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Os humanos parecem ter seus dias contados à medida que vampiros dominam o mundo e as noites tornam-se cada vez mais longas, até que o sol acabe deixando de iluminar completamente os dias. Entre eles, há Jimin, um bailarino que pretende fazer de tudo para se tornar um vampiro e conseguir ser salvo antes que seja tarde demais. Sua única alternativa é encontrar lorde Min, o único capaz de dar a ele a imortalidade, enquanto ainda lida com sua primeira morte ao ter desistido do que mais amava: a dança.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Interdit aux moins de 18 ans.

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Dance com a escuridão

Escrito por: LuhDrama / LuhDramaLS


Notas iniciais: Olá, xuxus!
Estou de volta com mais um tema que só o 2min mesmo para me incentivar a escrever logo kkkk
O plot foi baseado em duas músicas: Dance in the dark da Au/Ra e Black Swan do BTS e eu super recomendo as duas, principalmente a versão orquestra de Black Swan para dar aquele clima.
Tenham uma boa leitura!


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A luz forte contra seu rosto não permite que enxergue com clareza o público, mas ele sabe que estão lá, olhos ansiosos voltados para o palco de madeira e expectativas altas diante da apresentação principal da noite.

O tecido leve de sua roupa é transparente nas mangas longas e brilha com o holofote incidindo sobre as pequenas pedras que passou um bom tempo colando e recolando para que ficasse perfeito, em conjunto com a maquiagem chamativa e bem feita com sombras e brilhos. Tudo para estar o mais esplêndido em sua performance.

O instrumental familiar após meses ensaiando começa suave e calmo, belo como uma melodia dos anjos e que faz o coração do dançarino disparar ansioso, descompassado com o ritmo da música até que esta se torna mais agitada, e ele mal pensa nos movimentos que faz, pois seu corpo já os memorizou por conta própria.

Não sabe se está fazendo no ângulo certo, como quando está de frente para o espelho da sala de prática, nem se sua postura está perfeita, porém ele se sente vivo naquele momento, e isto faz com que dê tudo de si. Em cada giro, em cada ponta do pé esticado, em seus saltos e — é claro — em suas expressões, sua maior especialidade.

Todos poderiam se convencer de que Park Jimin era um bom dançarino apenas pelas emoções passadas por seu rosto. Havia ali uma incorporação das histórias que queria passar através da dança, fossem elas de alegria, raiva ou tristeza. A dança, a música e a atuação sempre andariam juntas, por mais que pudessem ser dissociadas.

Ao fim de seu ato, com passos finais fluidos até reduzir-se à sua pose final, a salva de palmas não inicia como de costume, restando apenas o silêncio desconfortável.

As luzes dos holofotes vão, então, fechando-se até tudo se resumir ao momentâneo breu, que passa a ser iluminado de maneira fraca pelo sol que ainda consegue infiltrar as frestas do teatro abandonado. Diante de si, há uma criatura imobilizada por cabos da fiação elétrica das ruas, que rosna e arreganha os caninos pontudos em sua direção, loucos para dilacerar seu pescoço.

— Jimin? Ele vai acabar fugindo. — Alguém o lembra onde estava e sua atual situação, entendendo, então, o porquê dos aplausos não virem. Ele nunca mais os escutaria.

— Tenho tudo sobre controle. — Ele olha por cima do ombro para visualizar Hoseok alguns metros atrás, o dedo passando por cima do gatilho de sua pistola, com medo que o vampiro se soltasse e tentasse atacá-los antes que Jimin tivesse uma reação. — Pode ir na frente.

Hoseok não escuta o que diz, apenas se afastando um pouco mais, mas o suficiente para ainda conseguir visualizar o outro atirar e o corpo do vampiro tombar, sujando o palco que um dia o dançarino fez sua última apresentação.

Do lado de fora, o sol mal esquentava suas peles geladas e arrepiadas, parecendo uma lua em fase decrescente. Ninguém tinha uma explicação científica de por que o sol estava desaparecendo como em um eclipse, que costumava ser um evento breve e atrativo para muitos espectadores curiosos.

Agora, a cada vez que observavam o astro menos visível, os dias tornando-se menores em compensação com as noites mais extensas, só conseguiam pensar em como o evento mais parecia a contagem para um suposto fim apocalíptico. Sabiam que quanto mais escuro ficasse, mais difícil seria proteger-se contra as criaturas da noite.

Vampiros sempre existiram. Os relatos eram os mais diversos, porém acreditavam ser uma invenção da literatura e do cinema sobre um monarca de Valáquia que empalava seus inimigos. Poucos levavam realmente fé na história de criaturas que buscavam por sangue na calada da noite.

E assim foi por um bom tempo, até o número de pessoas que desapareciam quando o sol baixava crescer exponencialmente, junto ao incomum fenômeno natural. Logo supuseram de que poderiam ser aqueles os primeiros sinais do fim da humanidade e cada um tinha sua própria teoria: um castigo de Deus, um desequilíbrio natural ou apenas um infortúnio, em que as pessoas que viviam naqueles tempos tiveram a má sorte de estarem presentes no momento em que vampiros começaram a tomar cidades e países inteiros.

