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Jimin daria a sua vida por seu protegido, Yoongi; era o mínimo que ele poderia fazer pelo garoto, sendo seu anjo da guarda. Jimin só não sabia que seria capaz de ir contra as regras do Paraíso somente para salvar Yoongi, e que teria que pagar por seus pecados mesmo sendo um protetor. Yoongi só não imaginava também que se apaixonaria por seu anjo da guarda, dando também a sua vida por seu querido anjo.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

#violencia #yoongi #jimin #yoonmin #alcool #inferno #linguagem-impropria #sugamin #minimini #suji #2min #céu #minmin #2minpjct
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Onde há escolhas, há consequências

Escrito por: girl_daegu /girl_daegu


Notas iniciais: Primeira fic darkzinha minha 😳 ksksks.
Espero que gostem, e boa leitura!!


~~~~

— Não é possível que Jimin tenha feito isso… — Jungkook disse soprado, enquanto se escondia atrás das leves cortinas de cetim, esparramadas por toda a gigantesca sala.

— Perdoem-me, senhores! — Jimin suplicava juntando as mãos e caindo lágrimas pesadas de seu rosto.

— Não há perdão, não há lugar para você neste mundo.

[...]

— Dou dois minutos para Yoongi aceitar ir a essa festa — Jungkook disse.

— Você sabe que não deveríamos fazer apostas sendo seres celestiais… — Jimin reclamou, desviando os olhos dos garotos que estavam um pouco à sua frente, jogados na cama.

Taehyung e Yoongi. Um deles — diga-se Taehyung, e também o protegido de Jungkook — era um garoto animado e gentil que sempre conseguia tirar um pouco de proveito da sua pequena popularidade, tendo como sua marca a sua tremenda sorte, seja de ganhar em vários bingos ou nunca ter nem mesmo quebrado um osso. Já Yoongi, protegido de Jimin, era um garoto calmo e reservado que tinha como marca a sua gigantesca marca de recorde de lesões corporais. Ninguém sabia como garotos tão contrários conseguiam ser melhores amigos, e ainda por cima equilibrar o ânimo de Taehyung ao tão azarado e coitado Min Yoongi.

Desde criança, Yoongi sempre foi alguém muito calmo que de nunca em nunca se envolvia em confusões, e Jimin levantava as mãos aos céus em relação a isso. Mas quando Taehyung chegou e se aproximou da mesa de Yoongi no último ano do primário, com duas janelinhas nos dentes… Ele sentiu que provavelmente as coisas poderiam mudar.

— Ok. Eu vou, mas só dessa vez — Yoongi reclamou antes do outro pular em cima dele e começar a o balançar de alegria. Era aquela a frase que eu mais temia.

— Eu disse — Jungkook sorriu, já prevendo todo o sufoco que eu passaria.

Pelo menos uma vez por mês, Taehyung levava Yoongi para gigantescas festas, isso quando o mesmo não o levava para pequenas resenhas que tinham na casa de alguns amigos ao longo do mês.

A combinação perfeita.

[...]

A festa tinha começado bem, Taehyung ainda não tinha bebido meio copo e Yoongi se contentava com alguns petiscos de camarão na mesa central. Mil maravilhas, Jimin não teve esforço algum.

No meio da festa, Taehyung já tinha certeza que havia bebido mais de sete, e Yoongi já sentia que aquele terceiro copo fazia sua cabeça girar. Complicado, Jimin às vezes tinha que ajudar Yoongi a não tropeçar nos próprios pés.

Já em um novo momento, ninguém sabia se era o fim da festa ou se ela realmente tinha começado para valer. Taehyung já havia sumido entre as pessoas, sendo seguido por um Jungkook preocupado. Já Yoongi, estava jogando verdade e desafio em uma rodinha de desconhecidos fazendo mais besteira do que seu cérebro conseguiria lembrar no próximo dia.

Todos os anjos estavam loucos, alguns jovens faziam brincadeiras arriscadas na piscina e muitos deles não conseguiam segurar seus protegidos ao se meterem em situações arriscadas.

Principalmente Jimin, que não saía do pé de Yoongi em um mísero segundo enquanto ele voltava para casa um pouco bêbado e cambaleante.

