hydrohubris Júlia Silva

Um conto curto sobre um homem comum que vai ao trabalho para mais um dia de esforço remunerado.


Horreur Interdit aux moins de 18 ans.

#estranho #weird #288 #ito #junji #horror #terror
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Os Males do Trabalho Moderno

O edifício da Hamamoto Kabushikigaisha se impunha na paisagem da cidade como o arranha-céu mais alto do país. Localizado no centro de Marunouchi e próximo ao Palácio Imperial de Tóquio, este edifício era o local de trabalho de várias pessoas. entre elas estava Katabuchi, um homem de quarenta anos e cinco meses de idade, vestido dos ombros até os pés em um terno preto desbotado e gravata verde escura. Katabuchi era um homem de família. Tinha um filho e uma bela esposa nos subúrbios da cidade, mas ainda assim vivia uma existência miserável de trabalho e sobrevivência. Sua rotina era a mesma a anos: Pegar o trem, pegar o ônibus, trabalhar, voltar para casa, comer, dormir e repetir. Nos dias de folga ele cuidava de sua família, e a verdade era que Katabuchi não sabia o que era folga há vários anos.

Katabuchi olhou para um lado e para o outro antes de descartar seu cigarro na calçada e entrar no edifício. A recepção era luxuosa - precisava ser - afinal, esta era a sede do maior conglomerado de tecnologia do Japão, pioneira na tecnologia de wetware e especialista em vários campos. Katabuchi acenou para seus colegas de trabalho e passou pela catraca, logo antes de se dirigir diretamente ao elevador que o levaria para sua vida monótona de escritório.

O homem entrou no elevador junto a um jovem, que vestia um terno bege e gravata vermelha. Os dois estavam em um estado de silêncio total, até o jovem quebrar o gelo.

"Belo clima, não?"

A pergunta para encher linguiça não foi respondida por Katabuchi, que permaneceu em silêncio, mergulhado em seus próprios pensamentos, olhando para a luz fraca no teto do elevador, que eventualmente parou. O jovem constrangido desceu em seu destino, deixando Katabuchi sozinho novamente. O homem acordou para a realidade e olhou para suas mãos enrugadas, se questionando se esse realmente era o melhor lugar para se estar. O elevador rangeu e parou, mas não no andar do escritório de Katabuchi.

Ele havia parado no andar dez, esta era a localização de seu cubículo, mas no lugar do escritório branco e chato estava uma cena que saiu diretamente de um filme de terror. As paredes e janelas estavam cobertas por uma fina camada de sangue e carne que escorriam até o chão. Katabuchi pisou para fora do elevador com um olhar chocado, além da vista aterrorizante, ele podia ver várias criaturas parecidas com esqueletos cobertos por bolhas de pele e carne, pareciam que iriam explodir a qualquer contato. O homem olhou para o escritório, paralisado e chocado. Em dez anos de emprego, Katabuchi nunca havia visto isso, ele estava com uma vontade absurda de vomitar, esta foi a única coisa que o fez acordar para a realidade e correr para o banheiro.

O pequeno toalete se assemelhava a um de um avião, possuía uma pequena pia, uma privada, e nenhum papel higiênico. A carne e o sangue haviam se espalhado até na fortaleza da privacidade. Katabuchi ignorou a aparência terrível da privada e vomitou na água sanitária, não antes de se trancar dentro do banheiro. Ele questionou sua sanidade por alguns segundos enquanto olhava para a água.

"Se acalme, Hideo, você só está vendo coisas. Você dormiu mal essa noite, sim, deve ter sido isso. Tome coragem e saia desse banheiro!"

Katabuchi sussurrou para si mesmo e cuspiu no vaso sanitário antes de dar a descarga e lavar as mãos. Ele lentamente pôs sua mão na maçaneta, e abriu a porta o mais rápido que podia. Uma realidade pior não poderia ser concebida, ele ainda estava no décimo andar amaldiçoado. Com suor descendo pela sua testa, Katabuchi decidiu que precisava de café, talvez isto iria o acordar para a realidade e acabar com este sonho.

Ao chegar na máquina de café, o homem notou que ela estava coberta por um material estranho, parecia carne, mas era uma carne rosa e viscosa. Ele lentamente apertou o botão para um café expresso, para seu alívio, os copos de plástico continuavam normais. Para seu desgosto, a máquina não produziu café, mas sim um líquido oleoso e brilhante, que cheirava a ovo e gasolina. Querendo provar para si mesmo que tudo isso não passava de um sonho, Katabuchi mandou todo o líquido para dentro de seu organismo de uma só vez, tinha gosto de café, se café fosse feito de queijo. Após beber o líquido horroroso, o homem piscou seus olhos rapidamente, esperando que isso iria ajudá-lo a voltar para a realidade.

Mas nada aconteceu, olhando para os lados em pânico, percebeu que as criaturas ainda estavam ali, as paredes ainda estavam cobertas por carne, e que ainda estava acordado.

"Se acalme, Hideo… talvez trabalhar irá resolver toda esta situação, sim… onde está meu cubículo..?"

Katabuchi caminhou pelo escritório amaldiçoado até encontrar seu cubículo, que se encontrava vazio, prístino, e imaculado. A carne e o sangue não haviam chegado aqui ainda, isto encheu a alma de Hideo de alívio. Ele se acomodou em sua cadeira de escritório confortavelmente, tentando ignorar os grunhidos das criaturas que estavam perambulando pelo escritório.

O homem organizou seus materiais de trabalho na mesa, quase podia sentir tudo voltar ao normal, talvez tudo isso tenha sido um pesadelo e ele iria acordar em sua cama a qualquer momento, ou o escritório voltaria ao normal e ele poderia voltar ao seu emprego comum; Katabuchi ligou seu computador.

