalajadeiro pedindo quase em um sussurro que não iniciassem outra briga pois ele havia reformado tudo havia pouco... A resposta foi um berro que mais parecia uma bufada de um touro bravo: “- MALDITO BÁRBARO FEDIDO, AÍ ESTÁ VOCÊ! VAI ME PAGAR POR ME HUMILHAR DIANTE DO SENHOR GRANDTURIN!”
Tanto eu quanto o mestre de armas ficamos em silêncio, nenhum de nós fitou quem falava, não era necessário, sabíamos exatamente definir o irritado pelas palavras proferidas... Empinei minha caneca de cerveja e em silêncio fiquei, até que senti e ouvi a corrida e a investida do guarda bundão! Me ergui da cadeira movendo-me para a esquerda no exato momento do golpe e vi ele enterrar o machado de guerra na mesa de madeira da taverna, ficando com o mesmo preso, dirigindo então a mim um olhar não mais de fúria, mas sim de pavor... De frente para ele o observei nos olhos agora com toda a vantagem do mundo e desferi um potente murro na cara do infeliz que voou por sobre as outras mesas se estabacando na parede adiante. Coloquei o pé sobre a cadeira e observei os demais guardas enquanto GrandTurin continuava com os pés sobre a mesa bebendo cerveja e analisando tudo... Era a hora de ser o que sou, desafiei então: “- MAIS ALGUM BORRA-BOTAS MARIQUINHAS SE SENTE OFENDIDO E TEM CULHÕES SUFICIENTE PRA TENTAR SE VINGAR?”
Eram pelo menos 10 guardas armados de machados e espadas e diante de minha frase parecia que suas faces haviam sido pintadas de rubro. Em carga e com uma gritaria desnecessária se jogaram em direção a mim e então pude finalmente me exercitar como estava querendo há algum tempo.
O primeiro a chegar tentou me acertar com a espada em um corte horizontal, esquivei, agarrei o pulso dele e torci para que soltasse a mesma. Feito isso com sua própria mão que estava fechada fiz ele esmurrar a própria cara o arremessando com um giro no braço para distante de mim. O segundo tropeçou na cadeira que empurrei com o pé de leve à frente para causar esse efeito, o abestado bateu com a cabeça em cima do acento, oportunidade perfeita para chutar a cadeira junto com o cão sarnento contra os próprios imbecis. Eles se amontoaram com o impacto e tentaram se desvencilhar para seguir em frente, quando acabaram por olhar, eu já vinha no sentido contrário de braços abertos. Apanhei a todos de surpresa e os impactei contra a parede a frente ganhando o tempo necessário e os desarmando com a pancada violenta como eu pretendia.
Agarro um dos guardas ainda em estado de falta de ar pelo impacto e desfiro um soco em seu nariz que tenho certeza, resultou em osso fraturado; peguei o desgraçado pelo pescoço, o ergui e bati violentamente sua cabeça revestida com um elmo contra o que estava ao lado direito, fazendo com que ambos apagassem com o choque, os atirando ao chão e chutando a dupla logo em seguida para longe. Nesse instante percebi que o resto do povo que ali estava quando o embate começou, escolheram um lado na farra e iniciaram a brigar e quebrar tudo, se batiam aleatoriamente como já é de costume em tavernas, apenas escolhiam em quem bater e se atracavam de golpes, usando cadeiras, as mãos limpas, ou jarros, pratos e canecas, parecia que a regra era apenas derrubar oponentes até que só um ficasse em pé, as próprias garotas da taverna faziam o mesmo em uma verdadeira briga generalizada, eu diria que, uma cena maravilhosamente linda de se ver!
Enquanto isso os bardos que tocavam no palco, mudam sua melodia e parecia que o novo ritmo imposto incitava a todos a parecerem muito mais selvagens do que civilizados, transformando o antes calmo e pacato local em uma verdadeira zona de guerra, o que era como música aos meus ouvidos! Voltando ao meu combate e aproveitando o esforço da perna direita para chutar os caídos, girei o corpo completamente, me voltando ao que estava à minhas costas ainda borrado de medo e emendei um soco de direita em seu queixo, o erguendo para cima com o impacto fazendo com que voasse por uma das mesas vindo a cair sobre a outra passos mais distante de nós... Aos meus pés, um dos que ainda não tinha desferido sequer um golpe tentava se levantar, a chance perfeita para ser malvado ao extremo... Ergui meu pé esquerdo e pisei com toda a vontade em seus escrotos sentindo que eles achataram-se ao chão completamente... Acredito que nunca vi uma cara de reação tão feia em minha vida.