— Onde você foi se meter, Yoongi? — perguntou sem esperar resposta do mesmo, sua cabeça latejava e ele só esperava que Yoongi deitasse em sua cama para poder enfim abaixar a guarda.

Em algum momento, os dois já estavam perdidos em meio às ruas.

Yoongi às vezes se encostava nas paredes respirando fundo tentando não vomitar, ele não estava sóbrio, mas já estava começando a se arrepender de seguir a cabeça de outros adolescentes à flor da pele. Onde já se tinha visto aquilo? Yoongi era fraco para a bebida, não era de hoje que ele sabia isso.

Anjos tinham o tão famoso sexto sentido, algo que sempre os ajudava a proteger seus protegidos, seja ouvindo algo, sentindo algum cheiro e até mesmo algumas das vezes tendo alguma visão. E um cheiro em específico atentou Jimin.

Yoongi de repente caiu no chão, logo se sentando e rindo de uma situação que ninguém entenderia, como sempre.

Tudo ocorreu em milésimos de segundos: um caminhão, um farol cegando os olhos de Jimin, e um enorme barulho.

Não, ele não podia deixar aquilo acontecer.

[...]

— Loirinho? — Uma voz ecoava pela mente de Jimin, era distante, mas com o tempo se aproximava. — Tentei tirar a sua fantasia, mas parece que ela é grudada em você, isso é medonho.

Jimin abria os olhos e, aos poucos, se deparava com um cenário familiar, o teto branco, as paredes acinzentadas. Um Yoongi descabelado.

Era aquilo? Jimin tinha ultrapassado a linha do destino?

— V-você consegue me enxergar? — A voz de Jimin era falha e, aos poucos, ele começava a sentir sua cabeça explodir, e suas asas ardiam como fogo.

— Acho que sim? — Yoongi parecia um pouco confuso, mas agora parecia sóbrio.

— Eu não acredito!

Quando Yoongi menos tinha notado, Jimin já estava chorando e suas mãos trêmulas cobriam seu rosto angelical. Yoongi estava perdido, desde ontem à noite, na verdade.

Por mais que Yoongi estivesse bastante bêbado na hora, ele ainda se lembrava de ter acordado ao lado de um garoto loiro. Yoongi estava somente com alguns arranhões, então achou que não devia se meter em meio a um acidente tão grande daqueles. Mas o que mais intrigou Yoongi durante aquela madrugada, foi ele pedir ajuda aos homens da ambulância para levar o menino loiro ao hospital e todos acharem que ele era um bêbado louco.

Yoongi tinha duas opções: largar o menino invisível ali no chão, ou tentar ajudá-lo. E por mais que ele não estivesse totalmente consciente, ele tinha humanidade e sabia que tinha que ajudar o desconhecido.

— Você está bem? Bateu a cabeça ou algo assim?

— Vão me esfolar vivo... — Sua respiração estava descontrolada. — Ou pior, não vão me deixar mais ser um protetor! Ah!

— Você precisa de algum psicólogo ou psiquiatra? Tenho uma amiga que vai a um e ela gostou bastante...

— Eu não preciso de um psicólogo, eu preciso é do perdão — Jimin puxava seus cabelos fortemente e aquilo só colocava Yoongi em maior estado de alerta. — Você não percebeu que sou um anjo? E seu, ainda mais especificamente.

— Cadê seu celular? Assim ligo pra algum parente seu ou coisa do tipo e...

— Eu não tenho celular e nem mesmo parentes, Yoongi.

— Como você sabe meu nome? — questionou confuso.

— Seu nome é Min Yoongi, tem vinte e um anos e nasceu no dia nove de março. Você nasceu em Daegu, mas, durante os seus sete anos, seu pai foi demitido do emprego e somente achou um bom aqui em Seul. Seu melhor amigo é Kim Taehyung. E você adora assistir filmes do Batman, ao ponto que já sabe todas as falar de cor.

— O-o quê?

— Quer mais? Seu primeiro beijo foi aos treze anos durante um jogo de verdade ou desafio. Você ficou a noite toda se remoendo porque achou que não estava pronto para aquilo e se desesperou no momento.

