hydrohubris Júlia Silva

Um conto curto sobre o início do fim do estado de São Paulo. Já que este é um dos primeiros que escrevi, a qualidade pode não estar tão boa, me desculpem.


Horreur Déconseillé aux moins de 13 ans.

#junji-ito #288 #estranho #weird #horror #terror
Histoire courte
0
1.4mille VUES
Terminé
temps de lecture
AA Partager

Prelúdio do Fim

A abertura da fenda gigante no cruzamento das ruas Galvão Bueno e São Joaquim causaram um pânico na população, e com boa razão. A fenda havia revelado algo parecido com matéria orgânica, era carne, mas não era um tipo conhecido de carne. Os primeiros policiais na cena descreveram um cheiro perfumado emanando de dentro da cratera. E essa foi a causa da primeira morte. Uma mulher se jogou dentro da cratera, exclamando elogios atormentados, enquanto era consumida pelas paredes. Após isso, não é surpresa que a polícia fechou os quatro quarteirões em volta do cruzamento em que a fenda estava localizando. A evacuação do bairro da Liberdade causou uma verdadeira crise humanitária no centro de São Paulo, travou o trânsito nos arredores, e plantou incerteza naqueles que acompanhavam as notícias.

A situação no dia seguinte não poderia ser pior. Durante a noite, ossos pontudos ligados a estruturas semelhantes a tendões emergiram do asfalto e do concreto, formando um círculo em volta da "boca" do que estava abaixo da cidade. As pessoas voltaram a se aglomerar nos arredores dos quarteirões, devido a isso, a polícia montou cercas nas entradas. Mas isso não impediu os saqueadores, e pior de tudo, os afligidos. Pessoas de todos os cantos do Brasil começaram a viajar para o bairro nos próximos dias, com a intenção de "entrar em comunhão" com a fenda. O padre local chamou a obsessão turística de "aflição", e o nome foi adotado pelos civis e jornalistas.

As próximas noites não foram fáceis, agentes da lei e bombeiros desmaiaram durante patrulhas nos arredores, como se a cratera estivesse drenando suas energias. As pessoas que moravam nas redondezas estavam começando a relatar barulhos estranhos abaixo de seus pés. Ao ponto de não conseguirem dormir, devido à paranóia assustadora. Durante uma das patrulhas noturnas, saqueadores foram flagrados saindo do edifício do Museu Histórico da Imigração Japonesa, e um livro pesado foi apreendido. Documentos confidenciais apontam que se tratava do Kiminohon (Kimyōna Minami Amerika no Ikimono no Hon), pertencente ao imigrante e "cientista do oculto": Hide Iwasaki.

Você, leitor, pode estar se perguntando nesse momento quem eu sou. Eu sou uma das saqueadoras presas naquele dia. Meu nome é Camila Nascimento. E de fato, eu não sou uma simples saqueadora, eu sou uma investigadora, uma "cientista do oculto", atrevo dizer. Já fazia anos que estava estudando a existência do Kiminohon. E o aparecimento de YVONTAR foi simplesmente a oportunidade perfeita para eu ver com meus próprios olhos. Acabei juntando dois parceiros meus, Zeca e Trombada, eram do tipo que não faziam muitas perguntas, simplesmente perfeito eu diria. Bem, até um dos imbecis tentar saltar para dentro da fenda, atraindo a atenção de todos os policiais na região. Eu fui mandada para a delegacia, fiquei lá por algumas noites, mas o Delegado era um ótimo "parceiro de negócios", acabei saindo mais cedo por causa disso.

No dia seguinte, os militares já haviam tomado conta da situação, eu gostaria de ter avisado que suas armas seriam inofensivas contra o deus que se escondia embaixo de São Paulo. Eu tive que treinar por muitos anos para poder resistir a loucura que vem com o conhecimento destas coisas. Eu pensei que eles não iriam durar nem duas semanas, mas minha aposta foi muito otimista.

A sorte me favoreceu muito naquele dia, eu já estava na rodovia. Quando eu pude ver a nuvem de fumaça em cores vermelhas emanando do centro da cidade. ELE tinha acordado. Eu não faço ideia do que os militares fizeram, mas eles escalaram a situação de um para dez, em apenas uma semana, que façanha. Eu cheguei na minha cidade natal de Terra Negra e tentei ficar calma, mas eu não conseguia, eu simplesmente não conseguia. O artefato de Iwasaki era minha última esperança, mas agora não tenho como fazer nada. O fim do mundo já começou.