Logo os humanos tiveram que se esconder e formar grupos de sobrevivência, podendo sair apenas de dia para buscarem por suprimentos, já que no escuro era quando as criaturas caçavam. Aquilo fez com que abandonassem carreiras, rotinas e sonhos para aprenderem novas habilidades que fossem úteis para conseguirem sobreviver por mais um dia.

Esta situação, por muito tempo, fez Jimin sentir raiva.

Um sentimento frustrado e irritado por ter que dar adeus aos palcos, às suas grandes noites — ou dias — de espetáculos ao lado dos colegas de profissão, por mais que existisse certa competitividade. Ele tinha dedicado muitos anos e dinheiro em seus sonhos, deixando a família em uma cidade pequena para viajar com sua companhia pelo país e pelo exterior para competições e apresentações onde fossem chamados. E, mesmo com todo o cansaço e as dores que sentia após tanto esforço, ele estava genuinamente feliz ao deitar na cama.

Ninguém quer ter algo que ama tanto tirado de si. Caso fosse uma escolha própria, talvez estivesse conformado, mas nunca foi uma opção sua.

— Ei!

Hoseok, o cara com o cabelo laranja desbotado e raiz castanha, trazendo um aspecto desleixado para quem tinha sido uma celebridade com muito estilo, precisa estalar os dedos em frente ao seu rosto quando percebe que se distraiu novamente.

— Está muito desatento hoje, vai acabar virando comida — resmunga, o ar saindo com esforço ao precisar puxar a porta pesada, que escondia a entrada do esconderijo, um galpão de suprimentos de um mercado.

Entre as prateleiras altas com caixas rasgadas de lotes de produtos alimentícios e carrinhos de transporte de carga, há um espaço em que um grupo pequeno de pessoas se aglomera, dividindo algum pacote de biscoito enquanto um senhor gesticula exageradamente ao contar histórias que atrapalhariam crianças a dormir mais tarde.

— …Ele então me encarou com aqueles olhos vermelhos e disse para seus subordinados me caçarem! — O homem apontava para os próprios olhos para enfatizar a cor assombrosa que lembra de ter visto na criatura, a voz escandalosa ao relatar o absurdo de ter sido alvo dos vampiros. — Por sorte, eu escapei sem muitos problemas.

Todos olham então para onde sua perna direita estaria, caso esta não tivesse sido substituída por uma prótese mecânica.

— Como eu disse, eu escapei sem muita dificuldade, porém uma das criaturas conseguiu morder minha perna e precisei me livrar dela. Jamais permitiria me tornar uma daquelas criaturas asquerosas! — Seu punho foi em direção ao ar e Hoseok precisou encostar em seu ombro para acalmá-lo.

— É bom saber que sempre tem boas histórias para contar, mas não espalhe mentiras. As crianças ficam assustadas — lembra-o, sentando em uma cadeira vaga para descansar da saída cansativa. — Não é qualquer vampiro que pode nos transformar, apenas os imortais da linhagem original. Os que te atacaram apenas iriam matá-lo e sabemos que sua perna foi um acidente de trânsito, então não fique apavorando os outros.

O senhor fica emburrado, balançando a mão no ar com desdém, como se Hoseok estivesse dizendo besteiras. Seu olhar, então, se volta para Jimin, que ainda está de pé, pensando se iria logo dormir ao invés de juntar-se a eles.

— Jiminie acredita em mim, não é, rapaz?

O dançarino, que ainda parecia um pouco pensativo, percebe que o senhor espera por seu apoio, mas sua cabeça balança em negação.

— Hobi tem razão, apenas os imortais conseguem. O resto apenas nos mata como predadores em busca de alimento. Sinceramente, eu ao menos acredito que esses vampiros mais poderosos existam.

— Vocês são dois sem graça. — Ele estala a língua, buscando por outra história em sua mente. — Pois escutem essa! Juro que é a mais pura verdade.

— Diga — incentivou Jimin, sem realmente estar animado com a ideia, e recebe um olhar acusatório de seu amigo.

— O lorde Min, que verdadeiramente é um vampiro imortal — enfatizou, fazendo Hoseok suspirar — é o verdadeiro culpado de estarmos nesta situação. Ele brigou com alguns outros vampiros importantes e, para se vingarem, fizeram algum tipo de ritual maluco com ajuda de bruxas para que o sol fosse embora e acabasse com o que o Min mais amava.

— Acho que você precisa realmente descansar… — iniciou Hoseok, achando a história absurda, porém foi interrompido por Jimin.

— O quê? — questionou, curioso em saber. Aquele senhor talvez só precisasse de alguém que o escutasse um pouco. Os dias incertos traziam certa angústia e distrações, mesmo que com histórias fantasiosas, eram sempre bem-vindas.

— Os humanos e suas emoções — continuou, muito animado por estar recebendo alguma atenção. — Ele nunca foi ou não lembra mais como é ser um, então sempre foi intrigante aos seus olhos ver como somos cheios de vida e paixões.

— Isso parece ser algo quase poético… — Sua voz soou desdenhosa, como poderia uma criatura como aquela ter interesse em sensações tão humanas? — Como sabe disso?

— Não era difícil achá-lo, rapaz. Ele estava sempre nos observando.


[...]


