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"Há duas semanas que caminhamos sem rumo, procurando um refúgio seguro para nos escondermos. Tudo o que nos resta é isso: escondermo-nos nas sombras e esperar, aproveitando o calor dos nossos corpos para nos relembrar que ainda estamos vivos. Yoongi, tu e eu sabemos bem que ele nos vai apanhar, mais cedo ou mais tarde, tão certo como respirar ou pestanejar. E, enquanto estou aqui, a ouvir a neve cair e a sentir o frio da madrugada entranhar-se nas minhas roupas sujas, não consigo deixar de pensar. Num outro universo podemos ser almas gémeas, mas neste, somos apenas dois rapazes a tentar fugir do destino inevitável que é a morte."


Fanfiction Groupes/Chanteurs Interdit aux moins de 18 ans.

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Escrito por: @yoonie001 / yoonie001

Notas iniciais: Bem-vindos à minha história "O Lobisomem e o Filho do Caçador"! Queria agradecer à minha beta, Maria @flowerzmyg/ @flowerzmyg, e à minha capista, Julia @Nutella_KPOP_/@Nutella_KPOP_ pelo trabalho incrível! Sem mais demoras, vamos ao capítulo!


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Coreia do Sul, 1947


A neve mal começara a cair e a madrugada já se tornava gélida a cada segundo, porém os corpos ansiosos apenas sentiam euforia. Os pedaços de madeira incendiados iluminavam as faces sedentas de sangue, que exibiam um sorriso horripilante, enquanto o ser humano se encontrava de joelhos, com a cabeça pendente e as mãos amarradas por um tecido firme.

— Contemplem — ordenou um homem, o responsável pela captura das criaturas da lua, dirigindo-se à multidão, com armas ensanguentadas presas na cintura —, o monstro, que está agora nas nossas mãos! — A voz maldosa e cansada pelo trabalho recente ecoava nos tímpanos sensíveis de Yoongi, que se encontrava escondido por detrás de uns arbustos.

O corpo nu e trêmulo da vítima reluzia à luz do astro e das tochas no local, e as dores excruciantes provocadas pelas feridas no seu rosto desfigurado tornavam-se intoleráveis a cada minuto que passava. O seu destino já estava traçado, e o prisioneiro bem o sabia, mas, com toda a coragem que reunia nas suas células, ele enfrentava o bando de cidadãos de cabeça erguida e visão turva.

— Este homem ludibriou-nos, arranhando-se, tornando-se irreconhecível para que não possamos perceber quem ele é — continuou o caçador, contornando o corpo débil de outrem, olhando-o com desprezo e asco antes de inquirir. — O que devemos fazer a esta criatura que atormenta e mata os nossos entes queridos?

Vários gritos pronunciados pelos mais revoltados foram ouvidos, e Yoongi conseguiu distinguir coisas cruéis como “queimem-no!” ou “matem-no!”, engolindo em seco ao sentir o entusiasmo de todas aquelas palavras bárbaras. Atrás do homem ensanguentado, os lacaios do caçador preparavam o local para o castigo da criatura, formando um laço na corda áspera e pendurando-a no tronco forte da árvore centenária.

O rapaz assistia a toda a cena, numa colina afastada, protegendo-se dos olhares perigosos e inquisidores da população esfomeada por morte. Mais um da sua matilha havia sido descoberto e julgado, perdendo-se para sempre, o que impelia no rapaz uma sensação de desconforto, como se uma parte de si tivesse ardido.

Já se havia tornado hábito, uma vez por mês, aquele ritual aterrador realizar-se, exatamente no mesmo sítio: debaixo da figueira com mais de quatrocentos anos. Normalmente, era o único local onde os caçadores conseguiam capturar as criaturas, atraindo-as com técnicas diferenciadas, pelas quais ninguém estava à espera e, após isso, esperavam pela multidão enraivecida para acabarem o espetáculo macabro.

Após organizarem o cenário de enforcamento, os homens aproximaram-se do corpo e, atormentando-o rudemente, obrigaram o homem debilitado a levantar-se e dirigir-se à sua morte. Eles não se importavam, mas, no final de contas, também ele era um ser humano, tal como eles.

Com as pernas enfraquecidas e tremendo como uma vara verde, o mais velho não se deixou intimidar, caminhando com a réstia de força que tinha. Pousou os pés em cima de um balde de madeira e os lacaios enrolaram a corda à volta do pescoço ferido do homem, que procurou olhares amigos na multidão, em vão. Levantou o seu pescoço, olhando em direção às estrelas, e agradeceu à lua cheia por tudo o que lhe tinha dado, uma última vez.