— E-eu não me lembro de ter colocado tanto sobre a minha vida no Facebook...

— Se você quiser, eu comento sobre a vez que você teve diarreia no meio da aula de química, e...

— Tudo bem, eu já entendi, não precisa me intimidar mais!

— Acredita que seu anjo da guarda atravessou a linha para lhe salvar de seu péssimo destino, se mostrando para você, e agora está correndo um grande risco de perder a sua única função no universo?

— Acredito que eu só posso estar muito bêbado até agora.

[...]

Era curioso porque Yoongi realmente tinha achado que tinha ficado louco, pois, sempre que estava em público, ninguém nunca olhava torto para o garoto ao seu lado com aquelas asas e vestes brancas como nuvens. Jimin era invisível a todos, menos a ele. Yoongi começava a acreditar naquilo, mas não fazia o menor sentido tudo aquilo.

E tudo se bagunçava mais ainda quando ele se encontrou com Taehyung novamente. Jimin começava a surtar com algo que o mesmo não via, e Taehyung não entendia o porquê de Yoongi ter criado amigos imaginários, e ainda mais anjos imaginários.

Era assustador.

— Não tem como você voltar a vida normal? Tipo ficar invisível, me proteger e “pá”, não? Tudo como antes? Como se nada tivesse acontecido...?

— Eu nem mesmo sei como consegui atravessar a linha, Yoongi... Quem diria desatravessar ela e voltar tudo ao normal.

— Não há nenhuma forma de pedir ajuda a algum superior seu?

— Se eu entrar pelos portões do Céu e disser que você consegue me ver, será um caos, Yoongi.

— Que mal há em eu ter lhe visto? Assim seria bem mais fácil para os humanos acreditarem em Deus e...

— Yoongi, é muito mais além do que você pensa. — Respirou fundo e encostou sua cabeça na parede, dobrando um pouco seus joelhos na cama. — Imagine um mundo onde todos precisassem de provas para saber que anjos existem? Teria sentido humanos terem tanto contato com um ser que tem uma curta ligação com toda a essência da criação e do universo?

Yoongi continuou em silêncio.

— Humanos foram criados para terem uma jornada de livre arbítrio, acreditando no que querem e escolhendo entre seguir o bem e o mal. Qual seria o sentido de tudo?

— Então por que os humanos não ficam sem proteção? — questionou Yoongi.

— Seres tão frágeis como vocês? — Jimin se virou na direção do mesmo com um sorriso aberto e animado. — Não querendo me gabar, mas vocês não durariam um mês sem nós.

Yoongi se sentia um idiota. Somente Jimin não sendo humano mesmo para ter tanta sabedoria.

[...]

— Você sabe que não pode ficar sem entrar no Reino dos Céus por mais um mês, não sabe, Jimin? — Jungkook perguntou, sentado na arquibancada ao lado de Jimin, que observava de longe Taehyung e Yoongi jogarem uma partida de basquete.

Beirava quase um mês que Jimin não entrava no Reino dos Céus, ele sabia que deveria voltar para lá pelo menos de mês em mês para apresentar um relatório para seus superiores, mas Jimin não podia, ele não estava preparado.

Que mal teria ficar um mês sem entregar os relatórios, não é mesmo? Já tinha cometido um dos maiores pecados entre os anjos. Era o que Jimin pensava.

Os dias iam se passando, e Jimin ficava com Yoongi até ele pegar no sono.

— Você é maravilhosamente esplêndido, Jimin. — Jimin ficou paralisado quando ia deixar um beijo na testa de Yoongi e, naquela noite, recebeu algo diferente de um ‘boa noite’.

— Por que você está me dizendo isso? — Afastou-se um pouco da testa de Yoongi para olhar melhor em seus olhos em meio à luz da lua.

— Não tenho a mínima ideia. — Desarmou Jimin com um sorriso gengival tímido, antes de se virar em direção a parede e murmurar um último boa noite.

Parecia que Jimin tinha ultrapassado alguma outra linha.

[...]

Jungkook tinha entregado os relatórios de Jimin no primeiro mês. E depois, no segundo...