A conversa anterior pareceu despertar algo novo no peito amargurado do artista, uma pequena chama que rapidamente se alastrou, como a evolução de passos contidos para uma expressão liberta de timidez.

Não sabia ao certo ainda como agiria, mas ele via seus amigos e pessoas de seu grupo desaparecendo e sendo pegos em meio a emboscadas provocadas pelos vampiros dia após dia. A comida estava ficando escassa e, se antes, para conseguir um enlatado que fosse, era preciso percorrer poucos metros, agora eram necessários quilômetros até encontrar um pacote de salgadinhos, além do céu claro mal firmar antes da escuridão voltar a tomar o ambiente da cidade deserta e abandonada.

Todas aquelas condições precárias de existência estavam enlouquecendo Jimin, que mal conseguia permanecer muito tempo entre os outros sobreviventes quando estavam discutindo sobre o melhor passo a tomar, qual rota fariam e o tempo que tinham para voltar antes de escurecer novamente.

Tempo.

Eles não o tinham mais e Jimin sentia cada vez mais o amargor em sua boca tornar-se uma espécie de desejo insano em sobreviver. Não é como se ele tivesse mais muita coisa que o fizesse se apegar aquela realidade, porém seu interior gritava para que buscasse uma maneira de resistir, pois Hoseok e os outros criavam estratégias que logo seriam invalidadas até não restar opções.

Estavam fadados a sucumbir ao império das criaturas que haviam devastado sua realidade.

Por vezes o sentimento que o tomava era parecido ao que experimentou uma vez, durante um espetáculo muito importante de final de ano. A apresentação incorporava elementos teatrais e apenas os bailarinos escolhidos pelos professores participaram. Foi a primeira vez que sentiu o instinto competitivo tomá-lo depois de anos sendo amável com seus colegas e amigos da academia de dança, sendo preciso sobreviver por longas sessões de ensaios para se ver pronto para o desafio.

Manter-se vivo era seu novo objetivo no momento, estar de pé até que não lhe restasse mais forças para lutar.

E foi assim que decidiu contar ao amigo sobre sua partida, buscaria por sua própria salvação entre aqueles que mais guardava rancor.

— Estou saindo — comunicou, por consideração ao amigo, vendo os olhos opacos pelo cansaço arregalarem ao vê-lo juntando suas coisas para ir embora.

— Como assim, Jimin? — Hoseok o acompanhou para o lado de fora, onde a luz fraca do dia ainda iluminava a rua. — Para onde vai?

Jimin olhou para o firmamento, naquele dia iria escurecer mais depressa diante das nuvens cinzentas de chuva, precisaria ser rápido para chegar ao local em que pretendia se abrigar naquela noite.

— Para o centro… Irei caçar um vampiro.


[...]


Andar sozinho pela cidade não era a atitude mais inteligente a se tomar, ainda mais sabendo da existência de outros grupos de humanos, que disputavam lojas e mantimentos como nos tempos antigos. Os homens tinham voltado aos seus costumes mais arcaicos de subsistência e Jimin pensava que, caso o dissessem que um dia aprenderia a usar uma arma para conseguir alimento não perecível de outras pessoas, acharia ser uma grande besteira fictícia.

Sua caminhada terminou dentro de um restaurante, um local que, pelo seu julgamento, já foi muito requisitado pela alta classe e pelos menos favorecidos, devido à decoração remanescente. Havia vasos de plantas grandes quebrados, algumas poucas mesas de vidro inteiras debaixo de lustres modernos e um piano de cauda no centro do estabelecimento, tudo combinando muito bem com o papel de parede em tons marrons e com a bela vista do pôr do sol entre as nuvens que anunciavam a chuva, que logo cairia, pelas janelas.

Apesar de morar nos últimos tempos em um galpão, Jimin gostava de estar onde a luz o alcançasse e o fizesse lembrar que amanhã haveria um novo dia, caso tivesse a sorte de acordar vivo. Também o lembrava de sua sala na academia, quando, por muitas vezes, viu sua sombra girar junto a si em uma dança em dupla, a mais íntima que poderia ter.

Precisaria arranjar uma maneira de se manter seguro naquela primeira noite para, então, aproximar-se ainda mais do local onde acredita que os reais vampiros estejam morando. Não sabia bem como eram ou agiam, mas acreditava que moravam naquelas mansões modernas e caras de bairros nobres, uma vez que vampiros sempre foram mostrados como detentores de muita riqueza e requinte pelos anos acumulando dinheiro e bens materiais.

Ainda assim, sua única certeza no momento era que os vampiros que zanzavam pelas ruas atrás de novas vítimas nada tinham a ver com essa imagem. Eram seres que não pareciam ter um raciocínio lógico e apenas seguiam seus instintos controlados pela sede.

Talvez o senhor de seu grupo de sobrevivência estivesse apenas contando mais uma de suas histórias de pescador e não houvesse nenhum vampiro apaixonado por humanos como o tal lorde Min, e a possibilidade o assustava, pois teria saído em uma busca inútil. Acabaria levando um sermão e tanto de Hoseok.

O som de uma nota alta tocada no piano fez Jimin quase saltar do lugar pelo barulho repentino, girando em seu eixo para tentar enxergar algo na metade já escura do restaurante, enquanto permanecia na parte com a maior iluminação próximo aos vidros, que começavam a ficar molhados pelos grossos pingos de chuva.