Com a sua visão excecional, Yoongi captou as figuras da sua mãe e irmã misturadas no grupo. As duas mulheres encontravam-se imóveis como se nada sentissem, nem o gelo a entranhar-se nas suas roupas finas e deterioradas as fazia moverem-se. Era obrigatório que os habitantes da aldeia assistissem ao castigo da criatura, não importava a que horas fosse ou se isso estragasse o pouco tempo de sono que tinham para aproveitar.

O balde foi atirado para longe e o moreno pôde sentir os ossos do outro partirem-se com a força da corda, atirando-o para a escuridão eterna. Os aldeões gritaram em júbilo, celebrando o erradicar de mais um “monstro”, e a sua pelagem longa eriçou-se com a cena. Era só um humano condenado pela maldição da lua, como é que eles conseguiam testemunhar o assassinato e sentirem felicidade?

Estava longe do acontecimento, no entanto, após aplaudirem a cena mórbida, todos os olhares se viraram em sua direção. Tentara fugir, porém, as suas patas pareciam deslizar na relva escorregadia e tudo aconteceu muito rápido: mãos agarravam o seu pelo denso e húmido pelo orvalho da manhã, puxando-o em direção ao corpo pendurado na árvore, já sem vida e movimento, enquanto ele uivava e sentia o coração retumbar na sua caixa torácica.

Sempre soube que chegaria a sua vez, mas nunca pensara que seria tão cedo, afinal, fora capaz de esconder o seu segredo de forma eficiente durante anos. E, assim como fizeram com o seu companheiro, amarraram o seu pescoço e deixaram que o seu corpo transformado caísse, mergulhando nas trevas, enquanto uma voz feminina gritava o seu nome.

Yoongi acordou sobressaltado, com gotas de suor a encharcar as suas vestes e o seu coração batendo num frenesim comparado ao dos camponeses na noite enregelada. Sentia a sua garganta arranhada, como se tudo tivesse sido real, até os seus gritos por socorro. O sonho — ou pesadelo, como lhe preferia chamar — repetia-se na sua cabeça praticamente todas as noites, assombrando o seu consciente outrora são e pacífico.

Coçou os olhos, sentindo a cabeça pesada pela falta de descanso, e, pelas fissuras da persiana desgastada, o homem constatou que já era de madrugada, tal como no final do seu sonho. Espreguiçou o corpo cansado e mole e bocejou, pousando os pés no soalho frio, não demorando a encaminhar-se para a casa de banho para se preparar para mais um dia.

Despiu-se por completo ao ver as suas roupas lavadas, deixadas pela mãe, em cima da tampa da sanita, e entrou no chuveiro, tentando regular a temperatura da água, sem sucesso. O banho gelado fez com que acordasse por completo, enquanto a transpiração escorria pelo cano abaixo e o rapaz sentia o stress fluir para fora do seu corpo.

Após o banho matinal, embrulhou-se na toalha verde que usara desde criança e que tinha o seu nome bordado a letras escuras, presente feito pela sua mãe antes de ele nascer — a sua irmã também tinha uma igual, mas na cor branca com letras lilases. Não demorou a vestir a indumentária, visto que tinha de se apressar para o trabalho na fábrica de automóveis, caso contrário, o patrão iria descontar algumas moedas de ouro do seu já reles salário.

Encaminhou-se para a cozinha, a madeira do chão rangia a cada passo que dava, e a sua entrada no cómodo não foi surpresa para ninguém. A sua irmã, de apenas oito anos, levantou a cabeça em curiosidade pelo barulho, os totós no topo na sua cabeça, cada um em seu lado, abanando com o movimento. Por outro lado, a sua mãe continuou serena, sem precisar de se virar para tomar conhecimento de quem irrompia o espaço.

O homem caminhou até à pequena, que sorriu quando percebeu o irmão ir na sua direção, e depositou um leve selar na sua bochecha, sussurrando “Bom dia!” enquanto afagava os seus cabelos loiros e recebendo um abraço da mesma. Deixou a pequena a acabar o desenho que pintava com os seus curtos lápis e dirigiu-se até à sua progenitora, que parecia cozinhar algo delicioso.

O cheiro de canela e maçã pairava no cómodo, como se o outono tivesse invadido a casa, e Yoongi percebeu as cascas da fruta dentro do balde destinado aos animais que a família criava. Olhou de relance para o fogão, conseguindo ver uma panela com sopa a cozinhar, e, no tacho onde as papas de aveia costumavam ser feitas, algo borbulhava, sinal de que o pequeno-almoço estava quase pronto.

