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Dentre os piores sentimentos humanos, o cansaço era aquele que afligia Min Yoongi. Ele estava cansado de pensar no quanto gostaria disso ou daquilo, de como esperava, há tempo demais, por uma resposta. Yoongi estava cansado de seu "relacionamento" com Park Jimin. E, por todos os "e se" e inseguranças, ele estava indo embora. (Inspirada em Chão de Giz, Zé Ramalho)


Fanfiction Groupes/Chanteurs Interdit aux moins de 18 ans.

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Para: Park Jimin (único)

Escrito por: @LadyofSomething/@RedWidowB


Notas iniciais: Olá, nenéns! Esta estória cita questões delicadas, como adultério e sintomas de depressão. Caso não se sinta confortável, ou a temática possa lhe causar gatilhos, por favor, priorize seu bem-estar e não leia.

Se não for o caso, fico muito feliz que leia, e agradeço muitíssimo desde já!

Boa leitura <3


~~~~

Eu nunca tive medo de sofrer.

Todos os passos que dei, fossem eles em tua direção ou não, eu os executei com a confiança que, hoje, não tenho mais. Andava como cego em meio à claridão perigosa que é a vida.

Talvez fosse culpa da criação que recebi, cheia de amor e cuidados, ou de todas as pessoas que me abraçaram durante a vida. Talvez, também, não fosse justo culpar as pessoas que me deram afeto e bem-estar. Mas, em minha realidade, não havia apreensão em mim, antes de você.

Porque você me fez sofrer, e, hoje, meu maior medo é sentir as dores que nós dois causamos. Temo, irracionalmente, nunca superá-las.

E, acredite, não estou tentando transformar tudo isso sobre mim, como por vezes você me acusou de fazer. Não, não. Isso tudo é sobre você, sobre como você foi tudo para mim, inclusive minha decadência. Sobre como meus pensamentos permanecem em você, mesmo quando não deveriam.

É sobre como eu desço dessa solidão e espalho meus sentimentos em relação a você sobre o chão de giz em que vivemos essa relação. Sobre essa instabilidade e fragilidade que nós dois sabemos que não conseguiria nos sustentar por muito mais.

E eu sei que esses meros devaneios tolos irão me torturar, mas eu continuo, porque preciso sofrer, mais uma vez, para te deixar.

Preciso esclarecer para nós dois o que nunca foi dito, pois somos dois covardes. Com essas palavras que escrevo aqui, eu te digo adeus, Park Jimin, em meu último ato de coragem em relação a você e a nós dois.

Mas, para isso, te direi tudo o que nos levou ao fim e que trouxe a certeza de que essa era a coisa certa a se fazer.

Afinal, se você não resolveu sozinho me deixar, depois de tudo o que passamos, pergunto-me se vivemos a mesma realidade. Se você entende a minha. Se enxergas como tua imagem transformou-se em fotografias recortadas para mim, uma vez que, de você, o bom provém apenas do que busco em segredo na minha imaginação, das lembranças manipuladas e imagens que guardei em minha mente.

O que tivemos foi a simples ilusão que criei pelos teus pedaços que reuni em mim.

Quando nos conhecemos, naquele carnaval, simbolismo de felicidade, não imaginei que chegaríamos a isso, a toda loucura que nossos atos criaram. Mas, como poderia? Eu era apenas um garoto de 20 anos inconsequente, e você era um homem de verdade, independente da idade.

Porém, enxergo que tal maturidade que nós dois enxergamos em você não condiz com a característica de amadurecimento que a vida adulta deveria nos trazer. Você era apenas um garoto que havia vivido demais, enquanto eu era leigo sobre o que a vida poderia nos causar.

O que me faltava em consciência, sobrava em insegurança, e vontade de controle, em você. Hoje, porém, eu entendo o que eram seus temores, apesar de não querer mais sobreviver a eles.

Naquele Carnaval, você era, sem dúvidas, a pessoa mais bela de todas, vestido em sua fantasia que indiretamente combinava tanto com você: um príncipe. Independente do quão clichê possa parecer, eu ainda penso assim.