Seus superiores sempre suspeitavam, mas não podiam fazer muita coisa diante das desculpas esfarrapadas de que o protegido de Jimin estava correndo muito perigo durante aquelas semanas.

Não era Yoongi que corria perigo. Era Jimin, que, por mais que não quisesse aquilo, sua intimidade e proximidade a Yoongi se estreitava mais ainda. Sem contar tudo o que ouvia de Yoongi durante aqueles dias.

“Seria muita sorte a minha ter alguém tão bonito assim ao meu lado vinte e quatro horas por dia? Queria ser sábio como você, Jimin. Isso lhe destaca em meio a todos. Seus cabelos são macios como nuvens, como Deus não permitiu alguém tão lindo assim poder viver aqui na Terra para ser admirado?”

E não era somente Yoongi.

“Não basta eu arriscar minha existência por você? Precisa me deixar tímido dessa forma? Se eu fosse um humano, com certeza aproveitaria a primeira oportunidade para ser seu amigo, Yoongi; Taehyung tem muita sorte de ter você com ele. Acho que nós dois nos daríamos bem independente da relação.”

E por último, a frase que sempre matutava na cabeça de Yoongi, que ele soltou durante o final do terceiro mês ao lado de Jimin.

“Acho que apaixonei por um anjo, Jimin. Você acha isso muito errado?”

Yoongi queria muito entrelaçar suas mãos nas de Jimin enquanto estavam na rua como as entrelaçavam enquanto conversavam dentro de casa. Jimin queria muito que os amigos de Yoongi pudessem o ver, para pelo menos dizer se ele era bonito ou não. Yoongi queria. Jimin queria.

— Se não nos acompanhar agora, teremos que o levar a força, Jimin. — Assim que Yoongi pegou no sono, Jimin viu algumas figuras na janela. Eram como anjos, mas com um físico mais estruturado e com vestes cheias de equipamentos. Vigilantes celestiais.

[...]

— Jimin? — Yoongi acordou e não percebeu a presença do loiro. Yoongi procurava por todos os cômodos, quarto, cozinha, sala, banheiro, e nada. Jimin tinha desaparecido.

Yoongi e Jimin tinham tido uma conversa séria alguns dias atrás, sobre Jimin ter cometido um gravíssimo erro e que uma hora ou outra ele teria que conversar com seus superiores.

Yoongi só não imaginava que seria pego tão de surpresa assim.

Ele não tinha ao menos dado o tão esperado beijo que queria em seu anjo, mas não pôde. E foi nesse momento que um nome veio à sua mente: "Jungkook". Yoongi nunca tinha nem visto o tão comentado anjo da guarda de Taehyung, mas sabia que ele era bem próximo de Jimin, às vezes ele ouvia Jimin conversando com o outro anjo, mas infelizmente somente conseguia ver o próprio. Nisso, Yoongi foi às pressas na casa de Taehyung, ele precisava ao menos saber se o seu querido Jimin estava bem.

— Jungkook, você está aí? — disse, entrando na casa quando Taehyung o convidou para entrar, ainda confuso.

— Quem é Jungkook, Yoongi? Esses são modos?

— Jungkook, eu preciso de você, eu preciso de Jimin. Me ajude!

— De novo com esse assunto de anjo da guarda chamado Jimin, Yoongi? Você não foi no psiquiatra que te recomendei? — Colocou a mão sobre o ombro de Yoongi, mas isso não acalmava o outro.

Jungkook estava sentado no sofá da sala, roendo as unhas de preocupação com seu amigo, mas pulou no mesmo momento em que ouviu seu nome saindo da boca de Yoongi.

— Eu sei que você está aí, e com certeza você sabe mais sobre Jimin. Por favor, me ajude...

Jungkook estava perdido enquanto olhava em volta, não tinha como ele ter contato com Yoongi, o máximo que ele conseguiria seria se mostrar para Taehyung, mas além de causar mais bagunça para os dois, teria o mesmo problema que Jimin estava tendo.

— Eu te suplico, Jungkook. Jimin não pode ser punido assim sem mais nem menos por simplesmente agir por instinto. Eu lhe imploro.