A melodia suave e bonita passou a preencher o salão, logo sendo reconhecida por ele. Era Tchaikovsky, O Lago dos Cisnes.

Sua arma foi puxada da calça de qualquer jeito, mirando o escuro em busca de qualquer um que estivesse sentado no instrumento usado para apresentações ao vivo nas noites agitadas do estabelecimento, trazendo uma atmosfera única ao local.

— Quem está aí? — questionou, enquanto sua visão, afetada pelo tempo chuvoso, o enganava, pois não parecia haver ninguém sentado no pequeno banco em frente ao piano.

As notas do instrumento começaram a soar mais enérgicas, quase irritadas como as trovoadas que reverberam nos céus, como se quem tocasse sentisse raiva.

Um tiro foi disparado na direção em que julgou que poderia ter alguém e o bailarino viu um vulto cruzar sua visão quando a música parou bruscamente.

Olhando uma última vez em volta — a cabeça virando lentamente na tentativa de enxergar melhor o ambiente cada vez mais escuro — enquanto sentia um calafrio subir por sua espinha, Jimin teve apenas o impulso de correr para a rua.


[...]


Quando o dia amanheceu e os primeiros raios incidiram contra as pálpebras pesadas de Jimin, este apenas pôde apertar os olhos para poupar a vista cansada depois de passar a noite em claro, fugindo debaixo da chuva das criaturas. Elas agora sibilavam dentro do depósito de uma loja, enquanto Jimin mantinha-se sentado em uma cadeira encostada na vitrine, a pistola em seu colo sendo um lembrete para tentar lutar contra o sono.

Havia um vampiro estranhamente consciente para o que estava acostumado no limite entre a luz solar refletida no chão e a sombra criada pelo ângulo da incidência solar, os olhos escarlates o encaravam e este estava completamente estático, diferente dos outros que pareciam considerar arriscarem-se no sol para pegá-lo.

Sua pele era de uma palidez característica de quem não produz melanina, fazendo as veias de sua pele, cheias de sangue venenoso, ficarem evidentes por debaixo da camada de epiderme. Jimin não fazia ideia de como funcionava a fisiologia de um vampiro, sabia apenas o necessário para saber que em uma luta contra um, sairia perdendo e acabaria morto em poucos minutos ou segundos.

Espreguiçando-se de maneira vagarosa, o moreno — desde que precisou abandonar o cabelo loiro e adotar novamente seus naturais fios escuros — ergueu-se da cadeira, pronto para continuar sua jornada para encontrar o lorde Min.

— Eu sei o que está procurando.

O sino na porta da loja toca duas vezes, uma quando a abre para sair e a outra quando fecha sem dar um único passo para o lado de fora, atraído pela comunicação tão clara quando tudo o que ouvia eram rosnados e grunhidos dos vampiros sedentos pelo seu sangue.

Era uma voz suave, no entanto grave, envolvendo e hipnotizando quem a ouvisse.

— E isso importa? — retrucou. Não deveria dar atenção, mas já sentia falta de conversar com alguém e estava particularmente interessado em ver um vampiro falando de maneira tão natural.

— E se eu te disser que sei onde está o que procura? E que posso ajudá-lo?

— A troco de quê? — logo questiona. Nada viria de graça para ele, então já imaginava que teria que doar uma parcela de seu sangue, se tivesse a sorte de não ser completamente drenado.

— Uma dança.

Jimin riu descrente, de maneira fraca e contida, e depois balançou a cabeça, mostrando sua incredulidade explicitamente. Só deveria ser uma brincadeira de mau gosto.

— Você é o vampiro mais estranho que eu já vi… Como sabe que já dancei alguma vez na vida?

— Às vezes seus pés ficam em posições de balé sem perceber.

A vista embaçada não deixa com que enxergue direito o vampiro que fala com tanta propriedade sobre ele. Só queria encostar em qualquer lugar e dormir, porém, enquanto não estivesse em um local seguro, pouco demoraria o sol a baixar e estaria sendo atacado.

— Como consigo o que quero? — Decidiu ignorar a informação, só queria conseguir transformar-se logo e salvar sua pele, já não suportava mais sobreviver e sentir falta de sua vida de antes, lembrando e relembrando cada momento.


— Parece nervoso, Minnie. Relaxe, nós vamos conseguir! Ensaiamos muito esses meses todos, e eu não vou te deixar cair — seu amigo está dizendo ao seu lado, o sorriso com os dentes incisivos superiores proeminentes de modo fofo, fazendo com que sorria junto. — Lembre-se que não é uma competição.

— O que me preocupa é minha família.

O entendimento logo tomou a face do mais novo, ele entendia como era importante para Jimin ter a presença da família em suas apresentações, uma vez que raramente apareciam nos eventos que participava, pouco interessados em sua carreira de bailarino. Pelos pais, teria feito um curso na área de saúde ou direito, nada relacionado ao incerto e pouco valorizado meio artístico.

Jimin, no entanto, não se via em outro lugar fora dos palcos. Sentia que sua vida perderia o sentido caso precisasse abandoná-los antes de decidir se aposentar de fato.