Pois você era lindo e inalcançável como um, rodeado de proteções inquebráveis que até hoje nos perseguem. Infelizmente, não percebi rapidamente que eu não era o cavaleiro destinado a salvá-lo, além de que o “felizes para sempre” das fábulas não era tão simples assim na vida real.

No entanto, como um pensamento intrusivo, não consegui evitar que você se repetisse em minha mente desde o momento em que tu sorriste para mim. Eu me senti na borda de um precipício, onde meu cérebro dizia para que me jogasse.

E eu me joguei.

Entreguei-me a ti como o crente faz ao Salvador. Cometi o pecado da adoração sem nem ao menos imaginar que o fazia.

Lembro-me claramente de como Jungkook preocupou-se assim que nossos olhos se encontraram. De como ele, como um bom amigo que era, tentou me avisar que, mesmo que eu avançasse em você como balas de canhão, existia um empecilho muito maior que nós dois.

Mesmo assim, eu insisti, por ser o poço de inconsequência que nós dois já sabemos que fui.

Com toda sinceridade, não me arrependo de ter corrido em sua direção naquele dia. Não há ressentimento em mim ao lembrar de suas bochechas coradas ao me confessar seu nome e seu sorriso tímido.

Você se arrepende?

Como são suas lembranças sobre nós? Você ainda me vê como o garoto que se apaixonou por você primeiro?

Você me vê de alguma forma?

Às vezes gostaria de ler seus pensamentos.

Você me ama? Você sente minha falta como sinto a sua? O que será de você sem mim?

Às vezes fico feliz por não ter tal poder também, pois será que quero realmente saber as respostas? E, se todas forem negativas, o que será de mim?

Por todos esses anos, não quis realmente saber, e ignorava a urgência de te indagar. Afinal, te amar foi inevitável. O que seria de mim ao saber que não havia recíproca em qualquer momento de nossa união?

Amar-te é meu martírio, que não sei se conseguirei deixar para trás.

E é por isso que estou indo embora. Causar-me sofrimento sozinho, pois sofrerei ao te deixar, parece mais justo comigo mesmo após todos esses anos de juventude jogados fora. Meus vinte anos de boy, como meu amigo Namjoon diria, acabaram. Acabaram em suas mãos. Acabaram no amor que ainda sinto, como uma maldição.

Porque, depois daquele Carnaval, nada mais era apenas sobre eu e meus dias de jovem inconsequente. Tudo se tornou parte da vontade de te ver, conhecer e tocar.

Eu não queria imaginar um mundo em que você não estaria comigo, fosse como fosse. Só queria te ter e que eu estivesse entre seus desejos igualmente.

Por isso, no lugar de seguir minha vida em frente e esquecer de teus belos olhos e sorriso, como Jungkook me aconselhou, eu fui atrás de você em seu emprego naquela livraria antiga — a única da cidade.

O lugar era conhecido por ser um dos prédios mais bonitos da nossa pequena cidade, não é? Graças a você, eu nunca consegui reparar realmente.

Sei que já sabes disso, mas, quando cheguei à recepção e você me perguntou pelo o que eu estava procurando, quis ser o idiota que responde “você”. Era a verdade, afinal.

Na época, eu me recriminei por não ter a coragem de fazê-lo. Hoje, entretanto, sinto-me enterrado na controvérsia, visto que, caso minha resposta não houvesse te chamado atenção por minha timidez, hoje eu não saberia qual o sabor de seus lábios. Mas, sendo eu quem está fugindo, essa não era a resposta que eu deveria ver como melhor para mim?

Penso, mais uma vez, que não me arrependo. Foi ali que sorriu uma segunda vez para mim, da forma que gostaria que houvesse se mantido por toda nossa vida.

No entanto, imagino que não sorrirá ao ler minhas palavras nesta carta, muito menos espero que nossa proximidade seja suficiente para meus olhos captarem o que mais amo em você.

Eu não quero mais te ver sorrir, assim como todas as outras expressões que doem apenas em meu imaginário. Não quero que continues a ser a inspiração em mim. Deixe de ser minha musa, pois a inspiração que me trazes é apenas dor.

E eu já repeti tantas vezes isso, não é? Sobre o encantamento que há em teu sorriso, que é esse simples mover de lábios capaz de esmagar meu coração e retirar até a última gota de amor próprio que poderia existir em mim.