Restavam três deles, agarrei o que estava mais próximo pelo braço, o girei duas vezes no salão o arremessando contra a bancada da taverna o fazendo voar pelas prateleiras, ao que os outros dois agora sujavam o chão de urina enquanto eu caminhava contra eles fazendo os chacais começarem a recuar solto um urro de fúria para intimidá-los e encerrar a batalha em grande estilo, mas neste momento GrandTurin se pronunciou salvando o rabo dos que restaram: “- Não cansam de passar vergonha soldados? Se ele fosse alguém maligno teria matado a todos com facilidade, não perceberam ainda?”
Os guardas gemiam por toda a taverna enquanto tentavam se levantar... Os dois que mijavam no chão apavorados tentam justificar: “- Mas senhor GrandTurin, ele nos humilhou, temos de reaver nossa honra...” GrandTurin ficou de pé finalmente e com ar agora severo proferiu: “- Querem suas honras de volta? Recolham os que não podem caminhar, se recuperem e voltem às aulas básicas da academia para aprender a tratar a todos que aqui chegam de acordo com suas índoles e não com as aparências que seus olhos preconceituosos enxergam. Tiveram atitudes erradas ao receber Grund-Tharg e agora outra atitude mais errada ainda ao tentarem adquirir honra sem a merecer... Ao término de seus turnos irão revezar entre instruções primárias na academia e a reforma da taverna, agora retirem-se!”
Sob as ordens do mestre de armas e instrutor da academia de WinterLess, os guardas recolhem os feridos que não podiam andar sozinhos e ajudam os que podem se mover, se retirando logo em seguida, enquanto eu fiquei parado em meio ao estabelecimento esperando o que viria para mim pelo quebra-quebra que promovi. GrandTurin terminou de beber sua cerveja, trouxe o outro caneco que ainda estava cheio e me entregou... “- Nunca se desperdiça cerveja meu amigo!”
Eu seguro o caneco e ele vai até o balcão, fala com o estalajadeiro que parece ficar contente e o vejo colocar moedas de platina sobre o móvel... Empino a caneca de cerveja que me foi entregue, limpo a barba colocando a caneca vazia sobre a mesa ao meu lado e fico de frente à GrandTurin esperando que alguma punição me recaísse também, pois eram a guarda da cidade a quem eu tinha agredido, de certo seria repreendido, além de que o estranho na cidade era eu...
O mestre de armas parou à minha frente, me observou seriamente, como se me analisasse para tomar uma decisão e então estendeu a mão para um aperto das mesmas explicando: “- Peço perdão pela pouca maturidade dos guardas, ser espancado diante de todos não é algo que se tem orgulho, então, peço que entenda. Durma aqui esta noite, já paguei os estragos e sua hospedagem, amanhã de manhã virei até você aqui mesmo com a equipe que precisas! Não irei decepcionar nem a você nem a Goryn meu grande amigo, fique tranquilo!”
Eu aperto a mão do mestre de armas ainda confuso, mesmo sentindo enorme gratidão eu não entendia a atitude dele... Realizo um aceno de cabeça agradecendo tentando conter minha dúvida, mas não consigo ficar com aquilo a incomodar... Eu havia atacado seus guardas, os ferido bastante, porque ele puniu os guardas e a mim um estranho nada foi feito? Me viro e fico o observando e antes que eu pergunte o porquê, como que novamente lendo meus pensamentos, antes da pergunta ele me responde: “- WinterLess trata a todos de acordo com suas ações, não com sua aparência... Temos seres de todas as raças aqui e todos, até que cometam algo que os coloque em outra situação, são nossos irmãos... Assim como em qualquer lugar existem pessoas propensas a agir de acordo com o que veem apenas e de acordo com seus pré-conceitos... O guarda errou e você defendeu a si e sua honra, suas coisas mais importantes... Os demais guardas que se deixaram levar pela vingança do primeiro erraram ainda mais e você novamente apenas se defendeu e mesmo tendo poder para tal não matou ninguém... Você é digno das honras a que Tangdarth é referenciado por isso, só merece elogios por sua conduta de acordo com seu povo e suas crenças... Eu o reverencio em suas atitudes jovem Grund-Tharg!”
As palavras do mestre de armas entraram forte em meu cerne, talvez mais que quaisquer outras palavras tenham conseguido até hoje no auge dos meus 20 verões... Fico a observá-lo enquanto ele segue seu trajeto em direção à porta e então, antes de sair ele completou de forma cordial: “- Seria bem-vindo à nossa academia senhor Grund-Tharg... Se tornaria ainda mais forte e quem sabe num futuro próximo poderia ser o campeão de sua tribo, protegê-la bem como aos seus, assim como hoje Orindon faz... Pense na proposta, sem pressa, me pergunte sobre os detalhes quando achar conveniente e conversaremos sobre as “regras demais” e as exceções que poderemos fazer, se achar meu convite interessante, é claro! Até amanhã Grund-Tharg “Força Infinita”!