— Bom dia, mãe. — Assim como fizera com a sua irmã, o rapaz abraçou a mãe, depositando um beijo suave nas bochechas pálidas da mulher. Conseguiu sentir a pele da outra muito quente e arqueou as sobrancelhas em dúvida.

— Bom dia, Gi. — Sempre doce e aveludada, nesta manhã, a voz da sua progenitora parecia exausta e rouca, como se na noite anterior tivesse bradado aos céus — ou fosse ela a gritar no final do seu pesadelo.

— Não me parece que esteja muito bem... — A senhora encolheu os ombros, continuando a descascar a batata e, percebendo que algo não estava bem, o filho mais velho colocou a palma da mão na testa da progenitora. — Mãe, você está ardendo em febre! A que horas chegou ontem da casa dos Park?

— Não sei, talvez meia-noite? — Não perdeu tempo e, após depositar a batata cortada em pedaços miúdos no caldo a ferver, alcançou uma pequena cenoura e repetiu o processo com aquele vegetal. O homem sentou-se, coçando as têmporas, impaciente.

— Não deveria apanhar frio. — A sua mãe sempre se prejudicava para fazer o melhor que podia pela família mais rica da cidade, inclusive desvalorizar a sua própria saúde. Não era a primeira vez que esta situação ocorria, e Yoongi começava a irritar-se com as ações da mais velha. — Não está em condições de trabalhar, deixe-me ajudá-la hoje.

Percebeu que foi uma péssima ideia quando a mulher parou o seu trabalho e o olhou, por cima do ombro, lhe lançando um olhar gélido, fazendo a sua pele arrepiar-se. — Está louco? Isso está completamente fora de questão, Min Yoongi! — E, como se nada se passasse, acabou de descascar a cenoura e deitou-a para dentro da panela.

— Quantas vezes eu vou ter de insistir para que a senhora me deixe trabalhar? — questionou, fitando as costas da pobre mulher, que tremia em frio enquanto deslizava a colher de pau na sopa alaranjada. Mais uma vez teriam aquela discussão. — Eu percebo que a família Park seja rica, mas só o seu salário não é suficiente, e eu poderia ajudar, mais do que naquele trabalhinho insignificante!

— E quantas vezes eu vou ter de lhe dizer que você não terá o mesmo destino do seu pai?! — replicou, rispidamente, antes de uma lágrima cair no caldo que cozinhava, ao lume. A senhora secou rapidamente o rosto antes de fitar o filho. — Ele foi embora, Gi, e eu não quero que lhe aconteça o mesmo.

As palavras pareceram surtir efeito, visto que um silêncio pairou sobre a sala e apenas se ouvia o lápis vermelho que Yuna utilizava para colorir uma tulipa raspar no papel encardido. Suspirando pesadamente, o primogénito levantou-se e chocou o seu corpo contra o da mãe, num afeto carinhoso, como um pedido de desculpas por se ter exaltado.

Sohui abraçou o filho de volta, sentindo o calor do corpo do rapaz. Nenhum dos dois gostava de falar daquela forma, mas Yoongi sentia-se impotente perante a situação familiar, e a mais velha desejava proteger o filho. Claro que, momentos após, sentiram os pequenos bracinhos da menina intrometerem-se no meio dos dois, e a mais nova foi puxada para a união de família.

Depois de alguns segundos sem qualquer palavra, Yoongi assegurou: — Eu prometo que nada irá correr mal, mãe. — O rapaz fechou as pálpebras, tentando esconder os olhos lacrimejantes. — Eu arranjarei um emprego o mais rápido possível, a senhora sabe que a Yuna precisa de coisas para a escolinha. — A pequena bateu palminhas, contente pelo seu nome ser finalmente mencionado na conversa.

Desde que testemunhara o incidente na madrugada do último ano, a mais nova, poucas palavras dizia, expressando-se apenas por gestos ou pinturas. Apesar disso, era uma criança doce e sociável, rodeando-se de amiguinhos na escola local e encantando as mulheres educadoras.

— E vai se meter na boca do lobo para a sua irmã ter mais meia dúzia de lápis e folhas? — indagou a mulher, olhando de relance para a pequena, que também a observava, sentindo o coração angustiado devido a toda a situação. — Não quero que saia magoado ou que acabem por descobrir quem você é, filho, e aquele emprego na fábrica é seguro.

