wsilva52 Wendel Silva

Tudo na vida é uma questão de aprendizado. Esta é uma fabula criada para trazer uma história recheada de referencias, das quais obviamente não estão totalmente visíveis; Cabe a cada um intrepetar a sua maneira. Acompanhe a incrível jornada de descobrimento e renascimento de um animal que é majestoso por si só. A águia e o leão é um conto simples, mas espero ter contado essa história da melhor maneira possível.


Histoire courte Tout public.

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Histoire courte
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Da Mata até a Montanha

Certo dia uma águia acordou em meio à mata, estava confusa e não sabia onde estava. Aquela mata era extensa, com árvores que ascendiam aos céus até sumir de vista, folhas verdes e amareladas formavam um grande agrado aos olhos.

Pobre ave, acostumada com grandes campos abertos onde podia voar livremente pelos céus, agora se via presa em um lugar desconhecido; olhava para o alto e não conseguia ver o céu, apenas galhos e folhas com pequenas passagens de luz. Tentou sobrevoar pelos galhos, adentrando as folhas buscando a direção do sol, mas não obteve sucesso.

Águias são aves magnificas, dignas de reis e rainhas, mas seu reinado e sua força são no céu entre os ventos. Esses animais são fortes em seu habitat, mas no solo ficam indefesos, fortes, mas sem sua maior vantagem.

A águia então percebeu após muitas falhas tentativas de voar entre as árvores, se quisesse sair deste lugar, precisava ir caminhando.

Após um tempo de viagem, ela estava começando a se cansar, olhava para suas asas e via pequenas penas caindo; estava velha, suas unhas e bico começavam a rachar, ela percebia isso.

Após duas noites e dois dias vagando sem rumo em meio à mata, ela avistou algo incomum. Um leão sentado entre as raízes de uma velha árvore seca, ele era um animal aparentemente velho e mesmo sentado sua postura era de um verdadeiro rei.

“O que uma ave tão majestosa faz perdida nesta mata?” – Questionou o leão ao se levantar.

“Não sei dizer, eu estava em um grande campo e então perdi os sentidos. Quando acordei e os recuperei já estava neste lugar...” – Indagava a águia com um olhar baixo e confuso. – “Onde eu estou? E o que um leão da savana faz em meio à mata fechada?”

“São muitas questões para alguém que pode ver até além do próprio tempo.” – E de fato era verdade, a visão da águia era magnifica, podendo enxergar além do que olhos comuns podiam ver. Alguns mais antigos diziam até que a visão da águia podia ver até mesmo o futuro e infinitas possibilidades para uma mesma escolha; era invejada por isso e até caçada pelos mais ambiciosos.

“Minha visão está confusa, posso ver o que está a minha frente, mas não, além disso.” – Ela deu pequenos passos na direção do leão.

Ora, o normal seria a águia estar com medo do leão, afinal ele era um grande predador e ela estava sem sua maior vantagem em uma luta. Mas por algum motivo ela não estava com medo, estava calma e sentia certa proteção vinda daquele animal.

Conforme caminhava, mais penas caiam na terra e suas garras rachavam um pouco a cada instante.

“Precisa encontrar seu caminho, mas para isso precisa aprender. Há coisas nesse mundo que até mesmo nós desconhecemos, suas penas estão caindo e seu bico rachando; sabe o que tem que fazer.” – Disse o leão dando passos lentos para dentro da mata.

“Você disse ‘nós’... Nós quem?” – Indagou com olhar confuso.

“Irá descobrir por conta própria... Sabe para onde deve ir, estarei te esperando lá na esperança de que quando chegar já tenha aprendido o que precisa.” – Ele continuou caminhando até desaparecer em meio às árvores.

A águia sabia para onde deveria ir, precisava subir até a mais alta montanha que encontrasse; onde iria tirar suas penas e terminar de quebrar seu bico e garras, para que então novos crescessem no lugar.

Mas ainda havia algo a ser resolvido, como sairia da mata afinal? E foi neste momento que ela ouviu uma voz vinda do alto das árvores, era um papagaio. Suas cores eram de um tom que se camuflava entre as folhas das árvores; ele pousou em um galho na frente da águia.

“Por que caminha tanto se não sabe para qual lado deve ir?” – Disse o papagaio, que falava como um grande sábio. “Somos aves, nós não caminhamos, nós voamos.”

“Mas como vou voar se não consigo chegar aos céus? Não sou pequeno como você para voar entre as árvores!” – O papagaio deu uma risada, o que pareceu irritar a águia, afinal já estava cansado de ficar presa na mata. – “Qual a graça nisso?!”.

