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Jimin vivia em um colégio integral, passava boa parte do tempo em salas de aula e, no tempo livre, lendo seus HQs de super-heróis no quarto. O Park não tinha muitos amigos para conversar ou falar sobre seu herói favorito, sua única pessoa "mais próxima" dentro do colégio era Min Yoongi, um estudante do último ano no curso de publicidade com quem dividia o quarto. A vida de Jimin muda completamente quando descobre que seu colega de quarto, que dizia odiar profundamente heróis, era na verdade o Homem-Aranha, seu herói favorito.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

#jimsu #minie #jimin #suga #yoongi #2minproject #2minpjct #minmin #suji #sujim #minimini #yoonmin
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I know you

Escrito por: @Min_sleep @Min-Sleep


Notas Iniciais: Olá, pessoas :D
Sim, eu menti quando disse que seria minha última vez postando no 2Min (eu não consegui ficar longe desse projeto tão cheiroso)
Então, dessa vez eu trouxe uma fanfic com tema super-heróis, tendo como herói principal o nosso famoso miranha sendo interpretado pelo Yoongi.
Sério, olha a perfeição que ficou essa capa, não superei até hoje-----
Enfim, vou deixar de enrolar e vou liberar vocês para lerem o primeiro capítulo :')
Boa leitura <3


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A paixão por super-heróis foi algo hereditário, já que aprendeu tudo o que sabia e gostava com o pai. Jimin se lembrava de cada tarde que passava ao lado do mais velho, ouvindo sobre a origem e tudo que envolvia os super-heróis, principalmente os heróis que a cidade já teve.

Contudo, aqueles momentos acabaram quando o homem faleceu depois de um incêndio na própria residência. Na época, foi manchete em todos os veículos, mas pouco tempo depois foi esquecido e substituído por algo que chocasse mais o público, por exemplo, a explosão num laboratório de pesquisas biológicas.

Na época daquela explosão, foi alegado fielmente que ninguém havia se ferido e que nada feito no laboratório poderia afetar alguém, nem a radiação de produtos ou os pequenos insetos que acabaram fugindo dos seus viveiros. Todos se acalmaram com a boa notícia, afinal, o medo de ser devorado ou envenenado por um ser geneticamente modificado era bem grande.

Pelo menos todos pensavam assim, mas o surgimento de um novo herói ocorreu alguns anos depois do acidente no laboratório. Um rapaz com poderes de aranha virou notícia por meses consecutivos, seus atos heroicos marcaram primeiras páginas nos jornais e assuntos nos telejornais.

E, pela primeira vez, o Park sentiu que algo naquele super-herói era diferente. Talvez a forma misteriosa como ele agia e a identidade guardada por trás daquela máscara vermelha fosse o motivo por ele se atrair tanto. Não gostava do chamado "Homem-Aranha" como gostava dos outros heróis, poderia até dizer ser algo bem maior que a simples adoração de fã.

Por anos, Jimin se manteve fixo na ideia de adorar heróis, e isso não mudou quando entrou numa faculdade em tempo integral. Sua rotina acabou mudando drasticamente, afetando seu ritmo de leitura de quadrinhos e qualquer coisa que envolvesse seus heróis preferidos — principalmente suas adoradas fanfictions.

Nos primeiros meses, Jimin teve o dormitório apenas para si, o que o deu a enorme oportunidade de espalhar seus vários pôsteres de super-heróis pela parede e usar o espaço livre para colocar suas "revistinhas" adequadamente. Contudo, a chegada de seu colega de quarto bagunçou não apenas sua organização, mas também seus sentimentos.

Min Yoongi, estudante de publicidade, foi transferido depois de ganhar uma bolsa de estudos integral na faculdade. Ele odiava heróis e tudo que envolvesse algum deles.

Todos os dias, Jimin ouvia Yoongi falando sobre o quanto odiava os super-heróis, mas não era motivo suficiente para o Park odiá-lo ou diminuir seus sentimentos por ele, pelo contrário, aquilo só aumentava mais a teoria de "os opostos se atraem".

— Senhor Park! — Jimin saltou da carteira, voltando a atenção para a professora na frente da sala. — Precisa de ajuda para prestar atenção na aula?

