juliana-k--tavares Juliana K. Tavares

Lily é uma competente e dedicada corretora de imóveis, que vai ter uma experiência única em sua vida, quando vai fazer uma avaliação em um imóvel numa cidade pequena. Será que Lily vai sobreviver ao que vai se revelar a ela? Será que o irreal e o real podem coexistir ao mesmo tempo?


Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans.

#intuição #charme #surpresas #casa #cidadezinha #suspense #terror #conto
Histoire courte
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Ele está nas sombras, nunca queira conhecê-lo!

Quando me tornei corretora de imóveis, eu nunca pensei que sacrificaria tantos finais de semana como ultimamente estou fazendo, nem no domingo consigo descansar, essa rotina está me cansando. No entanto, o dinheiro que ganho com as comissões das vendas dos imóveis vale esse sacrifício, e conforme vou me destacando aqui dentro, mais perto fico de virar sócia da imobiliária. Nova Iorque é uma cidade maravilhosa de se viver e também de se trabalhar com imóveis.

De repente batidas na porta do meu escritório me fazem focar novamente na realidade, que ultimamente estava estressante.

— Pode entrar!

— Você está muito ocupada Lily? – pediu minha chefe enquanto adentrava no local, fechava a porta e se acomodava na cadeira.

— Só um pouquinho, mas pode falar – incentivei já sabendo que devia ser algum cliente especial que ela queria que eu atendesse.

— Bem, agora a pouco atendi uma cliente que veio até nós para vender a propriedade que ela herdou – Mary fez uma pausa para continuar, fato que me deixou impaciente e me fez interrompê-la, pois quando ela começava a falar não parava mais e isso era cansativo.

— Deixe-me adivinhar... a cliente pediu para que nós avaliemos esse imóvel para ver quanto custa, porém ele fica em outra cidade. Então, como ninguém pode viajar no final de semana, eu fui escolhida para fazer esse serviço. Seria isso? – perguntei entediada, porque quase sempre algo daquele tipo sobrava para mim.

— Realmente, é bem isso mesmo. Você sabe que vai ser recompensada por essa dedicação não é? Só posso contar contigo quando surge alguma coisa assim.

— Sim, eu sei! Onde fica essa propriedade? – anuí com um meio sorriso com o intuito de deixar o clima mais descontraído.

— A casa fica na cidade de Townshine, numa área rural – ela me respondeu receosa, pois sabia que eu não gostava de estradas desertas e muito menos de terra batida, porque era terrível quando chovia. Não tive boas experiências no passado com isso, no entanto, eu não posso recusar esse pedido, preciso mostrar que sou eficiente.

— Não tem problema, Mary! Trabalho é trabalho, por mais terrível que possa parecer, precisamos enfrentar os nossos demônios interiores. Na próxima vez mande o Brian para fazer isso, ele parece bem disposto e não recusaria uma ordem sua – sugeri enquanto arrumava a papelada de cima da minha mesa.

— Infelizmente, ele ainda é um novato aqui na empresa, quem sabe mais para frente.

— Está bem, já entendi! Agora preciso ir para casa, arrumar algumas coisas para sair amanhã bem cedo para Townshine.

— Veja pelo lado bom, pelo menos você não vai precisar vir sábado trabalhar aqui na imobiliária, vai passear e conhecer um lugar novo. Boa viagem e aproveite! A propósito te mandei o endereço do local certinho por email. E outra coisa, a senhora que veio aqui pediu para que você pegasse um pequeno baú de cor esverdeada que está no porão e o trouxesse consigo, parece que tem pertences importantes da avó dela lá.

— Certo! – murmurei pensativa antes de levantar da cadeira e pegar minha bolsa e caminhar junto com minha chefe para fora da sala.

***

No dia seguinte, a viagem até Townshine demorou exatamente duas horas, logo que cheguei à cidade pude confirmar o que tinha lido na internet na noite anterior. A maioria dos habitantes eram fazendeiros, trabalhadores rurais e empregados de uma grande fábrica de tecidos. As fachadas das casas possuíam um charme especial, pois pareciam ter saído de um filme dos anos 70, contrastando com os poucos prédios novos distribuídos pelas avenidas principais. Para a minha grande surpresa, os moradores me receberam muito bem, eles eram simpáticos e prontamente me deram algumas informações a respeito da propriedade que eu iria avaliar.

O café da manhã na única lanchonete com decoração retrô da cidade foi agradável, a torta de maçã que saboreei estava uma delícia, lembrava a da minha falecida avó, fato que me trouxe uma gostosa nostalgia. Após pagar a conta do pequeno lanche, atravessei a rua e entrei no meu carro para seguir em direção a casa assustadora, foi assim que algumas senhorinhas descreveram o tal lugar que agora eu visitaria.

***

Assim que parei o automóvel em frente a casa esverdeada de madeira, que possuía dois pavimentos, um arrepio gélido me subiu de imediato pela coluna. Porém, eu não podia me entregar aquele sentimento de medo, por mais que algo me dissesse para ir embora, não era o certo a fazer. Então respirei fundo e fiquei encarando o casarão por um breve momento, até que peguei minha mochila e resolvi descer do veículo

— Só posso contar com minha coragem numa hora dessas – murmurei antes de caminhar em direção a pequena escadaria de madeira desgastada e subir cuidadosamente, pois a madeira pareceu estar um pouco podre. Na pequena varanda, conforme eu caminhava o barulho de pequenos estalos e rangidos podiam ser ouvidos. Foi difícil de abrir a porta de entrada, porque ela estava emperrada, tive que colocar força para abri-la. Quando finalmente criei coragem para adentrar na residência ouvi atrás de mim um pigarreio, que me fez quase ter um infarto de tanto que meu coração bateu rápido. De maneira instintiva levei a mão ao peito e me virei para entrada da propriedade, onde estava o meu carro.

