Histoire courte
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REDOMA

No princípio, Deus criou o Céu e a Terra.

Anoto isso infindáveis vezes num bloco qualquer de papel, enquanto duro em meu quarto, em silêncio.

Lá fora, o tilintar dos pratos, as incontáveis horas que teimam a passar. Os dentes a rasgar e mastigar o alimento. Eles não sabem o que eu sonho. Eles não sabem o que eu sonho.

Era para ser uma noite qualquer, um dia qualquer. Mas hoje foi feriado. E eu me sinto ferido por amanhã ser um dia igual aos demais. Mas por que hoje foi diferente? De certa forma, algo se esclareceu hoje. Eu sei que eu sonho.

Há dias que não sinto fome. Somente sede. Sede de algo que nunca provei. Algo para cessar e matar a minha dor. Eles não sabem o que sinto. Por vezes nem eu sei, mas tenho esse direito.

Finjo a mim mesmo demência, para perder o costume. Sair de um padrão que teimo em não me encaixar, vendo-me encaixado assim mesmo. Eles não sabem que eu não me encaixo. Eles não sabem da dor.

E, por não saber, venho doído. Assim, a escrever uma história sem meio e fim, sem ânsia de ver a luz do dia. Eles não me leem. Eles não me admiram. No fundo, subestimam a minha capacidade de ser eu mesmo. Quem eu sou? Pergunto a mim mesmo, perdendo a mim e aquela velha identidade.

Tudo um dia virou vapor e se foi para o silêncio. Silêncio esse ensurdecedor, que toca numa ferida incurável, que se abre dia e noite, principalmente de dia, diante do esforço, diante de cada submeter. Eles não sabem do meu excesso de amor. São tempos difíceis e o amor não enche barriga, o amor não enche o bolso. O amor é somente amor. O amor para eles é nada.

Eu conto os dias para chegar onde sei que quero chegar. Mas é que as coisas estagnaram de vez e eu sofro. Sofro sem soluções. Eles não sabem que eu sofro. Mesmo assim eu vou sofrendo, vendo-me na posição de renegado. Era uma vez um sonho abandonado.

Em partes. Porque ele ainda vive em mim. Protegido, guardado a sete chaves. Longe daqueles que menosprezam a dor e o sofrimento. “Amai ao próximo como a ti mesmo”.

27 Février 2022 15:59:10 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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À suivre…

A propos de l’auteur

Igor Azevedo Igor sempre brincou de professor e escritor. Na infância, sonhava com o lançamento de um livro, mas pelas poucas condições e pouca idade que possuía, seu sonho parecia impossível, porém nunca esquecido. Na adolescência, não costumava ler por influência das tecnologias que geravam um desinteresse latente pela arte da escrita. Tudo isso acabou quando Igor sentiu a necessidade de se esvair do mundo, quando a Literatura era a única saída, o suficiente para transformá-lo em amante da arte.

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