— Não, senhorita Han — respondeu rapidamente, envergonhado por ser pego vagando por pensamentos no meio da aula. — Desculpe.

Ele não achava que era culpado por ter devaneios distantes envolvendo seus heróis, visto que a aula já estava em suas considerações finais, e tudo que menos precisava era de alguém para lhe dizer o que já sabia desde o começo do semestre.

Para a alegria do Park, faltavam apenas mais dez minutos de aula, em que precisaria fingir interesse por cada palavra que abandonava os lábios da mais velha. O lado bom de esperar era o que viria a seguir, isto é, ir para o dormitório e aproveitar suas duas horas merecidas de descanso e leitura.

O último capítulo de sua fanfic preferida retornou à sua mente. A cena do quase beijo do personagem com o herói martelava constantemente em seus pensares. Imaginava como seria o beijo deles, deixando-se levar novamente por sua imaginação um tanto quanto já explorada.

Graças aos próprios pensamentos, o tempo pareceu passar bem mais rápido. No mesmo instante em que o sinal tocou, Jimin saltou da mesa, pegando os materiais apressadamente antes de sair em direção aos corredores lotados, cada um deles sendo preenchido por estudantes famintos.

Aproveitou o caminho para guardar os livros que tinha em mãos e pegar o pacote de salgadinhos que escondia em seu armário, pegando também um pacote lacrado de cookies de chocolate.

Demorou um pouco mais do que esperava para organizar as coisas dentro do armário e recolher mais outras, como pirulitos e balas que já faziam aniversário ali dentro.

A porta do seu dormitório era a única diferente, sua cor era um azul suave, que se destacava de certa forma em meio às outras. O dormitório B612 era o mais distante de todos, sendo o último do segundo andar e, por consequência, quase nenhum estudante conseguia ficar nele, pelo menos não sem alguém para conversar. Outro motivo para que não gostassem tanto dele era a fechadura, pois era algo comum.

Enquanto outros alunos precisavam se lembrar de senhas longas, a única coisa que Jimin precisava fazer era destrancar com uma chave comum, mas nem sempre deixava a porta trancada, pois sabia que Yoongi vivia esquecendo a própria chave dentro do quarto, então era mais fácil deixar destrancada e evitar uma confusão.

Contudo, o Park se surpreendeu ao notar que a porta estava trancada por dentro. Bateu algumas vezes, mas nada aconteceu, insistiu novamente e nada. Então resolveu abrir por si só, imaginando que Yoongi havia adormecido ali dentro e esquecido de deixar a porta aberta.

Rapidamente, Jimin sacou a chave prateada com um chaveiro pequeno com a máscara do Homem-Aranha, colocando-a na fechadura e abrindo em poucos segundos. No interior, tudo estava normal, com exceção do som do chuveiro e da janela escancarada juntamente da persiana desajeitada.

Nada estava fora do lugar, pelo menos não suas coisas. Uma mala de Yoongi estava totalmente revirada e alguns esparadrapos, algodão e pomadas esperavam por uso sobre a cama. O ruivo estranhou aquelas coisas, perguntando-se o que havia de errado com o mais velho para ele precisar de cuidados como aqueles.

— Yoongi — chamou, num tom preocupado, caminhando em direção à porta do banheiro.

Sentiu os pés pisando em algo macio e seus olhos imediatamente caíram para o pano vermelho e preto no chão em forma de poça, em que alguns rasgos eram visíveis. O garoto se abaixou por um instante e apanhou o traje do chão, abrindo-o em frente aos seus olhos.

O símbolo de aranha se abriu, os ombros na cor vermelha, seguidos pelas mangas na cor preta, que se estendia até o meio das mãos, deixando a coloração avermelhada nos dedos. A cor preta se estendia pelas laterais da roupa e metade das pernas enquanto o vermelho tomava o centro do tronco e restante das pernas.

As palavras fugiram da mente de Jimin enquanto ele analisava aquela roupa, desacreditado no que seus olhos viam. Não acreditava que fosse real; não sabia nem mesmo como reagir.

Aquele traje em suas mãos pertencia a um único herói. O seu herói favorito! E o dono dele estava logo atrás daquela porta. Na verdade, ele sempre esteve ali, bem perto, e resmungava todos os dias sobre como odiava os super-heróis.