“Se o problema são as árvores, basta tira-las de seu caminho ora! Ou vai deixar de voar toda vez que um obstáculo aparecer?” – O papagaio riu mais uma vez, antes de continuar. – “Para sair desta mata, é como caçar; tende ser paciente e preciso em seus movimentos, buscando o melhor caminho e a melhor posição. Use o que tem a seu favor, sua força não vem dos ventos se é o que pensa, ela vem de si próprio!”.

Antes que a águia tivesse chance de responder, o papagaio se pôs a voar novamente entre as árvores; até que assim como o leão, desapareceu.

Agora ela sabia o que fazer, procurou a maior brecha de luz entre as árvores; e voou naquela direção quebrando os galhos com suas garras para conseguir passar, havia dor nisso, afinal elas já estavam gastas e não tinham a mesma força de antes. Mas apesar de toda dificuldade, ela conseguiu sair da mata e voar entre os céus e os ventos.

O que ela pode ver a surpreendeu, a mata não era tão grande quanto imaginava; no final, ela descobriu que estava andando em círculos, mas isso já não mais importava, havia se libertado.

Enquanto voava, ela pode ver os grandes lagos e campos que se estendiam até além da onde a visão alcançava; e ao fundo, viu seu destino, uma grande montanha esverdeada. Mas estava cansada, precisava de água, então decidiu para no lago mais próximo para se hidratar antes de seguir sua viagem.

Ao descer no lago ela logo se pôs a beber da água que ali se encontrava. Assustou-se ao olhar para o lado e enxergar um enorme búfalo bebendo da água do lago.

Ora, ao descer até o lado a águia não havia avistado mais nenhum animal na beira do rio, o que é claro apenas fez com que ela se assustasse ainda mais. Queria fugir, voar para longe antes que aquele animal gigantesco avançasse em sua direção, mas algo a impedia de voar; era como se todos os ventos houvessem sumido.

“Deve ser difícil, não é?” – Dizia o búfalo, que surpreendeu a águia ao mostrar que sua voz era de uma mulher, uma voz que passava sabedoria e imponência.

“O que é difícil?” – Indagou com olhar confuso, estava com a guarda levantada, ao mostrar suas asas era perceptível que havia cada vez menos penas.

“Querer voar e não conseguir, querer enxergar e não poder, querer sentir e não haver nada a se sentir... É um mundo grande o que tem a sua frente nobre ave, mas para continuar sua jornada é preciso entender que tudo o que há nele é protegido por alguém ou alguma coisa.” – O búfalo caminhou na direção da ave e pequenas correntes de vento se formaram. – “Até mesmo os ventos!”.

A águia parecia confusa, mas estava entendo o que aquele animal desconhecido estava lhe dizendo. O búfalo caminhou na direção da ave e lhe entregou uma pena branca, tão branca quanto algodão.

“Guarde-a bem, vai precisar quando encontrar o leão na montanha.” – Disse com a voz calma. – “E lembre-se: Até mesmo os ventos são protegidos, assim como a terra e as águas. Jamais se esqueça disso.”.

“Espera!” – Dizia. – “Conhece o leão?”.

“Todos se conhecem por aqui, e todos já sabem de sua chegada.” – E assim como o leão e o papagaio, o búfalo caminhou para longe até sumir entre os ventos que o rodeavam.

A águia guardou a pena em segurança entre suas asas, e então seguiu seu caminho voando em direção à montanha. Estava quase chegando, mas sua visão já começava a se apagar, a força de suas asas diminuía a cada instante; porém ela continuava, estava quase lá.

Como esperado, ela não aguentou e caiu em um campo no pé da montanha. O campo era árido, havia grama seca e também muita terra vermelha; começou a se rastejar em direção a seu destino, mesmo sabendo que era impossível de conseguir.

A terra começou a tremer, ouvia barulhos de correntes e latidos ao fundo. Até que escutou uma voz vinda de todas as direções.

“Fraquejar não é uma opção! Nós caímos, mas somente para nos levantar; mais fortes e mais sábios, assim como mais determinados!” – Era uma voz grave, como a de um grande general que incentivava seus soldados a lutar.

E novamente, outra voz surgiu.

“Você pode ser dos ventos, seu lugar pode ser nos céus; mas é a terra que sustenta tudo, é a terra que da a firmeza para o mundo ser o que é! Portanto, é a terra que lhe da força para continuar quando necessário.” – Era a voz de um velho, aparentava sabedoria e também muita força em suas palavras. E mais uma vez, ouviu as vozes; dessa vez, as duas ao mesmo tempo.