Pelo teu sorriso, eu retornei à biblioteca. Pela felicidade que achei em nossos encontros curtos, esperei a hora certa de pedir por mais. Pela forma que te surpreendi ao pedir seu número, pensei que meus passos estavam corretos.

Você conseguiu provar facilmente que meu senso de direção era falho. Mostrou diante de meus olhos que eu era apenas um garotinho com corações estampados nos olhos.

E se há um grande erro em tudo que iniciamos, esse erro foi seu, ao se vestir com a inocência que há muito havia sido tirada de você. Você, antes de mim, sabia que estávamos errando, que eu te queria demais e da forma que você não deveria retornar, pois, mesmo que sua idade fosse menor que a minha, você tinha vivido mais. Vivido mais que eu e sem mim, com aquele outro alguém.

Sei que odeias o assunto, assim como sei que nunca sairíamos da mesmice caso essas palavras fossem ditas em tua face no lugar de escritas, então, por aqui digo:

você deveria tê-lo largado antes.

Você deveria ter respeitado a si mesmo, amado a si mesmo em primeiro lugar, uma vez que aquele pedaço de desastre apenas te causava dor. Nos causou dor.

Poderíamos ter sido melhores um para o outro nesse caso, não acha? Se tivesse vivido seu tempo por si mesmo, se tivesse esquecido sobre as opiniões alheias e se recuperado dos machucados passados antes de segurar minhas mãos…

Imagino se não levou em consideração me ter como uma vingança. Se fui parte de uma atitude egoísta sua, que se tornou, sem querer, o sentimentalismo que vivemos.

Pois você o odiava, não é? Odiava a vida que levava ao lado dele, seus toques, seus "deveres" como marido. E me desculpe caso ler isso te magoe ainda mais, mas essas ideias machucam-me há tempo demais para permanecerem guardadas até mesmo agora.

Você me usou? Você se apaixonou por um brinquedo ou apenas não soube como se livrar de mim?

Eu fui um brinquedo?

Mais uma vez, não são perguntas que quero saber a resposta de verdade. Prefiro fingir, ao menos nesse final, que o dia em que você me abraçou pela primeira vez e disse que me queria, era verdade.

Não há problema em me iludir depois do fim, não é? Você não poderá tirar de mim, com suas palavras pesadas e fugas de assunto, as boas lembranças. Não poderá fazer de nós o seu saco de pancadas.

Por uma carta, você não poderá me seduzir à neutralidade ou ao desvio, e eu não verei em seu rosto tudo aquilo que me fez, várias vezes, desistir de desistir.

Eu estou sendo injusto? Estou colocando novamente tudo em suas costas? Ler tudo isso te deixa cansado?

Provavelmente sim, pois as lágrimas em meus olhos atrapalham não só a vista, como também meu raciocínio.

Ao mesmo tempo em que penso sobre como você deveria ter agido diferente, também sei que estou exigindo demais. Não há como voltar ao passado, e sua suposta maturidade era condicionada ao mesmo motivo que me leva a fugir de ti. O medo te privou de várias formas, menos de me ter em sua vida.

E é assim que sei que não posso atribuir apenas a mim a impulsividade juvenil e contradigo uma das únicas certezas que sempre disse ter. Assim como eu, você também não sabia o que estava fazendo, não é?

Quando me conheceu, seu sorriso foi de encanto ou pavor? Sua aproximação foi de bem querer ou de desespero por um salva-vidas?

A cada dia que passa, mais indagações me perseguem, e menos respostas eu quero ter. Nem mesmo a resposta amorosa, que tantas vezes procurei nos teus braços ou indaguei diretamente, me sinto correto em ter.

Eu não quero continuar exigindo, eu não quero ser aquele que te priva, muito menos aquele que ensina.

Apenas quero que nós dois sejamos capazes de estar bem.

Eu nunca quis te machucar, nunca quis ser machucado. Inicialmente, quando a verdade ainda não era clara para mim, meus planos eram te fazer o homem mais feliz do mundo.

Confesso que, ainda que me despeça, desejo que encontre esse caminho sozinho. Sei que é capaz.

Porque comigo não será, e acredito que — até que se encontre — com ninguém mais também, pois seu amor próprio é o que mais falta em sua existência infante.