Era só um maldito disfarce durante todo aquele tempo.

A porta do banheiro foi aberta, revelando a imagem do garoto de cabelos negros dono daquele traje nas mãos do Park.

Yoongi ficou paralisado ao ver o menor em sua frente, segurando o traje com os olhos brilhantes e um sorriso imenso no rosto. Sua identidade estava arruinada. Isso com certeza era ruim, e ele pensou que agora seria questão de dias para que todos soubessem sobre sua "parte secreta".

— Você é ele — Jimin disse, afastando-se minimamente para poder olhar o mais velho com mais clareza.

Yoongi engoliu em seco, completamente nervoso com a situação. Também não sabia como reagir, nem mesmo planejava aquilo e tampouco queria que o ruivo descobrisse. Seria um inferno conviver com alguém fanático por heróis, principalmente sendo um.

— Ninguém pode saber disso, entendeu? — perguntou, tomando o uniforme das mãos do garoto. — Se você contar, pode ter certeza que isso não vai acabar bem.

— Ei, relaxa. Eu não vou revelar isso — assegurou enquanto seguia o mais velho com os olhos. — Seu segredo está seguro comigo.

Yoongi se apoiou na escrivaninha do quarto, dando as costas para o Park.

— Agora viver aqui vai ser uma verdadeira tortura — sussurrou, mas não pretendia ser ouvido.

Jimin franziu o cenho ao escutar aquilo, e seu coração se apertou um pouco ao pensar que poderia atrapalhar seu tão amado herói em algo.

— O que eu vou fazer?

— Quer ajuda com seus machucados? — perguntou de forma inconsciente. — Eu posso cuidar deles e…

— Eu não quero sua ajuda, Park — respondeu, rude, virando-se para ele. — Eu posso me cuidar sozinho.

— Eu só queria ajudar — murmurou, abaixando os olhos para as mãos unidas em frente ao corpo. — Você sabe o quanto eu gosto do Homem-Aranha, quer dizer, de você. — Corou. — Então, pensei que pudesse me deixar ajudar um pouquinho.

— Eu não preciso e nem quero que me ajude — retrucou, olhando-o com um pouco de receio.

Estava irritado por ter cometido um deslize tão grave, por ter falhado em esconder algo tão importante.

— Todos precisam de ajuda — insistiu, tentando se aproximar.

— Você tirou isso de onde? Dos seus quadrinhos idiotas? — debochou, erguendo um pouco o tom de voz.

— Não. Eu só quero tentar…

— Não tente, Jimin — gritou, furioso. — Eu realmente não quero nada que venha de você. — Jimin encolheu os ombros e abaixou a cabeça, definitivamente segurando o choro no fundo da garganta. — Eu não sou a droga do herói que você tanto ama.

Sem pensar muito, Yoongi caminhou até a parede e arrancou um dos pôsteres com a imagem montada do Homem-Aranha escalando um prédio de vidro. E, naquele momento, sua raiva se foi, sua mente clareou e percebeu o que havia feito.

— Você não é mesmo o meu herói. — Ele ergueu a cabeça, revelando os olhos marejados pelo choro. — Você é o pior vilão. Uma farsa.

— Jimin, desculpe. Eu não queria te deixar assim. — Aquela foi sua vez de tentar se aproximar. — Não precisa ficar assim. — Tocou-o no ombro, tentando acalmar o choro dele.

— Não toque em mim, seu… Seu merda — esbravejou, afastando o toque alheio. — Sai do meu quarto, agora.

— O quarto também é meu — protestou. — Não pode me expulsar assim.

— Eu posso e é exatamente isso que eu estou fazendo. — Jimin passou por ele, ignorando qualquer tentativa de um pedido de desculpas.

O Park se deitou na cama, encolhido para o canto e com os olhos bem apertados, em uma tentativa falha de segurar as lágrimas. Seu peito doía de uma maneira incomum pela frustração de ser desiludido daquela forma tão brutal e enérgica. Nunca imaginou que isso aconteceria, nem mesmo teve a intenção de que acontecesse.

A tristeza não iria sair do seu âmago tão cedo, mas teria que lidar com tudo aquilo. Conviver com Yoongi agora seria sufocante, pois não conseguiria mais ter os bons olhos que olhava para ele, e quanto ao seu super herói… não sabia mais o que sentia em relação a ele.