— A senhora sabe que não há outra opção. Essas famílias pagam muito mais que aquele homem avarento — queixou-se Yoongi, referindo-se ao seu atual empregador. Pousou a criança, que segurava no colo, no chão e viu-a correr até à mesa, anunciando para a mãe: — E hoje irá descansar, eu farei o seu trabalho. Não precisa de se preocupar com os Park.


O filho da senhora Min demorou cerca de meia hora para chegar à parte rica da vila, onde a família morava. Para si, as casas eram consideradas casarões e pensou que os relvados verdejantes, onde brincavam crianças da idade da sua irmã, deveriam ser bem tratados por jardineiros experientes, como o seu pai era, quando ainda vivia no povoamento.

O seu progenitor também costumava trabalhar para os Park, recebendo elogios constantes pelo seu esforço primoroso, e sempre disse ao mais velho dos filhos que adoraria que um dia trabalhassem juntos. No entanto, isso não foi possível, e Yoongi decidiu esquecer o assunto e seguir para o seu trabalho.

Fincou os seus pés no chão, mirando a enormidade da casa dos Park, que não era difícil de distinguir no meio de todas as outras. Como caçador, Park Hanseok recebia bons pagamentos e podia financiar o tipo de vida que a mulher gostava — para além de que possuía apenas um filho, o que reduzia as despesas da família.

A porta da casa brilhava ao sol e Yoongi podia jurar que os pequenos detalhes em dourado que refletiam no material escuro se assemelhavam a ouro puro. No entanto, antes que perdesse mais tempo com coisas irrelevantes, decidiu avançar e pisar os degraus de madeira do alpendre, desferindo três pancadas na porta. A voz da sua mãe ecoava na sua cabeça, a frase “Não se esqueça de ser educado e tratá-los por senhor e senhora!” repetindo-se vezes e vezes sem conta.

— Oh, Sohui, achei que nun... — Uma voz afeminada veio ao seu encontro e a porta abriu-se de rompante, calando-se imediatamente ao ver o corpo do rapaz desconhecido. A mais velha arqueou as sobrancelhas, questionando mentalmente quem era o homem na entrada de sua casa, e, quando este não respondeu, indagou: — Posso ajudar, senhor?

Yoongi já tinha visto a mulher várias vezes antes, quando saía do seu emprego e regressava a casa: o seu nome era Park Minseok e era a patroa da sua mãe. A senhora desfilava pela vila com os seus vestidos de marca, feitos à mão, e o seu colar de pérolas característico, que contrastava com os seus lábios pintados de um carmesim forte, assim como a sua maquilhagem impecável.

Sem querer prolongar o silêncio entre os dois, o filho de Sohui apresentou-se: — Eu sou Min Yoongi, Min... senhora Park. A minha mãe está doente, então eu vim substituí-la, se tudo estiver bem da sua parte — explicou o mais novo, curvando-se em respeito pela mulher superior à sua frente, castigando-se mentalmente por quase pronunciar o primeiro nome da patroa.

A de cabelos loiros olhou-o de cima a baixo, observando as suas roupas gastas e velhas, porém, antes que Yoongi tentasse adivinhar o que pensava, a patroa da sua mãe expressou-se: — Claro, claro. Pode entrar. — O rapaz expirou, em alívio, como se tivesse passado em algum teste, e seguiu a indicação da outra.

Nunca tinha invadido a mansão, mas tudo naquele lugar exclamava riqueza. O cheiro das divisões assemelhava-se a charutos — talvez fosse, o seu pai sempre lhe contara que pessoas ricas não fumavam cigarros, mas sim os canudos característicos — e as várias jarras nutridas de orquídeas brancas, as flores mais caras da época, eram dispersas por todos os cómodos amplos.

— Hum-hum. — A mulher, percebendo que o rapaz se distraíra, aclarou a voz, captando a atenção do mais novo. Este desculpou-se imediatamente e prestou atenção no que a patroa da sua mãe dizia. — Acredito que a sua mãe já lhe tenha explicado o que fazer, certo? — Yoongi parecia perdido com estas palavras, afinal, não deveria ser a chefe a comandar?

— Não, senhora, peço desculpa. — Curvou-se perante a figura superior a si, que afirmou que não havia problema.

A mais velha apressou-se a indicar quais as suas tarefas diárias e mostrou-lhe onde se encontravam os produtos de limpeza, desejando-lhe um bom trabalho antes de desaparecer num dos imensos cómodos da casa.