O máximo de contato que Jungkook poderia ter era com objetos em situações extremas e de muito esforço, ele se colocaria em risco, mas ele tinha que fazer algo. Jimin precisava de ajuda.

— Jesus Cristo, que merda é essa?! — Taehyung correu até a mesinha de centro da sala assim que viu a caneta e o caderno que estavam sobre a mesa se mexerem. — Tá amarrado em nome do Senhor, será que também estou ficando louco? — Yoongi correu para a mesa, acompanhando tudo o que estava acontecendo.

Era Jungkook escrevendo.

“Jimin foi levado para o Reino dos Céus, mas será punido por seus pecados inaceitáveis. A última vez que vi Jimin, ele estava em uma das salas de reuniões, e não ouvi coisas boas...”

Parou de escrever, Jungkook se sentia fraco.

— Ele está bem? C-como eu posso ver ele? — Taehyung e Jungkook não conseguiam ver, mas algumas das penas das asas de Jungkook haviam caído sobre o sofá e o chão, lágrimas douradas surgiam em seus olhos e ele não sabia por quanto tempo mais aguentaria segurar aquela caneta sem desmaiar.

“Jimin foi mandado para o Inferno, Yoongi.”

[...]

— Isso é loucura. Eu agora acredito em anjos depois de ver aquela caneta se mexer, mas acreditar que você vai fazer um acordo com demônios já é loucura! — Taehyung gritava enquanto via Yoongi segurar uma pedra vermelha como sangue.

— Jungkook me disse que eu posso encontrar Jimin lá e-

— Sem chances, por que fazer tudo isso?

— Um término é uma coisa, mas saber que quem você ama está sendo punido no Inferno por sua culpa já é outra, Taehyung. — Recebeu um suspiro desistente do outro.

Era simples, Yoongi faria um acordo com demônios e depois pagaria algum preço pelo acordo. As duas partes pagariam.

Uma luz ofuscante vermelha tomou o quarto e Yoongi simplesmente desapareceu. Ele realmente tinha feito um acordo com demônios.

[...]

Yoongi tinha quase certeza que não estava no Inferno, era algo muito familiar para ele. Provavelmente tinham passado a perna nele.

Havia prédios, pessoas andando pelas ruas e não tinha ninguém queimando no fogo de acordo com o que muitas pessoas diziam em alguns livros.

De acordo com o tempo que Yoongi andava pelas ruas, ele notava que tinham algumas diferenças, sim: as pessoas ou tinham semblantes tristes ou raivosos. O lugar fedia e, a cada dois metros havia pessoas deitadas no chão, gemendo de dor. E a cada beco, Yoongi flagrava alguém sendo violentado.

Talvez fosse, sim, o Inferno.

— Com licença, você pode me dizer onde eu estou? — Yoongi perguntou para uma mulher que estava encostada na parede, fumando um cigarro, recebendo um olhar completamente arrogante e debochado.

— Acho que era pra você saber depois de tudo o que fez na Terra, garoto.

Já era noite e Yoongi não tinha onde dormir, Yoongi estava perdido.

[...]

— Deixe-me passar! — Jungkook dizia enquanto tentava se soltar dos braços fortes que o impediam de entrar no salão.

— Quer ser punido como o Park também, Jungkook?

— Jimin agiu por instinto, e não maldade! — Jungkook gritou por entre a fresta da porta quando conseguiu se aproximar da porta do salão, mesmo entre os braços do homem alto.

— Deixe-o entrar. — Uma voz grave foi ouvida de dentro da sala de reuniões.

Havia cerca de dezessete homens conversando em volta da grande mesa, alguns dos seus superiores. Aliás, um deles era quem puniu Jimin.

— Vocês sabem que a culpa não foi dele, nascemos para isso, fomos criados para isso. — Sua voz agora era baixa, ele teria que ter o mínimo respeito naquele momento.

— Estaria tudo bem se apenas um anjo se mostrasse para o seu protegido, Jungkook, mas imagine se todos se mostram para os humanos? Seria um caos.

— Ele se arrependeu!

— Como você sabe?