Sua respiração se alterou conforme o choro ia se tornando mais forte e a ideia de perder tudo que admirou por anos se tornou nítida. Estava tão preso naquela dor que sequer notou quando Yoongi saiu pela janela após vestir o uniforme vermelho. Os olhos pesaram cada vez mais até que por fim se fechassem, dando um descanso para a mente e sentimentos machucados de Park Jimin.

As lágrimas, que antes escorriam aceleradas pelas bochechas brancas, agora estavam secas e incomodavam o ruivo, que se sentou na cama após coçar os olhos inchados. Inutilmente, olhou para o relógio, e percebeu que já eram quase cinco horas da tarde. Teria que arrumar as coisas para voltar para casa no final de semana.

Morosamente, juntou algumas roupas e os cadernos para estudar, cogitando a ideia de levar seus amados gibis, mas descartando-a ao relembrar do que havia acontecido mais cedo. Pensando nisso, Jimin notou que Yoongi não estava no quarto, que as coisas ainda estavam no mesmo lugar. Ele certamente estava por aí, já esquecido do seu fã e colega de quarto.

O som do alarme fez Jimin voltar para a realidade, deixando os pensamentos de lado para poder finalmente ir embora para casa. Queria ver sua a mãe, sentir o seu carinho e ser confortado por palavras gentis. Abriu a porta devagar, seguindo diretamente para as escadas que levavam para o portão de saída.

— Jimin. — Uma voz bem conhecida lhe chamou.

Kim Namjoon, diretor do colégio e responsável pela boa conduta dos alunos dentro dos corredores e salas de aula. Ele era alto, com os cabelos bem alinhados em um penteado formal, o que parecia dar um ar mais sério para a face gentil do mais velho.

— Senhor Kim — Virou-se para o mais alto. — Precisa de algo?

— Soube que você faltou durante todo o turno vespertino do seu curso, nem mesmo nos corredores você apareceu — comentou, ajeitando os óculos finos no rosto. — Aconteceu algo? Seu rosto está vermelho… Alguém lhe agrediu?

— Não, pelo menos não fisicamente. — Riu sem humor. — Eu só briguei com meu colega de quarto, depois eu acabei dormindo e perdendo o horário. Eu sinto muito, senhor Kim, por causar preocupações.

— Há algo que eu possa fazer para arrumar isso? — indagou, colocando uma das mãos no ombro do ruivo. — Você não precisa aguentar nada disso sozinho.

— Eu posso mudar de dormitório? — perguntou, sem pensar muito. — Eu não me importo em dividir.

— Você tem certeza? — Jimin confirmou com a cabeça, em silêncio. Namjoon suspirou. — Tudo bem, Park. Segunda-feira você terá seu dormitório novo. Vou te colocar com um novato, certo?

Novamente, Jimin manejou a cabeça em afirmação.

— Certo. Tenha um bom final de semana, até segunda-feira — desejou, vendo o garoto saindo em passos lentos.

Jimin atravessou a rua, sentando-se no banco em frente à uma sorveteria; era o que sempre fazia para esperar a mãe. Resolveu comprar um sorvete para fazer o tempo passar mais rápido, não resistindo em pegar um copo personalizado do Capitão América — pelo menos aquele super-herói em específico não iria lhe ferir.

Preparou seu sorvete com várias camadas de Nutella antes de se sentar novamente no mesmo lugar e começar a comer tranquilamente enquanto olhava de um lado para o outro, sem perceber que estava sendo observado de longe.

No alto do pequeno edifício ao lado da sorveteria estava Yoongi, sentado nos calcanhares, observando seu pequeno colega de quarto completamente sozinho enquanto os demais alunos saíam em grupos animados. Um suspiro abandonou seus lábios ao lembrar-se do que havia feito com o ruivo, o que tirou a única coisa que ele gostava profundamente.

Yoongi sentiu o peito apertado vendo o Park enxugando algumas lágrimas teimosas, e a culpa preencheu seu âmago.

— O que foi que eu fiz? — indagou a si mesmo.

