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esternw Ester Cabral

No cieiro, eu nasci. Como e de onde vim, não sei dizer. Apenas existo. Apenas sou.


Histoire courte Tout public.

#drama #poesia #drabble #conto #Flor # #natureza
Histoire courte
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Ser

Olá, você que chegou até aqui!
Essa história faz parte do desafio de novembro do Nyah (mas que resolvi passar pra cá também), e que normalmente é conhecido por ser de spin-offs das histórias do desafio de drabbles de outubro, MAS, como a spin-off da minha drabble vai precisar de muito mais do que 300 palavras, vamos de uma história novinha em folha.


Palavras-chave: aljofrar e cieiro.
Aljofre: verbo transitivo e pronominal
2. Salpicar ou salpicar-se com pequenas gotas, orvalhar.


Cieiro: substantivo masculino.
2. estado de fragmentação do solo ressecado pelo calor.




No cieiro, eu nasci. Como e de onde vim, não sei dizer. Apenas existo. Não me perco em questionamentos, não procuro entender o que não compreendo, apenas existo. A simplicidade do ato de ser supre qualquer dúvida que possa ter.

Minhas irmãs chacoalham com a brisa e eu sigo, apenas sendo. A melodia do vento, o cantar dos pássaros que nos sobrevoam me fazem querer dançar, e apenas danço, porque sinto que deve ser assim.

A noite cai e as estrelas decoram o céu, existindo em sua existência finita a anos-luz de distância. Apenas sendo estrelas em um lugar que nunca chegarei.

A noite lentamente vai embora e o orvalho me aljofrar e me alimenta. A chuva me sacia e me mantém viva, faz-me continuar sendo uma flor no cieiro.

Porém, um dia, eu deixo de ser uma flor do cieiro. Dedos me capturam e me puxam de minha morada. Assim como minhas irmãs.

Existimos numa escuridão que se move e, quando a noção de tempo some, vemos o sol outra vez.

O que aconteceu, não sei dizer. E desisto de explicar quando vejo outras de mim. Diferentes de mim, mas todas apenas existindo naquele ambiente artificial.

Em outro tempo, forçam-me junto de minhas irmãs e nos envolvem em um objeto feito por mãos humanas.

Questiono, mas não compreendo. E apenas existo.

A mão, talvez não a mesma, nos captura e nos leva para longe, mais uma vez.

Vejo o céu tingido de cinza pelas nuvens, que havia se tornado apenas uma lembrança em um tempo perdido.

A mão nos passa para outra mão. Balançamos com força e nos apertamos contra nós mesmas.

Logo, atingimos o chão artificial, duro e áspero.

Tendo minhas pétalas amassadas e minha beleza destruída, apenas existo, enquanto a chuva tenta me manter viva mais um pouco.

3 Novembre 2021 00:16:34 6 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
9
La fin

A propos de l’auteur

Ester Cabral Diretamente do interior de São Paulo e com duas décadas de vida nas costas [apesar da carinha de menina], que sequer sabe o que falar sobre ela mesma pra fazer uma descrição interessante. Amante da música, fã da Fresno, de uns metal doido, de temperaturas amenas, de gatos, contos e que de vez em quando se aventura em uma história mais longa. Que pensa demais e fala e escreve de menos. Se gosta de um bom drama e romances fofinhos, aproveite a estadia.

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Marcela Souza Marcela Souza
Olá, Ester! Faço parte da Embaixada brasileira do Inkspired e estou aqui para lhe parabenizar pela verificação da sua história. Em primeiro lugar, preciso dizer que o seu conto é, sem dúvida alguma, um dos mais bonitos que já li. Você tem uma escrita linda, tocante e intensa, o que torna a experiência literária bastante profunda. É uma escrita poética, que nos prende e nos emociona. Parabéns. Gostei muito da maneira como você conduziu na narrativa. As metáforas que utilizou, a simplicidade das palavras, tudo me pareceu incrível. É quase impossível não se sentir parte do texto, de tão profundo que ele é. Quanto à estrutura do seu texto, ele está impecável. Você soube organizar muito bem as ideias e de fato nos passou a mensagem que gostaria. A sua escrita é excelente, e proporciona ao leitor uma experiência incrível. Tenho certeza de que o seu conto irá cativar seus leitores tanto quanto me cativou. É uma história emocionante, e espero muito ler mais coisa sua por aqui, viu? Um grande abraço!
December 17, 2021, 19:23

  • Ester Cabral Ester Cabral
    Olá, tudo bem? Antes de mais nada, mil perdões pela demora pra responder, mas seu comentário é tão encantador que eu fiquei sem saber o que responder :D Muito obrigada mesmo pelo comentário e por cada um dos elogios, é de deixar de coração quentinho sabe que consegui transmitir a profundidade que eu queria passar para o leitor ♡ E pode deixar que eu vou sempre continuar postando por aqui ♡ Muito obrigada pela presença e pelo comentário ♡ Kisses e até o/ 1 week ago
D Dirley
Continua assim...
November 16, 2021, 08:06

Palas Palas
Adorei! Nascer no cieiro e morrer na chuva foi um movimento muito bonito -- e deu uma dimensão de vida e morte diferente do comum!
November 03, 2021, 19:02

  • Ester Cabral Ester Cabral
    A florzinha começou lutando para sobreviver no cieiro e, no fim, o que acabou a matando foi a ação humana, com ela terminando morta também num lugar onde não se espera ver uma flor. Muito obrigada por ter lido, fico feliz que tenha gostado <3 Kisses e até o/ November 15, 2021, 14:08
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