— Jimin é um dos melhores anjos que já conheci em todas as proteções que fiz na minha vida, ele nunca se mostraria para um humano para nos trair.

— Jimin não só se mostrou para o garoto, Jungkook — fez uma pausa, respirando profundamente. — Jimin manteve uma relação amorosa com um humano.

— Mas ele... ele...

— Eu lamento, mas... um anjo, Jimin nunca poderá ser, Jungkook. — Uma voz afeminada e mais calma preencheu o local.

Não, Jungkook não deixaria assim.

[...]

Yoongi caminhava há bastante tempo, já tinha anoitecido e nenhum sinal de Jimin.

O garoto não sabia onde aquele lugar começava e nem terminava. Yoongi começava a pensar que aquilo não passava de uma loucura, como ele acharia um garoto em um local tão grande como aquele?

— Como conseguiu essas asas, garoto? — Yoongi parou no local. Aquela voz vinha de um beco.

— Por favor, não me machuque. Não lhe fiz nada.

Sem dúvidas era Jimin. Yoongi reconheceria aquela voz doce de olhos fechados a quilômetros de distância. Jimin estava preso contra uma parede, suas asas estavam abaixadas enquanto ele tentava se afastar do homem que se aproximava aos poucos.

Yoongi não sabia o que o homem estava prestes a fazer, mas, no mesmo segundo, se agarrou ao garoto, abraçando-o fortemente, surpreendendo Jimin que ficou imóvel durante o ato. Por um segundo, parecia que toda aquela aura triste do local tinha desaparecido, eram somente os dois.

— Também há gays aqui? — O homem perguntou surpreso, assustando-os. — Era só o que faltava. — Bufou.

— Não encoste um dedo nele. — Yoongi se virou na direção dele, fechando os punhos do lado de seu corpo. — Ou eu... eu...

— Ou você...? — Sorriu de lado de forma debochada.

— O-ou... eu...

Plano um: se arriscar dando um soco no rosto do homem. Já imaginava a intensidade do que seria revidado, acabando por machucar os dois garotos que, mesmo que se juntassem, não conseguiriam nem mesmo encostar um dedo no homem.

Plano dois: pegar a mão de Jimin e fugir até serem obrigados a parar pelo cansaço.

Yoongi não era louco. Escolheu o plano dois.

[...]

— Por que caçambas você veio atrás de mim, seu idiota?! — Jimin perguntou ofegante quando entraram no quarto do hotel duas estrelas em que Jimin estava hospedado. — Tem ideia do que é um humano vir ao Inferno sem estar morto?!

— O quê? — Yoongi questionou confuso.

— Podem vir atrás de você também! Por que caçambas você não continuou vivendo sua vida normalmente?! — Jimin andava desesperadamente pelo quarto dando voltas e voltas, suas unhas já estavam quase totalmente roídas e seu estômago revirava cada vez mais.

— Queria lhe ajudar, e pensei que talvez-

— “Talvez” coisa nenhuma! — Jimin se sentou na cama, passando as mãos por seus cabelos. — A minha única missão nesse universo é manter meus protegidos bem até o momento de sua morte. Mas por conta de uma irresponsabilidade minha, coloquei eu mesmo e você em risco me mostrando pra você. — E olhou para Yoongi com os olhos tensos. — E você ainda vem atrás de mim, esfregando mais ainda na minha cara que sou um irresponsável, e ainda preciso que meu protegido se coloque em risco vindo ao Inferno me salvar? — Bufou indignado. — Estou começando a entender o porquê de terem me mandado para cá. — Abaixou sua cabeça completamente fraco.

Yoongi nunca tinha visto Jimin daquela forma, fraco, frágil e vulnerável. O loiro sempre tinha um sorriso no rosto e suas asas estavam sempre levantadas, indicando atenção e vivacidade. Mas agora, Jimin estava diferente, talvez um outro lado que Yoongi não conhecesse estivesse sendo mostrado. Um lado que aquele lugar mostrava com tamanha facilidade.

Agora Yoongi entendia.