Contudo, sua atenção foi desviada para o carro que estacionou em frente à sorveteria. Viu quando uma mulher desceu do veículo, vestida com uma roupa hospitalar.

— Filhote, como você está? — perguntou, abraçando o garoto. — Veja só, está tomando sorvete sem mim?

— Era o último copinho do Capitão América — explicou, pegando gentilmente o copo sobre a mesa.

— Era o herói favorito…

— Do papai — completou. — Temos que ir vê-lo, não é?

— Sim, vamos levar flores para ele. — A mulher abraçou Jimin pelos ombros, entrando com ele no carro alguns segundos depois.

Yoongi resolveu seguir o carro deles, afinal queria saber um pouco mais sobre o ruivo, e talvez criasse coragem para pedir desculpas, presenteando-o com algo que ele goste bem mais que o Homem-Aranha. Locomover-se não era problema, pois os prédios serviam como apoio para suas teias. Seguiu eles com calma, parando nos momentos em que eles paravam, acelerando assim como eles e às vezes diminuindo o ritmo.

Sua surpresa maior foi quando dobraram uma esquina em específico. Foi então que percebeu para onde estavam indo; eles seguiram para o cemitério.

Os dois saltaram do carro, logo seguindo até uma barraca de flores e arranjos bonitos.

— Mãe, eu vou indo na frente — Jimin disse, apertando o copo personalizado em uma das mãos enquanto na outra carregava um buquê de flores pequenas.

Jimin se afastou da mulher de cabelos ondulados em passos lentos, passando por túmulos e lápides bem cuidadas até chegar num túmulo prateado. A lápide com flores desgastadas pelo sol foi gentilmente tocada pelo garoto, que sentiu os olhos marejados ao ver a frase escrita ali.

"Todos precisam de ajuda".

Papa, eu acho que nem todos precisam de ajuda. — A voz estava embargada pelo choro. — Mas, eu precisava tanto de você aqui — murmurou, olhando para o copo de sorvete já vazio e limpo.

Yoongi observava aquela cena de longe, sentindo-se ainda mais culpado por ter gritado com o garoto justo no dia em que a morte do pai completava mais um ano. Não estava se sentindo bem e não iria melhorar até pedir desculpas por ter agido impulsivamente.

— A mamãe sente sua falta. — Ajeitou o copo com cuidado ao lado da lápide, logo colocando as flores dentro dele. — Eu também sinto, mas eu acho que ela sente bem mais do que eu. Já ouvi ela chorando muitas vezes no quarto, mas eu nunca soube o que fazer por ela — ele fez uma pausa para engolir o próprio choro —, então eu só me sento no corredor e fico ali, até ouvir o choro dela parar e ter certeza que ela dormiu.

Yoongi permaneceu durante todos os minutos observando-os de longe, assistindo a cena de uma família sofrendo pela perda de uma parte essencial, emocionado com os abraços que os dois trocavam em frente ao túmulo cheio de flores. O choro sentido e baixinho foi o que mais tocou em seu coração, pois parecia ser de uma ferida que nunca iria cicatrizar completamente.

Os dois saíram de mãos dadas do cemitério, afastando-se com passos lentos, como se tivessem acabado de enterrar o corpo de um ente querido. Aproveitou o distanciamento deles para se aproximar da lápide, lendo então a frase que fora dita pelo Park mais cedo, que ele percebeu que Jimin não havia tirado de um HQ ou série de heróis, ele havia aprendido com o falecido pai.

O pensamento de que havia debochado do garoto por ele ter dito aquela frase numa humilde e esperançosa tentativa de ajudar com seus machucados externos voltou e embrulhou seu estômago, remexendo cada sentimento dentro de si. Mais cedo, foi tão mau com quem só queria o bem e, naquele momento, estava se sentindo um vilão sem escrúpulos.

— Eu sinto muito, senhor Park, por ter falado daquele jeito com Jimin — murmurou, abaixando a cabeça vagarosamente. — Sei que não deveria, ele não teve culpa de nada e eu acabei descontando minha frustração nele.

Seus olhos se abaixaram devagar para o copo de sorvete, sorrindo fracamente ao se lembrar do ruivo.

— Eu vou dar um jeito nisso, eu prometo.