Ele ainda vê o amigo sorrindo diante de seus olhos e da sensação angustiante no estômago que sentiu ao ser girado no ar, confiando plenamente em seu par de dança, quando o vampiro responde:

— Precisa se passar por um de nós, viver entre os vampiros e então decidir se realmente está disposto a ter o que tanto deseja.

Uma das mãos pálidas é estendida para além das sombras e há uma pequena caixa de veludo preta sobre ela.

Jimin não compreende por que está sendo ajudado, mas o som da pele em contato com o sol cozinhando e formando bolhas faz o estômago dele revirar e andar até próximo as criaturas, vendo as unhas mal cuidadas cortarem o ar e os grunhidos ficarem mais altos ao terem uma fonte de alimento tão próxima.

O toque suave do veludo em seus dedos é acompanhado por um suspiro surpreso ao abrir a caixa e ver uma espécie de prótese dentária removível, uma fina e resistente camada dourada que imitava os dentes de um vampiro.

— Mas o que eu vou… — começou a dizer, o olhar subindo para finalmente conseguir enxergar, de fato, o vampiro, porém este não estava mais lá.

Precisaria confiar em alguém outra vez, por mais que houvesse o medo de cair.

Diferente do que imaginou, as presas de ouro não ficavam estranhas em sua boca, apesar de duvidar que não fossem perceber que eram falsas. Vampiros eram espertos o suficiente e sentiam seu sangue fluindo resistente, ainda mais agora ao correr pelo asfalto ainda úmido até o bairro mais nobre da cidade, subindo vários lances de escadas pelas ruelas até os muros altos das mansões surgirem.

Jimin frequentou raras vezes moradias tão caras, então precisou ser cauteloso ao entrar por uma delas e ver que um sensor acendia as luzes automaticamente. Muitas haviam sido deixadas abertas durante fugas desesperadas dos moradores e foi um local muito requisitado por sobreviventes até vampiros passarem a atacar com grande frequência.

A arma em sua mão estava suada e, caso achasse um chuveiro funcional, arriscaria a tomar um banho. Vinha percorrendo muitos lugares, e um para tomar um banho decente era muito bem-vindo. Em outros tempos, sentia-se mal por utilizar coisas que não são suas, mas não era como se algo tivesse dono agora.

A mansão em que entrou possuía um quintal extenso e paredes de vidro, desfavorável para que as criaturas morassem. Uma porta bem maior que o rapaz foi sua passagem para um corredor curto que desembocava na sala e na cozinha em seguida. Não parecia haver sinal algum de vida no local.

Deteve sua caminhada ao passar em frente a um espelho que cobria parte do corredor e ver que, no lugar das próteses de ouro, haviam presas reais. Seus olhos eram como uma tonalidade de vinho e mal parecia que passava o maior tempo possível em contato com o sol. Um verdadeiro disfarce.

Seus dedos e língua alcançaram em um ato reflexo as pontas das presas para constatar que não tinha adquirido as características de um vampiro e sentiu o relevo afiado e o gosto do metal precioso por sobre seus dentes reais. Talvez o velho de seu grupo de sobrevivência não estivesse inventando tanto assim ao dizer que havia bruxas ou coisas do tipo.

Um sorriso alargou-se em seu rosto, aquele disfarce talvez pudesse ser o suficiente para manter-se vivo entre os vampiros, não?

A resposta veio tempos depois, quando usava o chuveiro, que jorrava água gelada pela falta de energia, e fez suas expectativas serem frustradas. O disfarce não o fazia sentir-se como um vampiro, apenas seu reflexo aparentava ser um deles. Sua pele ainda arrepiava com a temperatura baixa, sua barriga ainda resmungava de fome pelo tempo sem se alimentar e suas pálpebras fechariam a qualquer instante, dominadas pelo cansaço.

Jimin ainda era estupidamente humano.

No relógio digital, sobre a mesinha de cabeceira do quarto de algum empresário, as horas indicavam o meio da tarde, porém lá fora já estava escuro. Pelos cálculos do bailarino, o dia tinha reduzido mais umas duas horas e logo restaria apenas a manhã clara para os humanos irem em busca de alimento. Pensou em Hoseok e no restante do grupo, que deveriam estar passando dificuldades em cronometrar uma viagem segura pela cidade.

Não podia voltar agora que estava tão distante, muito mais próximo de seu objetivo do que deles. Então, naquela noite, beliscou algo que achou nos armários da casa em que se abrigava e dormiu trancado na dispensa para que não fosse pego desavisado. Experimentaria o tal disfarce no dia seguinte, quando estivesse descansado o suficiente.

Seu sono pesado não permitiu que acordasse com os movimentos silenciosos de alguém abrindo o local em que estava escondido e o pegando no colo para levá-lo até a cama espaçosa de casal, deixando-o confortável sobre o tecido macio. Jimin estava muito imerso no sonho de estar novamente entrando em uma sala de prática e sendo recebido pelos amigos.


[...]


Jimin tem a certeza de que está sendo vigiado. Por mais que estivesse agradecido de não ter acordado com torcicolo e agora estivesse andando entre vampiros que ignoravam sua presença, graças ao disfarce, tinha a impressão de um olhar em suas costas.