ELE eventualmente voltou a dormir, mas sua breve consciência mudou toda nossa existência. A barreira entre o mundo DELES e o nosso se quebrou, e agora estamos à mercê de sua influência e criações abomináveis. Do dia para noite, agora temos relatos de criaturas terríveis rastejando pelo interior paulista, a Serra Santista agora treme diariamente, e eu posso garantir que a cidade de São Paulo está com os dias contados. Por enquanto não recebi notícias de acontecimentos anormais ocorrendo fora do estado, mas a possibilidade desta onda de bizarrice se espalhar para o resto do país me assusta.

Aparentemente, a região dentro do que eu chamo de Triângulo Paulista parece atrair a maior parte dos eventos anormais e das criaturas estranhas. Acredito que exista alguma razão sinistra para isso estar acontecendo, e eu não posso descansar antes de encontrar um jeito de acabar com isso. Eu espero que você, leitor, me perdoe pela minha inabilidade de prevenir isso, mas eu não tinha como prever que ia acontecer tão cedo, perdão.

Eu tenho medo de abrir minha porta, um homem estranho está rondando em volta da minha casa, e eu percebi um pequeno furo em meu muro. Eu posso até ficar louca, ou paranóica. É difícil distinguir o que é real do que não é, ainda mais nos dias de hoje. Uma culpa imensa toma conta da minha alma, eu me arrependo de não poder salvar todas estas pessoas que estão morrendo. Se existe um deus, ele está morto, AQUILO o matou, e agora ele está atrás de nós.

Perdão, acredito que eu tenha tido mais um episódio. Eles estão ficando cada vez mais frequentes. Talvez seja toda a responsabilidade, eu nunca imaginei que uma simples ida à biblioteca iria me trazer aqui. Apesar de todo o treino mental, todas as leituras, eu não consigo não ficar assustada com o nosso futuro. Borges me mandou uma mensagem mais cedo, dizendo que iria me encontrar aqui mais tarde. Mas algo está estranho, muito estranho, eu sei lá, não consegui sentir que era realmente ele. Mesmo se não for, eu tenho uma machete, posso me defender, mas será que eu consigo me defender contra um monstro disfarçado? Eu provavelmente vou descobrir em breve.

Eu não posso deixar o medo do desconhecido tomar conta de mim, não posso de jeito nenhum. Se ELE conseguir vencer vai ser o fim de todo o universo como conhecemos. Vou tentar ir para São Paulo semana que vem para estudar mais de perto. Se a sorte me favorecer, eu vou voltar para Terra Negra e procurar mais pistas de como lidar com ELE. Sinto que Hide Iwasaki estava no caminho certo, um caminho extremamente perigoso, mas certo. Eu não acredito que Iwasaki escreveu o Kiminohon, nem acredito que foi um homem, mas sim um grupo, ou uma entidade. Descobrir a solução para tudo isso corrói meu cérebro, mas faz meu sangue correr por minhas veias.

Minha campainha acaba de tocar, deve ser o Borges. Vou finalizar meu relato por agora. Se eu não voltar para casa, oro para todos os deuses disponíveis que não deixem estas anotações caírem nas mãos erradas.

Esta coisa não era o Borges, eu tenho certeza que não era. Não pode ser, eles acharam minha casa, ELES SABEM. Eu estou sangrando muito, quase posso sentir minhas tripas saindo para fora de minha barriga. PORQUE ELE TINHA AQUELAS GARRAS? Eu não sei mais, eu não sei de mais nada. Sinto que estou ficando louca, eu vou morrer aqui, eu tenho que sair daqui. Tenho que sair daqui AGORA. Ele não morreu, eu só botei ele para dormir. Eu não sei quanto tempo eu tenho, então, para qualquer um que achar isso: POR FAVOR, CONTINUE O QUE EU COMECEI, NÃO TEMOS MUITO TEMPO-

18 Décembre 2021 05:29:40 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
0
La fin

A propos de l’auteur

Júlia Silva Eu escrevo histórias curtas sobre horrores inexplicáveis e entidades anciãs. Eu sou iniciante ainda, mas espero que você goste do que eu escrevo. Muito obrigada por ler!

Commentez quelque chose

Publier!
Il n’y a aucun commentaire pour le moment. Soyez le premier à donner votre avis!
~