Ainda há uma parte dentro de mim que acredita que seríamos o casal perfeito. Que cria a ilusão que nosso único problema foi, e ainda é, ele. Que não somos nós dois os quebrados.

Eu me lembro da primeira vez que você me contou sobre seu casamento. Eu queria te beijar, fingir que de seus lábios não saíam as palavras que estraçalharam meu coração, e você apenas jogou as cartas na mesa, apontando seu marido como a peça do deque chamada de vilão.

E eu, tolo, acreditei que seria teu herói. Que você me incluiria em seu baralho como a peça essencial.

Você sabe, não é? Sabe que eu era apenas seu coringa, enquanto você se escondia do seu papel de próprio herói.

Você é o único que pode dar o primeiro passo, Jimin. Você é o único armado contra tudo o que nos destruiu e está te consumindo.

Você já está longe dele. Você já está livre.

Novamente, penso que sou a confusão personificada, pois gostaria de dizer isso olhando em seus olhos, mas, ao mesmo tempo, prefiro nem ao menos pensar que minhas palavras seriam ditas diretamente a você. Eu quero seu bem, porém, desta vez, pensarei no meu.

Diferente do que fizemos por todo esse tempo, nos escondendo por você, nos amando em segredo por seus medos, eu quero viver em paz.

Eu quero ser o homem que não pude ser ao seu lado, quero retornar ao tempo em que você me disse pela primeira vez que não poderíamos dividir um futuro e, finalmente, ser egoísta o suficiente para criar um somente meu.

Dessa vez, eu te digo: não temos futuro, e eu estou deixando nosso chão de giz para trás.

Sei que as marcas ainda ficarão e que em algum momento terei que encarar o que erramos para seguir em frente, mas o primeiro passo estou dando.

Por isso, escrevo aqui minha perspectiva de como foi estar com você, para que, no futuro, que eu sei que irá chegar, eu não me repita. Para que o dia em que tiver que te encarar uma segunda vez, você enxergue em mim o homem que te deixou pelo bem de nós dois.

Pelo meu bem.

O bem-estar que abandonei ao segurar sua mão com força ao descobrir que seria o amante; que estraçalhei ao deixar que esses dez anos se passassem. Nenhuma melhora tive, apenas afundei na imensidão solitária que é ser seu.

E eu sou seu. De corpo e alma, como se um contrato houvesse sido selado ao trocarmos o primeiro beijo, escondido sob a escuridão daquela esquina onde mora.

Procuro, agora, quebrar a promessa que, por tanto tempo, foi o motivo do meu viver.

Não era saudável, aliás. Nunca foi. Essa dependência que nós criamos um pelo outro, onde nossas mãos pareciam atadas uma à outra, e não entrelaçadas por amor.

Eu precisava de você, até quando meu maior problema era estar ao seu lado. Você precisava de mim, mesmo que seu problema fosse não precisar de ninguém.

Você não precisa de mim, você não precisa dele, eu repito.

E se me permites um pedido, o único que faço é: lembre-se do que vivemos.

E não me refiro ao romance nem à tragédia romântica que estou tornando nossa história. Não. Lembre-se do que vivemos por sua indecisão, por sua falta de coragem de viver por si mesmo.

Seus pais não estão mais aqui para dizer seus próximos passos, muito menos ele, e eu nunca tentaria fazê-lo. Você está livre para viver.

E, por favor, não pense em nós dois quando ler essa última frase. Não me faça mais um de seus vilões. A liberdade que hoje tem é sua e somente.

Você a conquistou quando se separou daquele homem, assim como a reafirma ao me perder. Não há um nome acima do seu em sua lista de prioridades. Não mais.

Digo isso por me lembrar de como dizia que, por toda sua vida, você não foi o número um para ninguém, nem ao menos para aqueles que diziam te amar. Bem, nesse momento, caberá a você se colocar neste lugar.

Vou embora jogando os retalhos de nós, e de você, nessa festa que espero que transforme sua vida.

Afinal, o meu pano de confetes, feito de nossas lembranças e alegrias, perdeu sua função, pois já passou meu Carnaval. O nosso Carnaval. Agora, faça o seu.