Então Yoongi saiu, carregando o sentimento de culpa em seu peito, que só iria dissipar caso pedisse desculpas adequadamente para o mais novo. Seguiu para o colégio, pois precisava ver Namjoon e conversar sobre o que havia acontecido, já sabendo que certamente levaria uma bronca do mais velho por ter agido com tanta brutalidade.

Os corredores estavam vazios, mas estava desacostumado com aquela visão, afinal, passava os dias com aquele colégio lotado.

— Está procurando por algo? — Yoongi parou no meio do corredor. — Eu já sei o que você fez.

Yoongi tirou a máscara, puxando os cabelos escuros para trás, virando-se para o mais velho, vendo o semblante sério do Kim, que não parecia nem um pouco contente com ele. E, dessa vez, dava razão para o mais velho, razões muito válidas, aliás.

Em silêncio, Namjoon passou pelo Min, um pedido para que o seguisse até sua sala no final do corredor.

O som dos sapatos do maior ecoava pelo ambiente vazio, criando uma certa tensão no corpo do moreno, afinal, eram somente os dois ali e nada garantia que o momento seria bom. Ao fim da curta caminhada, ele abriu a porta, dando passagem para o Min e se sentando na cadeira posicionada em frente à mesa.

Yoongi manteve a cabeça baixa, já sabendo o que viria a seguir: a maior e mais longa bronca que já levou em toda a sua vida.

O som da porta sendo trancada anunciou que o momento finalmente chegara. Tomou coragem para erguer a cabeça, mas desistiu, ao notar que Namjoon havia se sentado bem ao seu lado, esperando que começasse a falar o que havia acontecido de fato, tim-tim por tim-tim.

— Namjoon. — Suspirou, coçando a nuca um pouco nervoso. — Você sabe o que aconteceu, né? Jimin e eu brigamos…

— Você brigou com ele, não? Jimin nunca começaria uma briga, principalmente com o colega de quarto — rebateu. — Yoongi, quando eu te dei esse traje, foi para que você o honrasse, para que cuidasse de cada cidadão da cidade usando isso.

— Eu não queria ter feito o que eu fiz — murmurou. — Estou arrependido por ter tratado Jimin daquele jeito, ele não teve culpa de nada.

— Yoongi, olha pra mim — pediu, sendo obedecido com certa relutância. — Eu sei o quão pesado é esse fardo e o quão cansativo isso pode ser, eu fui o Homem de Ferro por anos, na verdade, eu ainda sou, mas deixei que você assumisse a responsabilidade de cuidar do povo para que amadurecesse. — Segurou-o pelos ombros enquanto o encarava com paciência. — Como eu vou confiar uma cidade toda a você, sendo que perde a linha logo no primeiro deslize?

— Eu sinto muito por isso — respondeu. — Eu tive medo, Namjoon. Tive medo de que ele contasse e que depois me olhasse como se eu fosse uma aberração.

— O Jimin te adora — assegurou. — Independentemente de você ser o Homem-Aranha ou não.

— Eu acho que não mais depois de hoje — respondeu, levando as mãos até os cabelos, puxando-os para trás. — Ele deve me odiar.

— Não acho que o Jimin seja capaz de odiar tão rapidamente. — Sorriu, mostrando suas adoráveis covinhas. — Então, você trate de arrumar um pedido de desculpas sincero até segunda-feira cedo, pois ele me pediu para mudar de quarto… e eu vou fazer isso se você não consertar o que fez com o garoto.

— Como assim mudar de quarto? — indagou, preocupado.

— Devo lembrar a você de quem é a culpa? — Ergueu as sobrancelhas, afastando-se do mais novo.

Yoongi não gostava da ideia de ficar brigado com alguém, principalmente se esse alguém não tivesse um por cento de culpa de algo que havia acontecido. E a ideia de ficar longe do Park lhe parecia um tanto quanto agonizante, uma vez que precisava do seu colega de quarto onde ele sempre esteve — e deveria permanecer sempre.


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Notas Finais: Meus agradecimentos para u capista que fez essa obra-prima de capa (ainda estou apaixonada): snuffyoon / @monpecs
E para u beta que me ajudou durante a correção: @scarisvancci / @scarisvancci
Eu volto, prometo :D

19 Mai 2022 18:16:42 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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