GrandTurin se retira, eu fico a observar a porta onde ele saiu por alguns segundos... Cerro meu punho direito e o observo pensando na ideia de me tornar mais forte e proteger minha tribo... Porque eu pensaria em aceitar tal proposta me tornando um cachorrinho do exército de WinterLess? Nunca faria isso... Ou... Haveria mais em ser um integrante da academia daquela lendária cidade? De qualquer forma desço meu punho e estranho o silêncio... Olho ao redor, muita coisa quebrada e os que ainda estavam a taverna escondidos atrás dos móveis que restaram... Olho para o balcão do estalajadeiro e vejo o mesmo correndo para a mesa onde eu estava antes da briga, correndo com bandejas e jarros abarrotando a mesma de comida e bebida com um sorriso amarelo no rosto... De todos que estavam no local, apenas um não havia se movido ou feito qualquer menção desde que entrei até agora... Eu me dirijo para minha mesa e depois de fita-lo de relance, em sua armadura negra, apenas me sento, como e bebo à vontade... Ignoro completamente sua presença então, sequer percebi quando foi que ele saiu de lá... Minha missão estava parcialmente cumprida, era aguardar o dia raiar para seguirmos até a Floresta Enluarada e despertarmos Orindon finalmente...
A ceia terminou porque a mesa ficou vazia... A grande quantidade de comida balanceou com a quantidade de cerveja que bebi e isso impediu que eu ficasse bêbado... Levantei, olhei para a mesa onde o homem de armadura negra estava, nem rastro mais dele... Tornei a não dar atenção a situação e busquei com meu olhar a missão final do dia, mulheres... Várias circulavam por ali a noite inteira, mas existia um grupo seleto que ficava mais próxima do balcão e do estalajadeiro, provavelmente as melhores da casa... Me direciono ao balcão e entro em meio a elas, me debruçando sobre o mesmo observando o dono do estabelecimento que talvez, devido ao quebra-quebra tivesse algum receio de mim... Usufruindo essa vantagem e não dando margem às messalinas para que entendessem que eu as queria muito, disparei ao estalajadeiro: "- MULHERES... CAPAZES DE AGUENTAR ATÉ O RAIAR DO SOL... QUERO TRÊS..."
O cordial homem olhou exatamente para as três que eu queria... As mesmas se agarraram a mim e sob indicação do estalajadeiro, me conduziram para o quarto a mim destinado... Havia um tacho gigante para banho, jarros de água ao lado e aquelas coisas que eles usam para se limpar com gosto bem estranho, se não me falha a memória o termo é "sabão"... Tiro minhas vestes, recosto a espada próximo à tina de banho e adentro a mesma chamando as três para o aconchego de meu corpo... Após aproximadamente duas horas de intensa atividade, elas querem abandonar o quarto alegando que não era normal tanto tempo de ato sexual com o mesmo freguês... Meneei a cabeça e disse que uma das três precisava pelo menos finalizar o serviço que contratei e então, poucos minutos depois, a escolhida deixou meu quarto reclamando de dores me permitindo recostar dentro da banheira para aproveitar a vista de minha janela... Era realmente uma bela vista, quase parecia a noite ao relento, de onde se podiam ver o céu, as estrelas... Saciado e em paz, me permiti momentos de recordações interessantes de minha infância...
É fato que minha mente reservou pouco daquela época, de meu passado enquanto criança em plena tribo do Corcel Alado, mas do momento em que comecei a perceber as coisas até hoje, as lembranças são boas... Confortável e desafiador era o balanço de vai e vem, enquanto minha mãe corria e caçava comigo em suas costas, quietinho, ainda muito pequeno para acompanhá-la em seus largos passos...A observava espreitando as caças e eu tentava nem respirar para não atrapalhar sua investida... Era como seu fosse o caçador em segundo plano tendo uma arma mortal a meu comando, era assim que eu considerava Stefne "Olhos de Águia"... Quando meu pai voltava de algum combate ou alguma missão, era com ele que eu passava os dias, aprendendo a segurar e manusear armas cada vez mais pesadas e ainda assim usá-las com perfeição... O poderoso e condecorado Tenskell "Machado Veloz" era respeitado em toda nossa tribo devido sua grande habilidade em sua arma favorita e contam seus pares que suas capacidades eram ainda melhores demonstradas quando em meio à vários inimigos, eliminando vários com um golpe apenas, o que lhe conferiu a alcunha citada.
Foram bons tempos... Realmente bons tempos... Me ergo da tina, recolho-me a cama e pego no sono de forma pesada... Estava cansado, minha mente desejava alcançar o descanso para se recuperar de tantas decisões tomadas no dia que passou e se preparar para as que viriam no dia seguinte... A noite me abraça, o sono chega e eu finalmente durmo...
Continua...
Merci pour la lecture!
Nous pouvons garder Inkspired gratuitement en affichant des annonces à nos visiteurs. S’il vous plaît, soutenez-nous en ajoutant ou en désactivant AdBlocker.
Après l’avoir fait, veuillez recharger le site Web pour continuer à utiliser Inkspired normalement.