Ele esperava que chegasse lá e se deparasse com pessoas queimando no fogo e gritando de dor enquanto trabalhavam como escravos, mas não. O que queimavam nas pessoas eram suas almas, e não seus corpos. Era um lugar onde só havia pessoas que pregavam o mal, um lugar que, se você está lá, automaticamente se julga de ter feito tudo em sua vida; um lugar onde ficaria a eternidade preso nos próprios pecados em um arrependimento infinito.

Sem dúvidas, era o Inferno.

— Vamos sair daqui. Eu lhe prometo.

[...]

— Ninguém come aqui? — Yoongi se virou para Jimin enquanto ambos andavam pelas ruas em busca de alguém para ajudá-los. Yoongi estava com a barriga roncando já fazia quatro horas, e todas as padarias e bares que estavam abertos estavam sem alimento dentro, como se ninguém fosse comer nada.

— Não há corpo no pós-vida, Yoongi, não precisamos recuperar energias como humanos.

— No Céu, as pessoas comem? Não é possível não poder comer, é uma benção poder sentir o sabor das coisas! — Yoongi disse indignado fazendo Jimin soltar uma longa gargalhada.

— Acho que a paz eterna é algo bem mais satisfatório do que comer, não? — Olhou para Yoongi ainda sorrindo. Bem, pelo menos Yoongi conseguiu tirar um sorriso do garoto em meio a todo aquele caos.

— Parando para pensar melhor... Sim. — E soltou uma risada.

Quanto mais tempo ficavam lá, mais queriam sair. Sempre haviam pessoas procurando briga, o céu sempre estava cinza, como se uma enorme chuva fosse cair a qualquer momento, mas nunca chovia, e uma das coisas mais dolorosas era ver pessoas chorando nos cantos de tristeza por arrependimento. Ninguém conseguia ficar bem em um ambiente como aquele.

Yoongi e Jimin às vezes paravam algumas pessoas no meio do caminho, mas sempre que conseguiam mais que um “Saia da minha frente”, não conseguiam manter mais do que dez segundos de conversa. Era assustador, e tudo o que Yoongi queria era entrelaçar sua mão na de Jimin.

Ali ele podia. E ele fez.

— Você sabe, não sabe? — Yoongi perguntou para o Park quando ele o olhou surpreso pelo contato em sua mão.

— Eu sei o quê?

Antes que Yoongi continuasse, a pedra que estava em seu bolso brilhou.

— Yoongi, rápido. Jogue a pedra no chão! — Yoongi e Jimin ouviam a voz de Jungkook, mas não sabiam de onde vinha.

— Como?

— Jogue essa pedra agora ou nunca poderão sair daí!

Assim que a pedra se chocou contra o chão, se despedaçou em várias partes, fazendo flashes de luz saírem delas e tomarem conta da rua. Yoongi e Jimin ainda estavam de mãos dadas, ficando ainda mais confusos quando abriram seus olhos novamente e se depararam com um local completamente contrário do que estavam antes. Felizmente um cenário bem familiar para Jimin.

Era um dos salões e reuniões do grande palácio, era esplêndido, a construção era totalmente rica em detalhes, com um fundo branco simples repleto de pinturas parecidas que eram feitas à mão nas paredes e no teto. Um lustre gigantesco de diamantes pendurado no teto, não podendo também ignorar o chão completamente brilhante e limpo. Uma completa sensação de aconchego.

— Não acredito que você está aqui. — Jimin foi derrubado no chão quando um corpo se jogou contra o mesmo, abraçando-o. — Tem ideia do quão preocupado fiquei com você?

Yoongi observava tudo em volta, confuso. Havia várias pessoas lá, homens de armadura, anjos, outros homens e mulheres com roupas brancas e um olhar completamente sereno. E foi vendo a tranquilidade de Jimin diante daquele lugar que ele se tocou: era o Céu.

— O que você tramou enquanto eu estava lá, Jungkook? — Jimin perguntou, sentando-se, ainda abraçado ao amigo.

— Falei com Ele. — Afastou-se sorrindo genuinamente.

— V-você falou com Ele? — entonou.

— Sim! — Seu sorriso dobrou de tamanho. — Bem, não diretamente... Mas os conselheiros passaram meu recado a Ele, e Ele atendeu!