Faça de você aquele que merece todo o amor e atenção que algum dia tentou distribuir ao mundo. Abrace a si mesmo como um dia abraçou aos homens para quem prometera viver.

Quero que seja feliz, apesar de minha alegria ficar para trás em minha ida. Quero que se alegre e use da felicidade que morreu em mim como condutora da sua.

Pense em mim como a peça que espero que nunca tenha enxergado antes. Viva intensamente como vivi ao teu lado, assim que descobri ser seu outro, o segundo em sua cama.

Corra pelas ruas como corri, diversas vezes, com medo de nos encontrarem juntos. Grite alto, diferente do que fiz com minha voz, que calei todas as vezes que quis te pedir para ficar, para me querer mais.

Beije outras bocas, desperdice o batom que nunca quis usar! Fume seus cigarros, suje de fumaça e cinzas o lugar em que, por minha causa, nunca pôde fazê-lo.

Transforme nosso ninho de traição, amor e ilusão em seu refúgio, abrigo e esconderijo. Ou simplesmente jogue tudo para o alto, ignore minhas sugestões e faça como quiser.

Apenas não se entristeça.

Eu não mereço sua melancolia. Também não acredito que mereça a minha. Deixemos-as, então, nesta carta. Odeie-me por aqui! Chore, e então rasgue, queime ou destrua este papel inútil como preferir, e assim descarte a nossa história mal contada.

Esqueça-me. Encontre nessas palavras apenas a loucura de um homem que, a partir de hoje, não conhece mais.

Repita as palavras que dissemos a todos por tantos anos: não somos próximos, não estamos juntos, nunca estivemos.

Não somos próximos. Não mais.

Não estamos juntos. Não mais.

Nunca estivemos.

E se tudo isso começou a tornar-se confuso para você, ou até mesmo cansativo demais para entender, é apenas uma amostra de como me senti nesses anos ao seu lado.

Amar-te me deixou louco. Queria usar, quem sabe, uma camisa de força. Queria ser isolado da falta de coerência que encontrei em nós dois. Talvez tratar da doença que meus sentimentos tornaram-se dentro de mim.

Entretanto, a cura que encontrou para nós foi outra. A camisa que usamos — a de vênus — não nos restringiu, apenas nos aprofundou nessa lamúria sem pontas que descrevo aqui. Afinal, sexo não é a solução, mesmo que seja assunto popular.

Mesmo que, com você, tudo parecesse mágico.

Você transformou as noites que dividíamos em sua arma, seus gemidos em amarras, e assim liquidou nossas chances de, como disse antes, nos tornarmos felizes um com o outro.

Eu não precisava de toques atrevidos, apenas queria conversar. Eu não precisava te sentir, apenas queria ouvir sua opinião. Nós não precisávamos descontar a raiva e as frustrações em uma cama de hotel, ou na minha, muito menos naquela que se tornou nossa.

Você me calou. Você me fez engolir muito mais do que apenas nossas aventuras luxuriosas.

E eu entendia quando o fazia enquanto nós éramos o pecado. Você só não queria ouvir o nome dele, não queria pensar em muito mais que nós dois. Eu entendia.

Porém, em que ponto nós dois viramos o tabu? Por que não querias ouvir de nós? Por que era tão difícil assim não deixarmos para depois?

E eu esperei tanto, Jimin. Tanto. Esperei pelo momento em que você me notaria, em que iria me querer igualmente, em que não seria mais seu amante… e o pior foi esperar aquele em que seria sincero comigo.

Ele não aconteceu, pois o sexo era a resposta que me dava.

Não digo que odiava seus carinhos, ou que participava de nossas eternas núpcias de mau grado. Estaria sendo injusto e mentiroso em dizer que as vontades vinham apenas de sua parte. Eu te queria, e ainda quero.

A questão é apenas ter perdido as esperanças sobre ouvir da sua boca muito mais que os murmúrios de prazer.

Mas não vou gozar de nós, não enquanto fumo um de seus cigarros caros em minha hipocrisia momentânea, pois estou me repetindo, não é? E piadas repetidas perdem a graça.

E a piada que foi nosso amor está chegando ao final, pois a repeti demais apenas para mim. Espero, sinceramente, que consiga rir dessa vez.