Logo ao abrir seu software de trabalho, uma mulher sem rosto, de cabelos negros e aspecto jovem se aproximou do cúbiculo. Isto chocou Katabuchi novamente, ele identificou ela como uma estagiária a serviço de seu chefe. Aguardando por algo normal, as expectativas de Katabuchi foram destruídas quando ela retirou uma grande pilha de papéis de dentro de sua saia e a colocou na mesa dele, gritando em uma língua desconhecida para ele completar tudo isso em menos de dado tempo. Embora ele pudesse ver que a mulher não estava falando, suas palavras estavam invadindo seu cérebro e causando uma forte dor de cabeça.

Katabuchi imediatamente começou a trabalhar quando a jovem foi embora, resolvendo papel atrás de papel, eles estavam cheios de letras e números aleatórios, mas ele conseguia entendê-los de algum modo. Horas se passaram, mas os papéis não pareciam acabar. O homem já estava ficando cansado. O relógio na parede não havia se movido há algumas horas, removendo completamente sua percepção de tempo. Ele se sentia como se estivesse ficando louco, talvez o único jeito de deixar este pesadelo seria lutando seu caminho até a saída.

O homem olhou para o escritório de um modo nervoso, procurando alguma fraqueza em seus oponentes. As criaturas pareciam ser bem vulneráveis, eram esqueletos ambulantes com pedaços de carne inchada coladas aos ossos, mas todos eles possuíam um único olho na testa. A mulher sem rosto estava assistindo as atividades dos "empregados" como uma ditadora, talvez se ele a matasse primeiro iria causar pânico nos monstros presentes e lhe dar tempo suficiente para escapar. Ele até tinha uma arma perfeita: Por algum motivo, na parede havia um machado decorativo.

Katabuchi lentamente se levantou de seu assento e caminhou até o machado. As palavras furiosas da jovem sem rosto invadiram sua mente, causando uma forte dor pelo corpo todo, mas isso não iria fazê-lo desistir. As palavras da mulher apenas se tornaram mais grosseiras e altas quando ele tomou o machado e andou até a posição da moça. Ela permaneceu imóvel, mas seu corpo estava virado totalmente na direção de Katabuchi.

O golpe foi apenas um, Katabuchi levantou o machado e o afundou no crânio da mulher, imediatamente a silenciando. Isto não foi o suficiente para o homem; que levantou o machado novamente e golpeou a cabeça sem rosto da mulher repetidas vezes, até a mesma se tornar irreconhecível. Todos os anos de monotonia e trabalho sem fim haviam enchido a alma de Katabuchi de rancor, e agora ele poderia descarregar toda a pressão nessas criaturas horrendas e sem forma.

Katabuchi tornou seu rosto coberto de sangue para fitar os "funcionários", que estavam assistindo a cena em choque. Alguns deles começaram a gritar, era um grito ensurdecedor, e de maneira similar a cigarra, as criaturas começaram a explodir uma por uma, lançando carne e sangue para todos os lados. Katabuchi riu de maneira vitoriosa ao ver seus inimigos desaparecendo e cobrindo seu corpo com entranhas. O pesadelo havia finalmente acabado, ele estava livre. O homem ajeitou sua gravata verde escura que agora estava coberta por sangue, e andou até o elevador. Calmamente apertou o botão e esperou. Seu cabelo estava encharcado com as entranhas das criaturas, o homem passou sua mão em seu rosto para remover um pouco do sangue.

O elevador chegou e foi invadido pelo forte cheiro de carnificina, e a aparência de Katabuchi chocou uma mulher que estava no canto do elevador, cobrindo sua boca para tentar não vomitar.

"Subindo?" perguntou Katabuchi calmamente, já entrando no elevador sem esperar a resposta da mulher.

A jovem balançou a cabeça em afirmação e se afastou de Katabuchi, permanecendo no canto enquanto as portas se fechavam e os levavam ao décimo primeiro andar.

"B-Belo clima, não?" a mulher gaguejou, tentando iniciar uma conversa com o homem ensanguentado. Por algum motivo, a pergunta tocou nos nervos de Katabuchi, que rosnou de raiva e levantou seu machado. É impressionante como um trabalhador de colarinho branco pode botar força suficiente em um golpe para decapitar alguém.

As portas se abriram e revelaram a cena grotesca a uma multidão de funcionários comuns do escritório, que estavam cumprindo sua rotina até o cheiro de sangue invadir a sala. Katabuchi chutou a cabeça decapitada da mulher para fora do elevador e a seguiu com o machado em mãos, o silêncio mortal é interrompido por uma mulher que solta um grito afinado e desperta a raiva de Katabuchi novamente. O homem começa a moer pela multidão como um triturador, sangue voou para todos os lados até ele ser detido pelos funcionários mais fortes. Sua risada maníaca iria permanecer na história, e marcaria sua vida para sempre. C'est fini.

Em um momento, Katabuchi era um homem de família, honesto e trabalhador, mas as pressões do mundo moderno o tornaram em um monstro, um criminoso; Que agora estava sendo escoltado algemado por cinco policiais para fora do prédio. Os gritos e risadas de Katabuchi ecoam na mídia até hoje.

Hideo Katabuchi seria executado em 5 de Agosto de 2025, seu corpo sem vida foi uma forte imagem; a imagem de um homem que não tinha nada e perdeu tudo. Assim são as reviravoltas da vida.

19 Décembre 2021 01:47:18 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Júlia Silva Eu escrevo histórias curtas sobre horrores inexplicáveis e entidades anciãs. Eu sou iniciante ainda, mas espero que você goste do que eu escrevo. Muito obrigada por ler!

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