Descobriu que próximo à casa em que se abrigou, em uma parte bem conservada e reconstruída da cidade, as criaturas viviam como as pessoas que antes tinham a liberdade de estarem ali. Eram todos seres pálidos, os olhos em diferentes tonalidades de vermelho e presas visíveis quando sorriam.

Ao menos parecia existir o caos com o qual Jimin nunca se acostumou a viver desde que saiu do apartamento que dividia com um conhecido para ir a um ensaio à noite e viu sua academia de dança sendo atacada.

Não é como se ele esperasse que vampiros andassem com remorso em seus semblantes por terem feito o que suas naturezas ditavam, porém era incapaz de impedir a raiva de tomá-lo, o puro desejo de descontar neles tudo o que tinha passado.

Enquanto caminhava pelas ruas, distraía-se com a nostalgia da época em que passeava pelos parques ou corria por aquelas vielas com pressa, a bolsa pesada com roupas, sapatilhas e maquiagem, pois não tinha carro para facilitar sua locomoção. Era assustador para ele perceber que grande parte de suas lembranças mais felizes eram todas ligadas à dança, mesmo na correria e misturada com o nervosismo.

Ele já se sentia incapaz de se incomodar o suficiente com o fato de que estava sendo egoísta em algum ponto, poderia ter falado para Hoseok o que pretendia, se importado mais ao ponto de aproveitar e extinguir cada vampiro que cruzasse seu caminho, mas agora só conseguia pensar em encontrar o lorde Min para se salvar, apenas a si.

Mas... e depois?

Não teve tempo de pensar, pois há um par de olhos em vermelho vívido em conjunto com os lábios esticados demais a sua frente, trajando um terno bem engomado.

— Seja bem-vindo! Você parece ser um novato… Preciso te explicar como funcionam as coisas em nossos espetáculos.

— O quê? — Ainda confuso por sua distração, Jimin não consegue escapar do aperto firme e forte demais em sua pele enquanto é arrastado pelas escadarias para dentro de um teatro, depois de andar inconscientemente até este. Era seu maior passatempo, afinal.


— Hyung, aqui é lindo, não é? — Seu amigo mais novo segurava a alça de sua bolsa e olhava com brilho nos olhos para cima, vasculhando todo o ambiente que refletia em dourado. Tudo era muito iluminado e bonito, aspirando ao requinte de um teatro moderno, mas sem perder toda a estrutura antiga esculpida e pintada há séculos. — Acha que um dia poderemos dançar aqui?

— Nós iremos, só precisamos treinar um pouco mais. Tenho certeza que a ideia do diretor de remontar O Lago dos Cisnes nos dará a chance de virmos para cá. — Jimin estava esperançoso, era a grande chance da companhia conseguir levar um espetáculo para o teatro mais requisitado entre as academias, caso convencessem bons patrocinadores a apoiá-los.

— Para qual papel você pretende tentar a audição? — Jungkook já tinha revelado ter tentado o papel do príncipe Siegfried naquela tarde e estava confiante que tinha conseguido.

— Odette, o cisne branco.


O vampiro que o carregava era sério, apesar de sorrir de maneira convidativa, os dentes brancos e caninos pontudos quase o convenciam de que o aperto em seu pulso era sua forma singela de levá-lo para além do salão que sempre entrava, apenas para admirar a riqueza de detalhes do lugar e se imaginar entrando ali para se apresentar.

— Esses espetáculos são promovidos pelo nosso mestre, mas o próprio geralmente não participa ativamente, então isto faz com que nós tenhamos uma certa preferência — começou a explicar, jamais afrouxando o agarre em Jimin, que sentia a marca roxa dos dedos do vampiro que ficaria em seu pulso. — Nenhum tipo de briga ou discussão são permitidos aqui dentro, então procure ficar longe de confusão.

Uma parada súbita quase faz com que Jimin sinta dor em seu braço pelo mau jeito em que dá em seu membro, ficando aliviado quando este finalmente é solto.

— Espero que aproveite a noite, senhor.

Uma cortina pesada é puxada, permitindo sua passagem para dentro do anfiteatro, sendo aquele o caminho para a arquibancada central, a qual permitia uma das melhores visões do palco e do restante da plateia que se espalhava por outras arquibancadas e camarotes nas laterais.

Pilastras ornamentadas e o teto pintado à mão fizeram Jimin perder o ar com tamanho esplendor antes de se atentar ao palco grandioso, capaz de comportar toda a sua companhia de dança e ainda sobraria espaço. Imensas cortinas grossas e vermelhas estavam sendo fechadas, tampando a visão do lugar com a qual tanto sonhou antes de ver seu mundo mudar tanto.

Algumas das criaturas já resmungavam para que sentasse, pois a tal apresentação logo se iniciaria. Jimin não fazia ideia do tipo de entretenimento que os vampiros gostavam, nunca ao menos os imaginou reunidos em um teatro para assistir algo. Restava a ele sentar-se numa das primeiras cadeiras próximo à mureta e observar.

Não demorou e a iluminação do ambiente foi reduzida até escurecer completamente, restando os holofotes em direção ao palco ligados. Jimin sentiu-se ansioso naquele momento, era como quando estava nas coxias esperando sua vez de entrar.