— Bom dia, senhorita! Minha fazenda fica aqui ao lado e eu me chamo Harry, espero não estar incomodando – ele apontou em direção a uma enorme mansão de pedra que dava de ver de longe.

— Bom dia, Harry! Sou a Lily. Posso ajudá-lo de alguma maneira? – perguntei mais calma ao ver que se tratava apenas de um homem real e não uma aparição de outro mundo.

— Você é parente da falecida proprietária desse imóvel?

— Não! Eu sou apenas uma corretora de imóveis que veio fazer uma avaliação do local para a venda – respondi sem rodeios, ao mesmo tempo que observei algo estranho, os olhos do homem a minha frente ligeiramente ficaram avermelhados quando dei aquela informação a ele. Fato que me fez fechar meus olhos e esfregá-los, para depois o encarar novamente.

— Cansada, Lily? – Harry me encarou debochado.

— Sim, um pouco... – falei de maneira cautelosa, pois estava confusa a respeito do que tinha visto, se era real ou fruto da minha imaginação.

— Então, eu acho que você deveria pousar num hotel da cidade antes de voltar para a sua cidade ou pode quem sabe ficar na minha mansão.

— Não, eu estou bem, não pretendo ficar aqui, mas obrigado pelo convite.

— Você que sabe. A propósito, eu estou interessado em comprar essa propriedade que você está avaliando. Não importa o preço, eu pago – as palavras dele eram firmes, quase hipnóticas. Harry me encarava como um predador que estava prestes a devorar sua vítima.

— Ótimo! Você mora em que cidade? Vou te dar o meu cartão, eu sou de Nova Iorque – gesticulei contente e desci os degraus e me aproximei dele ignorando todos os alertas da minha cabeça que pediam para ter cuidado. Então sem delongas entreguei o cartão, que ele olhou de maneira meticulosa.

— Humm, Lily Mary Hoping, prazer! Eu sou Harry Justing Smith, presidente da empresa Lambers Softy Sea e moro em São Francisco – aquele belo homem de olhos verdes apertou minha mão de maneira delicada e deu uma piscadela.

— Nossa, é muito longe daqui. Você vem com frequência visitar a sua fazenda?

— Costumo vir uma vez por mês, fico dois dias e volto para a agitação de São Francisco. Gosto daqui, porque é quieto e posso fazer o que quiser sem medo de ser fotografado.

— Foi um prazer conhecê-lo, espero que possamos nos ver em breve! Agora preciso fazer o meu trabalho.

— Prometo que te procuro em breve ruivinha – ele sorriu antes de caminhar para fora da propriedade e entrar em sua camionete e dar a partida saindo dali.

***

Após a conversa estranha que tive com o vizinho, eu entrei na casa e fui fazer o meu trabalho. Demorei exatamente três horas para vasculhar o local, que pareceu estar abandonado um bom tempo, deduzi isso pelas teias de aranhas nos cantos das paredes e pela grossa poeira nos móveis. Minha rinite já estava atacada só por entrar naquela casa. Deixei para olhar o porão por último, pois precisava pegar o baú da antiga proprietária, ao descer a escadaria de madeira que levava ao piso inferior senti um ar gélido, e ao tocar o pé no piso, um arrepio tomou conta do meu corpo. Tateei a parede com o intuito de achar uma tomada que acedesse a luz, para minha sorte logo a encontrei e o local foi iluminado. Para a minha sorte, o baú esverdeado estava a poucos passos da onde eu estava, então caminhei rapidamente e o peguei, era meio pesadinho, porém eu aguentava. Quando eu estava quase chegando ao topo da escada, algo agarrou o meu pé, me fazendo tropeçar e deixar cair o baú no chão, revelando o que tinha no seu interior. Assustada, eu olhei para trás e o que visualizei... me fez gelar os ossos, pareceu que eu estava num filme de terror, uma criatura pálida e bestial rosnava para mim e balbuciava algumas palavras.

— Devolva... as... coisas... da mestra... ele vai roubar na hora que você sair daqui... não posso deixar você sair daqui com isso...

Apavorada e morta de medo, em total desespero eu sai correndo deixando todo o conteúdo do tal baú para trás. Quando me dei conta já estava perto do meu carro, custei a abrir a porta por conta da minha mão que tremia.

— O que foi aquilo? Será que é real? Não quero descobrir – murmurei baixinho após me acalmar e conseguir entrar no veículo, porém antes de ligá-lo, olhei pelo espelho retrovisor e meu coração quase parou, então me virei rapidamente em direção ao banco traseiro e o encarei.

— Olá, Lily! Pensei que você conseguiria trazer aquele baú para cá, mas vejo que falhou – o sorriso sádico que ele esboçava na face, o deixava tenebroso, assim como o par de olhos vermelhos.

— O que... que... é você? O que você... quer? – sussurrei num fio de voz enquanto a criatura se aproximava de mim.

— Sou um devorador de corações... e o que eu quero? Não é óbvio? Hahahahahaha – ele gargalhou antes de avançar sobre mim.

— AAAAAaaaah!


Fim

4 Mai 2022 17:35:39 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
10
La fin

A propos de l’auteur

Juliana K. Tavares Adoro assistir doramas, principalmente os Coreanos e Chineses. Eu amo ler livros de época, romance e de mistério. https://www.instagram.com/juliana.k.tavares/

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