“A terra lhe da força, os campos lhe dão coragem; juntos, você pode alcançar tudo o que desejar, e descobrir o que precisa para recuperar o que perdeu.” – Neste momento, um vento surgiu em meio ao campo, e desse vento um manto feito de palha cobriu a ave; não demorou muito para que ela recuperasse sua força, pelo menos o suficiente para alcançar o alto da montanha.

Ao final do dia, ela chegou onde devia; adentrou uma pequena caverna no alto, onde no fundo estava o leão. Sentado em um trono de pedra, mostrando toda sua imponência.

“Pensei que não chegaria.” – Ele observou a águia desgastada, o manto de palha que lhe deu forças caia diante seus pés junto com o restante de suas penas.

A águia nada disse ao leão, apenas começou a bater seu bico com força na parede, até que ele se quebrasse por completo; o mesmo fez com suas garras e penas. Porém, apenas uma pena a ave não conseguiu retirar, a pena que fora lhe entregue pelo búfalo.

“Não adianta tentar tirá-la.” – Disse ao ver o esforço da águia. – “A partir desta, novas nascerão; junto com os pequenos pedaços de ferro que vieram no manto de palha; pedaços esses que passaram despercebidos e adentraram a raiz de seu bico e suas garras.”.

A águia nada dizia, sentia tanta dor que mal conseguia olhar para o leão; aos poucos até mesmo sua visão escurecia. Foi onde percebeu que seus olhos estavam molhados, não sabia, mas era da água do lago onde matou sua sede.

Quando sua visão escureceu por completo perdeu os sentidos, e nisso pode ver a verdade de tudo o que aconteceu e estava acontecendo. Viu quem era de verdade, não uma ave de fato, mas sim um homem velho; no momento em que veio a falecer, se viu caminhando sob um campo, ajoelhando-se na terra e desenhando um arco no solo.

Lembrou-se das últimas palavras que disse: “Que os ventos me levem no eterno sono, e que minha alma seja levada a uma nova vida além desta.”.

E então se viu perdendo os sentidos, e acordando em meio à mata.

Após um tempo, a águia finalmente acordou, suas penas estavam mais brancas do que algodão; seu bico e suas garras mais afiados e fortes do que o aço, e sua visão, como o leão já havia dito, agora poderia ver além do próprio tempo.

Caminhou para fora da caverna e viu o leão parado olhando para o horizonte.

“O que consegue ver com estes olhos?” – Disse sem desviar seu olhar do horizonte.

“Tudo... Vejo até mais do que via antes, quando ainda era vivo.” – Disse com a voz calma.

“Então você finalmente entendeu que lugar é este. Chamamos de muitos nomes, mas o objetivo é apenas um, proteger e guiar.” – Ele se virou para a águia. – “Já lhe disseram que tudo o que existe é protegido por alguém ou alguma coisa, não é? Então agora é a sua vez.”.

Estava com o olhar confuso, e logo perguntou:

“E qual minha função nisso tudo?”

“Você tem a visão, a força e o renascimento... Vai descobrir seu caminho, é livre para ir para onde quiser agora. Já fez que precisava e aprendeu o necessário para recomeçar.” – O leão voltou seu olhar para o horizonte novamente. – “Mas se tiver dúvidas procure pelo papagaio na mata, ele é sábio vai saber como lhe ajudar.”.

A águia nada disse, apenas levantou em um voou tão belo que é difícil descrever. Planava no ar com maestria e às vezes até cobria o sol com suas asas, era lindo de se ver; logo mudou sua direção para a mata, iria procurar pelo papagaio.

E no leão podia se ver um pequeno sorriso, ele fechou os olhos e voltou para dentro da montanha; havia cumprido sua missão ao lado de seus companheiros, uma nova alma havia renascido ainda mais forte e sábia do que jamais fora antes.

Agora o mundo inteiro conheceria a águia branca que protege as matas e os campos de nosso mundo. Guiando aqueles que precisam, e ajudando-os a ver além daquilo que podem; mostrando que a sabedoria e a força vêm diante as dificuldades, só nos restam enxerga-las e encontra-las.

17 Novembre 2021 22:19:56 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Wendel Silva Wendel Silva, escritor e professor de História e Literatura. Sou um cara simples, apenas buscando uma forma de contar minhas histórias e talvez fazer a diferença. Já tenho livros publicados, mas os contos são as raizes para grandes sagas. Neste perfil, escreverei apenas contos simples.

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