— O-o que você quer dizer com isso? — A voz de Jimin era falha.

— Jungkook quis dizer que você recebeu o perdão de Deus, Jimin. — A voz de Íris, uma das conselheiras, tomou conta do local. Ela deu alguns passos à frente, aproximando-se.

— Mas como? — Jimin levantava rapidamente, limpando suas vestes e fazendo uma curta reverência a sua superiora.

— O seu maior pecado não foi se mostrar para Yoongi, Jimin — fez uma breve pausa, intercalando seu olhar entre os dois garotos. — Foi se apaixonar por ele e, independente de ser contra as regras, você ainda não queria confessar seu erro.

— Mas Jimin foi perdoado, não foi? — Jungkook perguntou afobado, recebendo uma risada soprada da mulher, que achou a atitude de Jeon completamente heroica e verdadeira.

— Jimin foi castigado por David sem a permissão de Deus. — E se virou estreitando os olhos para o homem que estava junto aos outros, com os ombros um pouco encolhidos. — E como vocês sabem, o Todo Poderoso tem um coração mole, ainda mais por anjos tão dedicados e profundos como Jimin. — Voltou seu olhar para o loiro que encarava tudo com os olhos arregalados.

— D-Deus está aqui? — Yoongi engoliu em seco ansioso.

— Não. Ele tem coisas mais significantes para resolver, isso ele deixa com a gente. — Sorriu gentilmente, mas logo voltou seu olhar para Jimin, séria. — Você sabe que não vai poder continuar como um anjo, não sabe, Jimin?

O loiro respirou fundo e assentiu levemente, concordando. Ele não podia negar, ele tinha infringido muitas regras. Jimin tinha dado sorte de Deus ter piedade de si.

— Mas como Jimin fica? Ele fica entre os humanos que vieram para o Céu? — Yoongi se intrometeu outra vez, fazendo Jimin olhar a mulher com curiosidade.

— Bem, quase isso...

[...]

Yoongi acordou com uma tremenda dor de cabeça. Parecia que tinha voltado de uma noitada com Taehyung na noite passada, mas não, Yoongi não foi a nenhuma festa, e nem mesmo fazia sentido ele acordar com uma tremenda dor de cabeça naquela manhã.

Taehyung o ligava para avisar que estava chegando em sua casa para chamá-lo para irem juntos à faculdade como sempre faziam. E Yoongi ainda nem tinha se preparado.

O máximo que o garoto pôde fazer foi tomar um banho de dois minutos, vestir seu uniforme e correr até a porta para se deparar com um Taehyung completamente irritado com o horário que chegariam na faculdade.

— Preciso parar para comer algo — Yoongi disse, entrando em uma lanchonete sem nem mesmo esperar por Taehyung.

— Vamos nos atrasar se você continuar assim-

E Taehyung foi cortado por um estrondo que deu na padaria. Uma xícara de café tinha caído no chão.

O garçom, que servia o café aos poucos clientes do local, estava paralisado, encarando Yoongi sem nem mesmo perceber que tinha largado a xícara. Yoongi o olhou e continuaram com uma longa troca de olhar.

Yoongi sabia que conhecia aquele garoto de algum lugar.

E Jimin sabia que aquele era o momento certo, o seu querido antigo protegido estava sã e salvo. E agora, sem nenhuma limitação entre a linha do destino ou humanos e anjos. Dois humanos. Um que se lembrava do seu passado e um que tinha quase certeza de já ter visto aqueles olhos redondos e bochechas fofas.

Um recomeço.

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Notas finais: Minha primeira fic com essa pegada mais séria, e eu confesso que foi muito difícil ksks, mas foi muito interessante, porque eu real sai da zona de conforto que sempre era algo mais romântico e engraçadinho.
Queria agradecer a beta @monpecs/snuffyoon e a capista @busanjimin/xbusanjimin, que MEU DEUS, são o talento em pessoa. E também as adms que tiveram muita paciência e consideração comigo, só Deus sabe o off disso tudo kkk.
Espero que tenham gostado ^^ beijooos.

29 Novembre 2021 20:34:39 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
1
La fin

A propos de l’auteur

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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