As cortinas foram, então, puxadas de volta e o pouco ar que restava nos pulmões do bailarino foram expelidos com um arquejo surpreso, um grito engasgado na garganta.

Havia um grupo de humanos no centro do palco, todos amarrados em círculo e com escoriações pelo corpo durante suas tentativas de fuga. Eram integrantes de grupos de sobrevivência, pegos durante suas missões atrás de comida ou busca por um esconderijo melhor. Os físicos da maioria eram atléticos e saudáveis, fazendo os vampiros salivarem em volta com o sangue que escorria dos ferimentos.

Jimin sentiu o estômago revirar, provavelmente estaria pálido, caso o disfarce já não o conferisse tal característica. O que mais o assustava era conhecer uma das pessoas capturadas, o cabelo laranja desbotado destoando do restante.

Eles se remexiam nervosos para fugirem ou simplesmente ficavam estáticos de medo, aceitando o destino que teriam. Passos aproximando-se do grupo fizeram todo o público erguer-se e saudá-lo com respeito, fazendo Jimin inclinar o corpo para ver melhor o homem de olhos escarlates que cruzava o palco até estar na frente dos humanos.

— Como todos sabem, os humanos têm sido extintos pelas bestas descontroladas que andaram deixando soltas por aí. — Sua frase soa como um sermão aos irresponsáveis presentes. — Neste caso, teremos que nos controlar, caso queiramos ter alimento fresco por mais algum tempo.

O bufar dos vampiros em volta expressa a indignação das criaturas, eles não pareciam gostar da ideia.

— A arquibancada central começa hoje — anuncia. E os escolhidos aplaudem e comemoram, muitos pareciam realmente famintos, como se não apenas os humanos viessem passando fome.

Logo todos à volta de Jimin começam a pular da arquibancada, caindo com graça e leveza no corredor que os levaria até o palco, andando em velocidade sobre-humana para perto do alimento. Os movimentos ágeis desesperam Jimin, que corre para o corredor, puxando a cortina de qualquer jeito para ir até a entrada que o daria acesso ao palco.

Precisou disfarçar sua respiração acelerada pela pressa em chegar antes que seu amigo tivesse um destino cruel, ao passo que os vampiros nem ao menos tinham um fio de cabelo fora do lugar. Todos olhavam para seu semblante cansado, apesar do disfarce não deixar aparentar a vermelhidão em seu rosto.

Uma mão estendeu-se à sua frente e a primeira percepção que teve foram os dedos longos e pálidos, seguido das veias salientes nas mãos e braços até ver um rosto liso e alabastrino, os olhos pequenos e felinos que poderiam predá-lo sem muito esforço, bastasse que a boca fina e tingida de um tom rósea dissesse as palavras certas.

— Venha.

A voz grave e que não parecia ser muito usada é autoritária sem ser rude, Jimin não hesitando em atender a ordem e colocando sua mão sobre a do vampiro, que subitamente sorriu — um esticar de lábios mínimo — para então levá-lo até próximo aos humanos.

Algumas lendas dizem que vampiros conseguem hipnotizar suas vítimas para que não fugissem ou gritassem, ficando rendidos como bonecos, porém Jimin apenas pensava que o contato de suas mãos era quente e não gélido como imaginava.

Sua atenção, então, foi desviada para seu amigo entre as pessoas sequestradas, seus pulsos estavam presos com algemas e uma corrente o prendia aos outros, havia um corte em sua testa e este olhava com raiva em sua direção.

— Foi para isso que saiu sozinho? — sibilou Hoseok, puxando o corpo para frente para poder encarar Jimin melhor, por mais que não conseguisse levantar. — Tornar-se um deles? Logo os seres que mais odeia e que te tiraram tudo?

Jimin quis sentir remorso por sua escolha, mas não havia nada. Estava cada vez mais anestesiado, como se as emoções alheias não o atingissem mais. Logo ele que tinha desistido antes do que mais queria para agradar outra pessoa.


— Era sua grande chance! — Seu amigo o chacoalhava pelos ombros, como se estivesse fora de seu juízo e tentasse recuperá-lo.

— Eu sei… — O murmúrio foi a única coisa que conseguiu dizer, os olhos lacrimejando ao perceber o que tinha feito. — Mas você merece tanto quanto, foi você quem eles escolheram.

Jungkook jogou as mãos para o alto, indignado com a situação. O amigo havia desistido do papel de cisne branco depois que o diretor disse que Jungkook ficaria melhor nele, e Jimin não pensou duas vezes antes de entregá-lo o personagem, ficando então com o de Odile, o cisne negro.


As mãos aquecidas do vampiro estão em seus ombros agora e Jimin não se afasta, talvez realmente estivesse sob o efeito da hipnose.

— Você pode prová-lo primeiro — incentiva o homem pálido, sua respiração próxima demais arrepiando sua pele.

Ele queria que provasse sangue humano? Jimin havia esquecido logo desse detalhe tão importante de ser um deles.

Não iria morder Hoseok. Estava fora de cogitação. Ao menos sabia se daria certo e o gosto ferroso muito pouco o agradaria, não lambia nem os próprios machucados em seus dedos.

— Não vou fazer isso.

— E por que não?