Que, pelas palavras que aqui deixo registradas, sorria do bobo que sou. Que ache graça do idiota que foge de você.

E não vou lhe beijar nesta despedida, gastando assim o meu batom. Eu não conseguiria dizer adeus. Quando encontrar esta carta, já estarei longe.

Longe dessa cidade, dos lugares que me lembram você, e de todas as formas que eu poderia encontrar para te ver mais uma vez. Irei sumir, de forma que, apenas quando encontrar a cura de você, eu possa voltar meus olhos à vida que deixei para trás, pela segunda vez, em sua função.

Não tenho esperança de que conseguirei te esquecer, pois sou o palhaço viciado na dor. Sou o alívio cômico em sua vida dramática. Um tipo de masoquista, que apenas aprecia a dor quando é você quem infringe.

Como um dependente, fingirei que estou me reabilitando, e que é a droga que, pela primeira vez em dez anos, deixei de usar.

E para você, eu desejo paz. Repito: seja feliz! Livre como nunca foi.

Não se importe com o brinquedo que perdeu no processo. Não se preocupe com as mãos que não estarão mais em suas costas. Apenas vá! Busque aquilo que ninguém mais conseguiria fazer por você. Busque o bem-estar que minha dependência do seu amor também te privou.

Reviva a juventude que perdeu. Abrace, beije e ame os corpos que não pôde. Encontre um amor de mesmo tamanho, recíproco e saudável.

Ache alguém que não te abandone como estou fazendo. E se não achar, não procure demais. Você é capaz de ser feliz sozinho.

Deixo para trás meus desejos de te ver bem, mesmo que seja impossível, para mim, ver-te sem me sentir miserável.

Espero nunca mais ouvir de você, apesar de pensar que saber de sua felicidade causaria-me a mescla de orgulho e tristeza profunda. Quero-te bem, mas não quero saber que está sem mim.

E não pense, em nenhum segundo após ler estas palavras, em mim. Se algum dia se importou, deixe nesse momento. Se apenas, como já imaginava, não tiver espaço em sua mente para os males que me rodeiam, permaneça da mesma forma.

Não se preocupe, mesmo que por pena.

Deixe-me de escanteio em suas lembranças, apenas para que minha existência medíocre não tenha sido completamente inútil em tua vida.

E agora vou a nocaute outra vez, porque a dor de cada pedido que te faço é dilacerante.

Desculpe-me pelas lágrimas que mancharam as linhas já tortas. Não era minha intenção enfeitar este papel com os símbolos de meus sentimentos patéticos.

Mais uma vez, digo: não quero que pense que é tudo sobre mim. É sobre nós. Essas lágrimas são resultado de nós dois. Essa dor foi causada por nós dois.

Eu te amo, Jimin. Sempre irei amar. Só estou cansado, e o cansaço supera qualquer sentimento humano.

Por favor, faça justiça à decisão que estou fazendo por nós dois. Aproveite da coragem que tive, e que você nunca teria, de acabar com tudo o que não funcionava mais.

Use da dor que não será obrigado a fingir sentir para seguir em direção às primaveras que ainda virão.

Por favor, eu imploro. Ao menos dessa vez, faça por você. Olhe-se no espelho e enxergue a pessoa que merece muito mais, que você é.

E se um tempo sobrar, se aprender rápido sobre seu valor, lembre-se do que eu sempre te disse.

Você é incrível, Park Jimin.

Eu só não quero mais afirmar isso por você. Não quero ser a pessoa que segura suas mãos e repete as mesmas palavras.

Assim, te digo adeus.

Adeus aos nossos beijos e nossos planos.

Adeus, meu primeiro e único amor.

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Notas finais: Muito obrigada Erami/Erami4 pela betagem, e @busanjimin/@xbusanjimin pela capa MARAVILHOSA! Eu amei as dicas, e a capa me fez adorar ainda mais essa fic.

Agora, a quem leu esta coisinha triste, eu agradeço demais, apesar de não ter dinheiro para pagar nem a minha terapia kkk (dor e sofrimento). Espero que me perdoem por esse trocinho dolorido.

Até a próxima!

27 Février 2022 01:54:07 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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