Já se havia passado meio dia de trabalho e, após uma pausa para o almoço, o primogénito da família Min continuava as suas limpezas. Durante a manhã, tinha limpo o primeiro andar da casa, que consistia nos cinco quartos e em várias casas de banho, e fora bem-recebido pelo resto da equipa que trabalhava para a rica família quando entrara na cozinha para comer.

Agora, concentrava-se em limpar o andar de baixo, mais concretamente a sala de visitas, logo ao lado do escritório — zona que lhe fora dito para não limpar. Durante a sua refeição, ouvira a porta principal ser aberta, e vozes masculinas invadiram a casa, as quais se ocultaram quando os dois homens se fecharam no cómodo à prova de som. O moreno pensou que seriam os dois ocupantes da casa, por isso, ignorou e continuou a sua conversa com a simpática cozinheira.

O pano leve foi novamente pulverizado com produto para pó e, desta vez, Yoongi dirigiu-se aos quadros pendurados na parede. Todos eles eram fotos dos habitantes da casa e, num dos retratos, reconheceu a matriarca da família — mesmo a preto e branco, era notável o batom vermelho decorando os lábios cheios e delicados.

Ao seu lado, sentado numa poltrona que parecia extremamente confortável, encontrava-se o dono da casa, numa pose rígida e séria. Era o seu marido, Park Hanseok, o famoso caçador, e olhar para uma foto sua intimidava o mais novo: os olhos felinos e assustadores eram a marca pessoal do mesmo, como se quisesse mostrar eficiência e bom trabalho apenas com a sua postura. Yoongi desviou o olhar, incomodado.

Já do lado direito do patriarca, encontrava-se um rapaz, que aparentava ser da idade de Yoongi, com os olhos curiosos e bondosos, envergando um fato escuro que lhe assentava na perfeição. O criado presumiu que fosse o filho de ambos e sorriu, afinal, apesar de tudo, pareciam ser uma família unida, e continuou o seu trabalho.

Enquanto se ocupava com o resto das molduras com retratos dos três membros do clã, vozes exaltadas vindas do escritório captaram a sua atenção. O rapaz parou imediatamente o seu trabalho, demasiado distraído pela conversa para prosseguir com as limpezas intensivas, e apurou a audição.

— Sabe que eu desejo grandes coisas de você, não me desiluda agora! — Uma voz forte e grave ecoou nos seus tímpanos e uma palmada foi desferida contra um objeto de madeira, o que Yoongi assumiu ser uma secretária.

— Não pode esperar que continue a trabalhar consigo depois de ver o que você lhes faz, certo? — A outra voz masculina, também desconhecida, parecia estar revoltada. — É desumano, eles são pessoas, têm famílias e trabalhos honestos!

— Você não sabe o que diz, e não se atreva a falar comigo assim!

A partir daí, o tom da discussão foi aumentando, até Yoongi distinguir apenas uma amálgama de frases raivosas e exclamações revoltadas. Porém, quando finalmente se fez silêncio, conseguiu ouvir passos pesados dirigirem-se a si e, antes que pudesse ser apanhado, voltou às suas tarefas, vendo a porta abrir-se de rompante.

De lá de dentro, saiu um rapaz novo, alguns centímetros mais baixos do que Yoongi, com uma expressão furiosa — o criado reconheceu-o como sendo o primogénito da família. O último não pareceu notar a sua presença, visto que nem bom dia dissera, mas o jovem não pareceu se importar, visto que a figura imponente do patrão de sua mãe saiu do escritório e tomou-lhe a atenção.

— Quem é você? — questionou o homem, com a sua voz possante, olhando para Yoongi de cima a baixo, como se o avaliasse. O mais novo imediatamente endireitou a sua postura, não só por ser o homem que pagava o ordenado à sua progenitora, mas também por ser quem poderia acabar com a sua vida em poucos minutos.

— Min Yoongi, senhor. Vim substituir a minha mãe, ela não se encontrava bem-disposta esta manhã. — Curvou-se perante o mais velho, mostrando-lhe respeito, e voltou a pronunciar-se: — A senhora Park já me indicou o que fazer.

Hanseok lhe lançou mais um olhar, deixando o rapaz nervoso, e em segundos voltou para dentro da divisão, fechando a porta violentamente. Yoongi expirou, sentindo os seus músculos relaxarem, como se tivesse cometido uma ilegalidade e o comandante das forças armadas nem sequer reparasse no seu crime.

“Talvez não devia ter feito tantas promessas à minha mãe”, pensou, voltando ao trabalho e tentando distrair-se.

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Notas finais: O que acharam? Críticas são muito bem vindas! :))))

8 Janvier 2022 01:02:31 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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