Jimin vira o pescoço, esquadrinhando com mais cautela o rosto do vampiro, e percebe a provação pela qual passava. Aquele vampiro sabia que era humano, afinal, havia sido ele a dar-lhe as presas de ouro naquela loja abandonada.

Afasta-se do contato ao perceber o que acontecia e ajoelha-se diante de Hoseok, vendo este tentar soltar os pulsos, provavelmente para usar os punhos contra si, caso tivesse a oportunidade. A ex-celebridade sentia-se traída por alguém que confiou por aquele tempo em que estiveram juntos, tudo por causa das histórias malucas de um idoso solitário.

— Eu sei que é difícil entender, mas eu quero continuar vivo, Hoseok — sussurrou ao encostar o próprio rosto com a lateral da face do amigo, procurando pensar numa maneira de soltá-lo enquanto falava baixinho para que as criaturas não o ouvissem. Por mais que fosse um esforço desnecessário, a audição deles era fantástica.

— Você já está morto, Jimin. Apenas não quer aceitar. — As palavras cuspidas com raiva fizeram o bailarino sentir o peito apertar. Não, seu coração ainda batia e ele ainda tinha somente seu sangue correndo nas veias. Estava vivo, pois ainda possuía sonhos e desejos, certo? — Vampiros são seres que já morreram e tornaram-se máquinas de matar.

— Eu ainda não sou um…

A conversa é interrompida por um dos vampiros que se descontrola e avança sobre uma mulher ao lado deles, seus dentes fincando sobre o machucado em sua coxa, e Jimin tenta tirá-lo após recuperar-se do susto inicial, tentando ignorar a onda de gritos de desespero.

Enquanto a situação parece escapar do controle, alguém puxa a algema de Hoseok, soltando o de cabelos alaranjados, que apenas empurra Jimin para longe e corre tropeçando do palco, sentindo a tonteira tomá-lo devido à perda de sangue. Ainda assim consegue escapar, saindo do teatro às pressas e puxando as cortinas na entrada do anfiteatro, revelando que o sol estava nascendo novamente.

As criaturas logo se desesperam com a luz brilhante e perigosa demais para suas vistas infiltrando-se no anfiteatro, dispersando-se rapidamente para seus esconderijos escuros. O único que não parece intimidado com a claridade é o mesmo vampiro que ainda avalia os passos de Jimin, deixando que soltasse os outros humanos atirando nas correntes para que essas quebrem.

Todos continuam o avisando que os olhos escarlates permanecem mirando em si, mas Jimin simplesmente ignora, apenas virando-se para ele quando os sobreviventes fogem do local.

— Você é estúpido — resmunga o bailarino, limpando o sangue dos outros na calça social cara que tinha furtado na casa em que se abrigou. — O que queria me provar com esse teatro todo?

— Isso não era um teatro, nós realmente temos um sistema de racionamento, caso queiramos ter alimento por mais algum tempo. Vamos dizer que muitos poucos aceitam sangue animal, e vocês também extinguiram boa parte dos animais com a industrialização.

A diferença mínima entre eles permite que os dois encarem de frente os olhos vermelhos, e Jimin não vê o vampiro pegando um lenço branco para passar na mancha vermelha em seu rosto, o toque tão suave que pensa ter sido uma ilusão de ótica.

— Vai justificar isso agora como um erro humano?

— Não, vocês realmente não têm culpa do que passam — explica o vampiro, seu cabelo escuro se destacando em conjunto com a roupa da mesma cor. — Porém, se tivessem valores diferentes como prioridade, eles não teriam se preocupado somente com a própria vida, como seu amigo. Vocês eram amigos, certo?

Um suspiro é o bastante para confirmar a suspeita, e Jimin passa a andar no palco, observando o espaço, a iluminação, o linóleo que reveste o palco e até a maneira como o lambrequim estava disposto. Tudo atraía seu olhar e o fazia imaginar como seria se tivesse tido a oportunidade de se apresentar ali, mesmo que sem o papel que almejava.

— Por que está me protegendo? — O eco de sua voz no ambiente vazio traz uma sensação estranha, como se falasse sozinho.

— Não estou. Consegue fazer isso sem minha ajuda.

Aquele vampiro estava dando nos nervos do bailarino, por que ele agia daquela maneira tão anormal? Tinha oferecido o disfarce perfeito para que se passasse por um deles e soubesse como era a vida das criaturas da noite, pois conhecia seu maior desejo de se tornar uma.

— Você é lorde Min — concluiu. Era a única explicação, nenhum outro vampiro agiria de maneira tão casual perto de um humano.

— Parece muito certo disso — o vampiro retruca, a pose inabalável com a afirmação.

— Então qual seu nome?

— Yoongi.

— Pois continua agindo como um estúpido, Yoongi — repetiu o adjetivo, por mais que suas mãos suassem frio, sabendo que estava dependendo dele para ter o que queria.

Ainda que temesse o vampiro, precisava tomar os primeiros passos e dançaria até na escuridão para permanecer vivo.

~~~~


Notas finais:

Quero agradecer a snuffyoon / @cocogoat e ao @peartae / @peartae pela betagem e capas, ficaram ótimas ❤

Até o próximo capítulo!

8 Janvier 2022 21:13:30 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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